Introdução ao Estudo Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal – publicação digital

Outubro 4, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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https://www.ffms.pt/publicacoes/grupo-estudos/1700/desigualdade-do-rendimento-e-pobreza-em-Portugal

Este estudo contribui para esclarecer as principais alterações ocorridas na distribuição do rendimento e nas condições de vida dos portugueses ao longo do período de vigência do programa de ajustamento, procurando responder às seguintes questões:

 

  • Quais as consequências da profunda crise económica que Portugal enfrentou/enfrenta nos rendimentos dos diferentes grupos da população? Verificou-se um empobrecimento da classe média ou uma redução generalizada dos rendimentos familiares?

 

  • Qual o impacto das políticas de austeridade sobre os rendimentos familiares nos diferentes escalões de rendimento? Os mais pobres foram efectivamente poupados às políticas mais agressivas de redução/ contenção dos rendimentos? As famílias com maiores rendimentos foram as mais penalizadas pelas políticas adoptadas?

 

  • Quais os efeitos, sobre os diferentes grupos sociais, das alterações introduzidas nas políticas sociais? A contracção das políticas sociais, tanto na sua abrangência como nos montantes atribuídos, alterou significativamente as condições de vida das famílias mais pobres?

 

  • Quais as consequências do agravamento do desemprego e das mudanças introduzidas na legislação laboral na distribuição dos salários? O que se alterou na desigualdade salarial?

 

  • Comparativamente a outros países da UE e, em particular, da Zona Euro, as políticas nacionais para contrariar os efeitos da crise económica foram mal ou bem-sucedidas? Quais foram os seus custos económicos e sociais?

Com este estudo pretende-se uma avaliação rigorosa, e tão aprofundada quanto a informação estatística disponível o permite, das consequências sociais de uma das mais profundas crises que Portugal atravessou nas últimas décadas; e uma análise, sempre que possível, das medidas implementadas pelas autoridades públicas para lhes fazer frente.

Cada vez mais pais deixam de poder pagar pensões de alimentos aos filhos

Novembro 12, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 8 de novembro de 2014.

paulo pimenta

Natália Faria

Até ao final de Outubro, havia já 18.382 menores cujas pensões de alimentos passaram a ser pagas pelo Estado. É um aumento de 16,2%, em comparação com 2013. O desemprego surge como a principal explicação.

Os pais ficam desempregados, deixam de pagar as pensões aos filhos. “Se não têm meios – nem casas nem carros – para penhorar, a única hipótese para as crianças não passarem fome é o Fundo de Garantia”, desabafa a juíza Armanda Gonçalves que, até Abril, presidia ao Tribunal de Família e Menores do Porto. “Uma percentagem significativa das decisões que ‘dava’ por dia era no sentido de accionar o fundo, porque cada vez apareciam mais pais desempregados em situação de incumprimento”, recorda.

De então para cá, a situação agravou-se. Com o desemprego a subir, os tribunais de todo o país chamam cada vez mais o Estado a substituir-se aos pais no pagamento da pensão de alimentos aos filhos, através do Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores (FGADM). Até 31 de Outubro, o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social estava a pagar pensão de alimentos a 18.382 menores, mais 16,2% do que no final de 2013. Ao todo, e até àquela data, o Estado já tinha gastado 25,8 milhões de euros com esta prestação.

Esta prestação, em dinheiro, é paga mensalmente pelo Estado para assegurar que, num cenário de divórcio ou separação do casal, as crianças e jovens não fiquem sem pensão de alimentos quando o progenitor que está obrigado a atribuí-la por ordem do tribunal deixa de o fazer por incapacidade económica. “O fundo pode ser suscitado apenas quando se revela impossível cobrar essa prestação ao progenitor faltoso, ou seja, quando este não possui salário, rendas, subsídios ou bens que possam ser executados”, explica Júlio Barbosa, procurador-adjunto na comarca de Coimbra.

