Filmes podem substituir anestesia geral em crianças com cancro

Maio 16, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/de 8 de maio de 2017.

Ver filmes pode ser uma boa alternativa à anestesia geral em crianças com cancro sujeitas a sessões de radioterapia, conclui um estudo coordenado por uma radioterapeuta portuguesa e hoje divulgado.

Segundo o estudo, as crianças podem ser poupadas a dezenas de doses de anestesia geral se assistirem a um filme de que gostam projetado no interior da máquina de radioterapia enquanto fazem o tratamento.

O trabalho, que partiu de uma pequena amostra, foi coordenado por Cátia Águas, radioterapeuta e dosimetrista (que prepara materiais e equipamentos para exames de radioterapia) das Clínicas Universitárias de São Lucas, em Bruxelas.

A especialista apresentou, domingo, o estudo numa conferência da Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia, em Viena, Áustria.

De acordo com Cátia Águas, citada num comunicado pela Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia, o uso de vídeos em vez da anestesia geral é menos traumático para as crianças e as suas famílias, e torna cada sessão de tratamento mais rápida e rentável.

A anestesia geral tem sido a solução utilizada pelos médicos para manter as crianças quietas durante as sessões de radioterapia, um tipo de terapêutica direcionada contra o tumor com grande precisão, nomeadamente em cancros da cabeça, dos ossos e de tecidos moles, e que requer, para ser bem-sucedida, ausência de movimentos.

Uma vez que os tratamentos, normalmente diários, podem prolongar-se por um mês ou mês e meio, isso significa, segundo Cátia Águas, que as crianças têm de se submeter a várias doses de anestesia geral semanais e estar sem comer seis horas antes de cada sessão de tratamento.

O estudo em causa abrangeu 12 crianças, entre 1 ano e meio e 6 anos, com metade delas a ser tratada antes do projetor de vídeo ser instalado, em 2014. A outra metade foi tratada depois de o projetor estar a funcionar.

Antes de os vídeos estarem disponíveis, a anestesia geral era necessária em 83% dos tratamentos. A percentagem caiu para os 33% quando as crianças passaram a poder ver um filme à sua escolha.

Além de evitar alguns dos riscos associados à anestesia geral, a experiência revelou que cada sessão de radioterapia passou a demorar 15 a 20 minutos, em vez de uma ou mais horas, em parte porque não só as crianças ficaram mais colaborativas, pois sabem que vão ver um filme que apreciam, mas também deixaram de ser necessários os preparativos que uma anestesia geral exige.

Desde que Cátia Águas começou a projetar filmes nas sessões de radioterapia, as crianças passaram a estar mais relaxadas e menos ansiosas.

A radioterapeuta pretende alargar o método a doentes adultos ou que sofram de claustrofobia e de ansiedade.

mais informações na notícia:

Watching movies can replace general anesthesia for kids with cancer having radiotherapy

 

 

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“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

Acupuntura reduz dor crónica em crianças

Janeiro 31, 2016 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do site http://www.pipop.info de 18 de janeiro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Use of Acupuncture for Pain Management in Pediatric Patients: A Single-Arm Feasibility Study

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Fonte: Medical News Today
Um grupo de pesquisadores norte-americanos acredita que a acupuntura pode ser usada como um tratamento complementar eficaz e seguro para ajudar a reduzir a dor crónica nas crianças.

As conclusões surgem de uma pesquisa que avaliou os efeitos desta terapia no tratamento da dor crónica em 55 crianças e adolescentes, que tinham entre 7 e 20 anos de idade. Cada criança e/ou adolescente realizou oito sessões de acupuntura, cada uma com uma duração de 30 minutos.

Os cientistas da Universidade Rush, liderados pelo oncologista pediátrico Paul Kent, reforçam que todos os doentes pediátricos relataram uma redução significativa e progressiva da dor no decorrer do tratamento, bem como apresentaram menor incidência de problemas de saúde a vários níveis: emocional, social e educacional.

Num artigo publicado na revista Alternative and Complementary Therapies, a equipa indicou ainda que os efeitos relatados pelas crianças e pelos próprios pais eram mais significativos no início do tratamento e durante as sessões.

Paul Kent sublinha que “a acupuntura oferece uma alternativa importante para o tratamento da dor crónica” e reforça que os efeitos são particularmente relevantes no caso de “pacientes que podem ter de lidar com a dor na maior parte da sua vida, incluindo aqueles que têm anemia falciforme e sequelas de cancro. Além disso, a acupuntura ajuda no combate à ansiedade e depressão”.

