O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

Ainda há escolas a vender alimentos pouco saudáveis

Outubro 25, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 25 de outubro de 2017.

Joana Capucho

Cachorros, bolachas de chocolate e refrigerantes continuam à venda cinco anos depois de a orientação do governo o proibir

Pedro vive na zona da Grande Lisboa, onde a filha frequenta uma escola pública do 2º ciclo. Recentemente, foi surpreendido com fotografias do bar da escola, que cedeu ao DN, nas quais é visível a oferta de alimentos pouco saudáveis: mini-pizzas, cachorros, waffles com xarope de chocolate, folhados. Uma situação que o deixou descontente e que também foi relatada ao DN por outros pais. Queixam-se da venda destes e de outros produtos como croissants com chocolate, bolachas de chocolate com recheio e bebidas açucaradas, alimentos que já não deviam ser vendidos nos estabelecimentos de ensino.

Cinco anos após a publicação das orientações para os bufetes escolares pela Direção-Geral da Educação (DGE), há escolas que continuam a vender alimentos prejudiciais à saúde, tanto nos bares como nas máquinas de venda automática. Existe uma lista de alimentos a disponibilizar, a limitar e a não disponibilizar, mas não é cumprida em todos os estabelecimentos de ensino. “Em teoria, isto não deveria acontecer. Não estão a ser cumpridas as orientações. De vez em quando, recebemos algumas queixas dos pais relacionadas com o que se vende nos bares e nas máquinas e com o que serve nas cantinas. São situações pontuais, mas isso não significa que o problema seja grande ou pequeno, porque nem todos os pais têm conhecimento do que se passa nas escolas”, diz ao DN Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde.

Na opinião de Pedro Graça, “há um problema relacionado com a falta de fiscalização/verificação do cumprimentos das normas”, mas também “há alguma demissão por parte dos pais, que não vão às escolas onde os filhos andam”. As próprias escolas e autarquias “deviam munir-se de técnicos especialistas capazes de aferir a qualidade dos produtos que são vendidos, verificar se as normas são cumpridas e promover alterações”. Quanto às máquinas de vending, “é uma questão de fiscalização, porque se forem cumpridas as regras, não são nefastas”.

Contactado pelo DN, o Ministério da Educação remete para o Ofício Circular n.º 7/DGE/2012 Bufetes escolares – Orientações e diz que “a Inspeção Geral da Educação e Ciência zela pelo cumprimento” dessa recomendações. Apesar de serem “orientações”, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues diz que não são facultativas e têm que ser cumpridas por todos os diretores de agrupamentos.

Já os diretores dos agrupamentos, reconhecem que estas máquinas são uma fonte de rendimento, mas dizem desconhecer situações de incumprimento. “Existem regras muito claras sobre o que se pode ou não vender nos estabelecimentos de ensino. Há escolas, como aquelas onde há ensino noturno e recorrente, onde podem existir alguns desses produtos nas máquinas para os alunos da noite. Admito que possam existir casos desses, mas não tenho conhecimento de nenhum”, afirma ao DN Manuel Pereira, diretor da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), destacando que “cada escola decide o que vende, tendo em conta as recomendações”.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que sabe que há escolas onde existem máquinas – não é o caso da sua – mas também não conhece instituições que não cumpram as orientações da DGE. Nem tão pouco bufetes. “Não podem ser vendidos alimentos proibidos. Isso não pode acontecer. E não tenho conhecimento de diretores que autorizem aquilo que as diretrizes não aconselham e até proíbem”, refere, acrescentando que “a responsabilidade é das direções, não só das máquinas, mas também do que se consome nos bares das escolas”.

Tal como acontece nos outros locais onde existem máquinas de vending, estas são uma fonte de receitas para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas. Além disso, sublinha Filinto Lima, muitas vezes “atenuam o constrangimento da escassez de funcionários” nas instituições de ensino. “Não vejo mal nenhum que existam máquinas nas escolas, desde que só tenham os alimentos que são permitidos pela DGE. Há uma grande preocupação das escolas em relação ao que é servido aos alunos. Se estão a ser vendidos produtos que não são permitidos, a situação tem que ser corrigida”.

