Educar para a cidadania é construir uma sociedade responsável

Março 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Snews

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Texto do https://www.educare.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

Os sistemas de ensino europeus sabem a importância que a cidadania tem num mundo mais justo, mais crítico, mais democrático. As escolas dedicam tempo a esta tarefa, mas ainda faltam orientações precisas na formação inicial dos professores e uma maior margem de manobra nas direções escolares.

Sara R. Oliveira

A educação para a cidadania é uma prioridade ao nível europeu, faz parte do currículo na maioria dos países, a sua presença nas escolas faz todo o sentido. O relatório Eurydice 2017 sobre o assunto mostra que assim é e revela algumas medidas que se encontram em vigor, sem, no entanto, monitorizar a sua implementação, nem avaliar a sua eficácia. O relatório destaca a importância do pensamento crítico e socialmente responsável em torno destas matérias, bem como a participação de pais e alunos e o envolvimento dos professores para que a cidadania não seja uma palavra sem sentido.

O mundo pula e avança e educar para a cidadania ganha uma importância cada vez maior. Ajuda os alunos a tornarem-se cidadãos ativos, informados e responsáveis, dispostos e capazes de assumirem responsabilidade por si e pelas suas comunidades. Os sistemas de ensino europeus sabem quão importante é ensinar crianças e jovens a comportarem-se de forma responsável, a compreenderem o papel das instituições, a adquirirem competências para desempenharem deveres sociais e políticos no futuro.

“No entanto, apesar do progresso nos últimos anos, quase metade dos países ainda não introduziu regulamentos ou recomendações sobre a inclusão da Educação para a Cidadania na formação inicial de professores”, adianta o relatório Eurydice Education Citizenship School in Europe – 2017. Além disso, não tem havido orientações para avaliar os alunos nesta área disciplinar e as competências dos diretores escolares são limitadas.

“Embora a ênfase esteja nos alunos e no que acontece na escola, o relatório reconhece que os professores desempenham um papel vital no processo de aprendizagem, e reconhece que as atividades fora da sala de aula (como visitas de estudo ou voluntariado e projetos na comunidade) podem contribuir para os objetivos da educação para a cidadania”. Uma educação transversal, portanto, e em vários espaços, dentro e fora da escola. Nos primeiros anos de escolaridade, dá-se mais atenção às regras e à forma de interagir de forma eficaz e construtiva com os outros, no nível secundário investe-se mais nos comportamentos responsáveis e democráticos, devido à capacidade de abstração e ao pensamento analítico mais desenvolvido nos alunos mais velhos.

Na Europa, há 33 sistemas de ensino que dão uma orientação, incluindo material de apoio, na educação para a cidadania em pelo menos um nível de ensino. Destes, 18 têm orientações para todos os níveis. E além do modelo mais tradicional, da aprendizagem orientada pelo professor, também há pedagogias inovadoras. Portugal, Polónia, Suíça e Montenegro têm os parlamentos de jovens para o público escolar. Na Irlanda, os alunos podem planear e executar o seu próprio projeto de ação de cidadania. O Chipre investiu na aprendizagem interativa com um guia de aprendizagem que apoia debates em temas sensíveis como, por exemplo, a eutanásia animal. Na Letónia, selecionam-se filmes sobre casos reais de discriminação para promover o debate, o pensamento crítico e a autorreflexão. Na Holanda, o voluntariado pode ser considerado parte do currículo escolar.

Comunicar, argumentar, ouvir 
O Eurydice salienta as recentes reformas feitas em França para que os professores tenham competências na educação para a cidadania de forma a transmitirem assuntos importantes aos alunos. Um plano de ação com orientações concretas: rejeitar todas as formas de violência e discriminação, promover os valores da República, ter em consideração a diversidade estudantil e acompanhar os alunos no processo de aprendizagem, atuar como educador responsável e ético, integrar ferramentas digitais no percurso de ensino, cooperar em equipa com os pais e parceiros escolares, contribuir nas ações da comunidade escolar.

