Portugal é um dos países da OCDE onde as famílias mais pagam pelo pré-escolar

Outubro 3, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 11 de setembro de 2018.

São cada vez mais as crianças que frequentam jardins de infância por um ou mais anos. Mas a despesa do Estado por aluno continua a estar abaixo da média dos países europeus, indica o relatório Education at Glance.

ortugal já atingiu a meta europeia definida para 2020 de ter 95% das crianças de 5 anos inscritas no pré-escolar e as taxas de frequência aos 3 e 4 anos subiram consideravelmente entre 2005 e 2016, colocando-se acima da média da OCDE. Mas uma parte significativa do aumento tem sido suportada pelo esforço das famílias. De acordo com o relatório Education at a Glance 2018, que acaba de ser divulgado pela OCDE, o nível de financiamento assegurado pelos pais portugueses é o “terceiro mais alto de todos os países da organização e está 20 pontos percentuais acima da média”. Acima só o Reino Unido. A Turquia apresenta um valor igual.

Os números mais recentes indicam então que 36% da despesa com educação pré-escolar (dos 3 aos 5 anos) em Portugal vem dos orçamentos familiares, enquanto 64% vem de financiamento público. As médias da OCDE são de 16% e 83%, respetivamente.

São vários os estudos que têm vindo a demonstrar os benefícios decorrentes da frequência do pré-escolar no bem-estar das crianças, na sua capacidade de aprendizagem e desenvolvimento. Por isso, sublinha a nota da OCDE sobre Portugal, tornar acessível este nível de educação é “fundamental para garantir a equidade na participação em sistemas de educação e apoio às crianças” com qualidade e para todos.

Os dados da OCDE também indicam que a despesa média anual por criança do pré-escolar em Portugal (7 mil dólares em poder de paridade de compra) fica abaixo da média da OCDE (8528 dólares) e dos países da União Europeia (8952). No entanto, lembra-se no relatório, a educação pré-escolar em Portugal pode abranger três anos (crianças dos 3 aos 5 anos) e noutros países decorre durante um ano ou dois.

A redução de educadores de infância na última década também fez que com o rácio de crianças por profissional tenha piorado: em 2016, eram 17 por educador, mais três do que a média da OCDE.

Quase metade das crianças no privado

Em Portugal, a frequência do pré-escolar não é obrigatória, mas o Estado tem de garantir oferta para todas as crianças de 4 e 5 anos em regime de gratuitidade. O problema é que, sobretudo em concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, nem todos os jardins de infância públicos desejados pelos pais e próximos da sua área de residência têm vagas.

A alternativa é optar por uma Instituição Particular de Solidariedade Social, onde acabam por ter de suportar parte dos custos, já que o Estado apenas comparticipa a componente educativa (cinco horas por dia).

Se a decisão for por uma escola privada, as mensalidades ultrapassam facilmente os 400 euros, não existindo qualquer comparticipação do Estado. Em ambos os casos e para a generalidade das famílias, os custos acabam por ser significativos.

Em Portugal, quase metade (47%) das crianças do pré-escolar estão inscritas em estabelecimentos privados, lucrativos ou não. Na Europa essa percentagem fica-se pelos 22%.

No outro extremo do sistema de ensino, quando os alunos chegam à universidade, os últimos dados da OCDE também mostram o maior peso relativo que as famílias portuguesas suportam. Cerca de um quarto do financiamento da frequência de ensino superior vem dos orçamentos das famílias contra uma média na UE 22 de 15% e de 22% em toda a OCDE.

Atrasos e desigualdades persistem

Ao longo de quase 500 páginas, o Education at a Glance tira o retrato aos sistemas educativos de todos os países membros da OCDE e parceiros. Da educação pré-escolar ao superior, dos professores ao financiamento.

Nos destaques que faz em relação a Portugal, sublinha-se ainda o facto de, apesar do enorme progresso nas últimas décadas, o país continuar a ter uma das maiores percentagens de adultos que não concluíram o ensino secundário e também de desigualdades nos rendimentos.

