O cérebro adolescente

Junho 24, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto da http://revistaneuroeducacao.com.br/ de 25 de setembro de 2015.

Muitas vezes eles pensam e sentem como os adultos. Mas não raro se comportam como crianças. A explicação é neurobiológica: algumas regiões cerebrais responsáveis pela autorregulação amadurecem mais tardiamente. Estudos com as modernas tecnologias de imageamento trazem uma melhor compreensão das intensas transformações que ocorrem nessa etapa da vida

por Gilberto Stam

Desejara que não houvesse idade entre 16 e 23 anos, ou que a mocidade dormisse todo esse tempo.” Na peça Conto de inverno, escrita entre 1610 e 1611 por William Shakespeare, o personagem denomina os jovens de “cérebros ferventes”. Sua reação à rebeldia típica dessa fase da vida revela que nada mudou ao longo do tempo. Os adultos, em geral, sentem muita dificuldade de compreender o comportamento dos adolescentes.

Em tempos modernos, a mesma atitude tem sua melhor tradução em uma expressão bem conhecida de todos nós: “são os hormônios!”, um bode expiatório invisível que explicaria o comportamento dos jovens. Essa afirmação, na verdade, indica pouco conhecimento sobre o assunto. “Existe apenas um hormônio importante na adolescência, o sexual, e por si só ele não explica outros comportamentos típicos da faixa etária, como a sociabilidade e a propensão ao risco”, diz a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora do livro O cérebro em transformação (Objetiva). “Quem comanda as mudanças da adolescência, inclusive a produção do hormônio sexual, é o cérebro”, explica.

É evidente que um adolescente tem o cérebro imaturo, já que, por definição, ele ainda não é um adulto. Mas o corpo desenvolvido, já parecido com o do adulto, acaba gerando nos mais velhos a expectativa de um comportamento mais maduro, o que se torna fonte permanente de frustração. Um dos motivos desse tipo de engano está em informações científicas incorretas. Há duas décadas, a teoria predominante era que o cérebro atingia sua maturidade máxima no final da infância. Mais recentemente, constatou-se que o adolescente, na verdade, não está totalmente maduro fisicamente – inclusive no que diz respeito ao cérebro. “A maturação do cérebro humano segue pela adolescência e pode continuar até a idade adulta”, diz a neurocientista Sarah-Jayne Blakemore, da Universidade de Londres. “Dez anos atrás, sabíamos pouco sobre o cérebro adolescente. Avançamos muito graças às novas tecnologias de imagem, feitas por ressonância magnética”, diz.

Imagens que dizem muito

Um grande projeto nessa área de pesquisa é conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, que conta com cerca de 8 mil imagens de 2 mil pessoas – entre crianças, adolescentes e adultos –, oferecendo uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento do cérebro. Uma das mudanças mais visíveis nessas sequências de imagens ocorre na chamada massa cinzenta, a região mais exterior do órgão, que é constituída pelos corpos celulares dos neurônios. Ao contrário do que se possa imaginar, a massa cinzenta diminui ao longo da adolescência.

Essa diminuição, no entanto, não representa uma perda de neurônios, cujo número, em geral, pouco muda. Ela ocorre devido a uma grande perda de sinapses (conexões entre os neurônios mediadas por substâncias químicas chamadas de neurotransmissores). As sinapses começam a aumentar durante a gestação e atingem o pico aos 6 meses de vida do bebê. Na adolescência, o quadro muda. “No começo dessa fase, há um grande número de sinapses, mas, quando se inicia a transição para a fase adulta, ocorre uma morte programada de sinapses, que refina as conexões”, diz a neuropsicóloga Cláudia Berlim de Mello, do Centro Paulista de Neuropsicologia. “Essa perda de algumas sinapses – e consolidação de outras – acontece de acordo com o uso”, explica. Ou seja, sinapses usadas com frequência são reforçadas, enquanto as que deixam de ser usadas são perdidas, de modo que as opções feitas nessa fase da vida ajudarão a formar o cérebro do adulto.

Paralelamente, ocorre outra mudança importante na chamada matéria branca, constituída por axônios (parte do neurônio responsável por conduzir os impulsos elétricos que partem do corpo celular). Ao longo do desenvolvimento, os axônios são cobertos por uma camada de mielina, que forma uma espécie de capa. A mielina é um isolante e aumenta a velocidade de transmissão do sinal entre as células. Assim, enquanto a matéria cinza diminui devido ao corte das sinapses, a branca aumenta por causa do aumento na mielina. Entre a perda e o refinamento das sinapses, a massa total do cérebro permanece relativamente constante, mas o funcionamento vai se aprimorando graças às mudanças estruturais e químicas. Além de ajudar a entender o adolescente, essas descobertas podem levar muitos adultos a questionar própria maturidade cerebral. Isso porque o corte de sinapses pode avançar até os 30 anos, e o aumento na massa branca, até os 40.

EMBATES COM A FAMÍLIA

Há outro dado nesse complexo processo: a maturação do cérebro não se dá de maneira homogênea, mas em ritmos diferentes em cada região. As novas tecnologias de imagem mostram que a última parte do cérebro a amadurecer – o córtex pré-frontal – é justamente a região onde se processam comportamentos tipicamente de adultos, como capacidade de planejamento, concentração, inibição de impulsos e empatia. Ao mesmo tempo que o corte do excesso de sinapses aperfeiçoa o funcionamento dessa importante área, as novas e melhoradas fibras com mielina permitem que diferentes partes dentro do pré-frontal se comuniquem melhor. “Essa integração resulta em um aperfeiçoamento da linguagem e da coordenação motora, por exemplo”, diz Herculano–Houzel. “Não por acaso, pacientes adultos que sofreram lesões no córtex apresentam comportamentos típicos de adolescentes”, completa.

Com o amadurecimento do córtex pré-frontal, o adolescente vai se aproximando do mundo adulto, embora de maneira não muito suave. “Nessa fase, começam a se desenvolver o comportamento autorreflexivo, a autorregulação e o raciocínio, levando a uma maior consciência crítica de si e dos outros”, diz Berlim de Mello. “Por isso, eles tendem a ver incongruências no mundo dos adultos. Ao contrário da criança, que tende a ser alegre, o adolescente é mais irritadiço e nega ou questiona o que vem antes dele.” Como o cérebro ainda está se consolidando, as oscilações de humor são comuns, assim como o comportamento reativo. “Eles começam a olhar o mundo de forma mais profunda, mas o lado emocional não está totalmente amadurecido. Daí surgem embates com os adultos e com a família”, explica a neuropsicóloga. “Além disso, eles são mais impulsivos, reativos e intensos. Percebem as incongruências, mas não sabem como lidar com elas.”

Se, por um lado, a maturidade emocional do adolescente oscila, é nessa fase também que ele passa a possuir ferramentas que o preparam para a vida adulta. Surge a capacidade de tomar decisões, julgar e planejar. No córtex pré-frontal, uma região chamada córtex orbitofrontal (localizada atrás dos olhos) é a última a amadurecer e promove as capacidades de usar emoções para nortear decisões e de criar empatia pelos outros – características fundamentais da vida adulta.

Insaciáveis

Outra mudança fundamental ocorre no sistema de recompensa, “conjunto de estruturas no cérebro responsáveis por premiar com prazer ou bem-estar comportamentos que acabaram de se mostrar úteis ou interessantes”, conforme Herculano-Houzel define em seu livro. Isso significa que o adolescente precisa de muito mais para sentir prazer. É algo difícil de visualizar porque ocorre em nível bioquímico – no cérebro, o prazer é proporcionado pela molécula dopamina, que é um neurotransmissor. Os adolescentes possuem um terço dos receptores para dopamina. Por isso, precisam de experiências mais intensas, que estimulam mais a liberação da substância, para sentir prazer. Essa mudança, por si só, é a principal responsável pela maioria dos comportamentos típicos do adolescente, como a busca de novidades, os excessos (como ouvir música alta) e o comportamento de risco, que também gera euforia e produção de dopamina. Sem falar na nova e mais importante descoberta: o sexo, cujo prazer só é possível porque o sistema de recompensa se torna sensível aos hormônios que promovem o prazer sexual. E tudo isso não é ruim, pois a procura pelo prazer é o que move o adolescente a descobrir coisas novas e a buscar independência.

Riscos possíveis

As coisas podem se complicar, porém, quando o comportamento de risco e a sociabilidade nascente se combinam. “Na adolescência, a causa principal de morte são os acidentes que, em geral, são causados por comportamento de risco”, diz Blakemore. “Um dos motivos principais do comportamento de risco é a influência do meio social. Os adolescentes são levados a impressionar os amigos, em busca de aprovação, enquanto também vão se tornando mais independentes dos pais.”

