Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 64 sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes

Junho 17, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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depressão

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 64. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A Depressão em Crianças e Adolescentes.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Mário Cordeiro. “Há mais crianças que se sentem infelizes, tristes e deprimidas. Até bebés…””

Julho 24, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do i a Mário Cordeiro no dia 18 de julho de 2015.

Ana Brígida

“O problema não são os divórcios. Qualquer evento pode ser traumático se os miúdos se sentirem ameaçados”

Marta F. Reis e Vítor Rainho

A paixão pela medicina e as críticas à sua desumanizaçao são os fios condutores desta conversa.

Médico há mais de 30 anos, autor de mais de uma dezena de livros em diferentes registos. Toca piano, é um leitor compulsivo e fotógrafo amador. Acaba de tirar um curso de História de Arte e está decidido a aprender violino para acompanhar um dos filhos. Mário Cordeiro tem bicho carpinteiro como as crianças. Encontramo-lo numa manhã de férias numa esplanada com vista para a Praia da Areia Branca. Há anos que o seu retiro é por ali, na aldeia de Cezaredas, perto da Lourinhã. A caminho dos 60 anos, gosta cada vez mais do campo e sente-se cada vez com mais sede e fome do mundo, na corrida contra o tempo da vida.

Como decidiu seguir a carreira de medicina?

Foi sempre uma coisa que me entusiasmou, até pela parte da ciência, da descoberta. Aquele aspecto mais de trabalho de Sherlock Holmes, de chegar ao diagnóstico a partir dos dados, como se estivesse a fazer um puzzle. Depois terei sido influenciado por ter crescido num ambiente médico.

O pai, também Mário Cordeiro, insistiu nisso?

Ele era pediatra. Sei que gostava da ideia, mas não. O meu irmão mais velho andou em Medicina e depois desistiu e tenho uma irmã médica. Na altura não havia serviços de urgência de pediatria – o primeiro em Santa Maria era numa casa de banho adaptada para ver crianças. Como em casa ele estava de prevenção, aos almoços e jantares era frequente estarmos todos à mesa e alguém telefonar a pedir indicações para o filho que estava doente. Era engraçado porque nós a certa altura já fazíamos apostas sobre o que ia ser com base nas respostas e perguntas que ele fazia.

O interesse surge aí?

Sim. Gostava daquilo mas havia um problema: se via sangue começava logo a tremer, por isso pensei que nunca iria para Medicina. Tanto que quando me fui inscrever no liceu escolho Direito, que era algo que também me interessava. Todo feliz vou para a paragem do autocarro, que terei perdido por uns instantes. É enquanto estou à espera pelo autocarro seguinte que tomo a decisão de voltar à secretaria, rasgar os papéis e inscrever-me para Medicina.

O que o fez voltar atrás? 

Acho que foi pensar ‘não vou deixar de fazer o que quero por medo’. Não podia ser o facto de tremer ao ver sangue que me ia limitar na profissão. Nunca houve de facto pressão familiar, embora curiosamente toda a minha família do lado paterno, pai, avô e trisavô, tenham sido médicos.

Uma grande referência sua foi, contudo, o seu avô materno. O que o marca tanto?

A vida dele. Não conheci os meus avós paternos – o pai do meu pai já tinha morrido quando nasci e a mãe estava na Índia. Esse avô era realmente uma pessoa incrível, um homem da Renascença. Médico, oficial da Marinha, perito em história medieval italiana, em orientalismo. Foi secretário-geral da Sociedade de Geografia. Foi inventor! Inventou uma maca que permitia que duas pessoas transportassem um ferido em vez de quatro, ainda hoje ensinada na NATO. E fazia tudo discretamente. Não era um homem dos sete ofícios mas dos 70. Tive a sorte de ficar com o seu espólio quando a minha mãe morreu e ele tinha escrito memórias e apontamentos sobre a participação nas campanhas da República. Note-se que nasceu em 1881, foi mobilizado para derrotar Paiva Couceiro quando houve a tentativa de restaurar a Monarquia e depois esteve na Primeira Grande Guerra e nas campanhas de África. Era agnóstico e foi um dos únicos portugueses a ter autorização para consultar os arquivos secretos do Vaticano. Descubro tudo isto nas memórias, lá em casa o avô era o avô. Sabia que tinha estado em África mas não sabia nada sobre o seu pensamento religioso ou político. Achei esse processo de descoberta de uma pessoa fascinante, mais porque estava tudo escrito com uma letra irrepreensível. Era como se estivesse escrito em Word. Digo muito aos meus filhos: escrever é comunicar e é bom que, mesmo com os computadores, consigam rabiscar coisas que sejam entendíveis 100 anos depois.

