O que fazer com miúdos obesos? Um menu semanal saudável para uma criança

Julho 25, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://expresso.sapo.pt/ de 18 de maio de 2017.

Portugal já é um dos cinco países da União Europeia com maior percentagem de adolescentes obesos, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde revelado esta quarta-feira. Um em cada dez rapazes portugueses de 11 anos tem obesidade. Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, faz serviço público nesta edição do Expresso Diário: partilha um menu semanal saudável para uma criança de 11 anos

Texto Alexandra Bento, bastonária do Ordem dos nutricionistas

 

 

O açúcar é o maior veneno que damos às crianças

Janeiro 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Visão a Júlia Galhardo no dia 3 de abril de 2015.

visão

Veja aqui a Grande Reportagem Interativa da SIC, com a participação da pediatra Júlia Galhardo, responsável pela consulta de obesidade no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, e que usa palavras fortes para se referir ao abuso do açúcar em idades precoces: “maus tratos”

A GRANDE REPORTAGEM INTERATIVA DA SIC: Somos o que comemos 

Quando as crianças não têm excesso de peso  é mais difícil que as famílias percebam os perigos do açúcar em excesso?

Sim. Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói. A hipertensão não dói, a diabetes não dói. Não doem, mas matam. E, mesmo quando existe excesso de peso, os pais não dão a devida importância. Acham que a criança vai esticar quando crescer, como se fosse plasticina, e que o problema vai desaparecer. Só começam a perceber que há, de facto, um problema quando as análises dão para o torto. Quando o colesterol ou os glícidos ou o ácido úrico vêm aumentados, quando as análises revelam inflamação…

E as crianças que segue na consulta de obesidade têm, frequentemente, problemas nas análises?

Mais de 90 por cento das vezes. O que eu até agradeço, inicialmente. Porque é a única forma que tenho de mostrar aos pais que alguma coisa não está bem. Eu ajudei a começar esta consulta em 2006. Estamos em 2015 e vejo crianças mais obesas, com maiores problemas nas análises e em idades mais precoces. Ontem vi uma criança que tinha 10 meses e pesava 21 quilos. Tenho adolescentes com diabetes tipo 2, com hipertensão, com colesterol elevado. Patologias que, quando eu andava na faculdade, eram ditas de adulto, na pediatria não se falava! Surgiam aos 40 anos, agravavam aos 60 e tinham consequências mesmo palpáveis aos 80. Esses problemas são cada vez mais precoces e cada vez têm consequências mais graves. Quanto mais precocemente surgem, mais graves se tornam.

Como é que se explicam mudanças tão significativas no espaço de uma geração?   

Traduz toda uma modificação ambiental, porque a genética não muda numa geração. Se tiver dois gémeos, iguaizinhos, monozigóticos – em que o genoma é precisamente o mesmo – e  os sujeitar a ambientes diferentes, eles vão desenvolver problemas diferentes. Fazer menos e comer mais, foi isto que mudou no ambiente que nos rodeia. E comer mais erradamente. Come-se mais do pacote da prateleira. Produtos em que, além daquilo que parece que lá está, estão inúmeras coisas que os pais não identificam.

Por exemplo?

Os açúcares. Os pais só identificam a palavra “açúcar”. Se eu lhe chamar glícidos, dextrose, maltose, frutose, xarope de milho… Tudo isso é de evitar, mas os pais não identificam isso como açúcar. E a quantidade de açúcar que as crianças ingerem, diariamente, é assustadora. Tudo o que é processado e vem num pacote tem açúcar. Basta olhar para o rótulo. Se eu não conseguir ensinar mais nada na minha consulta, consigo ensinar, pelo menos, que é importante olhar para o rótulo. E que o ideal é escolher produtos sem rótulo, sem lista de ingredientes: aqueles que vieram da terra ou do mar ou do rio.  É a melhor forma de evitar o açúcar.

Costuma envolver os avós, a família alargada, nas consultas?

Os avós têm um papel fundamental! Os avós são do tempo em que não havia esta parafernália do pacote. O doce era o mimo do dia de festa. Mas transformam este mimo num bolo ou num chocolate todos os dias. Porque… “coitadinho do menino”. Eu peço aos avós, por favor, que transformem estas coisas em mimos de abraços, de afetos. Que vão com eles ao parque brincar, ver o pôr do sol, fazer castelos de areia. Que os ensinem a cozinhar coisas saudáveis. A fazer pão, salada de frutas. Eu aprendi a fazer pão com a minha avó e ainda hoje me lembro. Peço aos avós que nos ajudem a modificar esta carga. E que percebam que, hoje em dia, o maior inimigo dos seus netos é o açúcar. A comida não é castigo nem prémio.

