Famílias monoparentais e sem filhos já ultrapassa número de casais com descendência

Maio 31, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 15 de maio de 2019.

Marta Leite Ferreira

Há mais pais a viverem sozinhos com os filhos ou casais sem descendência do que famílias ditas tradicionais em Portugal. Os especialistas falam de “uma mudança anunciada”.

Em Portugal, a soma do número de famílias sem filhos com o de famílias monoparentais é superior ao número de casais com filhos, desvenda esta quarta-feira um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) por ocasião do Dia Internacional da Família. De acordo com o Jornal de Notícias, o número de famílias monoparentais, em que um dos pais vive sozinho com os filhos, é o que mais cresce no país — 4,6% entre 2017 e 2018 e 12% nos últimos cinco anos.

Segundo o estudo apontado pelo Jornal de Notícias, desde 2018 que assim é. Juntando o número de famílias monoparentais (460.315 no ano passado) com o número de famílias sem filhos (68.842 também em 2018), o valor ultrapassa em quase 127 mil o número de famílias ditas tradicionais em Portugal, isto é, famílias compostas por um casal “que vive debaixo do mesmo teto” e compõe “um agregado doméstico” com descendência.

Em entrevista ao Jornal de Notícias, Vanessa Cunha, coordenadora do Observatório da Família, afirma que esta é “uma mudança anunciada”, mas que não significa que os portugueses estejam a ter menos filhos.

A também investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sublinha que é preciso levar em conta que há cada vez menos gravidezes precoces ou não planeadas. E recorda que o envelhecimento da população também pode justificar estes números: é cada vez mais comum ver pais mais velhos a viver com os filhos adultos ou, por outro lado, casais que efetivamente têm filhos, mas que já não moram com os pais.

Além disso, Vanessa Cunha acrescenta que o conceito de família monoparental pode ser dúbio: nesta categoria cabem as “mães solteiras” ou as “viúvas com filhos”.

De qualquer modo, o número de divórcios em Portugal têm mesmo vindo a aumentar, afirma o Jornal de Notícias. Até agora, 2010 foi o ano em que mais divórcios se oficializaram desde o início da década, mas 2017 registou o maior rácio de divórcios por cada 100 casamentos. É assim porque a forma de olhar para as relações está a mudar, comenta a investigadora: “A fluidez da conjugalidade é maior. Mantém-se a relação enquanto faz sentido e é gratificante para as partes”, explica Vanessa Cunha em declarações ao Jornal de Notícias.

Pais com formação superior já representam 8% das famílias com crianças em risco – notícia do Público com declarações de Fernanda Salvaterra do IAC

Julho 16, 2018 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Mais de um terço das famílias com processo aberto nas comissões de protecção são constituídas só pelo pai ou pela mãe Adriano Miranda

Notícia com declarações da Drª Fernanda Salvaterra do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia do Público de 15 de julho de 2018.

Ana Dias Cordeiro

Entre as famílias sinalizadas pelas comissões de protecção, cuidadores com grau de bacharelato ou curso superior são o grupo que mais aumentou nos últimos anos. Dados são do relatório de 2017 divulgado na íntegra esta semana.

No universo dos cuidadores das crianças acompanhadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens (CPCJ) em risco, o grupo que mais tem aumentado é o de cuidadores com grau de bacharelato ou curso superior. Eram apenas 3,3% das famílias acompanhadas em 2011. Em 2017, representaram 8% dos lares cujas crianças tiveram um processo numa comissão de protecção.

Este números estão no Relatório Anual de Actividades das CPCJ referente a 2017, recentemente entregue à Assembleia da República e tornado público no site da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens esta semana. Uma síntese do mesmo documento foi apresentada, em Maio, na Figueira da Foz.

A proporção de pais ou mães que completaram o 2.º ou 3.º ciclo do ensino básico continua a ser mais expressiva, ao representar (em conjunto) cerca de metade das situações seguidas pelas equipas de protecção, e assim tem-se mantido nos últimos anos. Uma descida “muito significativa dos elementos sem escolaridade”, nos casos de famílias de crianças acompanhadas, também é referido no relatório de 2017. “No entanto, os cuidadores que apenas sabem ler ou escrever continuam a representar valores na ordem dos cinco pontos percentuais”, sem alteração nos últimos anos, salienta o documento.

