O que precisam as raparigas de saber para crescerem seguras e independentes

Maio 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 10 de maio de 2017.

Steve Biddulph é um psicólogo australiano que escreve sobre as diferenças entre rapazes e raparigas.

Como é que os pais podem garantir que as suas filhas se tornam mulheres fortes, independentes e confiantes? O australiano Steve Biddulph, perito em educação e psicólogo infantil, escreveu o livro 10 Things Girls Need Most to Grow up Strong and Free (“As 10 coisas de que as raparigas mais precisam para crescerem fortes e livres”). De acordo com este australiano, estas dez coisas são: um início de vida seguro e com amor, tempo para ser criança, competências para as amizades, o respeito e amor de um pai, uma faísca, tias, uma sexualidade feliz e saudável, coragem, feminismo e espírito.

Quando estava a decidir quais eram os dez componentes, Biddulph reflectiu sobre os aspectos que, segundo os estudos, reforçam o desenvolvimento das raparigas e falou com mulheres sobre aquilo que sentiam que tinha prejudicado a sua infância e o seu desenvolvimento.

Biddulph aconselha os pais a livrarem-se das “pressões mediáticas loucas sobre a aparência” e a não transmitirem nenhum dos seus problemas e inseguranças com o corpo em frente às filhas. Do mesmo modo, enfatiza a importância de ter modelos femininos fortes, incluindo tias, tal como a necessidade de falar sobre sexo de forma positiva, ao mesmo tempo que se enfatiza que a rapariga, e mais ninguém, é dona do seu corpo.

No livro, Biddulph explica que muitos dos problemas individuais das raparigas e das mulheres não são de todo individuais. Muitas vezes, eles resultam das forças, pressões, desigualdades, estigmas e abusos que afectam as mulheres ao longo dos anos. É por isso que o feminismo é apresentado como um dos dez componentes para educar uma rapariga forte. “O feminismo é importante porque muitas vezes uma rapariga individualiza,” explica o psicólogo ao jornal britânico The Independent.  “Descobrir que esta luta decorre há mais de um século em todas as partes do mundo e que não é só ela melhora a saúde mental, porque nos deixa zangados em vez de assustados ou inseguros. Sentimo-nos parte de algo maior.”

Antes deste livro, o australiano já tinha escrito outros dois, um sobre cada género, porque defende que não é igual educar um rapaz e uma rapariga. Assim, os seus bestsellers anteriores chamam-se Educar Rapazes e Educar Raparigas. Mas, um dia, Biddulph espera que as diferenças desapareçam.

Alguns dos conteúdos deste novo livro podem aplicar-se aos rapazes, mas, salvaguarda o especialista, são elas que têm maior propensão para sofrer de ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. “Os rapazes têm mais probabilidade, em termos estatísticos, de morrer, de ser violentos ou de acabar na prisão”, acrescenta.

“A pressa é inimiga do amor”

“Desde bebés, as pessoas não têm tempo para estar em paz e estar perto da família”, explica o autor. “Não protegemos nem tomamos conta dos jovens pais, de forma a que eles consigam ser pais. Os governos neoconservadores querem que toda a gente faça parte do mercado de trabalho e fazem-nos sentir que ser pai é uma actividade inferior… eu defendo que ‘a pressa é inimiga do amor’ e que o nosso reflexo para estar ocupado se descontrolou. Somos um animal de manada e é difícil remar contra a maré, mas as pessoas começam a fazer essa escolha. Quando as pessoas estão ocupadas, as ligações enfraquecem, as crianças não nos contam os seus problemas, as mães e os pais começam a ficar tensos e infelizes devido à falta de paz e de intimidade e as crianças são geridas e tratadas como uma manada, em vez de serem realmente cuidadas e acarinhadas. Acontece o mesmo na escola, quando os professores em todo o mundo me dizem que não têm tempo para se preocupar.”

O resultado é que as crianças crescem no meio do stress e com inúmeras pressões, como ser o melhor na escola. Segundo o especialista, no Reino Unido, uma em cada cinco crianças foram diagnosticadas com ansiedade; e uma em cada três automutila-se.

 

 

 

Menina questionando a indústria de brinquedos – Vídeo

Março 2, 2015 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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ONU: Aborto de meninas espalha-se como «epidemia» no leste europeu

Novembro 17, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do  http://diariodigital.sapo.pt  de 10 de novembro de 2014.

diário digital

A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por rapazes é uma «epidemia» que está a espalhar-se além de países como a Índia e a China, atingindo agora nações do leste europeu, advertiu segunda-feira um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

O chefe da divisão de género do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Luis Mora, disse que estudos realizados nos últimos anos identificaram que o desejo por bebés do sexo masculino e o acesso à tecnologia foram os principais responsáveis pelos mais elevados índices de selecção do género a nível global na região do Cáucaso, ao longo da fronteira da Europa-Ásia entre os mares Negro e Cáspio.

