Europa quer que manuais escolares passem a contar a história dos Descobrimentos incluindo “a discriminação e a violência”

Outubro 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia da Visão de 2 de outubro de 2018.

Clara Cardoso

Um relatório europeu publicado esta terça-feira recomenda a Portugal “repensar o ensino da história e, em particular, a história das ex-colónias” e defende que o “contributo dos afrodescendentes, assim como dos ciganos, para a sociedade portuguesa deve ser tratado” nos manuais escolares.

Se nos últimos cinco anos foram vários os “progressos” registados em Portugal pela Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), há ainda várias “questões preocupantes”, lê-se no relatório publicado esta terça-feira pelo Conselho da Europa.

O organismo exorta as autoridades portuguesas a “repensar o “ensino da história e, em particular, a história das ex-colónias”, defendendo a inclusão do “papel que Portugal desempenhou no desenvolvimento e, mais tarde, na abolição da escravatura, assim como a discriminação e a violência cometidas contra os povos indígenas nas ex-colónias”.

“A narrativa da ‘descoberta do novo mundo’ deve ser colocada em questão e a história e contributo dos afrodescendentes, assim como dos ciganos, para a sociedade portuguesa devem ser tratados”, considera a ECRI. “As autoridades deveriam ainda melhorar os manuais escolares seguindo estas linhas de orientação”, conclui, sobre este ponto.

A ECRI analisa a situação em cada um dos Estados membros do Conselho da Europa no que respeita ao racismo e à intolerância e formula sugestões e propostas para o tratamento dos problemas identificados.

No caso português, a comissão destaca, entre outros pontos positivos, que “os comentários racistas, homofóbicos ou transfóbicos pelos políticos são raros e condenados publicamente”, que “muito poucas pessoas ciganas e negras foram vítimas de violência motivada pelo ódio” e que “a grande maioria da população portuguesa pensa que as pessoas LGB devem ter os mesmos direitos que os heterossexuais”.

No entanto, “há ainda algumas preocupantes”, sublinha o relatório, que aponta o dedo, por exemplo, às medidas “insuficientes” e às sanções “não dissuasoras” para combater o discurso de ódio no país.

A instituição lamenta ainda que não tenham sido reunidas as “inúmeras as acusações graves de violência racista cometida por agentes da polícia”, nem levado a cabo um “inquérito eficaz para determinar se são ou não verdadeiras”.

O abandono escolar das crianças afrodescendentes (três vezes maior), o número cinco vezes inferior de alunos de origem africana na universidade, o desemprego elevado entre adultos afrodescendentes e a segregação resultante dos programas de realojamento são outras das dificuldades apontadas no documento, que classifica também como “profundamente preocupante” a situação das crianças de etnia cigana, com 90% a abandonarem a escola.

 

 

Concurso “77 Palavras Contra a Discriminação Racial “

Abril 30, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

O Concurso é aberto a qualquer cidadão/cidadã residente em Portugal, independentemente da sua nacionalidade ou profissão, a partir dos 7 anos de idade.

O prazo de candidatura termina a 4 de maio de 2018.

mais informações no link:

http://www.cicdr.pt/-/77-palavras-contra-a-discriminacao-racial?inheritRedirect=true

 

Escola investigada por suspeita de discriminar alunos de etnia cigana

Janeiro 28, 2018 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de janeiro de 2018.

IDÁLIO REVEZ

A Escola Básica Major David Neto, em Portimão, está sob investigação por suspeita de práticas de discriminação racial e maus tratos a alunos, numa das 20 turmas deste estabelecimento de ensino. A situação tornou-se pública, há cerca de duas semanas, depois da mãe de uma estudante do 4º ano ter apresentado queixa na escola e noutras entidades por alegados “maus tratos” à filha. Queixa-se de ter sido empurrada por uma funcionária no refeitório do estabelecimento. Porém, as queixas relativas a actos discriminatórios a crianças de etnia cigana já se verificam há três meses.