Pelo contrário, a representatividade das famílias com um bacharelato ou uma licenciatura mais do duplicou em seis anos, em linha com o aumento da taxa de escolarização no ensino superior referida nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE). Por esclarecer, no relatório, ficam porém as causas para as crianças de famílias menos desfavorecidas estarem em perigo.

Divórcios e violência mais visível

A percepção da psicóloga Fernanda Salvaterra, que até Dezembro de 2016, integrou a equipa principal da CPCJ de Lisboa Norte, é a de que os casos numa população mais diferenciada eram sobretudo relacionados com os conflitos de regulação das responsabilidades parentais ou de incumprimento, por exemplo, nas férias, quando a criança devia ser entregue e não era. “Também havia outros conflitos e situações de violência doméstica, que cada vez são mais reportadas”, por exemplo, “por vizinhos”, diz Fernanda Salvaterra, investigadora do Instituto de Apoio à Criança, doutorada em Psicologia do Desenvolvimento.

Também a académica Maria Barbosa-Ducharne considera plausível uma maior frequência de “situações de divórcios” mal resolvidas, em que as comissões de protecção serão chamadas a intervir nas questões de atribuição de guarda parental à mãe ou ao pai. Mas conclui: “Podem ser esses conflitos ou ainda situações de violência doméstica, ou de maus tratos, e isso é outra coisa. O importante é fazer a avaliação das necessidades das famílias e das crianças de uma forma rigorosa.”

Perante este dado que considera “significativo”, a professora de Psicologia do Desenvolvimento e Adopção e Institucionalização do Mestrado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto salienta a importância da formação dos técnicos do sistema de protecção de crianças e “a necessidade” de estes “terem em conta o novo perfil de famílias acompanhadas”.

Famílias monoparentais expostas

No retrato possível das crianças acompanhadas, por outro lado, quase metade vem de famílias clássicas (41%), mas uma grande parte (36%) vive só com a mãe (em maioria) ou só com o pai. “Sobressai a elevada percentagem de famílias monoparentais (36%) e de famílias reconstituídas (13%)”, destaca o relatório.

Assim, mais de um terço das famílias com processo aberto nas comissões de protecção são monoparentais e essa proporção tem-se mantido estável ao longo dos últimos anos, e muito acima do lugar que ocupam na sociedade: de acordo com os dados mais recentes do INE, entre os cerca de quatro milhões de famílias existentes em 2017, quase 440 mil eram monoparentais, ou seja, cerca de 10% de todas as famílias.

“São famílias muito mais expostas, com níveis de stress mais elevado, onde só há uma fonte de rendimento”, diz a professora Maria Barbosa-Ducharne. “Não significa que sejam melhores ou piores pais. Estão em situação de maior exigência. E é preciso um maior apoio.”

Apoios e maior flexibilidade

Além de apoios, completa Fernanda Salvaterra, seria desejável uma maior flexibilidade de horários nas escolas e creches para receber estas crianças. “Nas famílias monoparentais, há dificuldades económicas, situações associadas à pobreza”, diz. Assim, quando a mãe trabalha longas horas, a criança fica entregue a um vizinho ou com os irmãos mais velhos, ou ainda desprotegida, explica.

“Entre ficar desprotegida ou passar muitas horas na escola ou na creche”, a segunda opção, embora não ideal, é preferível, entende Fernanda Salvaterra. Em muitos casos, o trabalho exige que a mãe entre ao serviço às 6h da manhã ou regresse muito tarde a casa, acrescenta. As famílias com rendimentos provenientes do trabalho (66,2%) representam dois terços dos lares com crianças são acompanhadas pelo sistema de protecção. Essa proporção, que estava acima dos 53% em 2011, tem vindo a ganhar importância, desde então, todos os anos.

Há cada vez mais homens a cuidar sozinhos dos filhos

Abril 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Mariana tem 16 anos e vive há cinco com Pedro, o pai Fotografia de Miguel Manso

Notícia do https://www.publico.pt/ de 18 de março de 2018.

