Quer saber se o seu filho vai ser bom aluno?

Agosto 9, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 19 de julho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Predicting educational achievement from DNA

É a maior relação causa-efeito jamais descoberta entre o ADN de uma pessoa e o tipo de comportamento que determinadas características genéticas vão desencadear: um estudo do King’s College de Londres, hoje divulgado, concluiu que uma análise aos genes permite antecipar se uma criança está mais ou menos destinada a ter sucesso escolar.

“Descobrimos que quase 10% da diferença nos resultados escolares se deve apenas ao ADN. Fica longe dos 100%, mas está muito acima do que por norma conseguimos na previsão de comportamentos” através da genética, sublinha Saskia Selzam, um dos autores do estudo. “Por exemplo, quando pensamos na diferença entre rapazes e raparigas na matemática, o género explica só 1% da variação. E as características de perseverança de um indivíduo preveem apenas 5% da variação no sucesso escolar.”

Para os investigadores, que pesquisaram a presença ou ausência de mais de 20 mil variantes comuns de ADN em crianças e adolescentes para chegarem a esta conclusão, a descoberta vai permitir “recolher informação sobre se uma criança poderá vir a desenvolver problemas de aprendizagem”. E, uma vez na posse desses dados, será possível adoptar “medidas adicionais adequadas às necessidades de cada uma”, afirma Robert Plomin, outro dos responsáveis pelo estudo, ao site do King’s College de Londres.

Isoladas, as variantes de ADN que interferem com o sucesso escolar não têm impacto nos resultados. O efeito é mínimo, defende o estudo revelado hoje no Journal of Molecular Psychiatry. Mas a presença simultânea de várias pode ser a diferença entre uma criança vir a ser uma aluna de nota 19 ou 20 ou de 14 ou 15. Sendo que os primeiros têm quase o dobro de probabilidade de chegarem à universidade.

“Isto faz toda a diferença nas oportunidades de vida”, concluem os investigadores.

 

 

Espermatozóides transmitem informação aos filhos sobre estilo de vida do pai

Dezembro 8, 2015 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de dezembro de 2015.

DR

Ana Gerschenfeld

Se pensa que só a as futuras mães devem evitar comer e beber de mais, poderá estar enganado(a). É possível que o estilo de vida do pai também passe para os filhos via uma espécie de “memória genética”.

A confirmarem-se as conclusões de um pequeno estudo, também os homens que tencionam ter filhos – e não apenas as mulheres – deveriam cuidar da sua saúde. Romain Barrès, da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), e colegas publicam esta quinta-feira na revista Cell Metabolism resultados preliminares que sugerem que o peso de um homem afecta a informação hereditária contida nos seus espermatozóides – e que poderá portanto ser transmitido à sua descendência.

Esta transmissão não é genética – é “epigenética” –, na medida em que acontece através de uma espécie de “memória hereditária” que não tem nada a ver com mutações nos próprios genes, mas antes com alterações da actividade desses genes, produzidas por condições ambientais. Os processos epigenéticos, que não eram conhecidos quando o papel do ADN na hereditariedade foi descoberto, há mais de meio século, tornaram-se hoje incontornáveis para perceber a transmissão de caracteres hereditários de uma geração para as seguintes.

De facto, sabe-se hoje que o comportamento dos genes pode ser alterado pela história individual de cada um, mesmo quando o património genético de base é idêntico. Esses efeitos epigenéticos, ou seja, as “marcas epigenéticas” assim deixadas no ADN pelo mundo exterior, podem-se ser de vários tipos: alterações químicas nas proteínas que “embrulham” o ADN, adição de certos grupos químicos (metil) que, uma vez ligados ao ADN, mudam a estrutura dessa grande molécula, ou ainda adjunção de outras moléculas, chamadas pequenos ARN (o ARN é uma molécula semelhante ao ADN).

As marcas epigenéticas são a seguir capazes de controlar a forma como os genes se expressam – e em animais como insectos e roedores, existe já uma massa de resultados experimentais que indicam que estas alterações podem depois afectar a saúde da descendência, explica em comunicado a revista científica. Mas no ser humano, pouco ou nada se sabe – para além do facto que os filhos de pais obesos são mais propensos à obesidade.

O que desencadeou o interesse de Barrès na transmissão entre gerações de informação epigenética relativa ao estilo de vida foi um estudo, publicado em 2005, que mostrava que a falta de comida que afectara os habitantes de uma pequena aldeia sueca durante um período de fome estava correlacionada com o risco de os netos daquelas pessoas desenvolverem diabetes ou doenças cardiovasculares. A conclusão daquele estudo era que o stress nutricional sofrido pelos avós fora transmitido às gerações futuras precisamente através das tais “marcas epigenéticas”.

