A brincar, a brincar também se aprende a ler

Dezembro 24, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de dezembro de 2017.

No seminário Brincaleituras, as especialistas Dulce Gonçalves e Maria José Araújo vão explicar como é que a aprendizagem lúdica contribui para o sucesso escolar.

Bárbara Wong

Há letras espalhadas em cima das mesas, vogais e consoantes feitas de plástico. Numa sala de aula da secundária Brancaamp Freire, em Odivelas, ao final da tarde, uma dezena de professores do 1.º ciclo do agrupamento parece estar a brincar com as letras, mas não, está a aprender a usá-las para estimular a aprendizagem da leitura. Nesta terça-feira, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FPUL), no seminário Brincaleituras, vai reflectir-se sobre “a sabedoria do jogar na leitura e no brincar”, ou seja, na possibilidade de os alunos aprenderem a partir de brincadeiras e de jogos.

Dulce Gonçalves, professora da FPUL e mentora do projecto IDEA – Investigação de Dificuldades para a Evolução na Aprendizagem, tem um saco cheio de letras na mão e vai fazendo propostas aos professores do 1.º ciclo de como utilizá-las em sala de aula. “A compreensão desenvolve-se e aprende-se a brincar. E a leitura também, a jogar e a interagir, a experimentar e a discutir, a ensaiar e a dramatizar”, defende a especialista.

As docentes da escola Melo Falcão, daquele agrupamento, contam ao PÚBLICO que um dia, em vez de pedirem aos alunos do 1.º ano que escrevessem as vogais, propuseram que as fizessem de uma maneira original, em casa. No dia combinado, havia “a” feitos em crochet, “e” em bolachas, “i” em plasticina, “o” em salame e “u” em cartolina. Este foi um TPC que envolveu pais, filhos e até avós. “E ao lanche comemos ditongos”, brinca uma das professoras, explicando que, já na escola, foi proposto aos alunos que juntassem as vogais para fazerem ditongos, antes de as comerem.

“Uma questão fundamental deste seminário é desmistificar o papel do jogo e do brincar. Muitas vezes se diz e ouve dizer: ‘A brincar também se aprende’. Mas isso não é verdade. As crianças só aprendem porque brincam, não brincam para aprender”, defende Maria José Araújo, professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, que marcará presença neste encontro em Lisboa, onde não se pretende “instrumentalizar o jogo e o brincar, pelo contrário, queremos mostrar a sua importância e dar pistas para que os educadores o possam valorizar, também na sala de aula”, acrescenta.

Na acção de formação na Brancaamp Freire, Dulce Gonçalves continua com o saco das letras na mão e dando pistas aos professores de como usá-lo. “Vamos pensar em jogos tradicionais e pô-los ao nosso serviço, de maneira a que os meninos olhem para as letras, as imaginem e as vejam por todo o lado”, convida. De imediato, um dos professores propõe fazer um bingo, tirando as letras, uma a uma, do saco, e levando os meninos a procurá-las no cartão que têm à sua frente.

Mudar de paradigma e de práticas pedagógicas

“O desenvolvimento da literacia, através do jogo e do brincar começa muito antes da criança entrar para a escola e, nesse sentido, essa experiência deve ser continuada e valorizada”, propõe Maria José Araújo. Para isso, é preciso “sair do esquema de aulas master dixit, do ‘temos de cumprir o programa’, do medo dos exames”, desafia Dulce Gonçalves.

É preciso mudar de paradigma e de práticas pedagógicas, acrescenta. É preciso ajudar os alunos a “entender o significado, a utilizar o que se lê a reagir emocionalmente àquilo que se lê”, continua. E isso começa desde o 1.º ano. O jogo é sinónimo de facilidade? “Dificultar não educa, mas amedronta, e no medo não se aprende. No entanto, há dificuldades que desafiam e os desafios fazem crescer, aprender e ser. São essas dificuldades que fazem a diferença, que se transformam em evolução”, responde Dulce Gonçalves.

Por isso, a professora da Universidade de Lisboa defende o jogo porque “é uma forma diferente de nos pôr a pensar e de nos desafiar a pensar para continuar a melhorar, a vencer e a perder até o medo de não ganhar”. “Nem mesmo o ter boas notas assegura que realmente se aprendeu, entendeu ou consolidou. É a jogar e a reutilizar o que se tentou aprender, a desafiar o que se julga saber perante novos problemas e novos desafios, é a investigar e a descobrir, que se ajuda a construir e a solidificar o edifício de saber”, conclui.

