Estudo indica que 85% dos jovens entre 14 e 24 anos já consumiram álcool

Agosto 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia de Expresso de 23 de julho de 2018.

Existe, em Portugal, um “consumo de álcool muito superior ao que é registado em tudo quanto está publicado”, inclusive em termos internacionais

Um estudo do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), envolvendo 746 jovens do Norte dos 14 aos 24 anos, revela que 85% já consumiu álcool e que 15% bebe mais de uma vez por semana. Os resultados deste estudo mostram igualmente que 17% dos jovens já usaram drogas pelo menos uma vez e que um em cada dez as consome regularmente, hábito que iniciaram, em média, aos 16 anos, informou hoje o centro de investigação.

Dirigido pelo investigador Paulo Santos e publicado agora na revista científica Journal of International Medical Research, o trabalho revela que aproximadamente 15% dos jovens bebem álcool mais de uma vez por semana, 58% já fumaram, 17% são fumadores regulares e mais de 10% admitem consumir substâncias ilícitas semanalmente.

O também médico de família frisou que existe, em Portugal, um “consumo de álcool muito superior ao que é registado em tudo quanto está publicado”, inclusive em termos internacionais.
Dentro dessas drogas ilícitas, os canabinóides ocupam o primeiro lugar, seguindo-se as drogas adquiridas nas “smartshops”, que foram entretanto consideradas ilegais.

“Encontrámos uma elevada prevalência de consumo de substâncias aditivas, em particular de álcool, entre os jovens e adolescentes, existindo claramente uma atitude cultural que influencia esse consumo e que deve ser abordada”, explicou o investigador e médico de família, referido na nota informativa.

Outra das conclusões indica que os jovens tinham em média 14 anos apenas quando beberam álcool e fumaram pela primeira vez, tendo a iniciação nas drogas acontecido aos 16 anos. De acordo com o investigador, neste trabalho, o consumo de drogas aparece associado ao consumo prévio de álcool e de tabaco, “reforçando a ideia de que o consumo de substâncias legais pode levar ao consumo de substâncias ilegais”.

“Tudo indica que existe uma progressão no uso de drogas, isto é, uma escada de adição em que o uso de uma droga se associa um maior risco de consumir outras drogas ao longo da vida”, salientou.

É através do álcool, continuou Paulo Santos, “que se dá a entrada nas drogas, é por aí que se faz a escalada, porque é a substância que aparece mais precocemente na vida dos jovens, dos consumidores”. Segundo o CINTESIS, apesar de o consumo de álcool e de tabaco serem semelhantes entre os jovens que frequentam e os que não frequentam a escola, verificou-se que o uso de substâncias ilícitas é menos comum entre os que continuam a estudar e que ao desemprego associa-se com um maior consumo de drogas entre os mais novos.

A equipa de investigação observou também, através da perceção dos jovens sobre a sua própria saúde, que os sintomas psicológicos são mais frequentes entre os fumadores e os que consomem drogas. Estes sintomas, que afetam 55% dos jovens, sobretudo do sexo feminino, incluem tristeza, problemas de sono, ansiedade, raiva e medo pelo menos uma vez por semana, faltando saber se os mesmos “são causa ou consequência do consumo”.

O trabalho assinala ainda que as principais fontes de informação dos jovens sobre consumo de substâncias são os membros da família e os amigos, não aparecendo os médicos de família como uma escolha. Embora sejam recomendadas consultas aos 10-13 anos, aos 15 anos e aos 18 anos, os resultados demonstra que “os jovens não olham para os profissionais de saúde como parceiros”, o que se pode explicar, por exemplo, pela dificuldade em entender este tipo de consumo como um problema de saúde ou até como um comportamento de risco, notou Paulo Santos.

Como medidas para contornar os números apresentados, o investigador aponta a promoção da literacia, de forma a transmitir conhecimento e aptidões aos cidadãos, “capacitando-os para que percebam o que é bom e o que é mau”. Além disso, acredita que se deve apostar no “efeito educativo e persuasor” que a regulação pode ter, nomeadamente no que se refere à taxação fiscal, “que resultou muito bem com o tabaco”, acrescentou.

Este estudo foi apoiado pela Câmara Municipal de Paredes, tendo contado com a colaboração dos investigadores Carlos Franclim Silva, do CINTESIS, e Paula Rocha, da Universidade de Aveiro.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Consumption of licit and illicit substances in Portuguese young people: a population-based cross-sectional study

 

Quase um terço das crianças da região Norte têm falta de iodo

Abril 2, 2016 às 7:31 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 30 de março de 2016.

