Filhos de fumadores têm maior risco de desenvolver doenças pulmonares fatais décadas depois

Setembro 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Lifestylesapo

Notícia e imagem do Lifestyle Sapo de 28 de agosto de 2018.

Nuno de Noronha

Crianças que crescem ao lado de adultos fumadores têm maior risco de morrer de uma doença grave de pulmão, mesmo que nunca tenham fumado de forma ativa.

Essa é a nova conclusão de um estudo da Sociedade Americana de Cancro. Já era sabido que crianças cujos pais fumam têm maior risco de desenvolver problemas pulmonares ou vasculares na infância – como asma ou hipertensão. Mas nunca um estudo tinha provado efeitos graves do fumo passivo na vida adulta.

“Este é o primeiro estudo que identifica uma associação entre a exposição da criança ao fumo do tabaco e a morte por doença pulmonar obstrutiva crónica na meia-idade e velhice”, afirma Ryan Diver, um dos autores do estudo, citado pela radiotelevisão britânica BBC.

A investigação analisou a saúde de 70,9 mil pessoas não fumadores, homens e mulheres, acompanhadas durante duas décadas. Um terço morreu antes da conclusão do estudo que foi publicado na revista médica American Journal of Preventive Medicine.

Segundo a investigação, as pessoas que conviveram com um adulto fumador apresentaram mais complicações de saúde ao longo da vida.

A exposição ao tabaco na infância, dez ou mais horas por semana, aumentou o risco de morte na idade adulta por doença pulmonar obstrutiva crónica em 42%, doença cardíaca isquémica em 27% e acidente vascular cerebral (AVC) em 23%, em comparação com aqueles que não conviveram com fumadores na infância.

“Este último estudo dá mais um argumento para retirar o fumo de perto das crianças. A melhor forma de fazer isso é os pais deixarem de fumar”, afirma Hazel Cheeseman, membro do grupo ativista “Action on Smoking and Health”.

“O fumo passivo tem um impacto duradouro, que vai muito além da infância”, acrescenta o médico Nick Hopkinson, conselheiro da Fundação Britânica do Pulmão citado pela BBC.

 

 

Sobreviventes de cancro pediátrico em maior risco de sofrer de problemas cardíacos

Janeiro 17, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do site http://pipop.info/ de 8 de janeiro de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Cardiac Outcomes in Adult Survivors of Childhood Cancer Exposed to Cardiotoxic Therapy: A Cross-sectional StudyCardiac Outcomes in Survivors of Childhood Cancer After Cardiotoxic Therapy

fotolia_4714876_s_0957008001385427661_0960523001452186743

Fonte: Medical Xpress

Um grupo de pesquisadores norte-americanos do Hospital Pediátrico St. Jude alerta que as crianças que sobrevivem a um cancro podem ser mais propensas a sofrer com problemas cardíacos quando se tornam adultos.

A pesquisa publicada na revista Annals of Internal Medicine avaliou dados de quase 1 900 homens e mulheres inicialmente tratados a um cancro infantil naquela unidade hospitalar, com idades entre os 18 e os 60 anos, que foram tratados a um cancro na infância e sujeitos a tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia.

As conclusões revelaram que entre 3% a 24% dos sobreviventes de cancro pediátrico sofriam de doença cardíaca aos 30 anos, números que aumentam para 10% e 37% quando estes atingiam os 40 anos de idade.

Daniel Mulrooney, autor da pesquisa, explica que o estudo aponta para uma associação entre os tratamentos utilizados para tratar o cancro pediátrico e as doenças cardíacas na idade adulta, embora não prove a existência de uma relação causa e efeito.

A equipa indica ainda que alguns tratamentos de quimioterapia, bem como a terapia de radiação direcionada para a região torácica, podem, de facto, aumentar o risco de doença cardíaca, e sublinha que este estudo acrescenta novas evidências sobre os efeitos remanescentes dos tratamentos no desenvolvimento de anomalias cardíacas.

Inês nasceu com uma cardiopatia mas tem o “superpoder da coragem”

Outubro 8, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Reportagem do Público de 29 de setembro de 2012.

Inês tem seis anos e já foi submetida a três cirurgias. Oito a nove em cada mil crianças sofre de uma doença cardíaca que nasce com elas. Hoje é Dia Mundial do Coração.

São sete da manhã. A mãe de Inês acorda-a para que tome a medicação: são cinco medicamentos, e, aos seis anos, Inês sabe o nome de todos. “Já decorei os que sabem mal para saber o que ponho na boca a seguir: água, sumo ou batatas fritas”, explica.

Como não consegue tomar comprimidos, estes são desfeitos e postos em seringas. Inês quer sempre tomá-los sozinha, arrancando as seringas das mãos da mãe. Este processo repete-se sete vezes ao dia até à uma hora da manhã. “Não consigo dormir bem aqui, a minha mãe está sempre a acordar-me para tomar os medicamentos”, queixa-se.

