Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece –

Outubro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece

Luciene Regina Paulino Tognetta, Darlene Ferraz Knoener, Sanderli Aparecida Bicudo Bomfim, Sandra Trambaiolli De Nadai

Resumo

Este estudo teórico objetiva evidenciar a ausência de conteúdos morais em situações de bullying e cyberbullying, destacando, em contrapartida, a necessidade de compreender esse fenômeno da violência como um problema moral. Em meio a um contexto de relações interpessoais violentas vivenciado nas instituições de ensino, seja de forma presencial ou virtual, urge destacar as evidências das investigações atuais sobre esse tema que apontam para a superação do problema por meio de processos que priorizem a composição de um ambiente que favoreça a formação moral e a convivência ética. Uma vez que a escola desempenha um papel significativo na construção da moralidade do sujeito, é necessário que haja, em cada instituição de ensino, a sedimentação de um projeto de convivência ética, de modo a explicitar o pacto de todos os seus personagens com a prevenção à violência. A literatura atual aponta a necessidade de tais programas e projetos de convivência ética que sejam intencionais, sistematizados e contínuos, proporcionando espaços de protagonismo para os alunos a fim de que exercitem e vivenciem valores morais para que estes tomem lugar central em sua personalidade, justamente por destacar o quanto tais valores estão ausentes naqueles que agridem, bem como muitas vezes naqueles que recebem ou testemunham a agressão.

descarregar o estudo no link:

http://piwik.seer.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/10036

Uma façanha extraordinária: como a ética fez nascer o bebé-esperança

Julho 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Para Gonçalo Cordeiro Ferreira, presidente da Comissão de Ética do Centro Hospitalar de Lisboa Central, a criança que nasceu no São José de uma mãe em morte cerebral não é um bebé-milagre, mas um “bebé-esperança”

Para Gonçalo Cordeiro Ferreira, presidente da Comissão de Ética do Centro Hospitalar de Lisboa Central, a criança que nasceu no São José de uma mãe em morte cerebral não é um bebé-milagre, mas um “bebé-esperança”.

 

A vida é um bem a ser cuidado. A morte é um instrumento para chegar à vida. E a ética tem de servir para ligar a morte e a vida. Foi assim, que, numa manhã de segunda-feira, decidiu-se prolongar a morte de uma mãe para fazer nascer um filho que ela nunca veria. Nem o médico que o salvou. Nem viu, nem vai ver, porque a ética não pode depender da espuma das emoções. É de outro patamar, do distante. A palavra ao pediatra que salvou o bebé que comove Portugal.

Um homem não se separa da circunstância e Gonçalo Cordeiro Ferreira é, antes do mais, um pediatra. É o médico das crianças. É também diretor do Hospital D. Estefânia e presidente da comissão de ética do Centro Hospitalar de Lisboa Central. Naquela sexta-feira, 19 de fevereiro deste ano, quando uma mulher grávida e em coma deu entrada no hospital de S. José, em Lisboa, ele ainda era o vice-presidente do organismo que tomaria uma decisão que entrou para a história da medicina portuguesa e cravou a sua marca na literatura clínica mundial.

Subscreveu a “decisão pró-vida”, uma opção em prol da sobrevivência de um feto de 17 semanas totalmente dependente do corpo de uma mãe que já morrera em consequência de uma hemorragia cerebral. Gonçalo Cordeiro Ferreira nunca viu aquela mulher. Nunca olhou para uma fotografia daquela criança. Um homem que não acredita em milagres, mas que defende a esperança.