Começa a ser frequente ouvir especialistas dizer que, um dia, olharemos para o açúcar como olhamos hoje para o tabaco. Concorda?

Eu acho que ainda é pior. O açúcar, em termos neurológicos, e de neurotransmissores, e de prazer, e da precocidade com que é introduzido, tem consequências mais nefastas do que o tabaco. A frutose, a dextrose, todos os açúcares criam dependência. Entramos no domínio dos recetores cerebrais, no domínio do prazer, da compensação, do conforto. Se eu me habituar a consumir açúcar e a ter prazer pelo açúcar, há modificações epigenéticas – genes que são acionados e que fazem com que eu passe a ter mais tendência para o açúcar. Ou para o sal. E a mesma dose não surte o mesmo efeito a longo prazo. Portanto vou aumentando o açúcar.

Qual é o limite máximo, se é possível responder a isto, que uma criança deve consumir de açúcar por dia?

O mínimo possível. Não tenho número para lhe dar. E quanto mais tarde, melhor. É óbvio que precisamos de açúcar, nomeadamente de glicose, porque é esse o nosso combustível. É a nossa lenha celular. Mas não é disso que estamos a falar quando dizemos a palavra açúcar.

Os açúcares de que precisamos estão presentes nos alimentos.

Claro. Nos cereais, no leite e derivados, nas frutas.

Como é que explica, às crianças e aos pais, os efeitos do açúcar na saúde?

Aos mais pequeninos costumo dizer que o açúcar é um bocadinho venenoso. Aos pais explico que o açúcar adicionado causa os mesmos problemas metabólicos que o álcool. Lembro que o álcool vem, precisamente, do açúcar. Do açúcar dos tubérculos, do açúcar das frutas. E que a consequência é exatamente a mesma: o chamado “fígado gordo”. A curto prazo traduz-se em alterações nas análises. Mais tarde traduz-se em tudo aquilo que contribui para o síndrome metabólico: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alteração do colesterol no sangue, aumento do ácido úrico. E, a longo prazo, tudo isto se traduz em alterações cardiovasculares. Enfarte precoce do miocárdio, acidente vascular cerebral… São doenças que os pais associam aos pais deles.

E não aos seus filhos.

E não aos seus filhos. Mas, se assim continuarem, vão presenciá-las nos filhos. Estarão vivos, ainda, para as presenciar nos filhos. Porque um adolescente que é diabético tipo 2, 20 anos depois vai ter problemas desta diabetes. E, se for uma menina, é exponencial, porque vai gerar um bebé neste ambiente intrauterino. Em que a própria carga genética — que não é alterada, porque genes são genes — vai ser ativada ou inibida de acordo com o ambiente que lhe estamos a dar in utero. É assustador.

Estudos recentes, como o EPACI Portugal 2012 ou o Geração 21, mostram que as crianças portuguesas começam a consumir doces muito cedo, a partir dos 12 meses. Aos 4 anos mais de metade bebe refrigerantes açucarados diariamente e 65% come doces todos os dias. É por falta de informação?

Alguns pais ficarão chocados, mas há uma expressão para o abuso do açúcar em idades tão precoces: maus tratos. Os meninos já não sabem o que é água. Os meninos, ao almoço e ao jantar, bebem refrigerantes. Não acredito que seja falta de informação. Toda a gente sabe que bolachas com chocolate, leite achocolatado, gomas, bolos, estas coisas, fazem mal. É a ambiência, é o corre-corre. É porque é mais fácil ir no carro a comer bolachas e sumo, a caminho da escola. Para alguém que já se deita muito tarde, porque tem tarefas sobreponíveis, pode ser difícil acordar meia hora mais cedo para preparar um bom pequeno-almoço.

Como é um bom pequeno-almoço?

Deve ter três componentes: fruta, um componente do grupo dos cereais e leite ou derivados. Quando a criança tem mais de 3 anos, estamos a falar de produtos meio gordos. Os cereais podem ser, por exemplo, papas de aveia, pão fresco ou torradas. Pão da padaria, não é pão de forma. Porque o pão de forma tem, além de imensos aditivos, açúcar. O pequeno-almoço deve ser variado, ao longo da semana, e deve garantir 20 a 25% da quantidade diária de calorias. Nem um por cento das pessoas faz isto. E o stress é o centro de toda esta nossa conversa. É o centro de todas estas alterações que nós estamos a sofrer. Porque os pais não têm tempo, porque chegam a casa e estão estoirados. Não há tempo para ser criança, não há tempo para ser pai. Para estar à mesa meia hora a contar o dia de cada um. As nossas crianças não dormem o que deviam. A sociedade moderna está a adoecer os seus cidadãos.

