6 estratégias para ajudar alunos com dificuldades de aprendizagem

Janeiro 28, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto da Sapolifestyle

Estratégias não faltam. Truques para ensinar também não. Os professores tentam de tudo para ajudar as crianças na sala de aula. E bem! Afinal, não há um só caminho para aprender! Mas, será que todos resultam, especialmente se estivermos perante um quadro de dificuldades de aprendizagem e de atenção?

A resposta parece óbvia. Não! Há que os conhecer para os saber trilhar convenientemente. Como em tudo na vida, há métodos de ensino mais eficazes do que outros. Saber identificar os mais adequados para cada caso concreto é fundamental. Conheça as 6 estratégias de ensino mais comuns para crianças com dificuldades de aprendizagem e de atenção:

  1. Tempo de espera

Também conhecido por “tempo de reflexão”. É uma pausa de 3 a 7 segundos que se estabelece depois do professor dizer alguma coisa. Em vez de chamar o primeiro aluno que levanta a mão para responder a uma pergunta, o docente aguarda durante um período necessariamente curto para permitir que as crianças que demoram mais tempo possam refletir melhor sobre o que acabou de ser dito e assim terem oportunidade para reagir em igualdade de circunstâncias.

Esse tempo de espera é precioso na medida em que permitirá ao aluno com dificuldades de aprendizagem entender de forma mais eficaz a mensagem do professor e pensar melhor na resposta, em vez de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça. Esta estratégia beneficia, por exemplo, os alunos com Perturbação de Hiperatividade/ Défice de Atenção (PHDA).

  1. Instrução multissensorial  

É uma forma de ensinar cada vez mais recorrente e que envolve mais do que um sentido de cada vez. Um professor pode ajudar a criança a aprender através do toque, do movimento, da visão e da audição. A instrução multissensorial é muito útil para ajudar a superar várias dificuldades:

Dislexia: os professores podem, por exemplo, incentivar os alunos a usar o estalar de dedos para assinalar cada sílaba de uma palavra, ou, por exemplo, desenhar uma palavra no ar usando o braço e os dedos.

Discalculia: a instrução multissensorial também é importante em matemática. Os professores costumam usar ferramentas práticas, como lápis e desenhos. Essas ferramentas ajudam a “ver” conceitos matemáticos, sobretudo aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem para os quais a adição de 2+2 é mais concreta e mais fácil quando envolve, por exemplo, 4 lápis reais. É frequente ouvir alguns professores referirem-se a estas ferramentas como manipulativas.

Disgrafia: os professores também usam instruções multissensoriais para superar dificuldades de caligrafia. Por exemplo, os alunos usam o sentido do tato quando escrevem em papel “irregular”.

PHDA: Instruções multissensoriais também podem revelar-se importantes para crianças com diferentes sintomas de Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção. E isto é especialmente verdadeiro se a estratégia envolver movimento. A obrigatoriedade de a criança ter de se mexer ajuda a gastar o excesso de energia. O movimento também ajudará a focar e a reter mais facilmente novas informações.

  1. Modelar

A maior parte das crianças não aprende simplesmente se lhes dissermos como o fazer. Precisam de mais. Os professores poderão usar uma estratégia chamada “eu faço, nós fazemos, tu fazes” para ensinar ou desenvolver uma determinada competência. Primeiro, o professor mostrará como resolver, por exemplo, um problema de matemática (“eu faço”), depois convidará os alunos a responderem em conjunto (“nós fazemos”) e, logo a seguir, as crianças serão chamadas a fazer os exercícios sozinhas (“tu fazes”).

Esta estratégia pode ajudar a contornar alguns problemas. Que fique claro: todas as dificuldades de aprendizagem e de atenção, quando devidamente acompanhadas na escola pelos professores, podem ser minimizadas, em benefício dos respetivos alunos. O importante é saber prestar a ajuda correta em cada momento e perceber a fase a partir da qual a criança já estará preparada para realizar o trabalho por conta própria. Como se fosse andar de bicicleta pela primeira vez sem rodinhas.