Como é que tudo começou?
A 21 de fevereiro, sábado, a comissão de ética encontrava-se em reestruturação porque o anterior presidente, dr. António Santos Castro, estava em vias de se aposentar e ainda não tinha sido nomeada formalmente uma nova comissão. Fui contactado pelo diretor clínico do serviço de Neurocríticos do Hospital de S. José e informado de que havia uma senhora em morte cerebral, grávida, e que a primeira avaliação do bebé mostrava que era um feto que tinha todo o comportamento ecográfico e biomédico bem, assim como a placenta. Não havia lesões visíveis. Era um feto de 17 semanas que, se fosse retirado de dentro da mãe, não teria nenhuma viabilidade. E havia a necessidade de saber o que se iria fazer com esta senhora, que era mantida em suporte de vida. A ‘velha’ comissão de ética reuniu-se então no dia seguinte. Entretanto, informamo-nos do que se passava e recolhemos informação sobre uma situação bastante insólita e rara. Depois de um debate de algumas horas, elaboramos, por unanimidade, um parecer que foi enviado ao conselho de administração.

O que dizia o parecer?
Em primeiro lugar, que se tratava de um feto de 17 semanas que não pode sobreviver fora da barriga da mãe. De uma mãe que tinha reiteradamente afirmado que queria manter a gravidez, apesar de ter uma doença. Em segundo lugar, foi uma decisão classificada ‘pró-vida’ que nos fez decidir pelo feto. Porque se uma pessoa em morte cerebral é mantida viva em nome de um milagre, é claramente um processo de futilidade terapêutica, porque sabemos que não terá qualquer recuperação. A consulta da literatura mostrou que, embora não haja muitos casos, é possível ter sucesso em casos como este. Até às dez semanas, o feto fica à disposição da mãe, que pode decidir ou não o prosseguimento da gravidez. A partir daí, só pode interrompê-la se houver malformações ou perigo para a saúde da mãe reconhecido por uma comissão científica. O terceiro ponto pedia que o feto fosse monitorizado constantemente para detetar quaisquer indícios de que o momento do acidente cerebral que custou a vida à mãe pudesse ter afetado o bebé e que este pudesse desenvolver malformações. Finalmente, também se sublinhava que o caso tinha de ser entregue ao Ministério Público, que poderia ter de tomar uma medida cautelar em relação ao feto.

Tinham alternativas do ponto de vista legal?
Existe aqui um grande vazio legal. Para todos os efeitos, esta senhora tinha um óbito declarado. O problema é que o feto não tem personalidade jurídica.

Esse argumento não foi invocado?
Não, o bebé foi considerado um bem jurídico. A vida é um bem e era uma vida que já estava além do período em que poderia ser disposta pela mãe. Não temos muitas opções. É evidente que havia risco. Daí a continuada monitorização do feto para perceber se surgiam anomalias incompatíveis com uma vida em qualidade. Imaginemos que a mãe desenvolvia uma infeção e o bebé morria. O que se tinha perdido? Tempo, a utilização de uma máquina. A colheita de órgãos só poderia ser feita se houvesse condições. Há sempre que equilibrar o certo e o incerto e o certo era aquela vida. Não foi um aventureirismo.

Não foi inédito?
Em Portugal foi, e em termos mundiais não é muito frequente, só há uma referência na Arábia Saudita, onde o bebé nasceu uma semana antes deste.

Foi uma experiência médica?
A comissão de ética não se baseia nesses raciocínios. É uma terapêutica experimental, o que não quer dizer que seja uma experiência, porque se houvesse deteção de anomalias poderia invocar-se a interrupção da gravidez por motivos de malformações fetais. Esta salvaguarda estava assegurada.

Então porquê pedir a intervenção do Ministério Público (MP)?
As informações que tínhamos na altura eram escassas em relação à família, que estava em choque e sabíamos pela equipa médica que tratava da mãe, que a relação com o pai era recente, não sabíamos se era estruturada. Perante a possibilidade de haver uma contradição com a opinião da família, o que se decidiu – e esta é a decisão que reputo mais ousada – foi equiparar este feto a um menor em risco e dar disso conhecimento ao MP. A fundamentação é de que quem protege o feto é a mãe e esta mãe está morta, não pode proteger o seu bebé. Mas também a equipa médica precisava de uma tutela superior, que teria de ser o Estado, se não houvesse acordo com a família. Daí ter-se dito ao MP que não se trataria de uma personalidade jurídica mas de um bem jurídico. Uma vida que não está protegida. Entretanto, a família mostrou ter vontade que a gravidez fosse para frente, mesmo sendo uma situação muito complicada.