Os números falam por si: em 2017 mais de metade (52%) da população 25-64 anos tinha apenas o ensino básico como habilitação máxima. A média da OCDE fica-se pelos 22%.

Só que há 10 anos, o fosso era ainda maior, mesmo tendo em conta a população mais jovem (25-34 anos). Em 2007, havia 56% sem o 12.º ano, contra 20% na OCDE. Em 2017, a percentagem caiu para os 30%. No entanto, continua a ser o dobro da organização.

Além disso, o país apresenta a maior disparidade entre sexos no que respeita a qualificações: 38% dos homens entre os 25 e os 34 anos não têm o secundário e o mesmo acontece com 23% das mulheres. A diferença média na OCDE fica-se nos 3 pontos percentuais.

No ensino superior, a diferença entre eles e elas é de 26% para 42% de licenciados entre os jovens. “Mas as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens, independentemente do nível de educação atingido e esse fosso é maior em média em Portugal do que nos outros países”, lê-se no relatório.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Education at a Glance 2018

 

 

 

Calculando o custo do apoio social à criança

Junho 17, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do site swissinfo.ch de 4 de Junho de 2013.

zurique

Por Chantal Britt,

Serviços de apoio às crianças como creches custam caro na Suíça. Não apenas para os pais, que chegam a gastar até metade do rendimento familiar em creches ou outros serviços, mas particularmente às instituições, que lutam para não ter prejuízo.

Para amenizar a carência de possibilidades de acolhimento, o governo lançou em 2003 um programa de incentivo orçado em 440 milhões de francos (US$ 455 milhões) para financiar a abertura de mais creches. A injeção financeira aumentou o número de vagas em mais de quinze mil nos últimos dez anos, além das mais de cinquenta mil vagas já existentes.

Uma das proprietárias de creche que se beneficiaram do programa foi Darina Hürlimann. Ela fundou em 2008 a “Kita Matahari”, um pequeno centro de acolhimento em uma área residencial nobre em Berna.

Cercada por uma dúzia de crianças – incluindo a sua própria – ela apresenta o espaçoso duplex convertido com uma grande cozinha. O financiamento público ajudou a pagar os custos de investimento nos primeiros dois anos. Mas ela continua a admitir: “Administrar essa creche é uma operação sem lucros.”

Ela também assume diferentes funções, gastando aproximadamente setenta por centro do tempo em tarefas administrativas, incluindo declarações de salários, cartas aos pais e cardápios para as crianças.

“Preciso estar cuidando de tudo e o tempo todo. Nunca dá para ficar parada. Estou constantemente fazendo malabarismos com os meus próprios valores, planos e finanças”, afirma Hürlimann, enquanto as crianças se enroscam nas suas pernas ou correm entre os quartos claros equipados com móveis modernos.

“As vagas devem ser preenchidas por mim no espaço de três meses para ter uma taxa de ocupação ideal. Até agora consegui fazê-lo. O sucesso significa não estar perdendo dinheiro.”

Custos elevados

Graças a esses novos centros, é geralmente fácil encontrar uma vaga de creche nas grandes cidades, mesmo em curto prazo. É o que explica Talin Stoffel, chefe da Associação Suíça de Creches “KiTaS”. O problema é o custo para os pais.

Como os pais devem cobrir aproximadamente 80% das taxas, uma vaga em período integral na cidade custa-lhe até 2.500 francos por mês, ou 40 mil francos por ano.

“Os custos de operação para administrar uma creche são comparáveis aos de outros países, mas a parte paga pelos pais é muito mais elevada”, explica Stoffel. “Uma criança é até financiável, mas o segundo filho faz dobrar os custos, levando muitas famílias aos seus limites. É por isso que a maior parte das pessoas só pode financiar uma creche em tempo parcial. ”

“Na Suíça existe o pensamento de que o cuidado à criança antes do jardim de infância seja de responsabilidade da família, que o Estado não deve interferir em questões privadas e apenas os mais pobres, que dependem de um segundo salário na família, devam ser apoiados para colocar seus filhos em uma creche”, acrescenta Stoffel.