Os médicos têm suficiente formação sobre nutrição?

Não. Só se a procurarem. Se não a procurarem, não têm. Falo-lhe do meu curso, que foi há uma década, e falo-lhe de agora. Apesar de haver alguma modificação, não é suficiente. A nutrição é vista como secundária. Não é fármaco, não é vista como tratamento. Mas é. Por exemplo, após uma cirurgia, se não houver uma nutrição adequada, o organismo não consegue organizar o colagénio e tudo o que favorece o processo de cicatrização, para sarar. Na oncologia, por exemplo, há muito cuidado em várias terapias, mas muito pouco cuidado na parte da nutrição. A alimentação está na base da saúde e da doença.

É favorável a taxas sobre os produtos mais açucarados, como acontece em países como França, Hungria ou Finlândia?

Para não criar tanta polémica: e se deixássemos de taxar aqueles que são frescos, por exemplo? Peixe. Fruta, nomeadamente a portuguesa. Os legumes, os hortícolas. O nosso leite dos açores. Com tudo isto, é possível fazer refeições saudáveis para os meninos. Mas, se vir o IVA dos seus talões de supermercado, poderá constatar que há coisas que não deveriam ser taxadas ao nível que são.

Por exemplo?

Alguns refrigerantes são taxados a seis por cento. Mas a eletricidade e o gás, por exemplo, estão à taxa mais alta. Consegue cozinhar sem eletricidade e sem gás? Não é um produto de luxo. Às vezes sentimo-nos a puxar carroças sozinhos. E nós contra a indústria não temos muita força. Eu gostaria de perceber porque é que é permitido oferecer brinquedos com alimentos que são considerados nefastos. Pior: brinquedos colecionáveis. O problema é que cada governo preocupa-se a quatro anos. E os ministérios trabalham cada um por si.

O Ministério da Educação reduziu, em 2012, a carga horária de Educação Física no terceiro ciclo e no ensino secundário. E a nota de Educação Física deixou de contar para a média de acesso ao ensino superior.

Pior do que reduzir as aulas de educação física, é vê-las como supérfluas. Eu vou-lhe confessar: eu era péssima. Era um desastre. E também era obesa. Portanto, estou à vontade para falar disto. E digo isto aos meus doentes, porque acho que os estimula. Tenho saudades de crianças que esfolavam os joelhos em cima do que já estava esfolado. Não vejo isto hoje em dia. Não é que goste de ver meninos magoados. Mas significa que estão quietos. Quando muito, têm tendinites nos polegares, que vai ser a doença ortopédica do futuro. E miopia.

Estive três anos num hospital no Reino Unido, onde via adolescentes, sem patologias de base, com obesidade simples, deitados numa cama, que nem banho conseguiam tomar. Nós sabemos isto. Não há falta de informação, há inércia. Eu não queria que o meu país fosse para aí, não queria que a geração que vem a seguir a mim fosse para aí.

E está a ver o país ir para aí?

Estou. E não há prevenção, não há comportas. Estou a tentar montar um projeto para chegar aos pais e às crianças nos jardins de infância e nas escolas. Sinalizar para os centros de saúde, através da saúde escolar, crianças que estão a começar a ter peso a mais. A este hospital só deveria chegar a obesidade que tem uma causa endócrina, genética, ou que, não a tendo, já tem consequências. Mas há centros de saúde que nem nutricionistas têm. Isto, a longo prazo, paga-se com juros. Basta fazer contas. Basta ver a carga que são as consultas de obesidade, que eu já não sei o que hei de fazer a tanta consulta que me pedem. Uma consulta hospitalar de nível 3, como esta, tem um custo. Pais que faltam ao trabalho para vir com os meninos tem um custo. Fora as consequências que vêm por aí. A obesidade é a epidemia do século XXI. Mas como, ao contrário das infeções, o impacto não é imediato — é a 10, 20, 30 anos — ninguém olha para ela como tal. Só quando se transformar na epidemia de doença, e não na epidemia de caminho para a doença, é que vamos tentar travar. Mas já não vamos travar nada, porque já tivemos o acidente completo. E aí vamos gastar o dobro. E já nem estou a falar só de saúde e de vida. De anos de saúde e de vida que se poderiam poupar. Falo da questão monetária, porque parece que é aquilo que as pessoas entendem melhor atualmente.

