Uma escola que só tem alunos de etnia cigana. “É assim que se cria uma revolta”

Março 8, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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MIGUEL PEREIRA/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 17 de fevereiro de 2018.

Cynthia Valente

Deputados do PS questionaram o governo sobre o que consideram ser “uma violação dos direitos” de 19 crianças. Comunidade diz sentir-se discriminada e pede à população que matricule os filhos na Escola Básica de Meães

Há uma escola de Famalicão em que os alunos são todos de etnia cigana. O alerta partiu de deputados do PS, que ontem questionaram o governo do seu partido sobre o que consideram ser “uma violação dos direitos destas crianças a uma plena integração na sociedade portuguesa”. A comunidade cigana diz sentir-se discriminada e pede à população que matricule os filhos na Escola Básica de 1.º ciclo de Meães para que esta “não feche portas”.

Ao todo, são 19 os estudantes que frequentam aquele estabelecimento de ensino, onde a particularidade se prende com o facto de serem todos provenientes do mesmo grupo étnico. Os deputados eleitos por Famalicão entendem, em comunicado, tratar-se de “uma realidade que viola a legislação portuguesa bem como convenções internacionais assumidas pelo Estado Português”. Os socialistas Maria Augusta Santos, Nuno Sá e Catarina Marcelino, ex-secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, questionaram o Ministério da Educação se “irá averiguar esta situação e procurar soluções”.

Os membros da comunidade de etnia cigana congratularam-se com a tomada de posição dos parlamentares. “É assim que se cria uma revolta. Há aqui tantos meninos e meninas, mas nem se chegam à escola. Houve por aí uns rumores de que éramos maus, mas nós somos boas pessoas e queríamos que as nossas crianças pudessem conviver com todos as crianças da comunidade”, afirmou ao DN Marina Sá, sublinhando ainda ter “medo de que a escola feche por falta de alunos”.

A neta, Sónia Sá, de 13 anos, também referiu que gostaria de “poder brincar e aprender com todos”. “Eu mudo de escola muitas vezes porque o meu pai é pastor da igreja, mas nunca estive numa escola só com ciganos. Achei estranho no início. Já me habituei, mas gostava de ter mais pessoas diferentes na minha turma, porque eu gosto desta escola”, confessou. Sónia e o irmão Issak, de 15 anos, vivem há cerca de seis meses em Famalicão. “Viemos de Lisboa, de escolas diferentes onde havia de tudo. Aqui sentimos que não gostam de nós. Eu chamo a isto racismo e fico triste. Na escola onde estudava antes também havia ciganos, mas eu tinha amigos de todas as raças. Não havia alunos deste tipo ou daquele. Havia alunos e mais nada”, referiu.

As palavras do jovem vão ao encontro da posição da diretora do Agrupamento de Escolas D. Sancho I. Em declarações ao DN, Helena Pereira recusou-se a falar em “alunos desta ou daquela etnia”. “Temos um agrupamento com muitos alunos e não distinguimos estudantes. Para nós há apenas alunos que fazem parte de um projeto escolar de sucesso”, declarou. Questionada sobre as acusações de “violação dos direitos das crianças” levantadas pelo PS, a responsável não quis tecer comentários. “Essa premissa e a de que os outros pais não inscrevem os alunos de fora da comunidade é uma conclusão do PS, sobre a qual nada tenho a dizer. Preocupo-me com os meus alunos e não com política”, concluiu.

Segundo a população, a realidade em Meães já foi bem diferente. “Só nos últimos anos é que começou a haver apenas alunos de etnia cigana na primária. Sempre houve de tudo, mas começaram a aparecer casos de bullying e, aos poucos, os pais começaram a procurar alternativas”, explicou um morador que não quis identificar-se. Ainda assim, disse acreditar que “não se trata de racismo, mas de um problema que era pequeno e sofreu o efeito bola de neve”. “Somos uma localidade pequena e facilmente se criam receios. O difícil é fazer o caminho inverso, mas acredito que com o tempo a escola vai voltar a ter alunos de todos os feitios.”