A mãe abre a persiana e deixa entrar a luz do dia no quarto do serviço de cardiologia pediátrica do Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde a menina está internada há mais de quatro meses devido a um pós-operatório complicado na sequência da terceira cirurgia. A primeira aconteceu quando tinha dias de vida.

Segundo Rui Anjos, director de serviço, “as cardiopatias que manifestam sintomas nos primeiros dias ou meses de vida são as mais graves”. A cardiopatia é a doença congénita que mais mortalidade causa e é a forma mais frequente de malformação clinicamente relevante no nascimento. As taxas de mortalidade na cirurgia cardíaca pediátrica a nível internacional são de 3 a 4%.

Inês não é a única a sofrer desta doença cardíaca. Actualmente, estão oito crianças internadas no mesmo serviço e muitas em lista de espera. Em média, por semana, são feitas quatro cirurgias cardíacas pediátricas neste hospital. Santa Cruz é um dos quatro hospitais públicos do país com programa médico-cirúrgico de cardiologia pediátrica. Existe uma grande deslocalização de pacientes para este hospital, sendo que, em média, 40 a 50% dos pacientes do serviço são de fora de Lisboa.

É o caso de Inês que gosta de imaginar que tem o “superpoder da coragem”. Protege-o numa jóia encantada que tem guardada num colar e utiliza-o para combater as coisas más. “E tem dado muito jeito numa altura destas”, diz a mãe para quem a pior coisa é o tempo de espera durante as cirurgias de Inês. “E quando a via, logo após a cirurgia, era uma imagem muito forte. Estava cheia de tubos, gaze. Nunca tirei fotografias, como fazem alguns pais”.

Cheia de energia, Inês deixa a sua nova cama, a mais vistosa do serviço, cheia de balões, jogos e um peluche da Hello Kitty. Senta-se numa cadeira na sala de convívio e toma o pequeno-almoço.

Inês tem uma cardiopatia congénita complexa, “uma situação de base particularmente preocupante e que se revelou presente à nascença” explica o médico, acrescentando que “tem ainda um factor de risco acrescido: um problema respiratório devido a uma paralisia de um dos músculos respiratórios [do diafragma]”.

Já foi submetida a muitos procedimentos dolorosos. As várias marcas nos braços revelam os cateteres que as enfermeiras lhe têm colocado durante os últimos quatro meses para administrar a medicação. Finalmente, tirou-os há uns dias.

“Não posso brincar”

Vindos de Lagos, e longe da família, os pais mostram-se unidos contra a doença da filha e fazem de tudo para lhe transmitir confiança. “É muito difícil lidar com isto, temos de lhe dar muita força porque ela passa por coisas muito agressivas”, diz o pai. Inês tem um dreno torácico ligado ao corpo 24 horas por dia, durante todos os dias, que lhe suga o líquido que ela tem nos pulmões, líquido esse que lhe provoca os problemas respiratórios que tem. “Dá-lhe algumas dores a colocar, substituir e até mesmo a sucção às vezes é forte demais para ela”, explica a enfermeira coordenadora do serviço Filipa Luz. Mas Inês já está tão habituada a ele, que o ata ao ombro e o usa como uma mala à tiracolo. “O dreno não custa a pôr, custa é depois, fico fraquinha e não posso brincar, só na cama”, diz Inês.

Todos os dias a pesam, medem-lhe a tensão e tiram-lhe sangue frequentemente. Tem os olhos bem abertos em direcção ao que lhe estão a fazer. “É muito curiosa, pergunta tudo. Sabe perfeitamente o que tem, não lhe escondemos nada”, revela a mãe. Gosta de saber tudo, mas gostava mais ainda de sair dali. “Ver uma coisa nova, a minha casa, ir a sítios. Apetecia-me agora ir ao oceanário ver os peixinhos”, confessa a menina. Os pais já prometeram que o desejo será concretizado assim que tiver alta. “Daqui a meia hora vamos os dois almoçar ao McDonald’s!”, anuncia o médico. Inês dá pulos de alegria. Pela primeira vez em quatro meses vai sair. As enfermeiras pintam-lhe as unhas, os lábios e colocam-lhe sombra nos olhos. Está pronta e a rigor. Quando regressa, traz um brinquedo nas mãos e um sorriso na cara. O entusiasmo foi tanto que vai directa para a cama e adormece instantaneamente.

Ainda não há uma previsão da data do fim do internamento. Entretanto, Inês vai sonhando em ser cirurgiã como os seus ídolos, aqueles que a operaram, e vai pensando em tudo o que ainda quer aprender. “Não sei fazer castelos de areia”, confidencia.


Entries e comentários feeds.