Como ter menos indisciplina na sala de aula?

Outubro 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.comregras.com/ de 28 de setembro de 2017.

Por Alexandre Henriques

Lá vem este com estas tretas românticas da empatia e o blá blá blá da mediação e coaching à distância. Eu estou lá para ensinar, não para fazer amigos ou qualquer tipo de terapia de grupo…

É uma forma de encarar as coisas, discordo, mas respeito. E num puro ato de egoísmo e até de indiferença, só posso pensar que quem pensa assim que se aguente, não sou eu que estou nessa sala de aula…

Acredito piamente que a empatia é o maior aliado do professor. Não é fácil, por vezes vemos e ouvimos certas coisas que só apetece mandar o aluno pela janela fora, desculpem o exagero da expressão.

Ainda na semana passada, tinha umas “criaturas” que parecia que estavam sobre o efeito de qualquer coisa, se calhar até estavam… Era subir espaldares, saltos loucos para os colchões, risadas constantes, provocações entre colegas e eu ali a ver se conseguia explicar alguma coisa. O problema é que ninguém me conhecia, não tinha qualquer tipo de relação com os miúdos e o “está quieto”, “ouve”, “cala-te” não resultavam pois não era visto como alguém com “legitimidade” para mandar calar quem quer que fosse. O professor hoje em dia não é por si só uma autoridade, é obrigado a conquistá-la e as causas para este descalabro, são sociais e já têm décadas…

Até podia ter colocado 5 ou 6 alunos na rua, podia, e no futuro se as coisas não mudarem assim farei, mas o meu objetivo nestas primeiras aulas é apenas um. Criar empatia com os alunos. Não para ser o professor “fixola” ou o “choca aí meu”, mas para criar qualquer tipo de relação que me permita ser visto não como o inimigo, mas como alguém que está ali para ajudar e naturalmente ensinar. É que para turmas como CEFs ou PIEFs, é muitas vezes mais importante o saber estar do que o saber fazer…

Irei apostar em diálogos individuais, separar o líder do grupo e torná-lo meu aliado, mostrar firmeza, mas tolerância para personalidades que foram “danificadas” pelas vicissitudes da vida. Acima de tudo irei mostrar imparcialidade, coerência e real preocupação pela pessoa que está por detrás do aluno.

Com o tempo, serei visto como um farol e respeitado como tal. Estou de alguma forma a manipular os alunos, mas ser professor é também isto, fazer e dizer o que precisa para que os alunos se tornem alunos e o professor possa exercer a sua função, a tão falada inteligência emocional…

Não descobri a pólvora, nem sou mais que ninguém, digo sempre que sou um mero professor como outros tantos que estão ao meu lado por esse país fora. Mas se me permitem e de coração aberto, e já que tenho a oportunidade de chegar a uns quantos, sejam empáticos, utilizem o humor, ouçam os alunos, “percam” um pouco de tempo com eles e irão ganhar muito do vosso tempo e seguramente um ano menos complicado.

Vejo por aí tanto professor revoltado, chateado, desmotivado, que só posso imaginar o que serão algumas salas de aula.

Se não resultar, não é vergonha nenhuma pedir ajuda…

Alexandre Henriques

 

Um estudo publicado em maio sugere que mostrar empatia pode ser uma melhor abordagem para a disciplina estudantil.

Grupos de professores do ensino médio receberam treinamento sobre as prováveis causas que explicam o comportamento inadequado de alguns alunos (muitas vezes os motivos são estressores fora da escola) e como poderiam responder de forma empática, em vez de punir. As ações podem ser tão simples como perguntar aos alunos: “O que está acontecendo com você agora?” e depois ouvir atentamente suas respostas.

O grupo de professores que receberam treinamento em empatia foram comparados com outro grupo de professores que receberam treinamento sobre o uso de tecnologia para melhorar a aprendizagem, e viu-se que com o treino da empatia os alunos tiveram a menor probabilidade de serem suspensos, independentemente da raça, gênero ou de suspensões anteriores.

Esses resultados são congruentes com os de uma pesquisa anterior que mostrava os benefícios da empatia do professor em melhorar a aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo em que reduzia o desgaste dos professores.

Desenvolver empatia nos professores ajuda a evitar suspensões na sala de aula

(Oficina de Psicologia)

 

 

 

Como criar filhos simpáticos, respeitadores e responsáveis? Siga estes conselhos

Julho 18, 2017 às 10:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://ionline.sapo.pt/ de 5 de julho de 2017.

Fique com as dicas da Universidade de Harvard para criar bons filhos.

Richard Weissbourd, psicólogo da Universidade de Harvard, explicou ao jornal britânico The Independent como criar filhos simpáticos, respeitadores, responsáveis e preocupados com os outros.

– Empatia. As crianças têm de aprender a ajudar os outros e a equilibrarem as suas necessidades com as necessidades dos outros.

– Espaço. As crianças precisam de espaço para que possam ter oportunidade de ajudar os outros sem que sejam os pais a pedir.

– Alargar os grupos de pessoas importanes. Há que encorajar a criança a ser empática com pessoas fora do grupo de amigos e familiares.

– Exemplo. O melhor exemplo é o dos pais, deve seguir as regras que aplica ao filho.

– Equilíbrio. Encoraje as crianças a equilibrar as emoções destrutivas, como a raiva ou a vergonha, com emoções mais construtivas.

mais informações na notícia The Independent:

Five simple tips on raising good kids, according to Harvard psychologists

Nem menos sensíveis, nem mais agressivas. Os videojogos não têm os efeitos que se pensava nas crianças

Junho 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 21 de maio de 2017.