Já há países europeus concentrados em treinar diretores de escolas para estes assuntos e em desenvolver uma série de medidas, inclusive através do currículo e atividades extracurriculares, com o propósito de envolver os pais e promover a cooperação entre professores. Em Espanha, por exemplo, as cidades autónomas de Ceuta e Melilla deverão avançar com cursos de formação para diretores escolares melhorarem a coexistência nas escolas, planear estratégias e prevenir conflitos.

Mas nem todos os países dedicam o mesmo número de anos a educar para a cidadania, pode variar entre 1 e 12 anos. Estónia, França e Finlândia são os países que dedicam mais tempo. Croácia, Chipre e Turquia dedicam menos. E, por norma, não são feitos testes de avaliação. Os resultados são normalmente usados para atribuir certificados ou tomar decisões formais no que diz respeito à progressão dos alunos.

Educar para a cidadania abre um mundo de possibilidades e envolve várias competências. “A educação é muito mais do que simplesmente ensinar aos alunos os problemas políticos de um país.” É refletir sobre as próprias atitudes, comunicar e ouvir, argumentar e escutar os pontos de vista dos outros. Encorajar os alunos a participarem no processo democrático está incluído nos currículos da maioria dos programas educacionais europeus. “Assim, a educação moderna para a cidadania na Europa tende não apenas a disseminar conhecimento teórico sobre democracia, mas também encoraja os alunos a tornarem-se cidadãos ativos que participam da vida pública e política”, refere o documento.

O relatório europeu destaca, por outro lado, quatro áreas de competências na educação para a cidadania. São pilares importantes. Interagir de forma eficaz e construtiva com os outros, estimular o desenvolvimento pessoal (autoconfiança, responsabilidade pessoal e empatia), comunicando, ouvindo e cooperando com os outros. Pensar de forma crítica, raciocínio e análise, literacia mediática, conhecimento e descoberta, e uso de fontes. Atuar de forma socialmente responsável, incluindo o respeito pelo princípio de justiça e direitos humanos; respeito por outras culturas e outras religiões; desenvolvendo um sentimento de pertença; e ainda questões relacionadas com o ambiente e a sustentabilidade. Agir de forma democrática, incluindo o respeito pelos princípios democráticos, conhecer e compreender os processos políticos, as instituições e organizações.

Citizenship Education at School in Europe – 2017

Crianças portuguesas são das que aprendem mais cedo uma língua estrangeira

Outubro 4, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de Setembro de 2012.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Key Data on Teaching Languages at School in Europe 2012

Por Bárbara Wong

Portugal é dos países da União Europeia onde se aprende mais cedo uma língua estrangeira. Uma tendência que se verifica em toda a Europa, onde, na maior parte dos países se diminuiu a idade mínima obrigatória para aprender uma língua.

Em Portugal, o ensino do Inglês começa logo no 1.º ciclo, a partir dos seis anos. O mesmo acontece em Espanha, Itália, Luxemburgo, Noruega ou na Croácia. Em Malta, o ensino de uma língua estrangeira começa aos cinco anos. A idade limite para começar a aprender um novo idioma são os nove anos. A excepção é a comunidade germanófona da Bélgica onde aos três anos, as crianças começam a aprender uma segunda língua, o Francês e, aos 13 anos, é introduzida uma terceira língua.

Segundo o relatório Dados-chave sobre o ensino de línguas nas escolas europeias – 2012, Portugal está entre os países onde se começa a aprender mais cedo. A segunda língua é introduzida aos 12 anos. Tradicionalmente é o Francês o segundo idioma escolhido mas tem-se verificado um aumento dos alunos que, no 7.º ano, escolhem o Espanhol.

No entanto, ao contrário do que se verifica em muitos países, em Portugal entre 2005 e 2010 diminuiu a percentagem dos que aprendem línguas. No 3.º ciclo, em 2005 98,3% dos alunos portugueses aprendiam Inglês, mas cinco anos depois eram 74,6%. O Francês também caiu de 88,1 para 52,8% no 3.º ciclo e 22,3% para 6,4% no secundário.

