E se lhe disserem que os recreios mais amigos da criança são aqueles menos protegidos?

Abril 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagens da Visão 21 de fevereiro de 2019.

Soa a provocação, mas acumulam-se as evidências científicas a favor desta tese.

Os pediatras e outros especialistas da infância falam dos riscos dos pais-helicóptero; os arquitetos paisagistas apontam os perigos dos recreios pouco desafiadores e, por incrível que possa parecer, não só há uma ligação direta entre as duas ideias como nada disto augura algo de bom para os mais novos.

A tese de que falamos, e que anda a correr mundo num vídeo agora divulgado pela Vox, subscreve que a forma como os atuais espaços infantis são desenhados não deixa os mais novos correr riscos. E que os efeitos disso são miúdos menos ativos, menos criativos e com menos autoestima. Além disso, não aprendem a proteger-se.

“Os recreios deviam ser espaços desafiantes para as crianças” e “isso só se consegue quando as brincadeiras não são algo organizado” nem sequer são ideias assim tão recentes. Afinal, foi basicamente disso que se ocupou Marjory Allen, conhecida defensora dos direitos e do bem-estar das crianças, num trabalho em muito alimentado pelas suas recordações de infância, cheias de momentos de grande liberdade.

Nascida no final do século XIX, em Kent, zona a sul de Londres conhecida pela sua beleza exuberante, Marjory haveria de estudar horticultura, tornando-se arquiteta paisagista. Durante a Segunda Guerra, acabaria por se envolver com as crianças deslocadas e órfãs, colaborando com várias instituições. Foi por essa altura que conheceu um espaço em Copenhaga, na Dinamarca, que inspiraria para sempre o seu pensamento.

Era um recreio fora do comum, já que ali as crianças brincavam com peças soltas, como paus, pedras, caixas e cordas. Chamavam-lhe os recreios do lixo, mas a verdade é que permitia aos mais novos criar e construir o que a imaginação lhes ditasse.

“Fiquei completamente empolgada com a minha visita àquele parque. Estava a olhar para algo completamente novo e cheio de possibilidades”, haveria de escrever a arquiteta inglesa, descrevendo que as crianças não só cavavam como construíam casas, mexendo na areia e na água, enfim, no que encontravam…

Isso foi o que, de volta a casa, a levou a criar a campanha “recreios de aventura”, nos locais que tinham sido bombardeados pela guerra. E, pelo caminho, alinhavou um manifesto em nome dos miúdos que viviam em apartamentos tão altos que não tinham onde brincar.

Avanço ou retrocesso?

Cinquenta anos depois, os avisos de pediatras e outros especialistas em desenvolvimento motor vão muito ao encontro às suas preocupações – e insistem que está na hora de decidir se os parques infantis, como existem hoje, devem responder às preocupações dos adultos ou aos desejos das crianças.

Os efeitos de ter pais demasiado controladores há algum tempo que foram sinalizados: dificuldades em controlar emoções e impulsos na pré-adolescência e ainda mais problemas na escola. “Temos pais com muita informação, mas pouca sabedoria”, apontava também há tempos, à VISÃO o conhecido pediatra Mário Cordeiro. Carlos Neto, investigador da Faculdade de Motricidade Humana, há muito que fala de estarmos a criar uma sociedade de cativeiro, dando asas ao apelo “deixem-nos andar ao ar livre”. E mexer na terra, subir às árvores, chapinhar nas poças, sublinhando que a brincar na rua também se ganha imunidade, destreza física e respeito pelo ambiente.

Ou como também já disse, várias vezes, José Morgado, professor do departamento de psicologia da educação do ISPA, “educar é ajudar alguém a tomar conta de si próprio e isso aprende-se fazendo. Se as crianças nunca fazem….” Ou como também gostava muito de dizer a arquiteta paisagista britânica, num tom provocador q.b., “é melhor ter um miúdo com uma perna partida do que com um espírito débil e submisso.”

