Distúrbios do sono em pediatria

Setembro 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira publicado no http://www.educare.pt/ de 8 de agosto de 2017.

Porque é importante dormir? O sono é um processo fisiológico ativo, muito importante nas crianças e adolescentes, com impacto na sua saúde e no seu desenvolvimento. Há cada vez mais estudos, que mostram uma relação entre problemas no sono e o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Por isso, é importante identificar precocemente os distúrbios do sono. Cerca de 20%-25% das crianças e adolescentes têm algum distúrbio do sono.

O sono tem fases?
O sono divide-se em sono REM (rapid eye movement) e NREM (non rapid eye movement) – fase profunda, que são essenciais na maturação adequada do sistema nervoso central. O padrão de sono das crianças altera-se à medida que crescem.

Os recém-nascidos dormem mais horas (16 a 18 horas de sono/24 horas), têm uma duração dos ciclos de sono mais curta (50-60 minutos) e passam cerca de 50% do tempo em sono NREM. As crianças mais velhas dormem menos horas (10 a 12 horas de sono/24 horas), têm maior duração de sono REM no final da noite, o sono NREM ocupa cerca de 75% da duração total do sono e a alternância de sono REM e NREM tem períodos mais longos de 90 a 100 minutos.

Os adolescentes têm alteração fisiológica da hora do sono para mais tarde, com uma diminuição da duração média do sono, apesar da necessidade relativamente constante de 9 horas de sono, e têm maiores irregularidades no padrão vigília-sono (discrepância entre padrão semanal e fim de semana).

Não dormir faz mal? As alterações no sono trazem consequências adversas ao desenvolvimento, como dificuldades de aprendizagem ou memorização com mau rendimento escolar, défice de atenção e hiperatividade, comportamentos de risco, baixa autoestima, ansiedade e, por vezes, depressão. Também se associam a instabilidade familiar e discussões. Por vezes ocorrem distúrbios nas fases do sono, o que pode condicionar as alterações referidas. O que são parassónias?

As parassónias ocorrem durante o sono, em estádios específicos ou na transição sono-vigília.

A insónia ou sonolência excessiva são incomuns, apesar de ocorrer disrupção sobre o sono.

A maioria afeta crianças e adolescentes saudáveis e geralmente desaparecem ao longo da adolescência (fenómenos transitórios de desenvolvimento). As crianças com parassónias têm taxas mais altas de inatividade matinal, despertares noturnos, resistência para ir dormir e redução da duração do sono.

Uma parassónia comum nas crianças é o sonambulismo que ocorre no sono profundo. Sabe-se que cerca de 40% crianças terão pelo menos um episódio na sua vida. O pico de incidência é aos 4-8 anos, mas adolescentes e adultos também podem ter. Duram aproximadamente 10 – 20 minutos e tendem a resolver com o passar do tempo.

Os terrores noturnos ou do sono ocorrem em 3% das crianças, dos 4-12 anos. Existe uma elevada predisposição genética, portanto os pais costumam referir ter tido estes terrores quando eram pequenos. Dá-se uma ativação significativa do sistema nervoso da criança, com hipersudorese, dilatação pupilar, taquicardia e gritos durante o ciclo de sono profundo. As crianças acordam sem memória para o evento ou têm imagens isoladas, sem o enredo típico dos pesadelos. Podem acordar parcialmente do sono, confusas e desorientadas.

Os pesadelos são situações também comuns e 10% a 50% das crianças entre os 3-5 anos têm pesadelos de intensidade suficiente para preocupar os pais. Têm uma provável relação com a ansiedade ou após algum evento traumático para a criança e ocorrem durante o sono REM (fase mais tardia do sono).

Quais os sinais de alarme das parassónias?
Os pais devem estar alerta se o seu filho apresenta sonolência excessiva durante o dia, falta de atenção ou irritabilidade, se ressona durante a noite ou se desperta muitas vezes.

