Mães entregam filhos a instituições por causa da crise

Novembro 14, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 1 de Novembro de 2013.

Lucília Monteiro

Os anos da crise estão a ser negros para as crianças. Crescem os casos de abandono e maus-tratos, mas também os de mães que entregam os seus meninos a instituições, por não terem como os criar

Joana Fillol

Aos 5 anos, Samuel tem um olhar vivo e brilhante. O seu comportamento não deixa adivinhar os momentos difíceis por que passou, na sua ainda curta existência. Alto e forte, é daquelas crianças que levam o mundo à frente. Como se os pequenos leões, cães e cavalos de plástico, cúmplices em horas de fantasia, lhe emprestassem a força de que precisa para viver.

A mãe e o pai de Samuel, Fátima e António, com 44 e 48 anos, respetivamente, descendem de famílias modestas e começaram cedo a trabalhar, para se sustentarem. Desde que casaram, os dias nunca foram folgados.

Mas, entre o trabalho dele, nas obras, e o emprego dela como ajudante de cozinha, o orçamento familiar ia chegando para evitar tombos de maior, nesse equilíbrio delicado que pode ser a vida.

Há três anos, o restaurante onde Fátima trabalhava começou a perder clientes. E ela ficou sem emprego. O ambiente familiar degradou-se e, depois de uma discussão mais violenta com o marido, acabou por bater com a porta, levando o filho de ambos, então com 2 anos, para casa da irmã.

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) andava atenta às famílias do bairro, numa zona carenciada de Matosinhos. Fátima soube que alguns meninos tinham sido institucionalizados e, antes que a abordassem, foi ter com a Comissão. “Pedi que me ficassem com o filho, mas só até arranjar a minha vida.

Não queria perder o meu Samuel”, diz a mulher, de ar envelhecido, cabelos baços e poucos dentes.

A criança trocou a casa da tia por um Centro de Acolhimento Temporário. Ficou triste pela separação da família e Fátima entrou em depressão. Esteve internada uns dias, mas tinha um objetivo forte a motivar a sua saída da cama: conseguir, um dia, recuperar Samuel.

Famílias em desespero

Este é o tipo de caso que leva Rosinda Antunes, presidente da CPCJ de Matosinhos, a questionar se a verba que o Estado dá às instituições a rondar os 700 euros mensais por cada criança não deveria ser canalizada para as famílias: “Quando não correm perigo, os menores não precisavam de ir para instituições e sujeitar-se à separação dos pais, se o Rendimento Social de Inserção (RSI) que estes recebem fosse aumentado ” e as famílias fossem mais apoiadas.

Tal como no caso de Fátima, o apoio financeiro do Estado seria precioso para Maria. Ganha 300 euros mensais, num cabeleireiro, menos 50 euros do que paga de renda de casa. O abono dos dois filhos, uma menina de 12 anos e um rapaz de 3, não chega aos 80 euros. Só o ATL do mais novo, necessário para que ela possa trabalhar até às 19 horas, custa de 45 euros por mês. As noites são passadas na cozinha, até às 3 da manhã, a fazer rissóis para vender e assim compor o ordenado. Sem a ajuda da mãe, empregada de limpeza, que contribui com alimentos, a fome seria inevitável. Se acontecer, Maria já decidiu: “Prefiro entregar os meus filhos a uma instituição a vê-los passar fome.” Vítima de violência doméstica, viveu quatro meses numa casa-abrigo, mas agora, fora daquelas paredes protegidas, perdeu todos os apoios. O seu parco ordenado é, aos olhos do Estado, suficiente para ficar de fora do que, em tempos de austeridade, se entende serem os “mais necessitados”.

O RSI chega a cada vez menos pessoas e “baixou imenso”, nota Rosinda Antunes.

No último ano, 70 mil pessoas perderam o apoio, que se situa
agora nos 82 euros por beneficiário. A assistente social cruza-se, cada vez mais, com pais sem dinheiro para dar de comer às crianças: “São pessoas sem formação [e com maiores dificuldades para entrar no mercado de trabalho], que têm de pagar casa, água, luz e, sem apoios, não conseguem sustentar os filhos.” Não é possível contabilizar com exatidão o número de crianças a sofrer na pele as consequências da crise mas chegam notícias alarmantes a um ritmo avassalador.

