Nenhuma família do mundo ficará sem educação. E é em Lisboa que se está a falar disso agora

Maio 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do DN Life de 13 de maio de 2019.

Educar dá mesmo muito trabalho, juram a pés juntos os pais de qualquer parte do mundo. Como ajudar um filho a crescer bem? E a família com ele? E se pudéssemos pensar nas famílias como um todo para se alcançar algo ainda maior, sustentado, a nível internacional? O World Family Summit 2019 começou hoje em Lisboa para falar – até quarta-feira – desta educação inclusiva, destinada a promover oportunidades iguais. Aprender tem de ser para todos.

Texto de Ana Pago

Pensar na vida como uma partilha com quem amamos – a nossa família – faz-nos crescer como pessoas. Família é quem nos ensina a pensar mais alto. A confiar nas nossas capacidades. A pôr os olhos no futuro. Daí que qualquer objetivo grandioso que se queira alcançar a nível mundial – como o de garantir uma educação inclusiva, objetivo de desenvolvimento do milénio para 2019 – tenha de ser feito por aí, família a família. É disto e muito mais que começam hoje a falar, até quarta-feira, participantes de 34 países no World Family Summit 2019, pela primeira vez em Lisboa.

“Acreditamos que a educação é um dos instrumentos mais poderosos no desenvolvimento de recursos humanos, fator-chave na redução das desigualdades e da pobreza”, diz Isidro de Brito, presidente da Associação Nacional para a Ação Familiar (ANJAF) e vice-presidente para os Assuntos Legais e Administrativos da Organização Mundial da Família (um dos promotores da cimeira em conjunto com a CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e a UNITAR – o Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa).

“Educar amplifica a liberdade de escolha e ação das pessoas, gera produtividade económica, empodera-as a serem parte ativa das sociedades a que pertencem e equipa-as com as competências de que necessitam para desenvolverem o seu próprio sustento e ajudarem as famílias”, explica Isidro de Brito, sublinhando ainda o contributo da educação na comunicação intercultural, o que por sua vez se traduz em respeito mútuo, fomenta a tolerância e promove a transformação como um todo, sociedade a sociedade. Família a família.

“O World Family Summit representa um compromisso da parte de todos os setores, de todas as sociedades envolvidas a nível global, de não deixar ninguém para trás.”

Foi em 2004 que Kofi Annan, o então secretário-geral das Nações Unidas, sugeriu que se celebrasse o décimo aniversário do Ano Internacional das Famílias. A ideia foi aplaudida pela Organização Mundial da Família, por organizações não-governamentais suas afiliadas e por universidades associadas de 189 países e 127 governos do mundo. Nascia a primeira edição do World Family Summit, estreado de fresco em dezembro de 2004, na China, com as metas globais de se acabar com a pobreza, a fome e as desigualdades de género, proteger o planeta e assegurar prosperidade, emprego e educação para todos.

Hoje em dia, a cimeira representa um compromisso da parte de todos os setores, de todas as sociedades envolvidas a nível global, em estabelecer parcerias internacionais a favor de mais paz, tolerância, justiça, segurança, prosperidade, solidariedade e integração, partindo dos tais objetivos de desenvolvimento do milénio que têm em comum o princípio abrangente de não deixar ninguém para trás.

Em cima da mesa, nos próximos três dias, estarão assim em debate temas tão estruturais como a educação de qualidade para as crianças (a começar logo no primeiro ciclo), estratégias para a igualdade e inclusão das famílias, o ensino do respeito pela diversidade cultural (abrindo as portas aos refugiados e famílias migrantes) ou a importância de se educar para a cidadania.

Em 2030, se tudo correr conforme o esperado, toda a gente espera (e não apenas os estados membros das Nações Unidas) que os 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável lançados pelo ONU sejam alcançados pelas nações, sem exceção. Nessa altura o mundo será um lugar melhor.