A família não deveria ter assinado um consentimento informado?
Não concordo, porque a senhora estava morta. E o bebé não é propriedade de ninguém. Está tutelado pela família enquanto menor e pode ser retirado da família se esta não exercer corretamente a sua missão. O feto não é do pai. Seria da mãe, com reservas até às dez semanas. Felizmente, todos concordaram, mas mesmo que não o tivessem feito, a gravidez poderia continuar.

Esta decisão é única?
Vou falar transcendendo o papel na comissão de ética, porque sou pediatra e uma pessoa não se pode desligar da sua condição. Este caso foi uma façanha extraordinária. A equipa de neurocríticos fez um trabalho tecnicamente perfeito, em condições muito complicadas, sem experiência. Compreendo que esta seja uma decisão muito complicada, porque as equipas médicas lutam para salvar vidas e não para manter mortos. E neste caso só lutaram para manter esta morta em situação de vida temporária porque sabiam que estava lá uma vida a crescer. Só fazia sentido se o bebé nascesse bem. Se não tem acontecido, teria sido uma enorme deceção. Uma sensação de tempo gasto porque o que aconteceu foi ao arrepio da prática médica. Ficaram muito aliviados quando viram o até então invisível bebé. Foi fantástico. Foi possível manter o bebé com o que ele necessitava para crescer, mas havia coisas que faltavam. Acordar, dormir, estar dentro de casa, comer e estar em jejum, estados emocionais que não se transmitem, mas são modulados pela libertação de hormonas que ali não havia. E há a fala, a música, que os bebés ouvem na barriga da mãe. Neste caso isso não existiu, com que consequências, não sabemos. Mas a equipa, sobretudo de enfermagem, fez um papel de comaternidade.

Sem nenhum protocolo?
Sem nenhum protocolo. Primeiro porque isso não vem nos manuais técnicos. Iam ao quarto, falavam com o bebé, levavam música, faziam festinhas na barriga da mãe. Mostra-nos que a maternidade não é uma ação individual, é de toda uma comunidade. Aqui, começou na fase pré-natal. A ética repousa nos bons princípios do homem como animal social. E essa equipa mostra isso, na vontade de o homem fazer bem ao seu semelhante.

Nunca se arrependeu da decisão?
Nunca.

Fica aborrecido quando chamam à criança “bebé-milagre”?
Não há milagres, mas que o bebé é um grande marco, é. Preferia chamar-lhe bebé-esperança. Foi fruto de uma esperança que não foi aventureira, foi baseada em indicações concretas.

Alguma vez foi visitar a mãe?
Não.

Visitou o bebé?
Não.

Vai?
Não.

Porquê?
A comissão de ética precisa de estar distante do que é esta espuma das emoções. Tem de estar noutro patamar, em que as deliberações têm de ser mais tranquilas apesar da urgência da situação.

Ele não vai ser seu doente?
Não.

 

Expresso em 15 de junho de 2016

Pesquisadores da Harvard dão 5 dicas para criar crianças éticas e bondosas

Março 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.revistapazes.com de 21 de fevereiro de 2016.

revistapazes

Seu objetivo é que seu filho seja um adulto bem sucedido e feliz no futuro? A orientação dos pesquisadores de Harvard é: ensine as crianças desde cedo a serem pessoas generosas e altruístas. Isso não é apenas a coisa certa a fazer, como também é fundamental para que eles desenvolvam relacionamentos saudáveis – uma das maiores fontes de felicidade dos seres humanos – e saibam interagir em sua vida pessoal e no trabalho. Sim, no mercado de trabalho! O sucesso depende mais do que nunca de saber colaborar com os outros e crianças empáticas e socialmente conscientes colaboram mais.