E tudo isto se aplica também aos nossos parques infantis, como salientou há par de anos um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) “O jardim-escola já não é jardim e os recreios foram transformados em pátios inertes e asséticos, qual presídio”, sublinhava Frederico Meireles, professor de arquitetura paisagista na UTAD.

O pior? “Os ambientes de brincadeira e de estudo estão mais próximos e contidos do que nunca e isso faz com que a variedade de estímulos no ambiente natural esteja a ser substituída por outros, de natureza digital”, remata o professor da UTAD.

Como quem diz: Ai não querem os miúdos agarrados ao telemóvel? Então, deixem-nos andar ao ar livre à vontade!

 

 

As crianças nas nossas cidades estão a ser roubadas de lugares seguros para brincar

Janeiro 19, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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artigo do  http://www.theguardian.com  de 6 de janeiro de 2014.

Andrzej Krause

Children in our towns and cities are being robbed of safe spaces to play

We’re plagued by joyless developments that destroy the essence of community: chances for young people to gather and play

George Monbiot

Where do the children play? Where can they run around unsupervised? On most of the housing estates I visit, the answer is hardly anywhere.

A community not built around children is no community at all. A place that functions socially is one in which they are drawn to play outdoors.

As Jay Griffiths argues in her heartrending book Kith, children fill the “unoccupied territories”, the spaces not controlled by tidy-minded adults, “the commons of mud, moss, roots and grass”. But such places are being purged from the land and their lives.

“Today’s children are enclosed in school and home, enclosed in cars to shuttle between them, enclosed by fear, by surveillance and poverty and enclosed in rigid schedules of time.” Since the 1970s the area in which children roam without adults has decreased by almost 90%. “Childhood is losing its commons.”

Given all that we know about the physical and psychological impacts of this confinement, you would expect the authorities to ensure that the remaining 10% of their diminished range is designed to draw children out of their homes. Yet almost everywhere they are designed out. Housing estates are built on the playing fields and rough patches children used to inhabit, and offer almost nothing in return.

In the government’s masterplan for England, the national planning policy framework, children are mentioned only twice: in a catalogue of housing types. In parliament’s review of these plans, they aren’t mentioned at all. Young people, around whom our lives should revolve, have been airbrushed from the planning system.

I spent Monday wandering around the new and newish housing developments on the east side of Northampton. I chose this area because the estates here are spacious and mostly built for families: in other words, there is no possible excuse for excluding young people.

In the places built 10 or 20 years ago, there is plenty of shared space, but almost all of it is allocated to cars. (You can see the photos on my website.) Grass is confined to the roundabouts or to coffin-like gardens, in which you can’t turn a cartwheel without hitting the fence. I came across one exception – a street with wide grass verges. But they sloped towards the road: dangerous and useless, a perfect waste of space.

This land of missed opportunities, designed by people without a spark of joy in their hearts, reifies the idea that there is no such thing as society. Had you set out to ensure that children were neither seen nor heard, you could not have done a better job. On the last day of the holidays, which was warm and dry, across four estates I saw only one child.

By comparison, the Cherry Orchard estate just completed by Bellway Homes is a children’s paradise. But only by comparison. Next to the primary school, with plenty of three- and four-bedroom houses, it is designed to appeal to young families. But in the middle of the development, where a village green might have been, there’s a strange grassy sump, surrounded by a low fence. It’s an empty balancing pond, to catch water during exceptional floods. Remove the fence, plant it with trees, throw in some rocks and logs, and you’d have a rough and mossy playground. But no such thing was in the plans.

Other shared spaces on the estate have the charming ambience of a prison yard: paved and surrounded by garden fences almost nine feet high. There were a few children outdoors but they seemed pressed to the edges, sitting in doorways or leaning on fences. Children don’t buy houses, so who cares?