 

 

O jogo de pérolas e golfinhos. Reflexões para ajudar as mães, pais e amigos de crianças com excesso de peso

Março 16, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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juego

descarregar o livro:

El juego de las perlas y los delfines. Reflexiones para ayudar a madres, padres y amigos de niños y niñas con exceso de peso

La Red de la Sandia presenta el libro El juego de las perlas y los delfines. Reflexiones para ayudar a madres, padres y amigos de niños y niñas con exceso de peso.

Está escrito por la doctora Rita Tanas, experta en obesidad infantil y colaboradora del Plan Integral de Obesidad Infantil de Andalucía.

Este libro está dirigido a las familias interesadas en ayudar a sus hijos con exceso de peso. En él pueden encontrar sus propias opciones para cambiar hacia estilos de vida más saludables y sostenibles a lo largo del tiempo.

 

11 dicas para manter os seus filhos na linha

Setembro 5, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://saude.sapo.pt/

saúde sapo

As nossas crianças estão cada vez mais gordas e a próxima geração será, com certeza, mais doente, se não fizermos nada em contrário.

A obesidade é uma doença, e nós estamos e estaremos cada vez mais doentes. Existe ainda pouca preocupação com o que comemos e com a atividade física que fazemos.

Os pais preocupam-se, e com justificação, com o aproveitamento escolar, com as atividades extra-curriculares, mas, e com a saúde?

Está nas nossas mãos mudar o rumo da situação. Uma criança obesa pode ter um futuro bem diferente se deixar de o ser. Terá com certeza mais saúde, e muito mais oportunidades do ponto de vista profissional, social e emocional.

11 dicas para manter os seus filhos na linha

  1. Prepare as refeições iguais para toda a família, em vez de preparar uma refeição especial para a criança que está a perder peso. Esta atitude permite criar um envolvimento saudável e muito mais apoio para a criança.
  2. Não lhes imponha uma alimentação muito restritiva. Senão, mais tarde ou mais cedo, vão acabar por comer descontroladamente.
  3. Não os compense ou castigue com comida. Eles necessitam criar uma relação saudável com os alimentos.
  4. Crie horários para as refeições. Sem estes horários, as crianças tendem a petiscar com mais frequência e com menos qualidade.
  5. Não os obrigue a comer tudo o que têm no prato.
  6. Encoraje-os a comer devagar. Pouse os talheres entre cada garfada e engula cada garfada antes de colocar na boca a próxima.
  7. Se lhe pedirem um segundo prato, faça-os esperar cinco minutos para ter a certeza de que têm fome. O segundo prato deve conter metade da dose do primeiro.
  8. Faça as suas refeições por etapas. Comece com os alimentos menos calóricos, sopa, vegetais e depois ingira os alimentos mais calóricos como as massas, carnes, etc.
  9. Crie espaços próprios para as refeições. Nunca em frente à televisão ou ao computador.
  10. Crie, pelo menos, uma refeição com toda a família. Se não for o jantar, talvez o pequeno-almoço.
  11. Planeie as refeições atempadamente. As refeições quando planeadas, são, usualmente, mais saudáveis.

Texto: Teresa Branco (diretora do Instituto Prof. Teresa Branco e investigadora no Laboratório do Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana)

 

 

 

 

 

Monstro das Bolachas em dieta. Frutas e vegetais substituem bolachas

Julho 9, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 2 de Julho de 2012.

Nickstone333noFlirck.com/licença Creative Commons 2.0

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Por André Vinagre,

O Monstro das Bolachas, personagem da série infantil “Rua Sésamo” vai passar a comer fruta e vegetais em Espanha.

O monstro azul que adorava comer bolachas vai mudar os seus hábitos alimentares na edição espanhola da “Rua Sésamo” ao abrigo do plano de combate à obesidade infantil.

Teresa Paixão, responsável pela programação infantil e juvenil da RTP diz que se trata de um “golpe de marketing” admitindo que o emblemático monstro pudesse até “comer bolachas que façam bem, que não tenham excesso de açúcar”.

Opinião diferente tem a endocrinologista Isabel do Carmo, que diz que “a decisão é boa porque, para as crianças, tudo o que vêem na televisão tem mais força”, considerando que “no caso de crianças com excesso de peso ou obesas, é preciso retirar-lhes esses alimentos da vista, seja em casa, seja na televisão”.

Quando as crianças recusam vegetais

Agosto 31, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo publicado no portal Educare no dia 3 de Agosto de 2011.