Há algo desse avô no seu lado de cultivar vários ofícios, da escrita à música?

Não sei o que será genético, mas acho que esta vontade que tenho de fazer coisas é uma resposta a uma certa angústia existencial. É isto de sentir que há tanta coisa por fazer, ouvir, ler, escutar, aprender e ao mesmo tempo ver que a vida não é eterna.

Sente essa ânsia aumentar?

Sim, é aquela coisa de pensarmos que morremos velhinhos e isso a certa altura começa a cair por terra. Começam a morrer pessoas próximas de nós, da nossa idade, mais novas. Digo isto sem fatalismos. Ela anda aí e acho que isso deve ser uma força motivadora para tudo. Sinto sobretudo a ânsia de não perder tempo com coisas que não interessam. Durante muitos anos não fui capaz de dizer que não e agora já sou.

O que mudou nas doenças das crianças desde que começou a trabalhar?

Houve muitas mudanças em tudo. Quando comecei as crianças morriam de desidratação na sequência de uma gastroenterite. Em Peniche, no início dos anos 80, no serviço médico à periferia, chegava a fazer bancos em que entrava às 8 da noite de sexta-feira e estava até às 8 da manhã de segunda. Eram quase 72 horas de urgência e via-se de tudo: desde uma grávida em trabalho de parto, picadas de peixe-aranha e, se havia festas na aldeia, era quase certo que apareciam facadas e navalhadas.

Havia muitas situações de alcoolismo, mesmo em miúdos?

Sim, as sopas de cavalo cansado. Havia essa ilusão nas aldeias de que o álcool dava calor, o que ajudava a fazer frente ao frio. Claro que também havia miúdos que iam à garrafeira dos pais, quase para experimentar o menú dos adultos. Hoje é diferente. A bebida passou a ser vista quase como uma condição para estar contente e feliz. Há uma noção um bocado perversa do que estar feliz e contente implica dizer alarvices e fazer figura de palhaço…

Os pais levam essa preocupação ao consultório?

Sim, mas vejo sobretudo isso nos agrupamentos escolares. O álcool hoje aparece muito barato aos jovens. Até à volta de algumas escolas há happy hours de cerveja, imperiais a 60 cêntimos, o que fica mais barato que uma água ou um refrigerante.

Em termos de doenças, que diferenças se nota mais nas crianças?

Não nos podemos esquecer que somos campeões na redução da mortalidade infantil. Houve uma diminuição do peso das doenças infecciosas e há mais situações crónicas, seja perturbações do desenvolvimento, cancro e as consequências de violência e acidentes. Mas há muito mais problemas de saúde mental, se calhar porque as pessoas ligam também mais a isso, mas não digo só esquizofrenias e neuroses. Há mais casos de crianças que se sentem infelizes, tristes, deprimidas.

Crianças de que idade?

Quatro e cinco. No fundo miúdos deprimidos por se sentirem mal nos seus ecossistemas, mal em casa, muito fechados. São quatro paredes sem casa, no carro, no consultório. E muitas vezes tudo plastificado, mesmo os afectos.

Falta de amor que gera falta de amor-próprio?

Sim. Creio que o nosso discurso de adultos não contribui muito para uma boa auto-estima.

Que idade tinha a criança mais nova que viu com uma depressão?