Pais devem estar atentos

Manuel Pereira diz que, caso os pais detetem que as escolas estão a vender produtos com elevados teores de açúcares ou de gorduras, devem falar com os diretores dos agrupamentos. Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais também desconhece situações de incumprimento, mas destaca que “não são os pais que estão permanentemente dentro das escolas”. “A primeira responsabilidade é dos adultos que lá estão. Os pais têm que estar atentos, mas há famílias que acham natural dar à criança um Bollycao para o pequeno almoço”, denuncia. Por isso, propõe, “é necessário capacitar os pais, para que percebam os prós e contras, para que estejam informados”. Um trabalho, frisa, que devem ser feito pelas escolas e pelas associações de pais.

Cabe às escolas, afirma Jorge Ascenção, “dar o exemplo” no que diz respeito à alimentação saudável. “Não pode vender produtos nocivos à saúde. E deve também fazer o acompanhamento para que a criança se possa auto-proteger. Se a educação e o acompanhamento forem bons, evitamos que vão comprar produtos pouco saudáveis a 100 metros da escola”, sublinha.

Além do trabalho que tem que ser feito nos estabelecimento de ensino e em casa, Filinto Lima considera que é “necessário atuar junto das empresas que ficam próximas da escola” e onde as crianças e adolescentes encontram todos os produtos que esta não deve disponibilizar aos alunos. “A escola cumpre, mas há alguém a 10 metros que vende tudo o que está proibida de vender”, critica. Uma situação que, segundo Pedro Graça, é difícil de resolver “do ponto de vista legal”, mas que “pode ser pensada”. Até lá, sugere, “os pais podem, em conjunto com os diretores, tomar decisões para que os filhos não saiam da escola para comer”, enquanto esta deve “perceber o que leva a criança a sair, tentando oferecer-lhe alternativas atrativas”.

 

 

 

O que as crianças comem aos quatro anos determina a gordura aos sete

Julho 1, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.noticiasmagazine.pt/de 7 de junho de 2017.

Um estudo desenvolvido no Porto concluiu que crianças que comem alimentos calóricos e com muito açúcar aos quatro anos têm tendência a desenvolver maior gordura corporal aos sete, situação que se verifica mais nas raparigas.

Estes resultados podem ser explicados pelas «diferenças hormonais e de composição corporal, que se manifestam antes do início da puberdade», como é o caso de «uma maior massa gorda relativa nas raparigas», disse à Lusa a investigadora Catarina Durão, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), entidade responsável pelo estudo.

De acordo com a especialista, estas diferenças podem ainda estar relacionados com um ressalto adipocitário (período na infância em que se reinicia o aumento do índice de massa corporal), que acontece mais precocemente nas raparigas.

A investigação, que envolveu 3.473 crianças da ‘coorte’ Geração 21 – projeto de investigação que acompanha cerca de 8.600 crianças da cidade do Porto, desde o nascimento – mostra que 44% das raparigas e 45% dos rapazes avaliados aos quatro anos, já praticam um «padrão alimentar excessivo».

Esse padrão inclui, segundo a investigadora, alimentos demasiado calóricos e com pouco interesse do ponto de vista nutricional, como bolos, doces, refrigerantes, néctares, charcutaria, pizas, hambúrgueres, croquetes, rissóis e batatas fritas.

Catarina Durão indica ainda que as crianças que têm esses hábitos alimentares aos quatro anos tendem a mantê-lo aos sete, aumentando, devido a isso, a proporção da ingestão de alimentos demasiado calóricos também nesta idade (49% das raparigas e 53% dos rapazes).

«Tendo em conta que a idade pré-escolar é um período particularmente relevante para o estabelecimento de preferências e de hábitos alimentares, esta fase da vida é uma oportunidade de excelência para intervir, já que a criança e a sua família podem estar mais abertas à mudança», referiu.