ANA CRISTINA PEREIRA

Sentem as mesmas dificuldades que as mulheres na conciliação da vida laboral com a vida familiar e pessoal, mas são encarados como pessoas especiais. “Era como se valorizassem mais o facto de eu ter a dupla jornada de trabalho que quase toda a mulher tem”, diz um deles.

 A primeira vez que Mariana Faria de Oliveira se viu com o período, deu um grito. O pai já lhe tinha falado naquilo, mas ela não estava à espera daquela mistura de sangue, muco e secreções vaginais. “Assustei-me. O meu pai explicou-me o que se estava a passar, disse-me que era normal, que eu não ia morrer.”

Encontra no pai o suporte financeiro, mas também afectivo e emocional. É com ele que fala sobre conquistas e derrotas, amores e desamores, anseios e receios. E depara-se com espanto sempre que alguém descobre que vive com ele. Tem 16 anos. Percebe a reacção. “Quando os pais se separam, os filhos vão viver com as mães ou ficam uma semana com um e uma semana com outro”.

Ainda que com oscilações, está a aumentar desde a década de 80 o número de famílias monoparentais, isto é, constituídas por um pai ou uma mãe e os filhos. As masculinas seguem a tendência, mas permanecem muito abaixo das femininas, o que quer dizer que ainda não mudou o regime padrão de residência (com a mãe) e de contacto (com o pai). Em 2017, havia 387.320 famílias monoparentais femininas e 52467 monoparentais masculinas.

Que homens são estes que assumem a 100% os cuidados parentais? Os últimos censos “sugerem que a monoparentalidade no masculino tende a ser mais frequente quando os filhos já são mais velhos e numa fase mais tardia do percurso de vida”, explica Sónia Vladimira Correia, docente da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração da Universidade Lusófona. Analisando o estado civil, nota que “é menor o peso relativo dos homens que entram na monoparentalidade por via de nascimentos fora da conjugalidade ou por via da ruptura de uniões de facto, sendo maior o peso relativo dos homens que entram na monoparentalidade pela viuvez”.

O processo de Mariana foi tranquilo. O actor Pedro Oliveira estava a pensar propor à ex-mulher ficar com a guarda e ela antecipou-se. “Ela tinha um trabalho instável. Mudava de casa muitas vezes. Eu moro na casa onde a Mariana sempre viveu, em Paço de Arcos. Ela podia ter um quarto, estar perto da escola, ter mais estabilidade”, conta.

Mariana não tem grandes memórias dessa mudança. “Perguntaram-me se queria viver com o meu pai. Eu disse que sim. Passado pouco tempo, estava a viver com o meu pai. Não me fez confusão. Não era muito bom viver com a minha mãe e o com o meu irmão. Era muita pressão para a minha mãe.”

Por trás dos pais sós estará uma variedade de situações: num extremo, o reconhecimento de que um pai pode cuidar tão bem de um filho ou de uma filha como uma mãe (e aí sobressairá a guarda conjunta e a residência alternada); no outro, mães consideradas inaptas para a função.

Quando o engenheiro informático José Soares se separou, sugeriu a guarda partilhada da filha de três anos. Parecia-lhe natural que continuassem ambos a ter total responsabilidade pelos cuidados a prestar e pela educação a dar. Ficou admirado quando ouviu a juíza dizer: “Não, os filhos têm de ficar com as mães.”

De repente, a ex-mulher afundou-se no consumo abusivo de drogas. “A situação estava muito deteriorada. Já não havia electricidade dentro de casa…” A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens acabou por remeter o caso para o Tribunal de Família e Menores, que decretou uma medida de emergência. José foi buscar a filha à creche. Quando a ex-mulher lá chegou já não a encontrou.

A menina, de quatro anos, perguntava-lhe pela mãe. Queria saber porque já não morava com ela. José dizia-lhe: “Tu estás só comigo porque a tua mãe está doente, ela vai ficar boa.” Não lhe parecia correcto dizer-lhe mais do que isso. “Os detalhes vão vindo com a idade, com naturalidade.”