Outro dos requisitos é que o rendimento do agregado em que o menor está inserido não ultrapasse os 419,22 euros – o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) – por cada um dos elementos, sendo que “o requerente vale por um, os menores por 0,5 e os maiores por 0,7”, explicita o juiz António José Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, para concluir: “Basta que o progenitor que tem a guarda da criança tenha um ‘ordenadito’ um bocadinho melhor, uns 650 euros, para ficar de fora”. Só famílias muito pobres, portanto, podem aceder ao fundo. E não se pense que este fundo pode estar a ser usado para compensar os progenitores que simplesmente fogem às suas responsabilidades. “Os tribunais não prestam alimentos para substituir pais que simplesmente desaparecem do mapa”, precisa António José Fialho. Mesmo assim, e apesar de todos os anos nasceram menos bebés, Júlio Barbosa confirma que “neste período de crise, as solicitações têm aumentado”.

Os números mostram efectivamente que, tal como no desemprego, na emigração e na pobreza, o crescimento tem sido sustentado. Em 2010, o Estado gastou 23,1 milhões de euros no pagamento das pensões de alimentos a 13.553 crianças e jovens cujos pais estavam impossibilitados de o fazer. Em 2013, a despesa chegou aos 27,4 milhões. Este ano, até ao final de Outubro, o Estado tinha gastado já 25,8 de um orçamento global de 32 milhões. Para 2015, a dotação orçamental voltou a aumentar. Para os 36 milhões de euros. Nestes cinco anos, os gastos do Estado com os progenitores que deixaram de pagar as pensões de alimentos aumentaram 56%.

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Processo moroso

Mas há problemas que persistem. “Os relatórios que os tribunais pedem sobre a situação do progenitor que tem a guarda da criança, geralmente a mãe, demoram muito, nunca menos de seis meses. E, depois da sentença judicial, o pagamento da primeira prestação também costuma demorar seis meses”, alerta a juíza Armanda Gonçalves. Para contornar previsíveis demoras, e dadas as crescentes solicitações, o juiz António José Fialho encontrou atalhos. “Na fase da fixação, dispenso relatórios, e faço a análise da situação económica do agregado por verificação da condição de recursos”, revela. Mesmo assim, desde a decisão judicial até ao pagamento da primeira prestação, “podem decorrer entre seis a sete meses, dependendo do centro distrital da Segurança Social”, acrescenta.

Ao PÚBLICO, fonte do Ministério da Segurança Social sustentou que os atrasos chegaram a ser de 18 meses e foram entretanto substancialmente reduzidos “por via do reforço das equipas e dos meios informáticos”.

Dúvidas quanto ao valor

Para os atrasos no pagamento da primeira prestação podem concorrer também os recursos da Segurança Social contra as decisões dos juízes de primeira instância que fixam a obrigatoriedade de pagamento de uma pensão superior àquela que era devida pelo pai. E aqui há jurisprudência para todos os gostos. “Os tribunais não têm sido unívocos nas suas decisões: há quem entenda que os juízes não podem impor ao fundo uma quantia superior àquela que o pai estava obrigado a pagar e há quem entenda que sim”, situa Júlio Barbosa, para quem “os argumentos são bons de ambos os lados”. Ou seja, “é relativamente fácil comprovar que as necessidades das crianças são superiores às pensões que os pais pagavam”, mas, por outro lado, “é preciso não esvaziar o fundo”.

Quando estava à frente do Tribunal de Família e Menores do Porto, Armanda Gonçalves tendia a manter o valor da pensão a que o pai estava obrigado. “Por causa do direito de sub-rogação”, sustenta, ou seja, da possibilidade de a Segurança Social reivindicar o reembolso dos montantes assim que o progenitor volte a estar em condições de pagar a pensão. “Se assim é, o fundo também não deve poder exigir mais do que aquilo que o pai estava obrigado a pagar pelo tribunal e cujo montante já tinha atendido à sua situação financeira”, advoga. No Tribunal de Família e Menores do Barreiro, o juiz António José Fialho tem optado por um meio-termo: “Imagine um pai que ficou obrigado em 2004 ao pagamento de uma pensão de 50 euros e só agora entrou em incumprimento. Se as circunstâncias o justificarem, fixo um valor acima, mas justifico-o com a inflacção. Até agora, tive um único recurso da Segurança Social”.

