Peso das crianças imita o das mães

Dezembro 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site MAGG de 27 de novembro de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Estudo norueguês afirma também que a obesidade da mãe pode até influenciar o nível de educação das crianças.

De acordo com um estudo norueguês divulgado este mês de novembro, o peso das crianças varia conforme o das mães, existindo uma espécie de “efeito espelho” com o ganho ou perda de quilos destas. A investigação da Universidade de Ciências e Tecnologia de Trondheim (Noruega), que analisou os níveis de atividade de 4,400 crianças e dos seus pais durante 11 anos, descobriu esta ligação.

Citada pelo jornal “The Telegraph”, Marit Næss, uma estudante de doutoramento ligada ao estudo, explica que “o peso dos pais tem um grande impacto na saúde e estilo de vida de uma criança, os comportamentos que conduzem à obesidade são facilmente transmitidos pelos pais”.

Marit Næss acrescenta que as mães que reduzem o seu nível de atividade física durante o período de crescimento dos filhos, acabam por ver estes terem um índice de massa gorda (IMG) elevado na adolescência. No entanto, não existe relação entre o peso dos filhos e o dos pais. Esta disparidade é justificada pelos investigadores devido a serem principalmente as mulheres as responsáveis pelo planeamento de atividades e pela alimentação da família.

Mas a ligação existe apenas quando falamos de ligeiros ganhos ou perdas de peso — caso exista uma mudança drástica no peso da mãe, o filho não imita este comportamento, dado que uma grande alteração está normalmente ligada a uma doença ou a uma dieta alimentar muito específica, que acaba por não envolver os restantes elementos da família.

De acordo com a investigação norueguesa, o peso das mães também tem um impacto na educação das crianças, sendo que os filhos de mães não obesas e com hábitos mais saudáveis, acabam por continuar os estudos durante mais tempo.

“De uma forma geral, famílias com uma educação superior têm índices de massa gorda mais baixos do que famílias com menos estudos”, salienta Kirsti Kvaloy, uma das especialistas da investigação, que acrescenta que uma redução de peso por parte das mães “influencia positivamente os IMG’s das crianças nas famílias com mais estudos”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Implications of parental lifestyle changes and education level on adolescent offspring weight: a population based cohort study – The HUNT Study, Norway

 

 

A saúde dos adolescentes portugueses em tempos de recessão – dados nacionais 2014

Março 16, 2016 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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healt

descarregar o relatório no link:

http://aventurasocial.com/arquivo/1437158618_RELATORIO%20HBSC%202014e.pdf

O HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. Iniciou-se em 1982 com investigadores de três países: Finlândia, Noruega e Inglaterra, e pouco tempo depois foi adoptado pela OMS, como um estudo colaborativo. Neste momento conta com 44 países entre os quais Portugal, integrado desde 1996, e membro associado desde 1998 (Currie, Samdal, Boyce & Smith, 2001).

O estudo HBSC criou e mantém uma rede internacional dinâmica na área da saúde dos adolescentes. Esta rede permite que cada um dos países membros contribua e adquira conhecimento com a colaboração e troca de experiências com os outros países. No sentido desta rede funcionar de forma coordenada, todos os países membros do HBSC respeitam um protocolo de pesquisa internacional (Currie et al., 2001).

Portugal realizou um primeiro estudo piloto em 1994 (Matos et al., 2000), o primeiro estudo nacional foi realizado em 1998 (Matos et al., 2000), o segundo em 2002 (Matos et al., 2003), o terceiro em 2006 (Matos et al., 2006), o quarto em 2010 (Matos et al., 2012) e um mais recente em 2014, ao qual se refere este relatório (relatórios disponíveis em:

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

 

Adolescentes não têm mimos a mais, têm mimos maus

Fevereiro 4, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto publicado no http://lifestyle.publico.pt de 26 de janeiro de 2016.

Ricardo Silva

Por Inês Garcia

O caso do adolescente norte-americano com “affluenza” trouxe preconceito contra as famílias ricas. Miúdos mimados ou com falta de mimos?

Em 2013, o adolescente Ethan Couch, de 16 anos, provocou a morte de quatro pessoas e feriu nove, enquanto conduzia embriagado no Texas, Estados Unidos. Os seus advogados alegaram que o jovem sofria de uma condição chamada “affluenza” para justificar a sua não-culpabilidade, argumentando de que a falta de valores morais e limites se devia à permissividade dos pais. Detido no fim de 2015 por ter violado a sua liberdade condicional e a aguardar julgamento, surgem as opiniões – “miúdo mimado”, “reflexo de negligência parental” ou “culpa de um vírus”?

O termo “affluenza” vem das palavras inglesas “influenza” (“gripe”, em português) e “affluence” (“influência, riqueza”), foi popularizado nos anos 1990 e refere-se a jovens que nunca terão aprendido a ser responsáveis nem a medir as consequências dos seus actos. A culpa disto seria dos pais, que teriam mimado os jovens em demasia. Mas esta condição nunca foi reconhecida pela Associação Americana de Psicologia – “há um conjunto de comportamentos e criou-se o termo para falar disso, mas não corresponde a um diagnóstico clínico, a comunidade não o aceita como tal”, atesta José Morgado, especialista em psicologia de educação, em conversa telefónica com o PÚBLICO.

A utilização desta condição foi uma estratégia de defesa de Couch – tentar provar a instabilidade perante um crime pesado em que o arguido é culpado é “comum” – mas “a América tem um contexto muito particular nas questões jurídicas, com meandros muito diferentes dos nossos”, lembra Morgado. “Não tenho a certeza se um caso com esse figurino teria o mesmo final num país da Europa, o modelo de justiça é muito diferente”.

Morgado admite, porém, que há crianças e jovens que crescem com alguma desregulação ao nível dos valores e dos limites. Há aqui algo que a sociedade não deve ignorar, defende Suniya Luthar, professora de psicologia na Universidade do Estado de Arizona num artigo para a agência Reuters intitulado Às vezes as ‘pobres criancinhas ricas’ são mesmo pobres criancinhas ricas, citado pela CNN. “Há provas crescentes de que os filhos dos ricos estão-se a tornar cada vez mais perturbados, irresponsáveis e auto-destrutivos”, defende Luthar, que investiga as vidas de crianças privilegiadas há 25 anos. José Morgado defende, no entanto, que “não há uma relação directa entre ter muito dinheiro e ter um determinado tipo de comportamento” por “uma razão simples: se houvesse uma relação causa-efeito, todas as pessoas teriam o mesmo comportamento na mesma circunstância e isso não se verifica”.