Para a investigadora, as intervenções devem incidir sobre «alimentos com elevada densidade energética e sobre bebidas açucaradas», uma vez que «o consumo destes produtos está associado entre si».

Crianças «que consomem mais ‘fast food’, também bebem mais bebidas açucaradas, comem mais bolos, doces, guloseimas e ‘snacks’ salgados», explicou.

Na sua opinião, embora o consumo de alimentos densamente energéticos seja reconhecido como fator de risco para a obesidade infantil, são relativamente escassos os estudos que avaliem padrões alimentares identificados estatisticamente em crianças na idade pré-escolar e a sua relação com subsequente adiposidade.

«Observar esta associação tem relevância, pois consolida a evidência científica que permite servir de base a políticas públicas de promoção de uma alimentação saudável, dando ênfase à importância de intervir o mais precocemente possível», concluiu.

Neste estudo participaram ainda os investigadores Milton Severo, Andreia Oliveira, Pedro Moreira, António Guerra, Henrique Barros e Carla Lopes, membros do Grupo de Investigação em Epidemiologia da Nutrição e da Obesidade da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP.

Designado «Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age», o estudo foi publicado recentemente na revista Public Health Nutrition.

Estudo mencionado na notícia:

Association between dietary patterns and adiposity from 4 to 7 years of age

 

 

 

 

Escolas ignoram regras de 2012 e vendem alimentos prejudiciais à saúde

Outubro 3, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de setembro de 2016.

Leonardo Negrão/Global Imagens

Leonardo Negrão/Global Imagens

Joana Capucho

Há escolas que insistem em vender doces embalados e bebidas açucaradas nas máquinas automáticas

O bar da escola ainda não abriu. Restam algumas garrafas de água na montra. Ao lado, na máquina de venda automática, há águas, embalagens pequenas de Oreo, Chips Ahoy e Cacao Wafer, pacotes de Compal, Fresky, Capri Sonne e B!. Foi este o cenário encontrado ontem pelo DN numa escola dos 2.º e 3.º ciclos de Aveiro. “Devem vir trazer mais coisas antes de as aulas começarem. Costuma ter sandes, gelatinas, chocolates, bolachas de água e sal e digestivas, salame, bolo de bolacha”, conta Maria, aluna do 8.º ano.

Quatro anos depois de a Direção-Geral da Educação (DGE) ter publicado regras muito específicas para a alimentação nas escolas, ainda há instituições de ensino que disponibilizam bebidas açucaradas, que podem ser equiparadas a refrigerantes (categoria que inclui iced tea, bebidas aromatizadas e com gás) e outros alimentos pouco saudáveis nas máquinas de venda automática. E continuam a chegar queixas à Direção-Geral da Saúde. Os diretores reconhecem que as máquinas são uma fonte

de rendimento para as escolas e garantem que estas estão a renegociar com as empresas que as abastecem para que vendam alimentos mais saudáveis. No ano passado, um estudo feito pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, que avaliou quase 20 escolas do concelho, concluiu que 80% das escolas ainda estavam a oferecer produtos que não deviam estar disponíveis e apenas metade daquelas ofereciam fruta.

“Ainda se veem alimentos e bebidas que não devem ser comercializados em algumas escolas públicas portuguesas, mas é cada vez menos usual”, admitiu ao DN Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP). O também diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, diz que, no seu caso, a escola decidiu eliminar as máquinas de venda automática, mas há diretores que optam por renegociar os contratos com as empresas.

“As máquinas estavam preparadas para determinado tipo de produtos. As escolas que as querem manter têm de falar com as empresas para mudar os produtos que existiam, nomeadamente os refrigerantes”, adianta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares, destacando que as máquinas de venda automática são “uma fonte de rendimento” para as escolas, que recebem uma percentagem das vendas.

