O que leva uma criança a dizer que apoia o Estado Islâmico?

Março 16, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.bbc.com/portuguese/ de 27 de fevereiro de 2017.

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Matthew Price BBC Radio 4

Ele tem 10 anos de idade, o rosto pequeno e redondo e um olhar atento. Você sabe que ele é inteligente porque ele faz muitas perguntas. Mas, neste caso, a curiosidade o levou a ter problemas.

Hoje em dia, ele prefere não repetir as palavras ditas há pouco mais de um ano na frente de seus colegas em uma escola primária no oeste de Londres.

Na época, ele ficou na frente da classe e disse que apoiava o grupo extremista autodenominado “Estado Islâmico” (EI).

A declaração provocou uma série de intervenções de seus professores. que acionaram os serviços para menores de idade do governo britânico.

O caso também foi encaminhado para a Prevent – um programa que trabalha com indivíduos que correm risco de serem radicalizados.

Ataques em Paris

Por razões óbvias, não vamos revelar a identidade do menino, mas vamos chamá-lo de Haaruun.

Ele vive em Londres com sua mãe e vários irmãos. E foi quando ele tinha 9 anos que tudo começou.

“Eu vi a notícia sobre os ataques em Paris”, diz ele, referindo-se ao atentado que ocorreu na capital francesa em novembro de 2015.

“Me sentei no computador e procurei ‘ISIS’ (sigla pela qual o grupo era identificado) no Google, que me levou ao site da BBC News (site de notícias da BBC em Inglês). Eu li tudo e então eu vi Children of the Califado (“Filhos do Califado”, documentário sobre crianças recrutadas como soldados pelo grupo) no site (do canal britânico) Channel 4 e fiquei impressionado”, lembra ele.

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“E então eu acessei em outras páginas…”

Foram esses outros sites que deixaram Haaruun exposto à brutalidade dos jihadistas e o tornou, de acordo com assistentes sociais que acompanham o seu caso, “vulnerável à radicalização”.

“Eu vi alguns vídeos de execuções brutais e pessoas sendo queimadas”, diz o garoto. “Eles eram acorrentados e depois ateavam fogo neles.”

Não há emoção em seu relato. Nem quando ele descreve um outro vídeo: “os homens caminham com as mãos atrás das costas. Depois, eles são golpeados e obrigados a sentar”.

E não pisca quando diz a seguinte frase: “Depois, cortam a cabeça deles”.

Mil casos

Esse é apenas um dos casos nos quais a equipe da Prevent trabalha. Desde 2012, o programa já atendeu mil casos, tanto de crianças da mesma idade de Haaruun quanto de adolescentes e adultos.

A maioria estava relacionada à radicalização islamista, embora no último ano tenham aumentado os casos relacionados ao extremismo de direita.

Na verdade, Haaruun viu aqueles vídeos sobre a brutalidade do “EI” em um site de extrema-direita que tentava desqualificar o Irã, usando o grupo como exemplo. A curiosidade do garoto o levou a continuar acessando outros sites para encontrar mais vídeos.

“Eu aproveitava os fins de semana, quando todos já tinham saído e a casa ficava vazia. Eu sentava na frente na frente do computador da sala para fazer buscas”, lembra.

Mas ele não era o único em sua escola interessado no assunto.

“Havia crianças que brigavam entre si, e alguns diziam: ‘Ah, o Hezbollah é mais forte que o Estado Islâmico’.”

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De acordo Haaruun, muitas crianças de sua classe conhecem o EI porque suas famílias vêm do Oriente Médio.

“Um grupo oito garotos não parava de falar sobre o assunto e pesquisavam sobre isso, inclusive em sala de aula”, diz a criança.

“Certa vez, um dos meus colegas colocou a palavra ‘ISIS’ em um site de busca e começou a ver um vídeo. Eu disse para ele parar e quando o professor veio ver o que estava acontecendo, todos disseram que nada”, conta.

“Eu sabia que assistir aqueles vídeos era errado, mas não era o único que fazia. Não era justo. Com as outras pessoas não aconteceu nada”, diz ele.

