Crianças. Estereótipos de género no desporto presentes logo na primária

Junho 1, 2018 às 9:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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MÁRIO CRUZ – LUSA

 

Os estereótipos em relação ao género estão presentes mesmo na escola primária, com os rapazes a mostrarem mais interesse numa carreira profissional desportiva e com mais de 24% das crianças do sexo feminino a dizerem que os rapazes são melhores desportistas que as raparigas, disse à agência Lusa a investigadora de antropologia Daniela Rodrigues, que entrevistou 793 crianças, de Lousã e Coimbra, para a sua tese de doutoramento, concluída recentemente.

Para além disso, os rapazes e raparigas praticam desportos que são socialmente associados com o seu sexo, sendo que os desportos praticados pelos rapazes “são mais vigorosos”, o que é mais benéfico para a saúde das crianças e ajuda a alcançar os valores mínimos de atividade física diária recomendada.

Neste estudo, a prevalência de excesso de peso e de obesidade abdominal foi “mais elevada nas raparigas do que nos rapazes”, o que “pode trazer vários riscos de saúde como diabetes e doenças cardiovasculares”.

Das crianças entrevistadas, quase 70% praticavam desporto, “mas na maior parte das vezes só uma ou duas vezes por semana e durante pouco tempo”.

A investigadora chama também a atenção para outros fatores que levam a uma menor prática de desporto extracurricular, como o nível socioeconómico da família, o facto de os pais praticarem ou não atividade física, baixa escolaridade dos pais e a inexistência de locais para praticar desporto na área de residência.

Comparando também uma situação de meio urbano (Coimbra) com periferia (Lousã), nota-se que os pais que vivem na cidade parecem ter uma maior necessidade de estruturar as atividades dos filhos, havendo também uma menor prática de brincadeiras fora do contexto escolar (como jogar à bola ou andar de bicicleta) e menor prática de transporte ativo para a escola (a pé ou de bicicleta).

“Sabemos também que pais ativos têm maior probabilidade de terem filhos ativos. Na idade adulta, há mais homens a praticar atividade desportiva e há uma relação mais forte, neste campo, entre pai e filho e mãe e filha. A filha acaba por ter menos modelos a seguir”, notou Daniela Rodrigues, considerando também importante a influência dos órgãos de comunicação social, que dão primazia ao desporto praticado por homens.

A própria escola, notou, “não estimula tanto a prática de atividades que as raparigas mais gostam”.

Segundo Daniela Rodrigues, é necessário criar “estratégias para garantir uma maior prática desportiva junto das raparigas”, criando “programas que envolvam toda a família, tendo por base os pais, assim como as escolas e professores, e tendo em conta as características específicas de cada criança e das condições económicas, culturais e ambientais que as rodeiam”.

Para além disso, há também bloqueios financeiros, sendo necessário as autarquias garantirem transporte para a prática desportiva e apoiar as famílias, que se veem confrontadas com os custos de equipamento e mensalidades nos clubes.

“Uma das maiores influências foi também a perceção de barreiras pelos pais. Encontravam barreiras como tempo, dinheiro ou a segurança dos filhos e essa variável tinha também muito peso na prática de desporto das crianças. Mais barreiras, menos probabilidade de praticar desporto”, resumiu.

 

Artigo publicado em SAPOLIFESTYLE, em 17 de maio de 2018

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Diálogo (s) – Igualdade e Direitos Humanos – durante o mês de abril em Seia com a participação de Ana Lourenço do IAC

Abril 5, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Lourenço do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança, irá participar no evento “Diálogo (s) – Igualdade e Direitos Humanos” com as seguintes atividades:

Oficina para profissionais “As Famílias e a autonomia das crianças”, no dia 6 de Abril, na Biblioteca Municipal. Oficina com e para pais, ”As Famílias e a autonomia das crianças” na Ludoteca Municipal,  7 de Abril. Oficina com e para pais “Deixem os Brinquedos em Paz, Não são de rapariga nem de rapaz”, 10 de Abril na Casa da Cultura. Oficinas para alunos “Deixem os Brinquedos em Paz, Não são de rapariga nem de rapaz” 10 e 11 de abril nas Escolas dos Agrupamentos do Concelho de Seia.

Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário : Guião de Educação

Janeiro 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

https://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2017/12/Conhecimento_Genero_e_Cidadania_Ensino_Secundario.pdf

 

Las princesas de Disney incrementan los estereotipos en los niños?