O encontro de um cérebro em formação com o comportamento de risco, como consumo de álcool e de drogas, é o ponto de maior vulnerabilidade. Afinal, a especialização das sinapses ocorre tanto para bons quanto para maus hábitos. O risco de dependência é maior porque o jovem está numa fase de experimentação. Dependências adquiridas podem permanecer durante a vida adulta. As descobertas sobre esse período da vida ajudam a lançar um olhar novo sobre o adolescente e a reconhecê-lo como alguém que não está pronto e que, por isso, precisa ser acolhido e orientado. Elas ajudam a pintar com detalhes um quadro que já havia sido delineado pela psicologia, mostrando que a adolescência é uma fase característica e que, também no cérebro, os adolescentes apresentam suas peculiaridades – que precisam ser respeitadas.

 

O cérebro na sala de aula

Janeiro 25, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do site http://www.revistaeducacao.com.br/ de 2 de fevereiro de 2015.

edu

Como os alunos aprendem, segundo a neurociência, e como os professores podem tirar proveito desse conhecimento para criar melhores condições de aprendizado em sala de aula

Luciana Alvarez

Mesmo sem ter plena consciência disso, os professores operam incontáveis transformações no cérebro de seus alunos. Ao dar uma aula e estimular as crianças e jovens a aprender um novo conteúdo, ele ‘força’ novas conexões entre os neurônios e ainda provoca mudanças no padrão de liberação de neurotransmissores nas sinapses. Sem essas alterações, que acontecem tanto na estrutura física do cérebro quanto em seu funcionamento químico, não há aprendizagem, como explica a neurociência, campo do saber que está se aproximando cada vez mais da área da educação e cujas descobertas podem ser de grande auxílio para os docentes.

As modificações cerebrais provocadas pelo aprendizado podem ser profundas e permanentes, ou podem se apagar com o tempo. Fernando Mazzilli Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem uma boa metáfora para ajudar os leigos a entender o processo. O truque é associá-lo à abertura de trilhas numa floresta. Quanto mais vezes se percorre a trilha, mais larga ela fica, mais fácil de ser encontrada e, assim, mais rápido o caminho por ela. “Mas se você não usa a trilha, ela vai desaparecendo, sendo tomada de novo pela mata”, explica. “Custa muito caro para o cérebro, em termos de energia, manter uma trilha aberta. Não é possível manter todas. Ficam só as utilizadas”, completa.

A relevância é, portanto, a grande diferença entre o aprendizado de fato e o que logo se esquece – ou algo que nunca se chega a aprender de verdade. Isto porque, dentro do cérebro, tudo o que não é desenvolvido se perde. Entender o processo de perda como algo natural e comum a todos também ajuda a ensinar melhor.

Mas do que depende o estabelecimento de novas conexões entre os neurônios e a criação de novas trilhas? Como os professores podem garantir que seus alunos vão aprender a matéria ensinada? A resposta para essa pergunta envolve muitas variáveis. Regina Migliori, pesquisadora no Centro de Diagnóstico Neuropsicológico da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a estrutura cerebral das pessoas tem potencial para assimilar praticamente de tudo. Porém, essa estrutura é esculpida pelas experiências e usos de cada um.

É importante entender que, assim como ninguém nasce com o nariz, a boca ou as mãos exatamente iguais aos de outra pessoa, ninguém nasce com o cérebro exatamente igual ao de outro. Não somos tábulas rasas como pretendia Aristóteles – e as diferenças na forma de aprender devem ser reconhecidas e respeitadas dentro da escola. “O seu cérebro é único. Há diferenças na estrutura biológica e tudo bem, porque todos têm potencial enorme. Uma pessoa de 1,70 m de altura nunca será um jogador de basquete profissional, mas ainda assim ela pode ser uma boa jogadora”, compara Louzada.

A capacidade do cérebro de se reorganizar, a chamada neuroplasticidade, é mantida ao longo de toda a vida, mas com o avanço da idade, ela diminui. Por isso, as crianças têm possibilidades maiores de aprendizagem quando comparadas com os idosos, embora a idade jamais deva ser vista como um obstáculo intransponível.

Mas neuroplasticidade não é tudo. Quando se discute a aquisição de língua estrangeira, é comum ouvir que as crianças têm condições de fazer isso mais facilmente. Essa suposição, contudo, não é necessariamente verdadeira. “O adulto já traz vários conceitos consolidados ligados à gramática, à estrutura da língua, etc. Isso facilita”, explica a médica Leonor Bezerra Guerra, coordenadora do projeto NeuroEduca da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A vantagem das crianças pequenas é a capacidade que elas têm de distinguir, a priori, sons de todas as línguas, aptidão que se perde com o tempo, com a incorporação da língua materna pelo cérebro.

Também existem aprendizados que dependem de certo tempo de amadurecimento das redes neurais. Áreas que ainda não têm mielina, uma substância lipídica que rodeia as fibras nervosas para facilitar a transmissão dos impulsos, não são ativadas adequadamente antes do ‘amadurecimento’. “As áreas mielinizadas desde cedo são as sensório-motoras, o que confirma as ideais de Piaget. Outras começam a ser mielinizadas mais tarde”, explica o professor da UFPR. As áreas frontais do cérebro, responsáveis por planejar, avaliar o presente e o futuro, por exemplo, só ficam completamente mielinizadas por volta dos 20 anos. Segundo o neurocientista, hoje é comum exigir de crianças comportamentos incompatíveis com o amadurecimento do cérebro delas. “Não adianta querer estimular uma criança de 8 ou 9 anos a estudar falando do futuro profissional dela”, exemplifica. Nessa idade, o planejamento requer objetivos mais imediatos.

Outra prática escolar questionável sob o ponto de vista da neurociência é ensinar crianças a escrever na pré-escola. “As estruturas de simetria só serão totalmente desenvolvidas por volta dos 7 anos. Antes disso, é normal a criança espelhar as letras. O problema é nosso, que iniciamos o ensino fundamental aos 6 anos, não da criança”, afirma a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima, que tem formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.

Cultura x biologia

Além da estrutura biológica, é preciso considerar os aspectos externos. Nascemos com estrutura cerebral especializada para falar e para contar até três – ler, escrever e contar acima de três são considerados, portanto, aprendizados culturais. “Tem coisas que estão na biologia da espécie: existe uma genética para falar. Mas não para ler e escrever. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como acontece com a fala. O cérebro tem de se reorganizar, tem que usar outras áreas”, explica Elvira.

Isso implica que a criança precisa ser ensinada, para que seja capaz de formar suas redes neurais. Além da plasticidade para se reorganizar, o cérebro também conta com muitas entradas de informações. As crianças aprendem pelos estímulos recebidos da visão e da audição, mas também por outros sentidos, sobretudo pelo tato e pelo movimento. Culturalmente, porém, os sentidos da visão e da audição sobressaíram aos demais. O que muitas vezes falta na escola é explorar as outras possibilidades de aprendizado. “Elas podem aprender muito melhor as letras do alfabeto e os algarismos se também manipularem letras de plástico ou madeira em vez de apenas “verem” as imagens em folhas de papel e lousas”, diz a pesquisadora.

Os estímulos não são exclusivamente externos, alerta Leonor. “Se quando eu vejo uma pessoa sinto uma contração desagradável do meu intestino, o cérebro vai processar isso e a visão daquela pessoa sempre vai me trazer uma sensação desagradável”, exemplifica. O mesmo raciocínio vale para o que se passa em sala de aula. Dessa forma, se um estudante tiver experiências ruins com a matemática, como dificuldade para compreender a matéria, toda vez que entrar em contato com a disciplina seu cérebro vai ativar a lembrança do mal-estar. E, é claro, ele fará o máximo possível para ficar bem longe daquilo que lhe causa incômodo. Sendo assim, para favorecer o processo de ensino-aprendizagem, é importante proporcionar desde cedo às crianças experiências agradáveis em sala de aula.

Como captamos muito mais detalhes da situação em que ocorre o ensino do que costumamos imaginar, não é só o conteúdo que importa. A forma também tem grande interferência. “Um professor pode dar um ditado com uma expressão facial feliz, uma postura corporal animada, um tom de voz agradável. Tudo isso faz diferença. O estímulo ao aprendizado diz respeito a toda interação que mantém com o aprendiz, não se resume só à estratégia pedagógica propriamente dita”, explica a médica. Sobre esse aspecto, os especialistas afirmam que a motivação tem de ser na medida certa. Ao se deparar com um grande desafio, o estudante pode se desanimar no processo se não sentir que está evoluindo. Para que não desista do problema apresentado, os educadores podem criar uma sucessão de desafios menores, sem diminuir a meta final. Outra estratégia eficaz é fazer o aluno perceber que a energia gasta ao estudar é recompensadora e o torne capaz de fazer, perceber e pensar de forma diferente. Vem daí a estratégia de contextualizar o tema estudado na realidade cotidiana. Mas isso não implica uma visão utilitarista do ensino. “Tem gente que vai estudar filosofia porque o simples prazer de pensar lhe dá prazer. Mas é mais fácil que o aluno se sinta estimulado a aprender inglês se ele perceber que, com aquele conhecimento, será capaz de jogar um game novo na internet, por exemplo”, diz Leonor.