O relatório revela que em 2009/2010, 60,8% dos estudantes do 3.º ciclo do ensino básico encontravam-se a aprender duas ou mais línguas estrangeiras – um aumento de 14,1% em relação a 2004/2005.

O Inglês é a língua estrangeira mais ensinada em quase todos os 32 países abrangidos pelo inquérito (os 27 estados, a que se juntam a Croácia, a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega e a Turquia) – uma tendência que tem aumentado significativamente desde 2004/2005. Segue-se o Francês e o Alemão.

Portugal faz parte de uma lista de países em que em casa se fala um único idioma, apenas 2% dos alunos de 15 anos respondem que se expressam noutra língua fora da escola. Uma percentagem que não fica longe da média europeia: 2,7%. No entanto, há 6,9% de alunos que frequentam escolas onde existe entre 20 e 50% de alunos que falam outra língua em casa. O Luxembrugo e a Bélgica são dois desses países onde há maior diversidade linguística. No caso do Luxemburgo, 14,7% dos alunos de 15 anos inquiridos afirmam que falam Português em casa, enquanto na escola aprendem Francês ou Alemão.

Grade retention during compulsory education in Europe : Regulations and statistics

Dezembro 8, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Alunos portugueses já compreendem melhor o que lêem

Julho 19, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de Julho de 2011.

Por Clara Viana

Cerca de 18 por cento dos alunos portugueses com 15 anos têm sérias dificuldades na leitura, apenas conseguindo responder neste domínio às questões mais básicas como, por exemplo, identificar qual é o tema principal de um texto. Um estudo realizado pela rede Eurydice, que foi divulgado hoje pela Comissão Europeia, dá conta, contudo, que os alunos portugueses estão abaixo da média da União Europeia, o que neste caso é uma boa notícia.

No conjunto dos países da UE, a percentagem de alunos com 15 anos na mesma situação é de cerca de 20 por cento. Androulla Vassiliou, comissária europeia da Educação e Cultura, reagiu assim a este resultado: “É totalmente inaceitável que tantos jovens na Europa continuem a não ter capacidades básicas de leitura e escrita. Isso coloca-os em risco de exclusão social, torna-lhes mais difícil encontrar um emprego e reduz a sua qualidade de vida”.

Segundo a Comissão Europeia, é a primeira vez que se apresenta num estudo europeu um retrato aprofundado da literacia em leitura e se apontam alguns dos factores principais que têm impacto na aquisição e competências em leitura entre os 3 e os 15 anos.

Em relação aos alunos com 15 anos, o estudo baseia-se nos resultados alcançados por estes nos testes do Programme for International Student Assessment (PISA) de 2000 e de 2009, especialmente dedicados à literacia em leitura. Nestes testes, levados a cabo pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento, Portugal é um dos cinco países que sofreu uma evolução positiva neste intervalo. Os outros são a Holanda, Letónia, Polónia e Liechtenstein. À excepção da Letónia, os restantes quatro estão agora também abaixo da média europeia. Mas com resultados melhores que os portugueses.

A Holanda e a Polónia fazem parte do pequeno grupo de países que já atingiu a meta que a UE se propôs chegar em 2020: reduzir para menos de 15 por cento a percentagem de maus leitores entre os alunos de 15 anos. A Dinamarca, a Estónia, Finlândia e Noruega, bem como a Bélgica flamenga, são os outros que já lá chegaram. Na Finlândia apenas oito por cento dos alunos com 15 anos têm problemas com a leitura.

A Bulgária e a Roménia estão na situação oposta e são os que apresentam piores resultados: 40 por cento dos seus alunos com 15 anos não atingem o nível dois dos testes PISA ou seja, ficam-se apenas pelas competências mais básicas.

O estudo hoje divulgado confirma que o género é um dos factores com mais impacto na aquisição de competências em leitura: “em média as raparigas ultrapassam os rapazes na leitura e esta diferença de género aumenta com a idade”. Aos 9 anos, 18 por cento das raparigas e 22 por cento dos rapazes têm dificuldades na leitura. Aos 15, o número de rapazes em dificuldades já duplica o das raparigas. Em média, 12 por cento das raparigas e 26 por cento dos rapazes são maus leitores nesta idade. O risco de um aluno português do sexo masculino ter dificuldades em leitura aos 15 anos é superior em duas vezes ao de uma aluna. Na UE a média desta probabilidade é de 1.9.