Nuno Ferreira Santos

Sara Silva Alves

Estudo com crianças entre os seis e os 12 anos avalia a presença de iodo e o impacto da substância no seu desenvolvimento cognitivo.

Em média, 31% da população (825 crianças) avaliada num estudo sobre este micronutriente apresentou falta de iodo, enquanto 24% tinham níveis acima dos recomendados ou mesmo excessivos. Apenas 45% das crianças apresentam níveis adequados de iodo. Estes são alguns dos dados preliminares do estudo IoGeneration, que foi realizado por uma equipa de investigação da Universidade do Porto (UP) junto de crianças da região Norte e que serão apresentados nesta quarta-feira no âmbito do seminário Iodo e Saúde, a decorrer na reitoria da UP.

Numa investigação que analisou escolas do Norte de Portugal, os dados provisórios sobre a presença do iodo nas primeiras 825 crianças (de uma amostra final que será superior a duas mil) revelaram-se “preocupantes” e “reforçam a necessidade” de uma política de saúde atenta a este problema, defendeu Conceição Calhau, investigadora principal do estudo. Intervir e monitorizar são as palavras-chave, destaca.

Dividindo os resultados da amostra pelo primeiro e segundo ciclo, os resultados mostram que são as crianças mais velhas que apresentam maiores níveis de carência de iodo: 48% no segundo ciclo contra 24% no primeiro ciclo, uma diferença de 24 pontos percentuais, situação para a qual Conceição Calhau não encontra explicação. “Será que os padrões alimentares dos seis para os 12 anos sofrem alterações que o justificam? Não sei. Mas é possível!”, especula a investigadora.

A nível demográfico, Marco de Canaveses e Amarante foram os concelhos mais problemáticos, com 44,31% e 37,01% de insuficiência de iodo, respectivamente. Em sentido oposto, e com valores de iodo acima do recomendado ou até excessivo, encontram-se os concelhos de Mondim de Basto (34,78%), Felgueiras (30,56%) e Ribeira de Pena (25,38%).

Além da presença do iodo, foi também estudado o impacto desta substância no desempenho cognitivo das crianças. Os resultados aos testes de qui-quadrado de Pearson, através do qual se estabelece a relação entre os níveis de iodo e a capacidade intelectual nas crianças, não se relevaram significativos. Perante estes resultados, Conceição Calhau salienta uma das limitações do trabalho: o registo dos níveis de iodo e o teste cognitivo foram efectuados no mesmo momento, quando o ideal seria determinar o iodo na mãe ainda grávida e, posteriormente, avaliar o desempenho intelectual da criança.

Os autores do relatório recordam que o iodo é um “oligoelemento (micronutriente) necessário ao funcionamento do organismo, ao seu metabolismo, em múltiplas funções”. Por isso, a ausência da substância no organismo e necessidade de a incluir na dieta alimentar são “assuntos pertinentes”, pois a sua falta envolve graves problemas de saúde, como por exemplo na tiróide, e que se podem traduzir em problemas cognitivos e de crescimento. Nos casos mais graves, pode até originar doenças como o bócio.

Uma criança precisa, em média diária, de cerca de 90 a 150 microgramas, dependendo da sua idade. Há vários países que desenvolveram programas alimentares que visam suplementar o iodo. Em Portugal os dados relativos ao iodo são “escassos e dispersos”, concluem os investigadores.

Financiada pelo Programa de Iniciativas de Saúde Pública da EEAGrants (que conta com a contribuição financeira da Islândia, Liechenstein e Noruega), a sessão desta quarta-feira (das 9h às 16h30) é de entrada gratuita mas requer inscrição prévia.

http://iogeneration.pt/

 

 

 

 

Curso sobre Abusos a Crianças e Jovens na FMUP

Dezembro 15, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

abuso

Destinatários:
Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento em Medicina, Medicina Dentária, Psicologia, Direito, Enfermagem, Sociologia, Serviço Social, Educação, Ciências Criminais ou Ciências Policiais.

Objetivos

Promover conhecimentos e competências no sentido de preparar os diversos profissionais para actuarem de maneira adequada quando confrontados com questões relacionadas com os abusos a crianças, de forma a contribuírem para uma boa aplicação da justiça criminal e de protecção, no melhor interesse das vítimas e da comunidade.

Vagas: Máx: 60/Min: 20

Prazo para as matriculas: 2 a 20.12.2013. Serão efectuadas na Divisão Académica da FMUP (das 14h às 18h).