 

 

Workshop de Hipnose Pediátrica para Controlo da Dor e Ansiedade em Pediatria

Outubro 19, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Núcleo Contra a Dor do Departamento de Pediatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, EPE está a organizar um workshop de Hipnose Pediátrica para Controlo da Dor e Ansiedade em Pediatria, que se realizará dias 29 e 30 de Outubro 2015.

O workshop destina-se a médicos, enfermeiros e outros profissionais que trabalhem na área da Pediatria. Tem inscrição limitada a 40 participantes.

Gostaria de pedir para ajudarem na divulgação.

Podem visualizar o programa do workshop, bem como realizar inscrições através do site:

http://workshophipnosepediatrica.weebly.com/

 

Estratégias não farmacológicas no controlo da dor na criança – publicação da Ordem dos Enfermeiros

Agosto 28, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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guia

descarregar o guia no link:

http://tinyurl.com/pe5z82p

 

Choro dos bebés ativa as campainhas do medo mais profundo

Agosto 22, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 5 de agosto de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Human Screams Occupy a Privileged Niche in the Communication Soundscape

Adelino Meireles Global Imagens

Que o choro do bebé sinaliza um mau estar ou uma dor, já se sabia. O que estava por descobrir é porque é que aquele som em particular deixa os adultos com o seu sentido de alerta no limite. A resposta está na frequência do som.

De acordo com um estudo publicado na “Current Biology”, o choro e os gritos do bebé têm características acústicas especiais que conseguem activar uma parte do cérebro responsável pela prevenção e proteção do ser humano.

Esses sons possuem uma frequência específica, que não é nem aguda nem grave, chamada de dureza, que tem sido desvalorizada. Agora, descobriu-se que funcionam como estímulo da zona cerebral que faz a leitura de situações perturbadoras, localizada na amigdala, o que poderá levar a concluir que o choro do bebé tem como objectivo suscitar sentimento de medo nos adultos.

No contexto da pesquisa, quando Luc Arnal, um dos autores do trabalho, e a sua equipa perguntaram aos indivíduos da experiência que sons lhes pareciam mais aterradores, e foram precisamente esses os assinalados, os tais da zona da dureza.

A descoberta poderá também ajudar a criar sistema de alarme mais eficazes para carros e habitações. Pelo contrário, será também mais fácil corrigir os sons mais desagradáveis.

 

 

 

 

Dor de cabeça pode ser sinal de «bullying»

Novembro 7, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site crescer.sapo.pt de 22 de Outubro de 2013.

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O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Bullied Children and Psychosomatic Problems: A Meta-analysis

Estudo aponta que as crianças vítimas de agressão verbal, moral ou física têm o dobro do risco de manifestar o sintoma.

Todos os pediatras dizem que é importante prestar atenção ao comportamento das crianças em casa. Isto porque são nas conversas do dia-a-dia que a criança pode dar sinais de que está a passar por algum problema. Se estiver irritada, agitada ou agressiva, a querer ficar sempre sozinha, os pais devem ficar atentos. Sintomas como medo ou pânico de ir para a escola e até enurese (xixi na cama) podem significar que a criança está a ser vítima de bullying.

Uma nova investigação da Universidade de Pádua, em Itália, reforça que os sinais físicos estão associados ao problema. Os mais comuns, segundo os cientistas, são dores de cabeça e de estômago, dificuldades de respiração, enjoo e tonturas. De acordo com o estudo, as crianças vítimas de bullying têm o dobro do risco de manifestarem estes sintomas. Para chegar a esta conclusão, avaliaram trinta outros estudos e observaram as informações de 220 mil crianças, de 14 países diferentes.

É óbvio que uma dor de cabeça não significa necessariamente que a criança esteja a ser vítima de bullying. Os pais devem encarar os sintomas como alertas e passar a ficar mais atentos caso sejam recorrentes. Também devem procurar sinais físicos, como hematomas, feridas, dores ou marcas pelo corpo. Mais uma vez: uma ferida não é motivo para desespero. Pode ser resultado de uma disputa por brinquedos ou de uma queda no parque.

O importante é que, diante dos sintomas acima descritos, os pais conversem abertamente com a criança. Perguntem-lhe se está tudo bem na escola e como se relaciona com os amigos. Pode ser que ela tente omitir o bullying; então, prestem atenção se o comportamento atípico se repete.