À Direção-Geral da Saúde (DGS) ainda chegam algumas queixas. Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, diz ao DN que, “pontualmente”, há pais que informam a DGS de que determinada escola não está a cumprir as regras (ver entrevista). De acordo com as orientações para os bares escolares e máquinas de venda automática emitidas em 2012, há alimentos a privilegiar, a limitar e a não disponibilizar. Entre aqueles que não podem ser vendidos estão os refrigerantes (lista que inclui iced tea, bebidas com gás ou à base de cola, água aromatizada), chocolates em embalagens superiores a 50 gramas, pastéis, bolachas e biscoitos com cobertura e/ou recheados, guloseimas, entre outros.

Jorge Ascensão, presidente da Confederação Geral das Associações de Pais, acredita que o problema “está mais ou menos controlado”, existindo apenas “situações pontuais”. Sempre que as associações de pais se apercebem de irregularidades, a escola é contactada.

Embora muitas escolas já tenham eliminado os referidos produtos, há casos em que os alunos conseguem comprá-los a poucos metros da instituição. “Do outro lado da rua há cafés a vender esses alimentos, que os alunos levam para a escola”, denuncia Filinto Lima. Para o presidente da ANDAEP, as escolas devem “sensibilizar os alunos e as famílias, que também dão às crianças em casa aquilo que as escolas estão proibidas de vender”.

Bufetes Escolares – Orientações

Sabe como são os miúdos de 2015?

Julho 8, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Sábado de 28 de junho de 2015.

sabado

André Rito

Quando a campainha tocava, o rapaz raramente ia para o recreio: preferia passar os intervalos na biblioteca. Os professores estranharam, chamaram os pais e descobriram que o cenário em casa não era diferente, mas em vez da biblioteca, Bruno, de 9 anos, passava horas no quarto em frente ao computador. Tinha ciberadição.

Este é um dos fenómenos apontados por Mário Cordeiro, pediatra que publicou o livro Crianças e Famílias num Portugal em Mudança, onde analisa a realidade das crianças portuguesas ao longo das últimas décadas. Bruno é um caso paradigmático num país onde os menores passam 4,5 horas em frente ao computador – durante a semana –, e 7,5 horas, ao fim-de-semana.

“São valores que contrariam as recomendações pediátricas, numa idade que devia ser sensorial, de experimentação e destreza manual”, explica à SÁBADO o pediatra. Mas há mais: Portugal é o país europeu onde a utilização da Internet começa mais cedo, aos 6 anos.

A crise envergonha

Quando deixaram de ter televisão por cabo, o miúdo ficou envergonhado. Surgiram os primeiros sintomas de depressão: recusava ir à escola, tinha tendência para se isolar. “Era tudo uma chatice”, recorda o pediatra, lembrando que os pais estavam ambos desempregados.

“Chegava a ter vergonha de pedir um conjunto de lápis para a escola”. Os pais também não queriam concorrer a apoios sociais escolares – por vergonha, “não queriam o filho rotulado”, diz o clínico que um dia se sentou sozinho com o rapaz e lhe contou a história dos seus pais: “disse-lhe que chegámos a viver com água e comida racionada. É preciso relativizar, e ele percebeu. Nós somos nós e as nossas circunstâncias.”

Outro dado que a crise introduziu foi a necessidade dos pais emigrarem, deixando os filhos com familiares. Apesar dos problemas de estabilidade que esta mudança implica – mesmo mantendo contacto diário através da Internet– Mário Cordeiro lembra que “as crianças têm uma enorme resiliência e o que lhes interessa é saber que os pais, mesmo distantes, as amam e têm as mesmas saudades que elas têm deles.”

Gays e novas famílias

As mudanças na vida dos miúdos são proporcionais às transformações que as famílias sofreram nas últimas décadas. Em Portugal, que tem a taxa de natalidade mais baixa da Europa, assiste-se a um crescimento dos modelos monoparentais e de casais sem filhos, ou apenas com um filho. A ausência de irmãos, como explica o pediatra, pode contribuir “para o isolamento, egocentrismo, narcisismo e omnipotência da criança.” “Leva também a que a sobrecarga que os pais colocam em termos de ‘destino’ e de percurso de vida se concentre num só filho”, explica. Por outro lado, a vida nas cidades, aliada a preocupações de segurança exageradas, faz com que as crianças se sintam mais isoladas, não brinquem com outras. São “mais autónomas (ou mais sós) em alguns aspectos, mas muito dependentes afectivamente e na gestão do quotidiano.”