Bullying

O que não sabiam seus professores, e acabou descobrindo o especialista que assumiu o caso – é que Haaruun estava sofrendo bullying na escola.

Ela não fala muito sobre isso, embora conte que alguns de seus colegas – muçulmanos ou não – o chamavam de “terrorista”.

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De acordo com especialistas, as piadas aparentemente foram um fator importante que levou ao isolamento de Haaruun e alimentou seu interesse no “Estado islâmico”.

Aos poucos, ele se tornou um especialista no grupo jihadista e foi logo depois disso que ele se levantou em sala de aula e se declarou um simpatizante do EI. Pouco depois, uma mulher chamada Mariam foi a sua casa.

“Minha mãe me disse que alguém tinha vindo me ver. E quando Mariam disse o motivo da visita, eu pensei que eu iria para a cadeia”, relembra.

Mariam, que trabalha para a Prevent e prefere não revelar seu sobrenome, diz que demorou até que ela ganhasse a confiança de Haaruun.

“Tivemos que nos encontrar várias vezes até que ele se abrisse e falasse sobre tudo o que tinha visto”, explica.

Foi um ano de trabalho, durante o qual Haaruun mostrou a Mariam os sites que visitou e, juntos, debateram os vídeos.

A assistente social também o fez criar uma lista de coisas que o faziam feliz, outras de coisas que lhe interessavam e uma última do que o deixava com medo.

Na primeira, a criança escreveu “paz”, “família” e “Islã”. E “guerra” no segundo.

Na lista de coisas que ele temia, escreveu “Estado islâmico”. Mas também “escola”.

E foi este último item que acendeu o alerta sobre um possível caso de bullying.

‘Lavagem cerebral’

A mãe de Haaruun tentou lidar com o problema, mas ele encontrou uma forma de continuar vendo o que ele queria. “Ela não conseguia acompanhar as perguntas que ele fazia”, diz Mariam.

Hoje isso não acontece. A Prevent já terminou o trabalho com Haaruun, e ele diz que aprendeu que não deve “ver as coisas ruins, sites ruins”.

“Mariam me contou quais são repercussões e o impacto disso e que elas não são boas”, explica ele.

“Se você continuar assistindo, vão fazer uma lavagem cerebral em você e convencê-lo a se juntar ao Estado Islâmico, e eles vão terproblemas e você vai parar na cadeia”, diz ele, de maneira direta.

Mas isso poderia realmente acontecer com Haaruun?

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“Não estamos sugerindo que ele se tornaria um terrorista. O que estamos dizendo é que ele estava vulnerável a isso”, afirma Mariam. “Poderia ter acessado um bate-papo e falado com alguém que está lá para radicalizar pessoas.”

“É um jovem vulnerável que está vendo coisas, formando opiniões – mas não podemos prever como isso evoluído sem a intervenção do Prevent”, admite.

“Não estamos dizendo que ele pegaria uma bomba e explodiria alguém. Mas trata-se de minimizar esse risco.”

Haaruun continua sendo a criança curiosa que sempre foi. Mariam e outras pessoas de sua equipe querem mostrar a ele o que chamam de “espaços seguros” para a aprendizagem.

As pessoas em sua escola, em sua família e em outras atividades o ajudam a explorar um mundo mais amplo, mas de uma forma segura.

Ele diz que quer ser advogado ou contador. E, depois de uma pausa, acrescenta com um sorriso tímido: “Ou jornalista”.

 

 

O que é ser mulher ou criança no autoproclamado Estado Islâmico?

Outubro 21, 2015 às 7:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 18 de outubro de 2015.

CHARLES OMMANNEY THE WASHINGTON POST

Kevin Sullivan

O que é ser mulher ou criança no autoproclamado Estado Islâmico? O que se compra e o que falta no território? Como é aplicada a justiça? Três dezenas de pessoas que vivem ou viveram sob o regime extremista dão as respostas.

As carrinhas brancas saem por volta da hora do jantar, carregadas de refeições quentes para os combatentes islâmicos solteiros da cidade de Hit, no Oeste do Iraque. Equipas de mulheres estrangeiras, que deixaram a Europa e vários países do mundo árabe para se juntarem ao Estado Islâmico (EI), trabalham em cozinhas comunitárias para preparar o jantar dos guerrilheiros, entregue nas casas que foram confiscadas a pessoas que fugiram ou foram mortas, diz o ex-presidente da câmara da cidade.