“São mais os estilos de vida que podem estar ligados a determinado tipo de condição, determinados tipos de exercício profissional, pouca presença familiar… Estes estilos podem reflectir-se ao nível do estabelecimento da educação, os miúdos ficam mais sós, com menos regras, com menos orientação, menos níveis de comunicação”, explica Morgado, que trabalha directamente com pais e professores de vários colégios e ouve queixas de determinado tipo de comportamentos. “Há pais muito ausentes que, como têm dinheiro, compram o serviço educativo, não o exercem. Não porque queiram ser maus pais”, continua, “mas não têm tempo, têm horários exigentes”.

Mas isto não está relacionado, frisa o especialista, com “mimo a mais”. “Tira-me do sério a expressão dos miúdos que têm mimos a mais. Não há ninguém que tenha mimos a mais, são é maus mimos”, diz, sublinhando o mimo como um bem imprescindível na vida das pessoas em qualquer idade. “Se não lhe dão mimo, se deixam fazer tudo o que a criança ou o jovem quer, isto não é mimo, é mau mimo, é um mau serviço prestado à criança”, enfatiza José Morgado.

Os miúdos a quem chamam “muito mimados” são crianças “mal-educadas”, diz José Morgado. “São miúdos sem regulação nos valores e nos limites”, que precisam de ouvir mais “nãos”.

As crianças e jovens “precisam e querem que lhes digam o que está certo e o que está errado e aprender a serem responsáveis e as consequências das suas acções”, frisa o psicólogo norte-americano Harris Stratyner à CNN. “O que as pessoas não percebem é que, para as crianças, os limites são necessários para que se sintam seguras. Elas não são cognitivamente capazes de definir limites para si próprias por isso precisam que nós, pais, lhes digamos ‘ok, é aqui que estou a traçar a linha. Não podes ultrapassá-la e haverá consequências se o fizeres’”, acrescenta Suniya Luthar.

Comunicação é essencial

“É preciso arranjar formas de comunicação com os miúdos”, reconhece José Morgado. Mas também é preciso “sermos realistas”: “Não posso dizer a um pai, que tem um trabalho e horários exigentes, para arranjar tempo. É preciso é adaptar o tempo às suas circunstâncias de vida. Há menos tempo mas o tempo de que dispõem tem de ser para comunicar com os miúdos”, aconselha, lembrando que a educação é feita com base na relação e só há relação se houver comunicação. “É isto que os pais não se podem esquecer”.

É preciso sermos “proactivos” e ter atenção, realça o psicólogo. “Quando chegamos a casa devemos perguntar aos jovens como correu o dia. Podem não querer falar, há a idade em que preferem falar com os amigos dos seus grupos, mas é importante os pais perguntarem e mostrarem que estão lá” para qualquer eventualidade, continua.

A psicoterapista norte-americana Eileen Gallo, co-autora do livro Silver Spoon Kids: How Successful Parents Raise Responsible Children, chama a atenção para as conversas dos pais com os filhos não só sobre os dias de escola dos miúdos mas também para contar os seus dias de trabalho. As conversas são “tão importantes” nestes casos, diz à CNN, “provavelmente ainda mais nos dias de hoje” – em que o contacto é feito através de chamadas ou troca de mensagens nas redes sociais em vez de conversas cara-a-cara.

Os níveis de deliquência entre pobres e ricos são “comparáveis”, diz Suniya Luthar. Independentemente dos rendimentos e do seu lar, há sentimentos de ansiedade, depressão, crimes – e é essencial haver figuras a seguir (role models) e comunicação. A única diferença pode ser a forma de quebrar as regras: nos lares das famílias de classe média-alta “o dinheiro é abundante, por isso os jovens têm mais dinheiro para comprar drogas, álcool e arranjar sofisticados bilhetes de identidade falsos e os pais têm dinheiro para pagar a advogados bons”.

“Não é fácil. É confuso. Isto de ser um pai ‘bom o suficiente’ é desconcertante. E pensar que só por que temos mais estudos ou mais dinheiro temos as respostas certas, que sabemos a melhor coisa a fazer para continuar a fazê-la, é um equívoco”, refere Luthar.

 

 

 

 

Espermatozóides transmitem informação aos filhos sobre estilo de vida do pai

Dezembro 8, 2015 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de dezembro de 2015.

DR

Ana Gerschenfeld

Se pensa que só a as futuras mães devem evitar comer e beber de mais, poderá estar enganado(a). É possível que o estilo de vida do pai também passe para os filhos via uma espécie de “memória genética”.

A confirmarem-se as conclusões de um pequeno estudo, também os homens que tencionam ter filhos – e não apenas as mulheres – deveriam cuidar da sua saúde. Romain Barrès, da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), e colegas publicam esta quinta-feira na revista Cell Metabolism resultados preliminares que sugerem que o peso de um homem afecta a informação hereditária contida nos seus espermatozóides – e que poderá portanto ser transmitido à sua descendência.

Esta transmissão não é genética – é “epigenética” –, na medida em que acontece através de uma espécie de “memória hereditária” que não tem nada a ver com mutações nos próprios genes, mas antes com alterações da actividade desses genes, produzidas por condições ambientais. Os processos epigenéticos, que não eram conhecidos quando o papel do ADN na hereditariedade foi descoberto, há mais de meio século, tornaram-se hoje incontornáveis para perceber a transmissão de caracteres hereditários de uma geração para as seguintes.

De facto, sabe-se hoje que o comportamento dos genes pode ser alterado pela história individual de cada um, mesmo quando o património genético de base é idêntico. Esses efeitos epigenéticos, ou seja, as “marcas epigenéticas” assim deixadas no ADN pelo mundo exterior, podem-se ser de vários tipos: alterações químicas nas proteínas que “embrulham” o ADN, adição de certos grupos químicos (metil) que, uma vez ligados ao ADN, mudam a estrutura dessa grande molécula, ou ainda adjunção de outras moléculas, chamadas pequenos ARN (o ARN é uma molécula semelhante ao ADN).

As marcas epigenéticas são a seguir capazes de controlar a forma como os genes se expressam – e em animais como insectos e roedores, existe já uma massa de resultados experimentais que indicam que estas alterações podem depois afectar a saúde da descendência, explica em comunicado a revista científica. Mas no ser humano, pouco ou nada se sabe – para além do facto que os filhos de pais obesos são mais propensos à obesidade.