Os pais sós têm as mesmas dificuldades que as mães sós em conciliar a vida profissional com a vida familiar e pessoal. O maior ou menor esforço depende da rede de apoio (formal e informal) e dos recursos económicos que têm (o que permitir ampliar essa rede), como sublinha Sónia Vladimira Correia.

José não podia partilhar qualquer responsabilidade com a ex-mulher. Naquela fase, os contactos desta com a filha estavam reduzidos ao mínimo e só podiam ocorrer com a supervisão dos avós maternos. Os pais dele não lhe podiam valer (moram no Brasil), tão-pouco a irmã (que morava em Inglaterra). Teve de fazer uma gestão muitíssimo apertada do tempo e dos horários.

Mora em Matosinhos. “Tinha de começar o dia uma hora e meia ou duas horas mais cedo e de terminar o dia duas horas mais tarde”, recorda. Despertava às 5h ou 5h30. Cuidava de si. Despertava a filha, vestia-a, dava-lhe o pequeno-almoço. Saiam às 7h. “Às 8h tinha de estar na Maia à espera que a que a creche abrisse, porque tinha de voltar para Matosinhos para começar a trabalhar às 9h.” O corre-corre repetia-se ao final do dia. “Saía do trabalho às 18h em ponto. Tinha de estar na Maia antes das 19h, porque a creche fechava. Chegava a casa às 20h.”

Naquela estafa, faltava tempo para brincar. “No início, deixava a minha filha a ver desenhos animados enquanto preparava o jantar.” “Era pesado. Nem sei como conseguia”, diz. Tudo melhorou no momento em que conseguiu encontrar uma vaga num colégio privado perto de casa.

Pedro Oliveira também tem uma vida profissional muito preenchida. Além de actor, dirige uma cooperativa, colabora com uma associação. Quando se separou, Mariana tinha nove anos. Ia nos 11 quando veio viver com ele. “Tenho muito que fazer, mas conseguia gerir. Quando não conseguia, tinha o apoio do meu pai. Havia muitas noites em que o meu pai ficava com a Mariana.”

Sempre se sentiu visto como “um homem especial” por estar a criar a filha sozinho. E, num mundo em permanente mudança, sempre foi assaltado pelos receios próprios da condição de pai. Conseguiria ter uma criança a cargo sem receber apoio financeiro do outro progenitor? Estaria a educá-la bem?

José Soares também sempre se sentiu valorizado. “As pessoas elogiavam, mostravam empatia, tinham curiosidade em saber como eu fazia”, recorda. “Deve ser o tal machismo enraizado. Era como se o meu trabalho fosse uma coisa fora do normal. Era como se valorizassem mais o facto de eu ter a dupla jornada de trabalho que quase toda a mulher tem.”

A filha está muito mais autónoma. Já completou 12 anos. No princípio deste ano, a guarda tornou-se partilhada e a residência alternada. A mãe está recuperada. E o pai tem vida própria. Há dois anos, começou a viver com uma pessoa do mesmo sexo.

O pai sozinho tem de falar de tudo, incluindo sentimentos. Tem é de adequar as palavras à idade. Antes de assumir em público uma relação com outro homem, José falou com a filha: “Tenho uma coisa para te contar. Lembras-te daquele livro Ser diferente é bom, da Sónia Pessoa? É o caso do teu pai.” A menina também lhe quis contar que gosta de um menino lá da escola. “Eu achei tanta graça nela.” Parece-lhe que está a lidar bem com o assunto. “Ela também acaba por servir de exemplo na escola, na sociedade. Pode ajudar a perceber que o importante é as pessoas serem felizes.”

 

 

Um terço das crianças vivem só com um dos pais

Julho 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 1 de julho de 2017.

Foram sinalizados 8695 casos de violência doméstica | Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

Ana Bela Ferreira

No ano passado foram acompanhados 71 016 crianças e jovens pelas comissões de proteção de menores

Mais de um terço das crianças acompanhadas, no ano passado, pelas comissões de proteção de menores viviam com apenas um dos pais. Embora não sejam a maioria dos casos – em 41,3% das situações são em famílias nucleares -, o relatório de avaliação da atividade das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) sublinha que em relação ao total de famílias monoparentais na população residente, representam mais do dobro.