Novembro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.psyciencia.com/ de 19 de julho de 2016.

Por David Aparicio

“Let it Go, Let it Go…”

Todos hemos escuchado el popular coro de la película de Disney Frozen, y es que con su personaje, Elsa, Disney retomó la popularidad entre grandes y chicos de todo el mundo. Hoy es la película animada que más dinero recaudó en la historia del cine.

Con tanta euforia entorno a las películas de Disney muchos padres e investigadores han mostrado su preocupación en torno al posible efecto que pueden tener sus personajes (en especial las princesas) sobre la autoestima, imagen corporal y el fomento de estereotipos en los más chicos.

Una investigación entrevistó cerca de 200 niños estadounidenses de casi 5 años de edad y a sus padres, para evaluar si realmente las princesas de Disney tenían un efecto negativo en el aprendizaje y desarrollo de los niños.

En concreto, el estudio evaluó qué juguetes preferían los niños y niñas de la investigación y con cuánta frecuencia veían algún programa o pelìcula de Disney que giraba entorno a una princesa. También se pidió a los padres que completarán un reporte de conducta de sus hijos.

Estereotipos y autoestima

Los resultados mostraron que el 96% de las niñas y el 87% de los niños había visto alguna de las películas o series de Disney. A diferencia de los varones, las niñas eran más propensas a adoptar las narrativas de las películas durante los momentos de juego.

Al comparar los resultados, después de un año de seguimiento, se encontró que la frecuente exposición a los juegos y películas de princesas de Disney, se relacionaba con fuertes conductas estereotipadas de género en las niñas. Aquellas niñas evitaban todas las experiencias que no se consideraban como femeninas, por ejemplo: jugar con otros tipos de juguetes o ensuciarse mientras jugaban, porque esa no era la manera en que las princesas se comportaban. Estas niñas eran más propensas a expresar creencias de que las niñas deben tener diferentes oportunidades y objetivos en la vida.

También se exploró si había relación entre la autoestima de las niñas y el uso de los productos y películas de princesas de Disney, y el estudio no encontró que afectara la autoestima y autoimagen de las niñas. Sin embargo, los investigadores explican que quizás, se podría encontrar efectos en la autoestima con un seguimiento más prolongado (recuerden que este estudio sólo hizo un seguimiento de un año). No obstante, esta es una hipótesis que se debe comprobar.

Otro dato que es importante resaltar es que los padres jugaron un rol importante en el aprendizaje de las conductas estereotipadas. Según los hallazgos, los padres reforzaban la cultura de las princesas de Disney, lo cual podría también tener serias consecuencias a largo plazo en el desarrollo de las niñas. Aquellas que han sido criadas como “princesitas consentidas” son más propensas a darse por vencido ante las situaciones difíciles de la vida, se esfuerzan menos y generalmente se concentran cualidades superficiales, como la belleza.

Un efecto positivo en los varones

Uno de los hallazgos que más interés generó fue que los niños varones que jugaban y veían películas semanales relacionadas con las princesas de Disney tenían mejor autoestima y eran más atentos con los otros. Este hallazgo fue bastante pequeño, pero valdría la pena explorarlo aún más.

No podemos terminar el artículo sin antes aclarar que este estudio es correlacional y por tanto no podemos atribuir ninguna responsabilidad causal a los personajes de Disney. Hay una relación importante que necesita más atención por parte de los investigadores. Para los padres es un llamado de atención, hay que ser cuidadosos con los tipos de crianza que se refuerzan en nuestros hijos. Es bonito ver a una hija vestida de princesa, pero lo más importante debe ser poder enseñarle a desenvolverse en distintos roles, que pueda explorar el mundo, esforzarse y no esperar nada regalado por el simple hecho de ser bonita.

La investigación está disponible en la revista Child Development y fue desarrollada por investigadores del Brigham Young University.

Fuente: Quartz

 

O Homem Promotor da Igualdade Novos Valores da Masculinidade para a Igualdade de Género – 16-17 novembro no ISCTE com a presença de Fernanda Salvaterra do IAC

Novembro 6, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Participação da Drª Fernanda Salvaterra do Instituto de Apoio à Criança com a comunicação “Direito a ser criança: brincar e crescer em segurança”

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/1979541382328128/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22%5B%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22page%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22page_upcoming_events_card%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A%5B%5D%7D%5D%22%2C%22has_source%22%3Atrue%7D

100 Women: ‘We can’t teach girls of the future with books of the past’

Outubro 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.bbc.com/ de 9 de outubro de 2017.