A presidente da câmara de Portimão, Isilda Gomes, afirmou ao PÚBLICO que proferiu um despacho com “carácter de urgência, para seja aberto um processo de averiguações para apurar toda a verdade”, no que diz respeito à funcionária da autarquia visada nas acusações de “maus tratos” no refeitório. Também a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste) –  através da direcção de serviços regionais do Algarve – está a averiguar as alegadas práticas discriminatórias. Na próxima segunda-feira, a direcção do Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes, a que a escola em causa pertence, vai decidir o âmbito do “processo de inquérito interno” para apurar responsabilidades ao nível do estabelecimento de ensino.

De acordo com as denúncias dos pais, veiculadas numa comunicado da associação SOS Racismo, a escola “tem uma turma onde colocou todas as crianças de etnia cigana, crianças com deficiências e crianças de raça negra, e crianças de raça branca que são transferidas de outras escolas”, situação que classificam como sendo de “maior absurdo, porque a mistura racial e cultural enriquece a todos”.

Directora nega discriminação

A directora do agrupamento, Maria Goreti Martins, garantiu ao PÚBLICO que a turma em questão “não é a única que tem alunos de etnia cigana” e que “há outras em que os alunos de outras etnias, vindas de outros países, estão em maior número do que nesta”. No entanto, recusou-se a dar qualquer informação sobre as queixas, alegando que estão a “decorrer averiguações” a diferentes níveis. A Provedoria de Justiça e o Ministério da Educação também receberam a queixa da mãe e já pediram esclarecimentos.

Ao PÚBLICO, o ministério confirmou as diligências em curso na escola, dando conta de que a Dgeste está a averiguar o caso “tendo já decorrido uma reunião destes serviços com a direcção do agrupamento a que pertence a escola e com a autarquia, responsável pela gestão do refeitório bem como por todos os funcionários desta escola”. Também a Inspecção-geral da Educação e Ciência está a realizar averiguações sobre este caso. De acordo com a tutela, “a direcção do agrupamento manifestou disponibilidade para averiguar eventuais responsabilidades da coordenação do estabelecimento através da abertura de um processo de inquérito interno”.

O caso chegou ainda ao Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e à Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, que “estão em estreita articulação com o município de Portimão, acompanhando as diligências (…) com vista à rápida eliminação do problema”, diz o ACM.

“Além disso, a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial confirma a recepção de uma denúncia” e que “estão a ser encetadas as diligências adequadas e necessárias à tramitação do procedimento decorrente da queixa”, acrescenta o ACM.

Segundo a informação dos pais, veiculada pela SOS Racismo, “as crianças de etnia cigana comem de pé, alguns deles colocados estrategicamente ao pé do caixote do lixo”. “São agredidos fisicamente e verbalmente, existem palavrões fortíssimos dentro do refeitório da parte dos funcionários do mesmo”, lê-se no comunicado da associação. Isilda Gomes esclareceu que a funcionária que zela pela disciplina na cantina, onde comem além dos alunos das 20 turmas do ensino Básico mais os de três turmas do pré-escolar, está no quadro do município há mais de 12 anos e “nunca foi alvo de qualquer queixa”.

Denúncia de insuficiência de comida

Numa reunião realizada no início desta semana, em que participaram os funcionários da escola, dirigentes e um representante do município, foi analisado o pedido de imediata suspensão da funcionária exigido pelos encarregados de educação. “A suspensão da actividade só terá lugar se o inquérito concluir que há matéria que justifique um processo disciplinar”, adiantou a autarca, acrescentando: “Os meus dois filhos frequentaram aquela escola e só tenho elogios a fazer.” Sobre as acusações de “discriminação”, enfatizou que “não cabe à câmara pronunciar-se sobre essa matéria”.

As primeiras queixas dos pais, no mês de Novembro, referiam-se ao facto dos alunos da referida turma serem os últimos a terem direito a ir almoçar, a partir das 13h30. Maria Goreti Martins, assim que tomou posse, no passado dia 11, introduziu um sistema de rotatividade entre as diferentes turmas.

A mãe da aluna que apresentou queixa comunicou entretanto à Câmara de Portimão que se afastava do movimento de pais que continua a denunciar “atitudes discriminatórias”. Os pais denunciaram ainda situações de insuficiência de comida, dando como exemplo “a divisão ao meio de um filete” de peixe por outras crianças.

 

 

 

 

Aluna portuguesa recebe prémio da ONU contra a discriminação

Dezembro 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de novembro de 2017.