O mais recente relatório da Comissão Nacional de Proteção de Menores dá conta de um aumento significativo de maus-tratos (53 494 casos, só no primeiro semestre de 2013, mais 1 328 que em 2012), associando esta subida à conjuntura económica do País.

Na semana passada, um relatório da Direção-Geral de Saúde confirmou um aumento de 25% de casos registados nos hospitais: dos 6 815 menores em risco detetados nas urgências, muitos sofriam de malnutrição. Nas escolas, mais de 10 mil crianças foram sinalizadas por irem todos os dias para as aulas sem nada no estômago. Um relatório da Unicef fala de retrocesso nos Direitos da Criança e na violação de tratados internacionais assinados pelo Estado, revelando que 500 mil menores perderam o direito ao abono de família, entre 2009 e 2012, e muitas outras viram o seu valor ser reduzido. Em desespero, sentindo-se encurraladas, há famílias que cometem atos de desespero. Em Bragança, uma professora atirou o filho de 12 anos da janela de um hotel e suicidou–se em seguida. Tiveram ambos morte imediata.

Só no espaço de um ano, dez crianças foram mortas pelas suas mães. Aumentaram também os casos de abandonos de bebés. O mais recente foi registado a 11 de setembro, no Porto: uma menina com um mês de vida foi deixada numa paragem de autocarro.

Quando a encontraram, estava a dormir, bem alimentada, protegida do frio numa sacola térmica e estrategicamente situada: em frente de uma esquadra da PSP.

O gesto toca Cecília Bastos, até há dias presidente da CPCJ Porto Central. “A entrega da bebé terá sido um ato de amor, numa situação extrema. Pode ser uma mãe que pensa não reunir as condições para ter a criança ou que está muito desequilibrada.”

Do abandono ao colo apertado

Já passaram dois anos desde que Amélia, empregada de limpeza, abandonou o filho que acabara de dar à luz. Aos 30 anos, tinha já três filhos, de 1, 4 e 8 anos. Trabalhava, então, numa lavandaria, o marido era camionista de longo curso. Amélia usava um adesivo hormonal como método contracetivo.

“Descolou-se e falhou. Quando dei conta já estava de quatro meses”, explica, enquanto as lágrimas lhe correm pelo rosto. “Fiquei com receio de que o meu marido me deixasse.

Decidi esconder a gravidez.” A conversa é interrompida por soluços.

Amélia vai desfiando as memórias como se, ao partilhá-las à mesa de um centro comercial, libertasse um pouco da culpa que a acompanhará para sempre. “Tive o filho em casa, na banheira, num intervalo do almoço.

Cortei o cordão umbilical com a tesoura e atei-o com fio dental. Sou muito ‘doridinha’, nem sei onde fui buscar as forças.” Depois, seguiu para casa da mãe, dizendo que estava a tomar conta do filho de uma amiga, e passou a noite em branco, sem saber o que fazer. Na manhã seguinte, lembrou-se da notícia que lera uma semana antes, contando a história de uma mãe que abandonara um recém-nascido no cemitério. Pegou na sua velha carrinha cinzenta e vagueou, ao volante, lavada em lágrimas, com o filho recém-nascido ao lado. Tinha pouco tempo até entrar ao trabalho. Lembrou-se de um condomínio em Vila do Conde: “São prédios bonitos, com relva à volta. Pensei que alguém ia ficar com o bebé e tratá-lo bem”, justifica. Naquele primeiro dia de outubro, agasalhou o filho e colocou-o numa caixa de plástico, com uma lata de leite em pó ao lado. Pousou-o, a chorar. Quando arrancou com o carro, arrependeu-se de imediato.

Voltou atrás, mas já havia gente à volta.

Nessa noite, quando viu o seu bebé nas notícias, chorou.

Dois dias depois, não aguentou e dirigiu-se a uma CPCJ, com a irmã a quem acabara de confessar-se. Foi à esquadra, acompanhada de uma advogada da Cruz Vermelha, e iniciou o processo para ter o seu menino de volta. “Tive muita gente do meu lado, os professores dos meus mais velhos deram boas referências minhas. