Interrupção voluntária da gravidez na adolescência num centro hospitalar do grupo I: casuística de quatro anos – Artigo da Acta Pediátrica Portuguesa

Setembro 30, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Introdução: Uma gravidez na adolescência tem importantes consequências de ordem física, emocional e social. A legalização da interrupção voluntária da gravidez tornou-a uma opção para as adolescentes que não desejem prosseguir com a gravidez. Este trabalho teve como objetivo conhecer a realidade de um hospital do grupo I sobre a interrupção voluntária da gravidez na adolescência e compará-la com os dados nacionais.

Métodos: Estudo retrospetivo que incluiu as grávidas adolescentes que realizaram interrupção voluntária da gravidez entre janeiro de 2008 e dezembro de 2011.

Resultados: Foram realizadas 868 interrupções voluntárias da gravidez, 12% em grávidas com menos de 19 anos e 2% em grávidas com menos de 15 anos. A maioria das adolescentes era de nacionalidade portuguesa e estudante e 11% tinham antecedentes de interrupção voluntária da gravidez. A principal justificação para a interrupção voluntária da gravidez foi o não planeamento da gravidez (53%). Em 76% das adolescentes tratava-se de uma primeira gestação, mas nas restantes 24% foi uma segunda ou terceira gestação. Trinta e oito por cento referiam não usar qualquer método contracetivo.

Conclusões: O número de interrupções voluntárias da gravidez em adolescentes neste hospital foi semelhante à média nacional. No entanto, em adolescentes até aos 15 anos o valor foi superior ao nacional (2,1% vs 0,5%, respetivamente). Dado que um aborto tem consequências importantes, sobretudo num período vulnerável como a adolescência, a interrupção voluntária da gravidez não pode ser encarada como método contracetivo. Parece pois emergente uma intervenção mais efetiva na educação sexual, para um melhor esclarecimento e prevenção de uma gravidez indesejada.

 


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