Por medo de atiradores, escolas dos EUA vigiam redes sociais de alunos

Julho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia da Veja Brasil de 9 de junho de 2019.

Entre as medidas adotadas está o sistema de reconhecimento facial dos estudantes; ONGs se preocupam com imprecisão da tecnologia, indicando falsos suspeitos

Por Da Redação

O medo de atiradores estimulou a adoção de um sistema de vigilância dos alunos em escolas nos Estados Unidos. Entre as primeiras medidas, estão o monitoramento das redes sociais de adolescentes, para prevenir e identificar comportamentos agressivos.

Em algumas regiões do país, o método já cresceu a ponto de incluir a tecnologia de reconhecimento facial dos suspeitos, o monitoramento das postagens de quem está apenas no entorno das escolas, inclusive os adultos, e a identificação do uso de palavras que podem ser associadas a massacres.

Há empresas que vendem uma “análise psicológica” das postagens de alunos e aplicativos de “inteligência emocional” para avisar os pais sobre as buscas feitas na internet com palavras-chave como “morte”, “matar” ou “armas”.

Se a vigilância de redes sociais já era um assunto controverso, o debate sobre o direito à privacidade ganhou um novo componente na última semana, quando o distrito escolar de Lockport, no Estado de Nova York, anunciou a instalação do projeto de reconhecimento facial dos alunos. A ideia é cruzar os rostos de quem transita pela escola com uma base de dados com informações sobre alunos expulsos e com passagens pela polícia.

Autoridades locais pediram imediatamente que o projeto seja adiado. Os métodos de vigilância têm sido alvo de críticas de especialistas que consideram que os sistemas minam a privacidade dos jovens, a liberdade de expressão e podem criar traumas por possíveis falsas acusações. Os pais também temem o compartilhamento dessas informações com autoridades públicas ou para fins comerciais, já que a coleta de dados é feita por empresas privadas.

Os testes dos sistemas de reconhecimento facial ainda mostram que sua precisão varia de acordo com a cor de pele ou o gênero do rosto analisado. Segundo um professor da rede pública de Massachusetts, Erik Learned-Miller, o sistema, se não for bem testado, pode se tornar tendencioso.

Preconceito velado

E é com isso que Latarndra Strong se preocupa. Mãe de dois adolescentes, de 13 e 15 anos, ela foi informada de que a escola dos filhos, em Orange County, na Carolina do Norte, havia contratado uma empresa para analisar as postagens dos alunos.

“Morte, tiros, assassinato” são palavras que pulam no celular do diretor de uma das escolas que contratou estes serviços, com custo de aproximadamente 2 dólares americanos por aluno. Em alguns casos, o monitoramento das redes cria situações absurdas, como um alerta para postagens inofensivas com variações da palavra morte: é o caso de um alerta gerado a partir as mensagens “eu adoro meu gato e morreria por ele” ou “estresse pode matar”.

“Eles decidem quem será criminalizado. Como mãe, estou preocupada com o que é feito com esses dados”, diz Latarndra. Segundo ela, a escola avisou da contratação do sistema de monitoramento, mas não consultou os pais. “Quero entender os gatilhos que, segundo eles, fazem com que um aluno se torne suspeito.”

A Carolina do Norte é outro estado a adotar o sistema.  A empresa contratada é a Social Sentinel, uma companhia privada presente em distritos escolares de 35 dos 50 Estados americanos. Como ela, outras companhias já se espalharam pelos Estados Unidos. Seu trabalho consiste em analisar o conteúdo postado pelo aluno ou contido em e-mails do servidor da escola para identificar alunos que precisam de ajuda.

A empresa defende a importância de seu trabalho, mencionando uma pesquisa da organização Educators School Safety Network, estimando que 40% das pessoas que machucam a si mesmas ou a outros já expressaram esse desejo nas redes sociais. “É nossa missão identificar essas postagens e dar a nossos clientes a oportunidade de intervir”, informou um porta-voz da empresa.