Embora sem querer fazer ligações de causa/efeito, o documento salienta que “uma percentagem significativa de jovens acompanhados pelas CPCJ esteve associada a fatores de vulnerabilidade como a pertença a famílias monoparentais ou a dependência das respetivas famílias de rendimentos como o RSI e outros subsídios”.

O relatório, agora divulgado e que foi entregue na Assembleia da República, faz a análise do trabalho das comissões ao longo do último ano, onde foram acompanhadas 71 016 crianças e jovens. Num total de 72 177 processos, resultantes da transferência entre comissões de 1161 casos.

Do número global, apenas 39 194 dizem respeito a problemas sinalizados em 2016, os restantes transitaram do ano anterior. Entre os novos processos, a situação de perigo mais comum é a exposição a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e o desenvolvimento da criança (32,8% do total). E dois terços destas situações são exposição dos menores a violência doméstica. “Foram sinalizados às CPCJ 8695 casos de violência doméstica, o que representou 22,2% do total de sinalizações em 2016, ultrapassando, a categoria Negligência, que representou 19,5% do total”, pode ler-se no relatório.

Considerando que desde 2011 tem vindo a aumentar o número de processos iniciados (a soma de instaurados e reabertos, menos as transferências) é também analisado no documento. O entendimento da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) é de este fenómeno se deve não só aos “possíveis efeitos da crise económica, que se iniciou em 2008, com reflexo direto nos índices de pobreza infantil, mas também traduz uma maior amplitude na intervenção das CPCJ e uma maior sensibilidade coletiva a problemas como a violência doméstica, o bullying ou o abandono escolar precoce”.

Ao longo do ano foram reabertos 8352 processos e arquivados 38 845. Considerando esta tendência de aumento dos processos reabertos, a comissão reconhece que ser necessária “uma análise aprofundada”, não excluindo uma “eventual correlação com o volume dos arquivamentos.

mais informações no Relatório de Avaliação da Atividade das CPCJ – 2016

 

Workshop “Parentalidade(s): Novas formas de família” 17 de agosto no Porto

Julho 2, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Objetivos:– Conhecer e analisar as novas famílias, formas de funcionamento e processos educativos: famílias monoparentais, homoparentais e adotivas.

Conteúdos:– Conceito de família – A parentalidade nas novas formas de família – Especificidades destas

Calendário: 17-08-2017

Horário: 10:00 às 13:00

Preço: 25 €

Data limite de inscrição: 15-08-2017

Destinatários: Educadores/professores, psicólogos, estudantes de psicologia e educação, outros técnicos de saúde.

Tipo de Acção: Workshops de Verão

Duração: 3 horas

Local: Porto

mais informações:

http://www.mdcpsicologia.pt/formacao/catalogo/action-detail/parentalidades-novas-formas-de-familia/

Famílias monoparentais passaram para o dobro

Novembro 4, 2015 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de outubro de 2015.

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Famílias-monoparentais-pass

Famílias nos censos 2011 : diversidade e mudança – livro digital

Setembro 3, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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censos

descarregar o livro  no link:

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=217114128&PUBLICACOESmodo=2

Sabe como são os miúdos de 2015?

Julho 8, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Sábado de 28 de junho de 2015.

sabado

André Rito

Quando a campainha tocava, o rapaz raramente ia para o recreio: preferia passar os intervalos na biblioteca. Os professores estranharam, chamaram os pais e descobriram que o cenário em casa não era diferente, mas em vez da biblioteca, Bruno, de 9 anos, passava horas no quarto em frente ao computador. Tinha ciberadição.

Este é um dos fenómenos apontados por Mário Cordeiro, pediatra que publicou o livro Crianças e Famílias num Portugal em Mudança, onde analisa a realidade das crianças portuguesas ao longo das últimas décadas. Bruno é um caso paradigmático num país onde os menores passam 4,5 horas em frente ao computador – durante a semana –, e 7,5 horas, ao fim-de-semana.