No estudo agora publicado, a equipa de Barrès comparou o perfil epigenético – ou seja, o catálogo deste tipo de alterações – no ADN dos espermatozóides de 13 homens magros e de dez homens obesos (o facto de terem feito o estudo no homem e não na mulher deve-se à muito maior facilidade de recolher esperma do que ovócitos, salienta o comunicado).

Os cientistas descobriram então que existiam diferenças notáveis entre magros e obesos, em particular ao nível de regiões do genoma associadas ao controlo do apetite.

A seguir, os cientistas estudaram seis homens que tinham sido submetidos a uma cirurgia para perder peso, determinando o perfil epigenético dos seus espermatozóides imediatamente antes da operação, imediatamente depois e um ano mais tarde. E encontraram em média 5000 alterações estruturais – adição de grupos metil e de pequenos ARN – no ADN dessas células reprodutoras.

Os autores ainda não sabem ao certo o que essas alterações significam nem o efeito que poderão ter nos filhos, mas acreditam que mostram que os espermatozóides transportam de facto informação acerca da saúde dos homens. “Os nossos resultados”, escrevem, sugerem que o epigenoma dos espermatozóides humanos se altera dinamicamente sob as pressões ambientais e dão pistas para a forma como a obesidade poderá propagar as disfunções metabólicas para a geração seguinte.”

Para confirmar essa ligação, explica ainda o comunicado, a equipa está agora a colaborar com uma clínica de fertilidade no estudo das diferenças epigenéticas em embriões humanos descartados (na Dinamarca, a lei estabelece que estes embriões congelados derivados de fertilização in vitro podem ser utilizados para fins de investigação ao fim de cinco anos de conservação). Também tencionam recolher sangue do cordão umbilical dos filhos desses mesmos homens para realizar comparações adicionais.

“O nosso trabalho poderá levar a mudanças de comportamento de cada futuro pai, em particular antes de conceber um filho”, diz Barrès. “É bem sabido que quando uma mulher está grávida, deve cuidar da sua saúde – não beber álcool, evitar os poluentes e por aí fora. Mas se as implicações do nosso estudo se confirmarem, isso significa que as mesmas recomendações também valerão para os homens.”

 

 

 

‘Memories’ pass between generations

Dezembro 17, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da BBC News de 1 de Dezembro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Parental olfactory experience influences behavior and neural structure in subsequent generations

SPL

By James Gallagher

Behaviour can be affected by events in previous generations which have been passed on through a form of genetic memory, animal studies suggest.

Experiments showed that a traumatic event could affect the DNA in sperm and alter the brains and behaviour of subsequent generations. A Nature Neuroscience study shows mice trained to avoid a smell passed their aversion on to their “grandchildren”.

Experts said the results were important for phobia and anxiety research.

The animals were trained to fear a smell similar to cherry blossom.

The team at the Emory University School of Medicine, in the US, then looked at what was happening inside the sperm.

They showed a section of DNA responsible for sensitivity to the cherry blossom scent was made more active in the mice’s sperm.

Both the mice’s offspring, and their offspring, were “extremely sensitive” to cherry blossom and would avoid the scent, despite never having experiencing it in their lives.

Changes in brain structure were also found.

“The experiences of a parent, even before conceiving, markedly influence both structure and function in the nervous system of subsequent generations,” the report concluded.

Family affair

The findings provide evidence of “transgenerational epigenetic inheritance” – that the environment can affect an individual’s genetics, which can in turn be passed on.

One of the researchers Dr Brian Dias told the BBC: “This might be one mechanism that descendants show imprints of their ancestor.

“There is absolutely no doubt that what happens to the sperm and egg will affect subsequent generations.”

Prof Marcus Pembrey, from University College London, said the findings were “highly relevant to phobias, anxiety and post-traumatic stress disorders” and provided “compelling evidence” that a form of memory could be passed between generations.

He commented: “It is high time public health researchers took human transgenerational responses seriously.

“I suspect we will not understand the rise in neuropsychiatric disorders or obesity, diabetes and metabolic disruptions generally without taking a multigenerational approach.”

In the smell-aversion study, is it thought that either some of the odour ends up in the bloodstream which affected sperm production or that a signal from the brain was sent to the sperm to alter DNA.


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