Throughout the country, they become prisoners of bad design, and so do adults. Without safe and engaging places in which they can come together, no tribe forms. So parents must play the games that children would otherwise play among themselves, and everyone is bored to tears.

The exclusion of children arises from the same pathology that denies us decent housing. In the name of market freedom, the volume housebuilders, sitting on their land banks, are free to preside over speculative chaos, while we are free to buy dog kennels priced like palaces in placeless estates so badly designed that community is dead on arrival. Many want to design and build their own homes, but almost no plots are available, as the big builders have seized them.

In Scotland the government is considering compulsory sale orders, which would pull down prices – essential when the speculative price of land has risen from 2% of the cost of a home in the 1930s to 70% today. A national housing land corporation would assemble the sites and supply the infrastructure, then sell plots to community groups, housing associations and people who want to build their own.

It goes far beyond England’s feeble community right-to-build measures, which lack the muscular facilitation that only public authorities can provide. But it’s still not far enough.

What if people were entitled to buy an option for a plot on a new estate, which they would then help to plan? Not just the houses, but the entire estate would be built for and by those who would live there. The council or land corporation would specify the number and type of homes, then the future residents – including people on the social housing waiting list – would design the layout. Their children would help to create the public spaces. Communities would start to form even before people moved in, and the estates would doubtless look nothing like those built today.

To the Westminster government, this probably sounds like communism. But as countries elsewhere in Europe have found, we don’t need volume house builders, except to construct high-rises. They do not assist the provision of decent, affordable homes. They impede it. What is good for them is bad for us.

Bellway, its brochure reveals, asked children at the neighbouring primary school to paint a picture of a cherry orchard, and displayed the winning entries in its show home. “Why not pop over to say hello, view our wonderful development and sneak a peek?”, it asks. That’s the role the children were given: helping the company to sell the houses it had already built.

Why can’t we shape the places that shape our lives?

 

 

 

 

Tertúlia sobre “Os Espaços de vida das crianças e dos jovens : a casa”

Setembro 29, 2014 às 1:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tertúlia Os Espaços de Vida das Crianças e dos Jovens : O Direito ao Pensamento

Maio 20, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tertúlia Os Espaços de Vida das Crianças e dos Jovens : Os Lugares de Risco

Abril 30, 2014 às 9:09 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tertúlia Os Espaços de Vida das Crianças e dos Jovens : Os Lugares de Risco

Abril 28, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 30 de Abril o Fórum Sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens volta a reunir-se, em forma de tertúlia, para reflectir sobre os Os Lugares de Risco , pelas 18h, no Teatro Rápido (Rua Serpa Pinto, 14, Chiado).

Existem ou não formas de formar as nossas crianças e os nossos jovens para o risco? O risco faz parte das nossas vidas, mas há comportamentos que podem potenciar situações perigosas para os mais novos, colocando em risco a sua integridade física.

https://www.facebook.com/ForumDireitosCriancas

Tertúlia sobre Os Espaços de Vida das Crianças e dos Jovens : A Cidade

Janeiro 23, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tendo em conta o número limitado de lugares, solicita-se confirmação para forumdireitoscriancas@gmail.com

Brincadeiras: dos campos para o corrupio institucional

Agosto 22, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do portal Educare de 3 de Agosto de 2011.