      Paula Veloso

 Recebo, com alguma frequência, queixas de que as crianças se recusam a comer vegetais ou produtos hortícolas, alimentos de indiscutível valor nutricional e que deviam ser incluídos na alimentação, pelo menos, duas vezes por dia.

Mas porque se recusam os mais pequenos a comer estes alimentos, que até deveriam ser apelativos pelo seu aspeto cromático?

Embora possa haver várias causas, as mais comuns parecem ser:

1. Até a criança iniciar a alimentação familiar, quase todos os alimentos que incluem legumes são triturados, transformando-se em papas que além de estimularem a preguiça para mastigar não permitem individualizar os sabores e as texturas próprios de cada alimento.

Solução:
À medida que vai diversificando a alimentação da criança, inclua os produtos hortícolas partidos em pedaços pequeninos, apresentando-os com formas divertidas e coloridas, para que a criança lhes possa pegar com a mão. Lembre-se que para abrir o apetite, é importante estimular sentidos como a visão, o olfato, o gosto e o tato.

2. A sopa é um excelente meio para as crianças comerem legumes, pois inclui um pouco de tudo, o que a torna bastante nutritiva, e é triturada, permitindo que seja ingerida mais rapidamente. Isso torna-a igual ao longo dos dias, levando à saturação e à recusa em comê-la. Se a acrescentar a tudo isto, os próprios pais não comerem sopa, será mais uma razão para os mais pequenos a rejeitarem.

Solução:
Faça sopas diferentes, mudando a base e a hortaliça sobrenadante. Evite repetir a mesma sopa mais do que dois dias seguidos.
Os legumes devem ser partidos em pedaços muito pequenos e se mesmo assim a criança os rejeitar, triture-os – é preferível que os coma triturados do que simplesmente não os comer.
Os pais devem incluir a sopa no início do almoço e do jantar, uma vez que as crianças precisam de modelos de aprendizagem. Se não derem o exemplo, dificilmente conseguirão que as crianças o façam.

3. As crianças não são atraídas pelos legumes que habitualmente se apresentam como acompanhamento no prato, como tomates, brócolos, cenouras, pimentos ou feijão verde, entre outros.

Solução: Os legumes devem ser consumidos independentemente da forma que assumem no prato. Se a técnica de os partir em pedacinhos não resultar, pique-os bem e incorpore-os em massas, arroz, jardineiras ou molhos de piza.

É preciso ir experimentando várias formas de apresentar os vegetais – muitas vezes as crianças não comem a cenoura se for raspada porque fica um pouco seca, mas se a mesma for preparada numa picadora, fica mais sumarenta e mais adocicada, tornando-se mais fácil de mastigar -, e incentivar à sua prova, não esquecendo que o exemplo tem de vir de cima…

4. As leguminosas como o grão, o feijão, as favas, as ervilhas ou as lentilhas têm um importante valor nutricional. No entanto, isso por si só não chega para as crianças as comerem.

Solução:
Se não as quiserem comer inteiras, experimente inclui-las na base da sopa, bem trituradas (ou mesmo coadas, para não se sentirem as “cascas”), ou transformá-las em puré para acompanhamento de carnes, peixes, arroz ou massas.

Os vegetais pertencem ao mesmo grupo dos frutos e têm em comum o facto de serem importantes fornecedores de vitaminas, minerais e fibras alimentares. Se, apesar da enorme variedade de vegetais existentes, não conseguir que o seu filho coma a quantidade de ideal para sua idade(*), poderá substitui-los por peças de fruta variadas que, além da vulgar sobremesa, podem também fazer parte de batidos de leite ou de iogurte e ser incorporadas em massas, pizas, etc.

(*) ver Dieta sem Castigo – Paula Veloso, Porto Editora

Comer com qualidade para combater a falta de apetite no Verão

Agosto 1, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 24 de Julho de 2011.

 

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Consequences of Belonging to the “Clean Plate Club”

Por Paula Torres de Carvalho

Com o Verão e o calor, a falta de apetite aumenta entre muitas crianças. E é frequente ver adultos a forçá-las ou a tentar convencê-las a comer as quantidades que eles consideram adequadas. “Mas o apetite não é normalizado”, varia de pessoa para pessoa e de criança para criança e “não são os pais que devem normalizar o apetite das crianças” afirma a médica Isabel do Carmo, especialista em comportamento alimentar.

 O importante é que os adultos procurem que a criança ou o adolescente “coma com qualidade” em porções consideradas “razoáveis”. Usando a persistência, mas sem ansiedade. “Em geral, o apetite tende a regular-se biologicamente de forma natural”, nota Pedro Teixeira, da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade. Para contrariar este problema sazonal em vez de obrigar a comer, será preferível “adequar as refeições à estação com alimentos mais frescos e com mais água”, considera.