É preciso realizar algum tratamento?
A ocorrência de parassónias uma ou duas vezes por mês raramente necessita de tratamento, pois são situações benignas e autolimitadas, que tendem a desaparecer até aos 10 anos. É importante manter e criar bons hábitos de sono, desde tenra idade, como por exemplo manter o quarto calmo, escuro e confortável, evitar a ingestão de alimentos ou bebidas em quantidades abundantes até 3 horas antes de dormir, reservar o quarto apenas para o sono, remover distrações como a televisão, os jogos ou livros, considerar a inclusão de auxiliares do sono (ex. animal de estimação, peluche), manter um horário de sono e a hora de ir dormir constantes, tomar um banho quente ou beber uma bebida morna (ex. copo de leite) antes de deitar e ter em atenção a segurança ambiental (ex. camas muito elevadas, tapetes escorregadios, berçários).

Cristina Maria Alves Dias, com a colaboração de Augusta Gonçalves e Carla Moreira, Pediatras da área de Pneumologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).

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Começar exames mais tarde, ajustar horários

Agosto 1, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 4 de julho de 2016.

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Sara R. Oliveira

Investigadora da Universidade de Aveiro conclui que os exames nacionais não devem começar antes das 10h30 e que os horários das aulas, a partir do 2.º Ciclo, estão desajustados. As crianças portuguesas dormem menos do que deveriam.

Os exames nacionais da parte da manhã deveriam começar uma hora mais tarde e os horários das aulas, a partir do 2.º ciclo do Ensino Básico, deviam ser ajustados. Mudanças para melhorar o rendimento escolar. Ana Allen Gomes, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro (UA), psicóloga e especialista em distúrbios do sono, concluiu que os testes nacionais devem ser marcados a partir das 10h30 e que as aulas começam cedo tendo em conta a tendência natural da puberdade, de deitar e acordar mais tarde.

Não parece existir evidência científica suficiente que favoreça as provas ao início da manhã, tal como acontece. “O que se pode/deve fazer e que garante maior equidade entre estudantes adolescentes e jovens adultos é marcar aproximadamente 50% dos exames para as 10h00/10h30 e 50% para as 15h00. Será o mais acertado tendo em conta o estado atual da investigação científica. Sem mais dados de investigação, será arriscado assumir uma passagem sistemática dos exames para o período da tarde”, sustenta a investigadora no site da UA. Este modelo de novos horários para os exames nacionais permitiria que adolescentes e jovens adultos tivessem, realça, “mais oportunidades de obter uma duração de sono adequada na véspera do exame”.

O conhecimento científico sobre o sono permite avançar que os exames dos alunos que já entraram na puberdade não devem começar logo nas primeiras horas da manhã. “Poderiam e deveriam começar a partir das 10h30, e não antes, no caso de exames de uma hora e meia, acrescidos de tolerância para estudantes com necessidades educativas especiais”, refere.

A investigadora, e autora principal de um estudo sobre o horário e a duração do sono das crianças portuguesas, admite, no entanto, que não é possível assumir com toda a certeza que um determinado período é “o melhor” para todos os adolescentes ou para qualquer tipo de prova. “Nesta matéria, é impossível assumir que ‘one size fits all’”. “Não há o horário ideal para todos, devido à variabilidade dos perfis de sono de pessoa para pessoa. É muito mais acertado pensarmos em ‘janelas’ horárias mais adequadas do que outras como, por exemplo, haver exames com início às 10h30 ou às 15h00 serão boas escolhas no período da adolescência”, afirma no mesmo site.

Em relação aos horários escolares, Ana Allen Gomes garante que não estão ajustados pelo menos a partir do 2.º ciclo do Ensino Básico. “Não se compreende por que motivo, à medida que a criança se torna mais velha e se aproxima da puberdade, os horários escolares se iniciem mais cedo. Essa matutinidade crescente de horários está em contradição com aquilo que é a tendência oposta com a entrada na puberdade, que é a de atraso [deslocação para mais tarde] do sistema circadiano, como é exemplo o ritmo sono-vigília, com tendência para o adolescente se deitar e levantar mais tarde”, explica.

