A Epilepsia Para Além das Crises

Novembro 16, 2015 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/  de 30 de outubro de 2015.

Enric Vives Rubio

Por Ricardo Lopes

A epilepsia é uma das mais frequentes doenças neurológicas com especial incidência nas crianças/jovens e idosos. Calcula-se que uma em cada 100 crianças tenha ou venha a desenvolver esta perturbação e, em Portugal, surjam cerca de 4000 novos casos por ano.

De acordo com a Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE) esta patologia é definida como um conjunto de perturbações em que existe uma predisposição aumentada para a ocorrência de crises epiléticas e a ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica não provocada, refletindo disfunções cerebrais que podem resultar de diversas causas e que tem consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais.

Se é objectivo primário e fundamental o controlo das crises epilépticas, as consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais resultantes desta perturbação são, cada vez mais, alvo de especial atenção quer de médicos e técnicos de saúde como de professores, familiares/cuidadores e, naturalmente, do próprio portador de epilepsia. Sem surpresa, surge promovida pela ILAE, uma campanha a nível europeu com o mote “Epilepsia é mais do que ter crises”.

O grau de gravidade das epilepsias é extraordinariamente vasto. Desde epilepsias farmacorresistentes onde o recurso a cirurgia da epilepsia é colocado como hipótese, até epilepsias benignas da infância, onde as crises e consequências são escassas e, em muitos casos, não existe a necessidade tratamento farmacológico. Felizmente, a (larga) maioria dos casos de epilepsia em crianças são de baixa gravidade. Não obstante é fundamental estar alerta às consequências “para além das crises”.

Estas podem estar directamente relacionadas com a doença. Por exemplo, podem surgir perturbações cognitivas temporárias relacionadas com as crises epiléticas, como também o desempenho cognitivo das crianças e jovens portadores de epilepsia pode encontrar-se afectado a longo prazo. São diversos os factores que fazem variar o desempenho cognitivo, como a idade de início, o tipo de crises, a medicação e o ambiente familiar. De uma forma geral, podem destacar-se défices ao nível da linguagem, da memória verbal, não verbal e memória de trabalho, da atenção, das funções executivas (principalmente inibição, flexibilidade cognitiva e tomada de decisão) e redução na velocidade psicomotora.

Outras serão resultado da forma como se vive com a doença. A epilepsia está associada a um elevado estigma social. O portador de epilepsia torna-se mais dependente, pode ser alvo de superprotecção e encontrar mais restrições. Encontra também maiores dificuldades ao nível das relações entre pares e, no caso dos adolescentes, nas relações amorosas. Também menores níveis de auto-estima e auto-confiança, surgindo sentimentos como vergonha, expectativas negativas sobre a forma como são vistos e tratados. Não são raros os casos de ansiedade e humor depressivo, no próprio ou na família.

Dois estudos recentes demonstram a falta de conhecimento e o estigma associado a esta patologia.

Um estudo comparativo com adolescentes entre os 13 e 16 anos avaliou os “Conhecimentos e Impacto social da Epilepsia e Asma” (Fernandes, 2012). Os resultados demonstraram diferenças significativas com prejuízo da epilepsia:

  • apenas 12.5% dos estudantes demonstraram conhecimento sólido sobre a patologia;
  • uma minoria de 6.3% saberia agir correctamente perante uma crise;
  • a maioria dos adolescentes entrevistados demonstra maiores reservas em contar a pessoas próximas (familiares, amigos ou professores) que padece de epilepsia quando comparado com asma;
  • manifestam também reservas em casar com alguém com estas patologias, mas sobretudo com epilepsia (-10% que com asma);

Um outro estudo (Pereira, 2014), avaliou o conhecimento e atitudes face à epilepsia de professores do ensino secundário, no qual se destacam dados como:

  • fraco conhecimento sobre a doença (16% consideram uma doença psiquiátrica, mais de metade não sabe que os antiepilépticos causam sonolência ou que a epilepsia pode causar dificuldades de aprendizagem e apenas 56% alguma vez tinha lido informação sobre a doença);
  • apesar de 93% dos professores demonstrar atitudes integradoras na escola relativamente a alunos com epilepsia, cerca de 33% não sabe indicar carreiras adequadas para estes doentes;
  • pouca preparação para lidar com uma crise (75% nunca realizou treino de suporte básico de vida e 54% colocaria algo na boca do doente que convulsiva).

Do estudo fica presente a necessidade de aumentar o conhecimento dos professores sobre a epilepsia e como agir perante uma crise convulsiva, reforçando a informação e sensibilização não só deste grupo profissional como do público em geral.

A epilepsia é uma perturbação frequente nas crianças e jovens. É uma perturbação que pode estar associada a consequências que “vão além das crises epilépticas”, correlacionando-se com dificuldades cognitivas e psicológicas que devem ser estudadas e acompanhadas. Acarreta, ainda nos dias de hoje, um estigma a nível social fruto, provavelmente, de um desconhecimento face à natureza da epilepsia. Este desconhecimento e estigma são preocupantes e devem (têm) de ser combatidos.