ERIC PIERMONT/ Getty Images

Um estudo alemão analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e concluiu que as crianças não se tornam mais agressivas ou menos empáticas mesmo que joguem todos os dias e que os jogos sejam violentos

Há uma preocupação generalizada sobre o impacto dos videojogos nas crianças. Numa altura em que a popularidade e a qualidade destes jogos continua a aumentar, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina de Hannover, na Alemanha, realizou um estudo que promete deixar alguns pais mais descansados.

A investigação, liderada por Gregor Szycik, analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e não encontrou nenhuma ligação com alterações nas respostas neurais nas crianças.

O estudo observou 30 participantes (todos do sexo masculino) que nos últimos quatro anos jogaram videojogos de tiro, como Call of Duty e Counterstrike, durante duas horas ou mais, todos os dias. Os participantes foram comparados a outras crianças que não jogavam.

Enquanto eram examinados através de uma ressonância magnética – que media a ativação de zonas específicas do cérebro -, os participantes observaram imagens projetadas com o objetivo de provocar respostas emocionais e empáticas. No final, preencheram um questionário e os resultados revelaram pouca ou nenhuma variação nos níveis de agressividade e empatia entre jogadores e não jogadores.

Apesar do pequeno número de participantes, Gerry Moore, professor de psicoterapia e saúde mental na Universidade da Cidade de Dublin, ouvido pelo The Irish Times, salienta uma particularidade deste estudo: foi pedido às crianças que não jogassem durante um tempo anterior aos testes – a maioria não tinha jogado nas últimas 24, o que significa que não foi tido em conta o impacto imediato de jogar jogos violentos. Outros estudos que encontraram relação entre a violência dos jogos e a violência do comportamento usaram os dados obtidos imediatamente após o jogo. “Ao providenciar este intervalo no tempo, este estudo mostrou que que as crianças poderiam mostrar mais empatia se lhe fosse permitido parar e talvez contar até 10 e dispersar a situação”, considera.

O especialista diz ainda que o nível de empatia das crianças não pode ser determinado exclusivamente pelo tempo que passam a jogar videojogos, por mais violentos que sejam. “As pessoas aprendem a ser empáticas muito cedo. Muitos estudos indicam que a empatia começa a desenvolver-se tão cedo como os estágios pré-verbais da infância – muito antes das crianças começarem a jogar videojogos”, defende.

 

 

 

O que diz a neurociência sobre o que vulgarmente se pensa dos filhos únicos

Maio 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 15 de maio de 2017.

Crescer sem irmãos afeta mesmo a estrutura das crianças? A convicção comum de que os filhos únicos são menos sociáveis encontra justificação ao nível do cérebro? Uma investigação realizada na China debruçou-se sobre estas questões

A influência da presença de irmãos na vida de uma criança vai mais longe do que até agora demonstrado e afeta, além do ambiente em que crescem, a arquitetura do seu cérebro. Esta é a conclusão de uma investigação publicada na revista Brain Imaging and Behavior, que dá razão a algumas das crenças mais comuns sobre os filhos únicos.

Sem ter de dividir atenção e recursos, os pais só com um filho tendem a expô-lo a mais estímulos, favorecendo-lhes a criatividade, a inteligência e a independência. Por outro lado, por nunca terem tido de dividir um brinquedo, um quarto ou a tão preciosa atenção dos pais, os filhos únicos têm fama de “mimados” e pouco dados às capacidades de convívio social.

Até que ponto estas perceções encontram justificação no cérebro foi o que Jiang Qiu, professor de psicologia da Universidade do Sudoeste , em Chongqing, China, quis perceber. Com uma equipa de investigadores chineses, o responsável reuniu 250 estudantes, que foram submetidos a testes normais de inteligência, criatividade e personalidade para medir a sua criatividade, o seu QI e a sua afabilidade, enquanto os seus cérebros foram, por seu lado, alvo de exames.

Nos testes comportamentais, os filhos únicos não mostraram quaisquer diferenças em termos de QI, mas evidenciaram níveis mais elevados de flexibilidade (uma medida da criatividade) e níveis mais baixo de afabilidade do que as crianças com irmãos.

Os exames de imagiologia confirmaram estes resultados, mostrando diferenças significativas entre os filhos únicos e os outros nas regiões cerebrais associadas à flexibilidade, à imaginação, ao planeamento e também à afabilidade e regulação emocional.

 

 

 

Excessiva empatia emocional impede crianças autistas de comunicar

Abril 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 1 de abril de 2017.

© Jorge Lopez / Reuters

Uma excessiva empatia emocional impede as crianças com autismo de comunicarem com o mundo, segundo um estudo, o que representa uma mudança de paradigma na compreensão deste transtorno.

O Grupo de Investigação de Perinatalogia do Instituto de Investigação Sanitária de La Fe, em Valência, Espanha, avaliou a reação de crianças com e sem perturbação do espetro do Autismo perante expressões faciais de diferentes emoções e concluiu que o autismo não se caracteriza por falta de empatia, mas sim por um excesso de sensibilidade perante as emoções dos outros.

Com os dados e experiencias analisados na investigação, chega-se à conclusão de que o retraimento e o ensimesmamento das crianças com autismo é uma maneira de se protegerem perante um ambiente emocionalmente esmagador.

Segundo explicaram à EFE fontes do hospital, esta descoberta dignifica as perturbações do espetro do autismo – cujo dia mundial se assinala no domingo -, já que se caracterizam por um excesso de sensibilidade face às emoções e não por um defeito.

Os transtornos do espetro do autismo são considerados alterações do neurodesenvolvimento que podem provocar problemas de interação social, comunicacionais e comportamentais significativos.

Até ao momento, sempre se procurou modificar os comportamentos sociais atípicos das crianças com autismo, cuja origem se acreditava ser a falta de empatia.

