Aos 3 anos, os miúdos já sabem distinguir pessoas boas e más

Maio 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do MAGG de 30 de abril de 2019.

por Miguel Lopes

Um estudo publicado na “Developmental Psychology” indica que as crianças começam a julgar aquilo que veem desde muito cedo.

Na maioria das vezes, quando olhamos para uma criança pensamos que é inocente. As suas expressões mais ou menos maliciosas, as suas traquinices, brincadeiras ou gestos, nem sempre são os mais simpáticos ou amorosos do mundo, mas não há como não descupá-los. São apenas miúdos. Certo?

Errado. Um estudo publicado a 18 de abril na revista “Developmental Psychology” indica que as crianças são “perspicazes, até implacáveis, e sabem bem do que gostam e do que não gostam”.

Um grupo de investigadores da Universidade de Harvard realizou um estudo para analisar a capacidade que as crianças têm para julgar e avaliar aquilo que observam à sua volta — principalmente no que toca a identificar pessoas boas e pessoas más.

De acordo com o co-autor do estudo, Mahzarin Banaji, citado pela revista “Time”, “esta pesquisa mostra que as perceções das pessoas, por mais imprecisas que sejam esses julgamentos, surgem cedo nos seres humanos.” E vão melhorando com a idade.

O estudo foi realizado com 99 crianças entre os 3 e os 11 anos. Foram exibidas fotografias de rostos masculinos manipulados por computador para parecerem ser de confiança ou não, dominantes ou submissos, e competentes ou incompetentes. De seguida foi pedido às crianças que indicassem quais os indivíduos que achavam ser “bons” e os “maus”.

Numa primeira fase, e ainda de acordo com o estudo, 84% das crianças com 3 anos identificaram os indivíduos “bons” como aqueles que pareciam ser de confiança, submissos e competentes. No que toca às crianças mais velhas, a percentagem subiu para os 97%.

Para complicar um bocadinho mais a tarefa, as mesmas fotografias sofreram mais alterações para que a diferença entre as características fosse mais ténue. Mas essa segunda fase do estudo não serviu de muito, pois as crianças obtiveram os mesmos resultados.

De seguida, na terceira parte do estudo, as fotografias sofreram ainda mais alterações, mas os investigadores decidiram atribuir imagens de presentes ou doces para cada uma das fotografias.

“Este é o Edgar e este é o Martin. Se tivesses apenas uma bolacha [ou banana, ou presente] a quem é que a davas?”, era a pergunta feita às crianças.

Os resultados já foram diferentes, com as crianças mais novas a terem maior dificuldades em identificar os “bons rapazes”. De acordo com o estudo citado pela “Time”, no geral, 68% das crianças escolheram recompensar os rostos submissos e dignos de confiança.

“O ato de recompensar as pessoas com rostos mais simpáticos, parece emergir por volta dos 5 anos”, afirmaram os investigadores.

Na última fase do estudo, os investigadores juntaram todas as experiências até então, com o objetivo de encontrar coerência nas escolhas das crianças em recompensar as pessoas “boas”. E encontraram, pois os rostos mais amigáveis foram os recompensados.

Desta forma, os investigadores concluíram que a capacidade em escolher recompensar aqueles que parecem ser boas pessoas tem tendência em melhorar com a idade.

 

 

 

Crianças superprotegidas têm mais dificuldade em lidar com a frustração

Junho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de junho de 2018.

As crianças cujos pais são excessivamente controladores – já baptizados como “pais-helicóptero” por andarem sempre a “sobrevoar” os filhos – tornam-se menos capazes de controlar as suas emoções e os seus impulsos à medida que vão crescendo, podendo mesmo vir a sofrer dificuldades acrescidas nas aprendizagens feitas na escola.