Penhoras a pais faltosos aumentaram 91% em três anos

À semelhança do que se passou com outras prestações sociais, em 2013 o acesso ao fundo ficou mais restrito. O limite de rendimentos do agregado a partir do qual o menor deixa de ter direito a este apoio baixou dos 485 euros do salário mínimo nacional para os 419,22 euros do IAS. “Prevê-se que muitas crianças carenciadas possam ficar sem a pensão de alimentos que recebem através deste fundo do Estado”, alertava recentemente o Comité Português para a UNICEF. “Tivemos algumas situações de exclusão daqueles casos que estavam no limite. Uma mãe ou um pai com um filho e um ordenado de 700 e tal euros tinha direito a recorrer ao fundo quando o tecto era de 485 euros, mas deixou de ter quando se passou para o IAS. Aí baixou para os 600 euros e qualquer coisa”, confirma António José Fialho.

A exclusão destas famílias não aliviou a carga dos tribunais. O que fez foi aumentar as acções executivas por incumprimento da prestação de alimentos. Em três anos, as penhoras a progenitores faltosos aumentaram 91%. Em 2013, houve 1839 acções executivas contra progenitores faltosos. No ano anterior, tinha havido 1200, contra as 1130 de 2011 e as 959 de 2010. “Quando um agregado tem um rendimento que não permite accionar o fundo, a única maneira de fazer face à falta do progenitor que não paga alimentos é a executiva”, explica o procurador Júlio Barbosa.

“Seria injusto que o fundo fosse accionado quando a mãe pode sustentar a criança, mas, mesmo que esta receba um vencimento superior, o pai não fica desobrigado de pagar”, acrescenta. Aqui, a insolvência, o desemprego, o aumento do custo de vida, a existência de outros filhos menores na nova família que entretanto formaram são os argumentos dos progenitores que deixam de pagar a pensão de alimentos.  E nos casos em que a via executiva não resolve o problema, desde 2008 que os faltosos arriscam uma pena de prisão que pode ir até aos dois anos. “Era muito comum haver pais que se punham em situação de não ter de pagar alimentos, por exemplo, despedindo-se formalmente, apesar de continuarem a trabalhar”, recorda Júlio Barbosa.

Segundo o procurador, “a via penal é muito eficaz para se conseguir aquilo que não se conseguia pela via executiva, isto é, os acordos para o pagamento em prestações das pensões já vencidas fazem-se hoje à boca do julgamento”.

 

 

UNICEF preocupada com efeitos da crise nas crianças portuguesas

Julho 24, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 23 de Julho de 2013.

unicef

A diretora da UNICEF Portugal manifestou-se hoje preocupada com as crianças portuguesas devido aos efeitos do desemprego nas famílias e defendeu que as medidas de austeridade deviam ter em conta o seu impacto nos mais novos.

“A UNICEF está naturalmente preocupada com a situação que as crianças portuguesas estão a viver porque [com] o desemprego, a capacidade económica das famílias tem vindo a ser muito afetada”, disse hoje à agência Lusa Madalena Marçal Grilo.

Esta mudança “obviamente reflete-se nas crianças, por um lado, em termos absolutos, pela disponibilidade que os pais têm, e por outro lado, pela tensão que pode criar a nível familiar”, referiu a responsável, que falava à agência Lusa a propósito da realização da mini maratona UNICEF, a 03 de agosto, em Albufeira.

A diretora da UNICEF Portugal recordou ainda que há muitas famílias em que ambos os país estão desempregados, o que tem “um efeito negativo nas disponibilidade que os pais têm para as suas crianças”.

A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para as Crianças) “tem vindo a alertar para que as medidas de austeridade, algumas terão de ser tomadas, mas antes deviam ter em conta o impacto que têm na situação das crianças hoje, a longo e médio prazo”, realçou a responsável.

“Sabemos que há hoje em dia muito mais situações complicadas do que há uns anos atrás e isso é motivo de preocupação”, acrescentou.

Madalena Marçal Grilo salientou a generosidade dos portugueses, que continuam a ajudar a UNICEF, apesar das dificuldades económicas enfrentadas.