O EI tem atraído dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo, prometendo o paraíso na pátria muçulmana que está a erguer nos territórios conquistados na Síria e no Iraque. Mas, na realidade, os islamistas criaram uma sociedade desigual, onde a vida quotidiana é radicalmente diferente para ocupantes e ocupados, de acordo com entrevistas conduzidas a mais de 30 pessoas que vivem ainda no EI ou fugiram recentemente.

Os combatentes estrangeiros e as suas famílias têm direito a habitação gratuita, serviços médicos, educação religiosa e até a uma espécie de entrega de refeições ao domicílio, de acordo com os entrevistados. Recebem salários pagos com os impostos e taxas que sobrecarregam milhões de pessoas que eles controlam, num território que agora tem o tamanho do Reino Unido.

Aqueles que vivem nas mãos do EI dizem que têm de enfrentar não só a brutalidade dos islamistas — que decapitam os seus inimigos e transformam em escravas sexuais as mulheres que pertencem às minorias — como também uma escassez extrema de vários produtos básicos.

Muitos têm electricidade durante apenas uma ou duas horas por dia e em algumas casas a água canalizada fica vários dias sem aparecer. Há poucos postos de trabalho, por isso uma grande parte não consegue pagar os preços exorbitantes dos alimentos, que em alguns casos mais do que triplicaram. Os cuidados médicos são deficientes, a maioria das escolas está fechada e as restrições às saídas para o mundo exterior são impostas pela força das armas.

Ao longo dos últimos dois anos, os islamista produziram uma torrente de propaganda sofisticada na Internet, que ajudou a convencer pelo menos 20 mil combatentes estrangeiros, muitos com famílias, a vir de locais tão remotos como a Austrália. A campanha, que é sobretudo veiculada pelo YouTube e pelas redes sociais, mostra uma terra de rodas gigantes e algodão doce, onde as populações locais convivem animadamente com estrangeiros fortemente armados.

Mas os entrevistados dizem que as suas vidas no “califado”, onde são governados por homens que impõem uma versão extremista da sharia (a lei islâmica), estão a transbordar de medo e escassez. “Regressámos à Idade da Pedra”, diz Mohammad Ahmed, de 43 anos, antigo funcionário da Liga Árabe de Deir al-Zour, uma cidade perto de Raqqa, a autoproclamada capital dos islamistas, no Norte da Síria. “Antes tínhamos uma casa linda, com chão em mármore e azulejos”, diz Ahmed, que fugiu da sua terra em Junho e que agora vive com outros 20 mil sírios no campo de refugiados de Azraq, na Jordânia. “Durante toda a nossa vida tivemos tudo o que precisávamos. Depois, quando eles chegaram, passámos a cozinhar numa fogueira na rua e a lavar as nossas roupas em baldes.”

Várias das pessoas ouvidas afirmam que na verdade o Estado Islâmico é menos corrupto e oferece serviços públicos mais eficazes, como a construção de estradas e recolha de lixo, do que os anteriores governos sírio e iraquiano. No Iraque, dizem alguns, os militantes sunitas tratam-nos melhor do que o Governo central de Bagdad, dominado por xiitas. Mas nenhuma das testemunhas afirma tolerar os islamistas e todos concordam que uma governação mais eficiente não ajuda a desculpar o comportamento fanático e brutal do EI.

“Nós odiamo-los”, diz Hikmat al-Gaoud, o antigo autarca de Hit, de 41 anos. Fugiu em Abril e agora divide o seu tempo entre Bagdad e Amã, na Jordânia.

O Estado Islâmico conquistou poder na sequência dos combates na Síria e no Iraque que já tinham deixado de rastos muitas das instituições públicas. Mas as pessoas entrevistadas afirmam que o EI apenas piorou a situação, de formas que poderão ser sentidas durante as próximas décadas — fazendo regredir os progressos alcançados no ensino público, arruinando a infra-estrutura médica, criando um sistema judicial que assenta no terror e expondo toda uma geração de crianças a uma violência, física e psicológica, devastadora e grotesca.