Valeria Perasso

Social Affairs correspondent, WS Languages

In a textbook for students in Tanzania, boys are strong and athletic, while girls just look proud of their pretty frilly dresses.

In a primary school reader in Haiti, pupils learn that mothers “take care of the kids and prepare the food” as fathers work “in an office”.

There’s a Pakistani illustrated book where all politicians, authoritative and powerful, are male.

In Turkey, a cartoon of a boy shows him dreaming of becoming a doctor.

Meanwhile a girl imagines herself as a future bride in white gown.

The list goes on – and knows no geographical boundaries.

Gender bias is rife in primary school learning books and can be found, in a strikingly similar form, on every continent, various experts say.

It is a problem “hidden in plain sight”.

“There are stereotypes of males and females camouflaged in what seems to be well-established roles for each gender,” says sociologist Rae Lesser Blumberg.

Prof Blumberg, from the University of Virginia, has been studying textbooks from around the world for over a decade, and says she has seen women systematically written out, or portrayed in subservient roles.

“Gender bias is a low-profile education issue, not one that makes headlines when millions of children remain unschooled,” she says.

What is 100 Women?

BBC 100 Women names 100 influential and inspirational women around the world every year. In 2017, we’re challenging them to tackle four of the biggest problems facing women today – the glass ceiling, female illiteracy, harassment in public spaces and sexism in sport.

With your help, they’ll be coming up with real-life solutions and we want you to get involved with your ideas. Find us on Facebook, Instagram and Twitter and use #100Women

Although school enrolment has increased dramatically since 2000, Unesco estimates that over 60 million children still never set foot in a classroom – 54% of them are girls.

“These books perpetuate gender imbalance,” says Prof Blumberg. “We cannot educate the children of the future with books from the past.”

A Tunisian primary textbook portrays women cooking and cleaning UNESCO / GEM Report

 

Invisible or stereotyped

Last year, the UN’s education agency Unesco issued a stark warning.

Sexist attitudes are so pervasive that textbooks end up undermining the education of girls and limiting their career and life expectations, Unesco says – and they represent a “hidden obstacle” to achieving gender equality.

Whether measured in lines of text, proportion of named characters, mentions in titles, citations in indexes or other criteria, “surveys show that females are overwhelmingly underrepresented in textbooks and curricula”, says University of Albany’s Aaron Benavot, former director of Unesco’s 2016 Global Education Monitoring (GEM) report.

The problem is threefold, experts say.

The most evident aspect is the use of gender-biased language, as often male words are chosen to mean all of humanity.

Then there’s an issue of invisibility, as women are often absent from the texts, their roles in history and everyday life subsumed by male characters.

“There was one textbook about scientists I particularly remember, and the only woman in it was Marie Curie,” says Prof Blumberg.

“But was she shown discovering radium? No, she was timidly peeking over her husband’s shoulder as he spoke to somebody else, a man who looked elegant and distinguished.”

Thirdly, there are traditional stereotypes in use about the jobs that men and women perform, both in the household and outside, as well as cliched social expectations and traits assigned to each gender.

An Italian textbook provides a striking example in a chapter that teaches vocabulary for different occupations, with 10 different options for men, from fireman to dentist, and none for women.

Meanwhile, women are often portrayed in domestic tasks, from cooking and washing to caring for the children and elderly.

“The concern is also that women are portrayed as passive, submissive, fulfilling these gender stereotypical roles,” says education specialist Catherine Jere, a lecturer at the University of East Anglia who was also involved in the GEM report.

continuar a ler o texto no link:

http://www.bbc.com/news/world-41421406

 

 

 

 

Meninos e meninas: quando se agitam as águas há sempre quem não goste

Setembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de setembro de 2017.

Em plena época de rentrées, não posso deixar de falar sobre o tão badalado caso dos livros de atividades para meninas e meninos – perdoem-me, eles são rapazes, que nisto da virilidade não há meninos. A indignação e desinformação contínua em torno disto faz-me concluir algo que, para quem se debruça nestas questões, não é novo: é impossível agitar as águas sem que quem lá está dentro, confortável, não se queixe da agitação e questione porque raio não as deixamos ficar paradas, já que aparentemente estão tranquilas. Esquecendo-se, como é óbvio, daqueles que têm de fazer esforços extras todos os dias para se movimentarem no lodo provocado por tal estagnação e comodismo.