Do ponto de vista da fisiologia humana, não faz sentido que horários de atividades académicas comecem mais cedo a partir do 2.º ciclo. A investigadora lança uma pergunta: “Se os pais e as escolas durante os anos do pré-escolar e do 1.º ciclo do Ensino Básico se organizam de modo as crianças iniciarem as suas atividades letivas às 9h00 ou mesmo 9h30, por que motivo a partir do 2.º ciclo as atividades letivas começam mais cedo?”.

Horários dos pais, horários dos filhos
Ana Allen Gomes é responsável, em Portugal, por vários estudos pioneiros sobre a qualidade do sono. Estudou hábitos de sono de mais de 3000 crianças de agrupamentos de escolas em vários pontos de Portugal continental. E verificou que a duração de sono das crianças portuguesas entre os 4 e os 11 anos de idade situa-se, em média, perto do limite inferior ao que a National Sleep Foundation considera uma duração “normal e desejável”. A fundação norte-americana, um dos centros mais prestigiados no estudo do sono, recomenda entre 10 e 13 horas de sono em crianças de idade pré-escolar. O estudo da investigadora da UA aponta para médias nacionais a rondar as 10 horas e 35 minutos. “A fundação recomenda também durações entre 9 e 11 horas em idade escolar [dos 6 aos 13 anos], quando no nosso estudo encontrámos médias de sono à semana sistematicamente inferiores às 10 horas nestas idades.”

Há diferença da duração de sono à semana e ao fim de semana, o que indica um padrão de restrição ou extensão do sono: sono insuficiente durante a semana, maior compensação ao fim de semana. “Verifica-se que este padrão passa de uma média de 31 minutos nas crianças de 4 anos para uma média de uma hora e 15 minutos nas crianças de 11 anos. Verificámos também um aumento gradual deste padrão, o que significa que a insuficiência de sono à semana se acentua com a idade”, observa no site da UA. O estudo não encontrou diferenças assinaláveis entre sexos ou regiões.

“As durações médias de sono no nosso estudo são também inferiores às que encontramos noutros países europeus”, refere. Os dados, sublinha, “não nos devem deixar propriamente descansados”. A psicóloga defende que é necessário pensar por que razão, em Portugal, as crianças dormem menos do que seria suposto. E adianta as novas tecnologias, que entretanto surgiram, não são responsáveis pelo facto de os horários e durações de sono de hoje serem basicamente semelhantes aos de meados dos anos 90 do século passado. “A possível influência dos horários de trabalho dos pais será uma hipótese a considerar pela investigação futura”, sublinha, a propósito.

 

Crianças sem rotina para dormir têm mais problemas de comportamento

Maio 20, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Pesquisa mostra que dormir em horários diferentes pode prejudicar o relógio biológico do seu filho e aumentar as chances de hiperatividade e ansiedade no futuro.
Você já deve ter ouvido muitas vezes a importância de manter uma rotina antes de colocar seu filho para dormir. Um estudo britânico publicado na revista científica Pediatrics acaba de reforçar, mais uma vez, os benefícios de manter os horários das crianças à noite.

Pesquisadores analisaram a rotina de sono de 10.230 crianças aos 3, 5 e 7 anos. Depois de compilar todos os dados e analisar questionários respondidos pelos pais e professores, os cientistas perceberam que ter horários irregulares para dormir afeta o relógio biológico da criança e, consequentemente, o funcionamento do corpo. As mudanças aparecem logo no humor e no apetite, mas não param por aí.

A longo prazo, crianças sem rotina de sono tiveram notas mais baixas em testes que mediram a capacidade de resolver problemas e mais chances de desenvolver hiperatividade e problemas emocionais, como ansiedade e envolvimento em brigas com colegas.