O que desencadeou o interesse de Barrès na transmissão entre gerações de informação epigenética relativa ao estilo de vida foi um estudo, publicado em 2005, que mostrava que a falta de comida que afectara os habitantes de uma pequena aldeia sueca durante um período de fome estava correlacionada com o risco de os netos daquelas pessoas desenvolverem diabetes ou doenças cardiovasculares. A conclusão daquele estudo era que o stress nutricional sofrido pelos avós fora transmitido às gerações futuras precisamente através das tais “marcas epigenéticas”.

No estudo agora publicado, a equipa de Barrès comparou o perfil epigenético – ou seja, o catálogo deste tipo de alterações – no ADN dos espermatozóides de 13 homens magros e de dez homens obesos (o facto de terem feito o estudo no homem e não na mulher deve-se à muito maior facilidade de recolher esperma do que ovócitos, salienta o comunicado).

Os cientistas descobriram então que existiam diferenças notáveis entre magros e obesos, em particular ao nível de regiões do genoma associadas ao controlo do apetite.

A seguir, os cientistas estudaram seis homens que tinham sido submetidos a uma cirurgia para perder peso, determinando o perfil epigenético dos seus espermatozóides imediatamente antes da operação, imediatamente depois e um ano mais tarde. E encontraram em média 5000 alterações estruturais – adição de grupos metil e de pequenos ARN – no ADN dessas células reprodutoras.

Os autores ainda não sabem ao certo o que essas alterações significam nem o efeito que poderão ter nos filhos, mas acreditam que mostram que os espermatozóides transportam de facto informação acerca da saúde dos homens. “Os nossos resultados”, escrevem, sugerem que o epigenoma dos espermatozóides humanos se altera dinamicamente sob as pressões ambientais e dão pistas para a forma como a obesidade poderá propagar as disfunções metabólicas para a geração seguinte.”

Para confirmar essa ligação, explica ainda o comunicado, a equipa está agora a colaborar com uma clínica de fertilidade no estudo das diferenças epigenéticas em embriões humanos descartados (na Dinamarca, a lei estabelece que estes embriões congelados derivados de fertilização in vitro podem ser utilizados para fins de investigação ao fim de cinco anos de conservação). Também tencionam recolher sangue do cordão umbilical dos filhos desses mesmos homens para realizar comparações adicionais.

“O nosso trabalho poderá levar a mudanças de comportamento de cada futuro pai, em particular antes de conceber um filho”, diz Barrès. “É bem sabido que quando uma mulher está grávida, deve cuidar da sua saúde – não beber álcool, evitar os poluentes e por aí fora. Mas se as implicações do nosso estudo se confirmarem, isso significa que as mesmas recomendações também valerão para os homens.”

 

 

 

Crianças, educação e autonomia

Outubro 3, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado no Público de 19 de setembro de 2015.

Estamos a iniciar mais um ano lectivo, desejo que corra o melhor possível para alunos, professores e pais. Também por esta razão gostava de partilhar convosco algumas notas relativas a uma matéria que julgo importante: a autonomia das crianças.

De acordo com um estudo realizado pelo Policy Studies Institute que comparou os estilos de vida de crianças e adolescentes entre os 7 e os 15 anos verificou-se que em Portugal se encontra um dos mais baixos níveis de autonomia assumida por crianças e adolescentes no que respeita à mobilidade. O estudo foi desenvolvido em Portugal sob a coordenação do professor Carlos Neto.

De facto, a autonomia de crianças e adolescentes, em termos mais gerais não apenas no aspecto da mobilidade, é uma questão de enorme relevo que muitas vezes abordo com profissionais, pais e encarregados de educação e que envolve múltiplos aspectos da vida dos mais novos.

Ainda não há muito tempo me solicitaram colaboração para um trabalho na imprensa que questionava “Quando devem (ou podem) as crianças deslocar-se sós para a escola?”

Trata-se, evidentemente, de uma pergunta sem respostas definitivas pois envolve inúmeras variáveis, o contexto social e geográfico ou a maturidade da própria criança por exemplo, mas tem subjacente a mais vasta e importante ideia da autonomia das crianças e a forma como a promovemos … ou não.

De há muito que a propósito de educação me lembro de um texto de Almada Negreiros “… queria que me ajudassem para que fosse eu o dono de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si”. Este enunciado ilustra, do meu ponto de vista, a essência da educação, seja familiar ou escolar, em qualquer idade, “saber cuidar de si”.

Na verdade, o que se pretende num processo educativo, envolvendo quer os aspectos escolares quer outro tipo de actividades, será a construção de pessoas que sabem tomar conta de si próprias da forma adequada à idade e à função ou actividade que em cada momento se desempenha. Este entendimento traduz-se num esforço contínuo de promover a autonomia das crianças e jovens para que “saibam tomar conta de si próprios”, no fundo a conhecida ideia de “ensinar a pescar, em vez de dar o peixe”.

A investigação e a experiência sugerem que crianças pouco autónomas são mais inseguras, menos tolerantes, menos empreendedoras com potenciais repercussões negativas no seu comportamento adulto.

Parece-me, pois, fundamental que adoptemos comportamentos que favoreçam a autonomia de crianças e jovens. No entanto, é minha convicção que por razões que se prendem com os estilos de vida, com os valores culturais e sociais actuais, com as alterações na vida das comunidades, questões de segurança por exemplo, estamos a educar as nossas crianças de uma forma que não me parece, em termos genéricos, promotora da sua autonomia. A rua, o espaço exterior, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia e devem estar presentes, tanto quanto possível com regularidade, na vida de crianças e adolescentes.

É neste contexto que pode ser colocada e decidida a questão que referi como exemplo, a deslocação autónoma das crianças para a escola.

Por outro lado, muitas crianças são permanentemente bombardeadas com saberes e actividades a que se atribui importância, nem sempre comprovada, para o seu desenvolvimento e para o seu futuro. Ao mesmo tempo, apesar dessas actividades e das competências adquiridas, continuam pouco autónomas, pouco envolvidas nas decisões que lhes dizem respeito cumprindo agendas que não lhes dão margem de decisão sobre o quê e o porquê do que fazem ou não fazem. Acabam por se tornar menos capazes de decidir sobre o que lhes diz respeito, dependem da “decisão” de quem está à sua volta, companheiros ou adultos.

Mais um exemplo para clarificar. Um adolescente não habituado a tomar decisões com regularidade, a fazer escolhas, mais dificilmente dirá “não” a uma oferta de um qualquer produto ou a um convite de um colega para um comportamento menos desejável. É mais difícil dizer “não” do que dizer “sim” aos companheiros da mesma idade. Também numa sala de aula é bem mais provável que um adolescente tenha um comportamento adequado porque “decida” que é assim que deve ser, do que por “medo” das consequências.

