Resultados de novo estudo podem ajudar a explicar discussões acesas nas redes sociais

Dezembro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kacper Pempel/ Reuters

Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 13 de dezembro de 2017.

Repostas furiosas, ânimos exaltados,muito pouca ponderação. O cenário é conhecido de todos os que andam pelo mundo das redes sociais e uma nova investigação dá uma pista para o explicar

A voz de uma pessoa é mais persuasiva do que a palavra escrita e isso é relevante sobretudo quando em causa estão ideias diferentes das nossas.

Num estudo publicado recentemente no Psychological Science, uma equipa de investigadores das universidades da Califórnia e de Chicago, conduzida por Juliana Schroeder, levou a cabo várias experiências em que um grupo de voluntários era expostos a várias ideias: umas com as quais concordavam e as outras não.

Um dos exercícios consistia em fazer 300 participantes ver, ouvir ou ler argumentos sobre a guerra, o aborto ou a música, neste caso específico country ou rap, que são dois estilos que normalmente polarizam as opiniões. Depois, era pedido aos voluntários que avaliassem a pessoa que tinha exposto o argumento. Quando os participantes não concordavam, a tendência era a de “desumanizar” o interlocutor, ou atribuir-lhe uma menor capacidade para pensar ou sentir. Mas quando o mesmo argumento era ouvido, fosse em vídeo ou só mesmo através de um ficheiro de áudio, os participantes não se mostraram tão críticos.

Convicções transmitidas oralmente fazem o comunicador parecer mais razoável e até mais humano, explica ao The Washington Post Juliana Schroeder, enquanto as mesmas crenças perdem “os elementos humanizadores” quando são comunicadas por escrito.

A investigação começou com um artigo de jornal. Um dos cientistas leu uma citação no jornal de um discurso de um político com o qual discordava acentuadamente. Num email enviado ao Washington Post, Schroeder explica que o mesmo investigador ouviu, na semana seguinte, exatamente a mesma parte do discurso a passar na rádio e ficou “chocado” com a diferença da sua própria reação: Quando leu, o político pareceu-lhe imbecil, mas quando o ouviu, o mesmo político pareceu-lhe razoável.

Agora, já com o resultado do estudo na mão, Schroeder acredita que estas conclusões podem ajudar a explicar o efeito tão acentuado das redes sociais no aumento da polarização das opiniões políticas.

“De certa forma, a tecnologia está a tornar as nossas interações mais baseadas em texto. Muitas pessoas recebem a maioria das suas notícias através das redes sociais. Isto pode ser desumanizador e pode aumentar a polarização”, reflete.

 

 


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