A ideia de que comer bem é comer muito ainda subsiste em muitos meios, sobretudo entre as pessoas mais velhas e que passaram fome, refere Isabel do Carmo. Mas é preciso contrariar esta convicção no âmbito de uma educação para a saúde. “O apetite não está normalizado”, explica a especialista, considerando que é um erro obrigar os mais novos a comer. “Tem é de se saber por que não querem comer” para despistar doenças do comportamento alimentar, como a anorexia nervosa, diz. E “oferecer-lhes os alimentos que eles mais gostam”.

Um estudo realizado em 2009 pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, revela que, apesar das boas intenções dos pais quando tentam obrigar os filhos a comer vegetais ou a “limpar o prato”, e não deixar comida, esta atitude não é aconselhável.

Segundo o autor desse estudo, Brian Wansink, quanto mais os pais insistem com os filhos para comer de forma saudável, mais estes preferem alimentos menos saudáveis.

O investigador recomenda que os pais ofereçam às crianças quantidades moderadas, mas variadas, de comida, encorajando-as a experimentar diferentes tipos de alimentos e deixando-as decidir que quantidades querem consumir.

Uma alimentação em excesso com a consequente energia extra que se vai acumulando pode contribuir para que a criança se torne num adolescente obeso, alertam os nutricionistas. A hora da refeição deverá ser um momento de prazer e não de tensão e de angústia, salientam.

O essencial é que a criança coma bem, ainda que pouco: dois ou três copos de leite por dia que podem ser substituídos por iogurtes, duas ou três peças de fruta diárias, além de vegetais. A carne e o peixe não devem ser consumidos em grandes quantidades e não devem falhar os hidratos de carbono, recomenda Isabel do Carmo.

Refeições leves ao almoço

Durante as férias, tal como os adultos, muitas crianças preferem almoçar na praia e portanto fazer refeições muito mais leves ao almoço. Nestes casos, é essencial comer um bom pequeno-almoço, consumir pequenos lanches de sandes e de fruta durante a tarde e desfrutar do sol e do mar.

Isabel do Carmo nota também a importância das regras e da disciplina relativamente aos horários das refeições, salientando que estas devem ser realizadas em família em contextos de socialização, o que – está provado – “traz benefícios para a saúde”.

A alimentação é, sobretudo “um hábito” que se ganha desde tenra idade – sublinha – notando que é mais fácil incutir o hábito de consumo de determinados alimentos, oferendo-os repetidamente às crianças logo de pequeninas, do que mais tarde ter de mudar as más práticas adquiridas.

 

É possível acabar com a obesidade infantil?

Junho 15, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da PaisFilhos com a nutricionista Alexandra Bento no dia 2 de Maio de 2011.

Escrito por Maria Jorge Costa

altPrevenção e acção para a mudança poderiam resumir a conversa com a nutricionista Alexandra Bento. Além da preocupação crescente com uma das doenças crónicas dos países desenvolvidos, a presidente da Sociedade Portuguesa de Nutricionistas dá sugestões concretas para melhorarmos a qualidade de vida das nossas crianças

Uma sociedade que tanto preza o sucesso, não se percebe porque permitimos que as nossas crianças e jovens se entreguem ao sedentarismo e a uma alimentação rica em gorduras e açúcares. O excesso de peso é causa directa de doenças crónicas precoces como a diabetes, o colesterol elevado, hipertensão arterial, a doença cardiovascular, diferentes tipos de cancro, dificuldades respiratórias, problemas de ossos e articulações. «Além disso», adverte Alexandra Bento, «também conduz a alterações sócio-económicas e psicossociais graves: isolamento, discriminação laboral, educativa e social, baixa auto-estima, depressão e – em casos ainda mais graves – suicídio».

30 por cento com excesso de peso

Os números portugueses são assustadores. A Escola Nacional de Saúde Pública indica que 30 por cento das crianças e jovens têm excesso de peso, sendo igualmente elevada a percentagem de obesos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde. Em Portugal, mais de 50 por cento da população adulta sofre de excesso de peso, sendo que, aproximadamente, 14 por cento desta é obesa.

«Portugal é também um dos países europeus com maior prevalência de obesidade infantil: 32 por cento das crianças com idade compreendida entre os 7 e os 9 anos apresentam excesso de peso, sendo que 11 por cento destas são consideradas obesas», enuncia Alexandra Bento. Como é que se chega à condição de obeso? Muitas vezes o caminho é lento, mas tudo radica numa alimentação em que «a quantidade de energia ingerida é muito superior à quantidade de energia gasta pelo organismo», afirma.