Sara R. Oliveira

Tese de doutoramento percorre quatro gerações para mostrar que a vida lúdica dos mais novos mudou substancialmente. O investigador Alberto Nídio fala numa espécie de regresso às cavernas: os miúdos fecham-se cada vez mais num refúgio cheio de tecnologia que mostra o mundo num ecrã. A escola a tempo inteiro também entra nesta história. Que trajetos temporais se revelam nas práticas sociais de uso de jogos, brinquedos e brincadeiras conhecidas a partir dos testemunhos de várias gerações de atores? Esta é a pergunta de partida da tese de doutoramento de Alberto Nídio Silva, investigador do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho. Durante quatro anos, percorreu memórias, recolheu testemunhos de quatro gerações vivas, percebeu que as brincadeiras mudaram com a rapidez da sociedade. E tirou conclusões. Os brinquedos artesanais, as correrias em campos e montes, as aventuras com os vizinhos na rua, foram desaparecendo do mapa das brincadeiras. Os brinquedos industriais preenchem agora as prateleiras dos centros de consumo, os quartos das crianças encheram-se de tecnologia, as respostas institucionais roubam tempo às famílias. O que mudou? Muita coisa.
Alberto Nídio ouviu atentamente dez famílias do meio urbano de uma pequena vila do interior e do meio rural intermédio, num total de 100 entrevistados, dos 5 aos 100 anos, e recorreu a registos fotográficos da Fototeca do Museu Nogueira da Silva e do Museu da Imagem, em Braga, para deixar o contraste vir ao de cima. O contraste do “lastro urbano que hoje engoliu espaços brincantes de antanho”. Jogos, Brinquedos e Brincadeiras – Trajetos Intergeracionais é o nome da sua tese de doutoramento apresentada na Universidade do Minho.

A vida lúdica das crianças mudou e sociedade foi virada do avesso. As mães já não ficam em casa a tomar conta dos filhos, à espera do regresso da escola. As ruas já não são palco de brincadeiras, os brinquedos já não são guardados com tanto cuidado, as escolas e as instituições privadas e públicas existem para dar respostas aos tempos que os pais passam fechados no trabalho. Obrigatoriamente, o circuito teve de mudar.

“O tempo de acesso quase ilimitado das crianças ao espaço público urbano e à Natureza no estado selvagem, pelos campos e montes, privados ou maninhos, embora não subjugado a nenhum formato em particular, fez-se predominantemente em grupo, por muito tempo constituído pela fratria, até há duas gerações atrás muitas vezes numerosa, os vizinhos porta com porta, do bairro ou da rua na cidade, e no sítio, lugarejo ou lugar na aldeia, e os demais colegas de escola, catequese, escutismo e doutros locais onde formalmente as crianças privavam, que se encontravam de forma espontânea ou entre elas convencionada para por aí informalmente viverem as suas aventuras lúdicas”, lembra o investigador no seu trabalho.

O tempo informal para brincar diluiu-se. As novas tecnologias tomaram de assalto uma sociedade ávida por respostas rápidas. E o site acabou por substituir o sítio. “A impossibilidade de ter as crianças por casa durante as longas jornadas de trabalho dos pais, o medo de as ter fora de casa à mão de uma sociedade que se tornou delas madrasta e o assalto que foi, por todos os lados, feito ao espaço público, cada vez menos lugar antropológico e mais passagem apressada de pessoas que parecem fugir umas das outras são, com toda a certeza, razões incontornáveis para explicar o estado do problema quando de brincadeira livre e espontânea das crianças, outdoor, falamos”, sublinha o investigador ao EDUCARE.PT.

“Engavetaram-se as crianças”
Alberto Nídio fala num regresso às cavernas. As ruas, os campos, os montes e os rios deixarem de ser locais de encontro nas horas das brincadeiras. Os quartos tornaram-se cavernas, num “refúgio de luxo conetado com todo o mundo”. E assim as crianças perdem o apetite para saírem de casa e se encontrarem com os amigos, com os vizinhos. “Afastadas de padrões de socialização poderosos, como os são os que subjazem ao mundo da brincadeira livre e espontânea e do convívio e aprendizagens interpares na gandaia da vida, é com esse novo estilo que vão chegar à sua adultez, pouco ajeitadas com as virtualidades da partilha, do convívio, do conhecimento do lugar do outro, da solidariedade, da compreensão da diferença, da resiliência e das mais variadas formas de sociabilidade de que é feito o quotidiano dos indivíduos”, sustenta. Dessa forma, na opinião do investigador, os padrões de socialização ficam mais empobrecidos.