Segundo a Social Sentinel, a tecnologia é continuamente refinada e o modelo é conservador, para criar um “número mínimo de falsos positivos”. A empresa afirma que não gera dados para outros propósitos, como marketing, e garante não monitorar usuários específicos ou dados privados.

Regulação do sistema

O advogado Brad Shear, especialista em redes sociais, passou a defender jovens rejeitados em universidades em razão de postagens online nos últimos anos. Com dois filhos na escola, ele é crítico do novo sistema de vigilância.

“É preciso haver regulação e lei”, critica ele. “O melhor a fazer é educar as crianças. Há casos de falsos positivos, e essas empresas estão tentando assustar educadores e pais dizendo que precisam disso para se tornarem seguros.” Segundo ele, há casos em que adolescentes postam letras de músicas nas redes sociais e já entram na mira dos alertas.

Em artigo, as pesquisadoras Rachel Levinson-Waldman e Faiza Patel, do Centro de Justiça Brennan, da New York University, apontam que 92% dos adolescentes frequentam redes sociais diariamente e que 24% deles estão conectados quase constantemente.

“Os programas de monitoramento podem funcionar como dispositivos de escuta que registram cada fala e os transmitem aos diretores escolares. Esse escrutínio pode revelar um comportamento de risco que requer intervenção. Mas, com muito mais frequência, também reprimirá a capacidade dos jovens de se expressarem”, afirmam.

O escritório nova-iorquino da Associação Americana para Liberdades Civis (ACLU) tem sido uma das vozes críticas à proposta de reconhecimento facial, sob o argumento de que o sistema de identificação passa aos estudantes a mensagem de que eles são criminosos em potencial e, por isso, precisam ter os rostos escaneados enquanto estudam ou brincam.

“Está claro que o Estado deve intervir e garantir que essas tecnologias imprecisas, preconceituosas e perigosas não sejam impostas a alunos, professores e pais sem a devida consideração de seus direitos”, afirmou Stefanie Coyle, conselheira de educação do NYCLU.

‘Isso só aumenta o estresse’

Ethan Sommers, de 19 anos, entrou para o movimento March For Our Lives depois de ter amigos que foram vítimas de tiroteios em escolas. O grupo foi criado por jovens depois do massacre de Parkland, na Flórida. Para ele, não está claro como o monitoramento de redes sociais ou reconhecimento facial pode tornar o ambiente estudantil mais seguro.

“Achamos que isso não ajuda, porque só aumenta o estresse”, afirma. “Não só falha na proteção, como não contribui com a qualidade da saúde mental dos estudantes, que é a nossa principal preocupação”, afirmou.

Erik Learned-Miller, professor de ciência da computação da Universidade de Massachusetts, tem se dedicado a pesquisas sobre os sistemas de reconhecimento facial. Segundo ele, ainda não há normatização suficiente sobre o tema para fazer com que os benefícios compensem os riscos.

“Se você nunca testou, por exemplo, o equipamento em situações de pouca luz, como sabe se vai funcionar? Os administradores de escolas compram o serviço sem saber nada sobre a tecnologia, as companhias não providenciam essas informações e não há diretrizes claras sobre isso. Não recomendaria às escolas comprarem neste momento uma tecnologia que não está pronta”, afirma Miller, que aponta erros em identificação facial nas suas pesquisas.

Em Nova York, um jovem de 18 anos está processando a Apple por ter sido detido injustamente por meio dos sistemas de monitoramento. Segundo ele, o sistema de reconhecimento facial da loja – que a empresa nega usar – o identificou como suspeito de forma equivocada. A polícia o liberou por entender ser a pessoa errada, mas Ousmane Bah pede uma indenização de 1 bilhão de dólares à empresa por danos morais.

Miller compara os sistemas à venda de remédios controlados. “É preciso passar por um processo para que sejam estipuladas as contraindicações”, afirma. “Qual é o custo do erro? Suponha que um pai entre em uma escola e não seja identificado corretamente, o que acontecerá? Um policial será acionado e vai atirar? Eu não sou anti-indústria, mas tenho visto empresas superestimando a precisão da tecnologia”, afirma o pesquisador.

