Um quarto das escolas públicas não faz reutilização dos manuais

Outubro 19, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do Público de 19 de setembro de 2018.

Bárbara Reis

Secretária de Estado Adjunta e da Educação diz que um quarto das escolas “está a 0% de reutilização”. Este ano lectivo foram reutilizados 110 mil livros.

As escolas públicas do 1.º ciclo do básico reutilizam para este ano lectivo 10% dos manuais escolares oferecidos pelo Governo no ano passado. Isto corresponde a uma poupança de 1,2 milhões de euros e a 110 mil livros.

Os números são oficiais e, segundo Alexandra Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da Educação que desde 2016 conduz e luta pela nova política de reutilização, “45 mil crianças do 1.º ciclo têm pelo menos um manual reutilizado”.

Estes números são “bonzinhos”, diz a secretária de Estado Adjunta. “Não são excelentes, mas são uma evolução importante face ao ano passado e face aos anos em que ainda não há gratuitidade. É mau porque é pouco, mas é bom quando comparamos com os 4% de manuais reutilizados nos anos em que não há reutilização promovida pelo ministério.”

Para Alexandra Leitão, esta diferença mostra o impacto positivo da nova política. “Os primeiros quatro anos do básico são os anos em que os manuais não estão preparados para serem reutilizados, pois têm muitos espaços em branco, e em que os miúdos são pequenos. Não tenho dúvidas de que no ano lectivo de 2019/20, quando já tivermos as devoluções dos livros do 5.º ao 6.º ano, a medida vai ter um impacto muito elevado.”

Feito o balanço, no 3.º e 4.º anos do ensino básico há o dobro de livros reutilizados quando comparados com os do 1.º e 2.º. “Dos 110 mil livros reutilizados este ano, 40 mil são manuais do 4.º ano”, diz Alexandra Leitão. “Os miúdos são maiores e têm mais capacidade para tratar bem os livros. No 3.º e 4.º anos, 20% das crianças têm pelo menos um livro reutilizado. Não sendo excelente, é animador.”

Estudando a distribuição das taxas de reutilização por escola, o Governo conclui que o empenho das escolas é decisivo. “Temos escolas que fizeram 30% de reutilização, 40% e até 70%. E temos uma panóplia de escolas a 0%. Isso faz baixar muito a média nacional. O que é que isto significa? Que há escolas que nem tentaram. Não tem nada a ver com os meninos, porque há escolas com 30% de reutilização em contextos sócio-económicos muito diferentes e algumas difíceis. Pegamos no Excel e vemos: 30%, 25%, 40%, 30%… E depois 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%. O que é que isto diz? Diz que a reutilização é possível. Os 40% dizem que é possível e os 0% dizem que não se tentou.”

Nos cerca de 800 agrupamentos escolares de Portugal, “algumas centenas fizeram 0% de reutilização”. Quantos? “Das cinco mil escolas, não é injusto dizer que um quarto está a 0% de reutilização. Se víssemos que todas as escolas estão nos 9%, 10%, 11% ou 12% era uma coisa. Diríamos: ‘É onde chega.’ Mas não é isso. Há muitas com bons números e muitas a zero. Não falo dos que reutilizam 70%, porque esse número poderá resultar de um esforço muito grande dessa escola ou do facto de a escola ter poucos alunos. Mas há escolas — como a Escola Básica José Ruy, na Reboleira, Amadora, que fez 70% de reutilização no 1.º ciclo, ou a Escola Básica n.º4, em Camarate, Loures, que fez 20%, a Escola Básica São João de Deus, em Lisboa, que fez 25% ou a Escola Básica de Seixo Alvo, em Vila Nova de Gaia, com 22% de reutilização.”

Passados de mão em mão

Em cinco anos, a secretária de Estado imagina um país onde os manuais escolares “passam de mão em mão no fim do ano e no dia-a-dia ficam na escola e nos quais os alunos não escrevem porque fazem os trabalhos nos livros de fichas e não nos manuais”. Vai demorar, mas “vai fazer o seu curso”. Na sua defesa da medida, Alexandra Leitão sublinha que para a política de gratuitidade ser “orçamentalmente sustentável” — no ano passado foram investidos cerca de 10 milhões de euros — e para que haja “respeito pelo livro e pelo ambiente”, todos têm que trabalhar.

“As escolas têm que empenhar-se e os pais não devem usar os vouchers quando têm livros usados dos irmãos mais velhos só porque ‘é o Estado que dá’. Reutilizar dá trabalho. Uma coisa é um professor dizer ‘toma o livro’, outra é dizer ‘estima-o, não o risques, devolve’. Dá algum trabalho e implica que se vá criando esta nova mentalidade.”

Na sua avaliação, o 2.º e o 3.º ciclos “vão entrar em velocidade de cruzeiro e vão fazer reutilização com níveis muito altos, senão mesmo a reutilização plena”. A secretária de Estado diz mesmo ter “grandes expectativas para o ano que começou agora, porque já vamos ter a medida a ser aplicada no 5.º e no 6.º”. E arrisca uma previsão: “Para o ano, espero poder dizer que de 10% de reutilização passámos para 20% ou 30% e que no 5.º e 6.º anos passámos para 80% de reutilização.”