A emoção é outro elemento importante para reforçar os caminhos neurais. A experiência neutra não tem impacto no cérebro. Segundo Louzada, em termos neurais, o cérebro evoluiu para preservar conteúdos que tenham carga emocional. Quanto mais vezes a amígdala (porção do cérebro associada às emoções) for ativada em uma experiência, maiores são as chances de aquele evento ser memorizado.

Ao longo do século 20, esteve em vigência um modelo de educação e trabalho que tentou separar emoções e razão, corpo e mente. “Criou- se um mito da competência, de que as pessoas devem deixar seus problemas pessoais do lado de fora da porta da escola ou do escritório”, conta Regina. Essa visão do ser humano fragmentado ainda persiste, o que dificulta a promoção do aprendizado escolar. “O cérebro é sempre ativado de forma sistêmica. É ilusório acreditar que um aluno seja capaz de deixar suas angústias de lado para apenas ‘pensar’”, afirma. E é contraproducente pedir que ele faça isso.

Conhecimento em espiral

A economia de energia está na raiz de uma reclamação clássica dos professores: a situação dos alunos que ‘esquecem’ todo o conteúdo aprendido depois das férias ou mesmo de um final de semana. Na opinião da coordenadora do projeto NeuroEduca Leonor Bezerra Guerra, o problema não é do aluno, pois o conteúdo estudado, muitas vezes, só é cobrado no dia da prova, o que faz com que ele descarte aquilo que assimilou para investir suas energias nas trilhas que serão usadas mais tarde. Para formar uma memória de longo prazo, é preciso reexposição. “A reorganização do sistema nervoso depende de reações químicas, que não se dão de um dia para outro. E esse tempo tem de ser respeitado. E nem todos os tempos são iguais. Um cérebro não é igual ao outro. Da mesma forma, eles também têm bagagens diferentes. Alguns alunos já têm memórias em relação ao assunto, outros não”, explica a especialista.

A bagagem é importante para que haja associações. Como explica Elvira Souza Lima, “ninguém pensa no vazio ou com as informações que estão no Google”. Só é possível usar como instrumento de pensamento o que temos de informação no cérebro. A pesquisadora acredita que hoje existe um tabu exagerado contra o decorar. “Para tocar bem ao piano, o músico decora a partitura. Decorar é bom, o problema é cobrar só isso do aluno”, aponta. Como tudo no cérebro, a capacidade de memorizar ou raciocinar vai sendo dada de acordo com a demanda. Para que as crianças aprendam a pensar por contra própria, elas têm de ser estimuladas a construir redes neurais associativas. “Deve-se propor atividades que integrem estímulos. O pensamento é a capacidade de integrar diferentes redes neurais”, diz Louzada. Quanto mais se demandar apenas memorização de conteúdos, mais o cérebro despenderá energia para fazer esse tipo de atividade, deixando outras coisas de lado. Quanto mais energia o cérebro investir em nomes, locais, datas, menos tempo e espaço para os aprendizados associados, as ditas habilidades operatórias.

O caminho do meio parece ser a melhor via. Embora pareça haver uma oposição entre memória e raciocínio, que seriam respectivamente criar um novo registro e fazer ligações entre os registros, eles podem ser complementares. Para responder a uma questão de prova, o aluno resgata informações antigas, armazena-as na memória de curto prazo, e então as associa com outras para dar sentido.

Ainda que valorizado no discurso, o desenvolvimento da capacidade de pensar facilmente acaba deixado em segundo plano na escola. Quem mais fala é o professor, mas o aluno é que tem de se transformar e exercitar sua função mental. A estratégia recomendada é que o professor apresente o conteúdo e provoque os alunos a pensar sobre aquilo. “Na escola, o cérebro que mais trabalha é o do professor. Para ser mais produtivo, ele deveria usar o tempo em sala para deixar os alunos discutirem, argumentarem”, aponta Leonor.

Pesquisas recentes têm indicado que estudar em duplas ou grupos é mais eficiente, porque os estudantes são forçados a conversar sobre o material. Isso porque a memória nunca é única. Ao se lembrar do que uma pessoa disse, se lembra também da voz, do rosto, da postura, do cheiro, do local onde estava e ainda do que sentiu ao ouvir as palavras, do que pensou sobre elas, se concordou, discordou, etc. Vários grupos de neurônios acabam ativados ao mesmo tempo. Ao falar e, sobretudo, ao discutir sobre um tema com colegas, novos grupos de neurônios são ativados, para além dos que seriam usados se o aluno simplesmente ouvisse explicações do professor.

Com uma ampla gama de elementos associados, é mais fácil fazer a evocação da memória posteriormente, pois há mais conexões neuronais envolvidas – a trilha na floresta aberta já é bem larga. Portanto, memorizar ajuda a raciocinar. E quanto mais memórias se têm, mais elementos para criar novos raciocínios.

Confirmação

Diferentemente do que muita gente imagina, a neurociência não propõe uma nova pedagogia, nem tampouco pretende transformá-la radicalmente. Pelo contrário, suas descobertas mostram as bases biológicas por trás das ideias de Piaget (1896-1960), Vigotsky (1896-1934) e Wallon (1879-1962), por exemplo, ao esclarecer questões que já haviam sido observadas por estes e outros pensadores e explicar o porquê de problemas identificados no dia a dia nas situações de aprendizagem. “Mas seria interessante se todo aluno de pedagogia estudasse um pouco sobre o funcionamento do cérebro no início do curso. Assim, eles poderiam fazer uma reflexão a cada etapa de como aquela prática ou conceito se processaria no cérebro”, diz a especialista da UFMG.

Entre as polêmicas provocadas pela introdução da neurociência na educação está o uso do método construtivista para a alfabetização. Ele tem sido duramente criticado com base nas descobertas de pesquisas. “Não se pode ser extremista. A discussão é se serve mesmo para todos, ou só para os que têm uma capacidade maior de investigação. Para quem tem uma cognição média, talvez demore mais”, pondera Leonor. Fernando Louzada concorda que a neurociência deva ser encarada mais como uma aliada da pedagogia do que como algo prescritivo. “Existem evidências científicas de que o método fonético é melhor para aprender a ler, porque tem mais lógica com a lógica do cérebro. Mas a contextualização, muito usada por correntes construtivistas, também faz sentido”, pondera.

Limites

Embora cada vez mais as gerações mais novas sejam “multitarefa”, a neurociência comprova que o cérebro só faz bem uma coisa de cada vez. Quanto mais tarefas simultâneas, menor a eficiência. “Por mais que a gente faça as tarefas, o cérebro não processa bem todas. Não sou capaz de me apropriar bem de algo se não houve dedicação”, afirma Leonor. O acúmulo de aprendizados também tem seus limites. “Tem escolas prometendo acesso irrestrito a informações. Isso é impossível”, alerta Louzada.

Muitas escolas infantis também estão privando as crianças do sono para preencher o dia com mais atividades. O problema dessa prática é que ela prejudica uma atividade fundamental para o desenvolvimento cognitivo e que exerce forte influência na consolidação das memórias.

A pressa por iniciar a alfabetização e a introdução de conteúdos deve ser evitada igualmente. A neurociência mostra que, para aprender a reproduzir sons de diferentes línguas, a exposição na primeira infância faz diferença. Mas ninguém precisa aprender vocabulário em língua estrangeira tão cedo, porque esse é um aprendizado que se dará pela experiência, acumulando-se ao longo da vida em qualquer idade. O parâmetro deve ser a necessidade real de cada aprendizado em cada momento. Uma criança criada por uma mãe chinesa, um pai espanhol, numa escola francesa, vai aprender as três línguas porque aquilo faz sentido na vida dela – e mesmo assim, ela vai levar mais tempo para ficar fluente em um idioma, ressalta Leonor. “Se o aprendizado não for importante, ele provavelmente não será bemsucedido. O cérebro não é uma máquina de fazer tudo. Ele tem um limite, dado pela necessidade”, afirma.

Estímulos demais podem até atrapalhar o aprendizado. O estresse leva à liberação de cortisol, substância que dificulta a reorganização cerebral. “Ele dá sensação de imobilização, pode levar à tristeza e à depressão. Talvez por estarmos exigindo tanto do nosso cérebro é que cada vez mais tenhamos de enfrentar problemas como depressão, déficit de atenção, hiperatividade”, conclui Leonor.

A escola tem ainda uma missão para além de desenvolver o cérebro dos alunos: ela precisa promover o desenvolvimento humano, lembra Regina. Ela precisa fazer com que potenciais neurológicos se transformem em ações produtivas, que comportamentos aprendidos se tornem atitudes responsáveis. A ética não está ligada ao número de sinapses cerebrais.

