“Alguns pais olham para os filhos e vêem um porquinho-mealheiro”

Novembro 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de outubro de 2019.

A prática desportiva também estimula a criatividade das crianças

Maio 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Texto e foto do site Educare de 27 de abril de 2018.

Uma investigação portuguesa que demonstra que o desporto potencia a criatividade dos mais novos ganhou um prémio internacional. Sara Santos vai apresentar os resultados do seu trabalho numa conferência em Nova Iorque, em junho. Há vontade de disseminar o programa pelo país e fora dele.

Sara R. Oliveira

Sara Santos é investigadora do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD) e estuda os efeitos de um programa de treino desportivo, de seu nome Skills4genius®, no pensamento criativo de crianças. A prática desportiva estimula a criatividade dos mais novos. Esta é a conclusão que sobressai das suas pesquisas. Este trabalho ganhou a edição 2018 da Ruth B. Noller Research Grant, promovida pela Creative Education Foundation, que distingue a investigação emergente no domínio da criatividade. É a primeira vez que este prémio é atribuído a Portugal.

A investigadora, professora no Instituto Superior da Maia (ISMAI) e na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), tem-se debruçado no desenvolvimento criativo através do desporto. A criatividade foi avaliada com recurso ao Torrance Test of Creative Thinking (TTCT), um teste com elevado reconhecimento científico, e a intervenção foi implementada em contexto escolar, no 1.º ciclo do Ensino Básico. E os resultados pioneiros saltam à vista. O pensamento criativo está bem presente em crianças, entre os 6 e os 10 anos de idade, que valorizam o exercício físico.

As escolas terão essa noção? Para Sara Santos, os estabelecimentos de ensino deveriam proporcionar contextos que fomentem o processo criativo das crianças. “Contudo, neste momento, as suas práticas estão completamente obsoletas e necessitam de ser revigoradas. Ambientes ativos, como sejam a prática desportiva em clubes ou a educação física nas escolas, potenciam o desenvolvimento simultâneo do pensamento criativo, e da performance motora criativa, portanto não os devemos depreciar”, refere.

“É extremamente importante que as crianças sejam elementos ativos no seu processo de ensino e aprendizagem, só assim desenvolvem competências críticas e metacognitivas capazes de suportarem a criatividade que é considerada a predisposição do século XXI”, sublinha.

Qualidade no treino e no ensino
O programa Skills4genius® foi desenvolvido tendo em consideração o contexto dos jogos desportivos coletivos e os resultados têm sido consistentes. Há desportos mais aconselháveis do que outros? “A investigação científica ainda é escassa neste domínio e não se consegue responder se as modalidades coletivas são mais indicadas comparativamente às individuais. Não obstante, independentemente da tipologia da modalidade, o mais importante para o desenvolvimento da criatividade é a qualidade do processo de treino/ensino que deve ser sustentando em pedagogias positivas e na variabilidade do movimento”, explica.

Sara Santos pretende disseminar os resultados obtidos que têm implicações para o contexto educativo e desportivo que, por sua vez, irão permitir orientar as práticas dos professores e treinadores para que “criem contextos enriquecedores que instigam o comportamento criativo nas crianças, evitando, assim, a diminuição da criatividade com a progressão da idade”. O objetivo é disseminar o programa Skills4genius® à escala nacional e talvez internacional.

A distinção internacional é relevante e reconhece o trabalho de toda a equipa do CreativeLab-CIDESD, que tem impulsionado esta recente área de investigação. Entre 31 candidaturas de vários países, ganhou o projeto português. O prémio atribui uma verba para apoiar a investigação e Sara Santos tem ainda a oportunidade de apresentar o seu trabalho na conferência “Creative Problem Solving Institute Conference (CPSI)”, em Buffalo, Nova Iorque, que tem lugar de 19 a 24 de junho. Uma oportunidade para conhecer e partilhar estratégias pedagógicas inovadoras que Sara Santos acredita irão enriquecer as suas práticas enquanto docente e investigadora.

mais informações nos links:

 

Sara Santos, Ruth B. Noller Research Grant Recipient

 

Sedentarismo infantil = Ausência do Brincar (alfabetização motora) – Palestra de Carlos Neto no Teatro Miguel Franco em Leiria (8 de junho)

Junho 6, 2017 às 4:47 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.cm-leiria.pt/frontoffice/pages/617?news_id=2762

O que os pais devem saber quando escolhem um desporto para os filhos

Outubro 3, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.eosfilhosdosoutros.com/ de 15 de setembro de 2016.