Contudo, este estudo demonstra o contrário: que as crianças com autismo têm uma excessiva empatia quando atentam às emoções dos outros e é, precisamente, essa experiência avassaladora que os leva a retraírem-se e os impede de comunicar.

O artigo “Communication deficits and avoidance of angry faces in children with autism spectrum disorder” é da autoria da doutorada em psicologia clínica Ana García-Blanco e foi publicado na revista científica “Research in Developmental Disabilities”.

Com uma equipa do Grupo de Investigação de Perinatalogia e do serviço de psiquiatria de La Fe, Ana García-Blando avaliou 30 rapazes e raparigas autistas, com idades entre os seis e os 18 anos, e outros 30 sem a perturbação.

Foram apresentadas a todas estas crianças expressões faciais de tristeza, alegria, zanga e neutras e avaliou-se o modo como reagiam a esses rostos.

Os resultados mostraram que os rostos com carga emocional captavam a atenção de todas as crianças, independentemente de apresentarem ou não perturbação do autismo.

No entanto, quando as crianças autistas se mostraram capazes de exercer controlo sobre a sua atenção, preferiam evitar os rostos irritados, porque lhes causavam grade mal-estar, o que estará relacionado com os problemas de comunicação social que estas crianças apresentam.

As emoções captam a atenção das crianças com perturbação do autismo de maneira semelhante à das crianças sem o transtorno, mas, tão rapidamente como identificam uma emoção stressante, os autistas tendem a evitá-la, para acalmar o mal-estar que sentem.

Estas peculiaridades no processamento das emoções poderão ser um mecanismo subjacente aos problemas de comunicação social que estas crianças apresentam e contradizem a habitual tese que considera que o comportamento e os problemas cognitivos é que são os obstáculos que dificultam a sua comunicação.

Lusa

 

 

Quando a resposta ao bullying é a empatia

Outubro 21, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 20 de outubro de 2016.

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Christiana Martins

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Marcos Borga

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Na véspera do Dia Mundial do Combate ao Bullying, que se assinala esta quinta-feira, contamos como 12 adolescentes entre os 14 e os 18 anos que vivem numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia aprendem a combater relações marcadas pela agressão mútua. São 12 jovens com histórias de vida para lá de complicadas, que sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto para ensinar a prevenir situações de bullying .

Empatia? Parece que vem da palavra simpatia. Quando penso em empatia, penso em simpatia.” É assim, com simplicidade, que o rapaz responde, quando questionado sobre como compreende o conceito de empatia. Tem 14 anos, não pode ter o nome divulgado, nem se pode dizer onde vive ou como é. Por questões de segurança vive numa casa de acolhimento da Santa Casa da Misericórdia no centro de Lisboa.

Com ele vivem mais 11 rapazes, todos adolescentes entre os 14 e os 18 anos, todos com histórias de vida para lá de complicadas. Estão sob a tutela do Estado, tentam reaprender a viver, com autonomia, confiança e algum afeto. Mas são também um caso de estudo, porque fizeram parte de um projeto piloto que os tentou preparar para lidar com o fenómeno do bullying. Dentro de casa, na escola, dentro deles mesmos – afinal, uma vítima pode também ser um agressor. Daí a importância de aprender a sentir o que o outro sente. A importância de se ser empático.

O sentimento de empatia exige algum distanciamento. Não é simpatia, não é cumplicidade. É algo diferente. “Empatia é quando eu me consigo colocar no lugar do outro, perceber o que ele sente”, explica Sónia Freitas, coordenadora do projeto Houses of Empathy, desenvolvido pela associação Par — Respostas Sociais, entidade que está a aplicar a metodologia de prevenção do bullying para jovens em contexto de acolhimento em três casas da Santa Casa de Misericórdia em Lisboa.
E se os adolescentes conseguem, aos poucos, aprender o que é empatia, saberão o que é o bullying? “Nós compreendemos o bullying de uma forma ampla, que passa, sobretudo, pela criação de uma situação de desequilíbrio de poder entre os jovens”, explica Sónia Freitas, concluindo que é por isso que a metodologia do programa visa “a promoção de relações saudáveis entre os jovens e a palavra bullying é evitada até ao fim das sessões”.

Nem vítimas nem agressores

Para o programa, bullying são os “comportamentos que envolvem agressões ou ameaças intencionais e repetidas, sem motivos evidentes”. E, de acordo com estudos já realizados, as crianças institucionalizadas estarão entre os grupos mais vulneráveis, podendo vir a sofrer consequências que poderão durar toda a vida, com efeitos sobre a capacidade de aprendizagem, causando ansiedade e estimulando estados depressivos.

No dicionário Priberam, contudo, bullying é “o conjunto de maus-tratos, ameaças, coações ou outros atos de intimidação física ou psicológica exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada fraca ou vulnerável”. Mas, no programa Houses of Empathy, a palavra só surge ao fim das 15 sessões, de uma hora cada, depois de os adolescentes já terem trabalhado questões essenciais como a auto estima, a resolução de problemas, a gestão emocional e a gestão de expectativas. Tudo é feito, como explica Sónia Freitas da Par, através da prática de educação não formal, com o recurso ao teatro, em que os jovens passam por todas as situações possíveis, seja de quem agride, seja de quem é agredido.

Os estudos citados na recolha de informação promovida pelo programa Houses of Empathy ainda colocam Portugal no topo de seis países analisados (Portugal, Espanha, Escócia, Inglaterra, Irlanda e País de Gales) com piores resultados em termos de bullying. “Temos, contudo, de relativizar estes resultados, afinal são feitos com base em relatos produzidos pelos próprios jovens”, alerta Sónia Freitas.