Isso foi também ilustrado pelo fato dos eleitores suíços terem rejeitado, em março, uma proposta de promover a abertura de mais creches. A proposta levada a plebiscito foi rejeitada pela maioria rural dentre os 26 cantões (estados) e foi rechaçada pelos partidos de direita, argumentando que ela acrescentaria mais encargos financeiros aos contribuintes, além de ter uma interferência do Estado em assuntos da família.

Ela ressalta um estudo realizado pela economista Monika Bütler, da Universidade de St. Gallen. Este mostra que ter duas rendas na família é para muitas pessoas não uma vantagem, mas sim uma questão de responsabilidade. O salário de uma mãe trabalhando três dias por semana é consumido pelos custos da creche e acréscimos no imposto familiar, calcula a pesquisadora. Em alguns casos, uma renda adicional pode até reduzir a renda da família.

De acordo com o relatório “Fazendo melhor para Famílias” de 2011, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), famílias na Suíça gastam metade da sua renda em cuidados externos às crianças, mais do que qualquer outro país no mundo. A percentagem chega a representar até o dobro do segundo país no ranking, a Grã-Bretanha, e quatro vezes mais do que a média da OCDE de 12 por cento.

“Isso é demasiado”, diz Miriam Wetter, que coordena a Rede Suíça de Creches. “Os custos afetam a decisão de saber se uma mulher é capaz de financiar os cuidados à criança fora da família e até mesmo se elas decidem de ter ou não filhos.”

Subsídios não são suficientes

Uma família classe média comum, com uma renda dupla, não está capacitada a receber subsídios financeiros para as creches. Famílias de baixa renda podem se qualificar, mas não existem garantias de que ela vai recebê-lo. Mais de mil crianças estão na lista de espera por vagas subsidiadas em creches somente na capital Berna, segundo as autoridades municipais.

Mais subsídios são necessários, afirmam especialistas.

Os pais já estão pagando mais do que deviam e as creches não podem se dar o luxo de reduzir os custos, afirma Wetter, um cientista político que também preside o conselho de administração de uma creche. “Nós só podemos assegurar qualidade a preços reduzidos com um maior volume de subsídios.”

Quando o governo se comprometeu a oferecer mais apoio com o programa de financiamento de 2003, muitas pessoas especializadas no cuidados de crianças pequenas aproveitaram a oportunidade para abrir uma creche, acrescenta Stoffel, lembrando até uma corrida atrás do ouro.

“Elas eram realmente muito competentes no seu trabalho, mas depois de abrir as creches, rapidamente elas perceberam que terminaram não tendo muito tempo para cuidar das crianças devido a todos os trâmites burocráticos”, diz Stoffel.

E os principais desafios para os administradores de creches continuam sendo a falta de pessoal qualificado e aspectos financeiros, declara.

Muitos dos que entraram em dificuldades financeiras, simplesmente conseguiram sobreviver graças à forte demanda por vagas, considera Wetter. Existem muitas pequenas operações com soluções bem localizadas em pequena escala para a falta de creches.

Uma creche é uma pequena ou média empresa. Administrá-las não apenas requer as óbvias competências educacionais e conceitos de guarda de crianças, mas também conceitos de operações, higiene e segurança, como define um guia de 300 páginas publicado pela associação de creches. Os administradores precisam desenvolver um plano de negócios e um orçamento, além de controlar a qualidade da administração, os custos e o marketing, diz Wetter.

No futuro pode ocorrer uma mudança na direção de estruturas mais largas com uma direção centralizada como apoio trabalhando para diversas creches, uma estrutura que a organização de creches “Leolea” tem feito crescer lentamente desde 2003 ao oferecer serviços individualizados de creches em Berna e Lucerna.