Neuropsicólogo no CADIn

 

Conferências (Des)Envolvimento – Idade Escolar

Março 4, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Epilepsia: como afecta a aprendizagem das crianças?

Novembro 10, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio dos Açores de 22 de Outubro de 2013.

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Uso de droga antiepiléptica na gravidez eleva o risco de autismo nos bebês

Fevereiro 10, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Veja de 31 de Janeiro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

The prevalence of neurodevelopmental disorders in children prenatally exposed to antiepileptic drugs

Vivian Carrer Elias

Segundo estudo britânico, o valproato de sódio, um dos medicamentos mais comuns para epilepsia, aumenta a chance de o bebê apresentar problemas neurológicos durante a infância.

Um estudo britânico descobriu que mulheres que fazem uso, durante a gravidez, de valproato de sódio, um dos medicamentos mais comuns para tratar a epilepsia, apresentam um risco maior de ter filhos com autismo e outros problemas associados ao desenvolvimento neurológico. A pesquisa, desenvolvida na Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, foi publicada nesta quarta-feira no periódico Journal of Neurology Neurosurgery and Psychiatry, que faz parte do grupo British Medical Journal (BMJ).

Segundo os autores do trabalho, diversos estudos anteriores já haviam encontrado relação entre o contato de fetos com drogas antiepilépticas e a malformação congênita, inclusive entre o próprio valproato de sódio e danos às funções cognitivas da criança. Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre o assunto, esses pesquisadores compararam a prevalência de distúrbios neurológicos em crianças que foram expostas, ainda no útero materno, a diferentes drogas antiepilépticas. Esses problemas podem incluir, além de autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dispraxia, uma condição que prejudica a coordenação motora da criança.

No estudo, a equipe, coordenada por Rebecca Louise Bromley, do Departamento de Farmacologia Clínica e Molecular da Universidade de Liberpool, selecionou 528 crianças nascidas na Inglaterra entre 2000 e 2004. Entre as mães desses jovens, 243 tinham epilepsia, sendo que 209 fizeram uso de drogas antiepilépticas durante a gravidez — os medicamentos mais usados eram o valproato de sódio e a lamotrigina.

Os pesquisadores avaliaram o desenvolvimento físico e intelectual das crianças quando elas tinham um, três e seis anos. Eles também pediram às mães que elas relatassem se os seus filhos precisaram passar por consultas médicas devido a problemas de comportamento, de desenvolvimento, educacionais ou de saúde.

Prevalência — Segundo os resultados, a prevalência de distúrbios neurológicos entre crianças que tinham mães epilépticas foi de 7,4% — entre o restante das crianças, essa taxa foi de 1,8%. Além disso, entre as crianças cujas mães fizeram uso de drogas antiepiléticas na gravidez, o maior risco de problemas neurológicos foi observado quando a grávida tomou valproato de sódio, tanto isoladamente quanto combinado com outro remédio. O risco de desordens neurológicas chegou a ser dez vezes maior se comparadas as crianças cujas mães fizeram uso de valproato de sódio na gravidez aos filhos de mulheres que não tinham epilepsia.

Segundo os autores dessa pesquisa, esses resultados são preliminares e devem ser confirmados em estudos maiores. No entanto, eles advertem que mulheres com epilepsia que desejam engravidar devem ter acesso, por meio de seu médico, às informações sobre os riscos dos medicamentos. Assim, caberá a elas tomar uma decisão sobre a gravidez. “Grávidas que fazem uso dessa droga devem ser monitoradas. Mas gestantes não devem simplesmente parar de tomar o medicamento por medo de prejudicar o desenvolvimento da criança”, escreveram os pesquisadores.

Nobody made a connection: The prevalence of neurodisability in young people who offend

Dezembro 14, 2012 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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nobody

Descarregar o relatório Aqui

Childhood neurodisability occurs when there is a compromise of the central or peripheral nervous system due to genetic, pre-birth or birth trauma, and/or injury or illness in childhood. This incorporates a wide range of specific neurodevelopmental disorders or conditions, with common symptoms including: muscle weakness; communication difficulties; cognitive delays; specific learning difficulties; emotional and behavioural problems; and a lack of inhibition regarding inappropriate behaviour.

This report presents a review of published evidence in relation to the following research questions:
• What is the prevalence of various neurodevelopmental disorders amongst young people within the youth justice system secure estate?

• What are the key issues for policy and practice associated with these levels of prevalence?

The report has several key audiences, from national government departments and bodies, to local strategic partnerships and agency leads, to practitioners working with young people with potential neurodevelopmental difficulties.

XVI Seminário do Centro de Desenvolvimento Luís Borges : Novos Desafios em Diagnóstico e Terapêutica…

Abril 8, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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4ªs EPI Jornadas de Epilepsia

Outubro 18, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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