Já vi depressões em bebés. Um bebé que não seja objecto de afecto explícito corre esse risco. Agora, o ser humano tem uma boa resiliência desde que perceba o que se passou.

Mas como se trata uma criança com depressão?

Primeiro é preciso descobrir o que a deprime, o que a traumatizou, magoou. Isso nem sempre é fácil. E depois é tentar fazê-la ver o lado bom da vida, o que às vezes não é fácil pois é residual.

Dizia que os adultos podem contribuir para esse fenómeno.

Sim, há duas coisas erradas que fazemos. Uma é criar a expectativa de uma vida maravilhosa que depois não se concretiza. Aquela pressão para ir para o quadro de honra, ter a camisa de marca. A outra coisa é precisamente o contrário, aquela atitude de “escusas de estar a esforçar-te para ser uma pessoa completa porque, das duas uma, ou vais ser um malandro ou a vítima do malandro.” É o que vemos no telejornal: a galeria de horrores em que se salta do malandro, para o assassino, o pedófilo, o ladrão, o corrupto, o mentiroso. Isto não é muito estimulante para quem está a crescer e acho que devemos, enquanto adultos, ter a preocupação de passar um quadro de liberdade do que é a vida adulta. Devemos dizer que há o malandro, a vítima do malandro e depois a terceira hipótese, que é a da generalidade das pessoas. Acho que os adultos se vitimizam um bocado e desfrutam pouco para estar obcecados com o que não têm e isso passa às crianças.

Os pais que o procuram hoje são diferentes de há 30 anos?

Sabem mais coisas. Sempre foram mas hoje assumem-se mais como os primeiros cuidadores dos filhos e os médicos vão perdendo felizmente aquela arrogância, aquilo de se achar que os pais não sabiam nada e o doutor é que era o bom. Antes, se os pais fossem ignorantes, saíam tão ignorantes como quando tinham chegado ao consultório porque nada era explicado ou então os médicos usavam um jargão impressionante. É aquela velha história de dizer ao doente quem tem espondiloartrose e não bicos de papagaio. Espondiloartrose é mais solene e às vezes isto ainda acontece… A medicina evoluiu muito pouco neste sentido.

Da humanização?

Sim, continua a haver este desfasamento entre uma ciência que não sendo exacta tem de ser muito rigorosa, mas que tem de saber ao mesmo tempo comunicar. Não será caso único, acontece o mesmo com a linguagem jurídica. Acho que se um diagnóstico ou uma terapêutica é um acto negocial, como uma lei é para ser seguida pelas pessoas, tem de ser antes de mais entendido.

Uma relação negocial em que sentido?

Se faço um diagnóstico ou prescrevo um antibiótico de oito em oito horas, e os pais questionam que por causa do infantário têm receio que a educadora falhe, tenho de ver se há alternativa, se pode ser de 12 em 12. Tem de haver um entendimento mínimo para haver um compromisso e as coisas funcionarem.

 

Crianças deprimidas. São cada vez mais e mais novas

Janeiro 9, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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artigo do i de 7 de janeiro de 2014.

Nicholas Monu  Getty Images

Nicholas Monu Getty Images

 

Por Rosa Ramos

A crise, o desemprego dos pais, o stresse e a pressão de ser melhor são algumas das razões apontadas pelos especialistas para o aumento de casos. Cabe aos pais ajudar a ultrapassar

António nunca acreditou em depressões, muito menos em crianças. Por isso, quando o filho de 15 anos começou a trancar-se no quarto depois de a namorada o ter deixado, reagiu mal. Um mês depois, quando Bruno deixou de ir à escola e de aparecer nos treinos de futebol, António decidiu adoptar uma postura ainda mais agressiva. Sem resultados: o filho parecia não se importar com nada. Uma tarde, a seguir a uma discussão, Bruno tomou uma caixa inteira de comprimidos e acabou internado no hospital. A seguir foi-lhe diagnosticada uma depressão.