Em maio, a cidade de São Francisco, na Califórnia, sede das gigantes de tecnologia, aprovou uma lei que proíbe o uso desses programas de reconhecimento facial pela polícia local. A cidade entendeu que o risco aos direitos e liberdades civis “supera seus benefícios”.

Em 2016, um estudo do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade Georgetown indicava que as bases de dados coletados por agentes públicos reconheciam o rosto de 117 milhões dos mais de 240 milhões de americanos adultos.

(com Estadão Conteúdo)

ONU diz que imagem trágica de pai e filha afogados deve impulsionar prevenção

Junho 27, 2019 às 4:02 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da ONU News de 26 de junho de 2019.

Fotografia mostra os corpos de dois migrantes de El Salvador nas margens do Rio Grande; Agência da ONU para Refugiados diz que “circunstâncias que levaram a essa tragédia são inaceitáveis”.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, disse esta quarta-feira que ficou “profundamente chocada” após ver a fotografia dos corpos afogados de Oscar Alberto Martinez Ramirez e sua filha de 23 meses, Valeria.

A fotografia mostra os dois migrantes de El Salvador nas margens do Rio Grande. Pai e filha morreram afogados quando tentavam passar a fronteira para o México.

Imagens

Em nota, o Acnur afirma que “embora os detalhes permaneçam incertos, o que está claro é que as circunstâncias que levaram a essa tragédia são inaceitáveis.”

A fotografia está sendo partilhada nas redes sociais menos de quatro anos depois de ter sido divulgada a foto do corpo sem vida de Alan Kurdi, uma criança refugiada síria, nas praias do Mediterrâneo.

O Acnur diz que o mundo é “novamente confrontado com poderosas provas visuais de pessoas morrendo durante suas perigosas viagens cruzando fronteiras.”

Perigo

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que “as mortes de Oscar e Valeria representam um fracasso em lidar com a violência e o desespero que empurram as pessoas a fazerem uma jornada de perigo para alcançar uma vida com segurança e dignidade.”

Para Grandi, a situação “é agravada pela ausência de caminhos seguros para as pessoas buscarem proteção, deixando as pessoas sem outra opção senão arriscar suas vidas.”

O Acnur continua a pedir a todos os países da região que tomem medidas imediatas e coordenadas para evitar que novas tragédias como esta ocorram.

A agência também ofereceu propostas sobre maneiras de melhorar e fortalecer o processamento de requerentes de asilo nos Estados Unidos, incluindo as condições de detenção.

O Acnur afirma ainda que continua “pronto para apoiar todos os governos da região a garantir que qualquer pessoa que necessite de proteção internacional a receba prontamente e sem obstruções.”

Óscar e a bebé Valeria morreram a atravessar o rio para chegar aos EUA

Junho 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Imagem dos corpos de Oscar e Valeria tornou-se símbolo do sofrimento dos migrantes que arriscam a vida para entrar nos EUA © EPA/Abraham Pineda-Jácome

Notícia do Diário de Notícias de 25 de junho de 2019.

Joana Capucho

Os corpos do salvadorenho de 25 anos e da bebé Valeria, de 21 meses, foram encontrados na segunda-feira, um dia depois de terem sido descobertos os cadáveres de uma mulher e três crianças na fronteira do Texas com o México.

Óscar Alberto Ramírez, de 25 anos, e a filha Valeria, de 21 meses, perderam a vida a tentar atravessar o rio Grande para entrar nos EUA. Citada pela imprensa mexicana, a mulher de Óscar contou que a água levou primeiro a menina e que o pai saiu em seu auxílio. Ambos acabaram por ser levados pela corrente e desaparecer.

Tal como esta família, natural de El Salvador, muitos tentam cruzar a fronteira do México com os EUA à procura de uma vida melhor.