“Os portugueses são generosos e contribuem para a UNICEF, o que acontece é que estão a atravessar uma fase difícil e é natural que as contribuições tenham vindo a diminuir”, no entanto, há doadores a continuar a ajudar, não só esta organização internacional, mas também outras causas, pois “há muitos anos que o fazem e querem continuar a faze-lo”, referiu.

O relatório da Unicef relativo a 2012, recentemente divulgado, revela que Portugal foi o segundo país que menos contribuiu para a UNICEF, tendo cada português dado, em média, perto de 36 cêntimos, só à frente dos gregos.

Na mini maratona, a UNICEF convida todos, atletas e profissionais, a correr 10 ou três quilómetros para ajudar as crianças do mundo. Pretende ser uma forma de angariar verbas e dar a conhecer a actividade da organização.

 

 

Seminário O Impacto da Crise nas Crianças e Jovens

Março 21, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, irá participar no Painel IV “Pelo Desemprego” e a Drª Ana Isabel Carichas, Técnica IAC-Projecto Rua, irá participar como moderadora no Painel I “Pela Deficiência”.

Inscreva-se enviando email para seminario.cpcjlisboaoriental@gmail.com indicando  nome instituição e endereço eletrónico. Inscrições gratuitas, mas limitadas à lotação do espaço.

impacto

The European Crisis : A Study of the Impact of the Crisis and Austerity on People

Fevereiro 22, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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caritas

Descarregar o relatório em baixo:

The European Crisis : A Study of the Impact of the Crisis and Austerity on People, with a Special Focus on Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain

Caritas Europa is proud to present this comprehensive, timely and in-depth study on the impacts of the economic crisis and austerity policies on the European Union’s most vulnerable people. The Report has a special focus on the five EU Member States most-affected by the crisis – Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain. The report’s findings are grounded not just in empirical research but most importantly in the practical work carried out by Caritas member organisations in the five countries. The report describes very clearly the human impacts of the crisis and of austerity policies, with a special emphasis on people experiencing poverty and social exclusion. It outlines the responses of Caritas organisations

in the five countries as they try to help those who have been worst affected by the crisis. The findings of the report demonstrate beyond any doubt that austerity measures are impacting very negatively on the lives of people in poverty, and driving many more into poverty for the first time.

Crianças ligam para o SOS Criança preocupadas com a situação dos pais

Dezembro 11, 2012 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 7 de Dezembro de 2012.

coutinho

O serviço SOS Criança está a receber telefonemas de crianças preocupadas com a “instabilidade do mundo laboral dos pais” devido à crise, disse o coordenador do serviço, Manuel Coutinho.

“As crianças têm noção da realidade e vão começando a ver que os pais dos colegas estão desempregados, que as situações começam a chegar a um limite” e temem que o mesmo aconteça à sua família, adiantou o psicólogo e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC), citado pela Agência Lusa.

Manuel Coutinho adiantou que estes relatos estão a chegar com “mais expressão” ao serviço do Instituto de Apoio à Criança, que ao longo de 24 anos atendeu mais de 77 mil chamadas telefónicas, a maioria de apelos de crianças em risco, maltratadas, abusadas sexualmente e desaparecidas.

“Eu gostava que a crise fosse mais um problema dos adultos e não um problema que chegasse às crianças”, disse o responsável pelo serviço, desejando ainda que “todos os adultos do país contribuíssem para que as crianças não fossem novamente vitimizadas por esta situação de carência”.

À frente do serviço há mais de duas décadas, Manuel Coutinho disse que não esperava “nos tempos breves” assistir ao “síndroma do mundo mau, que aflige hoje as crianças.

“Era algo que eu achava que nos tempos breves nunca iria acontecer, mas infelizmente aconteceu porque o mundo está muito difícil de gerir e as pessoas estão muito aflitas e muitas delas em sofrimento grave”, adiantou.

Para ultrapassar esta situação, o responsável disse que os portugueses devem estar todos solidários e perceber como podem “ajudar e tranquilizar o mais possível estas crianças”.