A inteligência não é inata

A ideia de segmentar os alunos por nível de desempenho, muito comum nos Estados Unidos, mina as possibilidades de desenvolvimento daqueles que estão classificados nos níveis mais baixos. Há relatos feitos a partir de observações que apontam que os professores tendem a ser mais condescendentes com esse grupo de estudantes, subestimando-os e dando-lhes menos oportunidades para se desenvolver. Essa prática traz em seu bojo a noção de que a inteligência é uma habilidade inata ou desenvolvida até certa idade, geralmente a infância. Muitos alunos também carregam essa crença. No questionário do Pisa, alunos de diversos países, incluindo o Brasil, declararam que mesmo se eles se esforçassem muito, não seriam capazes de tirar boas notas em matemática. A capacidade de resolver problemas e equações complicadas seria algo reservado para alguns poucos alunos.

Embora disseminada, essa teoria é considerada ultrapassada desde que os neurologistas chegaram ao conceito da plasticidade sináptica, que é a capacidade do cérebro de estabelecer novas conexões entre os neurônios durante a vida inteira. Isso quer dizer que as pessoas sempre podem aprender coisas novas. “O desenvolvimento humano não depende de raça ou de condição socioeconômica. Todos podem aprender muito, mas só se tiverem oportunidade de serem ensinados e de praticar”, diz a pesquisadora Elvira Souza Lima.

Além disso, não há apenas um tipo de inteligência, mas múltiplos e todos devem ser estimulados, como afirma Regina Migliori, pesquisadora no Centro de Diagnóstico Neuropsicológico da Unifesp. “Não é só a capacidade de raciocínio ou memorização que conta. Esse conceito único de inteligência já foi amplamente revisto”, confirma.

i462156

 

 

 

 

Presos ao ecrã

Janeiro 5, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 23 de dezembro de 2016.

pais-filhos

Escrito por Paulo Oom, pediatra

A utilização maciça da multimédia, através do telemóvel, televisão e consolas tem repercussões. Ser muito social nas redes sociais pode significar um grande isolamento.

 Hoje, o tempo de estudo de uma criança é bem diferente do que era há uns tempos. Já não existe a secretária cheia de papel, borrachas e lápis ou a tradicional biblioteca ou escritório cheios de livros para consulta. Pelo contrário, a criança tem hoje ao seu dispor inúmeros recursos em qualquer computador e quase tudo o que precisa saber lhe salta para cima à distância de um clique. Um teclado e um “rato” são tudo.

Também as brincadeiras já não são o que eram. Andar de bicicleta, jogar futebol, jogar basquete, brincar à cabra-cega ou ao mata são coisas de um passado distante. Pelo contrário, nunca como antes houve à disposição das crianças e jovens tanta tecnologia para se divertirem e distraírem. São computadores, consolas, telemóveis e múltiplos comandos que as levam para aventuras nunca antes vividas e emoções nunca antes sentidas. A criança está sentada em frente a um grande ecrã onde todo o mundo passa à sua frente. Virtual, claro.

Uma velocidade impressionante

Uma das formas mais interessantes para analisarmos o impacto das novas tecnologias é analisar quanto tempo demora determinada tecnologia a atingir os 50 milhões de utilizadores. Um número impressionante, é certo, mas que reflete bem a penetração no mundo de cada novidade. Para a rádio, por exemplo, foram necessários 38 anos para atingir aquele número de ouvintes. Já o telefone, depois de inventado, precisou de “apenas” 20 anos e a televisão de uns “poucos” 13 anos para conseguirem ter 50 milhões de utilizadores regulares. Os números mais recentes, contudo, impressionam mais. Para a internet bastaram quatro anos e mais recentemente todos os recordes foram batidos com o Facebook a precisar de três anos e meio e o Twitter de apenas três anos para serem utilizados por 50 milhões de almas. No entanto, nada disto é comparável aos 88 dias conseguidos pelo Google + para se espalhar pelo mundo e atingir o mesmo número de utilizadores.

Uma utilização maciça

Um estudo americano recente, desenvolvido pela Kaiser Family Foundation, revelou que as crianças e jovens americanos com idades entre os oito e os 18 anos utilizam aparelhos multimédia durante 7h38m por dia ! E esta evolução tem sido crescente, pois ao longo dos últimos anos a sua utilização tem vindo a aumentar, ao contrário da leitura de livros tradicionais que tem vindo a diminuir progressivamente. Muitos destes jovens possuem atualmente vários dispositivos multimédia, com destaque para os iPod/Mp3 seguidos de perto pelo telemóvel e pelo computador. O telemóvel tem vindo a disseminar-se e hoje cerca de um terço das crianças com menos de dez anos possui um. Esta percentagem sobe para perto dos 90 por cento quando falamos de adolescentes entre os 15 e os 18 anos. Ainda no mesmo estudo verificamos que apesar da profusão de instrumentos multimédia ao dispor dos jovens, e das preocupações levantadas por muitos pais, apenas um terço dos pais estabelece regras em relação à sua utilização, nomeadamente em relação ao tempo durante o qual podem utilizar cada dispositivo.

Um estudo semelhante realizado em Portugal revelou que praticamente 100 por cento dos lares portugueses possuem televisão e que em cerca de 90 por cento existe um computador. Mais importante, 60 por cento das crianças portuguesas têm uma televisão e 30 por cento um computador no quarto. No total, o tempo gasto por dia em multimédia pelas crianças e jovens portugueses ultrapassa as 5h30m. Estamos no caminho certo? Não parece…

As consequências são inevitáveis

Tudo isto tem consequências. As crianças comunicam cada vez menos umas com as outras de forma presencial e o seu relacionamento é feito muitas vezes à custa de símbolos como smiles, LOL ou polegares virados para cima. Em vez de darem a mão parece estarem ligadas por wi-fi. Mesmo quando em família, começam a ser raros os momentos passados em conjunto a conversar, a rir ou a passear ao ar livre. O computador e principalmente o telemóvel tomaram gradualmente conta de todo o tempo disponível. As refeições estão cada vez mais multimédia e numa mesa, para além dos pratos, talheres, copos e guardanapos, existem sempre espalhados diversos telemóveis. Mesmo na escola e nos recreios a maior parte das brincadeiras foi substituída pelo olhar mecânico para o pequeno ecrã e o teclar constante. Chegam a estar lado a lado mas a comunicar através das teclas. Infelizmente muitas vezes o exemplo é dado pelos próprios pais. No estudo americano que já referi verificou-se que estes passam por semana mais de 33 horas vidrados no ecrã. Que lindo exemplo. Como podem depois ter autoridade para impor limites?

Uma evolução plástica em resposta ao meio ambiente

O cérebro é um órgão maravilhoso. Ele é o cerne da consciência e controla a atividade de todo o corpo. O cérebro de um recém-nascido contém cerca de 100 biliões de células. Ao longo dos primeiros anos de vida o cérebro vai aumentando em tamanho mas o número de células mantem-se aproximadamente o mesmo. O seu tamanho final depende de muitos fatores incluindo aspetos genéticos, uma boa nutrição, a estimulação fornecida pelos seus pais e as experiências vividas pela criança.

 A principal característica das células cerebrais é a sua capacidade para se conectarem umas com as outras, estabelecendo circuitos que vão ser utilizados para as mais diversas funções. Uma única célula cerebral pode ligar-se a 15.000 outras células.

Aos três anos o cérebro de uma criança possui mais de mil triliões de ligações. Mas este número começa a diminuir a partir daí, pois apenas se vão manter para o resto da vida as ligações utilizadas e vão ser reprimidas as ligações não utilizadas ou inúteis. Isto confere ao cérebro humano uma enorme plasticidade e a capacidade de se desenvolver em resposta às exigências do ambiente. Esta maturação cerebral não ocorre toda ao mesmo tempo mas ao longo da vida durante os primeiros 18 a 20 anos. E ocorre para diferentes áreas do cérebro de forma sequencial. Sabemos por isso que existem períodos da vida onde a criança e jovem estão especialmente aptos a progredir na aquisição de determinadas funções. São as suas “janelas de oportunidade”.

É o caso da visão e da audição que estão especialmente ativas na sua maturação desde o nascimento e até aos cinco anos de idade, ou da linguagem que tem uma enorme capacidade de desenvolvimento do nascimento até aos dez anos. Já a destreza motora desenvolve-se principalmente até aos 12 anos.

 Por fim, o desenvolvimento das relações sociais e os aspetos emocionais das ligações humanas podem desenvolver-se desde o nascimento até aos 18 ou 20 anos. Ao longo de todo este processo sabemos que as áreas cerebrais que forem estimuladas pela experiência desenvolvem-se gradualmente enquanto que as áreas que não forem estimuladas caem em desuso e são “descontinuadas”. É uma forma de o cérebro humano canalizar a sua energia para estabelecer as relações entre as células e as vias que interessam, em detrimento daquelas que parecem menos utilizadas (e portanto inúteis).