Antes de qualquer outra coisa, julgo ser importante pararmos para pensar no sentido das palavras. Fazer uma recomendação – tal como indica o dicionário – é o ato de recomendar, aconselhar, advertir. Que eu saiba, isto não é igual ao significado da palavra ‘acusar’ ou da expressão ‘fazer queixa’ (algo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género já fez a quem de direito em tantas situações, como por exemplo, no caso do taxista que dizia que “as meninas virgens são para ser violadas”, ou quando uma adolescente foi alvo de abusos de cariz sexual num autocarro) . Independentemente de ser um organismo público a fazê-la ou não, quem recebe uma recomendação tem, portanto, livre arbítrio para tomar uma decisão. Esse livre arbítrio faz parte do exercício da liberdade. Quem concorda com uma recomendação, fá-lo voluntária e conscientemente. Foi o caso.

Se o “Mein Kampf” pode estar à venda, tudo pode estar à venda?

Muito se têm atirado pedras ao charco com comparações vazias de sentido, como a do “Mein Kampf” (repetida até à exaustão). Se este título pode estar à venda, quem somos nós para questionar se um livro de exercícios para crianças, vendido em pleno mercado livre, tem um conteúdo desajustado em matérias de igualdade? A diferença parece-me clara: que eu saiba, o “Mein Kampf” não está à venda em secções de crianças, nem é propriamente vendido com o intuito de chegar a menores, muitos menos para estímulo intelectual e cognitivo de miúdos idades entre os 4 e os 6 anos. É uma comparação ridícula, mas que enche o olho e que faz muita gente agitar os braços no ar e dizer “estás a ver?”, sem se darem ao trabalho de pensar pela própria cabeça. Escusado será dizer que cabe a cada adulto que compra tal título ter consciência sobre o que vai ler. No caso das crianças, não podemos esperar o mesmo.

Há atenção acrescida que é necessária quando produzimos, editamos e vendemos livros a menores que estão em plena formação de personalidade. E uma coisa são roupas ou brinquedos (um dia lá chegaremos, é outro campeonato que, como se pode ver por esta discussão, vai demorar até ser entendido) outra são livros de exercícios para crianças no geral. Lamento, mas é um péssimo ponto de partida fazer diferenciação de género em produtos cujo intuito máximo é o estímulo intelectual de crianças. Uma forma de os encaminhar e incentivar, desde tenra idade, para diferenciações no que é adequado a meninos e meninas.

No que toca aos estereótipos, acrescem não só as cores escolhidas (isso até me parece o menos nesta fase do campeonato), mas também os universos ilustrativos dedicados a cada um dos públicos, feminino e masculino. Justificar isto dizendo que os livros foram feitos por equipas diferentes, é pobre. Para alguma coisa serve a revisão final, já para não falar do restante processo de produção de um livro onde várias cabeças estão sempre envolvidas. Parece-me, contudo, importante reforçar que não se sugeriu que determinada editora estivesse a fazer conteúdos propositadamente preconceituosos. É óbvio que, muito provavelmente, nenhum dos profissionais em causa fez opções sexistas deliberadamente. Não foi isso que alguma vez esteve em causa. Mas o resultado final falhou, tal como tantas vezes falham até mesmo os pais e educadores mais conscientes, e que que fazem todos os esforços para não resvalar em exemplos sexistas no dia-a-dia. Os papéis dos homens e das mulheres estão totalmente enraizados no nosso inconsciente coletivo e demorará anos, muitos anos, até que a realidade seja outra. Ainda faz parte, isto de se resvalar para o preconceito, mas não quer dizer que seja correto, por mais generalizada que a mensagem esteja.

É ingénuo acreditarmos que a maioria do pais sabe dar o exemplo

Agora uma coisa é certa: é preciso começar a agitar as águas para que a mudança aconteça. E a mudança vai sempre incomodar alguém. Claro que em termos de marketing o azul e o cor-de-rosa continuam a vender mais. Mas, a meu ver, por mais que o intuito de qualquer empresa seja vender o mais possível, a responsabilidade social não pode ser chutada para canto, quer estejamos nós numa pública, quer numa privada. A mim parece-me razoável que uma editora que dedica boa parte do seu trabalho a este público deva ter alguma consciência acrescida para este tipo de questões, tão essenciais na hora de passar conteúdos de aprendizagem a crianças, mesmo que estes não sejam manuais escolares oficiais (isso seria uma discussão de outras dimensões, com outras partes envolvidas).