Os deputados do PS enviaram ainda uma carta à Secretaria de Estado da Habitação questionando o governo no sentido de saber se este tinha conhecimento do acampamento da comunidade cigana em Meães, junto à escola. Os parlamentares registaram a existência de “17 casas em condições extremamente precárias, sem condições para habitabilidade e com graves riscos para as pessoas”. “São casas sem saneamento básico, sem eletricidade, sem acesso à rede de água e sem segurança, onde vivem vários agregados familiares, estimando-se que ali habitem entre 80 e 100 pessoas”, adiantaram os socialistas. A associação SOS Racismo também reagiu ontem, afirmando tratar-se de “uma prova de que existe discriminação em Portugal”.

 

 

Menores refugiados recebem tratamento discriminatório na Alemanha, acusa Unicef

Junho 30, 2016 às 10:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 21 de junho de 2016.

Simela pantzartzi

Agência Lusa

Um relatório da UNICEF acusa a Alemanha de limitar o acesso à assistência médica e a educação aos menores refugiados. A UNICEF acusa a falta de intimidade e de ofertas estruturadas de aprendizagem.

Os menores refugiados recebem na Alemanha um tratamento discriminatório associado ao país de origem e às perspetivas de asilo e, em termos gerais, todos têm acesso limitado ou nulo à assistência médica e à educação, acusou a Unicef.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou esta terça-feira um relatório em que revela que os menores e adolescentes refugiados na Alemanha vivem por períodos cada vez mais prolongados num entorno inadequado às crianças e que o seu direito à proteção, participação, assistência médica e educação é restringido ou mesmo inexistente.

“Todas as crianças têm os mesmos direitos, independentemente de onde venham, a que comunidade pertençam e em que situação administrativa de residência se encontrem”, recordou o secretário-geral da Unicef na Alemanha, Christian Schneider, citado pela agência Efe, aludindo à Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças.

O tempo que os menores permanecem com as suas famílias em centros de acolhimento provisórios aumentou consideravelmente, de um máximo inicial de três meses para seis ou mais, lamenta a Unicef.

Para além da total falta de intimidade e de ofertas estruturadas de jogos e aprendizagem, assim como de condições sanitárias e de assistência médica – incluindo a psicossocial – insuficientes, a permanência nestes albergues precários atrasa a integração destes menores em escolas e infantários.

A Unicef expressa ainda uma especial preocupação com os centros de acolhimento criados para pessoas com poucas probabilidades de receber asilo, onde as condições oferecidas às crianças são ainda menores, apesar de aí residirem com frequência metade de um ano ou mais, antes de serem definitivamente expulsas do país.

O documento revela ainda que nos procedimentos de solicitação de asilo, os interesses dos menores não são levados em consideração e que existem dificuldades para determinar os motivos específicos da fuga, como o recrutamento forçado, trabalho infantil e casamentos entre menores.

“Os menores refugiados têm frequentemente medo e foram muitas vezes vítimas de uma violência brutal. Precisam de uma proteção e de uma atenção especiais”, sublinhou Schneider.

Já em 2014, a Unicef tinha detetado um tratamento discriminatório dos menores e uma deficiente aplicação dos seus direitos na Alemanha, uma situação que se degradou ainda mais com o aumento dos solicitadores de asilo chegados ao país em 2015 na chamada crise dos refugiados.

 O relatório citado na notícia só está disponível em alemão:

WACHSENDE PROBLEME FÜR FLÜCHTLINGSKINDER Köln, 21. Juni 2016 AKTUELLER UNICEF-LAGEBERICHT ZUR SITUATION DER FLÜCHTLINGSKINDER IN DEUTSCHLAND

 

 

Experience of discrimination, social marginalisation and violence : a comparative study of Muslim and non-Muslim youth in three EU Member States

Março 15, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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