Atitude positiva

O desenvolvimento de estratégias que transmitam atitudes positivas relacionadas com hábitos saudáveis, alimentares e de combate ao sedentarismo, que envolvam toda a família, são fundamentais para combater a obesidade, defendem os especialistas. Alexandra Bento avança exemplos que gostaria de ver em acção já hoje: «adopção e cumprimento de leis, regulamentos, regras formais e informais que orientem comportamentos individuais e colectivos como a distribuição de saladas e frutas a preço reduzido nos bares das escolas e nas cafetarias». Naturalmente que uma população esclarecida e informada é metade do trabalho feito porque, como consumidores, estarão atentos aos rótulos dos produtos alimentares, escolhendo os que oferecem menor valor energético. A escolaridade ajuda a combater a obesidade de algumas formas, nomeadamente, «permite que os indivíduos entendam melhor a natureza do problema e as estratégias de prevenção e aumenta a capacidade de não cederem tão facilmente às pressões da publicidade que incentiva ao consumo de alimentos de alta densidade energética», refere Alexandra Bento. Mas não é só através da dieta que se muda o estado das coisas. É uma alteração de hábitos de vida que se reclama. Pais e educadores têm de combater o consumo excessivo de televisão, videojogos e consolas. «São absolutamente fundamentais medidas de grande impacto mediático para que se consiga, não só alertar e consciencializar a população para as consequências de saúde, qualidade de vida e económicas que a obesidade acarreta, mas também que possam envolver todos os sectores da sociedade civil, incluindo, entre outras, o governo, as autarquias, as escolas e as empresas, na prevenção desta epidemia», sublinha. Apesar de tudo, vão surgindo iniciativas que a presidente dos nutricionistas portugueses destaca, como a criação da Plataforma Nacional Contra a Obesidade, cujo coordenador é um nutricionista – Pedro Graça. O facto de o Ministério da Saúde ter identificado a obesidade como uma doença crónica permitiu o surgimento desta plataforma.

Obesidade e despesas de saúde

Os números indicam que os custos directos da obesidade chegam aos 3,5 por cento das despesas de saúde. A prevenção é o melhor e mais económico caminho para a combater. E quando falamos da prevenção voltamos sempre ao mesmo: mudanças no estilo de vida, que assentam na reestruturação dos hábitos alimentares, no aumento da actividade física e desportiva e programas educativos, escolares e institucionais. «A prevenção pode não ser visível de imediato, mas é o melhor “remédio” para inverter esta realidade», garante. 

«Um croissant ou um bolo são mais baratos do que um pão com queijo»

Entrevista a Alexandra Bento, presidente da Sociedade Portuguesa de Nutricionista

Toda a gente fala dos benefícios da dieta mediterrânica. Mas esta está em vias de extinção. Neste momento, há uma dieta global à base de gordura e açúcar. As famílias têm pouco tempo e refugiam-se em cozinha rápida e saciante. O que é preciso para os recuperar para comida mais saudável?

Em primeiro lugar, é fundamental que as pessoas se consciencializem de que a alimentação é um dos principais determinantes da saúde humana. De facto, o tipo de alimentação condiciona, em larga medida, a qualidade e o tempo de vida. O stresse do dia-a-dia e a falta de tempo não podem ser utilizados como desculpa para a realização de dietas pouco equilibradas e, muito menos, para incutir hábitos pouco saudáveis aos mais novos. Uma dieta hiper-energética, com excesso de lípidos, de hidratos de carbono ou de álcool e o sedentarismo, levam à acumulação de excesso de massa gorda. Assim, o estilo de vida moderno, se não for modificado, predispõe ao excesso de peso.

Como escolher a dieta certa?

Para começar a praticar uma alimentação mais correcta basta seguir os princípios da Roda dos Alimentos. Este instrumento de educação alimentar, em forma de prato, diz-nos que, na nossa alimentação diária devemos ingerir mais dos alimentos que pertencem aos grupos de maior dimensão (cereais e derivados, produtos hortícolas e frutos) e menos daqueles que apresentam menor tamanho (gorduras). Leguminosas, carne, pescado e ovos e leite e produtos derivados devem ser consumidos, diariamente, de forma moderada. Durante, ou no intervalo das refeições, devemos optar pela ingestão de água, em detrimento de qualquer outra bebida. É importante consumir cerca de oito a dez copos de água por dia, às refeições e fora delas. Embora os alimentos dentro de cada grupo apresentem propriedades nutricionais muito semelhantes, cada um deles é único, fornecendo-nos compostos que podem não existir noutros e por isso é importante variar a nossa escolha dentro de cada grupo.