  1. Organizadores gráficos

São ferramentas visuais que mostram informações ou a relação entre conceitos. Ajudam, também, as crianças a organizar a matéria que aprenderam ou a que precisam de aprender. Os professores usam estas ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades. É como se montassem andaimes para a construção de um edifício.

Existem muitos tipos diferentes de organizadores gráficos, como diagramas de Venn e fluxogramas. Podem ser especialmente úteis para as seguintes dificuldades:

Discalculia – em matemática os organizadores gráficos podem ajudar as crianças a dividir os exercícios por etapas. Podem ser igualmente utilizados para aprender ou rever conceitos matemáticos.

Disgrafia– os professores costumam usar organizadores gráficos quando ensinam os alunos a escrever na medida em que permitem organizar ideias. Alguns também oferecem linhas de escrita para ajudar os alunos a expressarem-se corretamente.

Funções Executivas– as crianças com fracas competências executivas podem usar estas ferramentas para organizar informações e planear o seu trabalho. Os organizadores gráficos permitem igualmente sintetizar pensamentos em frases curtas. Esta estratégia permitirá ao aluno identificar mais facilmente a ideia principal de uma determinada matéria na hora de estudar e fazer os apontamentos.

  1. Acompanhamento individual e em pequenos grupos

Uma estratégia recorrente entre os professores é variar o tamanho do grupo de alunos para o qual ensinam. Algumas matérias são lecionadas para toda a turma ao mesmo tempo. Outras surtem mais efeito se fornecidas para um pequeno grupo de crianças, ou até a uma só. Há alunos que precisam de apoio escolar individualizado. Caberá aos professores e à escola avaliarem o perfil dos alunos que precisam dessa ajuda extra e agirem em conformidade. Há cada vez mais escolas a adaptarem as matérias curriculares às necessidades dos alunos.

Essa estratégia pode ser fundamental para:

Dislexia – na sala de aula os professores procuram juntar no mesmo grupo os alunos com o mesmo nível de dificuldades para que possam beneficiar do mesmo tipo de apoio. As crianças também podem juntar-se porque, por exemplo, partilham o mesmo gosto por determinado livro.

Discalculia – os professores reúnem um ou mais alunos com discalculia para praticar as competências às quais sentem maiores dificuldades e assim beneficiarem de ajuda extra.

Disgrafia – em muitas salas de aula, os professores realizam ateliês de escrita e costumam reunir com os alunos individualmente e conversar sobre o seu progresso. Em simultâneo poderão aproveitar a oportunidade para se focarem nas competências específicas de cada criança.

PHDA e Funções Executivas – este tipo de acompanhamento ocorre normalmente em ambientes mais recatados e menos suscetíveis de causar distrações. O professor também pode ajudar os alunos a focar na tarefa e aprender novas competências como a automonotorização.

Velocidade de processamento reduzida – os professores podem adaptar o ritmo da instrução, para dar aos alunos o tempo necessário para receber e responder às informações. Poderão definir em simultâneo as prioridades da matéria, para que os alunos tenham tempo para entender os conceitos mais relevantes através do trabalho de grupo.

  1. Estratégias de desenho universal para aprendizagem – é um método de ensino que oferece aos alunos diferentes formas de aprender mais flexíveis. Estas estratégias (EDUA) permitem que as crianças aprendam as matérias e se relacionem com elas com maior taxa de sucesso.

PHDA – Para os alunos com défice de atenção é importante que trabalhem em ambientes flexíveis e silenciosos, longe da confusão das salas de aula.

Funções Executivas – Seguir instruções pode ser difícil para crianças com este tipo de dificuldade. Uma das estratégias aconselhadas passa por fornecer instruções em mais do que um formato. Por exemplo, um professor pode dar instruções em voz alta e escreve-las no quadro.

Dislexia – Quando os professores seguem os princípios do EDUA, eles apresentam informações de diferentes maneiras. Por exemplo, em vez de dizerem aos alunos que devem ler um livro, são convidados a ouvir um audiolivro o que facilitará a vida a quem se debate com dificuldades de leitura.

Disgrafia – Uma das estratégias é oferecer opções de escolha. Crianças com disgrafia podem sentir dificuldades em mostrar o quanto sabem sobre história através de um texto. Mas se mostrarem esses conhecimentos através de uma apresentação oral ou, por exemplo, de uma peça de teatro a tarefa poderá ser mais fácil.