Só crianças autónomas, autodeterminadas, auto-reguladas, serão mais capazes de dizer não ao que se espera que digam não e escolher de forma ajustada o que fazer ou pensar. Este entendimento sublinha a importância de que em todos os processos de educação, logo de muito pequeno, em casa, na escola ou noutra qualquer actividade, se estimule a autonomia das crianças.

Todos beneficiariam, os mais novos e os mais velhos.

No entanto, creio que esta visão está menos presente do seria desejável e possível em muito do que fazemos em matéria de educação familiar ou escolar.

 

 

 

A Saúde dos Adolescentes Portugueses em Tempo de Recessão : Dados nacionais do estudo HBSC de 2014

Julho 1, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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aventura

descarregar o documento no link:

http://aventurasocial.com/arquivo/1435095215_RELATORIO%20HBSC%202014d.pdf

APRESENTAÇÃO DO ESTUDO “HEALTH BEHAVIOUR IN SCHOOL-AGED CHILDREN” (HBSC)

O HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. Iniciou-se em 1982 com investigadores de três países: Finlândia, Noruega e Inglaterra, e pouco tempo depois foi adoptado pela OMS, como um estudo colaborativo. Neste momento conta com 44 países entre os quais Portugal, integrado desde 1996, e membro associado desde 1998 (Currie, Samdal, Boyce & Smith, 2001).

O estudo HBSC criou e mantém uma rede internacional dinâmica na área da saúde dos adolescentes. Esta rede permite que cada um dos países membros contribua e adquira conhecimento com a colaboração e troca de experiências com os outros países. No sentido desta rede funcionar de forma coordenada, todos os países membros do HBSC respeitam um protocolo de pesquisa internacional (Currie et al., 2001).

Portugal realizou um primeiro estudo piloto em 1994 (Matos et al., 2000), o primeiro estudo nacional foi realizado em 1998 (Matos et al., 2000), o segundo em 2002 (Matos et al., 2003), o terceiro em 2006 (Matos et al., 2006), o quarto em 2010 (Matos et al., 2012) e um mais recente em 2014, ao qual se refere este relatório (relatórios disponíveis em:

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

TV em excesso leva a hipertensão infantil

Março 6, 2015 às 2:02 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do site  http://www.paisefilhos.pt  de 2 de março de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Incidence of high blood pressure in children — Effects of physical activity and sedentary behaviors: The IDEFICS study: High blood pressure, lifestyle and children

Ver televisão mais de duas horas por dia aumenta o risco de as crianças desenvolverem doenças cardiovasculares, com destaque para a hipertensão. Se a isso se somar baixos níveis de atividade física, cria-se a receita perfeita para patologias coronárias em mais de 50 por cento dos casos de menores entre os dois e os dez anos. Estas conclusões fazem parte de um estudo realizado em oito países europeus, que procurou avaliar a relação entre o tempo passado em frente e a saúde do sistema cardíaco pediátrico.

A equipa responsável pelo trabalho, publicado no “International Journal of Cardiology” encontra-se sedeada na Universidade de São Paulo e é liderada pelo catedrático Augusto Cesar de Moraes, que não hesita em apontar uma ligação direta entre “o número de novos casos de hipertensão infantil com o aumento dos comportamentos sedentários”, dos quais o tempo passado em frente ao ecrã é o mais comum.

Para além dos riscos que correm na infância e adolescência, estas crianças estão também na calha para sofrerem de “doença cardíaca isquémica” quando chegam à idade adulta. O mesmo responsável recorda que durante os dois anos que durou a pesquisa foi detetada uma “alta incidência” de hipertensão pediátrica – 110 casos em cada mil crianças. E conclui: “este números são preocupantes, dado que o sedentarismo que se tem na infância segue habitualmente durante o resto da vida”.

Não existem medidas específicas para diagnosticar a hipertensão infantil, mas os profissionais de saúde consideram que se está perante a doença se a criança apresentar números superiores a 95 por cento dos seus pares com a mesma idade, altura e género.

 

 

73,1% dos jovens gostam da escola, mas só 39% gostam das aulas

Janeiro 13, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 5 de janeiro de 2014.

o estudo citado na notícia é o seguinte:

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório do Estudo HBSC 2014

 

snews

Ao todo, 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos, responderam a um questionário que aborda várias vertentes das suas vidas. Os adolescentes fumam menos, usam menos o preservativo, autoagridem-se mais. Perto de 54% gostam dos professores, 61,8% dizem que a matéria é aborrecida. Há assuntos a discutir, medidas a tomar.

Sara R. Oliveira

Como estão os estilos de vida e comportamentos dos adolescentes portugueses? E como têm evoluído? As respostas encontram-se no HBSC/OMS (Health Behaviour in School – aged Children), um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que analisa os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. O estudo tem sido realizado em Portugal de quatro em quatro anos, desde 1998, pela equipa Aventura Social na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, e no Centro de Malária e Doenças Tropicais da Universidade Nova de Lisboa. No nosso país, em 2014, o estudo foi financiado pela Direção-Geral de Saúde.

Em 2014, para o relatório nacional “A Saúde dos Adolescentes Portugueses (2014) foram inquiridos 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal Continental, com idades entre os 10 e os 20 anos – 52,3% raparigas, 47,7% rapazes. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online – questionários que foram aplicados nas turmas em sala de aula. O estudo surge numa altura especialmente relevante, uma vez que permite estimar o impacto da recessão económica na saúde dos adolescentes.

A pedido do EDUCARE.PT, Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do projeto, destaca os resultados que mais surpreendem pela positiva e pela negativa. Pela positiva, a diminuição do consumo de tabaco e os resultados não serem tão maus quanto o esperado, tendo em conta as dificuldades na vida dos portugueses nos últimos quatro anos. Pela negativa, várias situações. “O panorama muito negativo da saúde mental dos jovens que manifestam vários sintomas de mal-estar, físico e psicológico, e o facto de as escolas e os centros de saúde não estarem preparados para acolher estes jovens”, refere. “Os jovens referem ainda uma grande desesperança face ao futuro e uma menor crença de que a educação ajuda. Este facto remete para uma diminuição do aumento da escolaridade dos portugueses nesta geração”, acrescenta.