Dê um exemplo.

A carne e o peixe incluem-se no mesmo grupo, pois são os principais fornecedores de proteína na nossa dieta. O peixe é também fonte de ácido docosahexaenóico (DHA) e ácido eicosapentaenóico (EPA), conhecidos como ácidos gordos ómega 3. O EPA e o DHA, muito falados hoje em dia, apresentam benefícios importantes para a nossa saúde, particularmente a nível cardiovascular. Açúcar, bolos, refrigerantes, chocolates, bolachas, rissóis, empadas, fast-food, batatas fritas e outros snacks… não estão contemplados na roda dos alimentos e por isso é que o seu consumo se deve restringir aos dias festivos ou ocasiões especiais.

Será uma fatalidade o binómio obesidade/classe social?

Nos países desenvolvidos verifica-se uma relação inversa entre o nível sócio-económico e a prevalência de obesidade. As pessoas mais des-favorecidas consomem, geralmente, alimentos mais baratos que tendem a ser mais calóricos. Frutos, hortícolas e peixe, por exemplo, não fazem parte da alimentação diária, ao contrário de bolos, bolachas, batatas fritas, refrigerantes, salgados… que tendem a apresentar preços mais competitivos. Numa pastelaria, por exemplo, sai mais em conta pedir um croissant do que um pão com queijo.

Como se transmite às pessoas a ideia de que comer melhor não significa fazer dieta ou sacrifícios alimentares?

Seguir uma alimentação saudável e equilibrada não significa, de todo, que se esteja a fazer “dieta” e que, portanto, se tenha de excluir, obrigatoriamente, da alimentação a fatia de cheesecake, a mousse de chocolate, ou a fatia de pizza. De facto, não existem alimentos maus. Existem sim, dietas muito pouco equilibradas com tendência ao consumo excessivo diário de calorias, particularmente sob a forma de gorduras e açúcares, e que, aliadas ao sedentarismo contribuem para o aumento de peso.

O consumo de bolos, bolachas, fast-food, refrigerantes, salgadinhos deve, portanto, constituir excepção e nunca a regra! Com que idade se conquistam as crianças para a boa alimentação?

As fases de aquisição de hábitos e de modelação de comportamentos são precisamente a infância e também a adolescência. Por isso, é muito importante que as crianças adquiram, desde tenra idade, hábitos alimentares saudáveis. Estes são ditados pelo meio cultural e familiar em que a criança vive. Se a família tem bons hábitos de alimentação, se a hora das refeições é um momento de prazer, não só pelo acto de comer, mas também pela oportunidade de integração, de convivência e de partilha, cria-se um ambiente mais estimulante para a incorporação das boas práticas alimentares. É a partir dos 18-24 meses que a criança começa a estruturar hábitos de higiene, de autonomia, de educação e também de escolha. Uma vez que não podemos mudar o que está fora do nosso controlo e que a criança vai necessariamente contactar com todo o tipo de ofertas, quanto mais tardio for o contacto com determinado tipo de alimentos não desejáveis, menor a apetência no futuro para a procura desses alimentos, garantindo que o seu consumo será esporádico e não compulsivo e diário. Tudo se pode comer, desde que, com regra e medida; quanto mais cedo se aprender a fazer a diferença, maior a garantia de um comportamento alimentar saudável ao longo da vida.

Sete regras de ouro:

Comer devagar, mastigando sempre muito bem todos os alimentos;

Comer em intervalos regulares de aproximadamente 3h30. O ideal é fazer-se, no mínimo, cinco refeições por dia: pequeno-almoço, merenda da manhã, almoço, merenda da tarde e jantar.

O pequeno-almoço é muito importante e deve ser constituído por pão ou cereais integrais, uma peça de fruta e um copo de leite ou iogurte;

Devem iniciar-se as refeições principais com um prato de sopa, rica em legumes e hortaliças. A sopa, para além de ser uma boa fonte de vitaminas, minerais e fibra, ajuda a comer menos quantidade do resto de comida;

O prato principal deve ser acompanhado por uma salada variada;

Optar por alimentos cozidos ou grelhados em vez de fritos e assados com gordura;

Comer pelo menos duas a três peças de fruta por dia.

Dieta Saudável

Julho 8, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Vídeo didáctico e bem disposto sobre a dieta saudável e a outra dieta pouco saudável…


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