De acordo com o jornal El Salvador, Óscar, Tania e a bebé saíram de El Salvador no dia 3 de abril rumo aos EUA. Ele deixou o trabalho numa pizzaria, enquanto ela já tinha abandonado o emprego há algum tempo para cuidar da filha.

Rosa Ramírez, mãe de Óscar Alberto, recorda que implorou que não deixassem o país, mas o sonho americano falou mais alto. Segundo declarações da irmã da jovem, o casal estava preocupado com o futuro de Valeria.

Óscar e Tania ficaram num abrigo em Tapachula, no México, durante dois meses, enquanto esperavam pelo pedido de asilo nos EUA. No entanto, desesperados com a lentidão dos procedimentos, decidiram cruzar o rio, juntamente com outros migrantes.

Na segunda-feira, os cadáveres do homem e da criança foram localizados pelas autoridades, que já tinham iniciado as buscas no domingo, assim que foram alertadas para o desaparecimento.

Os corpos encontravam-se junto à berma do rio, entre os galhos, a alguns quilómetros da ponte de Matamoros, que liga o México à cidade de Brownsville, no Texas – e a cerca de dois quilómetros do local onde tinham desaparecido.

De acordo com as imagens que foram divulgadas, o homem terá conseguido alcançar a filha e colocá-la dentro da sua camisola. No entanto, ambos acabaram por morrer.

Tudo indica que pai e filha morreram afogados, mas a Unidade Geral de Investigação ordenou uma investigação para determinar as causas da morte. Como a família não tem muitos recursos financeiros, a preocupação agora prende-se com o repatriamento dos cadáveres para El Salvador, já que as funerárias poderão cobrar 7.500 dólares pelo procedimento.

Perante a tragédia, Enrique Cervantes, presidente do Instituto Tamaulipeco del Migrante, em Matamoros, lamentou as mortes e pediu aos migrantes para não entrarem nas águas do rio Grande, uma vez que a corrente é muito forte. “O rio não ajuda, leva vidas”, alertou.

Uma mulher e três crianças mortas

No mesmo dia em que Óscar e a filha foram levados pela corrente, os corpos de uma mulher migrante com cerca de 20 anos e de três crianças foram encontrados na margem do rio Grande, na cidade de McAllen, no Texas.

De acordo com as autoridades, citadas pelo The New York Times, esta não é uma situação comum, já que, embora seja relativamente frequente encontrar cadáveres, não é normal encontrar corpos de crianças ou bebés no lado americano da fronteira.

Sem qualquer sinal de crime, as autoridades acreditam que as mortes terão sido provocadas por desidratação e exposição ao calor. Até segunda-feira, não foi possível confirmar quais as identidades das vítimas ou o país de origem.

Nos últimos meses, milhares de migrantes de El Salvador, Honduras, Cuba e Guatemala entraram no México em caravanas a partir da fronteira no sul do país. Fogem da miséria e da violência.

Dado o aumento dos migrantes e dos pedidos de asilo, no final de maio, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor taxas alfandegárias sobre todos os produtos mexicanos importados para os EUA caso o México não adotasse medidas para travar a vaga de migrantes.

Já este mês, no dia 7 de junho, os dois países anunciaram um acordo. Para além do envio de forças policiais e militares para as fronteiras do país, o México comprometeu-se a acelerar o regresso ao país de origem dos migrantes, enquanto o seu pedido de asilo for teoricamente analisado nos EUA – onde se estima que existam 11 milhões de ilegais.

Nesta segunda-feira, o México anunciou ter deslocado cerca de 15.000 polícias e militares para a fronteira com os Estados Unidos no âmbito do acordo concluído com Washington para travar a imigração ilegal.

Os brinquedos que dão a mão às crianças da caravana de migrantes

Janeiro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Hannah Mckay

Notícia do Público de 26 de dezembro de 2018.

Na caravana de milhares de migrantes que rumam aos Estados Unidos da América, Hanna McKay, da agência Reuters, encontrou dois mundos: as preocupações dos adultos e as brincadeiras das crianças. Estas, muitas das vezes, caminham sem saber porquê, nem para onde estão a ir. Limitam-se a seguir os pais que procuram asilo e trabalho do outro lado da fronteira mexicana.