O telefone do SOS Criança é hoje considerado “pela maioria das pessoas um serviço de primeira necessidade”. Ao serviço têm chegado chamadas de utentes a perguntar para onde podem orientar os seus bens para ajudar instituições de solidariedade.

Contudo, lamentou, não têm aparecido casos concretos de adultos a apresentarem casos de famílias em situação de maior de vulnerabilidade e fragilidade que possam colocar em risco as crianças.

Para o psicólogo, era desejável que os portugueses começassem a apresentar estes casos às instituições de forma a ajudar as crianças e evitar que passem por situações de risco e negligência.

“É bom que a sociedade esteja alerta para que possamos chegar mais rápido aos que mais necessitam”, acrescentou.

O serviço telefónico SOS-Criança (116111) recebeu este ano 2.554 chamadas, a maioria relacionada com crianças em risco, negligência, maus tratos e abusos sexuais, além de muitos jovens que ligam para o SOS-Criança para desabafar e apresentar os seus problemas.

Criada em 1988, o SOS-Criança é um serviço anónimo e confidencial, de apoio às crianças e familiares, que pretende dar voz aos mais jovens, promovendo e defendendo os seus direitos.

É um serviço de prevenção que pretende atuar antes que a situação de risco se concretize.

 

Crianças chegam ao hospital doentes por terem fome

Dezembro 4, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Antena 1 de 30 de Novembro de 2012.

Jorge Correia

Há crianças que chegam doentes ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, por terem fome. Os seus pais estão desempregados e não têm dinheiro para comida, nem para medicamentos.

As assistentes sociais da unidade hospitalar estão responder a pedidos de ajuda de pais desempregados que têm os seus filhos internados. A revelação é feita numa entrevista à Antena1 pela diretora do Serviço Social do Hospital de Santa Maria, Conceição Patrício.

(com Sandra Henriques)

(Entrevista completa aqui)

Desempregados têm mais tempo para os filhos, mas isso nem sempre é bom

Outubro 3, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 23 de Setembro de 2012.

Por Graça Barbosa Ribeiro

O desemprego oferece tempo livre, mas não obrigatoriamente de qualidade, alertam os especialistas, que se preocupam com o número de pais que estão a tirar os filhos das instituições.

Cláudia Silva, directora de serviço d’O Cogumelo, em Setúbal, recebe o telefonema de uma utente que informa que o filho vai deixar de frequentar as Actividades de Tempos de Livres do jardim-infantil. A educadora procura convencê-la a não desistir, chama-a para conversar. Sem sucesso: “O pai está desempregado, pode ficar com ele e sempre é menos uma despesa”. O episódio repete-se por todo o país, assegura Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. Afirma que esse deve ser um factor de preocupação e os especialistas das áreas da Psicologia e da Sociologia confirmam-no.

Lino Maia não revela números. Diz que o levantamento não está feito e que, ainda que estivesse, não os revelaria, para “não provocar alarme social”. Limita-se a afirmar que as IPSS asseguram a creche a 30 mil crianças, os infantários a 50 mil e as ATL a 80 mil. E que, com o aumento galopante do desemprego, só as conseguem manter sob os seus cuidados “descendo os preços, perdoando dívidas e desobrigando os pais do pagamento das mensalidades, quando os casos são extremos”. Afirma que as instituições estão “exangues” e insiste que no momento de renegociar os apoios do Governo será essencial que aquele “pelo menos não baixe” e, se possível, “suba” os montantes a transferir.

“Tentamos sempre manter as crianças. Principalmente quando se trata da creche ou do infantário, isso é muito importante para os pais, que têm esperança de, a qualquer momento, serem chamados para algum trabalho”, diz Cláudia Silva, coordenadora do infantário da Cáritas Diocesana em Setúbal. Em relação às ATL é mais difícil: “Esta mãe, por exemplo, disse-me que não compensava acumular dívidas”. Os pais não têm noção, diz a educadora, “de que as actividades de tempos livres têm uma função importantíssima em termos de organização, de valorização do trabalho e do estudo, e também de estímulo de todo o estilo de competências”.