Aqui vão 6 dicas práticas para você plantar a sementinha do bem nos seus filhos:

1)Passe tempo com seus filhos

Esse é a base de tudo. As crianças aprendem a se importar e respeitar o próximo quando elas são tratadas com respeito e amor. Converse, faça perguntas, escute as respostas com interesse, planeje coisas legais para fazerem juntos, leia livros na hora de dormir. Uma criança que se sente amada já tem meio caminho andado.

2) Dê o exemplo

As crianças aprendem a ter comportamentos éticos e morais observando o comportamento dos pais e de outros adultos que elas respeitam. Preste atenção em você mesmo. Você está se comportando da maneira honesta, ética e generosa que você deseja ver nas crianças? Está sabendo resolver seus próprios conflitos com tranquilidade? Claro que ninguém é perfeito todo o tempo e por isso que é tão importante dar o exemplo também reconhecendo erros, sendo humilde e avaliando nosso próprio comportamento. Errou? Admita e busque melhorar.

3)Fale em alto e bom som que generosidade e valores éticos são importantes.

Apesar de muitos pais falarem que isso é uma prioridade muitas crianças não estão escutando. As crianças precisam escutar em alto e bom som que a felicidade dos outros é tão importante como a nossa, que a gente tem que fazer a coisa certa mesmo quando é mais difícil, que temos que honrar nossos compromissos, ser justos. Encoraje seus filhos a tomarem decisões sob a luz da ética e do respeito ao próximo.

4)Crie oportunidades para que as crianças pratiquem a gratidão.

 Gratidão é a palavra da vez para quem está buscando a felicidade. Vários estudos mostram que quem reconhece as coisas boas da sua vida é muito mais feliz. O músculo da gratidão tem que ser exercitado para ficar forte. Encoraje as crianças a expressarem gratidão: obrigada para aquela professora bacana, obrigada pelo ida no parquinho com a vovó, obrigada pela aquela comidinha especial, obrigada por ter me ajudado com o dever de casa.

5)Ensine-os a verem além do próprio mundinho.

A maioria das crianças se importa com sua família e com seus amigos. O grande desafio é fazer com que desenvolvam empatia em relação a alguém fora do seu círculo social, o aluno novo da classe, alguém que não fala a sua língua, o faxineiro da escola, alguém que mora em um país muito distante. Ajude o seu filho a dar o “zoom out” no mundo. Converse sobre notícias, sobre as dificuldades de pessoas que moram longe. Ou apenas converse sobre pessoas diferentes de vocês. Isso já ajuda as crianças a entenderem que o mundo é muito mais do que a gente pode ver – excelente capacidade para se desenvolver em uma realidade tão globalizada.

Esse texto é uma adaptação/tradução livre deste artigo no upworthy e deste no Washington Post. O estudo da Harvard citado no texto acima faz parte do projeto Making Care Commom, que tem como objetivo ajudar pais e educadores a ensinar ética e empatia para crianças. O site deles vale a visita!

O texto acima é uma tradução e adaptação do site “Tudo sobre minha mãe”, conforme créditos já inseridos no rodapé deste texto. Recomendamos, com carinho, que todos visitem o site!

O artigo original do Washington Post:

Are you raising nice kids? A Harvard psychologist gives 5 ways to raise them to be kind

 

 

 

 

 

Adolescentes não têm mimos a mais, têm mimos maus

Fevereiro 4, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto publicado no http://lifestyle.publico.pt de 26 de janeiro de 2016.

Ricardo Silva

Por Inês Garcia

O caso do adolescente norte-americano com “affluenza” trouxe preconceito contra as famílias ricas. Miúdos mimados ou com falta de mimos?