Só neste mês, morreram duas crianças imigrantes sob custódia das autoridades fronteiriças norte-americanas. Jakelin Caal, de sete anos, natural da Guatemala, faleceu a 8 de Dezembro num hospital de El Paso, no Texas. Antes da-meia noite que marcava o início do dia de Natal morria o segundo menino, também guatemalteco, Felipe Gómez Alonzo, de oito anos. Agora, o governo norte-americano ordenou check-ups médicos para todas as crianças ao cuidado das autoridades responsáveis pelas fronteiras.

A maioria dos imigrantes que constituem a caravana começou a juntar-se em Outubro e vem das Honduras. Fogem, com os filhos, da violência dos gangs e do Governo. Os mais pequenos trazem consigo os brinquedos que encontram pelo caminho ou que outras crianças lhes deram: como a máquina fotográfica de brincar que Xiomara, uma menina de quatro anos, apontou para a câmara a sério da jovem fotojornalista da Reuters. A menina encontrou a máquina de plástico no chão de um dos abrigos temporários onde pernoitou, em Tijuana, no México. Já em casa, nas Honduras, “ficou o brinquedo favorito”: um ursinho de peluche.

 

Especialista da ONU pede fim da detenção de crianças migrantes pelos EUA

Janeiro 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da ONU News de 24 de dezembro de 2018.

Relator especial expressou profunda preocupação com tratamento de migrantes e com discurso público sobre migração nos Estados Unidos; especialista pede investigação sobre morte de criança da Guatemala que estava sob custódia de autoridades do país.

O relator especial da ONU para os direitos humanos, Felipe González Morales, fez um apelo para que os Estados Unidos parem com a detenção de crianças com base na situação migratória delas e que procurem alternativas para o problema.

De acordo com o especialista, uma série de organismos de direitos humanos da ONU já declararam que “a detenção de crianças com base na situação migratória é uma violação das leis internacionais. Morales destacou que “a detenção é prejudicial para o bem-estar da criança e produz impactos negativos severos de longo prazo nelas”.

Trauma

O relator disse ainda que isso também agrava o trauma que muitas crianças sofrem durante as jornadas migratórias e que a detenção de menores migrantes nunca pode ser usada para impedir a migração.

Morales expressou ainda profunda preocupação com o tratamento dos migrantes pelas autoridades americanas e com o discurso público sobre migração nos Estados Unidos. Ele disse ter contatado as autoridades do país diversas vezes recentemente para chamar atenção para uma série de questões e que espera engajar um diálogo construtivo para lidar com o problema.

Investigação

O especialista demonstrou ainda preocupação com a morte de uma menina migrante de sete anos que estava sob custódia das autoridades migratórias dos Estados Unidos. Morales pediu que a morte de Jakelin Ameí Caal, que era da Guatemala, seja investigada.

O relator disse que apesar de ter havido diferentes versões sobre a sequência de eventos e o estado de saúde de Jakelin, é incontestável que a menina morreu quando estava em custódia dos Serviços Aduaneiros e de Proteção das Fronteiras dos EUA após cruzar a fronteira entre o México e os Estados Unidos com o seu pai e um grande grupo de migrantes.

Para Morales, as autoridades do país devem “garantir que seja conduzida uma investigação profunda e independente sobre a morte” da menina. Ele acrescentou que o “acesso à justiça por seus parentes deve ser concedido, incluindo, mas não limitando a ter representação legal durante os procedimentos na língua que eles possam entender bem.”

O relator especial reiterou ainda seu interesse em conduzir uma visita oficial aos Estados Unidos. Ele disse ter já ter solicitado o convite do governo duas vezes, mas até o momento ainda não obteve nenhuma resposta.

*Relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pela sua atuação.

 

O novo vício dos adolescentes americanos

Janeiro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da Euronews de 17 de dezembro de 2018.