Segundo os cientistas, as mudanças na hora de dormir são semelhantes aos efeitos do jetlag, aquele cansaço que você sente após uma viagem, sabe? E assim como o seu sono se altera após um voo longo, o mesmo acontece com seu filho, que sofre com os efeitos.

Mas, se aí na sua casa não há um esquema certinho para o momento de descanso das crianças, aqui vai uma boa notícia. Todos esses prejuízos são reversíveis. Ou seja, assim que você conseguir estabelecer os horários, seu filho vai melhorar as notas e ter menos chances de desenvolver problemas de comportamento.

Vamos lá, então? A pediatra Marcia Pradella-Hallinan, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), orienta que duas horas antes de seu filho ir para a cama, você sirva o jantar (para dar tempo de a refeição ser digerida) e diminua o ritmo da casa. Um banho também ajuda a acalmar. Melhor trocar a TV, o videogame ou os tablets por brincadeiras mais calmas e pela leitura de um livro.

Na hora de colocá-lo para dormir, vista o pijama e ofereça um pouco de leite (ou amamente, no caso dos menores). Com ele já deitado na cama ou no berço, conte uma história (inventada também vale…). Uma música calminha ou até mesmo cantada por você pode fazer parte deste momento.

Quando já estiver quase dormindo, dê um beijinho de boa noite e deixe-o adormecer sozinho.
Pode ser que seu filho demore para se adaptar à rotina. Isso é normal. O importante é se manter firme e repetir a técnica por pelo menos 15 dias antes de fazer qualquer mudança. Aos poucos, por já saber o que esperar, a criança fica mais segura e, com certeza, vai dormir melhor.

 

Bruna Menegueço

Fonte

Bebés choram à noite para…evitar noites românticas dos pais

Abril 15, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 14 de abril de 2014.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Troubled sleep Night waking, breastfeeding and parent–offspring conflict

Rodrigo Cabrita

Rodrigo Cabrita

Por Jornal i

A fadiga materna pode ser vista como uma parte integrante da estratégia de um bebé para estender o intervalo inter- nascimento

Os bebés são programados para monopolizar a atenção da mãe de forma a cansá-la, evitando assim que tenha uma noite romântica. A conclusão é de um estudo da Universidade de Harvard. Este comportamento é mais habitual  nos recém-nascidos que tentam evitar nascimentos de irmãos muito próximos.

Citados pelo “The Daily Mail”, os investigadores dizem que mais do que um efeito colateral indesejado há uma razão biológica para este comportamento. O estudo afirma que a amamentação durante a noite também estende a infertilidade pós-parto da mãe, conhecida como menorreia.

Assim, o acordar à noite para mamar é uma “adaptação dos bebés para estender a menorreia da mãe, atrasando, assim, o nascimento de um irmão mais novo e melhorar a sobrevivência infantil”.

A fadiga materna pode ser vista como uma parte integrante da estratégia de um bebé para estender o intervalo inter- nascimento.

 

Crianças devem manter-se longe dos tablets e smartphones

Março 25, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site crescer.sapo.pt de 17 de março de 2014.

A notícia citada na notícia é a seguinte (contém links para os estudos):

10 Reasons Why Handheld Devices Should Be Banned for Children Under the Age of 12

sapo

Pediatras norte-americanos dão 10 razões para crianças e jovens, até aos 18 anos, adiarem ao máximo o uso intensivo destes aparelhos.

A Academia de pediatras norte-americana Kaiser Foundation, e a sociedade de pediatria canadiana Active Healthy Kids Canada, foram citadas este mês pela terapeuta ocupacional de pediatria Cris Rowan, num artigo publicado no Huffington Post. Neste artigo, podia ler-se que as crianças até aos 2 anos não devem ser expostas a equipamentos eletrónicos; que as crianças entre os 3 e os 5 anos já o podem fazer, mas apenas uma hora por dia; e que as crianças entre os 6 e os 18 anos devem restringir o uso de telemóveis, tablets ou jogos eletrónicos, a apenas duas horas por dia.