Prazo para a colocação de suplentes: 6 a 11.01.2014
  
Propina: 150€

Horário:  6ª feira, 16h-20h / sábado, 9h-13h

Data do inicio do Curso: 17.01.2014

Local do Curso: Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, EPE – Penafiel

Programa

INSCRIÇÕES

2 a 20 de dezembro 2013

Divisão Académica da Faculdade de Medicina

da Universidade do Porto

(atendimento: 14 às 18h00)

Alameda Prof. Hernâni Monteiro

4200-319 Porto

Tel. 22 551 36 04

Email. dafmup@med.up.pt

150 euros + 2,00 euros (seguro escolar)

Um quarto das meninas com quatro anos tem peso a mais

Outubro 4, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Público de 19 de Setembro de 2012.

Por Catarina Gomes

Já se sabia que os dados da obesidade infantil em Portugal eram altos, mas uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto encontrou pelo menos 17% de meninos e 26% de meninas, com quatro anos, com excesso de peso e obesidade. Estes também já tinham associados níveis de colesterol e pressão arterial mais altos.

Um estudo da Childhood Obesity Surveillance Initiative, em 2008, apontava para 32,2% de crianças portuguesas, dos seis aos oito anos, com excesso de peso, o que incluía a obesidade. O que agora este estudo revela é que o problema é detectável “muito mais cedo”, nota a coordenadora executiva do projecto Geração XXI, Ana Cristina Santos.

Avaliada uma amostra de cerca de 8500 crianças, nascidas entre Abril de 2005 e Agosto de 2006, no Porto, constata-se que a prevalência de excesso de peso e obesidade aos quatro anos era muito alta, mas variava caso se usasse critérios da International Obesity Task Force (IOTF) ou do norte-americano Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Usando a metodologia do IOTF, na alçada da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade, no Reino Unido, o cenário é, apesar de tudo, mais optimista: há 10,8% de meninos de quatro anos com excesso de peso, a par de 17,6% de meninas; neles a obesidade é calculada em 6%, nelas em 8,6%. Mas, se forem utilizados os critérios do CDC, o cenário é pior: há 13,9% de meninos com excesso de peso e 11,9% de obesos; nas meninas, estes valores atingem os 18,5% e 15,6%, respectivamente.

Contas feitas, mesmo no cenário mais optimista, um total de 16,8% dos rapazes tem peso a mais – somando excesso de peso e obesidade -, algo que acontece com mais de um quarto (26,2%) das raparigas. No retrato mais pessimista, serão 25,8% de meninos e 34,1% de meninas com peso a mais.

A equipa de investigadores fez um outro achado: na população que já tem peso excessivo em idades tão precoces, também foi possível encontrar níveis mais altos de colesterol alto e de pressão arterial, dois factores de risco cardiovascular. “A diabetes 2 também era uma doença de velho”, alerta a investigadora.

Note-se que no novo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, da Direcção-Geral da Saúde, se refere que “a hipertensão arterial na idade pediátrica é um problema que está a adquirir uma dimensão crescente devido, em grande parte, à modificação dos estilos de vida e ao aumento da prevalência da obesidade”. Recomenda-se, assim, que a tensão arterial seja avaliada nas consultas de vigilância a todas as crianças a partir dos três anos de idade.

Epidemia da obesidade

Na segunda fase deste projecto, que pretende seguir as crianças até à idade adulta, o objectivo é tentar relacionar as características encontradas nos mais pequenos com as das suas mães. Embora estes dados tenham começado a ser tratados, é possível concluir que “a obesidade aos quatro anos estava associada a características maternas e da gravidez, como o índice de massa corporal antes da gravidez”. “Acreditamos que haja um efeito intergeracional na obesidade”, diz a investigadora.

Ana Cristina Santos afirma que estes dados devem reforçar os sinais de alerta em torno da chamada “epidemia da obesidade”. A avaliar pelo estudo, nesta geração haverá mais adultos com peso a mais do que agora, o que a investigadora considera “preocupante”, uma vez que, na população adulta portuguesa, o excesso de peso e a obesidade já estão estimados em metade da população. Ao que acresce a probabilidade de virem a ser adultos com hipertensão, colesterol e glicose elevados, todos factores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolverem doenças cardiovasculares.

Em Portugal, este tipo de problema “não estava descrito numa população tão nova, é algo que esperaríamos que acontecesse mais tarde”, avalia a investigadora, sublinhando que “a prevenção tem mesmo de ser prevenção” e notando que as estratégias a desenvolver “têm de abranger as grávidas, idealmente antes da concepção”. “O peso das mães antes e durante a gravidez é determinante no peso que os filhos terão aos quatro anos”, conclui.


Entries e comentários feeds.