Viajar com crianças: aspetos gerais

Agosto 16, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo publicado no portal Educare no dia 8 de Agosto de 2012.

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

A preparação da viagem, no que se refere aos cuidados de saúde, deve iniciar-se algumas semanas antes da partida, e devem manter-se durante e após a estadia.

A oportunidade de viajar aumentou de forma significativa, as motivações são várias e incluem umas simples férias à necessidade de emigração. Os países de língua portuguesa são muito procurados, o que levou ao aumento da estadia em regiões tropicais, as quais têm alguns aspetos próprios que deve ter em conta.

A preparação da viagem, no que se refere aos cuidados de saúde, deve iniciar-se algumas semanas antes da partida, e devem manter-se durante e após a estadia.

• Procure conhecer bem o destino: temperatura local, risco de algumas doenças, criminalidade, animais comuns, acesso a ajuda médica e farmacêutica de qualidade, contacto da embaixada, etc.
• Deve levar sempre consigo o boletim de saúde infantil e juvenil, o boletim de vacinas atualizado e o certificado de vacinação internacional, se necessário.
• A criança deve andar sempre identificada e com número de contacto no bolso, e deve ser ensinada de como proceder no caso de se perder.
• Não se deve esquecer que as mudanças de horário, de atividades, de ambiente podem ser um fator de stresse para a criança. O contacto com brinquedos familiares pode ajudar.

Consulta pré-viagem:
• É aconselhável consultar, 4 a 8 semanas antes de viajar, o seu médico de família ou pediatra.
• A criança deve ter as vacinas atualizadas. Em estadias prolongadas ou para áreas de alto risco para uma ou várias doenças, pode ser necessário antecipar a toma de algumas vacinas. Existem vacinas obrigatórias em alguns países que não fazem parte do plano nacional de vacinação, como por exemplo, a da febre amarela (pode ser dada a partir dos 9 meses de idade, sempre pelo menos 10 dias antes da partida, e necessita de reforço de 10 em 10 anos). Existem outras, não obrigatórias, mas podem estar aconselhadas para certos destinos (hepatite A, meningocócica, raiva, febre tifoide, etc.).
• Crianças com problemas médicos particulares (asma, diabetes, insuficiência renal crónica, etc.) devem ter sempre consigo “informação médica pessoal” pormenorizada.
• Em conjunto com o seu médico poderá também preparar uma farmácia de viagem [pastilhas desinfetantes de água, repelente, protetor solar, pensos rápidos, Betadine®, ligaduras, termómetro, analgésicos/anti-inflamatórios (paracetamol/ibuprofeno), soluções de re-hidratação oral (ex.: Miltina®, Bioralsuero®,etc), antialérgico (Aerius®,Fenistil®, etc.), entre outros]. Se a criança fizer medicação habitual deve levar em quantidade superior ao tempo de viagem.

Nas regiões tropicais, existem muitas doenças, algumas graves, transmitidas por insetos.
Prevenção da picada de inseto:
• Deve manter sempre o ar condicionado ligado e portas e janelas fechadas.
• Carrinhos dos bebés protegidos com redes mosquiteiras.
• Usar roupas claras e justas, chapéu e sapatos fechados.
• As roupas e as redes mosquiteiras podem ser impregnadas de repelente (permitina, permanece eficaz após várias lavagens).

• Existem alguns repelentes que podem e devem ser aplicados nas áreas da pele expostas (alguns aconselhados: Autan® vaporizador, Pré-butix® vaporizador e Tabard® stick). Uma aplicação dura 4-8 horas.
• Deve evitar repelentes com concentrações superiores a 30% de DEET.
• Nenhum repelente deve ser usado em crianças com menos de 2 meses de idade. Os de óleo de eucalipto de limão só estão recomendados depois dos 3 anos.
• Os repelentes não podem ser aplicados sobre pele irritada ou com feridas, nem nas mãos, olhos e boca. Quando regressar a casa deve lavar a pele com água e sabão.
• Os perfumes podem atrair os insetos.
• Não são aconselhados os repelentes com protetor solar associados num só frasco, devendo ser aplicados separadamente, primeiro o protetor solar e depois o repelente.

Consulta médica pós-viagem quando:
• Estadia prolongada (sobretudo se em meio rural).
• Algum problema de saúde registado durante a estadia.
• Febre inexplicável no primeiro mês após a viagem, acompanhada ou não de outros sintomas (arrepios, suores, diarreia persistente, etc.). Deve sempre avisar o médico que viajou recentemente.

Boa viagem!

Daniela Ribeiro, sob orientação da Dr.ª Isabel Cunha, Pediatra do Hospital de Braga


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