Quanto às razões concretas para justificar estes conselhos, elas são 10:

1. Rápido crescimento do cérebro: Entre os 0 e os 2 anos, o cérebro das crianças triplica de tamanho e continua a ter um rápido crescimento até aos 21 anos. Quando esse desenvolvimento é causado pela exposição excessiva à tecnologias, pode gerar défice de atenção, atrasos cognitivos, aprendizagem deficiente, aumento da impulsividade e diminuição do autocontrolo.

2. Atraso no desenvolvimento: A tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar num atraso de desenvolvimento físico das crianças, o que muitas vezes se reflete num desempenho escolar negativo.

3. Obesidade: A televisão e os vídeo-jogos estão associados ao aumento da obesidade. As crianças que têm um destes equipamentos no quarto, têm 30% mais hipóteses de sofrer de obesidade e todas as doenças que lhe estão associadas, como a diabetes. Por sua vez, uma pessoa obesa tem mais probabilidades de vir a sofrer de ataque cardíaco, enfarte e tem uma menor esperança de vida.

4. Privação do sono: 75% das crianças, entre os 9 e os 10 anos, que usam tecnologias nos seus quartos, sofrem de privação de sono e isso acaba por se refletir negativamente nas suas notas escolares.

5. Distúrbios mentais: O uso excessivo de tecnologia está relacionado com o aumento de casos de depressão infantil, ansiedade, dificuldades de relacionamento, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e problemas de comportamento.
6. Agressividade: Conteúdos violentos podem gerar crianças agressivas. As crianças estão cada vez mais expostas a conteúdos que envolvem violência física e sexual nos media. Nos E.U.A., a violência exibida nos media é já classificada como um Risco para a Saúde Pública, devido à relação que foi estabelecida entre esta realidade e a agressividade infantil.
7. Demência digital: Conteúdos rápidos podem contribuir para défice de atenção, assim como para uma diminuição da concentração e memória. As crianças que não conseguem prestar atenção a algo, não aprendem.
8. Dependência: Ao haver tanta tecnologia ao alcance das crianças, os pais acabam por lhes prestar menos atenção. Por sua vez, na ausência dos pais, as crianças ficam ainda mais “agarradas” à tecnologia e isto pode gerar dependência. Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos18 anos, é viciada em tecnologia.
9. Emissões radioativas: Em maio de 2011, a World Health Organization classificou os telefones móveis na categoria 2B (possivelmente cancerígenos) no que diz respeito às radiações. Tendo em conta estes dados, e que o cérebro das crianças ainda está em desenvolvimento, os riscos para as crianças podem ser ainda maiores.
10. Insustentável: As crianças são o futuro, mas não há futuro se as crianças continuarem a usar excessivamente a tecnologia. Os responsáveis por este estudo consideram de extrema importância que algo seja feito para reduzir o uso das tecnologias por parte das crianças.

Fonte: Huffington Post

 

Ir para a cama a horas irregulares afeta desenvolvimento infantil

Novembro 7, 2013 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site crescer.sapo.pt  de 15 de Outubro de 2013.

crescer

O estudo mencionado  na notícia é o seguinte:

Changes in Bedtime Schedules and Behavioral Difficulties in 7 Year Old Children

As crianças que não têm horário para irem para a cama correm maior risco de terem problemas de desenvolvimento e de comportamento, revela um estudo britânico publicado hoje na revista Pediatrics.

«Não ter horários fixos para dormir cria um estado físico e mental nas crianças semelhante ao efeito provocado pela diferença de fuso horário (…), o que é nefasto para o desenvolvimento saudável e a atividade diária», explica Yvonne Kelly, epidemiologista da Universidade College London (UCL) e autora principal do estudo.

Segundo a investigação, a irregularidade nos horários pode perturbar os ciclos naturais do organismo e provocar uma falta de sono que coloca em risco o desenvolvimento do cérebro e a capacidade de controlar determinados comportamentos.