Privilegie o diálogo permanente com os professores. Conheça todas as estratégias de ensino a que o seu filho é sujeito na escola.  Saiba de que forma essas estratégias podem ser usadas com sucesso em casa.

Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

Novembro 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Artigo de opinião de Rita Branco publicado no Público de 10 de novembro de 2019.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõe a realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência.

Em cada sala de aula pode existir pelo menos um aluno que, apesar de ter uma capacidade intelectual normal, não consegue aprender a ler, escrever ou calcular ao mesmo ritmo dos colegas (dislexia, disortografia ou discalculia). Para além destes alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, as nossas turmas nas escolas são turmas com uma grande heterogeneidade de alunos, em que cada um tem características próprias que carecem também de atenção especial por parte dos professores. Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

A legislação atual que regula a educação inclusiva, o Decreto-Lei n.º 54/2018, estabelece a escola como um local onde todos e cada um dos alunos encontram respostas que lhes possibilitam a aquisição de um nível de educação apropriado, assim como respostas às suas potencialidades, expectativas e necessidades.

A necessidade de reconhecer a diversidade dos seus alunos e lidar com essa diferença coloca novos desafios e exigências a cada escola. Contribuir para que todos os alunos atinjam o seu potencial é mais do que dar a matéria toda ou chegar ao fim do manual. Também é função da escola ensinar os alunos a assumirem a responsabilidade pela sua aprendizagem, ajudá-los a adquirir competências ao longo da escolaridade obrigatória que lhes permitam exercer uma cidadania plena e ativa. O ensino, neste momento, não consiste em transmitir conhecimentos imutáveis ou técnicas programadas, mas sim em promover competências como a adaptabilidade, criatividade, pensamento crítico, capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal que possibilitem a criação de habilidades de adaptação às mudanças que a sociedade anuncia. Para isso, os professores precisam de abandonar ou superar modelos pedagógicos anteriores, muitos deles baseados em modelos de segregação, e munirem-se de estratégias que possibilitem maior aprendizagem e envolvimento dos alunos.

Desenvolver competências como a autorregulação da aprendizagem justifica-se, uma vez que esta promove a apropriação de conhecimentos e competências necessárias para a vida pessoal e profissional. A autorregulação da aprendizagem é um processo ativo, através do qual os alunos definem objetivos, planeiam o seu trabalho, tomam decisões estratégicas, monitorizam os processos cognitivos, fazem a gestão de emoções e de recursos, refletem e avaliam os resultados que obtiveram. É o mecanismo que nos possibilita gerir ou regular pensamentos, sentimentos e comportamentos, que se manifestam em ações planeadas e ciclicamente adaptadas para a obtenção de metas e de objetivos pessoais. Este processo é influenciado por fatores metacognitivos, motivacionais, sociais ou culturais. Quando uma criança estabelece um objetivo de aprendizagem e o seu planeamento estratégico, entram em ação as crenças sobre a sua autoeficácia e as suas expetativas de realização, interesse intrínseco, conhecimentos ou experiências anteriores, que vão determinar o sucesso da tarefa. Por exemplo, é comum ouvirem-se pais a afirmar algo do género “eu também nunca fui bom a Matemática” perante as más notas das crianças e jovens nesta disciplina, evidenciando uma cultura em que é normal chumbar na disciplina de Matemática e promovendo a crença que também elas talvez não venham a ter sucesso na disciplina. Outra situação em que podemos influenciar os processos autorregulatórios na aprendizagem das crianças é no momento em que elas entram para a escola, ouvimos frequentemente “vais para a escola, tens de trabalhar para ter boas notas e passar de ano”, explorando pouco os interesses e motivos pessoais das crianças para aprender.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõem realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência. Exercícios como o desenvolvimento de registos diários que envolvam descrições como “hoje quero aprender…, acho que vou conseguir…”, refletir ou tomar consciência do procedimento que usaram, fazer revisões, avaliar os conhecimentos adquiridos, realizar pesquisas ou resumos são formas de desenvolver a autorregulação da aprendizagem.

O futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem prepara-se no agora, numa escola que valoriza os alunos, que ensina a aprender a aprender, a aprender a fazer, a aprender a ser e a aprender a viver com os outros.

Psicóloga educacional do CADIn

Mestrado em EDUCAÇÃO ESPECIAL – Área de Especialização em Dificuldades de Aprendizagem Específicas e Intervenção Precoce – prova de acesso

Junho 19, 2015 às 9:34 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

minho

Mestrado em EDUCAÇÃO ESPECIAL Área de Especialização em Dificuldades de Aprendizagem Específicas* e Intervenção Precoce. *(A designação desta área de especialização foi alterada para “NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NO DOMÍNIO COGNITIVO E MOTOR”) É condição de acesso ao Mestrado a aprovação em uma prova de acesso, de carácter eliminatório.

A prova de acesso ao Mestrado relativa à 1ªFase de Candidaturas realiza-se no dia 11 de julho de 2015, no Complexo Pedagógico I (CP I), salas 301 e 303. Mais informação: http://bit.ly/YD5IMc

mestrad

Rastreio Gratuito de Dificuldades de Aprendizagem Específicas da Leitura – Dislexia, para crianças entre os 5 e os 12 anos

Outubro 31, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

rastreio

RASTREIO DE DISLEXIA

No próximo dia 13 de novembro, a equipa do CADIn irá realizar um rastreio gratuito de Dificuldades de Aprendizagem Específicas da Leitura – Dislexia, para crianças entre os 5 e os 12 anos.

É indicado trazer o seu filho/a para fazer rastreio de dislexia no CADIn, se:
· Lê mal, com erros e muito devagar
· Teve dificuldade em aprender as letras
· Evita ler
· As suas notas não correspondem ao esforço que faz para aprender e àquilo que sabe
· Tenta adivinhar as palavras quando lê
· Leva tanto tempo a ler uma frase, que no final já não sabe o que leu
· Não compreende o que lê
· Existem familiares com diagnóstico de dislexia

Mais informações:http://www.cadin.net/destaque/rastreio-gratuito-de-dislexia/

 

Construção de materiais educativos e estratégias de intervenção com crianças com diagnóstico de Dislexia, Disortografia, Disgrafia e Discalculia – Oficina Intensiva

Outubro 14, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

664490_10152282758975653_1910952909847670074_o

mais informações aqui

Rastreio gratuito de dificuldades de leitura e de escrita

Outubro 9, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

rastreio

8 de Novembro

mais informações:

http://www.ipnp.pt/

Marcação prévia através dos contactos: 222 019 839, 916 101 907, 934 483 719. 

 

Palestra Discalculia e outras Dificuldades de Aprendizagem Específicas

Junho 26, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

cadin

PALESTRA
Discalculia e outras Dificuldades de Aprendizagem Específicas
7 de julho – CADIn

A convite do CADIn, John Wills Lloyd (Coordenador do Programa de Educação especial da Universidade da Virgínia) irá realizar uma palesta sobre Discalculia e outras DAE.

A palestra é aberta ao público e limitada à capacidade da sala. Inscrições através do e-mail
congressos@cadin.net

https://www.facebook.com/CADINIPSS

Congresso Internacional em Dislexia e Dificuldades de Aprendizagem

Maio 22, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

congresso

mais informações aqui

Seminário Dificuldades de Aprendizagem Específicas

Abril 30, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

semi

CADIN

Em parceria com a Cooperativa Espiga, iremos realizar um seminário sobre Dificuldades de Aprendizagem Específicas no próximo dia 24 de maio, em Santiago do Cacém.

Para mais informações contatar: secretariado.espiga@hotmail.com


Cartaz:
http://www.cadin.net/wp-content/uploads/cartaz-divulgacao-dae.pdf

Programa:
http://www.cadin.net/wp-content/uploads/PROGRAMA-DAE.pdf

 

Ciclo de Workshops Cadin – Caligrafia, PHDA, Asperger, Bullying, Consciência Fonológica, Autismo

Abril 4, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

cadin

mais informações

http://www.cadin.net/destaque/workshops-20132014/

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.