Famílias em Construção – Ed. Fábula

Outubro 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Clara encontra-se numa encruzilhada: a sua vida será, a partir daquele momento, repartida entre a casa da mãe e a casa do pai, com a sua nova mulher e o filho dela, Miguel, que não pretende tornar a vida de Clara fácil. Também para ele não é uma mudança desejada. O Bernardo vê a sua família em turbilhão e o Pedro vai ter de se adaptar a um novo país, porque a sua família vai emigrar. Aos poucos, todos eles vão descobrir que as suas vidas estão constantemente em construção e que há muito de bom para aproveitar!

mais informações sobre o livro no link:

https://fabula.pt/livros/familias-em-construcao

Pais com formação superior já representam 8% das famílias com crianças em risco – notícia do Público com declarações de Fernanda Salvaterra do IAC

Julho 16, 2018 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Mais de um terço das famílias com processo aberto nas comissões de protecção são constituídas só pelo pai ou pela mãe Adriano Miranda

Notícia com declarações da Drª Fernanda Salvaterra do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia do Público de 15 de julho de 2018.

Ana Dias Cordeiro

Entre as famílias sinalizadas pelas comissões de protecção, cuidadores com grau de bacharelato ou curso superior são o grupo que mais aumentou nos últimos anos. Dados são do relatório de 2017 divulgado na íntegra esta semana.

No universo dos cuidadores das crianças acompanhadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens (CPCJ) em risco, o grupo que mais tem aumentado é o de cuidadores com grau de bacharelato ou curso superior. Eram apenas 3,3% das famílias acompanhadas em 2011. Em 2017, representaram 8% dos lares cujas crianças tiveram um processo numa comissão de protecção.

Este números estão no Relatório Anual de Actividades das CPCJ referente a 2017, recentemente entregue à Assembleia da República e tornado público no site da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens esta semana. Uma síntese do mesmo documento foi apresentada, em Maio, na Figueira da Foz.

A proporção de pais ou mães que completaram o 2.º ou 3.º ciclo do ensino básico continua a ser mais expressiva, ao representar (em conjunto) cerca de metade das situações seguidas pelas equipas de protecção, e assim tem-se mantido nos últimos anos. Uma descida “muito significativa dos elementos sem escolaridade”, nos casos de famílias de crianças acompanhadas, também é referido no relatório de 2017. “No entanto, os cuidadores que apenas sabem ler ou escrever continuam a representar valores na ordem dos cinco pontos percentuais”, sem alteração nos últimos anos, salienta o documento.

Pelo contrário, a representatividade das famílias com um bacharelato ou uma licenciatura mais do duplicou em seis anos, em linha com o aumento da taxa de escolarização no ensino superior referida nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE). Por esclarecer, no relatório, ficam porém as causas para as crianças de famílias menos desfavorecidas estarem em perigo.

Divórcios e violência mais visível

A percepção da psicóloga Fernanda Salvaterra, que até Dezembro de 2016, integrou a equipa principal da CPCJ de Lisboa Norte, é a de que os casos numa população mais diferenciada eram sobretudo relacionados com os conflitos de regulação das responsabilidades parentais ou de incumprimento, por exemplo, nas férias, quando a criança devia ser entregue e não era. “Também havia outros conflitos e situações de violência doméstica, que cada vez são mais reportadas”, por exemplo, “por vizinhos”, diz Fernanda Salvaterra, investigadora do Instituto de Apoio à Criança, doutorada em Psicologia do Desenvolvimento.

Também a académica Maria Barbosa-Ducharne considera plausível uma maior frequência de “situações de divórcios” mal resolvidas, em que as comissões de protecção serão chamadas a intervir nas questões de atribuição de guarda parental à mãe ou ao pai. Mas conclui: “Podem ser esses conflitos ou ainda situações de violência doméstica, ou de maus tratos, e isso é outra coisa. O importante é fazer a avaliação das necessidades das famílias e das crianças de uma forma rigorosa.”

Perante este dado que considera “significativo”, a professora de Psicologia do Desenvolvimento e Adopção e Institucionalização do Mestrado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto salienta a importância da formação dos técnicos do sistema de protecção de crianças e “a necessidade” de estes “terem em conta o novo perfil de famílias acompanhadas”.

Famílias monoparentais expostas

No retrato possível das crianças acompanhadas, por outro lado, quase metade vem de famílias clássicas (41%), mas uma grande parte (36%) vive só com a mãe (em maioria) ou só com o pai. “Sobressai a elevada percentagem de famílias monoparentais (36%) e de famílias reconstituídas (13%)”, destaca o relatório.

Assim, mais de um terço das famílias com processo aberto nas comissões de protecção são monoparentais e essa proporção tem-se mantido estável ao longo dos últimos anos, e muito acima do lugar que ocupam na sociedade: de acordo com os dados mais recentes do INE, entre os cerca de quatro milhões de famílias existentes em 2017, quase 440 mil eram monoparentais, ou seja, cerca de 10% de todas as famílias.

“São famílias muito mais expostas, com níveis de stress mais elevado, onde só há uma fonte de rendimento”, diz a professora Maria Barbosa-Ducharne. “Não significa que sejam melhores ou piores pais. Estão em situação de maior exigência. E é preciso um maior apoio.”