Uma administração centralizada permite aos administradores de creches se concentrarem no trabalho com as crianças. Mas mesmo a Leolea é uma associação sem fins lucrativos, declara a secretária-executiva Nathalie Klemm. “Mesmo com estruturas centralizadas de custos, as creches não podem ser administradas para dar lucro.”

Chantal Britt, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele

Custos

Segundo a Associação Suíça de Creches, existem na Suíça mais de duas mil delas em funcionamento.

Cerca de 90% são privadas, ou seja, são primariamente financiadas pelas contribuições dos pais.

O governo contribui através de subsídios dados aos centros, aos pais ou através dos “vales-creches” distribuídos oficialmente.

Pesquisas realizadas em 2011 mostraram que as taxas cobradas em instituições públicas sofrem grandes variações através do país.

Seria entre 40 francos por dia em Bellinzona (sul) e 130 francos em Schwyz (centro).

Creches privadas custam entre 60 e 150 francos por dia nas cidades de Berna e Zurique.

Uma vaga subsidiada custa aproximadamente 10 francos, como estimam a associação de creches.

O custo para cuidar de uma criança custa aos mantenedores das creches mais de 170 francos por dia.

Elas necessitam ter uma taxa de ocupação de mais de 80 por cento, tem de ser acessíveis e estar localizadas em áreas centrais para manter a rentabilidade.

Para abrir uma creche, os administradores precisam investir mais de quatro mil francos por vaga, como estima a associação de classe.

Os salários correspondem a mais de 80% dos custos. O custo mensal geral de aluguel varia entre mil e sete mil francos.

 

Famílias gastam mais em hóteis, cafés e restaurantes do que em educação e saúde

Julho 1, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 20 de Junho de 2012.

As famílias portuguesas gastam mais em hotéis, restaurantes e cafés do que em saúde e educação, apesar de estas duas áreas terem cada vez mais peso no orçamento familiar, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com no “Inquérito às Despesas das Famílias 2010/2011”, divulgado hoje pelo INE, os gastos com habitação, transportes e alimentação consomem em média 57 por cento do orçamento anual dos agregados familiares.

Logo a seguir, na listagem dos grupos com mais impacto no orçamento familiar, surgem os gastos em hotéis, restaurantes cafés e similares que representam um gasto médio anual de 2.111 euros (menos 600 euros que o dinheiro gasto em alimentação).

Já a “saúde” representa para as famílias que vivem em Portugal um encargo médio anual de 1.186 euros, aproximando-o do valor gasto em atividades de “lazer, distração e cultura” (1.073 euros).

Comparando com a situação vivida em 2000, percebe-se que as áreas da “saúde”, “ensino”, “lazer, distração e cultura” e “hotéis, restaurantes, cafés e similares” têm um peso cada vez maior no orçamento familiar.

Ligado ao conforto do lar, os artigos de decoração, móveis, eletrodomésticos e despesas correntes de manutenção da habitação representaram 864 euros, pouco mais do que o gasto anual em vestuário e calçado (757 euros).

Em Portugal, as famílias gastam mais em comunicações do que no ensino: as comunicações representam 680 euros e o ensino 441 euros.

No final da tabela das despesas, surgem as bebidas alcoólicas, o tabaco e os narcóticos que representam um gasto médio anual de 384 euros.

As famílias que vivem na zona de Lisboa e no norte são as que mais gastam: se a média nacional da despesa anual ronda os 20.300 euros, em Lisboa a média sobe para 22.384 euros por agregado familiar e no norte é 300 euros acima de média (20.671 euros).

As famílias alentejanas são as que menos gastam (16.774 euros), seguidas dos agregados familiares das regiões autónomas dos Açores e da Madeira (17.626 euros e 18.586 euros respetivamente) e das famílias que vivem no centro (19.183 euros).

O Algarve é quem se aproxima mais da média, com os agregados familiares a terem uma despesa média anual de 19.967 euros.

Os resultados hoje divulgados baseiam-se num inquérito realizado entre março de 2010 e março de 2011 a amostra representativa dos agregados familiares residentes em Portugal.