A provocação entre pares aumentou, pela primeira vez, desde 2002. Também está na parte negativa, bem como o aumento dos jovens que se autoagridem. O que, na opinião da coordenadora do estudo em Portugal e também psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, “remete para a falta de atenção geral em relação à saúde mental dos jovens e ao seu apoio no confronto com as dificuldades do dia a dia e na regulação das suas emoções por meios mais saudáveis”. A diminuição do uso do preservativo e a falta de gosto dos alunos pelas aulas são também fatores negativos. “Ainda bem que gostam dos intervalos, pena é que também não gostem das aulas, uma vez que a pergunta admitia a múltipla resposta”. “Preocupante numa altura em que tanto se fala de alimentação saudável – por causa do excesso de peso – e agora que tanto se fala de alimentação insuficiente, pela crise económica, é que a cantina seja o que os jovens menos gostam na escola”, comenta.

Perante os resultados, o que é que a sociedade e as escolas devem fazer? Margarida Gaspar de Matos pede prudência e que se encontrem planos B e C para que os jovens não fiquem reféns das políticas desta ou de uma outra tutela. Em seu entender, a aposta deve centrar-se nos próprios jovens e na sua formação para que saibam agir e de um modo que possam transformar a sociedade. Apostar nas organizações de jovens ligadas a várias áreas também é importante. E as autarquias não podem ficar de fora. “Neste segundo ano de atividade, o grupo Dream Teens vai agir por todo o país, a partir das autarquias da região onde moram, tentando ligar-se aos autarcas e contribuir para uma melhor qualidade de vida dos jovens, e não só, da sua zona. Vão também comentar este estudo e propor soluções”, adianta ao EDUCARE.PT.

“Se não há plano B acontece o que aconteceu, uma tutela inculta no que diz respeito à psicologia do desenvolvimento, às necessidades emocionais e desenvolvimentais das crianças e dos adolescentes. E lá vão pela janela 20 anos de investimento na dinâmica das escolas promotoras da saúde.” Segundo Margarida Gaspar de Matos, as escolas e os alunos ficaram muito prejudicados com a abolição das áreas curriculares não disciplinares. “Perderam ‘adultos de referência’ com quem podiam semanalmente discutir assuntos de saúde, relações interpessoais, cidadania, etc. Perderam a possibilidade de se ligar à escola sem ser num âmbito puramenre académico. Perderam-se anos de investimento no bem-estar dos alunos.” “Entende-se que foi em nome da crise, mas há prioridades e temo bem que estas tenham sido vistas na tutela por um olho economicista e ignorante em matérias de saúde, bem-estar, cidadania”, afirma.

Trabalhos de casa e a pressão dos jovens

O estudo tem dados relevantes quanto ao ambiente escolar. Comparando dados nacionais com dados internacionais, verifica-se uma fragilidade na relação dos adolescentes portugueses com a escola. “Eles são dos que pior perceção têm da sua competência escolar, são dos que maior pressão sentem com a vida escolar, mas são dos que mais dizem gostar da escola.” “O papel da escola na vida e no futuro dos adolescentes é pois um problema diversas vezes apontado e sem evolução positiva desde 1998”, lê-se no estudo.

Ao todo, 73,1% dos jovens inquiridos afirmam que gostam da escola, 26,9% não gostam da escola. E o que é que mais gostam na escola? A maioria (87,1%) responde que gosta dos colegas e 86,1% dos intervalos, da hora do recreio. Nesta pergunta, que admitia múltiplas respostas, seguem-se as atividades extracurriculares com 60,8%, os professores com 53,9% e as aulas com 39%. São os mais novos que afirmam ter uma melhor relação com os professores. E são os rapazes e os mais novos que dizem ter uma melhor relação com os colegas da escola. “Observa-se que conforme os jovens vão ficando mais velhos referem menos frequentemente gostar/gostar muito dos colegas, dos intervalos e das atividades extracurriculares”, refere o estudo.

Mais de um quarto (27,7%) refere sentir alguma pressão com os trabalhos de casa, 9,3% dizem que essa pressão é muita e 32,4% referem que não sentem qualquer pressão. São os alunos do 6.º ano que mais dizem não sentir nenhuma pressão com os trabalhos de casa, os do 8.º ano sentem pouca e os do 10.º ano sentem alguma pressão. Ou seja, conforme vão ficando mais velhos, mais sentem a pressão dos trabalhos de casa. No questionário, 73,5% dos alunos dizem que, às vezes, a matéria é muito difícil, 61,8% que é aborrecida e 60,9% que é demasiada. No entanto, mais de um terço (44,2%) garante que raramente ou nunca tem dificuldades de concentração nas aulas e 42,9% no estudo. Na comparação entre géneros, são as raparigas que mais referem que quase nunca ou nunca a matéria é inútil, que sentem muita pressão dos pais, ou que sentem que há problemas no ambiente da escola. Os rapazes, por seu turno, mencionam mais frequentemente que quase nunca ou nunca a matéria é demasiada e muito difícil e raramente ou nunca sentem dificuldades de concentração nas aulas e no estudo. Cerca de 43% dos jovens consideram que os professores acham que a capacidade académica dos alunos é média -13,2% dizem que é muito boa. São os rapazes que referem mais frequentemente que a perceção dos professores sobre a sua capacidade é muito boa. As raparigas referem mais frequentemente que essa mesma perceção é média.

Quanto ao futuro, 54,9% dos jovens pensam continuar os estudos no ensino superior, 10,8% não sabem o que vão fazer. A percentagem dos alunos que querem entrar na universidade é superior do lado das raparigas. Os rapazes pensam mais em cursos técnicos ou profissionais.

Nos últimos seis meses, 24,6% dos adolescentes revelam ter sentido preocupações com o futuro quase todos os dias. Cerca de 12% admitem andarem ou ficarem preocupados praticamente todos os dias. As raparigas e os jovens mais velhos são os que se sentem mais preocupados. No entanto, cerca de 40% mencionam que não deixam que as suas preocupações interfiram com os restantes aspetos da sua vida. São os rapazes e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que referem que tentam resolver o assunto que os preocupa, fazendo algo que gostam muito, pedindo ajuda a um adulto ou tentando não pensar nessa questão.

Autoagressão aumenta

Quase 80% dos jovens afirmam que nunca se envolveram em lutas no último ano. Os rapazes referem mais frequentemente ter lutado na escola, enquanto as raparigas fazem-no mais frequentemente em casa, sobretudo com os irmãos ou irmãs. A maioria (79,7%) refere não se ter magoado a si próprio, mas mesmo assim 4,8% dizem tê-lo feito quatro vezes ou mais, e 8,8% uma vez durante os últimos 12 meses. Dos que se magoaram de propósito, 59% admitem que se sentiram tristes e 53,3% fartos durante esse comportamento. E mais de metade (51,7%) diz que se magoou de propósito cortando-se. Mais de metade fê-lo nos braços. São as raparigas e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que mais frequentemente referem que se magoaram propositadamente nos últimos 12 meses.