Para as mulheres, viver no EI significa frequentemente serem sujeitas a uma linha de montagem que serve para garantir noivas aos combatentes, ou às vezes serem sequestradas e levadas para casamentos forçados.

Muitos dos entrevistados apenas quiseram dar o primeiro nome ou recusaram-se a ser identificados fosse de que forma fosse, para proteger a sua segurança e a das suas famílias que ainda vivem em território controlado pelo EI. Foram entrevistados por Skype ou telefone, a partir da Síria e do Iraque, ou pessoalmente, no Iraque, Turquia e Jordânia.

Aqueles que falaram a partir de áreas nas mãos dos islamistas fizeram-no correndo grande perigo, afirmando que estes controlam rigidamente o acesso à Internet. Concordaram em falar para poder contar a sua história sobre a vida dentro do “califado” do Estado Islâmico.

Quase todos os entrevistados dizem ter testemunhado uma decapitação ou outro castigo igualmente selvagem. É praticamente impossível confirmar estes testemunhos, tal como é impossível verificar as afirmações feitas através do material de propaganda que é editado pelo EI. Os militantes raramente permitem a jornalistas ou outros observadores independentes entrar no seu território e já divulgaram vídeos de decapitações de vários capturados.

As entrevistas, conduzidas ao longo de vários meses, foram combinadas bastante ao acaso ou através de contactos mantidos há tempo na região. Apesar de vários activistas terem sido ouvidos, o Washington Post não quis depender deles para estabelecer outros contactos. No campo de Azraq, os jornalistas analisaram os registos de chegadas e procuraram aqueles que tinham partido recentemente das áreas controladas pelo EI. Muitas das conversas duraram duas horas ou mais.

Os militantes controlam pequenas comunidades rurais, mas também grandes zonas urbanas, incluindo Mossul, uma cidade iraquiana com mais de um milhão de pessoas. As suas políticas diferem de região para região, por isso não há um estilo de vida único e uniformizado; mas nas entrevistas houve temas que apareceram consistentemente: mulheres, saúde, educação, justiça e economia. (…)

“A vida no Daesh é um pesadelo todos os dias”, diz uma antiga professora de Matemática que vive em Mossul, usando o nome árabe do Estado Islâmico. “Temos um futuro incerto”, afirma, pedindo para não ser identificada. “Talvez o Daesh nos mate, ou talvez morramos na guerra, ou talvez depois. Aquilo por que estamos a passar agora é uma morte lenta.”

Os islamistas criaram checkpoints para impedir as pessoas de sair. Mas, segundo os entrevistados, há cada vez mais redes de tráfico para ajudar quem decide fugir e estes estão a entrar em cada vez maior número na Jordânia, Turquia, Líbano e nas áreas do Iraque que não estão sob controlo do EI. Responsáveis da ONU afirmam que 60% dos refugiados que atravessaram recentemente a fronteira entre a Síria e a Jordânia fugiam das áreas controladas pelos islamistas.

A propaganda apresenta-os como libertadores; num vídeo recente apareciam, armados, a distribuir doces num lar da terceira idade. Mas, segundo as testemunhas, a maior parte da população vê-os como uma força ocupante impiedosa e tenta manter-se à distância o mais possível. “Mesmo que nos cruzemos na rua ou em lojas, não há convívio”, relata um activista que se identifica como Abu Ibrahim al-Raqqawi, natural de Raqqa, e que gere um site chamado Raqqa Is Being Slaughtered Silently. As pessoas de Raqqa, diz, “sentem-se estrangeiras na sua própria cidade”.

O EI tem tido algum êxito no recrutamento da população local. As pessoas ouvidas dizem que muitos dos seus amigos e vizinhos na Síria e no Iraque escolheram juntar-se aos islamistas, tornar-se combatentes, professores ou funcionários dos seus gabinetes governamentais. Alguns fazem-no porque acreditam no seu objectivo de unir o mundo sob a sua interpretação radical da lei islâmica. Mas a maioria é por desespero. Em locais onde o preço da comida disparou e muitas pessoas vivem com pouco mais que pão e arroz, alguns homens concluíram que tornarem-se guerrilheiros do EI é a única forma de sustentar a família.