Esser Jorge Silva, que no âmbito de uma investigação feita na Universidade do Minho acompanhou as mudanças produzidas na vida dos operários desempregados do Vale do Ave, tem a mesma opinião. “Continua a existir uma importante camada da população, que inclui uma parte da classe média urbana, que não valoriza a aprendizagem, a escola, e para quem a creche, os infantários, as ATL – e, por vezes, até a própria escola – são um armazém, um sítio onde se deixa os filhos para se ir trabalhar. Se não há trabalho, não faz sentido deixá-los lá, principalmente se isso significar alguma poupança”, relata.

O autor do livro Fabricados na Fábrica considera que ainda existe pouca noção do retrocesso que o abandono das instituições pelas crianças pode acarretar. Regressam a um meio onde a escolarização é desvalorizada e ficam entregues a pessoas que, “muitas vezes, não só não têm qualificações como estão sob os efeitos tremendos do desemprego”, diz. “Estar exposto aos pais não é o mesmo que estar com os pais. Às vezes até comentamos que os desempregados passam os dias nos cafés, a gastar o dinheiro que não têm para dar uma refeição aos filhos. Mas que sabemos nós? Quem está habituado a uma vida de trabalho, quando o perde, fica desorientado”, diz Cláudia Silva.

Famílias destroçadas

O problema, no entanto, é mais vasto do que poderia parecer, e a desorganização provocada pelo desemprego não é um exclusivo dos pais das crianças que frequentam as IPSS. “É um gravíssimo factor de stress para todas as pessoas, que resulta de muito mais do que da perda de vencimento”, diz Madalena Carvalho. Esta investigadora e responsável pela consulta de Terapia de Casal e Familiar da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra descreve o desemprego como “um golpe violento na auto-estima do indivíduo, que é sentido como uma perda de poder e de estatuto no seio da família e na sociedade e que se traduz num sofrimento imenso, e na degradação da saúde mental e física”.

Sofia Aboim, socióloga do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, contactou recentemente com o fenómeno, no âmbito de um projecto em curso, e admite ter ficado surpreendida com a vergonha associada ao desemprego. “Já trabalhámos com as situações mais diversas e sobre os temas mais delicados e nunca nada de parecido nos tinha sucedido: foi muito difícil arranjar pessoas que aceitassem participar, depois marcavam e desmarcavam as entrevistas, deixavam de atender o telefone…”O resultado das conversas com os desempregados confirmou a tese da Psicologia: “Pensar que pode haver algum benefício num maior contacto destas pessoas com a família – e, nomeadamente, com os filhos – não faz sentido absolutamente nenhum. Pelo contrário: os mais jovens abandonam projectos conjugais e familiares; os que têm mais de 40 anos estão num processo de perda de identidade e de desespero que pode resultar em actos de violência contra si próprios e contra terceiros”, afirma a socióloga.

Sofia Aboim e Madalena Carvalho frisam que o fenómeno atravessa todas as classes sociais. E a psicóloga acrescenta que, mesmo nos casos menos graves, em que as pessoas lidam com o problema de forma menos inadequada, ele atinge toda a família. Compara o efeito do desemprego num indivíduo “à transformação brutal da peça de um puzzle – a reconstrução desse puzzle, dessa família, exige que todas as outras peças se transformem, também, adaptando-se à que sofreu directamente o impacto”, afirma. A experiência diz-lhe que esse processo depende “da flexibilidade das famílias”, e também que essa flexibilidade “nem sempre existe”.

”Os meus anos mais felizes”

António, que falou com o PÚBLICO na condição de não ser identificado, acrescenta, com base na sua experiência pessoal, que a flexibilidade depende de muitas condições. “Eu posso dizer que os últimos três anos, em que estive desempregado, foram os mais felizes da minha vida, em termos pessoais. Mas olho à minha volta e pergunto: como é que estas pessoas resistem?”