Uma das últimas áreas a desenvolver-se é a zona do lobo frontal, que é responsável pelo controlo emocional, planeamento, julgamento e pensamento crítico. Estas áreas amadurecem principalmente durante a adolescência e até aos vinte anos. Isto permite explicar alguns dos comportamentos de risco da adolescência e ao mesmo tempo levantar suspeita de que os jovens que não utilizam estas áreas do cérebro durante a adolescência por estarem demasiadamente ocupados num mundo virtual virão a ser seguramente adultos diferentes daquele que foram os seus pais.

Multitasking – vantagem ou prejuízo?

O fenómeno multitasking, tão em voga atualmente, é por muitos considerado como uma enorme vantagem, por permitir que o jovem execute diversas funções ao mesmo tempo. A criança já não estuda simplesmente. Estuda ao mesmo tempo que ouve música, navega na internet e fala ao telefone. Mas esta suposta “vantagem” não o é na realidade. O cérebro tem pouca capacidade para efetuar diversas funções em simultâneo. Pelo contrário quando um jovem executa diversas atividades em simultâneo o que acontece na realidade é que o seu cérebro vai alternando por períodos muito curtos entre uma e outra função. E quanto maior o número de funções maior a dispersão cerebral entre todas elas, não conseguindo nunca concentra-se numa só. Daqui resulta um conhecimento muito alargado no que diz respeito aos tópicos envolvidos, mas muito pouco profundo quando analisado cada tópico em particular. É o célebre conhecimento “mile wide and inch deep”. Muito pouco de muita coisa.

Relacionamentos sociais:

quantos mais melhor?

Analisando diferentes espécies conseguimos perceber que a percentagem do seu cérebro ocupada com os aspetos sociais varia de espécie para espécie e que isso influencia o número de relacionamentos significativos que cada indivíduo consegue ter. Indivíduos de espécies animais com um cérebro maior, conseguem relacionar-se com um maior número de indivíduos da mesma espécie. Extrapolando para o tamanho do cérebro humano seria de esperar que qualquer um de nós conseguisse lidar, na nossa vida social, com 100 a 230 relacionamentos sociais significativos, sendo o valor médio esperado para a nossa espécie de 150. No entanto, verificamos que o número médio de relacionamentos Facebook entre os jovens é de 834. Mais social será provavelmente igual a menos social pois a maioria desses relacionamentos será tão superficial que em nada se distinguirá da não-existência.

Exercício físico e violência

Não parece haver uma relação inversa entre a utilização multimédia e a prática de exercício físico. Muitas crianças com uma utilização considerada alta de multimédia praticam bastante exercício, provavelmente porque durante a prática física estão a ouvir música através de algum dispositivo eletrónico. O sedentarismo não é explicado apenas pela utilização destes dispositivos, mas alguns poderão estar mais relacionados com a obesidade, como é o caso das consolas de jogos. Da mesma forma, a utilização de multimédia não torna aparentemente as crianças mais violentas. Enquanto as vendas de jogos considerados de “conteúdo violento” aumentam, o número de crimes violentos entre os jovens tem vindo a diminuir. Parece que os jovens conseguem distinguir com alguma coerência o mundo real do virtual ou conseguem “descarregar” o seu stresse e agressividade na consola de jogos, servindo como um escape para a violência no mundo real. Cada caso é um caso e cabe aos pais irem acompanhando o adolescente que têm em casa e estabelecerem as regras adequadas.

Nota final

Estudos demonstram que a utilização multimédia não é inocente. Canaliza a energia do jovem para o desenvolvimento de certas áreas cerebrais em detrimento de outras, em períodos sensíveis do desenvolvimento, tornando mais difícil que no futuro este seja capaz de reverter a situação.

Escola e satisfação pessoal

É aqui que existem os maiores problemas. Muitos estudos realizados nesta área demonstram que existe uma relação direta entre a utilização de aparelhos multimédia e os maus resultados escolares, provavelmente pelo efeito multitasking, em que a criança estuda agarrada aos seus vários dispositivos, de que resulta um défice de atenção em relação àquilo em que devia estar concentrada. A internet é mais utilizada para gozo do que para estudo e muitas vezes simultaneamente para os dois, com maus resultados.

Mais importante parece ser a relação encontrada entre a satisfação pessoal do jovem e o grau de atualização de aparelhos multimédia. Diversos estudos chegaram à conclusão que quanto maior a utilização dos elementos multimédia menor é o grau de satisfação do jovem com a sua vida e aqueles que o rodeiam. Os jovens com utilização alta de multimédia são, em média, mais ansiosos e mais dados a depressões que os restantes.

 

 

 

 

 

Crianças ainda precisam aprender a escrever à mão?

Agosto 14, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

texto do site http://zh.clicrbs.com.br/rs/ de 31 de julho de 2016.

Os estudos citados na notícia são os seguintes:

Relationships of Attention and Executive Functions to Oral Language, Reading, and Writing Skills and Systems in Middle Childhood and Early Adolescence

Handwriting in early childhood education: Current research and future implications

anna parini

Pesquisas mostram que formar letras manualmente é importante para o desenvolvimento do cérebro

Por: The New York Times

No mundo dos teclados, a antiquada caligrafia parece desnecessária. Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para… bem, aprender a escrever.

Existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro desenvolve ao formar letras no papel, sejam elas de forma ou cursivas. Em um artigo publicado este ano na revista científica The Journal of Learning Disabilities, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com a chamada “habilidade de função executiva” (como o planejamento, por exemplo) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem. Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo, contou que essa e outras pesquisas sugerem que “escrever à mão, formando letras, envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo publicado no The Journal of Early Childhood Literacy, Laura Dinehart, professora de Educação na Primeira Infância da Universidade Internacional da Flórida (EUA), discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem. As que têm dificuldades para escrever podem dedicar uma parte muito grande de sua atenção na produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Habilidade vai além do desenvolvimento motor

Mas realmente estimulamos o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos? Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que tinham boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

— Essa ideia de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora está errada. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento e o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas — afirma a professora da Universidade de Washington Virginia Berninger.

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede característica é ativada no cérebro quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas acreditam que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana (EUA), escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia.

— Seus cérebros não distinguiam as letras. Elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo — conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo regiões do órgão que os adultos usam para processar a linguagem escrita.

Escritores híbridos

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia Berninger cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta do quarto ano, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição de palavras e frases.

Para crianças pequenas, digitar palavras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados são menos propensos a lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Segundo Virginia, a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, e, então, atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

— É preciso ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação — afirma Virginia.

Pediatras alertam que esse pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças. Dominar a caligrafia é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

 

“O ingrediente mais importante para a formação de um cérebro saudável na infância é o carinho”

Março 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto do site http://revistacrescer.globo.com de 14 de março de 2016.

Jack Shonkoff, médico e pesquisador de desenvolvimento infantil em Harvard (EUA), é um dos entrevistados no filme brasileiro “O começo da vida”, que estreia em maio

Por Maria Clara Vieira

Quem já tem filhos adultos costuma aconselhar os novos pais e mães a aproveitar enquanto as crianças são pequenas, porque elas crescem rápido. Quando se trata de desenvolvimentoinfantil, o tempo passa mesmo muito depressa – e é por isso que os adultos devem se esforçar ao máximo para oferecer o seu melhor nos seis primeiros anos de vida da criança.

Isso não quer dizer que você tenha que comprar nada. Basta ser. Expresse todo o amor e carinho que você sente pelo seu filho, de diferentes formas: interação, conversas, canções, colo, toque, sorrisos e abraços – coisas que não custam nada, mas valem muito. Isso é fundamental para a criança crescer segura e saudável.

“A ciência nos diz que os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento do cérebro. As experiências que a criança tem durante a infância moldam a estrutura cerebral”, explica Jack Shonkoff, médico e pesquisador de desenvolvimento infantil em Harvard (EUA), em entrevista à CRESCER.

Shonkoff é um dos especialistas que fazem parte do filme O começo da vida, que estreia em maio nos cinemas brasileiros. O longa aborda justamente a importância do vínculo, do amor e do carinho durante a primeira infância.

“A arquitetura do cérebro é a base de todo o aprendizado e saúde que virão no futuro. Uma fundação fraca compromete a estrutura e a qualidade de uma casa. Do mesmo modo, experiências negativas durante a infância pode enfraquecer a estrutura cerebral e levar a efeitos desfavoráveis que duram até a vida adulta”, esclarece Shonkoff .

Por isso, ele reforça o quanto as interações com o bebê são importantes. “É o que chamamos de ‘bate-bola’: quando uma criança balbucia, gesticula ou chora, o adulto deve responder a isso com contato visual, conversas ou um abraço, por exemplo. Por meio desse tipo de relacionamento, as conexões neurais vão se construindo e se fortalecendo no cérebro da criança”, diz.

Assista aqui ao trailer do filme “O começo da vida”:

 

 

 

A leitura e a cultura no desenvolvimento cerebral

Fevereiro 25, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

texto do site http://www.ecodesenvolvimento.org  de 12 de fevereiro de 2016.