 

 

País gasta 46 mil euros por aluno dos 6 aos 15 anos

Março 8, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 16 de Fevereiro de 2012.

Portugal gasta cerca de 46 mil euros com a educação de um aluno dos seis aos 15 anos de idade, segundo um relatório da OCDE divulgado, esta quinta-feira, com dados do PISA de 2009, programa internacional de avaliação de alunos.

No topo da tabela de investimento está o Luxemburgo, com quase 123.200 euros, no entanto, com um nível de aproveitamento inferior na aprendizagem de Matemática e Ciência.

Portugal atinge quase 500 pontos na tabela de literacia, enquanto o Luxemburgo se fica pelos 475 pontos.

Os melhores resultados escolares são obtidos por Xangai-China – acima dos 550 pontos – e um investimento pouco superior a 40 mil euros no percurso escolar em análise.

O relatório diz que a riqueza nacional ou maiores investimentos em educação não garantem uma melhor prestação.

“Entre as economias desenvolvidas, o montante gasto em educação é menos importante do que a forma como esses recursos são usados”, lê-se no texto.

Os autores exemplificam que países que gastam mais de 100 mil dólares por estudante dos seis aos 15 anos, como o Luxemburgo, a Noruega, a Suíça e os Estados Unidos da América, demonstram níveis de desempenho similares a países que gastam menos de metade desse montante por estudante, como a Estónia, a Hungria e a Polónia.

A principal conclusão é que o dinheiro por si só “não pode comprar um bom sistema de educação”.

Os sistemas escolares de sucesso nestas economias, tendem a privilegiar a qualidade dos professores sobre o tamanho das turmas.

“Ao nível dos países, o PISA descobriu que o tamanho das turmas não está relacionado com os sistemas escolares mais bem posicionados”, dizem os relatores.

Os sistemas com melhores prestações no PISA “acreditam que todos os estudantes podem alcançar” resultados e dão-lhes a oportunidade para lá chegar, destaca-se no documento.

O relatório diz ainda que, de um modo geral, os países com um bom comportamento no PISA atraem os melhores alunos para a profissão docente, oferecendo-lhes bons salários e reconhecimento profissional.

Os países que investem em salários mais elevados para os professores tendem a ter classes maiores.

Quanto custa ter um filho?

Maio 30, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Dra Ana Serafim – www.portal-gestao.com

Data:  Maio, 2011

Uma criança traz sempre uma série de alegrias e de despesas adicionais consigo, com grande impacto no seu orçamento familiar. Desde as despesas mais básicas, como a alimentação, vestuário e saúde, até às mais dispensáveis como roupas de marca, um bebé pode custar muito dinheiro.

De facto, as despesas com os filhos começam mesmo antes do nascimento: consultas médicas, ecografias, tratamentos de fertilidade (se necessários), cursos de preparação para o parto, entre outras necessidades podem ascender a vários milhares de euros.

Antes do nascimento

Se considerarmos que uma mãe realiza cerca de 11 consultas médicas e faz cerca de 5 ecografias durante os nove meses de gravidez, e que cada consulta custa cerca de €50 e cada ecografia cerca de €25, facilmente desembolsamos €675, só com cuidados médicos básicos. Um curso de preparação para o nascimento custa cerca de €200.

Mas estas despesas são as mais básicas. Se quiser ter o seu filho numa maternidade privada, o custo poderá rondar os €1500 e os €3000 dependendo do tipo de parto e da variedade e do nível dos serviços oferecidos. Actualmente, as clínicas privadas oferecem uma série de serviços complementares ao parto, como por exemplo, música ambiente, quarto privativo para o pai ou outros elementos do agregado familiar, serviço de refeições à escolha, além de poder escolher o médico e o pediatra.

Antes de a criança nascer, os pais têm de antecipar um conjunto de necessidades que acarretam mais custos: o quarto (que inclui no mínimo um berço, uma cómoda e um fraldário), assim como um carro de bebé, uma alcofa e uma cadeira de transporte automóvel. Além destas despesas, poderá contar também com biberões, roupa do berço e de vestir, brinquedos, chupetas e uma banheira para bebé. No mínimo, gastará €1500. Tenha especial atenção aos custos do carro de bebé, pois variam muito de marca para marca e em função da qualidade dos materiais.