A situação dos alunos do 4º ano tem sido avaliada através de um estudo internacional em que Portugal não participou. Trata-se do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). com inquéritos realizados em 2001, 2006 e 2011.

Para além do género, o outro factor com maior impacto na aprendizagem da leitura é a origem socioeconómica dos alunos.

Apesar de na maior parte dos países existirem programas de promoção da leitura, estes pecam por ser excessivamente generalistas. Ou seja, conclui o estudo não têm como destinatários aqueles que mais necessitam por serem os que apresentam maiores dificuldades, como são os casos dos rapazes, dos alunos oriundos de meios desfavorecidos e dos jovens imigrantes.

No estudo frisa-se que as dificuldades em leitura são ultrapassáveis, mas que este sucesso depende em grande medida destas serem identificadas, e adoptadas medidas, o mais cedo passível. Um ensino intensivo e por objectivos, ministrado a nível individual ou a pequenos grupos, pode ser particularmente eficaz, frisa-se. No entanto, acrescenta-se, “são poucos os professores que têm a oportunidade de se especializar nesta área”. Dos 27 países da UE, só em oito os professores contam, nas aulas, com o apoio de especialistas em dificuldade de aprendizagem na leitura.

Promoção da literacia ignora grupos de risco

Julho 15, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 12 de Junho de 2011.

Clara Viana

O risco de um aluno português do sexo masculino ter dificuldades em leitura aos 15 anos é superior em duas vezes ao de uma aluna

A promoção da literacia através de políticas e programas nacionais é comum à maior parte dos países da União Europeia, mas este esforço não tem tido como destinatários aqueles que têm maiores probabilidades de experimentar dificuldades neste campo que é essencial a toda a aprendizagem, sublinha um estudo ontem divulgado pela Comissão Europeia.

O estudo “Teaching Reading in Europe: Contexts, Policies and Practices”, elaborado pela rede europeia Eurydice, identifica os grupos de risco (rapazes, jovens oriundos de meios desfavorecidos e imigrantes)e confirma que a diferença de género é um dos factores com mais impacto na aquisição de competências na leitura. Aos 15 anos, o número de rapazes em dificuldades duplica o das raparigas. Em média, 12 por cento das raparigas e 26 por cento dos rapazes têm dificuldades em ler nesta idade.

O risco de um aluno português do sexo masculino ter dificuldades na leitura aos 15 anos é superior em duas vezes ao de uma aluna. Na UE, a média desta probabilidade é de 1,9. Entre 2000 e 2009, os anos em que os testes do PISA (Programme for International Student Assessment) se centraram na literacia de leitura, a diferença entre géneros agravou-se 11 pontos em Portugal.

Nestes últimos testes do programa desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, os alunos portugueses de 15 anos conseguiram, contudo, e pela primeira vez, aproximar-se da média da OCDE – como também foram menos aqueles que não conseguiram alcançar o nível dois (existem cinco). Só a partir do nível três é que se entende que um jovem está preparado para participar na sociedade.

Cerca de 18 por cento não conseguiram ir além de questões básicas como identificar qual o tema principal de um texto. Em média, na União Europeia, esta é a situação de um em cada cinco jovens de 15 anos: “É totalmente inaceitável que, na Europa, tantos jovens continuem sem alcançar competências básicas na leitura e na escrita. Isso coloca-os em risco de exclusão social”, avisou a comissária europeia para a Educação e Cultura, Androulla Vassiliou.

Para além do PISA, foram também utilizados para retratar os alunos do 4.º ano os resultados de um estudo internacional em que Portugal não participou. Trata-se do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). No 4.º ano, 20 por cento dos alunos que realizaram os testes também não foram além das competências básicas.