Em 2013, o adolescente Ethan Couch, de 16 anos, provocou a morte de quatro pessoas e feriu nove, enquanto conduzia embriagado no Texas, Estados Unidos. Os seus advogados alegaram que o jovem sofria de uma condição chamada “affluenza” para justificar a sua não-culpabilidade, argumentando de que a falta de valores morais e limites se devia à permissividade dos pais. Detido no fim de 2015 por ter violado a sua liberdade condicional e a aguardar julgamento, surgem as opiniões – “miúdo mimado”, “reflexo de negligência parental” ou “culpa de um vírus”?

O termo “affluenza” vem das palavras inglesas “influenza” (“gripe”, em português) e “affluence” (“influência, riqueza”), foi popularizado nos anos 1990 e refere-se a jovens que nunca terão aprendido a ser responsáveis nem a medir as consequências dos seus actos. A culpa disto seria dos pais, que teriam mimado os jovens em demasia. Mas esta condição nunca foi reconhecida pela Associação Americana de Psicologia – “há um conjunto de comportamentos e criou-se o termo para falar disso, mas não corresponde a um diagnóstico clínico, a comunidade não o aceita como tal”, atesta José Morgado, especialista em psicologia de educação, em conversa telefónica com o PÚBLICO.

A utilização desta condição foi uma estratégia de defesa de Couch – tentar provar a instabilidade perante um crime pesado em que o arguido é culpado é “comum” – mas “a América tem um contexto muito particular nas questões jurídicas, com meandros muito diferentes dos nossos”, lembra Morgado. “Não tenho a certeza se um caso com esse figurino teria o mesmo final num país da Europa, o modelo de justiça é muito diferente”.

Morgado admite, porém, que há crianças e jovens que crescem com alguma desregulação ao nível dos valores e dos limites. Há aqui algo que a sociedade não deve ignorar, defende Suniya Luthar, professora de psicologia na Universidade do Estado de Arizona num artigo para a agência Reuters intitulado Às vezes as ‘pobres criancinhas ricas’ são mesmo pobres criancinhas ricas, citado pela CNN. “Há provas crescentes de que os filhos dos ricos estão-se a tornar cada vez mais perturbados, irresponsáveis e auto-destrutivos”, defende Luthar, que investiga as vidas de crianças privilegiadas há 25 anos. José Morgado defende, no entanto, que “não há uma relação directa entre ter muito dinheiro e ter um determinado tipo de comportamento” por “uma razão simples: se houvesse uma relação causa-efeito, todas as pessoas teriam o mesmo comportamento na mesma circunstância e isso não se verifica”.

“São mais os estilos de vida que podem estar ligados a determinado tipo de condição, determinados tipos de exercício profissional, pouca presença familiar… Estes estilos podem reflectir-se ao nível do estabelecimento da educação, os miúdos ficam mais sós, com menos regras, com menos orientação, menos níveis de comunicação”, explica Morgado, que trabalha directamente com pais e professores de vários colégios e ouve queixas de determinado tipo de comportamentos. “Há pais muito ausentes que, como têm dinheiro, compram o serviço educativo, não o exercem. Não porque queiram ser maus pais”, continua, “mas não têm tempo, têm horários exigentes”.

Mas isto não está relacionado, frisa o especialista, com “mimo a mais”. “Tira-me do sério a expressão dos miúdos que têm mimos a mais. Não há ninguém que tenha mimos a mais, são é maus mimos”, diz, sublinhando o mimo como um bem imprescindível na vida das pessoas em qualquer idade. “Se não lhe dão mimo, se deixam fazer tudo o que a criança ou o jovem quer, isto não é mimo, é mau mimo, é um mau serviço prestado à criança”, enfatiza José Morgado.

Os miúdos a quem chamam “muito mimados” são crianças “mal-educadas”, diz José Morgado. “São miúdos sem regulação nos valores e nos limites”, que precisam de ouvir mais “nãos”.