“See actions, not colors” é o título do filme que levou Joana Maria Sousa a Nova Iorque, para receber o prémio na sede das Nações Unidas.

Joana Maria Sousa, aluna portuguesa da Universidade Lusófona, ganhou um prémio num festival de cinema (PLURAL + Youth Video Festival) promovido pela Aliança das Civilizações das Nações Unidades.

Joana Maria Sousa ganhou o prémio numa iniciativa dedicada à luta contra a discriminação e foi recebê-lo à sede da ONU, em Nova Iorque.

O spot foi criado na unidade curricular de atelier de publicidade do 3º ano licenciatura em cinema. Nesta cadeira, os alunos trabalham sobre um briefing real proposto por um “cliente externo”, neste caso o Conselho da Europa, numa colaboração da Universidade com esta instituição que já dura há cinco anos.

O briefing deste ano propunha a produção de spots contra a discriminação para exibição em TV e web.

O prémio consiste na participação no “Danúbio – Barco da Paz”, organizado pelo Education Media Centre em Belgrado. É uma iniciativa que vai acontecer no próximo verão, pelo Danúbio, e em que cada um dos participantes/ convidados vai elaborar um projeto relacionado com o tema da paz.

Joana Maria Sousa realizou o filme, com produção de Joana Vieira.

 

Ouvir entrevista de Bárbara Baldaia a Joana Maria Sousa  no link:

https://www.tsf.pt/cultura/interior/aluna-portuguesa-recebe-premio-da-onu-contra-a-discriminacao-8931169.html

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial – 21 de março

Março 21, 2017 às 1:39 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

mais informações nos links:

Mensagem do Secretário-Geral sobre Combate à Discriminação e Ódio Anti-Islâmicos

 

 

“E se fosse eu”: um estudante na pele de um refugiado

Março 26, 2016 às 5:32 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da TVI24 de 21 de março de 2016.

eu

O desafio que é lançado aos jovens portugueses, de maneira a sensibilizá-los para este problema do século XXI

Ontem às 13:03 Redação / CF

“E se fosse eu” é o tema da campanha lançada por várias entidades e que desafia os estudantes a colocarem-se na pele de um refugiado e arrumarem a sua mochila como se estivessem a fugir da guerra.

Lançada no Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, a campanha nacional é uma iniciativa conjunta da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), da Direção Geral da Educação, do Alto Comissariado para as Migrações e do Conselho Nacional da Juventude e novos

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da PAR, Rui Marques, explicou que a campanha visa “sensibilizar a opinião pública, em particular os jovens estudantes”, sobre “o que quer dizer ser refugiado”.

O que levar na mochila quando se foge à guerra

A campanha, apresentada esta segunda-feira na Câmara Municipal de Lisboa, lança um desafio a todas escolas para que no dia 06 de abril incitem os estudantes a dizer como arrumariam a sua mochila se tivessem que fugir da guerra, sair da sua casa e deixar o seu país.

“É isso que acontece às famílias de refugiados que partem da Síria, deixando tudo para trás”, disse Rui Marques, sublinhando que antes de partirem têm de selecionar as poucas coisas que podem levar consigo num trajeto de centenas de milhares de quilómetros.

Quando somos colocados perante esta experiência, ainda que simulada, de que temos de deixar tudo para trás e que a nossa vida e os nossos bens se resumem àquela mochila percebemos um pouco melhor o que quer dizer a vida destes refugiados”, sublinhou o coordenador da PAR.

Na primeira aula do dia 6 de abril, além deste desafio, será feita uma reflexão entre o professor e os alunos sobre o que é ser refugiado.

O objetivo é que os alunos percebam com este exercício o que é “a vida de tantos jovens e adultos que têm de partir num rumo de incerteza, não sabendo quando e por quem irão ser acolhidos e que tudo o que têm é a mochila que trazem consigo”, disse Rui Marques.

Para o responsável, esta iniciativa tem uma “dimensão importantíssima de educação para a cidadania e de perceber que nenhuma comunidade e nenhum país estão isentos do risco de poder, um dia, ter uma situação de conflito, de crise e ser obrigada a fugir”.

Por isso, elucidou, “quando percebemos que pode ser qualquer um de nós, provavelmente a nossa atitude” será de receber essa pessoa como gostaríamos que nos recebessem.