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O mais importante para o diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, Rui Godinho, é que a casa de acolhimento tenta estabelecer com os jovens rotinas normativas, onde os adolescentes estão sempre acompanhados e onde se procura construir um novo modelo de relações, mais saudáveis e menos marcadas pela agressividade aprendida no passado.

Ali não há punições, garante, mas há consequências. Ou seja, “todas as emoções são legítimas, o tom é que tem de ser trabalhado, a forma como as emoções são exteriorizadas”. Os educadores funcionam em representação dos pais, ausentes. E os comportamentos “não são encarados como a causa dos problemas, mas como um sintoma do que os jovens sentem”, explica o responsável.

O Houses Of Empathy é, por isso, um projeto europeu que pretende ajudar a reduzir as elevadas taxas de bullying entre jovens em contexto de acolhimento institucional através da criação de um programa específico de combate ao fenómeno.

O programa piloto foi testado em três países (Portugal, Espanha e Irlanda do Norte), abrangendo 9 centros de acolhimento residencial para crianças e jovens. Espera-se que, no final do projeto, o programa tenha sido concretizado em 39 casas de acolhimento nestes 3 países, envolvendo 468 jovens (dos 8 aos 18 anos) e 194 profissionais.

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Concluída a fase de teste do programa, é chegada a altura de apresentar os resultados da intervenção, que encara a promoção de capacidades pessoais, sociais e de empatia como base de relações saudáveis dos jovens que vivem em casas de acolhimento. Por isso, no dia 27, realizar-se-á uma conferência no Espaço Santa Casa, em Lisboa, para debater a questão e, acima de tudo, refletir acerca dos resultados e ferramentas do projeto Houses Of Empathy e sensibilizar a comunidade responsável pela proteção de crianças e jovens para a importância da ação preventiva nestes contextos.

Promovido pela Par – Respostas Sociais, em parceria com Hechos (Espanha), VOYPIC – Voice of Young People In Care (Irlanda do Norte, Reino Unido) e Sticks And Stones (República da Irlanda), é financiado pela Comissão Europeia. Em Portugal, conta ainda com um protocolo de parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

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No fim da experiência, os jovens decidiram, em conjunto, qual deveria ser o “código de procedimentos” assumido pela casa. Uma tábua com regras de boa convivência, que, como explica Sónia Freitas, acabam por ser “regras anti-bullying”. Respeito pelos outros, a capacidade de pedir ajuda aos educadores quando os jovens não conseguem resolver um conflito, aprender a elogiar, ouvir o outro, ser bem educado, respeitar as diferenças, ser assertivo (sem ser passivo e sem ser agressivo), quando os problemas surgirem pensar mais nas soluções, ter confiança nos pares, saber trabalhar em equipa, ser paciente e dar boas vindas aos novos habitantes da casa.

São tijolos. Cada regra, explica Sónia Freitas, é um tijolo, um passo na construção de uma casa onde a empatia é o habitante mais importante, onde cada morador consegue perceber o que o outro está a sentir. Capacidades de convivência que têm de ser trabalhadas diariamente. “Já penso antes de agir…nem sempre, mas já vou pensando…”, responde o rapaz que faz rimar empatia com simpatia. Não está mal: afinal, a ter em conta o dicionário, simpatia é “sentimento de atração moral que duas pessoas sentem uma pela outra”. Simpatia e empatia não são exatamente a mesma coisa, mas estão próximas. Ainda não é uma casa, mas é mais um tijolo.

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O programa Houses of Empathy foi concluído há cerca de duas semanas e, até ao fim de novembro o processo de avaliação deverá estar finalizado, explica Sónia Freitas. Se tudo correr bem, a experiência poderá ser alargada a outros espaços de acolhimento de jovens em situação de risco. Só no distrito de Lisboa, explica Rui Godinho, existem cerca de 200 crianças e jovens em lista de espera para serem acolhidos. Todos à espera de aprender como lidar com o bullying que os espera dentro e fora de casa, dentro e fora deles mesmos.

 

 

 

Porque prefiro que os meus filhos aprendam empatia em vez de mandarim

Setembro 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/ de 14 de setembro de 2016.

empatia

“Desde que sou mãe que tenho ouvido diferentes opiniões sobre o que é mais importante que os nossos filhos aprendam para ter sucesso na vida. Programação. Inglês. Xadrez. Ballet. Mandarim. Comunicação. Matemáticas. Desportos de equipa. Música. Artes marciais. “

Estou grávida de sete meses da minha terceira filha e com uma barriga gigante. No fim de um dia de trabalho, sempre que entro no metro a abarrotar é inacreditável a forma como as pessoas viram a cabeça para o outro lado e fingem que não me viram. São muito poucas as pessoas que me olham nos olhos e me cedem o lugar. Não sei se sabem mandarim, programação ou se são uns génios em matemática. Mas todas elas têm algo em comum: empatia. Empatia tal que as move e as leva a fazer algo pelos outros. É chamada Empatia em ação.

Esta é a empatia que move as pessoas a fazer coisas pelo próximo. A ajudar a construir uma maternidade, a doar o seu tempo e esforço por uma causa em comum. A que leva um jovem a montar uma iniciativa social na sua escola.

A Empatia em Ação é de extrema importancia na formação de uma criança não só por ajudar o próximo, mas também por se tornar uma competência essencial para se ser bem sucedido e feliz. A empatia é o que faz que uma pessoa trabalhe bem em equipa, que seja um bom líder, que uma empresa concentre o seu serviço às verdadeiras necessidades do cliente, ou que um jovem saiba como atuar numa entrevista de trabalho.

A empatia não surge quando olhamos à nossa volta. A empatia faz-nos olhar de outra maneira à nossa volta, focando-nos nas necessidades e preparando a ação.