“As capacidades coletivas da nossa espécie, da humanidade como um todo, chegaram num ponto onde elas transcendem enormemente o que cada indivíduo é capaz de fazer. Então, eu posso colar em você o dia inteiro, te seguir todos os dias, o máximo que eu vou aprender é exatamente o que você sabe e não mais do que isso. A leitura abre esses horizontes.”

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira, fala sobre a relevância da leitura para o desenvolvimento cerebral.

Ela afirma que a leitura é o exercício mental que envolve mais áreas do cérebro e adiciona outro elemento que considera importante: a transmissão cultural pode se dar diretamente, quando aprendemos com alguma pessoa próxima de nós, ou indiretamente, como no caso da leitura, que expande as possibilidades de conhecimento, permitindo que um indivíduo aprenda sobre universos distantes.

A neurocientista foi conferencista do projeto Fronteiras do Pensamento 2015.

Assista o vídeo abaixo:

 

“Crianças abandonadas têm cérebros mais pequenos e perdem massa cinzenta para sempre”

Fevereiro 19, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Entrevista do Observador a Charles Nelson no dia 29 de janeiro de 2016.

crianças

Rita Ferreira

O cérebro das crianças abandonadas perde massa cinzenta para sempre, comprometendo o seu futuro. Pais que pressionam demais os filhos também causam problemas. Charles Nelson, neurocientista, explica.

Charles Nelson é professor de pediatria na Universidade de Harvard e durante anos estudou o desenvolvimento do cérebro de crianças sujeitas a condições extremas, como o abandono e os maus tratos. As conclusões a que chegou são surpreendentes. Estas crianças, quando não são retiradas desses ambientes num curto espaço de tempo — até aos dois anos — sofrem danos irreversíveis no cérebro. Perdem massa cinzenta e o seu Quociente de Inteligência não ultrapassará os 60/ 70.

Ficar numa instituição também não é uma boa solução. Para Charles Nelson não há dúvidas: uma família de um pai, uma mãe, dois pais, duas mães ou um pai e uma mãe é sempre melhor do que uma instituição, por melhor que essa instituição seja.

Mas e nas famílias “normais”? Podemos estimular o cérebro de uma criança para que ele se desenvolva mais? E até que ponto é que puxar demasiado pelos filhos pode ser prejudicial?

Charles Nelson esteve em Portugal para participar na conferência Love Synapses, organizada pela Fundação Brazelton/ Gomes Pedro e o Observador falou com ele.

charles

– Qual é o objecto do seu estudo?

Estudo o desenvolvimento do cérebro em bebés e crianças e o que lhes acontece quando passam por coisas más. Durante 15 anos estudei bebés, que hoje são adolescentes, que foram abandonados em crianças e tiveram de ser criados em instituições públicas, em orfanatos. Estudei crianças de um bairro de lata no Bangladesh, que são expostas a todo o tipo de coisas horríveis. Estudei crianças no Brasil que crescem em bairros com elevados níveis de violência. Estudo coisas terríveis.

– E que a que conclusões chegou?

A conclusão não surpreendente é que as más experiências, que acontecem cedo na vida das crianças, podem ter um impacto no desenvolvimento. Depois, durante o que chamamos de período crítico, o cérebro precisa de experiências que ocorram em alturas específicas para que se consiga desenvolver de forma normal. Quando se falham essas janelas temporais, o desenvolvimento da criança atrasa­-se. Para uma criança aprender a falar, tem que ouvir uma linguagem numa determinada altura. Se quiser que ela desenvolva a visão, tem que ser exposta ao mundo visual. A parte surpreendente é o quão regulados são estes períodos temporais. É fácil falhar uma oportunidade.

– Não há tempo para esperar…

Vamos usar os Estados Unidos como exemplo. As crianças que crescem num lar onde são sujeitas a maus tratos, onde os pais lhes batem ou as negligenciam, o que muitas vezes acontece é que os casos não chegam ao conhecimento das autoridades ou, quando chegam, demora-­se muito tempo até retirar a criança desse lar. Nessa altura, o desenvolvimento do cérebro já foi, possivelmente, alterado permanentemente. Essas são algumas das conclusões. Ao outro problema chamamos de “resgatar o período crítico”. Por exemplo, vejo que os seus olhos são perfeitamente alinhados, mas quando vemos bebés com os olhos tortos ou com os olhos a deambularem no campo de visão, esses problemas têm que ser tratados durante os primeiros dois anos de vida. De outro modo, ficarão com problemas permanentes na visão.

Em Itália e noutros sítios, alguns trabalhos recentes sugerem que poderá haver tratamentos, em idade adulta, para este tipo de problemas. Mas são experimentais e não estão prontos para serem consumidos. Agora pense nos milhões de crianças no mundo, a quem acontecerem coisas más. Tipicamente, se não intervimos nos primeiros anos, os efeitos podem ser permanentes. Mas há estudos recentes, na área da neurociência, que fizeram a sugestão entusiasmante de que poderão ser desenvolvimentos tratamentos para resolver estes problemas em idade adulta. Um estudo publicado esta semana estimou que um milhar de milhão de crianças é todos os dias exposta a violência. Ou seja, um quarto das crianças do mundo, até aos 17 anos.

Além disto, temos 100 milhões de orfãos e oito milhões que vivem em orfanatos e instituições. Uma enorme quantidade de miúdos estão expostos a isto. É um grande problema de saúde pública.

– Descobriu o que acontece ao cérebro das crianças quando são expostas a este tipo de experiências?

Entre as muitas coisas más que podem acontecer ao cérebro numa fase inicial da vida, a pior é negligenciá-­lo. Vou fazer uma analogia com os computadores. O cérebro infantil não sabe estabelecer ligações e está à espera de receber um conjunto de instruções, de códigos que digam, faz isto, e isto e aquilo. Quando não o recebe, desmorona-­se, não sabe como funcionar. Num estudo que fizemos na Roménia, observámos que a atividade elétrica do cérebro é muito menor em crianças que estavam em orfanatos, em comparação com as que não estavam. Se as retirarmos de uma má instituição e as pusermos numa boa família, a atividade cerebral fica normalizada, embora isto tenha que ser feito até aos dois anos de idade. Depois realizámos ressonâncias magnéticas aos cérebros dessas crianças, entre os 8 e os 10 anos, e descobrimos que as crianças que estavam numa instituição tinham cérebros mais pequenos, com menor quantidade de massas cinzenta e branca.

A massa branca, que é a que carrega os impulsos elétricos, contudo, aumentava um pouco se essas crianças fossem retiradas das instituições e colocadas numa família de acolhimento. A massa cinzenta, contudo, não apresentou qualquer melhoria. E isso pode significar que tenham perdido células ou as ligações entre elas. e esse efeito pode ser permanente. Quando nascemos temos demasiadas células e demasiadas ligações e começamos a seleccioná-las (deitamos fora as que não interessam e investimos nas que são importantes). E o que pensamos que acontece nestes casos é que o cérebro descarta ligações e células em demasia, porque vimos que as instruções sobre o que fazer não estavam lá. Estes efeitos são muito sérios, porque, se forem permanentes, provavelmente não haverá tratamento para os reverter.

– Mas quais são as consequências concretas que isso terá na vida dessas crianças?

Funcionalmente, serão crianças com um QI entre os 60 e os 70 [segundo a classificação de Wechsler, o valor da inteligência média é entre 90 e 109, mas estes valores são controversos]. Terão problemas em termos de elevadas funções cognitivas. Por exemplo, estamos a ter uma discussão em que ambos achamos que temos razão. Se eu tiver muita flexibilidade cognitiva, vou mudar de ideias se, com o tempo, você apresentar um argumento melhor. Mas se não tiver essa flexibilidade, isso não acontecerá. Estas funções são prejudicadas, a memória fica reduzida, a linguagem é afetada e a capacidade de termos relações fica devastada. A nossa capacidade de termos relações adultas está ligada às relações que os bebés constroem cedo na vida com o pai ou com a mãe. E não se trata de relacionamentos íntimos, mas de relações sociais.

Resumindo, se estas crianças têm QI’s reduzidos, má memória, má capacidade de planeamento, más capacidades linguísticas e reduzida aptidão de planeamento, como se vão tornar membros da sociedade? Portanto, a preocupação é que os eventos tóxicos que acontecem numa fase prematura da vida também podem ter um enorme impacto económico, porque estas crianças não estarão preparadas para serem pessoas que contribuam para a sociedade.

– Os seus estudos centram-­se em casos extremos, mas pode isto ser aplicado a famílias e crianças ditas normais? Algumas das maiores discussões entre pais focam­-se entre deixar o bebé experimentar por ele próprio ou obrigá­-lo, por exemplo, a ter uma rotina de sono. Ninguém costuma pensar nisto como algo tóxico ou extremo. A neurociência estuda este tipo de eventos, mais quotidianos?