É um exercício de educação para a cidadania mas também um exercício de mobilização dos jovens para esta causa do acolhimento e integração dos refugiados”, acrescentou.

Para Rui Marques, esta iniciativa tem “um enorme alcance, um sentido simbólico muito forte, simples na sua execução, mas muito profunda naquilo que é a reflexão que induz”.

Segundo o coordenador da PAR, estão em Portugal 149 refugiados distribuídos por várias organizações que têm assegurado o acolhimento destas pessoas no país.

mais informações:

http://www.esefosseeu.pt/

 

 

Crianças livres de preconceitos: lembrem-se, pais, que ‘quem cala consente’

Novembro 3, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto da http://activa.sapo.pt/ de 25 de outubro de 2015.

mayoral

Os estudos mostram que é preciso falar com as crianças. não termos preconceitos não chega. O silêncio abre a porta à discriminação.

Bárbara Bettencourt

Queremos que os nossos filhos cresçam capazes de formar as suas próprias opiniões sobre o mundo. Educar, diz-se, é conduzir para a autonomia. Mas até que sejam capazes de pensar por si cabe-nos incutir-lhes regras e valores. Obviamente os nossos valores. Inevitavelmente também os nossos preconceitos. Os cães são maus. Os meninos não andam no ballet. As meninas não brincam com carrinhos. Há milhares de preconceitos e formas de os passar às crianças. Será possível evitá-lo? Não, diz a psicóloga Ana Paula Trindade. “Passamos sempre os nossos preconceitos. Alguns de forma assumida outros de forma inconsciente. “Se a mãe tem medo de cães, vai ficar perturbada quando vir um animal, agarrar na mão do filho e mudar de passeio, mostrar-se ansiosa se ele quiser fazer festas.” Não podemos evitar ser modelos. “E o que dizer daquelas famílias que dizem mal de tudo o que as rodeia, que mostram vivências negativas das intenções alheias (do vizinho, do chefe, da sogra), daqueles pais que quando entram no carro emitem juízos mordazes contra a diferença (pela cor, pela forma de pensar, pela origem). Não se duvide que geraremos pessoas intolerantes, racistas, xenófobas”, garante o psicólogo espanhol Javier Urra no livro ‘Educar com Bom Senso’ (Esfera dos Livros).

“O que somos é o que iremos passar aos nossos filhos”, corrobora Ana Paula Trindade. E, mesmo não indo tão longe como a família de que fala Javier Urra, é verdade que por vezes não temos noção do peso daquilo que dizemos, sobre os nossos filhos, sobretudo quando são pequenos. Segundo os especialistas em Psicologia do Desenvolvimento, as crianças começam a aplicar estereótipos entre os três e os seis anos. Antes dos 10 não conseguem formar opiniões por si, são autênticas esponjas para quem o que os adultos dizem é lei.

Foi também o que concluíram dois estudos sobre o preconceito nas crianças feitos na Universidade de Toronto e publicados em 2012 no Personality and Social Psychology Bulletin.

Nas pesquisas, as crianças foram separadas em dois grupos e colocadas em salas diferentes. Eram instruídas pelos adultos de que os meninos da outra sala eram maus. De seguida os grupos trocavam de sala e ao entrarem encontravam doces que o outro grupo tinha deixado de presente. A ideia era perceber se a perceção das crianças acerca dos outros era mais influenciada pelo que os adultos diziam ou pela sua própria experiência. Nos resultados percebeu-se que só as crianças mais velhas conseguiam sobrepor a sua experiência – deram-me doces – à opinião dos adultos – eles são maus. Os mais novos continuaram a percecionar o outro grupo como sendo de meninos maus, tal como os adultos tinham dito. Os investigadores concluíram que nas crianças pequenas o que os pais dizem é muito determinante, pelo que para prevenir o preconceito é bom que os pais falem de forma explícita e positiva acerca de outras raças. Às mais velhas será importante dar oportunidades de estarem em ambientes multiculturais diversos – com meninos de raças, países e costumes diferentes – que lhes proporcionem experiências positivas e lhes permitam formar uma opinião por si.