Sim, os livros venderam muito. Qual é a surpresa? Por mais que a sua função seja educar, é ingénuo acreditarmos que a maioria dos pais, lá porque são adultos, faz a triagem ou dá o exemplo nas questões da igualdade. Por alguma razão ainda precisamos de ter um organismo público que ajude a zelar pela igualdade num país supostamente civilizado como é o nosso (para quem não sabe, essa é função da CIG). Não podemos esperar que sejam exclusivamente os pais ou os professores a promover a mudança. Todos nós, enquanto cidadãos de uma sociedade que se diz par, devemos estar envolvidos neste processo.

Questionar esta atuação da CIG é um sinal de que a apatia geral, afinal, até pode ser quebrada, mesmo que sejam as redes sociais o motor de arranque. Mas se queremos questionar, então eu diria que nada melhor do que começarmos por tirar conclusões pela nossa própria cabeça, por mais que seja mais fácil partilhar os discursos de estrelas da TV e demais opinadores generalistas. Um bom ponto de partida para uma reflexão séria e individual? Ler o relatório com o parecer técnico da CIG sobre estes livros (se clicarem aqui encontram-no). São poucas páginas, e explicam muito bem, percorrendo todo o livro, o porquê da tal recomendação.

Claro que há muitos outros casos que podiam e que deviam ser igualmente questionados, mas há que começar por algum lado. Acredito que depois deste, a atenção para aquilo que muitos dizem ser apenas subtilezas da desigualdade possa ser maior. Quanto ao desfecho, eis um belo exemplo de como uma empresa privada pode ter a nobreza de assumir um erro, suspender voluntariamente vendas -mesmo que isso ponha lucros em causa -, e colaborar com o Estado no bem maior que é a importância de se combater estereótipos e preconceitos obsoletos. Por mais que isto custe às águas paradas, as correntes estão a mudar. Ainda bem.

 

 

“Não é de menor importância o tipo de imagens que transmitimos às nossas crianças”

Agosto 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista da http://sicnoticias.sapo.pt/ a Teresa Fragoso no dia 24 de agosto de 2017.

Visualizar o vídeo da entrevista no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1

As vendas de dois blocos de atividades para rapazes e raparigas, dos 4 aos 6 anos, lançados pela Porto Editora, foram suspensas após recomendação do Governo. A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género, Teresa Fragoso, explicou, na Edição da Noite, as razões que levaram à recomendação para que a venda fosse suspensa.

 

Sabe de que forma os brinquedos do seu filho influenciam o seu futuro?

Agosto 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de agosto de 2017.

Shutterstock

Até a forma como brincamos com a criança assenta em estereótipos.

As meninas costumam brincar com peluches cor-de-rosa e os meninos com carrinhos. Poderão estes hábitos ter impacto no futuro? Estudos dizem que sim: os bebés que brincam com brinquedos que ajudama  desenvolver para uma maior sensação espacial ou que estimulam a confiança física – como carros, robôs, pequenos puzzles, etc – costumam dominar profissões onde estas características são imprescendíveis. Características essas que estão mais associadas ao sexo masculino do que feminino.

Assim, este tipo de empregos costuma ter muito mais homens do que mulheres. Mas será que os pais ou os educadores têm influência nesta situação?

A BBC fez um teste e colocou um bebé do sexo masculino com roupas de menina e vice-versa. Edward passou a ser Sophie e Marnie ‘transformou-se’ em Oliver. Os adultos que interagiram com eles posteriormente não sabiam os seus verdadeiros nomes de julgaram que Sophie era,d e facto, uma menina, e Oliver um menino.

Na experiência é possível ver que os educadores oferecem a Oliver brinquedos como robots, peças para montar, e dão –lhe ainda um triciclo e um pequeno pónei para montar. Já Sophie temd e interagir com fantoches e peluches, brinquedos que não estimulam tanto o desenvolvimento cerebral.

Quando se aperceberam da mudança de roupas e de nome, entenderam que a forma como brincam com as crianças baseia-se também em estereótipos e pode ter uma grande influência no seu desenvolvimento.

 

 

Système U – Gender Free Christmas – vídeo

Julho 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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