“Não há trabalho, por isso temos de nos juntar a eles se queremos sobreviver”, diz Yassin al-Jassem, de 52 anos, que fugiu de sua casa em Raqqa em Junho. “Tantos habitantes locais se juntaram a eles. A fome empurrou-os para o Daesh.”

Peter Neumann, director do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização da Violência Política do King’s College, em Londres, afirma que embora os combatentes estrangeiros tenham dado um fôlego ao EI, “a longo prazo, acabarão por se tornar um fardo”. O investigador recorda que as tribos locais revoltaram-se contra a Al-Qaeda no Iraque em meados dos anos 2000 em parte porque viam o grupo como uma organização estrangeira. É da opinião que as pessoas que estão agora sob o controlo do EI poderão fazer o mesmo — sobretudo no Iraque.

No entanto, os entrevistados afirmam que o ISIS não poupa esforços no que se refere à supressão de potenciais levantamentos, matando qualquer um que suspeite de deslealdade.

Faten Humayda, uma avó de 70 anos que deixou a sua terra perto de Raqqa em Maio e que agora vive no campo de Azraq, é da opinião de que a violência faz aumentar o ódio das populações em relação aos islamistas, mas também cria desconfiança entre os locais. E é mais difícil a qualquer movimento de resistência formar-se quando as pessoas pensam que os amigos e vizinhos podem ser informadores. “Eles põem-nos uns contra os outros”, afirma Humayda.

Ahmed, que também abandonou a sua terra nas proximidades de Raqqa, em Junho, adianta que alguns dos combatentes árabes tentam misturar-se com a população local, mas que os europeus e os não árabes nunca o fizeram. E apesar de o EI proclamar que o seu objectivo é proporcionar uma vida melhor aos muçulmanos, parece estar sobretudo concentrado nos combates com os outros grupos rebeldes e as forças do Governo. “Eles foram sempre muito agressivos e parecem zangados”, diz. “Estão ali para lutar, não para governar.”

ler a reportagem completa no link:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-vida-no-estado-islamico-1711251#

 

 

 

 

 

 

 

 

L’ONU dénonce les exactions de l’Etat islamique envers les enfants en Irak

Fevereiro 14, 2015 às 4:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.lemonde.fr  de 5 de fevereiro de 2015.

AFP  Sabah Arar

Des enfants irakiens sans abri sur un terrain vague à Bagdad AFP SABAH ARAR

Les conclusions d’un rapport rendu public mercredi 4 février par le Comité des droits de l’enfant (CRC) des Nations unies sont alarmantes concernant la situation des enfants en Irak, notamment dans les zones contrôlées par l’Etat islamique (EI). L’organisme onusien dénonce le recrutement par des « groupes armés », en particulier par l’EI, d’« un grand nombre d’enfants » pour en faire des combattants, des kamikazes et des boucliers humains, ainsi que les sévices sexuels et les autres tortures qui leur sont infligés.

« Des enfants [sont] utilisés comme kamikazes, y compris des enfants handicapés ou ceux qui ont été vendus à des groupes armés par leurs familles », soulignent les auteurs du rapport. Ils expliquent aussi comment certains mineurs ont été transformés en « boucliers humains » pour protéger des installations de l’EI des frappes aériennes, forcés à travailler à des postes de contrôle ou employés à la fabrication de bombes pour les djihadistes. Le comité a exhorté Bagdad à explicitement criminaliser le recrutement d’une personne de moins de 18 ans dans les conflits armés.

DÉCAPITATIONS, CRUCIFIXIONS

Le CRC a en outre dénoncé les nombreux cas d’enfants, notamment appartenant à des minorités religieuses ou ethniques, auxquels l’EI a fait subir des violences sexuelles et d’autres tortures ou qu’il a purement et simplement assassinés. Il relate plusieurs cas d’exécutions de masse de garçons, ainsi que des décapitations, des crucifixions et des ensevelissements d’enfants vivants.