Quanto à sexualidade, 87,2% dos adolescentes referem que ainda não tiveram relações sexuais. Dos jovens do 10.º ano, 76,2% afirmam que tiveram a sua primeira relação sexual aos 14 anos ou mais. A maioria (70,5%) afirma ter utilizado o preservativo na primeira relação sexual. Ao todo, 24,1% dos rapazes contam que não utilizaram preservativo na primeira vez. O terço dos que tiveram relações sexuais e não usaram preservativo revela, como principal motivo, não ter pensado nisso. Há ainda outras razões como não ter preservativo ou por serem caros ou ter bebido álcool em excesso.

Trinta e um por cento dos jovens do 8.º e 10.º anos contam que foi utilizada a pílula contracetiva na última vez que tiveram relações sexuais. As raparigas referem mais frequentemente que a pílula não foi o método utilizado na última vez. São os rapazes mais velhos, do 10.º ano, que também dizem que a pílula não foi o método utilizado na última relação. Mais de metade, 54,7%, conta que não utilizou o coito interrompido na última relação sexual.

São as raparigas que dizem mais frequentemente que não tiveram relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas. “Dos jovens que referem já ter tido relações sexuais, os rapazes referem mais frequentemente que gostariam que a primeira vez tivesse acontecido mais cedo, e as raparigas referem mais frequentemente que esta ocorreu na altura certa, que preferiam que tivesse acontecido mais tarde, e que não queriam realmente ter tido relações sexuais”, revela o relatório.

Em 2014, há uma diminuição do uso de preservativo e um aumento de relações sexuais associadas ao consumo de álcool. “Especialmente preocupante é esta associação do não uso com o consumo de bebidas álcoolicas, sugerindo a identificação de um grupo de risco agravado a necessitar de medidas urgentes de prevenção seletiva”, alerta o estudo.

Menos consumo de tabaco

A maioria dos jovens (77,8%) refere que nunca experimentou tabaco. São as raparigas que mencionam com mais frequência que já experimentaram tabaco. Mais de um terço (35,7%) menciona ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 14 anos ou mais – a média é de 13,04 anos. Os rapazes referem mais frequentemente ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 11 anos ou menos. A maioria (58,8%) diz que nunca experimentou álcool e que nunca se embriagou (82,8%). A média de idade de experimentação de álcool é de 12,8 anos e a de embriaguez de 13,94 anos. Os jovens mais novos, do 8.º ano, mencionam mais frequentemente ter experimentado álcool pela primeira vez aos 11 anos ou menos e aos 12 anos, e terem experimentado a embriaguez aos 11 anos ou menos, aos 12 e aos 13 anos. Os jovens mais velhos, do 10.º ano, referem com mais frequência ter experimentado álcool e embriaguez pela primeira vez aos 14 anos ou mais. A cerveja é a bebiba mais consumida.

A grande maioria (93,7%) responde que nunca experimentou drogas ilegais. São rapazes e os mais velhos que referem já ter experimentado. Dos jovens que já experimentaram drogas, cerca de dois terços fizeram-no aos 14 anos ou mais – a média de idade é de 13,76 anos. Dos que referem consumir, cerca de um quinto (19,7%) diz que o faz regularmente. Ao todo, 7,9% revelam que já experimentaram marijuana. Quanto ao tipo de drogas, a substância que os adolescentes referem mais frequentemente ter experimentado são os solventes, seguindo-se a marijuana – canábis, haxixe, erva.

E como estamos em relação aos tempos livres e ao uso das novas tecnologias? Mais de metade dos adolescentes (58,1%) vê entre uma e três horas de televisão durante a semana, aumentando para quatro ou mais ao fim de semana. Os jovens do 8.º ano são os que veem mais horas quer à semana quer ao fim de semana. Durante a semana, metade dos inquiridos (50,5%) joga computador meia hora ou menos. Ao fim de semana, mais de um terço (39,5%) joga computador entre uma e três horas – os rapazes mais do que a raparigas. Cerca de metade dos adolescentes utiliza o computador para conversar, navegar na Internet, enviar emails, fazer os trabalhos de casa da escola, entre uma e três horas durante a semana e são os adolescentes que frequentam o 6.º ano que utilizam o computador menos horas durante a semana e ao fim de semana.

Cerca de 40% dos jovens falam semanalmente com os amigos através de mensagens em tempo real como o Facebook. Mais de um terço comunica com os amigos semanalmente através de uma rede social e são as raparigas que o fazem com mais frequência. A maioria (60,3%) refere que raramente ou nunca tira selfies para enviar aos amigos ou para publicar online. Em termos de comunicação por mensagens escritas, mais de um quarto usa-as diariamente com os amigos – elas mais do que eles. A maioria (67,9%) refere que raramente usa o email para comunicar com os amigos.

Ao nível de dependência da Internet, são os rapazes e os jovens do 8.º ano que apresentam médias superiores. Quanto ao cyberbullying, situações de provocação com recurso a novas tecnologias, a maioria (89%) garante não se ter envolvido nesse tipo de provocação. Os rapazes envolvem-se mais frequentemente como provocadores e as raparigas como vítimas. O duplo envolvimento, como provocador e como vítima, é mais reportado pelos rapazes.

4,9% não tomam pequeno-almoço

Mais de metade dos adolescente (53,4%) considera ter um corpo ideal – mais eles do que elas. E mais de metade não está a fazer dieta porque o peso, na sua opinião, está bom. Pouco mais de metade (51%) pratica atividade física três vezes ou mais por semana – eles mais do que elas. Futebol, natação, basquetebol e ginástica são os desportos mais praticados pelos jovens – eles mais futebol e basquetebol, elas mais natação e ginástica. Os jovens do 10.º ano praticam menos atividade física, verificando-se que o exercício vai diminuindo ao longo da idade. São os jovens mais novos, do 8.º ano, que apresentam melhores resultados tanto na condição física geral como na condição física específica.