Há cada vez mais crianças e adolescentes deprimidos nos consultórios dos pedopsiquiatras e psicólogos infantis e nos hospitais. Além de estar a aumentar nestas faixas etárias, a depressão manifesta-se cada vez cedo. “Se há uns anos os primeiros sintomas começavam a surgir geralmente na pré-adolescência, hoje atingem crianças com três, quatro anos”, confirma a psicóloga infantil Rita Jonet.

A culpa, acreditam os especialistas com quem o i falou, é sobretudo do clima económico e das dificuldades que as famílias atravessam. “O desemprego e os problemas dos pais levam a quadros de depressão e ansiedade nos jovens e isso tem-se reflectido nas consultas, quer no consultório quer no hospital”, admite o psiquiatra Daniel Sampaio, que trabalha com adolescentes.

O presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente sublinha que, mesmo sendo muito pequenas, as crianças apercebem-se dos dramas domésticos. “Há famílias em que pai e mãe estão desempregados e não têm dinheiro, sequer, para comprar os livros escolares”, exemplifica Bilhota Xavier. Rita Jonet acrescenta que os filhos são “esponjas” que absorvem o ambiente que encontram em casa: “Pais extremamente ansiosos, preocupados, pessimistas e angustiados em relação ao futuro passam esses estados de espírito para os filhos”.

O pediatra Mário Cordeiro avisa, por outro lado, que os pais – com determinadas conversas – contribuem para o mal-estar dos filhos: “Por vezes damos uma perspectiva da vida adulta muito negra, como se fosse um corredor da morte e houvesse um determinismo de impostos, corrupção e cortes, quando a vida de adulto tem preocupações, mas também momentos felizes e deve significar, para as crianças, ser mais livre e ter mais autonomia.”

Nem só a crise explica o aumento de casos de depressão na infância e na adolescência. Bilhota Xavier realça a “grande pressão” que é colocada em cima das crianças, desde cedo, para que sejam competitivas e obtenham bons resultados – na escola e nas actividades em que participam: “As famílias conhecem as dificuldades que existem no mercado de trabalho e os números do desemprego jovem. Por isso, muitos pais colocam demasiada pressão nos filhos para que consigam tirar médias mais altas e serem sempre os melhores, de maneira garantir um bom futuro”.

O stresse é, por outro lado, cada vez mais uma característica presente na vida das crianças. Alguns pais, sublinha Rita Jonet, exageram no número de actividades que proporcionam aos filhos. Por excesso de zelo e por desejarem que tenham uma vida boa. Entre ténis, aulas de ballet e de natação, as crianças são obrigadas a entrar numa correria diária, stressante e desenfreada, deixando de ter tempo para serem crianças. “Para estarem sozinhas e se auto-estimularem”. Além disso, falta silêncio na educação de hoje. “Entre a televisão e o tablet, os mais novos não aprendem a estar em silêncio. Habituam-se a receber constantemente estímulos exteriores e, quando não os recebem, sentem um vazio com o qual não conseguem lidar”, explica a psicóloga infantil. Os divórcios mal resolvidos e situações de violência doméstica – que as estatísticas mostram estar a aumentar – são outras causas apontadas pelos especialistas para o aumento das depressões em jovens e crianças. Em famílias estruturadas, e nos casos em que os pais até têm emprego, o problema é outro: a falta de tempo para estar, em pleno, com os filhos. “Sem ter a cabeça cheia de coisas que aconteceram no trabalho e ouvindo o que eles têm para dizer”, defende Rita Jonet. Daniel Sampaio sublinha que é um mito que os adolescentes não queiram falar com os pais. Por isso, ter tempo para a vida em família é fundamental.

O meu filho está deprimido? Há sinais a que os pais devem estar atentos. Na adolescência, a tristeza constante e prolongada não deve ser encarada com ligeireza. Sobretudo se for acompanhada por sinais somáticos – como excesso de peso ou magreza extrema, insónias, isolamento dos amigos e das amizades virtuais, ausência de comunicação, perda de interesse por actividades que antes eram importantes, desinteresse por tudo, quebra no rendimento escolar. E eventuais tentativas de suicídio nunca devem entendidas como meras chamadas de atenção. “Quando um adolescente fala em suicídio deve ser levado a sério”, avisa Daniel Sampaio.