Com 52 anos de idade e formação académica superior, António exerceu funções de direcção durante quase duas décadas numa importante multinacional. Auferia um vencimento invulgarmente alto que, antes das alterações da legislação laboral, lhe garantiu um montante de subsídio de desemprego significativo durante três anos. A dispensa da empregada que trabalhava em sua casa a tempo inteiro e a mudança de um dos três filhos de um colégio particular para uma escola da rede pública bastaram para cobrir a diferença em relação ao rendimento mensal familiar. O montante da indemnização negociado chegou para cobrir os empréstimos contraídos para a compra dos carros e da casa e para constituir uma poupança.

O apoio psicológico de seis meses por parte de uma empresa especializada, negociado no processo de rescisão, ajudou-o a fazer “uma transição suave” de um quotidiano preenchido por compromissos profissionais para a valorização da vida familiar. “Durante 20 anos, saí de casa quando o meu filho mais velho ainda estava a dormir e voltei quando ele já estava na cama. Agora pude acompanhar os meus dois filhos mais novos e a minha mulher – tem sido uma experiência maravilhosa”, diz António.

Para o filho mais novo de António, que hoje tem oito anos, é natural que o pai esteja à porta da escola, todos os dias, que vá às compras e que faça o jantar. Já o filho de Joana, que tem sete anos de idade, não se conforma com a tristeza da mãe. Quando sai da escola, a primeira pergunta que faz é: “Então? Arranjaste emprego?”. Estava junto de Joana, docente de 33 anos, quando saíram os resultados da lista de colocação de professores, no fim de Agosto. E sentiu nela “a sensação de derrota que é, depois de 12 anos de trabalho, ficar, pela primeira vez, sem colocação”.

“Gostava de conseguir esconder, mas não dá: estou mais tempo com os meus filhos, mas até o mais pequeno, de três anos, me vem abraçar e perguntar por que estou triste. O medo de não conseguir dar-lhes o que eles precisam, a incerteza em relação à possibilidade de voltar a exercer a minha profissão e a falta de alternativas são demasiado assustadores”, descreve Joana, que preferiu não ser identificada.Engrácia Leandro, que fez investigação na Universidade do Minho e actualmente dirige a Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica em Braga, coordenou há seis anos um estudo que, considera, pode ajudar a compreender o fenómeno. Foram entrevistadas 26 famílias com pelo menos um filho entre os 12 e os 18 anos. Inquiridos sobre as expectativas em relação aos pais, a maioria dos jovens disse que gostaria de passar mais tempo com eles. Os pais também foram consensuais, mas noutro sentido: disseram-se empenhados em garantir condições, do ponto de vista material, que lhes permitissem garantir aos filhos a melhor qualidade de vida possível.

“Para estes pais, que têm uma ética de esforço extraordinária, o desemprego constitui uma tremenda e dolorosa frustração”, avalia. As expectativas dos filhos, neste contexto, também se terão alterado. Joana, por exemplo, conta que o filho de sete anos não desiste de lhe devolver a felicidade cansada que existe depois de um dia de trabalho. Emociona-se quando conta: “Um dia destes foi ter com a sua professora e perguntou-lhe se não precisava de ‘uma ajudante’. Explicou-lhe que a mãe tinha ficado desempregada e pediu-lhe que me chamasse para aquela escola”.

 

La Infancia en España 2012-2013. El Impacto de la crisis en los niños

Setembro 13, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Basándose en los datos disponibles, y haciendo uso también de la experiencia internacional de UNICEF, el informe expone cómo los niños están siendo afectados por la crisis, al tiempo que plantea la necesidad de tenerles en cuenta para poder salir de la misma.  Una parte del informe analiza las consecuencias, no sólo presentes sino también futuras, de esta situación, realizando una serie de propuestas para la presente legislatura.  Además, el informe contiene un capítulo dedicado a dar voz a la opinión de los niños sobre su propio bienestar, extracto de una encuesta realizada a casi 6.000 niños de 1º de ESO desarrollada con el apoyo del Ministerio de Sanidad, Servicios Sociales e Igualdad y con la colaboración de la Obra Social “la Caixa”. En el anexo final de indicadores sobre bienestar de la infancia en España se actualizan y se desarrollan los presentados en el primer informe de 2010, mostrando su evolución.

3º Fórum Nacional das Pessoas em Situação de Pobreza

Outubro 12, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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