As crianças e jovens “precisam e querem que lhes digam o que está certo e o que está errado e aprender a serem responsáveis e as consequências das suas acções”, frisa o psicólogo norte-americano Harris Stratyner à CNN. “O que as pessoas não percebem é que, para as crianças, os limites são necessários para que se sintam seguras. Elas não são cognitivamente capazes de definir limites para si próprias por isso precisam que nós, pais, lhes digamos ‘ok, é aqui que estou a traçar a linha. Não podes ultrapassá-la e haverá consequências se o fizeres’”, acrescenta Suniya Luthar.

Comunicação é essencial

“É preciso arranjar formas de comunicação com os miúdos”, reconhece José Morgado. Mas também é preciso “sermos realistas”: “Não posso dizer a um pai, que tem um trabalho e horários exigentes, para arranjar tempo. É preciso é adaptar o tempo às suas circunstâncias de vida. Há menos tempo mas o tempo de que dispõem tem de ser para comunicar com os miúdos”, aconselha, lembrando que a educação é feita com base na relação e só há relação se houver comunicação. “É isto que os pais não se podem esquecer”.

É preciso sermos “proactivos” e ter atenção, realça o psicólogo. “Quando chegamos a casa devemos perguntar aos jovens como correu o dia. Podem não querer falar, há a idade em que preferem falar com os amigos dos seus grupos, mas é importante os pais perguntarem e mostrarem que estão lá” para qualquer eventualidade, continua.

A psicoterapista norte-americana Eileen Gallo, co-autora do livro Silver Spoon Kids: How Successful Parents Raise Responsible Children, chama a atenção para as conversas dos pais com os filhos não só sobre os dias de escola dos miúdos mas também para contar os seus dias de trabalho. As conversas são “tão importantes” nestes casos, diz à CNN, “provavelmente ainda mais nos dias de hoje” – em que o contacto é feito através de chamadas ou troca de mensagens nas redes sociais em vez de conversas cara-a-cara.

Os níveis de deliquência entre pobres e ricos são “comparáveis”, diz Suniya Luthar. Independentemente dos rendimentos e do seu lar, há sentimentos de ansiedade, depressão, crimes – e é essencial haver figuras a seguir (role models) e comunicação. A única diferença pode ser a forma de quebrar as regras: nos lares das famílias de classe média-alta “o dinheiro é abundante, por isso os jovens têm mais dinheiro para comprar drogas, álcool e arranjar sofisticados bilhetes de identidade falsos e os pais têm dinheiro para pagar a advogados bons”.

“Não é fácil. É confuso. Isto de ser um pai ‘bom o suficiente’ é desconcertante. E pensar que só por que temos mais estudos ou mais dinheiro temos as respostas certas, que sabemos a melhor coisa a fazer para continuar a fazê-la, é um equívoco”, refere Luthar.

 

 

 

 

Adultos deixam cair as suas carteiras ao lado de crianças para ver o que elas vão fazer

Novembro 29, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.upworthy.com/adults-drop-their-wallets-next-to-kids-to-see-what-they-will-do-its-a-beautiful-experiment?c=upw1&u=3220bd7da33bd02463d6b735cde9de8a5115ce0d

40 cortometrajes para educar en valores

Novembro 14, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educaciontrespuntocero.com de 9 de outubro de 2015.

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El cine ha llevado a la gran pantalla muchas películas en las que se tratan temas relacionados con el mundo de la educación. Continuamos ampliado esta entrada con vuestras propuestas hasta alcanzar los 40 cortometrajes para educar en valores. Con ellos, el alumnado reflexionará sobre la amistad, la solidaridad, el trabajo en equipo, el respeto a las personas…

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1. iDiots (“iDiotas”): Un cuento de Big Lazy Robot VFX de 2013 con su moraleja, es una crítica al consumismo y al sedentarismo causado por la tecnología. Tenemos de todo, especialmente teléfonos que hacen cualquier tipo de virguería menos una llamada de voz al prójimo. Stop motion con robots japoneses.