No caso das crianças, é mais difícil descortinar os sintomas de depressão. “Porque cada criança reage à sua maneira e há até crianças que manifestam a depressão através da euforia e da alegria e actividade exageradas”, explica Rita Jonet. Umas podem deixar de comer, outras de brincar. Mas o principal sinal de alerta é sempre uma mudança brusca de comportamento. Independentemente das idades em causa, os pais devem procurar comunicar e compreender os filhos. Sem serem demasiado permissivos, mas sem adoptar um tom paternalista ou rígido. “A melhor maneira de ajudar é ouvir com atenção e, a partir daí, mostrar que é possível encontrar uma alternativa”, aconselha Daniel Sampaio.

Um ano depois da tentativa de suicídio, Bruno continua a ser seguido por um pedopsiquiatra e está a reaprender a gostar de viver. O pai, António, também teve de fazer um conjunto de aprendizagens: “Compreendi que a depressão é realmente uma doença. E hoje admito que talvez tenha sido demasiado duro com ele em alguns momentos. Não era só um coração partido”.

 

Crianças em idade pré-escolar podem ter depressão

Agosto 28, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto da Pais & Filhos de 6 de agosto de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Trajectories of Preschool Disorders to Full DSM Depression at School Age and Early Adolescence: Continuity of Preschool Depression

pais & filhos

Quanto mais cedo uma criança revela sinais de depressão mais probabilidades tem de ter a doença durante a infância, revela um estudo publicado no “The American Journal of  Psychiatry”. E é possível uma criança em idade pré-escolar ter depressão.

“São as más notícias de sempre: a depressão é uma doença crónica e recorrente”, referiu a pedopsiquiatra Joan L. Luby, autora do estudo da Universidade de Washington, nos EUA.

Os investigadores analisaram 246 crianças entre os três e os cinco anos e depois, novamente, entre os nove e os 12 anos, entrevistando-as sobre os seus sentimentos de tristeza, irritabilidade, culpa, sono, apetite e o prazer de brincar.

Mais de 51 por cento das 74 crianças inicialmente diagnosticadas com depressão continuaram deprimidas anos mais tarde, no segundo inquérito. No grupo das crianças que não deram sinais da doença no primeiro inquérito, 24 por cento desenvolveram a doença mais tarde.

“A boa notícia é que, se identificarmos a depressão cedo, podemos encontrar uma janela de oportunidade para tratá-la de forma mais eficaz”, disse Luby.

 

 

 

 

Mãe, não aguento mais

Maio 16, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Expresso de 10 de maio de 2014.

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A depressão na infância e na adolescência

Novembro 19, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://crescer.sapo.pt/

Hoje em dia sabemos que as perturbações depressivas são transversais a qualquer faixa etária

Já longe seguem os tempos em que se acreditava que os quadros depressivos dos adolescentes mais não eram que “crises da idade”, ou que as crianças não eram capazes de os experienciar por terem dificuldade em expressar os seus afetos, ou até que os bebés eram seres ainda demasiado “rudimentares” para se deprimirem! Hoje em dia sabemos que as perturbações depressivas são transversais a qualquer faixa etária. Estima-se que a sua prevalência seja de 1-2% em idade pré-pubertária, idêntica para as meninas e os meninos, e 3-8% se nos referirmos à adolescência, sendo nesta faixa etária duas a três vezes superior nas raparigas.

No entanto, ter-se uma depressão não é dizer-se que se está triste. Ou não é só. E pode ter-se a doença, inclusivamente, sem uma sensação de tristeza! Se na adolescência o quadro clínico assume contornos mais parecidos com a depressão no adulto, na criança, uma queixa de irritabilidade ao invés da tristeza pode ser muito característico. De notar que não são apenas as queixas verbalizadas que se tomam em consideração na avaliação das perturbações depressivas em Pedopsiquiatria; a observação do comportamento é também determinante!