Bien que le gouvernement irakien soit tenu pour responsable de la protection de ses administrés, Mme Winter a reconnu qu’il était actuellement difficile de poursuivre les membres des « groupes armés non étatiques » pour de tels actes. Selon elle, le gouvernement devrait s’efforcer de faire tout son possible pour protéger les enfants dans les zones qu’il contrôle et pour les extraire des lieux contrôlés par l’EI.

PAS ATTRIBUÉS QU’AUX DJIHADISTES

Le comité a toutefois souligné que certaines violations des droits des enfants ne pouvaient être attribuées aux seuls djihadistes. De précédents rapports relevaient ainsi que des mineurs étaient obligés d’être de faction à des postes de contrôle tenus par les forces gouvernementales ou que des enfants étaient emprisonnés dans des conditions difficiles à la suite d’accusations de terrorisme, et dénonçaient également des mariages forcés de fillettes de 11 ans.

Une loi permettant aux violeurs d’éviter toute poursuite judiciaire à condition de se marier avec leurs victimes s’est particulièrement attirée les foudres du CRC, qui a rejeté l’argument des autorités de Bagdad selon lesquelles c’était « le seul moyen de protéger la victime des représailles de sa famille ».

 

 

Crianças de guerra

Janeiro 9, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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artigo do Expresso de 2 de janeiro de 2015.

O relatório citado no artigo é o seguinte:

Rule of Terror: Living under ISIS in Syria

Instrução religiosa e militar, lavagem ao cérebro, a escolha entre morrer no campo de batalha ou como bombista suicida. É o destino de muitos menores na Síria e no Iraque.

Luís M. Faria

Os relatos já são bastantes, em publicações que vão desde sites como o warincontext.org ao “New York Times”. O Estado Islâmico (EI) ensina crianças a decapitar, utilizando métodos diferentes conforme a idade do aluno. Se for muito novo (digamos, 10, 11 anos), a instrução é feita primeiro com vídeos onde se veem exemplos reais e a seguir a criança replica o procedimento num boneco. Quando o aluno tem mais de 16 anos também há vídeos, mas a prova final, em princípio, é efetuada em condições realistas – por exemplo, envolvendo soldados sírios ou iraquianos que tenham sido capturados pelo EI.

No conflito sírio, como noutros pelo mundo fora, há mais que um grupo a usar crianças, mas o Estado Islâmico levou essa prática a níveis inéditos. Para os líderes do movimento, é perfeitamente islâmico sacrificar a vida de meninos. Nos territórios que controla, o EI rapta crianças em grande número para doutrinar. Também acontece os pais entregarem-nas, por dinheiro ou por a escola islâmica ser a única que resta no local. Ao estudo da sharia, a lei islâmica, que pode levar semanas, segue-se o treino militar. As crianças podem tornar-se soldados, bombistas suicidas – conseguem entrar onde mais ninguém entra -, ou envolver-se nalguma atividade de apoio, como dar sangue a outros combatentes. Algumas são enviadas para a frente com este último objetivo.

Mesmo longe dos combates, a brutalização é constante. Em outubro, um relatório da ONU resumiu a situação nas zonas sírias controladas pelo EI: “As crianças têm sido vítimas, perpetradores e testemunhas de execuções pelo ISIS. Meninos com idade inferior a 18 foram executados – decapitados ou abatidos a tiro – por alegada filiação noutros grupos armados. Combatentes do ISIS com menos de 18 anos de idade terão desempenhado o papel de carrasco. Um soldado de 16 anos de idade, supostamente, cortou as gargantas de dois soldados capturados na base aérea de Tabqa em finais de agosto de 2014, em Slouk (Ar-Raqqah). As crianças encontram-se muitas vezes presentes na multidão durante as execuções e não podem escapar à visão dos cadáveres exibidos publicamente ao longo dos dias seguintes”.

“Um pai de Dayr Az-Zawr afirmou que a primeira vez que viu o corpo de um homem pendurado numa cruz em Al-Mayadin, no final de julho de 2014, ficou vários minutos paralisado pelo horror da cena, antes de perceber que o seu filho de sete anos estava com ele, também a olhar para o corpo”, continua o relatório. “Nessa noite, o seu filho não conseguiu dormir e acordou repetidamente em pânico. O pai descreveu que sentia uma culpa imensa por ter exposto o seu filho a uma tal crueldade”.