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2. For The Birds (“Pajaritos”): Corto animado de los estudios Pixar en Redmond dirigido por Ralph Eggleston, que ganó un Oscar en su categoría en el año 2000. Pueden extraerse diversas reflexiones, sobre la tolerancia y la importancia que tiene cada persona por sí misma, o para que no nos riamos de nadie y aprendamos desde la diferencia a sacar las virtudes que tiene cada cual.

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3. Deadlines (“Plazo de entrega”): Trabajo de una agencia publicitaria, que demanda más tiempo en una cultura económica del más por menos, y para ello recurre a los que más saben de la materia, una clase de Primaria. El experimento es sencillo: en diez segundos, los niños tienen que completar un dibujo con la primera idea que se les venga a la cabeza (y prácticamente la misma en todos). Si cuentan con diez minutos, se obrará el milagro, ya que no hay dos resultados iguales. La creatividad no está inspirada por la presión del tiempo, sino por la libertad, la diversión y la alegría.

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4.El Sándwich de Mariana: Cortometraje de 2014 de Carlos Cuarón (hermano del más conocido cineasta mexicano Alfonso Cuarón) que se adscribe a una campaña contra el bullying. Eso sí, desde un punto de vista más arriesgado en el que se trata del verdugo que a su vez es víctima, o cómo de la comprensión puede nacer la compasión… a pesar de sufrir su abuso, haciéndonos más fuertes. Un ensayo para reflexionar sobre la cadena de violencia en nuestra sociedad.

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5. A bolboreta Sabela (“La mariposa Sabela”): Corto del gallego Alfredo Varela (realizado en 2011), con guión de Clara Groba, que cuenta con la colaboración en los dibujos de su hijo Iván (8 años) y Alba Añón (7). Narra un cuento con una moraleja muy simple: “te vedes un monstruo de sopetón… e non sabedes idiomas… ¡fuxide! Non hai outra solución” (“si te encuentras un monstruo de repente, y no sabes idiomas, ¡huye! No hay otra solución”). Con ello quieren dar a entender la importancia del esfuerzo por aprender y saber hablar más de un idioma para salir airosos en diversas situaciones. Recibió en su día el primer premio en el concurso CinEOI Coruña Curtas.

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6. Cuerdas: El guionista y director Pedro Solís García dirige esta pequeña obra de arte que ha sido reconocida recientemente con el Premio Goya 2014 al Mejor Cortometraje de Animación. La ternura, la amistad, la inocencia o la generosidad son algunos de los valores tratados.

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7. El vendedor de humo: Este corto animado plantea diferentes cuestiones alrededor de las cuales los alumnos tienen la oportunidad de reflexionar: el consumismo, la picaresca, cómo en ocasiones le damos demasiada importancia a las apariencias…

Visionar todas as curta metragens no link:

http://www.educaciontrespuntocero.com/recursos/familias-2/cortometrajes-educar-en-valores/16455.html

 

 

 

 

 

 

 

Jornadas Educativas “Pensar a Educação …2015”

Março 16, 2015 às 7:10 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Período de inscrição: Até 20/03/2015

mais informações:

http://www.edufor.info/formacao/index8.asp?id=0915T1

Rico, egoísta e pouco solidário são dados “preocupantes” de estudo sobre literacia social

Janeiro 23, 2014 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Noticia do i de 14 de Janeiro de 2014.

mais informações sobre o estudo no site do Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano

Afonso Palma

Afonso Palma

“O sistema educativo esqueceu-se de que o individuo não é só trabalho, é a relação com os outros, com a família. Não podemos educar apenas bons técnicos. Arriscamo-nos a ter ladrões competentes”, diz Xavier de Carvalho

Os portugueses com mais habilitações e mais dinheiro são também os menos solidários, revela um estudo sobre literacia social, a ser divulgado na quinta-feira e cujos dados são “preocupantes” no entender do autor.