A conclusão resulta de um estudo que juntou investigadores norte-americanos, ingleses e suíços e que, segundo o jornal britânico The Guardian, implicou a observação de 422 crianças e respectivas mães durante oito anos. “Os pais que são excessivamente controladores são quase sempre bem-intencionados e estão a tentar apoiar os seus filhos”, introduz Nicole Perry, uma investigadora universitária do Minnesota, nos EUA, para recomendar: “Contudo, para promover o desenvolvimento das competências emocionais e comportamentais das crianças, os pais devem permitir que estas experimentem uma variedade de emoções e dar-lhes espaço para as gerir de forma autónoma. E só depois, quando a tarefa se revela demasiada para as crianças, devem ajudá-las e orientá-las”.

Num artigo publicado na revista Developmental Psychology, da Associação Americana de Psicologia, os investigadores explicaram que as 422 crianças foram chamadas a um laboratório quando tinham dois anos de idade para os investigadores verem como brincavam com as respectivas mães. Durante quatro minutos e postas diante de uma variedade de brinquedos, as mães sabiam que estavam a ser observadas. Depois, eram deixadas sozinhas com os filhos durante mais dois minutos, sem saberem que continuavam a ser gravadas e observadas.

Aquilo que os investigadores procuravam apurar era até que ponto as mães tentavam assumir as tarefas e orientar a brincadeira dos filhos.

Anos depois, quando as crianças tinham cinco anos de idade, os investigadores voltaram a observá-las para perceber que comportamentos assumiam perante uma distribuição não equitativa de doces e quando convidadas a completar um puzzle sob pressão.

Numa fase posterior do mesmo estudo, quando as crianças tinham dez anos, os investigadores questionaram os respectivos professores sobre a existência de problemas como depressão, ansiedade e solidão entre estas crianças, bem como sobre os respectivos desempenhos escolares e aptidões sociais. Nesta altura, as crianças foram também questionadas sobre as suas atitudes em relação à escola e aos professores.

As conclusões a que os investigadores chegaram são claras q.b. Sopesadas as diferenças etárias e de contextos sócio-económicos, os filhos de mães mais controladoras revelaram, aos cinco anos, ter menos controlo sobre as suas emoções e sobre os seus impulsos. E, mais do que isso, as crianças que aos cinco anos revelavam problemas de auto-controlo das emoções revelaram, cinco anos depois, ter menos aptidões sociais e um desempenho académico mais fraco.

Apenas seis minutos de observação

Os investigadores limitaram-se a observar uma única vez a interacção entre os bebés e as respectivas mães e não consideraram mudanças na família ou na saúde das crianças. Conforme ressalva Dieter Wolke, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, os investigadores não averiguaram sobre a existência de distúrbios de ansiedade entre as mães. Mas o investigador não deixou, por isso, de enfatizar o facto de as conclusões convergirem com as de outros estudos que demonstraram que a falta de auto-controlo na infância gera problemas em idades mais avançadas.

“A questão é que se alguém não aprende a auto-regular-se na infância como é que se vai auto-regular quando sai de casa ou quando vai para a universidade?”, reflecte, para considerar que impedir as crianças de fazerem essa aprendizagem configura uma “certa forma de abuso”.

A questão estará assim em perceber onde está a fronteira, isto é, “quando é que o controlo se torna excessivo” e de que modo se enquadra no contexto em que a criança está inserida.

“Embora o estudo estabeleça uma ligação entre o excessivo controlo parental e problemas futuros não é possível concluir que uma coisa provoca a outra”, sublinha outra investigadora, Janet Goodall, da Universidade de Bath, na Inglaterra, para lembrar que a interacção das crianças com as mães durou apenas seis minutos. De resto, segundo a investigadora, os pais não devem sentir-se culpados: “O que realmente importa é que os pais se preocupem com as suas crianças e sobre o que estas fazem e aprendem.”

mais informações na notícia :

Helicopter Parenting May Negatively Affect Children’s Emotional Well-Being, Behavior

 

 

Ter televisão no quarto não faz bem à saúde das crianças, diz estudo

Outubro 3, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Investigação da Universidade Estadual do Iowa revela que as crianças com televisão ou jogos no quarto têm menor desempenho académico.

As crianças que têm no quarto uma televisão ou jogos de computador dormem menos, assim como lêem menos. As consequências são fáceis de prever: menor desempenho escolar, maior risco de obesidade e de ser dependente das novas tecnologias, diz um estudo da Universidade Estadual do Iowa, citado pelo Quartz.