Caso descubram que a criança está a ser agredida na escola, conversem com os educadores e professores e pecam-lhes que façam um trabalho de consciencialização com os alunos. Cabe à equipa pedagógica acompanhar de perto o que está a acontecer com a criança no ambiente escolar. E, principalmente, mostrem ao vosso filho o quanto ele é amado: melhorar a autoestima da vítima é essencial.

Maria João Pratt

 

Jornada Experiências de dor em crianças com cancro

Junho 13, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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cancro

Mais informações Aqui

Inscrições Até Jun 15, 2013

A Jornada “Experiências de dor em crianças com cancro” é organizada pela Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, e enquadra-se no projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE/QREN) com o titulo «Experiências de dor de crianças com cancro: localização, intensidade, qualidade e impacte» (PTDC/PSI-PCL/114652/2009).

Os organizadores da Jornada contam com a presença de personalidades nacionais e estrangeiras peritas na área e pretende-se que seja um espaço de debate sobre a investigação realizada na área das “Experiências de dor de crianças com cancro” e, consequentemente, se apontem caminhos para um cuidado de Enfermagem que promova a qualidade de vida das crianças com cancro e suas famílias.

Inês nasceu com uma cardiopatia mas tem o “superpoder da coragem”

Outubro 8, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 29 de setembro de 2012.

Inês tem seis anos e já foi submetida a três cirurgias. Oito a nove em cada mil crianças sofre de uma doença cardíaca que nasce com elas. Hoje é Dia Mundial do Coração.

São sete da manhã. A mãe de Inês acorda-a para que tome a medicação: são cinco medicamentos, e, aos seis anos, Inês sabe o nome de todos. “Já decorei os que sabem mal para saber o que ponho na boca a seguir: água, sumo ou batatas fritas”, explica.

Como não consegue tomar comprimidos, estes são desfeitos e postos em seringas. Inês quer sempre tomá-los sozinha, arrancando as seringas das mãos da mãe. Este processo repete-se sete vezes ao dia até à uma hora da manhã. “Não consigo dormir bem aqui, a minha mãe está sempre a acordar-me para tomar os medicamentos”, queixa-se.

A mãe abre a persiana e deixa entrar a luz do dia no quarto do serviço de cardiologia pediátrica do Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde a menina está internada há mais de quatro meses devido a um pós-operatório complicado na sequência da terceira cirurgia. A primeira aconteceu quando tinha dias de vida.

Segundo Rui Anjos, director de serviço, “as cardiopatias que manifestam sintomas nos primeiros dias ou meses de vida são as mais graves”. A cardiopatia é a doença congénita que mais mortalidade causa e é a forma mais frequente de malformação clinicamente relevante no nascimento. As taxas de mortalidade na cirurgia cardíaca pediátrica a nível internacional são de 3 a 4%.

Inês não é a única a sofrer desta doença cardíaca. Actualmente, estão oito crianças internadas no mesmo serviço e muitas em lista de espera. Em média, por semana, são feitas quatro cirurgias cardíacas pediátricas neste hospital. Santa Cruz é um dos quatro hospitais públicos do país com programa médico-cirúrgico de cardiologia pediátrica. Existe uma grande deslocalização de pacientes para este hospital, sendo que, em média, 40 a 50% dos pacientes do serviço são de fora de Lisboa.

É o caso de Inês que gosta de imaginar que tem o “superpoder da coragem”. Protege-o numa jóia encantada que tem guardada num colar e utiliza-o para combater as coisas más. “E tem dado muito jeito numa altura destas”, diz a mãe para quem a pior coisa é o tempo de espera durante as cirurgias de Inês. “E quando a via, logo após a cirurgia, era uma imagem muito forte. Estava cheia de tubos, gaze. Nunca tirei fotografias, como fazem alguns pais”.

Cheia de energia, Inês deixa a sua nova cama, a mais vistosa do serviço, cheia de balões, jogos e um peluche da Hello Kitty. Senta-se numa cadeira na sala de convívio e toma o pequeno-almoço.

Inês tem uma cardiopatia congénita complexa, “uma situação de base particularmente preocupante e que se revelou presente à nascença” explica o médico, acrescentando que “tem ainda um factor de risco acrescido: um problema respiratório devido a uma paralisia de um dos músculos respiratórios [do diafragma]”.

Já foi submetida a muitos procedimentos dolorosos. As várias marcas nos braços revelam os cateteres que as enfermeiras lhe têm colocado durante os últimos quatro meses para administrar a medicação. Finalmente, tirou-os há uns dias.