«Sabemos que os primeiros anos de desenvolvimento das crianças têm uma profunda influência na saúde e no bem-estar durante toda a vida», destaca Yvonne Kelly. «As perturbações do sono, especialmente em momentos-chave do crescimento, podem ter importantes consequências para a saúde durante toda a vida».

Os autores analisaram dados sobre os hábitos de sono de mais de 10 mil crianças – com três, cinco e sete anos – no Reino Unido, incluindo o seu comportamento, através de depoimentos de pais e professores.

O estudo estabeleceu um vínculo clínico e estatístico muito evidente entre horários irregulares para dormir e problemas entre as crianças, resultado da mudança dos seus ciclos circadianos, já que a falta de sono afeta o desenvolvimento do cérebro.

As crianças com horários mais irregulares ou que vão para a cama depois das 21h pertencem – na maior parte dos casos – a famílias socialmente desfavorecidas, destaca a investigação.

«Parece que os efeitos nefastos dos hábitos irregulares para dormir são reversíveis», explica a especialista, que defende que os pediatras controlem os problemas do sono com exames periódicos.

Maria João Pratt

E se muitas das crianças consideradas hiperativas só precisarem dormir mais?

Junho 29, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de Junho de 2013.

A notícia original é a seguinte:

Could children diagnosed with ADHD just need better sleep? More youngsters than ever are prescribed drugs for hyperactivity

reuters

Enquanto aumenta o número de crianças diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), um médico norte-americano estima que mais de um terço dos casos sofram apenas de privação do sono.

A semelhança entre os sintomas do TDAH e de distúrbios do sono com o sono, aliada ao pouco conhecimento dos médicos sobre estes últimos, alega Vatsal Thakkar, pode estar na origem de numerosos diagnósticos errados de hiperatividade. Para este especialista em psiquiatria da Universidade de Medicina de Nova Iorque, um terço das crianças e um quarto dos adultos diagnosticados com TDAH sofrem, isso sim, de problemas de sono.

A privação de sono, sobretudo nas crianças, não causa, como se poderia pensar, letargia, mas sintomas muito semelhantes ao TDAH, incluindo hiperatividade, incapacidade de concentração, agressividade e esquecimento. “Apesar de, sem dúvida, muitas pessoas sofrerem TDAH, uma proporção substancial dos casos são, na verdade, distúrbios do sono”, defende este médico.

Vários estudos têm mostrado que muitas crianças hiperativas têm também distúrbios do sono, como o ressonar ou a apneia, dificultando-lhes o sono. Um estudo do ano passado, por exemplo, que analisou 11 mil crianças britânicas, concluiu que as que sofriam problemas respiratórios durante o sono tinham 20 a 60% mais probabilidades de ter dificuldades comportamentais aos quatro anos e 40 a 100% quando chegassem aos sete.

Em 2006, um outro estudo britânico descobriu que a remoção das amígdalas para melhorar a qualidade do sono eliminou os sintomas de hiperatividade em metade das crianças. Um ano depois da cirurgia, metade das crianças que tinham sido diagnosticadas com TDAH já não apresentavam os sintomas.

Histórias em quadrinhos conscientizam crianças sobre distúrbios do sono

Janeiro 28, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Revista Época de 26 de Janeiro de 2013.

 

quadradinhos

Desenhos criados por pesquisadores da UNIFESP ajudam na identificação de sintomas e consequentemente evitam atrasos no tratamento.

Agência Brasil

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) utilizou histórias em quadrinhos para ajudar crianças em idade de pré-alfabetização a identificarem a presença de distúrbios do sono nelas mesmas ou em membros de suas famílias. Os desenhos ajudam no reconhecimento do ronco, insônia, síndrome da apneia obstrutiva do sono (uma espécie de parada respiratória durante o sono) e síndrome das pernas inquietas.