Existem fatores — individuais, familiares, sociais — que podem conduzir à predisposição para a patologia; exemplificando aleatoriamente, destacam-se a dificuldade de adaptação face a mudanças, a dificuldade na socialização, a vivência de situações de vida eventualmente traumáticas, entre outros.
A que sinais devemos prestar atenção quando suspeitamos da necessidade de uma avaliação clínica? Alterações no funcionamento normal da criança podem colocar-nos na senda para tal: falta de prazer em brincar ou jogar, diminuição do rendimento escolar, dificuldades de concentração, isolamento social, cansaço mais acentuado, grande irritabilidade, alterações no sono ou no apetite — a descrição continuaria vasta.

A intervenção terapêutica pedopsiquiátrica, principalmente em idades precoces e, contrariamente ao que muitos dos pais podem inicialmente pensar, NÃO tem que passar pela prescrição de medicação. A psicoterapia e a intervenção familiar podem ser imprescindíveis. No entanto, cada criança e cada adolescente são únicos, pelo que a avaliação por um especialista é imprescindível e a intervenção, necessariamente, personalizada. A depressão não é um fim; há que estar atentos para que possa ser gerida e tratada o mais atempadamente possível. Quando os caminhos se entortam, cabe-nos devolver as nossas crianças aos dias de riso e esperança! Afinal, elas são o que seremos.

Margarida Crujo

Pedopsiquiatra

margarida.crujo@pin.com.pt

PIN – Progresso Infantil

 

Crianças portuguesas estão a ‘trabalhar’ mais que os adultos

Outubro 9, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Destak de 1 de Outubro de 2012.

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Pedopsiquiatra defende a importância da esperança no futuro das crianças e dos adolescentes

Junho 25, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de de Junho de 2012.

Por Paula Torres de Carvalho

O sofrimento das crianças em consequência da separação dos pais, das condições de pobreza em que vivem, da solidão que sentem, do insucesso escolar que experimentam, são temas abordados pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht no seu novo livro Assim seus olhos, editado pela Assírio&Alvim, que chegará às livrarias na próxima segunda feira.

Com prefácio de D. Manuel Clemente, este livro é sobre “o lugar da esperança no futuro das crianças e adolescentes” e os vários desafios que o dia-a-dia lhes coloca, refere o autor.

Desde 2007 que em Portugal se separam anualmente mais casais do que aqueles que se unem, lembra o médico, notando que esta é uma realidade que não diz apenas respeito a Portugal, mas à maioria dos países europeus.

Mais de 80% dos casos passam por processos de regulação parental e os filhos “pagam injustamente a mais elevada factura”, diz. “No clima de verdadeira terra queimada, sem sombras possíveis à vista (…) o resultado final é de fácil previsão: a devastação emocional”. São muitos os casos que o médico recebe no seu consultório, em Lisboa. No livro, descreve o exemplo de uma menina de sete anos, cujos conflitos decorrentes da separação dos pais se arrastavam há dois anos, com consequências profundamente traumáticas. “Posso achar que durmo em casa da mãe. Mas também pode vir o pai com a polícia tocar à porta da escola e tentar levar-me para casa dele”, conta ao médico na consulta, explicando-lhe que a melhor solução seria ir viver para casa do namorado, um colega da escola, também no segundo ano.

Papel dos pais

Salientando a necessidade do papel fundamental dos pais “na concepção de um novo mundo psíquico com plena aptidão a funcionar posteriormente de forma autónoma” e na necessidade da paz no crescimento das crianças, Pedro Strecht questiona: “Mas que paz é possível se o cenário é sempre de guerra?”