A maioria dos jovens refere que se alimenta bem (71,5%). No entanto, mais de dois terços dos jovens dizem que às vezes comem alimentos pouco saudáveis (73,2%) ou que comem de mais (63,9%). A maioria dos adolescentes toma o pequeno-almoço todos os dias durante a semana (84,8%) e ao fim de semana (84,3%). Mesmo assim, há uma percentagem de 4,9% que nunca tomam a primeira refeição do dia durante a semana e 5,1% ao fim de semana. No tipo de alimentação, verifica-se que a maioria come fruta (50,5%) e vegetais (57,8%) pelo menos uma vez por semana. São as raparigas que mais frequentemente consomem fruta e vegetais pelo menos uma vez por dia. A maioria dos adolescentes consome doces pelo menos uma vez por semana (65,1%) e metade (50,75) consome refrigerantes também pelo menos uma vez por semana. São os jovens que frequentam o 10.º ano que consomem mais doces e refrigerantes pelo menos uma vez por semana. A maioria (84,5%) refere que nunca ou quase nunca bebe café.

A maioria dos jovens (69,9%) lava os dentes mais do que uma vez por dia. Mais de um terço dorme oito horas (36,1%) ou mais do que oito horas por semana (35,1%). Ao fim de semana, a maioria dorme mais de oito horas (69,1%). São as raparigas que dormem mais ao fim de semana. A maioria dos adolescentes refere raramente ou nunca sentir sonolência durante o dia, mas um terço menciona ter dificuldades em acordar de manhã (34,4%) quase todos os dias.

Apesar de a maioria considerar ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe, 29% referem ter dificuldades em dialogar com o pai. No diálogo com os progenitores, os rapazes consideram ser fácil falar com o pai, enquanto as raparigas dizem ter dificuldade em comunicar com o pai. Cerca de um terço diz que raramente ou nunca toma o pequeno-almoço com a família, enquanto que a maioria (82,7%) refere que todos os dias janta com a família. Quanto ao impacto do desemprego no ambiente familiar, quase metade dos jovens diz que o desemprego do pai não tem afetado o seu bem estar emocional ou a relação entre ambos. Cerca de 30% dos joves que têm o pai desempregado referem que a situação afetou para melhor a relação entre pai e filho e 10% respondem que afetou para pior. Mais de metade (60,8%) refere que o desemprego da mãe em nada tem afetado o bem-estar emocional. Devido à crise económica, os jovens valorizam mais o que têm, poupam mais dinheiro e dão mais importância aos estudos e a tirar boas notas.

Jovens mais tristes estão no Algarve

A maioria dos adolescentes tem três ou mais amigos e um ou vários especiais com os quais pode sempre contar e nos quais sente que pode confiar. Mais de metade menciona ser fácil falar com o melhor amigo sobre os assuntos que os preocupam, além de ser fácil fazer novos amigos. A maioria diz que tem um bom apoio e uma boa qualidade de relação com os amigos. Mais de dois terços ficam com os amigos depois das aulas. Nas saídas à noite, a maioria responde que não sai nenhuma noite com os amigos durante a semana. A maioria dos jovens inquiridos tem animais de estimação e os que os têm referem que lhes proporcionam quase sempre ou sempre alegria, companhia, carinho, tranquilidade. O estudo sublinha, a propósito, que “o papel dos animais de estimação nos afetos e qualidade de vida dos adolescentes parece um assunto a merecer maior estudo”.

Cerca de metade dos adolescentes considera que a sua saúde está boa. Os resultados demonstram que é preciso atenção. “As preocupações dos adolescentes, bem como o descréscimo global desde 2010 da sua saúde percebida tanto a nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente”.

Dos resultados obtidos, verifica-se que são os jovens do Norte que menos consomem bebidas destiladas e que menos ficam embriagados. São os jovens do Centro que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, que raramente bebem refrigerantes e que durante a semana dormem oito horas. São também os que mais frequentemente dizem gostar da escola, que são bons alunos e que têm expectativas de continuar os estudos depois do secundário. São jovens que dizem que não fumam e que nunca consumiram drogas no último mês.

Os adolescentes de Lisboa são os que apresentam mais frequentemente excesso de peso, dores de cabeça e que estão nervosos quase todos os dias e são também os que mais frequentemente referem já ter tido relações sexuais e que usaram preservativo na última relação sexual. No Alentejo estão os jovens que mais frequentemente referem ter relações sexuais associadas ao consumo de álcool. Os jovens do Algarve são os que praticam mais atividade física e os que sentem mais dores de costas, cansaço e exaustão, os que mais se sentem tristes ou deprimidos, que mais consomem tabaco e ainda os que mais admitem terem provocado ou terem sido provocados.

 

Geração XXI é um dos maiores estudos longitudinais da Europa com crianças

Julho 19, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site da rcmpharma de 8 de Julho de 2013.

O projecto Geração XXI, que acompanha o desenvolvimento de 8.647 crianças desde a sua gestação, foi recentemente identificado por um artigo científico internacional como um dos maiores estudos longitudinais na Europa a estudar o desenvolvimento pré e pós-natal, avança a agência Lusa.

O artigo “Pregnancy and Birth Cohort Resources in Europe”, publicado na revista Paediatric and Perinatal Epidemiology, identificou 56 estudos deste tipo a funcionar em 19 países da Europa, o que representa uma população em estudo de mais de 500 milhões de crianças. Neste estudo, a Geração XXI é identificada como o maior estudo longitudinal a desenvolver nos países do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia).

A Geração XXI é o primeiro e único estudo deste tipo a ser realizado em Portugal ao acompanhar 8.647 crianças nascidas em cinco hospitais públicos na área do Grande Porto – Hospital Geral de Santo António, Maternidade Júlio Dinis, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Unidade Local de Saúde de Matosinhos – Hospital Pedro Hispano.

Os investigadores pretendem caracterizar o desenvolvimento pré e pós-natal, estudando indicadores de saúde materna e infantil (por exemplo, quantas mulheres fumam durante a gravidez, quantas amamentam os seus filhos e até que idade ou quantas crianças têm peso a mais) e também estudar a relação entre características dos pais e do desenvolvimento perinatal e parâmetros antropométricos (medidas das diversas partes do corpo) e biológicos das crianças, nos seus primeiros anos de vida.

A Geração XXI serve de base a um vasto leque de trabalhos de investigação científica, em áreas como a saúde perinatal, obesidade e saúde metabólica, estilos de vida, saúde cardiovascular, saúde musculoesquelética, entre outras.

Das avaliações da Geração XXI saíram já quatro teses de doutoramento e 13 teses de mestrado (encontrando-se mais nove teses de doutoramento em curso), 13 artigos científicos publicados em revistas internacionais e mais de 30 participações em congressos internacionais e nacionais.