É um fenómeno que atinge muitos países – a Sociedade Portuguesa de Pneumologia já lançou o alerta – mas os números que chegam dos Estados Unidos dão corpo à realidade. A utilização de cigarros eletrónicos entre os adolescentes do ensino secundário duplicou no último mês em relação ao ano passado, abrangendo 21% dos estudantes americanos.

“Isto atingiu uma proporção inadmissível”, diz Scott Gottlieb, da FDA, a autoridade sanitária americana. Em causa estão sobretudo os alunos do 10° ao 12° anos, atraídos pelos sabores variados dos produtos e pelos argumentos que apontam este tipo de consumo como mais seguro.

“Mas os consumidores nem sempre têm noção de que estão realmente a utilizar nicotina”, responde Wilson Compton, do Instituto Nacional da Droga americano.

As autoridades sanitárias falam mesmo em “epidemia” e numa nova geração viciada em nicotina. Os cinco principais produtores de cigarros eletrónicos foram intimados a apresentar medidas para controlar o uso entre os mais novos, sob pena de o consumo passar a ser proibido.

 

Morre mais uma criança sob custódia dos EUA após passar fronteira do México Não foi divulgada a causa da morte de rapaz de oi

Dezembro 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 26 de dezembro de 2018.

Não foi divulgada a causa da morte de rapaz de oito anos da Guatemala, apenas que fora hospitalizado.

Uma criança de oito anos, natural da Guatemala, morreu esta terça-feira enquanto estava à guarda do serviço de fronteiras dos Estados Unidos após ter passado ilegalmente a fronteira com o pai – é a segunda criança a morrer sob custódia da guarda fronteiriça.

A criança foi internada num centro médico em Alamogordo, Novo México, e teve alta depois de ter recebido um diagnóstico de constipação. Mas horas depois de ter tido alta, começou a vomitar e foi levada de novo para o hospital, onde acabou por morrer. A causa não é conhecida.

O rapaz e o pai entraram nos EUA através de El Paso, Texas, a 18 de Dezembro, e entregaram-se às autoridades. Foram transferidos para Alamogordo a 23.

Um congressista do Texas disse que a criança se chamava Felipe Alonzo-Gomez e apelou para uma investigação à sua morte.

“Temos de nos assegurar de que tratamos migrantes e requerentes de asilo com dignidade humana e damos os cuidados médicos necessários a qualquer pessoa sob custódia do Governo dos Estados Unidos”, disse o congressista Joaquin Castro, citado pela emissora britânica BBC.

“A política da Administração afastar as pessoas dos pontos legais de entrada está a pôr as famílias e as crianças em risco.”

A força encarregada das fronteiras anunciou que irá fazer algumas alterações após esta segunda morte, segundo a estação de televisão americana CNN, incluindo check-ups médicos a todas as crianças sob sua guarda, com especial foco nas menores de dez anos.

A primeira criança que morreu foi Jakelin Caal, de sete anos, também da Guatemala, depois de ter sido detida junto com o pai numa zona remota do Novo México. Oito horas depois, a criança começou a ter convulsões e morreu.

A Administração de Donald Trump, que tenta desencorajar a entrada ilegal nos EUA, e classificou a caravana de migrantes que se juntam para fazer a viagem até à fronteira como um perigo para a segurança do país, culpa o pai pela morte da criança.

Activistas dizem que o aumento de patrulhas leva os migrantes a correr mais perigos em zonas mais remotas, e a associação de defesa dos direitos ACLU acusou os serviços de fronteira de “cultura de crueldade e falta de responsabilidade”.

 

 

Um pacote de leite gigante para alertar para o drama das crianças separadas das famílias

Dezembro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

DR

Notícia do Público de 6 de dezembro de 2018.

A instalação foi montada em Venice Beach, na Califórnia, para alertar para a separação de 14 mil crianças dos pais na fronteira dos Estados Unidos. O projecto da agência 72andSunny também lançou uma petição para tentar reverter a situação.