O objetivo do estudo foi evitar o agravamento desses problemas, além de trazer o reconhecimento de que roncar não é normal e pode significar problemas de saúde mais sérios. Foram submetidas a uma avaliação 548 crianças, com idades entre 6 e 10 anos, estudantes do Ensino Fundamental em escolas públicas e privadas.

Segundo a autora da pesquisa, Eleida Camargo, doutora em ciências da saúde, foram distribuídos questionários às crianças com questões referentes aos temas de distúrbios do sono. A maioria delas respondeu que acredita que roncar seja algo normal (57,9%) e apenas 39,6% reconheceram que o ronco possa representar sintoma de alguma doença.

>> Como saber a diferença entre reação passageira e doença 

Após a leitura das histórias em quadrinhos, que trazem esclarecimentos sobre os temas ligados aos distúrbios do sono de forma lúdica, o percentual de alunos que avaliaram o ronco como algo normal caiu para 37,3%. A maioria das crianças (61,4%) passou a identificar o ronco como um sintoma. Outro dado interessante da pesquisa foi a percepção de que o ronco é visto principalmente como um incômodo social. “A gente percebe que o hábito do ronco acaba sendo considerado negativo mais pelos seus aspectos culturais do que pelo reconhecimento de que pode ser uma doença”, disse.

O foco na faixa etária infantil, explica a pesquisadora, foi importante porque as crianças representam o futuro, além de terem papel fundamental ao despertar a atenção dos pais. “A população pediátrica é interessante porque ela é multiplicadora, as crianças são muito comunicativas, chegam em casa e falam para os pais. Estamos trabalhando preventivamente com uma geração, que vai se tornar adulta. Esse conhecimento vai se perpetuar ao longo do tempo”, afirma.

>> A ciência mostra como mudar hábitos ruins 

Segundo Eleida, o diagnóstico dessas doenças de maneira precoce torna seus tratamentos mais eficazes. O ronco primário infantil, por exemplo, quando não tratado, pode desencadear a apineia obstrutiva. “A longo prazo, quem tem essa apineia obstrutiva do sono está muito mais sujeito a ter problemas cardiovasculares ao despertar. Inclusive o AVC (Acidente Vascular Cerebral) chega a ser 40% mais propenso em homens adultos”.

>> Não é dor de cabeça. É de barriga 

Existem, além disso, casos de pacientes que se tratam durante anos contra a insônia, com medicação muitas vezes prejudicial, mas descobrem que o verdadeiro problema que possuem é a síndrome das pernas inquietas. De acordo com a pesquisadora, a insônia pode ser apenas uma consequência dessa síndrome, que se caracteriza pela necessidade de movimentação das pernas quando a pessoa entra em estado de relaxamento.

“Ela vai se deitar e começa a sentir formigamento na perna, que só melhora quando a movimenta. Então, a pessoa está com muito sono, mas começa a sentir aquilo. Ela começa a mover as pernas, o sono passa e ela vai dormir só de madrugada”, explica.

A síndrome das pernas inquietas tem difícil diagnóstico, muitas vezes em razão do próprio desconhecimento dos médicos. Entre as crianças, a detecção do problema é ainda mais complexa, uma vez que elas apresentam sintomas diferentes dos adultos. Eleida afirma que os pacientes infantis conseguem superar o formigamento no momento de dormir, mas, ao acordar, o problema se manifesta de forma muito mais intensa. “Quando a criança está na escola, não consegue ficar parada e é diagnosticada equivocadamente com hiperatividade”, disse.

>> Mais notícias de Saúde & Bem-estar

De acordo com a pesquisadora, o tratamento para a síndrome pode ser muito simples, apenas pela reposição de ferro. Por isso, essa doença é mais comum entre mulheres, justamente porque as pacientes femininas perdem ferro por meio da menstruação. Outra causa da síndrome, por sua vez, é o fator hereditário, que pode afetar famílias inteiras, esclarece a pesquisadora.