Muitos destes artigos podem ser comprados na internet a preços muito interessantes. Se tiver experiência em compras pela Net, vale a pena comparar os preços em sites como o ebay e a amazon.

Uma outra decisão que os pais têm de tomar antes do nascimento é se pretendem preservar as células estaminais do bebé. Existem dois custos envolvidos nesta decisão: o kit de recolha, que deverá ser adquirido até um mês antes do parto e a recolha do sangue e do cordão umbilical durante o parto. O kit pode custar cerca de €150 e a recolha pode custar cerca de €1000. Portanto, aqui temos de ponderar: vale a pena este investimento ou é apenas uma moda, como afirmam alguns especialistas?

A análise deste investimento deve começar pelo benefício esperado com a preservação das células estaminais. Para que serve concretamente?

Comecemos pelas definições. As células estaminais são células indiferenciadas, não especializadas e com a capacidade de auto-renovação e diferenciação em diferentes tipos celulares. Podemos recolher células estaminais durante o parto ou de um adulto, sendo mais vantajoso obtê-las de um recém-nascido porque são mais resistentes e têm maior capacidade de proliferação do que se obtidas a partir de um adulto.

A recolha de células estaminais serve para combater doenças como leucemias, anemias e doenças hereditárias do sistema imunológico, entre outras.

Saber com rigor se vale ou não a pena fazer a preservação das células estaminais é sobretudo uma questão de fé. É assim uma vez que a evidência empírica sugere ainda uma aplicação muito limitada em número. Aliás, uma grande parte das aplicações médicas encontra-se ainda em estudo. Além disso, a preservação e armazenamento das células tem uma duração limitada a 20 anos. Portanto, esta despesa é dispensável a não ser que seja muito conservador.

Após o nascimento

A primeira despesa que ocorre a qualquer pai (ou mãe) quando se fala em bebés é as fraldas. Se considerarmos que uma criança consome 6 a 7 fraldas por dia durante os primeiros dois anos de vida, chegamos à conclusão que vai gastar um total de, digamos, 6.5 x 730 dias = 4745 fraldas! Para os novos pais, este número pode parecer assustador…

Ora, se cada fralda custar €0.26 (tendo em conta que uma embalagem de 60 unidades custa €15,98), o custo total com fraldas é de €1263,75. Impressionante, não?

Os custos com alimentação de um bebé podem variar entre os €200 e os €300 por mês, … se for amamentado, não custará muito. Cada embalagem de leite em pó custa cerca de €15. Depois dos primeiros meses, começa a comer papas e sopas. Comprando os ingredientes (à base de legunes) também não gastará muito. A partir dos 3 anos de idade, uma criança gastará quase tanto como um adulto.

O vestuário: como o bebé está sempre em grande crescimento, precisará de substituir a sua roupa com muita frequência. Claro que existem lojas mais acessíveis que oferecem baby grows por €15. Tenha em conta que precisará de roupa que vai durar pouco tempo e que se vai sujar muito. Também vai precisar de comprar roupa interior. Quando o bebé começar a gatinhar, a sua roupinha vai desgastar-se mais nos joelhos. Até lá, os sapatos são dispensáveis.

Infantário: Os mais baratos, que não têm apoios sociais, custam cerca de €200 por mês. Mas se escolher um infantário com serviços com actividades de desporto, cultura e com instalações mais sofisticadas, podem custar cerca de €600 por mês.

Um estudo efectuado pela Liverpool Victoria Society do Reino Unido aponta para um custo de cerca de €250.000 para criar um filho até aos 21 anos de idade, considerando que vive numa cidade periférica. Por isso, não pense no dinheiro que vai gastar com o seu filho, pense nas alegrias que ele lhe vai dar e viva a sua vida!


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