“São valores que contrariam as recomendações pediátricas, numa idade que devia ser sensorial, de experimentação e destreza manual”, explica à SÁBADO o pediatra. Mas há mais: Portugal é o país europeu onde a utilização da Internet começa mais cedo, aos 6 anos.

A crise envergonha

Quando deixaram de ter televisão por cabo, o miúdo ficou envergonhado. Surgiram os primeiros sintomas de depressão: recusava ir à escola, tinha tendência para se isolar. “Era tudo uma chatice”, recorda o pediatra, lembrando que os pais estavam ambos desempregados.

“Chegava a ter vergonha de pedir um conjunto de lápis para a escola”. Os pais também não queriam concorrer a apoios sociais escolares – por vergonha, “não queriam o filho rotulado”, diz o clínico que um dia se sentou sozinho com o rapaz e lhe contou a história dos seus pais: “disse-lhe que chegámos a viver com água e comida racionada. É preciso relativizar, e ele percebeu. Nós somos nós e as nossas circunstâncias.”

Outro dado que a crise introduziu foi a necessidade dos pais emigrarem, deixando os filhos com familiares. Apesar dos problemas de estabilidade que esta mudança implica – mesmo mantendo contacto diário através da Internet– Mário Cordeiro lembra que “as crianças têm uma enorme resiliência e o que lhes interessa é saber que os pais, mesmo distantes, as amam e têm as mesmas saudades que elas têm deles.”

Gays e novas famílias

As mudanças na vida dos miúdos são proporcionais às transformações que as famílias sofreram nas últimas décadas. Em Portugal, que tem a taxa de natalidade mais baixa da Europa, assiste-se a um crescimento dos modelos monoparentais e de casais sem filhos, ou apenas com um filho. A ausência de irmãos, como explica o pediatra, pode contribuir “para o isolamento, egocentrismo, narcisismo e omnipotência da criança.” “Leva também a que a sobrecarga que os pais colocam em termos de ‘destino’ e de percurso de vida se concentre num só filho”, explica. Por outro lado, a vida nas cidades, aliada a preocupações de segurança exageradas, faz com que as crianças se sintam mais isoladas, não brinquem com outras. São “mais autónomas (ou mais sós) em alguns aspectos, mas muito dependentes afectivamente e na gestão do quotidiano.”

Com a família “em permanente transformação”, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo introduziu uma nova variável e o pediatra já acompanhou vários casos de miúdos “com dois pais ou duas mães”. Apesar da lei da co-adopção não ter sido aprovada, na escola, nenhum dos casos que seguiu foi alvo de discriminação. “Os fantasmas estão na cabeça dos adultos, não na das crianças.”

Fast food e escola

Marta costumava enviar fotografias do almoço da cantina ao pai. Era uma forma de o pressionar: afinal, um prato de comida da escola não tinha o ar apetitoso de um hambúrguer, cuidadosamente produzido por uma cadeia de fast food. Mas a realidade é outra: em Portugal, uma em cada três crianças sofre de excesso de peso.

Mário Cordeiro, que costumava fazer visitas surpresa a refeitórios, diz que a generalidade das cantinas têm ementas equilibradas. Mas alerta para um outro problema: as guloseimas, em tempos símbolo de festas, hoje vendidas ao desbarato perto das escolas. “Não havia festa sem doces, e era isso que as tornava especiais, tinham um valor positivo em termos psicológicos e sociais. Hoje tudo se encontra em todo o lado.” Que o digam os miúdos, enquanto ainda têm dentes.

Números

65% das crianças portuguesas

tem um computador pessoal. A média europeia é de 25%. 

30 meses

foi o tempo médio que uma criança aguardou em 2013 pela regulação do poder paternal.

90% das crianças portuguesas

consome fast-food, doces e refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana.

 

 

O Respeito pela Vida Privada e Familiar e a Tutela das Novas Formas de Família – Aula Aberta

Maio 13, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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miguel

 

https://www.facebook.com/events/225125097692432/

O futuro da família

Janeiro 15, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de Daniel Sampaio no Público de 5 de Janeiro de 2014.

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daniel


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