Nem por isso e a razão é que a maioria das pessoas foca­-se nos eventos extremos, como a pobreza ou o stress. As crianças que vivem e são criadas em famílias com lares normais serão membros normais da sociedade, a não ser que sofram de uma doença mental grave ou de uma deficiência física debilitante. Durante muitos anos, até provavelmente há 15 ou 20 anos, grande parte do foco estava em crianças normais, que não estavam expostas a ambientes adversos. Descobrimos diferenças individuais que afetam os resultados. Como o temperamento, por exemplo. 15% dos bebés são muito tímidos e a maioria continua a sê-­lo em idade adulta. Isso pode ser muito debilitante. Se os virmos numa sala de aula, são aqueles que se sentam a um canto e não interagem com as outras crianças.

Se esses miúdos forem educados num lar onde os pais não os pressionem, os apoiem e entendam os momentos pelos quais eles estão a passar, eles vão, gradualmente, dessensibilizar­-se. Mas, num lar diferente, a mesma criança poderá enfrentar os pais e desafiá-­los. O meu filho, por exemplo, jogou futebol e hóquei durante muitos anos. Ia aos jogos e estavam lá pais inacreditáveis, a gritarem aos filhos de seis anos e a chamar-­lhes nomes por falharem um golo. Essas crianças correm o risco de ter problemas psicológicos, embora ainda estejam dentro dos limites. Podem crescer a odiar o pai, mas não terão um QI de 60 ou um cérebro mais pequeno.

–  Com base nas conclusões dos seus estudos, será que é possível enriquecer as atividades cerebrais das crianças?

Ah, já parece os pais dos meus alunos em Harvard. Quer inventar a super criança. Bem [pára uns segundos para pensar], vamos pensar em habilidade cognitiva, na inteligência. Não sabemos qual é a contribuição que os genes e a educação dos pais têm nesse campo. Digamos que um pai quer que o filho vá para a melhor universidade do mundo, se torne no Steve Jobs e vá liderar a Apple. Sabemos que os pais que pressionam muito os filhos podem criar crianças com muitos problemas. Está a perguntar se há maneira de os incentivar sem criar problemas. A resposta é sim, se isso for feito dentro dos limites do que a criança é capaz de fazer. Se o seu QI estiver nos valores normais, não é possível que cresça até ao 180. Se a criança nascer com o potencial de ter um QI de 130, é capaz de conseguir puxá-­lo até aos 150, com certas experiências. Mas há um limite. Mas agora deixe-­me perguntar­lhe: o que queria dizer com enriquecer?

– Não estava a falar em pressiona­-las demasiado, mas de criar um meio termo.

E não é isso que a maioria dos pais faz? Não queremos que o pêndulo baloice muito. O que me preocupa é o lado extremo, que é muito perigoso. Nos EUA, há pais que pensam que, a não ser que o filho frequente o jardim de infância certo, quando têm três ou quatro anos, não conseguirá entrar na universidade certa. Pensam que isso determina o futuro universitário, 15 anos depois. Há pais que querem ensinar crianças de três anos a ler. Se mostrarem interesse, há que encorajá-­las, claro, mas não podemos forçá-­las pela goela abaixo.

– Em que ponto é que isso se torna um problema?

O que um bom pai faz é ler a criança. Se deteta sinais de que o facto de puxar pelo filho lhe está a causar stress, ou ansiedade, ou angústia, então deve recuar. Se o pai puxa pelo filho e a criança responde bem, está tudo ok.

– Mas se um pai está no extremo de puxar muito pelo filho, como é que consegue reparar nisso? Porque pode sempre pensar: “Ok, ele não gosta disto, mas é para o bem dele, um dia vai percebê-­lo, quando tiver sucesso”.

O exemplo clássico é a música. A maioria das crianças que começam com aulas de música muito cedo odeiam praticar. Os pais obrigam­-nas a praticar, mas se falar com a maioria dos músicos profissionais, eles vão agradecer aos pais por os terem obrigado a treinar, apesar de, naquele tempo, ser uma fonte de discussão. Mas uma coisa é dizer que se tem de praticar, outra é dizer que é um menino feio ou estúpido se não praticar. Essa é a linha da qual estamos a falar. Não há problema em puxar pelas crianças, desde que saibamos o ponto em que temos de recuar. No caso dos pais que não sabem, que não conseguem captar os sinais, os filhos terão problemas.

– Que tipo de problemas?

São problemas que terão tendência a aparecer cedo, mas persistirão no tempo, no caso de os pais continuarem a insistir. A ansiedade será o primeiro, seguido da depressão. Depende do que os pais fizerem à criança,­­ se apenas a pressionam ou se é um abuso verbal ou emocional. Se forem exigentes, mas estiverem a pensar nos interesses da criança, é diferente dos momentos em que os pais quebram a tal linha limite. A questão está nos pais, nos que nunca foram muito bem sucedidos e querem à força que o filho tenha sucesso. Estão a viver através da criança, aí é que surgem os problemas.

– Porque se foca mais nos extremos e não estuda tanto isto?

Primeiro, porque um neurocientista olha para casos extremos esses casos e, em segundo, porque estou mais preocupado nos milhões de crianças que não têm hipótese nenhuma na vida, ao invés das crianças que apenas têm pais que os pressionam.

“Sou contra a institucionalização de crianças em quase todos os casos”

– Pode aplicar as conclusões a que chegou, relativas às crianças em situações limite, às políticas de adoção e de famílias de acolhimento? Acha que algo tem de mudar?

Sim, já falei com muitos advogados sobre isto. Têm de prestar atenção aos períodos críticos. Muitas vezes, a justiça demora demasiado tempo a tomar uma decisão sobre o futuro da criança. Insiste em dar segundas hipóteses aos pais e a inseri­-los em programas, sem se aperceberem que os danos causados se vão acumulando e podem ser irreversíveis. Depois, há que treinar os assistentes sociais para reconhecerem problemas e intervirem mais cedo. A lei tem de mudar.

Já usei Portugal como exemplo. Portugal tem muitas crianças a crescerem em instituições, o que não é bom. Por isso, têm de arranjar alternativas aos cuidado dos orfanatos. Mas se um pai abandona um bebé, então o que temos de fazer é encontrar uma solução permanente. Uma família de acolhimento é algo temporário, por isso será que podemos colocá-­los para adoção, a nível interno ou internacional? O importante é não as deixar em instituição ou orfanatos.

– Nem em instituições que sejam consideradas boas?

Não. Confesso, sou contra a solução da instituicionalização em quase todos os casos. Mas não sou ingénuo. Se pensar no Médio Oriente , no Afeganistão e no Iraque, por exemplo,­­ ou em África, haverá órfãos em qualquer local onde haja um cenário de guerra ou doença. Nem sempre é razoável dizer que oito mil crianças cujos pais morreram com o ébola vão ser adotadas. Como uma solução a curto ­prazo, uma instituição pode ser uma solução, mas apenas durante alguns meses, caso se tratarem de bebés. Se forem crianças ou adolescentes, os casos mudam. Se tiverem 15 anos, o efeito de ir para um orfanato não se compara ao que um bebé de um ano sentirá.

– Então acha que, na maioria dos países europeus, nenhuma criança deveria chegar a um orfanato?

Sem dúvida. Parece surpreendida…

– É que às vezes pensamos nas instituições e reconhecemos que, mesmo sem terem lá os pais, as crianças não sofrem de violência ou de maus­tratos, portanto, o que falta?

Várias coisas. Lá não há realmente um adulto que invista nas crianças. Estão lá porque são pagos para estar a tomar conta delas. Depois há turnos, por isso várias pessoas poderão tratar da mesma criança. E devido ao rácio de crianças, um adulto pode, ao mesmo tempo, ter de cuidar de dez crianças, o que privará a criança da atenção individualizada que teria se estivesse com uma família. Já estive em boas instituições, e o bom aqui significa que tinham um melhor rácio entre crianças e funcionários ­­— talvez de cinco para um. Mas a criança sente sempre uma sensação de abandono.

– A partir de que idade começa a senti­-lo?

Depende. Se tiverem sido abandonados à nascença, quanto tiverem poucos anos de idade percebem que estão ali por não terem pais. Mas se lá chegarem já com alguma idade, percebem imediatamente o que aconteceu.

– E se tiverem dois anos?

Essa é a altura mais difícil. Vão perceber que algo lhes foi retirado, mas sem compreenderem exatamente o quê. Talvez consigam formar um novo laço, mas esse é o problema das instituições. Imaginemos que tenho dois anos, os meus pais morrem e chego a um orfanato. A quem me afeiçoo? Com quem formo uma ligação? Preciso de uma pessoa que se chegue à frente e, realmente, tome conta de mim. Mas essa pessoa irá sempre para casa ao final do dia, ter com a sua família. Por isso, quem cuidará de mim?

– Isso tem implicações no desenvolvimento do cerébro.