Pais seguros têm menos preconceitos

À partida, quanto menos inseguros forem os pais, menos preconceitos passarão aos filhos, sugere a psicóloga Ana Paula Trindade. “Estes pais admitirão visões diferentes e não irão ridicularizar as coisas que os filhos valorizam, mesmo que sejam diferentes das que eles valorizam.” No filme ‘Billy Elliot’ conta-se a história de um rapazinho com gosto pelo ballet que tem de ultrapassar o preconceito do pai, para quem a dança é coisa de mulheres. Ana Paula Trindade conhece várias histórias deste tipo. “Tenho um caso de um rapaz que tinha assumido a homossexualidade com 19 anos. Veio ter comigo e trouxe a mãe, porque não sabia como lhe dizer. Eu falei com a mãe, que curiosamente aceitou bem, mas disse: ‘Eu quero que ele seja feliz, mas o que é que os outros vão dizer? Como é que eu digo à família?’ É um bom exemplo do peso social no preconceito.”

Obviamente não podemos fugir às nossas preferências. “Se somos ateus, não metemos os filhos na catequese. Mas se mostrarem interesse pela religião não temos que dizer que é uma treta. Podemos dizer que não acreditamos, mas há pessoas que acreditam: Dizemos o que pensamos e deixamos uma porta aberta para a criança poder formar uma opinião por ela própria”, sugere. Também há valores que fazemos questão de passar aos filhos. É importante distinguir valores de preferências e, em qualquer caso, “ter cuidado para não os ‘castrar’ demasiado. Por exemplo, há formas hábeis de condicionar as crianças a hábitos saudáveis sem lhes dar a sensação de que não têm escolha. Em vez de dizer ‘não podes comer bolachas!’, é mais eficaz dizer ‘queres pão com marmelada, queijo ou fiambre?’. Desta maneira damos várias opções que são aceitáveis para nós. Esta via é sempre melhor porque tudo o que é imposto tem tendência a ser contrariado”, lembra a psicóloga.

Explicar às crianças o que é a raça e a cor da pele é bom ou mau para elas?

Há quem pense que é mau. Afinal, falar seria chamar a atenção para uma diferença quando o que se pretende é que as crianças cresçam com o sentido de igualdade. “Durante décadas, presumimos que as crianças só veem a raça quando a sociedade chama a sua atenção. Esta ideia era partilhada por grande parte da comunidade científica”, contam Ashley Merryman e Po Bronson no livro ‘Choque na Educação – Como os nossos erros estão a afetar os nossos filhos’ (Lua de Papel). Os autores defendem que falar abertamente é essencial, pela simples razão de que as crianças discriminam por natureza, faz parte do seu desenvolvimento. Categorizam tudo, desde a comida aos brinquedos, passando pelas pessoas e a sua cor. E contam como um estudo da Universidade do Colorado mostrou que aos seis meses os bebés já diferenciam rostos familiares de estranhos: “A raça propriamente dita não tem qualquer significado étnico mas os cérebros registam as diferenças de cor da pele e tentam perceber o seu significado”, explica Merryman. Aos três anos mostraram às crianças fotografias de outros meninos perguntando de quais queriam ser amigos e 86% escolheu crianças da sua raça. Aos cinco deram-lhes baralhos de cartas com desenhos de pessoas e pediram para as dividirem em dois montes. 68% usou a raça para dividir as cartas sem ter recebido qualquer instrução nesse sentido. Isto acontece com crianças que têm pais que não querem que os filhos sejam racistas. Se os próprios pais forem racistas será obviamente pior. Ana Paula Trindade conta um caso emblemático: “Na clínica, uma das nossas pediatras era de raça negra. A receção tinha ordens para dizer que a pediatra era de cor, porque havia pais que quando a viam diziam ‘não quero uma pediatra negra para os meus filhos’. E era uma excelente pediatra. O que é que estes pais estão a ensinar aos filhos?”