«Durante muitos anos, temos observado a preferência por rapazes e a selecção do género à semelhança do que acontece nos casos da Índia e da China», disse Mora num simpósio de quatro dias sobre o envolvimento de homens e rapazes na igualdade de género.

«Mas temos percebido nos últimos anos que a Índia e a China já deixaram de ser as excepções. Vimos como a discriminação, a preferência por rapazes e todas as questões relacionadas se têm progressivamente espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do género, como os países do Leste Europeu» afirmou.

Mora disse que o facto de o feticídio feminino estar a acontecer em países que, anteriormente, não tinham histórico de tais práticas, como a Albânia, Kosovo e Macedónia, indicava que a discriminação de género era uma «epidemia», comparando-a ao vírus mortal ébola.

De acordo com um estudo de Agosto de 2013 da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas.

No entanto, na Arménia e no Azerbeijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.

Como resultado, o UNFPA estima que em países como a Arménia haverá falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a elevada taxa de selecção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.

Especialistas em género afirmam que a estrutura patriarcal é uma das principais razões para a proporção sexual enviesada.

Uma «cultura do aborto» herdada do período soviético e o fácil acesso a tecnologias que permitem aos pais saber o sexo do seu filho antes do nascimento são outros factores importantes.

«Acho que isto é um aviso», disse Mora. «Por detrás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de género, a violência, a preferência por rapazes e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universais», salientou.

 

 

Women in developing countries – Relatório Eurobarómetro + Resultados para Portugal

Março 8, 2013 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Filhos entregues à mãe por ser “figura de referência”

Junho 9, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 25 de Maio de 2011.

por Lusa

A guarda dos filhos em caso de divórcio ou separação é entregue “maioritariamente à mãe” porque a “figura primária de referência culturalmente enraizada é a materna”, concluiu um estudo da Universidade do Minho hoje revelado.

O estudo “Divórcio e responsabilidades parentais: padrões de género nos contextos familiares e nas decisões judiciais”, a cargo da investigadora da Universidade do Minho (UM) Ana Reis Jorge, teve por base 300 processos de regulação do poder paternal e foram entrevistados 25 magistrados judiciais. Em declarações à Agência Lusa, a investigadora Ana Reis Jorge explicou que este é “um estudo exploratório com o qual se pretendia perceber em que medida os estereótipos de género se manifestavam na administração da justiça nos casos de atribuição da guarda dos filhos após separação ou divórcio”. Uma das conclusões preliminares do estudo, explanou Ana Reis Jorge, “é que efectivamente a maioria das crianças ficam à guarda das mães”, o que se justifica “baseado nos processos observados e magistrados ouvidos” com o facto de “dominar ainda como figura primária de referência a figura da mãe”.

Segundo a investigadora, “os magistrados judiciais explicaram que a atribuição de guarda às mulheres deve-se ao seu papel, culturalmente enraizado, na educação e nas tarefas de cuidado relativas às crianças durante o casamento e após a separação”. No entanto, realçou, esta “preferência” não “representa uma conduta discriminatória” até porque, adiantou, “o número escasso de recursos face às decisões judiciais demonstra uma interiorização de papéis de género por parte de homens e mulheres”. Ana Reis Jorge explicou à Lusa que, “apesar do avanço no sentido de assegurar uma legislação igualitária”, na prática os indicadores demonstram uma persistência e reprodução de claras desigualdades de género”.

Este estudo terá ainda mais duas etapas: “depois de ouvidos os magistrados judiciais vão ser ouvidos os magistrados do Ministério Público”. A terceira etapa será a audição de “homens e mulheres divorciados ou separados com filhos”. Este estudo está integrado na investigação de Ana Reis Jorge no âmbito da tese de doutoramento “Desigualdades de género: processos de ruptura conjugal e subsequente tutela das crianças”. Ana Reis Jorge, licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho, trabalhou como bolseira do projeto “Mestrados em Portugal: modelos sócio culturais de persistência entre homens e mulheres”. Actualmente é investigadora do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) e colabora no projecto “Desigualdades de género no trabalho e na vida privada: das leis às práticas sociais”.


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