Dá o exemplo de uma escola em Loures, em São João da Talha, que este ano teve 17% de reutilização no 1.º ciclo, mas cujo director antecipa que, agora que se avançou para o 2.º ciclo, a reutilização vai ser de 90%. “Eles sabem que os alunos deixam os manuais impecáveis.” Já no secundário será mais difícil. “Com a pressão do exame do 12.º e o facto de o exame abarcar três anos de escolaridade, penso que vamos ter alguma dificuldade. Os alunos querem consultar os livros. Temos de estudar como vamos fazer.”

Sobre os vouchers (atribuídos através da plataforma informática Mega para garantir manuais gratuitos aos alunos do primeiro ao sexto anos) a secretária de Estado diz que não há “bloqueios” nem problemas graves e que foram emitidos vouchers para 520 mil alunos (3,5 milhões de vouchers). Há casos, diz, em que os pais poderão ter ido encomendar os livros com o voucher quando a livraria não os tinha em stock (e teve de encomendar). “Isso acontece com ou sem voucher“, sublinha.

Da nova política, identifica o que correu bem e o que correu mal com a plataforma e o sistema de vouchers: “Alivia as escolas, alivia os pais, permite às pequenas livrarias reentrarem no mercado dos manuais e é um sistema descentralizado.” O que correu mal: “A divulgação devia ter sido feita mais cedo pelo Governo e ainda falta literacia digital. Estes problemas foram agudizados este ano por causa de uma questão conjuntural: tivemos seis semanas de greve entre Junho e fim de Julho e o nosso enfoque nesse longo período foi avaliar os alunos. Conseguiu-se, mas houve trabalho de preparação que podia ter sido feito em Junho e que foi feito mais tarde. Não é por os professores estarem em greve, porque isto não é trabalho dos professores, mas porque ao não fazer-se um passo da avaliação permitindo avançar para a seguinte, atrasámos as fases seguintes. Não tem juízo de valor. É apenas um facto, mas temos de dizer que exigiu mais das escolas.”

 

 

Quase 130 crianças de escolas de Viana emigraram com os pais em ano e meio

Junho 21, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Expresso de 17 de Junho de 2013.

Viana do Castelo, 17 jun (Lusa) – Quase 130 crianças que frequentavam o ensino básico no concelho de Viana do Castelo emigraram com familiares no último ano e meio, indica um estudo hoje revelado pela Câmara Municipal local.

O estudo, que consistiu em inquéritos realizados junto de professores das 51 escolas do ensino básico do concelho, entre o 1.º e o 9.º ano de escolaridade, analisou o período do ano letivo completo entre 2011 e 2012 e o seguinte, até à pausa letiva da última Páscoa.

“Até 2012 saíram 52 crianças, que emigraram com os pais, e no ano letivo seguinte, até março de 2013, mais 75. A tendência que foi identificada é de agravamento, porque algumas crianças ficaram, para terminarem a escola, e só no final do ano letivo é que se vão juntar aos pais, no estrangeiro”, disse à agência Lusa a vereadora da Educação na Câmara de Viana do Castelo.

 

III Jornadas SEI! Odivelas “Ser Aluno”

Maio 8, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

sei

Entrada Gratuita, com inscrições até dia 10 de maio para o 219 320 359 ou nucleoformacao.sei@cm-odivelas.pt

Mais informações Aqui

 

Escolas públicas preparam melhor os alunos para terem sucesso no superior

Janeiro 24, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Público de 18 de Janeiro de 2013.

Natália Faria

Universidade do Porto analisou os resultados de 2226 alunos que concluíram pelo menos 75% das cadeiras ao fim de três anos e concluiu que os provenientes das privadas têm piores resultados

quadro

As escolas privadas preparam melhor os alunos para os exames, mas não para terem um bom desempenho na universidade. A Universidade do Porto (UP) analisou o percurso académico de 4280 estudantes admitidos no ano lectivo 2008/09 e concluiu que, entre os 2226 que concluíram pelo menos 75% das cadeiras dos três primeiros anos, os estudantes que provinham de escolas públicas apresentavam melhores resultados académicos do que os provenientes das privadas.

“As escolas privadas têm grande capacidade para preparar os alunos para entrar, mas o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública”, adiantou ao PÚBLICO José Sarsfield Cabral, pró-reitor da UP para a área da melhoria contínua. Esta constatação baseia-se no facto de estes últimos estarem mais representados no grupo dos 10% melhores daquele ano lectivo.

Exemplos? A secundária Garcia de Orta, uma escola pública do Porto, que naquele ano lectivo “colocou” 114 alunos em diferentes faculdades da UP, tinha, ao fim de três anos, 14 desses alunos (12%) entre os 10% melhores do ano. Já o Externato Ribadouro, também do Porto mas privado, colocou 154 alunos na UP, muitos dos quais em Medicina, mas, no fim do terceiro ano, apenas cinco integravam o grupo dos melhores (3%). A Garcia de Orta vinha colocada em 6.º no ranking das secundárias desse ano, enquanto o Externato Ribadouro beneficiava de um confortável 3.º lugar.