Coordenador do projecto científico Geração XXI apela ao apoio do mecenato

O presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e coordenador do projecto Geração XXI, um estudo científico pioneiro em Portugal que acompanha mais de 8.000 crianças desde a gestação, apelou esta segunda-feira ao apoio do mecenato português.

Apesar do financiamento comunitário e da Fundação Gulbenkian, os responsáveis pelo projecto têm despesas adicionais que sentem ter a obrigação de cumprir, como por exemplo oferecer os pequenos-almoços às cerca de 8.500 crianças que se deslocam ao instituto para fazer análises clínicas.

“Estas crianças vão em jejum para fazer as suas análises, obviamente, nós temos a obrigação de lhes dar o pequeno-almoço. Era muito importante que houvesse mecenato, porque para muitas empresas é irrelevante fornecer oito mil pequenos-almoços e para nós é uma imensidão de dinheiro”, salientou Henrique Barros, em declarações à Lusa.

Apesar de ser o primeiro estudo deste tipo alguma vez realizado em Portugal, que envolve milhares de crianças nascidas nos hospitais públicos com maternidade, da grande área metropolitana do Porto (S. João, Santo António, Pedro Hispano, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Maternidade Júlio Dinis), entre Abril de 2005 e Agosto de 2006, a sua importância científica “ainda é pouco percebida a nível nacional”, lamenta o coordenador principal do projecto.

“Noutros países onde a tradição da investigação científica na área da saúde populacional, da saúde comunitária e da saúde pública é mais enraizada, os próprios mecenas entendem-se no apoio a dar. Entre nós, praticamente, não há mecenas, portanto, temos de ultrapassar todos os obstáculos e inventar soluções”, disse Henrique Barros.

Mas, ressalvou, “obviamente, não queremos que o projecto pare e, seguramente, iremos conseguir que se mantenha, assim como iremos conseguir manter vivo o interesse das mais de oito mil crianças e respectivas famílias”.

“Trata-se de um projecto internacionalmente reconhecido e que é uma fonte extraordinária de informação para os decisores” porque “tudo fica documentado no preciso momento em que acontece.

É como uma câmara que vai acompanhando o percurso deste conjunto de crianças”.

As avaliações do projecto Geração XXI, actual e futuras, “poderão ser encaradas como linhas de monitorização do estado de saúde e dos seus determinantes nas crianças portuguesas e, desta forma, ter um importante papel no planeamento de estratégias de intervenção sanitária, funcionando mesmo como observatório de saúde” sustentou.

Vinte pessoas trabalham continuamente na avaliação das mais de oito mil crianças e a equipa inclui médicos, psicólogos, nutricionistas, sociólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas e assistentes sociais, entre outros.

A Geração XXI serve de base a um vasto leque de trabalhos de investigação científica, em áreas como a saúde perinatal, obesidade e saúde metabólica, estilos de vida, saúde cardiovascular, saúde musculoesquelética, entre outras.

Das avaliações da Geração XXI saíram já quatro teses de doutoramento e 13 teses de mestrado (encontrando-se mais nove teses de doutoramento em curso), 13 artigos científicos publicados em revistas internacionais e mais de 30 participações em congressos internacionais e nacionais.

Recentemente, o projecto foi identificado por um artigo científico internacional como um dos maiores estudos longitudinais na Europa a analisar o desenvolvimento pré-natal e pós-natal.

 

Estilo de vida coloca crianças em risco de sofrerem doenças cardiovasculares

Outubro 9, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Saúde Sapo de 28 de de Setembro de 2012.

Dia Mundial do Coração celebra-se a 29 de setembro

Os cardiologistas estão preocupados com o estilo de vida das crianças, lembrando que a vida sedentária e má alimentação coloca os mais novos em risco de sofrerem doenças cardiovasculares.

Todos os anos morrem em Portugal 20 mil mulheres e 16 mil homens vítimas de doenças cardiovasculares, um número que no futuro poderá disparar devido ao estilo de vida das crianças, alertou o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta.

As crianças estão agora no centro das preocupações dos cardiologistas, que lamentam que as brincadeiras de rua tenham sido substituídas pela televisão e jogos de computador e a alimentação saudável por restaurantes “fast-food”.

Para os especialistas, o resultado desta mudança – a obesidade infantil – é inquietante. “A evolução das doenças cardiovasculares começa com os fatores de risco. As crianças têm um estilo de vida moderno que leva à obesidade infantil, têm o colesterol mais elevado que se vai depositar nas paredes das artérias e leva ao seu entupimento, havendo mais risco de enfarte de miocárdio e de Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, explicou o cardiologista, lembrando que as crianças deviam fazer uma hora de exercício físico intenso por dia.

Manuel Carrageta lembra que, habitualmente, quem tem excesso de peso tem tensão arterial e colesterol mais altos assim como tem mais tendência para se tornar diabético.

Em Portugal, quatro em cada dez óbitos têm como causa doenças cardiovasculares mas bastava controlar os principais fatores de risco para evitar a maioria destas mortes.

A fundação celebra no sábado o Dia Mundial do Coração com diversas iniciativas em Odivelas que pretendem alertar para a importância da prevenção mas também desconstruir a ideia de que “as mulheres sofrem de coração mas não morrem”.

“Existe um mito de que as doenças do coração atingem os homens e os idosos”, contou à Lusa o presidente da fundação, lembrando que em Portugal a principal causa de morte das mulheres são precisamente as doenças cardiovasculares.

Segundo Manuel Carrageta, “o coração das mulheres é frágil e vulnerável”, mas “elas têm uma falsa sensação de segurança”.

As doenças cardiovasculares são altamente evitáveis através do estilo de vida e controle dos fatores de risco, que passam por uma alimentação saudável, exercício físico e não fumar.

No entanto, “enquanto os homens estão a diminuir o consumo de tabaco, as mulheres estão a aumentar. Além disso, as mulheres estão um pouco condicionadas a realizar atividade física, porque têm uma vida mais complicada”, lamentou o cardiologista.

A partir de uma determinada idade – 50 anos para as mulheres e 40 anos para os homens – é aconselhável a realização de exames periódicos de saúde. “Costumamos dizer às pessoas que é preciso conhecer os seus números. Devem medir a pressão arterial, os níveis de colesterol e glicose, assim como saber qual o seu peso e massa corporal. Através destes dados é possível calcular os riscos de vir a sofrer um acidente cardiovascular”, alertou o presidente da FPC.

Lusa

2012-09-28

 

 

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