Mas há outros riscos associados: podem assistir a programas inadequados para a idade, assim como participar em jogos violentos, o que aumenta os níveis de agressão física, refere Douglas Gentile, professor de psicologia e autor principal do estudo de Psicologia do Desenvolvimento que foi feito nos EUA e na Ásia.

Os responsáveis pelo estudo acompanharam crianças durante um período de 13 e 24 meses e concluíram que aquelas que tinham equipamentos electrónicos no quarto viam mais televisão, o que afectou indirectamente os seus resultados académicos. Pois se viam televisão, não liam.

“Quando a maioria das crianças liga a televisão no seu quarto, provavelmente não assiste a programas educacionais, nem joga jogos educacionais”, continua o especialista, referindo ainda que os pais não fazem uma monitorização nem controlam o que vêem ou fazem os miúdos nos seus quartos. Com os smartphones e tablets o risco é ainda maior, continua Gentile. Não há controlo se as crianças e jovens usam esses meios, por exemplo, durante a noite.

Portanto, os investigadores também conseguiram relacionar o tempo à frente do ecrã com o aumento do índice de massa corporal, assim como com a agressividade e sintomas de dependência.

Por isso, a recomendação é para que os pais tenham coragem e lutem por manter todos os equipamentos fora do quarto. É uma batalha a curto prazo, mas os filhos saírão beneficiados com essa decisão, acredita Gentile. “Para os pais, é muito mais fácil não pôr uma televisão no quarto do que tirá-la”, reconhece.

 

Filhos teimosos? São os melhores

Fevereiro 7, 2016 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do Observador de 27 de janeiro de 2016.

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Carolina Santos

A ideia de que a teimosia é um defeito já passou à história. Agora não precisa de substituir a palavra por persistência ou perseverança para ser uma qualidade. E quem o diz é um novo estudo.

Se está farto de chamar os seus filhos de teimosos, saiba que isso já não é um mero traço de personalidade. Aliás, as crianças com grande força de vontade (considerada uma qualidade) são, por natureza, teimosas, e no futuro isso pode evitar que sigam más companhias e se metam em sarilhos.

O estudo que deu azo a tais conclusões foi publicado na Time e seguiu vários estudantes — o número total não foi divulgado — desde a escola primária até se tornarem adultos, acabando por concluir que as crianças que quebram as regras e desafiam os pais tendem a tornar-se excelentes alunos e mais bem pagos.

Com idades compreendidas entre os oito e os 12 anos, as crianças foram avaliadas pelos traços de personalidade e pelo desafio. Após 40 anos, os investigadores foram saber o que lhes tinha acontecido e descobriram que quebrar as regras e reagir à autoridade parental são indicadores de um melhor salário.

Apesar de o estudo não explicar o porquê de haver uma correlação tão grande entre as duas situações, os autores acreditam que essas crianças são mais competitivas nas salas de aula, o que leva ao aumento das notas. Em adultos serão mais exigentes, dispostos a lutar pelos seus interesses financeiros e a não receber um cêntimo a menos do que merecem, mesmo que isso acabe por irritar os colegas e os amigos.

Como saber se tem um filho com força de vontade?

As crianças com força de vontade defendem aquilo em que acreditam mesmo que não faça sentido e vão atrás do que querem, custe o que custar. Qualquer semelhança com a definição de teimosia não é pura coincidência.

Estas crianças tendem a fazer o que está certo e não tanto a seguir o que os amigos fazem. Se forem bem guiados pelos pais podem tornar-se bastante motivados e com espírito de liderança. Mas como nem tudo é um mar de rosas, até a recompensa chegar esperam-lhes muitos anos de discussões e de filhos que levam sempre a sua avante.

O segredo? A comunicação. Oiça o ponto de vista do seu filho e até pode encontrar alguma lógica no que ele defende, negoceie e faça cedências. Não vai ser fácil, mas nunca ninguém disse que era fácil educar um futuro rico.

 

 

 


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