LER TAMBÉM ESTAMOS A CRIAR CRIANÇAS GENTIS?

A Empatia em Ação leva-nos a inovar e torna-nos mais pragmáticos, mais bem sucedidos e mais felizes. E claro, ajuda a tornar o mundo melhor.

A boa notícia é que a empatia se pode aprender e praticar. Existem empreendedores sociais, como a canadense Mary Gordon, que impulsiona a empatia em escolas há quase 20 anos, e tem promovido os benefícios objetivos da empatia.

Também em Espanha, há colégios que estão a trabalhar a Empatia em Ação com os seus alunos e têm conseguindo resultados excelentes. As crianças do Ensino Fundamental de Canárias, pela primeira vez, terão a sorte de ter a disciplina – obrigatória e avaliativa – “Educação Emocional e para a Criatividade”, onde duas vezes por semana trabalharão a empatia e outras emoções. Hoje em dia este tipo de indicadores não faz parte dos rankings dos top 100 colégios da Espanha, que continuam, infelizmente, centrados nos resultados quantitativos de avaliação. Mas se todos valorizarmos, praticarmos e ensinarmos a Empatia aos nossos filhos, tal como aconteceu com as regras e outros valores sociais e morais noutros tempos, as coisas irão mudar.

Eu quero que os meus filhos desenvolvam a empatia. Para que não virem a cabeça para o outro lado. Para que sejam pessoas ativas e que se importam com o que se passa à sua volta. Para que façam algo pelos outros. Para que tenham êxito pessoal e profissional. E para que quando forem à China, sejam capazes de entender os moradores locais com apenas um olhar.

Das crianças que trabalharam a empatia em salas de aula:

  • 78%  incrementaram a sua atitude e conduta perante os colegas;
  • 74% aceitaram melhor os colegas;
  • 71% aprenderam a avaliar as situações em perspectiva;
  • 39% diminuíram a agressividade relativamente aos colegas.

empatia

 

 

 

5 conselhos para deixar de gritar com o seu filho

Abril 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 9 de abril de 2016.

Mimafoto iStock

Ana Cristina Marques

Magda Gomes Dias, formadora ligada à Educação Positiva, revela quais os passos a seguir para uma relação entre pais e filhos sem berros ou ralhetes desnecessários. Para poupar os ouvidos lá de casa.

Ninguém tem filhos para se zangar todos os dias, para gritar a plenos pulmões para ele ou ela deixarem de atirar comida para o chão ou para pararem de mexer onde não devem sequer encostar o dedo mindinho. Esta é a premissa que sustenta a nova obra de Magda Gomes Dias, formadora nas áreas de comportamento e comunicação há 15 anos, com certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching.

A mãe de dois é a autora de Berra-me Baixo (Manuscrito), que consiste basicamente num plano de 21 dias para que pais e mães deixem de berrar com os próprios filhos. Mas antes de aceitar o desafio e partir à aventura, a autora deixa ficar cinco conselhos para que a comunicação entre quem educa e quem é educado seja progressivamente mais fácil. E antes que seja apanhado desprevenido, a autora esclarece desde logo que a culpa de gritar com os miúdos é sua e não deles.

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1. É tudo uma questão de autorregulação

O livro assinado por Magda Gomes Dias começa com a ideia de que a criança deve sentir que está a ser educada por um adulto, isto é, alguém capaz de gerir as suas próprias emoções e que não cai no erro de agir tendo por base o impulso. Sobre isso, a autora diz ao Observador que a questão da autorregulação dos pais passa, em primeiro lugar, “por descobrir ou escolher que comportamento ter em determinada situação”. Preto no branco, Magda convida pais e mães a pensar no que os faz gritar com um filho, bem como as circunstâncias em que tal acontece.

E o que é que um filho ganha com um pai apto a gerir os próprios sentimentos? “Quando alguém grita connosco, o mais provável é termos uma de duas reações, ou atacamos ou defendemo-nos. Quando colocamos a criança a defender-se ou a agredir, ela não está a pensar, está antes a reagir”, explica a responsável pelo blogue Mum’s The Boss. Ao falar calmamente com os filhos, argumenta, está-se a dar oportunidades para que estes reflitam sobre o que se passou, mas também para que desenvolvam empatia e a noção de cooperação. “A empatia, ao nível da inteligência emocional, é das coisas mais importantes e implica adaptarmo-nos à linguagem do outro. Permite ainda que as crianças se sintam mais próximas dos pais.”

2. Ralhar não é o mesmo que gritar

As duas palavras parecem não existir uma sem a outra, mas Magda Gomes faz questão de as separar, começando por dizer que toda a gente pode ralhar. “A nossa missão enquanto pais também passa por ralhar, o que significa corrigir, reencaminhar e orientar a criança.” É nesse sentido que se explica que é possível ralhar sem humilhar os mais novos, isto é, que é possível (e até necessário) ralhar sem gritar. “As coisas confundem-se porque a maior parte das pessoas ralha a gritar.”

“Se por ralhar entendes chamar a atenção, lembrar, mostrares-te desapontado(a)/chateado(a) com uma situação e a seguir orientares e indicares o comportamento do teu filho, então, por favor, continua a ralhar! Fica a saber, no entanto, que não tens de o fazer a gritar ou agressivamente, mas também não tens de o fazer num tom de voz que nada tenha que ver com a situação.”