Enormes. A primeira está na capacidade em criar relacionamentos. Temos de pensar que, a partir do momento em que afeta o comportamento, o cérebro já está afetado. O que não sabemos é o que acontece ao cérebro de crianças que estão em boas instituições e que lá chegam com dois anos, em vez de bebés. Estamos a pensar fazer estudos em outras partes do mundo para abordar esta questão. A única forma de aproximar uma instituição de uma família é ter adultos que lá estejam 24 horas por dia, como se faz em alguns locais em África. Se lá estiverem assim, todos os dias da semana, parece uma família.

– Uma família numerosa…

Há adultos que têm um papel permanente na vida de uma criança. Muitas vezes perguntam-­me isto: crescer numa família com oito ou nove irmãos não será o mesmo que estar num orfanato? Porque, nesses casos, o mais novo recebe a atenção dos mais velhos, mesmo que os pais estejam lá sempre, pois não conseguem prestar a mesma atenção a dois miúdos ou a dez. Mas não deixam de ser os pais.

– Há alguma solução para isto?

Não sei, mas gostaria de saber, por isso é que tento trabalhar com a UNICEF, para ir a locais diferentes e tentar coisas diferentes. O meu problema é que sei qual é o problema, mas desconheço a solução. É irritante ouvir pessoas a criticar os problemas e, depois, quando perguntos por soluções, elas dizem que não sabem. Na Serra Leoa, onde o vírus do ébola mais atacou, houve milhares de crianças que ficaram sem pais. E o pior foi que ninguém se aproximou dessas crianças, por pensarem que estavam infetadas. As pessoas usavam aqueles fatos de proteção para irem ter com as crianças, o que era assustador. Nessa situação, que é extrema, porque não se colocaram as crianças com famílias em vez de instituições? Mesmo que não fosse uma solução permanente, ao menos era similar ao ambiente ao qual estavam habituadas.

A solução será convencer mais famílias a acolherem crianças, nem que seja temporariamente. Outra solução poderia ser dá­-las para adoção, embora isso exija maiores cuidados, em termos de investigação dos pais que acolhem as crianças, porque há muitas pessoas com ideias perigosas, como o tráfico sexual.

– Quando disse que os cuidados de assistência social deviam estar mais atentos aos problemas das crianças, que problemas são esses?

Portugal, por exemplo, terá de ter uma economia muito forte para fazer isto. Penso que qualquer grávida deveria ter uma enfermeira que a acompanhasse durante a gravidez, e ela estaria treinada para detetar certos sinais. Dever­-se-­ia procurar sinais na mãe. Se era ou não, uma gravidez desejada, se a mãe está deprimida, se está ressentida por ter um bebé e o considera como a causa dos seus problemas. Ou podem procurar sinais que indiquem apenas que a mãe precisa de ser educada a ser mãe, a cuidar do bebé. Não existe um manual de instruções que ensine como ser pai. Alguns apenas precisam de ajuda. Não estou a falar de uma ajuda diária, mas apenas de algumas visitas durante a gravidez e outras tantas após o nascimento.

Hoje não o fazemos, em todo o mundo, porque assumimos que temos o direito individual de cuidarmos do nosso filho da maneira que entendermos. Não creio que essa seja a abordagem correta. Acho que temos a obrigação, enquanto sociedade, de cuidarmos das nossas crianças.

“O cérebro desenvolver-se-á sempre melhor num ambiente familiar, seja com heterossexuais, seja com um casal gay”

– Em Portugal, o Presidente da República vetou recentemente um projeto de lei para a adoção por casais do mesmo sexo. O argumento das pessoas que são contra este tipo de adoção alegam os interesses da criança, dizendo que ela ficará melhor numa instituição do que numa família onde não tenha um pai e uma mãe de sexos diferentes.

Existem sólidas provas e estudos científicos de crianças que crescem em famílias homossexuais. São tão saudáveis como crianças que cresceram em famílias heterossexuais e crescer numa família gay não tem qualquer impacto na orientação sexual da criança. Por isso, é muito melhor para uma criança estar numa casa com apenas um pai ou uma mãe, ou com pais homossexuais, do que estar num orfanato. De longe. Não votaria nesse homem agora.

– Portanto, e tendo em conta esses estudos, a conclusão é que o cérebro se desenvolverá sempre melhor se estiver no meio de um ambiente familiar?

Sempre. Mesmo se os pais forem gays.

 

 

As negativas consequências da pobreza para o cérebro de crianças

Fevereiro 3, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Texto do site http://brasileiros.com.br de 18 de janeiro de 2016.

Pesquisa publicada no “Journal of Psychiatry” mostra que a pobreza altera a forma como algumas regiões do órgão se comunicam -e elas nem sempre voltam ao normal.

Crescer em meio a pobreza tem uma série de consequências negativas que ultrapassam as necessidades financeiras, afirmam pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Segundo os cientistas, além de todas as dificuldades, essas crianças terão alteradas as conexões de algumas regiões do cérebro e, por isso, poderão ter menos capacidade de regular emoções e estresse futuramente. A pesquisa com o achado foi publicada no dia 15 de janeiro na edição on-line do Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores analisaram a imagem do cérebro de 104 crianças de 7 a 12 anos e descobriram que as estruturas-chave do órgão estão conectadas de forma diferente em crianças pobres, quando comparadas com indivíduos que cresceram em ambientes mais abastados.

Uma estrutura em particular analisada foi o hipocampo, região responsável pelo processamento da aprendizagem, memória e regulação do estresse. Também a amígdala, área também ligada ao estresse e a emoções, tiveram suas conexões analisadas.

Por meio de exames de ressonância, os pesquisadores perceberam que as conexões dessas áreas com outras do cérebro são mais fracas, dependendo do grau de pobreza a que a criança foi exposta. Quanto mais pobre a família, maior a probabilidade do hipocampo e a amígdala se conectarem a outras estruturas do cérebro dessa maneira.

ingimage

Além disso, crianças pré-escolares mais pobres eram muito mais propensas a ter sintomas de depressão clínica quando atingiram a idade escolar (em torno de 9 e 10 anos).

“Neste estudo, verificou-se que o modo como essas estruturas se conectam com o resto do cérebro muda de maneira que consideraríamos ser menos útil na regulação da emoção e estresse”, disse Deanna M. Barch, professora da Universidade de Washington e primeira autora do estudo.

Uma pesquisa anterior do mesmo grupo de pesquisadores identificou diferenças no volume de matéria cinzenta e matéria branca, e do tamanho e volume do hipocampo e amígdala. Mas eles também descobriram que muitas dessas mudanças podem ser superadas através de carinho dos pais. Isso não é verdade, no entanto, em relação a mudanças na conectividade identificados no novo estudo.

Maior probabilidade para doenças psiquiátricas

“A pobreza é um dos preditores mais poderosos de maus resultados de desenvolvimento para as crianças”, disse Joan L. Luby, professor de psiquiatria infantil da Universidade de Washington e também autor do estudo.

Crianças criadas em condições de pobreza tendem a ter maus resultados educacionais e estão em maior risco para doenças psiquiátricas, como depressão e comportamentos antissociais.

Pesquisadores acreditam que fatores como estresse, exposições ambientais adversas (como fumaça de cigarro e má nutrição) – juntamente com oportunidades educacionais limitadas, podem contribuir para problemas mais tarde na vida.

“Esse estudo é importante porque chama a atenção em como as experiências adversas no início da vida estão influenciando o desenvolvimento e função do cérebro”, diz. “Não podemos esperar para intervir e precisamos fazer isso o mais cedo possível para ajudar essas crianças a ter melhores trajetórias de desenvolvimento em suas vidas.”

Referências

BARCH, Deanna. PAGLIACCIO, David et al.”Effect of Hippocampal and Amygdala Connectivity on the Relationship Between Preschool Poverty and School-Age Depression” em The American Journal of Psychiatry. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1176/appi.ajp.2015.15081014. Acesso em: 17 de janeiro de 2016.

 

 

 

Falta de mimo causa “cérebros mais pequenos” nas crianças

Janeiro 29, 2016 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da TVI24 de 29 de janeiro de 2016.

visualizar o vídeo da notícia no link:

http://www.tvi24.iol.pt/videos/sociedade/falta-de-mimo-causa-cerebros-mais-pequenos-nas-criancas/56aa19970cf21a5b7b001f19

tvi

Crianças que são institucionalizadas antes dos dois anos perdem ligações cerebrais. O mesmo pode acontecer com as crianças vítimas de maus-tratos. Falta de afeto prejudica a arquitetura cerebral de forma irreversível. Conclusões de uma conferência que reuniu especialistas do desenvolvimento da criança.

 

Infância difícil altera formação cerebral

Outubro 12, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do Expresso de 26 de setembro de 2015.

Os estudos citados na notícia são os seguintes:

Effect of Early Adversity and Childhood Internalizing Symptoms on Brain Structure in Young Men

Neural Correlates of Face Familiarity in Institutionally Reared Children With Distinctive, Atypical Social Behavior

clicar na imagem

expresso_cortado

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.