A fuga

Alguns casos recentes de jovens que conseguiram fugir deitaram luz na situação dos membros mais jovens do Estado Islâmico. Uma das histórias mais impressionantes é a de Usaid Barho, um adolescente sírio de Manjib, próximo de Aleppo. Usaid aderiu ao EI por uma variedade de razões: disseram-lhe numa mesquita que todos os xiitas eram infiéis e que era preciso matá-los – depressa, antes que aparecessem onde morava para lhe violarem a mãe. Os estímulos incluíram a própria fé no Islão, o entusiasmo da cruzada, o espírito de grupo, a perspetiva de escapar ao aborrecimento.

Usaid foi e iniciou o seu treino. Mas diz que se apercebeu do contraste entre a ideologia radical do grupo e a prática dos seus membros, concretamente os homens, vários dos quais fumavam ou até faziam sexo uns com os outros. A matança constante de inocentes também o repugnava. Desiludido, Usaid começou a pensar em sair, ciente de que essa decisão, se alguma vez a exprimisse, podia levar à sua execução imediata pelo EI. Resolveu ser astuto. Após um mês de instrução militar, quando lhe deram a opção entre ser combatente ou bombista suicida, escolheu bombista. Garante que o fez porque isso tornava muito mais fácil a fuga. Se optasse por ser soldado e desertasse no campo de batalha, matavam-no logo. Como bombista, as possibilidades eram maiores.

Cumpridas as preparações que faltavam, chegou o dia marcado para o seu sacrifício, que devia ter lugar no Iraque. Vestiram-lhe o colete e levaram-no à mesquita xiita onde Usaid devia cumprir a sua missão. Mas quando chegou à porta, abriu o casaco e disse: “Tenho um colete suicida, mas não me quero fazer explodir”. Alarme, confusão, gritos. Um guarda tirou-lhe o colete e ele foi levado para a cadeia. Interrogado, as autoridades parecem não ter ficado totalmente convencidas com a sua versão, a julgar pelo facto de o terem mostrado algemado na televisão e lhe terem chamado terrorista. Mas o porta-voz do Ministério do Interior chama-lhe “vítima do Estado Islâmico” e o agente que o interrogou diz que o apoiará se ele chegar a ser julgado.

Habituar crianças à violência extrema

Outras histórias sobre o recrutamento de crianças foram publicadas recentemente no Wall Street Journal, um diário americano. O artigo abre com uma cena em que crianças assistem à decapitação de soldados sírios. Algumas chegam mesmo a participar. O relato de um dos entrevistados, com 17 anos, sugere que esse tipo de evento é habitual. Num vídeo do Estado Islâmico, aparecem oito crianças a insultar um cadáver. O entrevistado conta que antes as crianças de sete anos eram obrigadas a ir à escola; agora têm de lutar. Pela sua parte, a luta começou em 2011, nas fileiras do Exército Livre da Síria. Continuou na frente Nusra, parte da Al-Qaeda, e acabou no Estado Islâmico, conforme cada um desses grupos foi controlando a cidade de Deir Ezzour. (O jovem de 17 anos acabou por deixar o EI, mas o seu irmão mais novo, com dez anos, a quem ele levou para lá, mantém-se um recruta empenhado).

O relatório da ONU diz que “a educação é usada como uma ferramenta de doutrinação, concebida para alimentar uma nova geração de apoiantes. Em muitas zonas, o currículo escolar foi alterado para refletir as prioridades ideológicas e o treino de armas. Campos de treino foram estabelecidos ao longo das áreas que o EI controla”. Dá o exemplo de um campo onde 350 rapazes com idades entre 5 e 16 anos recebem instrução militar e acrescenta: “O grupo armado também dirige deliberadamente propaganda a crianças. Na cidade de Raqah, reúnem as crianças para exibições de vídeos que retratam execuções em massa de soldados governamentais, dessensibilizando-os à violência extrema”.