Berra-me Baixo, página 25

3. O truque é falar assertivamente e com calma

Apesar de o livro em questão não garantir que um pai vai em absoluto deixar de gritar com os filhos, tem como objetivo proporcionar relações filiais mais felizes. E se a tónica principal está no ato de baixar o tom de voz, então a ideia de falar com calma também é protagonista desta história. Mas nem tudo é um mar de rosas: “Às vezes os pais ralham com muita calma e, se estiverem zangados, essa serenidade vai soar mal. A cara tem de bater com a careta.” Mais uma vez, o hábito volta a vestir o monge, no sentido em que é preciso ir experimentando vários tons de voz junto das crianças para que estas percebam a mensagem. Mas por muito que varie o tom, a assertividade e a firmeza são sempre precisas. “Os pais têm de se mostrar zangados quando estão zangados. A nossa função não é convencer os miúdos a parar de fazer asneiras, mas sim explicar as regras. É preciso enunciar e explicar as regras e só depois introduzir a consequência”, diz.

“Quando acionas o ‘comando da voz calma’ ajudas as crianças a acalmarem-se. Sentem que têm um adulto sereno e consciente junto delas. E que não faz birras. Os pais e os educadores são os modelos mais importantes que as crianças podem ter, pelo que a voz calma dar-lhes-á esse mote.”

Berra-me Baixo, página 53

4. Castigo não é sinónimo de consequência

Já antes Magda Gomes Dias tinha dito ao Observador que a Parentalidade Positiva olha para o castigo e para a palmada como a lei do menor esforço, como algo que funciona a curto prazo. No livro Berra-me Baixo o assunto volta à discussão, com a autora a fazer uma distinção de antemão: a consequência não é o castigo. “O castigo, por norma, não tem que ver com a situação; a sua essência é fazer com que a criança sofra e se sinta mal com determinada escolha. Isto porque acreditamos que se sentir mal da próxima vez já não vai fazer aquilo”, explica. Por oposição, a consequência tem o condão de responsabilizar a criança e, segundo a própria, é mais justa do que o castigo — no castigo não há regra, antes uma ameaça e implica fazer as coisas pela calada. No entanto, uma breve fusão entre conceitos ocorre, dado que “a consequência pode ser um castigo dependendo do tom de voz com que as coisas são ditas”.

“A consequência tem como objetivo levar a criança a perceber o impacto da sua decisão, responsabilizando-a e também a reparar a situação. E não, a criança nem sempre tem de sofrer para compreender qual é o comportamento adequado e querer recuperá-lo a seguir. Jane Nelsen [terapeuta familiar norte-americana] pergunta, e bem, onde fomos buscar a ideia louca que para se portar bem uma criança tem de se sentir mal.”

Berra-me Baixo, página 69

5. O vínculo entre pais e filho não deve ser ignorado

“Quando os pais têm um vínculo forte com os filhos, estes estão mais dispostos a cooperar com eles”, garante Magda Gomes, que afirma sem hesitar que os pais preferem filhos cooperativos a obedientes. “Os filhos obedientes são aqueles que não tem vontade própria, que não pensam sobre as coisas; já os cooperantes escolhem cooperar em consideração pelos pais.” A importância de trabalhar o vínculo em questão vai além da melhor dinâmica na vida familiar, uma vez que quando as crianças se sentem mais próximas dos pais, sentem-se também emocionalmente mais seguras. Tal realidade trabalha a autoestima dos mais pequenos, que percebem, assim, que têm valor.

 

 

 

 

Pesquisadores da Harvard dão 5 dicas para criar crianças éticas e bondosas

Março 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.revistapazes.com de 21 de fevereiro de 2016.

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Seu objetivo é que seu filho seja um adulto bem sucedido e feliz no futuro? A orientação dos pesquisadores de Harvard é: ensine as crianças desde cedo a serem pessoas generosas e altruístas. Isso não é apenas a coisa certa a fazer, como também é fundamental para que eles desenvolvam relacionamentos saudáveis – uma das maiores fontes de felicidade dos seres humanos – e saibam interagir em sua vida pessoal e no trabalho. Sim, no mercado de trabalho! O sucesso depende mais do que nunca de saber colaborar com os outros e crianças empáticas e socialmente conscientes colaboram mais.

Aqui vão 6 dicas práticas para você plantar a sementinha do bem nos seus filhos:

1)Passe tempo com seus filhos

Esse é a base de tudo. As crianças aprendem a se importar e respeitar o próximo quando elas são tratadas com respeito e amor. Converse, faça perguntas, escute as respostas com interesse, planeje coisas legais para fazerem juntos, leia livros na hora de dormir. Uma criança que se sente amada já tem meio caminho andado.

2) Dê o exemplo

As crianças aprendem a ter comportamentos éticos e morais observando o comportamento dos pais e de outros adultos que elas respeitam. Preste atenção em você mesmo. Você está se comportando da maneira honesta, ética e generosa que você deseja ver nas crianças? Está sabendo resolver seus próprios conflitos com tranquilidade? Claro que ninguém é perfeito todo o tempo e por isso que é tão importante dar o exemplo também reconhecendo erros, sendo humilde e avaliando nosso próprio comportamento. Errou? Admita e busque melhorar.

3)Fale em alto e bom som que generosidade e valores éticos são importantes.

Apesar de muitos pais falarem que isso é uma prioridade muitas crianças não estão escutando. As crianças precisam escutar em alto e bom som que a felicidade dos outros é tão importante como a nossa, que a gente tem que fazer a coisa certa mesmo quando é mais difícil, que temos que honrar nossos compromissos, ser justos. Encoraje seus filhos a tomarem decisões sob a luz da ética e do respeito ao próximo.

4)Crie oportunidades para que as crianças pratiquem a gratidão.

 Gratidão é a palavra da vez para quem está buscando a felicidade. Vários estudos mostram que quem reconhece as coisas boas da sua vida é muito mais feliz. O músculo da gratidão tem que ser exercitado para ficar forte. Encoraje as crianças a expressarem gratidão: obrigada para aquela professora bacana, obrigada pelo ida no parquinho com a vovó, obrigada pela aquela comidinha especial, obrigada por ter me ajudado com o dever de casa.