Pôr o preto no branco

Só que falar sobre as raças com os filhos pode revelar-se mais difícil do que parece. Num estudo da Universidade do Texas, em 2006, ficou patente a dificuldade, mesmo quando os pais não são racistas. A pesquisa recrutou 100 famílias caucasianas com um filho entre 5 e 7 anos e tentou perceber se ver vídeos infantis com histórias multiculturais tinha um efeito positivo nas crianças. A um terço dos casais foi dito para verem os vídeos com os filhos. Outro terço devia ver os vídeos e conversar com os filhos sobre as raças, o último terço não via vídeos, só falava sobre o assunto. As crianças que só tinham visto os vídeos não mostraram modificações na atitude racial. Nos casais que conseguiram falar abertamente sobre a amizade racial (só seis em 100!) a atitude das crianças mostrou ser menos preconceituosa. O surpreendente foi a maioria dos pais ter confessado que não tinha sido capaz, ou não queria, falar sobre raças com os filhos. Os que tentaram usavam frases vagas, como “somos todos iguais”… Quando testados, os seus filhos mostraram ter preconceitos e alguns até a convicção de que os pais eram racistas, apesar de não ser verdade.

Merryman está convicta de que é importante falar com as crianças sobre as raças, porque além de discriminarem tudo elas estabelecem preferências baseadas nas semelhanças. Colocá-las em ambientes multiculturais, como escolas multirraciais, não chega. Os estudos mostram que o preconceito não diminui nestas escolas. Pelo contrário, são as próprias crianças a estabelecer um mecanismo de segregação. Falar desde cedo parece ser a forma mais eficaz de evitar o preconceito, desde que seja de forma bem explícita. Evite frases vagas. Merryman conta: “Uma amiga minha dizia vezes sem conta ao filho de 5 anos, ‘lembra-te, somos todos iguais!’. E pensava que estava a passar a mensagem, mas ao fim de sete meses o filho perguntou: ‘Mamã, o que quer dizer igual?’.”

 

 

“Balada da Margem Sul”: uma peça de teatro sobre a discriminação racial

Maio 18, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Integrando as comemorações da Semana da Diversidade Cultural, o Programa Escolhas irá promover, em parceria com o Governo Civil de Setúbal, a apresentação da peça “Balada da Margem Sul”, produzida pelo Grupo de Teatro “A Barraca”. A apresentação será no dia 20 de Maio de 2010 (quinta-feira), pelas 16 horas, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada. A participação é gratuita.

Esta peça versa sobre a discriminação racial e destina-se a jovens a partir dos 15 anos, bem como aos seus familiares e à população em geral. Mais informações em: http://www.abarraca.com/info/emcenabaladamargem.html

As inscrições deverão ser feitas até ao dia 18 de Maio para o e-mail: sofias.consultores@programaescolhas.pt .

Os participantes deverão estar presente 30 minutos antes do início da peça.

O ódio anda à solta nas grandes metrópoles.
A necessidade, a insegurança, o futuro sombrio transformaram o homem – e principalmente a juventude – numa massa irregular, inconstante e suicidária.
Os bandos, cada vez mais frequentes e maiores, criam-se não por solidariedade ou afectividade, mas por obediência a um espírito de guerra, de agressão. Trata-se de excluir e marginalizar o “OUTRO”, e acredita-se que a morte do adversário/inimigo é a garantia da vida própria e do futuro sem manchas.
O pano de fundo mais evidente de toda esta linha doutrinária é o racismo.
Nada mais fácil que identificar a diferença pela cor da pele.
Apesar de essa pele diferente deixar de ser importante quando o seu portador for milionário ou alta figura social – o que prova muito claramente que, no fundo, o racismo não passa de uma mistificação e de um embuste que mascara a verdadeira verdade – a continuidade ad eternum ?, da luta de classes.

Na margem sul do Tejo, frente a Lisboa, zona de grande tensão e conflitos entre a população, causados pelo desemprego e encerramento de unidades industriais, vivem grupos de jovens radicalmente inimigos.
Os mais célebres e activos são os skin-heads e os negros marginais.
Comunidades opostas, rivais, mas de idênticos princípios sectários e dogmáticos, são confrontadas com o amor absurdo e proibido que nasce entre um skin-head e uma negra.
Trata-se de uma possivel versão contemporânea de um dos pontos altos da dramaturgia universal (Romeu e Julieta) e dos grandes temas que  a humanidade transmitiu de pais para filhos: amores contrariados, conflitos inter-rácicos e desencontro entre o sonho, a esperança e o fatalismo trágico.

Helder Costa

A Barraca



Entries e comentários feeds.