NP

 

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Camargo, Eleida Pereira de. Histórias em quadrinhos para educação em saúde – Desenvolvimento e avaliação aplicados aos distúrbios do sono. [Comics for health education – Development and assessment, applied to the sleep disorders].  São Paulo: s.n., 2012. [254]. Tese(Doutorado em Ciências)-Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-graduação em Medicina Translacional.

Resumo:
Objetivos: Desenvolver e avaliar histórias em quadrinhos (HQ) sobre distúrbios do sono, aplicadas à educação em saúde pediátrica (crianças de 6 a 10 anos).Métodos: Foram adotadas as etapas metodológicas preconizadas pelo marketing social e o design da informação: Levantamento do perfil sociodemográfico e epidemiológico da população atendida no ambulatório da Neuro-Sono (artigo 1); Dimensionamento do conhecimento desta população sobre os distúrbios de sono (artigo 2); Definição de estratégias comunicacionais e concepção de protagonistas (artigo 3); Desenvolvimento de HQs (artigo 4); Estudo piloto do modelo de ensaio clínico idealizado para a avaliação das HQs elaboradas(artigo 5); Avaliação da HQ “Ronco Dorme em Casa”, por meio de ensaio clínico randomizado (artigo 6). Resultados: O perfil sociodemográfico da amostra foi predominantemente masculino (59,6%); entre a população pediátrica (44,23%), 65,59% eram meninos; o nível de escolaridade correspondeu ao ensino fundamental e a renda familiar foi de até três salários mínimos. Os diagnósticos prevalentes foram: ronco (57,2%), síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS; 44,2%) e insônia (19,7%) (artigo1); As concordâncias aferidas entre queixa e hipótese diagnóstica foram: acentuadas para o bruxismo; moderadas para ronco, insônia, pesadelo, sonilóquio e síndrome das pernas inquietas (SPI); e regulares para a movimentação excessiva durante o sono (MEDS) e a SAOS. Os resultados sugeriram insatisfatório nível de informação da população sobre doenças importantes, como SAOS (artigo 2). Definidas as estratégias comunicacionais, foram concebidos 4 protagonistas: 1) Soninha, com sono normal; 2) Baba, apneica; 3) Ronco, roncador e 4) Formiga, portador da SPI. Para cada personagem foram elaboradas duas concepções visuais (V1 e V2) submetidas à votação. Os selecionados foram: Soninha e Formiga V1 (70,7%; 76%); Baba e Ronco V2 (65,3%; 51,3%). Não havendo prevalências, desenvolveu-se a “Turma do Sono” personagens que comtemplam características das duas versões (artigo 3); Foram elaboradas três HQs, protagonizadas pela “Turma do Sono”: “Ronco Dorme em Casa”, “Aula de hoje: Formiga”, “Baba, não, Alexandrinha!” que versam sobre sono normal, ronco, higiene do sono, SAOS e SPI, temas que se revelaram prevalentes e/ou pouco conhecidos da população pesquisada (artigo 4); No estudo piloto, as crianças compreenderam a HQ e o questionário-teste com facilidade, contudo foi sugerida a supressão de uma das alternativas do teste e a adoção de letras maiúsculas, na HQ. Estes resultados indicaram a viabilidade de aplicação do modelo de ensaio clínico delineado (artigo 5). Na avaliação final constatou-se que houve diferença significante entre as respostas corretas, antes e depois da leitura da HQ. (Questão 1 p<0,000001; Questão 2 p<0,000001 e Questão 3 p<0,000001). Os resultados apontaram a eficácia da HQ “Ronco Dorme em Casa” frente a seus propósitos (artigo 6).Conclusão: Os procedimentos adotados possibilitaram que os objetivos desta pesquisa fossem alcançados. Foram desenvolvidas três HQs: “Aula de hoje: Formiga”, “Baba, não, Alexandrinha!” e “Ronco Dorme em Casa”, tendo sido esta última testada e positivamente avaliada, sugerindo a efetividade de sua utilização em ações de educação em saúde, dirigidas à crianças de 6 a 10 anos.

 

 


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