Do Colégio do Rosário, que tem surgido nos três primeiros lugares dos rankings, transitaram 56 alunos para a UP. Três anos depois, apenas três se incluíam entre os 10% com melhor desempenho académico. Do mesmo modo, o Colégio Luso-Francês, com 39 alunos admitidos, tinha apenas dois no top 10. (Neste estudo, a Universidade do Porto utilizou os critérios dos rankings do PÚBLICO, adaptando-os ao universo das escolas secundárias citadas neste trabalho da UP).

Em termos globais, por cada 100 estudantes provenientes das escolas públicas que concluíram pelo menos 75% das cadeiras dos três anos, havia 10,69 no grupo dos melhores. No caso das escolas privadas, esse número era de 7,98.

O documento (que surge como um alerta contra o facilitismo na utilização dos rankings e que procura rebater a ideia de falência do ensino público) sublinha que o melhor desempenho dos estudantes das escolas públicas é ainda “mais relevante pelo facto de as escolas privadas de maior prestígio fazerem uma selecção social dos seus estudantes”.

“O desempenho dos estudantes no superior requer habilidades e capacidades que não são aquelas que decorrem de o aluno saber muito bem a matéria dos exames. Temos alunos que vieram de escolas de província, e que tiveram que resistir a muita coisa e superar muitas dificuldades para chegar ao superior, e que se tornaram alunos excelentes; provavelmente porque já vinham apetrechados com qualidades que um aluno demasiado protegido não tem”, admite Sarsfield Cabral. “Os alunos das privadas saem-se pior porque estarão habituados a ser mais acompanhado e, quando passam para a universidade, onde são considerados adultos, perdem esse tipo de aconchego”, concorda Alberto Amaral, do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior e ex-reitor da UP.

Este estudo (o primeiro do género e que foi repetido no ano lectivo seguinte, sendo que estes últimos resultados deverão ser conhecidos dentro de dois meses) partiu de uma amostra inicial de 4280 alunos. Destes, 954 abandonaram os estudos, 83 tinham-se recandidatado a outros cursos, 131 tinham concluído menos de 45 dos 180 créditos do curso, 303 tinham completado entre 45 e 90 créditos, 583 entre 90 e 135 créditos e apenas 2226 tinham completado mais de 135 créditos, ou seja, o equivalente a 75% das cadeiras do curso. Foi no desempenho académico destes últimos que a análise se baseou. Entre as conclusões possíveis, destaca-se a de que os alunos que recorrem às bolsas — e beneficiam delas — têm desempenhos comparáveis aos que não precisam do apoio social. Ao contrário, os que se candidatam e vêem negado aquele apoio tendem a sair-se pior, o que “evidencia bem a importância da Acção Social”, segundo Sarsfield Cabral.

Para o pró-reitor, resulta claro que as universidades deveriam estar a equacionar formas alternativas ou complementares de selecção dos seus alunos. “Dos 340 alunos que naquele ano entraram nos dois cursos de Medicina da UP, todos com notas elevadíssimas e separadas por centésimas, havia, um ano depois, quem tirasse 20 e quem nem aos 10 conseguisse chegar. Isto torna muito claro que a nota de entrada do aluno não permite perceber qual vai ser o seu desempenho, o que nos leva a questionar se o critério de selecção dos alunos não estará a deixar de fora alunos que podem vir a revelar-se excelentes”, questiona.

Sarsfield defende assim que as universidades devem estudar métodos alternativos de selecção dos alunos. “Há de certeza outras variáveis que merecem ser consideradas. As universidades têm de começar a olhar para o exemplo das universidades estrangeiras e pensar em soluções”.

Cerca de 22% dos alunos abandonaram UP

 CRUP vai analisar motivos da “fuga” dos alunos

Dos 4280 alunos que entraram na Universidade do Porto (UP) em 2008/09, 954 (22%) tinham abandonado os estudos ao fim de três anos. A maior parte (748) deixou universidade logo no final do 1.º ano. São percentagens “elevadas e preocupantes”, segundo o documento que mostra que a  “fuga” é superior nos estudantes mais velhos. Na Faculdade de Medicina Dentária da UP, 53,1% dos alunos tinham abandonado o curso logo no primeiro ano. A conclusão preocupa Sarsfield Cabral, também porque “não contempla ainda o efeito crise”. “Os alunos têm muita dificuldade em entrar, sobretudo na UP, que é requisitadíssima, e depois desaparecem. É uma grande perda”. Porque o problema está longe de ser exclusivo da UP, o Conselho de Reitores da Universidade Portuguesa anunciou, anteontem, a constituição de um grupo de trabalho para analisar os motivos que levam à “fuga” dos estudantes.


Entries e comentários feeds.