Com a família “em permanente transformação”, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo introduziu uma nova variável e o pediatra já acompanhou vários casos de miúdos “com dois pais ou duas mães”. Apesar da lei da co-adopção não ter sido aprovada, na escola, nenhum dos casos que seguiu foi alvo de discriminação. “Os fantasmas estão na cabeça dos adultos, não na das crianças.”

Fast food e escola

Marta costumava enviar fotografias do almoço da cantina ao pai. Era uma forma de o pressionar: afinal, um prato de comida da escola não tinha o ar apetitoso de um hambúrguer, cuidadosamente produzido por uma cadeia de fast food. Mas a realidade é outra: em Portugal, uma em cada três crianças sofre de excesso de peso.

Mário Cordeiro, que costumava fazer visitas surpresa a refeitórios, diz que a generalidade das cantinas têm ementas equilibradas. Mas alerta para um outro problema: as guloseimas, em tempos símbolo de festas, hoje vendidas ao desbarato perto das escolas. “Não havia festa sem doces, e era isso que as tornava especiais, tinham um valor positivo em termos psicológicos e sociais. Hoje tudo se encontra em todo o lado.” Que o digam os miúdos, enquanto ainda têm dentes.

Números

65% das crianças portuguesas

tem um computador pessoal. A média europeia é de 25%. 

30 meses

foi o tempo médio que uma criança aguardou em 2013 pela regulação do poder paternal.

90% das crianças portuguesas

consome fast-food, doces e refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana.

 

 

Fast food pode provocar asma nas crianças e jovens

Janeiro 21, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 14 de Janeiro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Do fast foods cause asthma, rhinoconjunctivitis and eczema? Global findings from the International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) Phase Three

Lusa

O consumo de “comida rápida” pelo menos três vezes por semana pode provocar doenças como asma e eczema em crianças e adolescentes, segundo as conclusões de um estudo do boletim especializado britânico “Thorax”

O consumo de “comida rápida” pelo menos três vezes por semana pode provocar doenças como asma e eczema em crianças e adolescentes, segundo as conclusões de um estudo do boletim especializado britânico “Thorax”.

Um grupo de cientistas das universidades de Auckland, na Nova Zelândia, e de Nottingham, no Reino Unido, responsáveis pelo estudo, concluiu ainda que o consumo abundante de fruta tem um efeito preventivo no aparecimento daquelas doenças.

As conclusões do estudo resultam da análise de padrões de alimentação de mais de 500 mil crianças de 50 países e fazem parte de um documento mais vasto, o Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância.

Os cientistas verificaram que os jovens que comem mais refeições como hambúrgueres preparados e servidos em cadeia internacionais e restauração correm mais risco de desenvolver doenças como asma, eczema e irritações oculares e das vias respiratórias.

Entre os pré-adolescentes que consomem esses alimentos três ou mais vezes por semana, o risco de asma aumenta 39 por cento. Nas crianças de seis a sete anos, o risco aumenta 27 por cento.

No sentido inverso, o consumo de fruta três ou mais vezes por semana reduz entre 11 e 14 por cento o risco de sofrer de asma, de eczemas e de rinoconjuntivites

Em alguns casos, alimentos como o leite de vaca, ovos, peixe, marisco, leveduras, frutos secos e alguns corantes e conservantes podem agravar os sintomas, assinalaram os especialistas.

“Se a relação entre a comida rápida e a prevalência dos sintomas de asma, rinoconjuntivite e eczema é causal, as conclusões têm um grande impacto na saúde pública devido ao crescente consumo de comida rápida a nível global”, assinalaram Innes Asher, da Universidade de Auckland, e Hywel Williams, da Universidade de Nottingham.

 


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