Rui Pedro Paiva

Um pacote de leite gigante. Dentro dele, vários outros pacotes de leite — mais pequenos — com palavras escritas: “Freedom”, “family”, “future”. Representam aquilo que as 14 mil crianças detidas na fronteira dos Estados Unidos estão a perder. Perdem liberdade, perdem família e perdem futuro.

O objectivo da instalação 14,000 and Counting (em português, 14 mil e a contar), da agência 72andSunny, é alertar para a situação na fronteira dos Estados Unidos, onde crianças são separadas da família e reencaminhadas para tendas e armazéns, enquanto os pais são detidos para julgamento. Os criadores da obra citam o The San Francisco Chronicle para destacar que em Novembro o número de crianças sob custódia governamental chegou a 14 mil. Apesar de a situação não ser inédita no país, aumentou de proporções após a política de imigração da administração de Donald Trump.

“Cada embalagem é uma representação visual de uma criança imigrante mantida em centros de detenção em todo o país”, referiu Meagan Phillips, da residência 72u, a propósito da obra montada na Windward Plaza, Califórnia. A instalação 14,000 and Counting foi inaugurada a 28 de Novembro e irá permanecer em Venice Beach até sábado, 8 de Dezembro.

No site do projecto, é possível assinar uma petição que apela ao congresso americano que reverta a actual legislação. Também é possível contribuir financeiramente para organizações que procuram combater políticas anti-imigração e associações que prestam auxílio a estas crianças (como a União Americana pelas Liberdades Civis ou a Families Belong Together).

A residência criativa 72U do estúdio 72andSunny tem como missão potenciar a “mudança social positiva através da criatividade radical” através da exploração da “arte, tecnologia e cultura”.

 

 

 

 

EUA. Criança de 7 anos morre de desidratação depois de atravessar fronteira com família

Dezembro 14, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Observador de 14 de dezembro de 2018.

Uma criança da Guatemala morreu de desidratação dois dias após ter sido detida com a família por atravessar ilegalmente a fronteira dos EUA. Relatório diz que não comia nem bebia água há dias.

Uma menina de 7 anos morreu de desidratação depois de ter sido detida juntamente com a sua família por terem atravessado ilegalmente a fronteira do México para os EUA.

A menor, cuja identidade não foi revelada e da qual só se sabe a idade e que tinha nascido na Guatemala, foi detida na fronteira juntamente com 163 pessoas no dia 6 de dezembro, pelas 22h00, perto da localidade de Lordsburg, no Novo México. A detenção foi feita pela U.S. Customs and Border Protection (CBP), a autoridade de proteção das fronteiras dos EUA.

De acordo com os registos da CBP, consultados pelo Washington Post, a menor começou a ter convulsões às 6h25 já do dia seguinte à sua chegada, 7 de dezembro. Segundo os paramédicos que a socorreram pouco depois desse momento, a rapariga de 7 anos estava com uma temperatura de 105,7 graus fahrenheit (40,9, em celsius). De acordo com o comunicado emitido pela CBP, a vítima mortal não teria “comido nem bebido água durante vários dias”.

A criança ainda foi transportada de helicópetro para um hospital pediátrico em El Paso, cidade texana na fronteira com o México, onde acabou por morrer menos de 24 horas depois.

Através de comunicado ao Washington Post, a CBP apresentou as suas “mais sinceras condolências à família da criança”, mas rejeitou ter havido falhas da parte dos seus agentes. “Os agentes da CBP tomaram todas as medidas possíveis para salvar a vida da criança sob as circunstâncias mais difíceis”, disse o porta-voz da CBP Andrew Meehan. “Como pais e mães, irmãos e irmãs, sentimos a perda de qualquer criança.”

 

 

Jovens americanos têm níveis de sofrimento psicológico sem precedentes face às gerações anteriores

Novembro 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da Visão de 21 de novembro de 2018.

Clara Soares

A Geração Z tem mais perceção de stress e insegurança do que as gerações mais velhas e é a primeira a admitir maior necessidade de terapia, revela estudo da Associação Americana de Psicologia.