 

 

5 formas de educar as crianças para a igualdade

Outubro 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.maxima.pt/

Estaremos nós a esquecer-nos da importância de educar, acima de tudo, para a igualdade?

Por Rita Silva Avelar, 07:00

Quando pesquisamos no Google por igualdade, a palavra que se segue é: género. É um dos temas mais discutidos na atualidade, mas estaremos a dar-lhe a importância necessária no que respeita à educação das gerações futuras – ou seja, todas as crianças e adolescentes de quem somos, eventualmente, responsáveis por educar? Há várias autoras a escrever sobre igualdade de género e feminismo, de forma clara e pertinente, livre de preconceitos e extremismos. São elas a premiada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que em 2014 escreveu aquilo que o jornal The Telegraph classificou como “um dos livros mais importantes do ano”, Todos Devemos Ser Feministas,a escritora espanhola Carmen G. de la Cueva, que escreveu Mamá, Quiero ser Feminista, ou Nuria Varela, autora de Feminismo para Principiantes.

Estes são os cinco conselhos destas três publicações, citadas pelo jornal El País, que importa lembrar quando estamos a falar de educar para a igualdade e para o respeito.

1. Nunca dizer que se deve fazer ou deixar de fazer uma coisa por se ser rapariga. Esta é uma das ideias reforçadas por Adichie no seu livro. O mesmo para os rapazes: a formação de estereótipos deve evitar-se na infância. Um dos exemplos dados no livro é o de cozinhar. “Saber cozinhar não é um conhecimento pré-instalado na vagina, cozinhar é algo que se aprende”, escreve a autora.

2. A justiça e a igualdade de direitos são conceitos reforçados por Nuria Varela em Feminismo para Principiantes. Nele, a autora explica que “o contrário da igualdade é a desigualdade, não a diferença; todos e todas somos diferentes e isso é maravilhoso nos seres humanos, mas o problema começa quando sobre essa diferença construímos desigualdades”. E é por isso importante, e referindo-se aos filhos, “ensinar-lhes que não sejam indiferentes à injustiça e à desigualdade, para que sejam adultos solidários e comprometidos em tornar o mundo cada vez mais justo”.

3. Aprender também a questionar. A igualdade não se aprende como um dogma, mas também através de uma reflexão pessoal e da observação atenta às situações do dia a dia – aqui, a linguagem tem um papel importante. Estas ideias são reforçadas por Adichie no seu livro. Por exemplo, por mais que chamemos princesas às nossas filhas com boa intenção e carinho, esta “é uma palavra carregada de presunções, a delicadeza é associada à figura feminina, e ao príncipe que a resgatará”.

4. Ler é uma das formas de, mesmo em idade adulta, saber mais sobre a igualdade, e sobretudo acerca das tais situações ‘invisíveis’ associadas à desigualdade que vivemos todos os dias e que, sem querer, podemos perpetuar. Nuria Varela explica que, no caso dos adultos, “o feminismo ainda é amplamente desconhecido para alguns, ainda assim toda a gente parece ter uma opinião sobre o tema mesmo que não tenham lido nada sobre o assunto nem se tenham informado sobre o mesmo – essas opiniões estão fundamentadas em juízos de valor e mitos, não na realidade e no conhecimento”.

5. É preciso instalar a ideia, na educação das crianças, de que não existem temas proibidos e aumentar-lhes a autoestima para que não tenham receios de os lançar numa conversa. Carmen G. de la Cueva exemplifica com um comentário da própria irmã: “Converso, de forma liberal, do corpo, da menstruação, etc., desde que me lembro de falar. Quero que não se sinta que existem silêncios à nossa volta, que não há temas dos quais não se possa falar.”

Fotografias e mais texto no link:

http://www.maxima.pt/bem-estar/familia/detalhe/5-formas-de-educar-as-criancas-para-a-igualdade?utm_campaign=Newsletter&utm_content=1747826932&utm_medium=email&utm_source=geral_ativos_2

 


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