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João Moreira Pinto

Saiu um artigo da maior importância para os pais de jovens desportistas e não só. O artigo publicado pela Associação Americana de Pediatria pretende ser um documento orientador para os pediatras e cuidadores de crianças que praticam desporto. Não sendo eu pediatra (porque sou cirurgião pediátrico), sou pai de um rapaz que adora desporto. Mais, acho que nós pais (e Mães) atentos procuramos que os nossos filhos façam muito desporto como parte integrante de uma vida saudável. Mas quantos desportos devem as crianças praticar? Devem especializar-se num só desporto ou diversificar? Quantas horas por semana? Estas e outras perguntas são respondidas neste artigo que revê tudo o que a ciência conseguiu estudar e provar até ao momento.

Indo por partes. Os benefícios do desporto infantil estão estudados e são consensuais: melhora as capacidades motoras das crianças, facilita a sua socialização, promove a autoestima, o trabalho de equipa e a capacidade de liderança, é um divertimento saudável. Mas depois há um lado negro do desporto, em particular do desporto de competição (isto são dados dos EUA): (1) 70% das crianças que frequentam desporto ‘organizado’ (desporto em clubes) desistem por volta dos 13 anos; (2) pelo menos 50% das lesões desportivas em crianças e adolescentes são por excesso de esforço (overuse). E para quê? (Continuamos com dados dos EUA.) Apenas 1% dos atletas que competem no high-school level recebem bolsas. E apenas 0,03-5% deles chegarão a um nível profissional. De facto, por muito que nos entusiasme imaginar que os nosso filhos serão os melhores naquele desporto, a probabilidade de serem atletas profissionais é muito muito pequena.

Nós (pais) temos tendência a projetar as nossas frustrações nas expectativas que criamos para o futuro dos nossos filhos. «Já viste como gosta da bola? O puto há-de ser o próximo Ronaldo.» «A minha princesa vai ser a bailarina que eu nunca consegui ser.» «No que depender de mim, dar-lhe-ei todas as condições para ser o melhor.» «E desde cedo, porque eu só não aprendi, porque já fui tarde…» É aqui que a porca torce o rabo, porque (1) o desporto infantil não pode servir para apaziguar as frustrações dos pais, (2) o problema não está em começar tarde um desporto. Este é uma ideia errada que muitos pais têm.

A estatística americana (que julgo poder aplicar-se à nossa realidade) mostra que a especialização num só desporto demasiado cedo na vida da criança leva a uma taxa maior de desistência da carreira desportiva. Para além do mais, existem outros riscos associados ao desporto de competição em idade precoce: isolamento social, lesões desportivas, ansiedade, depressão e até abuso físico, emocional e sexual por adultos envolvidos nas atividades do clube. É mais importante para a criança entre os 0 e os 12 anos experimentar muitos desportos. Diferentes desportos representam diferentes movimentos, diferentes competências físicas, psicológicas e sociais, diferentes ambientes, etc.

Em estudos comparativos (agora já com amostras europeias), provou-se que a diversificação precoce (ou seja, variar muito os desportos que a criança) e a especialização tardia (ou seja, centrar num desporto somente mais tarde na adolescência) relaciona-se com um maior sucesso desportivo em competições de elite. Com excepção de alguns desportos, como a ginástica e a patinagem artística, onde o pico de performance acontece antes da maturação física, todos os outros desportos devem ser praticados em especialização/exclusividade após a adolescência.

Posto isto, o artigo resume algumas informações que os pediatras e cuidadores devem ter em mente quando discutem a vida desportiva das crianças:

Primeiro, o foco principal do desporto é a diversão e aprendizagem de competências físicas que nos serviram para toda a vida. Quanto ao número de horas/semana que a criança deve praticar desporto organizado, uma regra que se pode aplicar é: número de horas/semana deverá ser sempre menor que a sua idade em anos (para um máximo de 16 anos).

Segundo, a participação em múltiplas actividades desportivas até à puberdade, diminui o número de lesões, stress e burnout dos jovens desportistas. A especialização tardia (fim da adolescência) relaciona-se com maior sucesso desportivo. A diversificação precoce e a especialização tardia aumenta a probabilidade de envolvimento desportivo por toda a vida, bem-estar físico futuro e possivelmente mais participação em desporto de elite.

Terceiro, se um jovem atleta decide especializar-se num só desporto, é importante:

  1. Discutir com o jovem quais os seus objectivos pessoais e distingui-los dos nossos (pais) e dos dos treinadores.
  2. Estar atento ao ambiente de treino e às práticas, para saber se estão de acordo com as melhores práticas para aquele desporto em específico.
  3. Ter pelo menos 3 meses de pausa/ano, dividido em períodos de 1 mês. Esta pausa refere-se ao desporto que o jovem pratica, mas pode/deve ser substituídos por outras actividades físicas que mantenham a boa-forma do atleta.
  4. 1-2 dias por semana de folga do seu desporto pode diminuir o número de lesões.
  5. Monitorizar o estado físico, psicológico e nutricional dos jovens atletas.

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Pode ler o artigo original aqui: Sports Specialization and Intensive Training in Young Athletes.

 


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