Já se sabia que os Estados Unidos são imbatíveis… nos números respeitantes à doença mental. Os estudos epidemiológicos disponíveis permitem afirmar que nem mesmo Portugal, que ocupa um lugar cimeiro na União Europeia nesta área, com pelo menos uma em cada cinco pessoas a ter perturbações mentais, tem um retrato tão assustador.

Se os nativos digitais e os jovens escolarizados parecem mostrar-se mais vulneráveis a sintomas ansiosos e depressivos, agora já possível confirmá-lo. O mais recente estudo encomendado pela Associação de Psicologia Americana (APA) à The Harris Poll – Stress in America: generation Z – traça um panorama sombrio para quem nasceu e cresceu naquela que era, no século passado, conhecida pela Terra das Oportunidades. A sondagem online, realizada numa amostra de 3458 adultos e complementada por entrevistas a 300 jovens com idades entre os 15 e os 18 anos, permitiu concluir que a entrada na maioridade é vivida com grande sobressalto e estados de alerta, apenas comparáveis aos da geração anterior, os Millennials, que até ao momento eram os campeões do stresse, fruto de uma educação individualista e centrada no sucesso, da pressão das tecnologias e do impacto da realidade virtual no quotidiano.

“Este mundo não é para novos”

O estudo comparativo revela que a saúde mental da Geração Z deixa muito a desejar. Os mais velhos são quem afirma sentir-se muito bem psicologicamente (74%), mas a percepção de bem-estar subjetivo decai à medida que se recua na idade e entre os 15 e os 21 anos menos de metade diz estar em boa forma mental (apenas 45%). Como era previsível, entre os que receberam, ou pensam vir a precisar de recorrer à ajuda de um psicoterapeuta, os inquiridos com 73 e mais anos ficaram no fim da lista (15%). Em contrapartida, os adolescentes e jovens adultos ocuparam a linha da frente (37%), ultrapassando mesmo a geração que os antecede (com idades entre os 22 e os 39 anos). Mais de 90% dos “Z” afirmaram ter experimentado pelo menos um sintoma físico ou emocional associado a stresse (58% de estados depressivos e 55% com falta de interesse, energia e motivação).

A que se deve tanto mal-estar e fragilidade? No país governado por Trump, as armas têm má história e má fama, com violência a marcar os telejornais. Estas realidades são perturbadoras para os adultos, embora consigam ser mais impactantes para os jovens. Assim, enquanto os adultos se sentem ameaçados pelas notícias de tiroteios (62%), suicídios (44%) mudanças climáticas (51%), deportações de imigrantes e das famílias de migrantes (45%) e o assédio sexual (39%), a percepção de stresse dos “Z” é superior a estes valores numa proporção entre 12 e 18 por cento.

Depois do célebre Young Americans, do britânico David Bowie, ter trazido à superfície questões polémicas que marcaram – e marcam ainda – o ADN da cultura norte-americana, há 43 anos, o álbum permanece mais atual do que nunca. Ainda não havia geração Z quando o génio camaleão cantou “This is not America”, mas os jovens americanos nascidos na era da internet, dos crashes bolsistas e do aquecimento global ingressam na idade adulta como quem entra num cenário da Guerra dos Tronos: uma odisseia em que a probabilidade de ir ao fundo é grande e terrivelmente assustadora.

Entre as fontes adicionais de stresse com que eles se debatem, surgem as dificuldades de socialização com os pares (35%), as dívidas associadas ao percurso académico (33%) e a incerteza do mercado imobiliário (31%). Embora com menor expressão, outras preocupações os consomem: o medo de não ter sustento numa base estável (28%), o abuso de álcool e drogas no seio familiar (21%) – que pode, ainda que indiretamente, ter sido ampliado pela liberalização do consumo recreativo – e as questões associadas à orientação sexual e de identidade de género (21%), num ano marcado por mudanças políticas e sociais neste domínio.

 

 

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.