Apoios e maior flexibilidade

Além de apoios, completa Fernanda Salvaterra, seria desejável uma maior flexibilidade de horários nas escolas e creches para receber estas crianças. “Nas famílias monoparentais, há dificuldades económicas, situações associadas à pobreza”, diz. Assim, quando a mãe trabalha longas horas, a criança fica entregue a um vizinho ou com os irmãos mais velhos, ou ainda desprotegida, explica.

“Entre ficar desprotegida ou passar muitas horas na escola ou na creche”, a segunda opção, embora não ideal, é preferível, entende Fernanda Salvaterra. Em muitos casos, o trabalho exige que a mãe entre ao serviço às 6h da manhã ou regresse muito tarde a casa, acrescenta. As famílias com rendimentos provenientes do trabalho (66,2%) representam dois terços dos lares com crianças são acompanhadas pelo sistema de protecção. Essa proporção, que estava acima dos 53% em 2011, tem vindo a ganhar importância, desde então, todos os anos.

O on-off das famílias reconstruídas

Maio 13, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O aumento das taxas de divórcio mais ou menos generalizada não confirma a negação do desejo de reconstrução do ideal de família, antes pelo contrário. Novas famílias reconstruídas são cada vez mais uma realidade, ainda que com dinâmicas e formas de organização muitas vezes variáveis.

Os novos casais permanecem muitas vezes cada um em suas casas nos períodos em que têm os respectivos filhos a seu cargo, reunindo-se apenas socialmente, optando por fazer vida em comum quando as crianças estão com o outro progenitor. Outros, escolhem viver juntos sob o mesmo tecto com os respectivos filhos, procurando geralmente que os períodos de estada com as crianças coincida no tempo.

Apesar do regime de guarda partilhada ser uma escolha para muitos pais divorciados, a verdade é que, na grande maioria dos casos, as crianças permanecem a viver com a mãe durante a maior parte do tempo e estão com o pai em fins-de-semana alternados e podem jantar e/ou dormir uma vez por semana com o progenitor. Isto resulta frequentemente numa organização familiar em que é geralmente o padrasto quem vive com os filhos da mulher, a quem se juntam por um período maior ou menor os filhos do padrasto, se os houver. Esta poderá ser a organização familiar mais ou menos comum nas famílias reconstruídas.

Em qualquer dos casos, temos a profunda convicção de que este on-off de viver com e sem crianças constitui para os novos casais um desafio superior. As entradas e saídas dos filhos de um e de outro exigem uma organização permanente a muitos níveis desde as rotinas, agendas, alimentação, logística das casas, entre outros aspectos que existirão, mas que nem sempre nos chegam às consultas que temos com as famílias.

São cada vez mais as famílias que nos procuram com uma preocupação comum como a de fazer o melhor “arranjo” possível de todas estas variáveis para que, pais e filhos, encontrem a maior satisfação no seu dia-a-dia. Está subjacente o sentimento de que é importante encontrar um equilíbrio de bem-estar e conforto individual nesta nova vida escolhida pelos adultos. Para os pais destas famílias há certamente uma exigência grande ao nível da organização do dia-a-dia, mas sobretudo da adaptação à mudança constante dos ritmos que imprimem.

É importante que tenhamos consciência desta realidade em tempos em que se vive a um ritmo frenético ao nível da exigência profissional, agora ainda mais reclamada em tempos de crise económica. Reconstruir uma nova família não deve ser olhado como algo que se conseguirá fazer sem um esforço diário e permanente, talvez superior ao das famílias de primeira viagem. As variáveis que existem são em muito maior número ao que naturalmente acresce uma maior exigência, e portanto, um desgaste físico e emocional maior. Os discursos demasiadamente cor-de-rosa que tantas vezes ouvimos através da comunicação social podem ser enganadores e ilusórios. As famílias que nos procuram ao final de alguns anos de convivência são a prova disto mesmo. Conflitos que se tornam cada vez menos evitáveis sobre a gestão e sobrecarga do dia-a-dia, as diferentes formas de educar uns e outros e os de um e os do outro, as opções ou decisões simples da vida diária e a frequente oposição de interesses geram alianças onde parecem existir duas equipas a lutar por ganhar um objectivo que não é comum.

É possível construir uma realidade diária estável e coesa nestas famílias, mas não sem uma gestão rigorosa das prioridades da vida dos adultos, a quem é exigida uma grande maturidade, flexibilidade e espírito de entrega a este desafiante projecto.

O respeito pelas decisões do outro, pelas opções referentes aos filhos do outro, pelas diferentes formas de fazer do outro revela-se aqui fundamental. E todo este caminho precisa de tempo para ser vivido, construído e aprendido. A vida das famílias reconstruídas não pode ser encarada como uma imitação das regras e vivências do que se viveu nas famílias de primeira viagem. Ou não seria esta uma segunda viagem, diferente e específica, pois plagiar a mesma história significa seguramente correr grandes riscos.

Sofia Nunes da Silva, Psicóloga de Família, para o Público, em 29 de abril de 2016


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