5)Ensine-os a verem além do próprio mundinho.

A maioria das crianças se importa com sua família e com seus amigos. O grande desafio é fazer com que desenvolvam empatia em relação a alguém fora do seu círculo social, o aluno novo da classe, alguém que não fala a sua língua, o faxineiro da escola, alguém que mora em um país muito distante. Ajude o seu filho a dar o “zoom out” no mundo. Converse sobre notícias, sobre as dificuldades de pessoas que moram longe. Ou apenas converse sobre pessoas diferentes de vocês. Isso já ajuda as crianças a entenderem que o mundo é muito mais do que a gente pode ver – excelente capacidade para se desenvolver em uma realidade tão globalizada.

Esse texto é uma adaptação/tradução livre deste artigo no upworthy e deste no Washington Post. O estudo da Harvard citado no texto acima faz parte do projeto Making Care Commom, que tem como objetivo ajudar pais e educadores a ensinar ética e empatia para crianças. O site deles vale a visita!

O texto acima é uma tradução e adaptação do site “Tudo sobre minha mãe”, conforme créditos já inseridos no rodapé deste texto. Recomendamos, com carinho, que todos visitem o site!

O artigo original do Washington Post:

Are you raising nice kids? A Harvard psychologist gives 5 ways to raise them to be kind

 

 

 

 

 

Como educar para a empatia?

Janeiro 22, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://maegazine.com de 12 de janeiro de 2016.

abelha-empatia

by melro azul

É com muito orgulho que aqui publico, em ante estreia, um artigo sobre a empatia. A sua autora é a Doutora Inês Franco Alexandre, psicóloga clínica especializada em Terapia Familiar e doutorada pela Universidade de Coimbra. A empatia, a capacidade de escuta e de verdadeira compreensão do outro são características tramadas, pois exigem muito de nós, mas são também das características mais necessárias para a nossa vida em sociedade. Como sociedade em miniatura que a família é, este artigo faz ainda mais sentido: como educar para a empatia?

Educar para a empatia

Ao longo dos meus anos enquanto psicóloga e terapeuta familiar, tenho-me perguntado sobre como posso transferir a aprendizagem que vou fazendo com as pessoas com quem trabalho para o mundo da educação e da parentalidade. Cada vez mais, na minha vida em geral, me deparo com a dificuldade, de alguns adultos, de se emocionarem com os outros, capacidade fundamental e necessária para amar…e ser amado. Do mesmo modo, acredito profundamente que em terapia só é possível ajudar alguém se tivermos a capacidade de genuinamente estarmos com ela. Desde há algum tempo que me pergunto como poderemos desenvolver e potenciar esta capacidade nas crianças.

Empatia significa a capacidade que nos colocarmos no lugar do outro, tentando sentir o que ele sente nas circunstâncias em que se encontra. A palavra empatia tem origem no termo grego empatheia, que significava paixão. Empatizar implica assim uma identificação com o outro, sentir como ele, o que pressupõe uma ligação afectiva com outra pessoa. Distingue-se da simpatia, que se caracteriza pela atracção que sentimos por outro e que levará a uma resposta agradável, mas que não implica sentir com e como a outra pessoa.

Adultos com uma maior capacidade empática têm mais capacidade de ajudar os outros, são mais solidários e têm uma maior capacidade de estabelecer relacionamentos profundos. No entanto, o que aparentemente parece tarefa simples, ou decorrente de um traço genético com que afortunadamente se nasce ou não, é uma capacidade não tão comum como desejaríamos, e resultado da interacção de vários factores, entre os quais a relação que temos com os nossos primeiros e principais cuidadores: pais, familiares próximos, educadores, pares.

Ser empático não é uma única tarefa, mas pelo menos duas: identificar a emoção do outro e evocá-la em mim. Significa que tenho de ter a capacidade para ler os sinais do outro que me permitem identificar a emoção em causa, ter um leque variado de emoções no meu percurso, aceitar essas emoções e não ter medo nem fugir delas e saber geri-las. Por exemplo, se fujo constantemente da emoção da zanga porque não gosto de conflitos, terei pouca capacidade de sentir a zanga do outro. Ter a capacidade de empatizar com outro implica, em primeiro lugar, estar em contacto com as suas próprias emoções. Como poderei sentir a tristeza de alguém se não consigo sentir a minha?

Assim, tendo em conta esta multi-tarefa que é ser empático, de que modo poderemos, enquanto pais, tios, cuidadores, educadores, ajudar as crianças a serem adultos mais empáticos, solidários, compreensivos?

As primeiras dicas/tarefas que proponho são individuais e para os pais/adultos:

  1. Deixe-se emocionar! Com a sua vida, com um livro, uma música, um filme. Viva e expresse as suas emoções para si mesmo. Lembre-se: se não sentir as suas emoções, como sentirá as do seu filho?
  2. Expresse as suas emoções de uma forma clara. Nomeie as suas emoções: estou triste, estou zangado/a, estou contente, estou frustrado/a, estou alegre, estou relaxado/a. Se ajudar, faça o que chamo de mapa emocional: vá registando o que vai sentindo ao longo do dia. Vai admirar-se com as diferentes emoções que vai sentindo ou…com a sua dificuldade em notar e nomear nas suas emoções.
  3. Viva bem com as suas emoções: aceite que há emoções que gostamos mais de ter, e outras menos, mas que todas são boas e muito úteis. Sabia que não viver a tristeza pode contribuir para estados depressivos?