 

 

Aprender a ler numa simples cartada

Dezembro 26, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 14 de março de 2016.

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Nova metodologia de aprendizagem junta num baralho de cartas todas as formas de comunicação. Ideal para crianças e adultos com necessidades especiais comunicarem de forma universal

Esqueça uma cartada, ao fim do dia, com os amigos. As EKUI Cards não são para jogar à sueca, à bisca ou crapô. São 26 cartas, em vez das 52 do baralho francês, e no lugar dos quatro naipes está o alfabeto convencional, o alfabeto fonético, a língua gestual portuguesa e o Braille. “É a primeira vez, em Portugal, que crianças surdas, cegas, com autismo, disléxicas ou com qualquer outra limitação física ou cognitiva podem aprender o alfabeto, ao mesmo tempo, na mesma sala de aula”, explica Celmira Macedo, inventora da primeira linha de material lúdico/didático inclusivo na Península Ibérica. “Sei que também existe algo parecido no Brasil, mas não tão completo como as EKUI.”

Desde 2004 que Celmira Macedo, 44 anos, andava com este projeto na cabeça. Na altura, a professora de educação especial foi para Salamanca fazer um doutoramento porque “queria perceber como poderia ser melhor professora”. Depois de ter tido uma cadeira de língua gestual espanhola, quando regressou a Portugal quis aprender a equivalente portuguesa. “Na altura, a maior preocupação das famílias era obter informação de como lidar com os filhos com necessidades especiais”, lembra. Sem terminar o doutoramento, Celmira Macedo criou a Escola de Pais, em 2008, e a Associação Leque, no ano seguinte, que apesar de ter sede em Alfândega da Fé e servir o distrito de Bragança, consegue também dar respostas a nível nacional. E as EKUI Cards são disso o melhor exemplo. Além da sua venda online (€13,99) também existe uma app (€3,99) disponível.

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Celmira batizou o baralho de cartas com o nome EKUI a partir das iniciais das palavras, em inglês, equidade, conhecimento, universalidade e inclusão. Cada uma das 26 cartas tem um grafema da letra, a letra manuscrita, a letra em Braille tátil e em Braille visual, a letra em datilologia (alfabeto da língua gestual portuguesa) e o alfabeto fonético. Presente em nove escolas do 1.º ciclo de Vila Nova de Gaia e em um jardim-de-infância de Delães (Vila Nova de Famalicão), as EKUI Cards são também usadas por terapeutas da fala em pacientes adultos a recuperarem, por exemplo, de um AVC. Os resultados não podiam ser mais positivos: todas as crianças dos 3 aos 6 anos aprenderam o alfabeto e a língua gestual e comparando com anos anteriores de forma mais rápida. “Está provado cientificamente que quem aprende através de línguas gráficas ou gestuais, aprende mais rápido as línguas comuns”, afirma Celmira Macedo. Muitas destas crianças, em casa, ensinam a língua gestual aos pais e já falam em ter profissões relacionadas com o tema, como intérprete de língua gestual ou terapeutas da fala.

As EKUI Cards já chegaram a 1500 crianças, mas têm capacidade para ajudar dois milhões em idade escolar, em Portugal, 20500 instituições de Educação, Saúde e Área Social, mais 18300 profissionais. Isto é só o começo, pois Celmira Macedo quer espalhar as EKUI Cards às cores (especiais para daltónicos), aos animais, aos objetos, aos meios de transporte… haja financiamento para esta jogada, diga-se de mestre.

 

 

 

Ensino da leitura no 1º ciclo do Ensino Básico

Maio 13, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Recursos educativos | Deixe um comentário
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ensino

descarregar o estudo no link:

https://www.ffms.pt/estudo/938/ensino-da-leitura-no-1o-ciclo-do-ensino-básico

Este estudo tem como objectivo fundamental contribuir para um melhor conhecimento do ensino da leitura em Portugal. A partir de uma amostra representativa nacional de professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, estudou-se a sua formação, a percepção que têm dos seus conhecimentos para o ensino da leitura, os conhecimentos que efectivamente possuem na área do ensino da leitura e a forma como organizam tipicamente um bloco de duas horas de ensino da Língua Materna. O estudo dos programas de formação inicial de professores, bem como dos conteúdos disciplinares específicos, permitiu uma panorâmica relativamente precisa do que está neste momento a ser ensinado nas universidades e institutos politécnicos aos futuros professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico na área da leitura e da escrita.


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