Importa então colocar algumas perguntas: “O que procuram os pais quando cessam uma relação e acima de tudo, reclamam os seus direitos não olhando aos da criança, o seu próprio filho/a?”; “Se a separação ocorre pela sucessiva falha na relação, porquê perpetuá-la temporalmente pela manutenção (e, por vezes, ampliação) do conflito que a originou?”; “Será que, a partir de determinado momento o conflito em si e a energia psíquica que o próprio consome são mais importantes do que qualquer esforço emocional para (re)colocar os filhos no lugar que lhe é devido?”

Mas além dos “estilhaços” das separações, este livro aborda outras causas do sofrimento infantil num tempo marcado pela falta de tempo para a criança.

Morrer de “solidão afectiva”

As crianças e os adolescentes “são sempre seres dependentes e vulneráveis e não podem nem devem ser deixados emocionalmente sozinhos”, alerta o pedopsiquiatra Pedro Strecht,. E lembra: “Pode morrer-se de solidão afectiva”, como já escrevia René Spitz nos anos de 1940, a propósito dos seus estudos sobre depressão infantil.

Strecht fala também do “precoce murchar” de crianças vítimas de pobreza, citando o psicanalista João dos Santos: “Algumas pessoas morreram aos 30 anos mas acabaram por ser enterradas depois dos 70”. É que, na verdade, muitas crianças adoecem (ou morrem mesmo) aos três ou aos sete anos e nunca mais recuperam o “ânimo”, quer isso seja expresso em alegria, força ou alimento de uma razão de ser que permita continuamente ir mais além: fisicamente vivos estão de facto psiquicamente mortos”, diz o pedopsiquiatra, frisando a importância da necessidade da esperança “dependente da capacidade de trabalhar, lutar, viver para algo porque esse desígnio é importante ou bom e não apenas porque há sobre ele a hipótese de se ser bem- sucedido”, escreve Strecht.

 

Crianças depressivas podem ser facilmente alvo de bullying

Fevereiro 21, 2012 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Alert Life Sciences Computing de 14 de Fevereiro de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Longitudinal Associations Among Youth Depressive Symptoms, Peer Victimization, and Low Peer Acceptance: An Interpersonal Process Perspective

As crianças com depressão têm maior tendência a terem problemas de relacionamento com os seus colegas, podendo mesmo apresentar um maior risco de serem vítimas de bullying, dá conta um estudo publicado na revista “Child Development”.

 Para este estudo, os investigadores da Arizona State University e da University of Illinois, nos EUA, contaram com a participação de 480 crianças que frequentavam entre o quarto e o sexto ano de escolaridade. Na primavera de cada ano letivo, as crianças, colegas, professores e pais preencheram questionários que avaliavam os sintomas de depressão, vitimização e aceitação das crianças pelos seus colegas.

 O estudo constatou que as crianças que sofriam de depressão no quarto ano de escolaridade tinham um maior risco de sofrerem de bullying no quinto ano e maiores dificuldades em serem aceites pelos seus colegas no sexto ano.

 “Os resultados deste estudo põem em causa o pressuposto muitas vezes aceite que são os problemas de relacionamento que causam problemas psicológicos como a depressão”, revelou, em comunicado de imprensa a autora principal do estudo, Karen P. Kochel.

 “Pelo contrário, a depressão pode, em algumas circunstâncias deixar uma cicatriz duradoura que interfere com os principais marcos do desenvolvimento, tais como a capacidade de estabelecer relacionamentos saudáveis com os colegas de escola”, adiantou a investigadora.

 “Se a depressão na adolescência conduz a problemas de relacionamento com os colegas, é muito importante reconhecer os sinais de depressão particularmente nesta idade. Principalmente porque a adaptação social na adolescência parece ter implicações relevantes ao longo da vida adulta. Desta forma, os pais, educadores e todos os indivíduos que estão em contato com as crianças devem fazer um esforço para reconhecer os sintomas de depressão nos pré-adolescentes e adolescentes, e minimizar a influência destes sintomas na relação com os colegas”, conclui Karen P. Kochel.

 ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Workshop Depressão Infantil

Janeiro 20, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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