As políticas públicas têm descurado o ato de brincar no processo de socialização? A resposta é afirmativa e o panorama é descrito como “preocupante”. Os espaços residenciais engoliram muitos solos outrora ocupados por brincadeiras. E a escola também não escapa à análise do trabalho. “Engavetaram-se as crianças em instituições de toda a espécie, com a escolar a tomar paulatinamente conta da maior fatia, sem cuidar de saber como o devia fazer sem ferir gravemente a especificidade da vida das crianças que até si vão e que, certamente, não passa apenas por cargas sucessivas de atividades curriculares, formatadas e comandadas por adultos que nem as deixam respirar.”

A escola a tempo inteiro é apresentada como uma lufa-lufa. O monitor do ATL recebe as crianças ainda antes das oito da manhã, às nove chega o professor da turma que ensina os mais novos até às quatro da tarde, com intervalo para almoço, depois chega o docente das Atividades de Enriquecimento Curricular, ao final da tarde o monitor do ATL volta a tomar conta dos mais novos que continuam o trabalho da escola até às sete da tarde. É hora de ir para casa, continuar o trabalho da escola, tomar banho, jantar, dormir. A rotina repete-se no dia seguinte. Alberto Nídio refere que, “de certo modo, a vida destas crianças infernizou-se e está seriamente amputada de uma vivência quotidiana com a dimensão do mundo encantado da brincadeira e das mil e uma confabulações que nele e dele cada uma delas, de per si ou em conjunto, ardilosamente erguia a cada instante de uma forma, quantas vezes, admiravelmente espontânea”.

Por isso, o investigador escreve que a escola a tempo inteiro, no formato que tem funcionado na maior parte dos sítios, “é a maior das inimigas da vida lúdica das crianças”. Na sua tese de doutoramento sublinha, a propósito, que “a filosofia que presidiu à formatação da chamada ‘escola a tempo inteiro’ sepultou a expectativa com que por aí chegamos a vislumbrar a possibilidade de se abrirem corredores de passagem de atividades desestruturadas das crianças para seu uso discricionário, onde, naturalmente, a brincadeira iria por vontade de todas elas ocupar lugar primordial. Na verdade, a escola não estava a cumprir uma obrigação que por dever de função não podia desconhecer, mas, sim, defender e valorizar”.

O paradigma mudou e os pais também têm o seu papel. Tirar os filhos dos quartos e levá-los a parques e espaços onde possam brincar e usar o corpo e a mente, a destreza e a argúcia. “As crianças precisam de se voltar a juntar informalmente fora de casa e longe da tutela dos adultos para vivenciarem a sua própria sociedade, com as suas idiossincrasias, vivendo e bebendo com liberdade e plena autonomia as incontáveis brincadeiras, regradas, inventadas ou circunstancialmente metamorfoseadas entre elas para melhor encaixar neste ou naquele perfil lúdico feito de argúcia com que as artes de fazer se ajeitam para lograr levar a melhor sobre o parceiro da contenda lúdica.”

Mesmo com uma sociedade mais tecnológica e com menos horas para passar tempo de qualidade com os mais próximos, as crianças nunca deixarão de brincar. As brincadeiras têm sempre espaço no tempo social dos mais pequenos. No entanto, a sociedade tem de saber proporcionar-lhe esses tempos livres. “O homo ludens não perecerá nunca porque jogar e brincar constitui um ato cultural inato ao ser humano, que o faz praticamente desde o dealbar da vida e o mantém ao longo de toda ela, até que se gaste o ciclo que a enformou”, sustenta o investigador ao EDUCARE.PT.

Seminário “Geografias de Inclusão – Desafios e Oportunidades”

Dezembro 8, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Este seminário irá contar com a presença da Drª Maria João Malho (Técnica do CEDI do IAC – Centro de estudos, Documentação e Informação Sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança), no qual irá proferir a comunicação “Espaços de Criança”, pelas 16.00 horas.


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