“Ao usar, recrutar à força e alistar crianças para funções ativas de combate, o grupo comete abusos e crimes de guerra em grande escala, de uma forma sistemática e organizada”, conclui o relatório.

Estado Islâmico impede 670 mil crianças de irem à escola na Síria

Janeiro 8, 2015 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 6 de janeiro de 2015.

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A UNICEF denunciou esta terça-feira que o fecho das escolas forçado pelo auto proclamado Estado Islâmico em muitas cidades da Síria, deixa 670 mil crianças sem acesso à educação todos os dias.

Catarina Falcão

Em dezembro, o grupo terrorista e auto proclamado Estado Islâmico, que domina vastas áreas de território entre a Síria e o Iraque, mandou encerrar todas as escolas sob o seu domínio, privando assim diariamente 670 mil crianças de terem acesso à educação, declarou a UNICEF esta terça-feira. O conflito militar e a devastação de infraestruturas na Síria, faz com que mais de dois milhões de crianças não frequentem diariamente a escola.

Desde novembro que o Estado Islâmico está a rever os programas ensinados às crianças no leste da Síria para integrar regras e conhecimentos religiosos no currículo educativo, no entanto, a revisão levou ao encerramento das escolas, medida que em dezembro, os terroristas decidiram estender a todos os territórios que controlam. Esta medida, segundo a UNICEF anunciou esta terça-feira em Genebra levou a que 670 mil crianças deixassem de ter acesso à escola, disse o porta-voz da organização, Christophe Boulierac, numa conferência de imprensa.

A UNICEF estima ainda que tenham morrido 160 crianças em ataques a escolas e 343 tenham ficado feridas enquanto estavam nas aulas — os números são apenas indicativos, já que, segundo Boulierac, os dados corretos são difíceis de obter. “Para além da falta de acesso à escola, os ataques às escolas ainda abertas, lembram de forma horrífica tanto alunos como professores, do preço que as crianças têm vindo a pagar no conflito na Síria, que está prestes a entrar no quinto ano consecutivo”, afirmou Boulierac.

Há mais de 4 milhões de crianças inscritas no ensino primário e secundário na Síria, mas atualmente, apenas metade dessas crianças vai à escola de forma regular.

 

 

 

Estado Islâmico treina crianças para atentados suicidas, diz testemunha

Setembro 26, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 25 de setembro de 2014.

DR

A informação surge na edição “online” do jornal inglês “The Telegraph” e parte de um residente da cidade de Raqqa

O Estado Islâmico opera campos de treino especiais para crianças e jovens com menos de 16 anos, onde lhes ensina a manusear armas, a matar e a torturar presos e a fazer atentados suicidas.

A informação surge na edição “online” do jornal inglês “The Telegraph” e parte de um residente da cidade de Raqqa, um activista que se identifica como Ibrahim al-Raqqawi e que é apoiante da oposição ao regime, mas opositor ao Estado Islâmico.

Raqqawi diz que se calcula que há cerca de 200 a 300 crianças no campo, que se apresenta como se fosse “uma espécie de associação de escuteiros”.

Alguns dos membros do campo são filhos de combatentes estrangeiros que viajaram para a Síria com as suas famílias, mas nalguns casos as crianças são levadas sem o consentimento dos pais, noutros é dito aos pais que os jovens apenas vão aprender sobre o Islão e ler o Alcorão.

Mas a realidade do que se passa no campo é bem diferente, insiste Raqqawi. Além de aprenderem a manusear material de guerra e instruídos segundo a doutrina extremista do grupo, as crianças recebem uma prova final antes de se “formarem”, sendo obrigadas a torturar ou a matar um preso do Estado Islâmico.

O testemunho de Al-Raqqawi não pode ser confirmada no terreno, uma vez que a cidade de Raqqa está nas mãos do Estado Islâmico, mas é sustentado por fotografias e vídeos, alguns postados por militantes do EI, de crianças com armas e em exercícios militares.

A notícia surge dias depois de os Estados Unidos e aliados árabes terem começado a atacar o Estado Islâmico com raides aéreos em Raqqa e noutros pontos. Na madrugada desta quinta-feira, pelo menos 14 militantes foram mortos em mais um bombardeamento, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

 

 

 

 


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