“Não posso brincar”

Vindos de Lagos, e longe da família, os pais mostram-se unidos contra a doença da filha e fazem de tudo para lhe transmitir confiança. “É muito difícil lidar com isto, temos de lhe dar muita força porque ela passa por coisas muito agressivas”, diz o pai. Inês tem um dreno torácico ligado ao corpo 24 horas por dia, durante todos os dias, que lhe suga o líquido que ela tem nos pulmões, líquido esse que lhe provoca os problemas respiratórios que tem. “Dá-lhe algumas dores a colocar, substituir e até mesmo a sucção às vezes é forte demais para ela”, explica a enfermeira coordenadora do serviço Filipa Luz. Mas Inês já está tão habituada a ele, que o ata ao ombro e o usa como uma mala à tiracolo. “O dreno não custa a pôr, custa é depois, fico fraquinha e não posso brincar, só na cama”, diz Inês.

Todos os dias a pesam, medem-lhe a tensão e tiram-lhe sangue frequentemente. Tem os olhos bem abertos em direcção ao que lhe estão a fazer. “É muito curiosa, pergunta tudo. Sabe perfeitamente o que tem, não lhe escondemos nada”, revela a mãe. Gosta de saber tudo, mas gostava mais ainda de sair dali. “Ver uma coisa nova, a minha casa, ir a sítios. Apetecia-me agora ir ao oceanário ver os peixinhos”, confessa a menina. Os pais já prometeram que o desejo será concretizado assim que tiver alta. “Daqui a meia hora vamos os dois almoçar ao McDonald’s!”, anuncia o médico. Inês dá pulos de alegria. Pela primeira vez em quatro meses vai sair. As enfermeiras pintam-lhe as unhas, os lábios e colocam-lhe sombra nos olhos. Está pronta e a rigor. Quando regressa, traz um brinquedo nas mãos e um sorriso na cara. O entusiasmo foi tanto que vai directa para a cama e adormece instantaneamente.

Ainda não há uma previsão da data do fim do internamento. Entretanto, Inês vai sonhando em ser cirurgiã como os seus ídolos, aqueles que a operaram, e vai pensando em tudo o que ainda quer aprender. “Não sei fazer castelos de areia”, confidencia.

Grupo de investigadores de Coimbra desenvolve estudo para caracterizar a dor em crianças com cancro

Janeiro 20, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 3 de Janeiro de 2011.

Pode aceder ao resumo do estudo Aqui

Por Maria João Lopes

Um grupo de investigadores portugueses juntou-se para estudar e caracterizar a dor em crianças com cancro. Segundo o coordenador, Luís Batalha, trata-se de “um importante passo” para o conhecimento da dor, que contribui para se saber mais sobre as formas de a controlar e diminuir. O docente acredita ainda que é o primeiro estudo, feito no país, a abordar o tema de forma “transversal” e a usar uma escala nova, a Adolescent Pediatric Pain Tool, que está a ser validada em Portugal. “É inovador, não tenho conhecimento de outro [nestes moldes]”.

O projecto de investigação Experiências de dor de crianças com cancro: localização, intensidade, qualidade e impacte, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, está a ser desenvolvido por uma equipa da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (Uicisa-E) da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEC).

O objectivo geral do estudo é caracterizar as experiências de dor de crianças, dos 8 aos 17 anos, com doença oncológica durante a hospitalização. Onde é que dói, com que intensidade e qual o impacte sobre o sono e a qualidade de vida são algumas das questões a que estes investigadores procuram responder. Só assim, explica Luís Batalha, é possível estudar a “eficácia” e aperfeiçoar as “intervenções para o controlo da dor” nas crianças.

De acordo com os investigadores, estima-se que na Europa surjam, por ano, 14 novos casos de cancro em cada 100 mil jovens com menos de 19 anos. Ao contrário do que acontece nos adultos, mais de três quartos destes jovens sobrevivem, o que levanta “novos desafios” relativamente à prevenção da dor crónica e à qualidade de vida deste grupo. “Durante a hospitalização por doença, a dor é o sintoma com maior prevalência, em resultado do tratamento ou da própria doença”, explicam em nota enviada à imprensa.

Embora se circunscreva a crianças e instituições portuguesas (Hospital Pediátrico de Coimbra e IPO de Lisboa e do Porto), esta investigação, que durará três anos e que apresentará as primeiras descrições da dor ao fim de cerca de um ano e meio, insere-se num estudo coordenado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles-UCLA (Estados Unidos) e realizado em colaboração com as universidades de Toronto (Canadá) e de São Paulo (Brasil).

A equipa conta, ainda, com a colaboração do Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e do Departamento Pediátrico do Centro Hospitalar de Coimbra.

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