“Esperar e ver”

A intervenção precoce é uma das chaves primordiais em educação. Para que as dificuldades na leitura sejam ultrapassáveis é necessário que sejam identificadas, e adoptadas medidas o mais cedo possível, sublinha-se. Mas os inquéritos feitos aos professores mostraram que o comportamento mais generalizado é o de “esperar e ver”, uma “estratégia” que tem na base a suposição de que a ultrapassagem daquelas dificuldades se fará a par do maior grau de maturidade dos alunos, sendo assim encarada como um resultado natural do crescimento.

A estratégia aconselhada pelo estudo da rede Eurydice é outra: “Um ensino intensivo e por objectivos, ministrado a nível individual ou de pequenos grupos, pode ser particularmente eficaz.” Também a formação dos professores é um dos factores decisivos na aprendizagem da leitura. Na formação inicial têm de obter os conhecimentos e os instrumentos necessários para, quando confrontados com a prática, serem capazes de reconstruir algumas convicções anteriores que são inconsistentes com uma efectiva aprendizagem da leitura – como, por exemplo, a de atribuir apenas as dificuldades neste campo ao meio de origem do aluno, afirma-se.

Quanto à formação contínua, constata-se que continua a centrar-se em acções de curta duração, menos eficazes do que as de longo prazo.

 

Nos chumbos, Portugal continua no grupo da frente

Fevereiro 17, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 8 de Fevereiro de 2011.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

“Grade Retention during Compulsory Education in Europe:
Regulations and Statistics” – Download Aqui

Por Clara Viana

Um estudo ontem divulgado pela Comissão Europeia fala de “uma cultura de retenção” e defende que o desafio passa por questionar certas certezas.

Portugal continua a fazer parte do pequeno grupo de países onde chumbar um ano faz parte da normalidade. Em 2009, segundo a Comissão Europeia, quase 35 por cento dos alunos com 15 anos tinham reprovado pelo menos uma vez durante o ensino básico. Em 2003, inquéritos coligidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostravam que, entre os jovens portugueses com aquela idade, 29 por cento disseram nesse ano já terem ficado retidos pelo menos uma vez.

O relatório Taxas de Retenção Durante a Escolaridade Obrigatória na Europa, divulgado ontem pela Comissão Europeia, coloca Portugal em quinto lugar. À frente, com maior percentagem de alunos de 15 anos a terem reprovado pelo menos uma vez, figuram a Bélgica – Comunidade Francesa (37,1 por cento), França (36,5 por cento), Luxemburgo (36,1 por cento) e Espanha (35,3 por cento).

No relatório, lembra-se que os últimos dados do programa PISA, da OCDE, mostram que, pelo contrário, em países como a Eslovénia, o Reino Unido e a Finlândia, a percentagem de jovens naquela situação é inferior a três por cento. No estudo desenvolvido pela rede Eurydice, conclui-se que “não existe uma relação clara entre a legislação em vigor e as taxas de retenção”.

“A existência de uma cultura de retenção parece ser a razão principal pela qual esta prática é mais utilizada em certos países, onde prevalece a ideia de que repetir um ano pode ser benéfico para reforçar a aprendizagem do aluno”, constata-se. No geral, a decisão de retenção baseia-se mais na avaliação feita pelo professor do que em metas de aprendizagem estandardizadas, frisa-se também.

Num parecer sobre a educação dos 0 aos 12 anos, o Conselho Nacional da Educação assumiu, há dois anos, que “o problema das repetições assume, em Portugal, proporções catastróficas”. Portugal é dos poucos países da Europa “que não conseguem apoiar de modo eficaz os seus alunos, penalizando-os pela ineficácia do sistema”, concluiu.

No estudo ontem divulgado, defende-se que o desafio, neste campo, “reside mais em questionar certas certezas e crenças do que em mudar as leis”. Foram analisados todos os 31 Estados da União Europeia e também Islândia, Noruega, Turquia e Liechtenstein. A progressão automática é a norma na Islândia e na Noruega. Em Portugal, a retenção é permitida a partir do 2.º ano. Em 2009, chumbaram neste ano 6,9 por cento dos alunos. A maior taxa de retenções ocorre no 7.º ano – 16,7 por cento.


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