As propostas que faço em seguida são para a sua interacção com a criança. Algumas podem ser utilizadas desde o nascimento, outras apenas depois de ter sido adquirida a linguagem:

  1. Faça corresponder a expressão emocional verbal com a não verbal. Por exemplo, não chore de tristeza ao mesmo tempo que diz que está tudo bem. As crianças são sensíveis aos sinais não verbais e às incongruências.
  2. Saiba ouvir o seu filho. Desde que nasce, a criança vai expressando as suas emoções. Enquanto não aprende a verbalizar o que sente, utiliza outros meios, como o choro, a agitação motora, a prostração, etc. Desde que o bebé nasce, faça o trabalho (por vezes árduo!) de se deter um pouco a vê-lo e a ouvi-lo, descodificando o que lhe diz. Detenha-se perante a necessidade imediata de calar o choro ou eliminar o mal-estar (tarefa árdua x100!). Isto permitirá que ele sinta que é realmente ouvido e compreendido, e que sabe lidar com as suas emoções. Lembre-se: desde que o seu filho nasce que constitui um espelho e um modelo para ele. Se souber lidar com as emoções da criança, ela saberá lidar melhor com as suas próprias emoções, e também com as dos outros.
  3. Olhe sempre para a criança quando fala com ela, desde que nasce, e sobretudo quando expressa as suas emoções. O contacto ocular é um importante meio de ligação e de expressão emocional.
  4. Não se culpabilize quando não age como gostaria: quando grita, quando não conseguiu ouvir, quando não teve disponibilidade. Em vez disso, peça desculpa, verbalmente e através de gestos. Dê um beijo ou um abraço enquanto pede desculpa, e responsabilize-se pela sua dificuldade momentânea em gerir as emoções. Muitos adultos têm bastante dificuldade nesta tarefa. Lembre-se: assumir a responsabilidade pelas nossas emoções é sinal de firmeza e coragem, e não o contrário. Verá que o seu filho lhe tem mais respeito e aprenderá a responsabilizar-se pelas suas próprias emoções, em vez de culpabilizar o exterior (os outros, o mundo). Faça isto desde que o seu filho é bebé (sim, bebé!). Os bebés não entendem o que lhes dizemos, mas entendem as emoções que acompanham os gestos e o tom de voz.
  5. Expresse através de gestos a sua compreensão pelo que foi expresso, verbalmente ou não, pela criança. Conforte-a quando está triste, contenha a sua zanga ficando com a criança e com a sua emoção. Sempre que possa, não fuja das emoções negativas do seu filho.
  6. Alegre-se com a alegria do seu filho: ria-se quando ele se ri, retire prazer daquilo que ele gosta. Empatizar não significa apenas sentir com o outro as emoções negativas, mas também as positivas. Muitos adultos apenas conseguem viver as tristezas dos outros, e não as alegrias, as conquistas, os sucessos. Diga ao seu filho como é bom e divertido estar com ele.
  7. Ouça música de que gosta com o seu filho e dance com ele. Com os bebés, dance com eles ao colo. Eles adoram, e é uma excelente forma de partilharem as emoções que a música suscita. Com crianças maiores, dance com elas, permitindo que elas expressem as suas emoções e a vejam a si a fazê-lo. Do mesmo modo, ouça e dance as músicas preferidas do seu filho. A música e a dança são excelentes formas de expressar emoções, e excelentes veículos para entender as emoções dos outros.
  8. Quando a criança verbaliza as suas emoções, ouça-a com atenção e reflicta o que lhe diz com outras palavras: ex: “eu compreendo, estás triste porque não podemos ir ao parque e é algo que gostas muito de fazer”; ou “é natural ficar-se assim zangado/frustrado quando nos magoam.
  9. Expresse a sua compreensão com exemplos seus: “eu também fico triste algumas vezes. Por exemplo outro dia quando o Tobias estava doente”; “lembras-te outro dia quando íamos para a escola e me irritei? Acho que estava a sentir o mesmo que tu agora”.
  10. Faça jogos com as crianças sobre as emoções. Por exemplo, desenhe caras com expressões emocionais para ela adivinhar, e vice-versa. Com crianças pequenas também pode fazer o mesmo gesto com gestos e expressões faciais.
  11. Conte histórias de família, inclusivamente de quando era criança. Fale sobre emoções que sentiu e de como ultrapassou alguns momentos. Especialistas dizem que não só ajuda a que a criança tenha um sentimento de pertença, como também a ajuda a encontrar estratégias para lidar com as suas próprias emoções. Além disso, vê-la como humana e não infalível ajuda-o a compreender as suas próprias dificuldades e as dos outros.
  12. Leia histórias, muitas histórias. Ajuda a criança a entender as personagens e as suas emoções. Se puder, imprima emoção quando lê a história: faça vozes diferentes, e caras diferentes consoante o que dizem as personagens, para que a criança aprenda a identificar as expressões não verbais associadas às emoções dos outros. Fale com o seu filho sobre o que ele sente pelas várias personagens.

 

Desejo-lhe um bom trabalho e…divirta-se! Talvez descubra, no final, ou pelo caminho, que foram as crianças que a/o ajudaram a si a compreender-se melhor, a compreender os outros, a amar e a ser amado. E nesse momento, não se esqueça de expressar uma das emoções mais poderosas na criação de bem-estar: a sua gratidão.

Este artigo é da autoria da Drª Inês Franco Alexandre. Aqui no Mãegazine já se publicaram outros textos de diversas autorias sobre a escuta empática, frases para promover o amor próprio dos nossos filhos, estratégias para lidar com birras monumentais e algumas razões que nos demonstram que afinal não estamos a fazer um trabalho tão mau como algumas vezes pensamos. Como aqui se publica de forma espaçada, o melhor e seguir através de Facebook, Pinterest ou subscrevendo por email. Até já!

A imagem é da autoria de A.L.O.E (1821-1893)

 

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