“São resultados preocupantes, a própria comunidade científica e académica que acompanhou o estudo manifestou essa preocupação. Há uma correlação negativa entre pessoas com elevados rendimentos e a preocupação para com a solidariedade”, disse à Lusa o autor do trabalho, Lourenço Xavier de Carvalho.

O estudo, realizado com o apoio da União Europeia, da Universidade Católica e do Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano, é apresentado numa conferência internacional sobre literacia social, na quinta-feira, no Palácio de Mafra.

Nele se conclui, nomeadamente, que “os que mais têm materialmente são os menos disponíveis, quer para ajudar os outros, quer para lutar por uma causa justa”, o que cria “um problema estrutural de democracia”, porque “os que mais instrução têm são os mais propensos a ocupar lugares de liderança”.

Xavier de Carvalho é claro: “É assustador de alguma maneira”. E diz a seguir: “É um alerta para se tomarem medidas”.

Em resumo, conclui o trabalho do académico que a sociedade é mais tolerante mas mais individualista, que a família é vista numa ótica restrita, que as pessoas se acomodam ao seu bem-estar crescente e têm dificuldades em partilhar riqueza, benefícios e privilégios, e que os jovens são educados apenas para serem ativos e competentes.

“O sistema educativo esqueceu-se de que o individuo não é só trabalho, é a relação com os outros, com a família. Não podemos educar apenas bons técnicos. Arriscamo-nos a ter ladrões competentes”, diz Xavier de Carvalho.

O responsável aponta o dedo ao sistema de ensino, excessivamente técnico nas últimas décadas, esquecendo “competências humanas e éticas que têm de ser promovidas ao longo da vida”.

E que resulta disso, segundo o estudo? Menos de 60 por cento dos portugueses com estudos superiores considera importante lutar por uma causa justa.

O que é estranho, admite o autor, é que nos principais objetivos de vida os portugueses escolhem a família, a felicidade, o amor, a honra, e só depois a competência profissional. “As pessoas querem uma coisa para a vida e estamos a deformá-las para outras”.

E são felizes? Os mais infelizes, segundo o inquérito, são os que ganham menos de 500 euros e os que ganham mais de 4500, o que leva o responsável a dizer que se os que são mais ricos (e logo menos solidários) partilhassem com os mais pobres “eram todos mais felizes”.

O debate sobre este tema, segundo Xavier de Carvalho a primeira vez estudado em profundidade, junta investigadores e peritos europeus, entre os quais a princesa Laurentien, da Holanda, enviada especial da UNESCO em literacia para o desenvolvimento.

Lourenço Xavier de Carvalho diz ter a perceção de que, no resto da Europa, os resultados não seriam muito diferentes perante inquéritos idênticos, porque é uma questão de “cultura ocidental”.
E aponta de novo as escolas, que têm de criar “espaços de formação humana”.

O pensador Agostinho da Silva escreveu que a escola esquece a importância da formação do caráter e Xavier de Carvalho cita-o para dizer: “Quem vai à escola desaprende de ser gente”.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

 

2.º Colóquio sobre Educação & Ética Ambiental

Setembro 25, 2012 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Artista Digitais : Desporto e Valores Olímpicos – Livro Eletrónico

Setembro 6, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Notícia da ERTE – Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas– Ministério da Educação de 9 de Agosto de 2012.

No decorrer da XI Edição do Concurso «Artistas digitais», o Centro de Competência TIC Entre Mar e Serra publicou o livro eletrónico «Artista digitais – Desporto e valores olímpicos» reunindo uma seleção de desenhos da autoria das crianças participantes.

Estes desenhos são representativos de diferentes modalidades olímpicas e valores éticos do desporto apresentando em suporte digital aquilo que pretende ser uma amostra (no total foram mais 1 900 trabalhos) do olhar das crianças sobre estes temas.

Para aceder ao livro eletrónico «Artista digitais – Desporto e valores olímpicos» clique aqui.

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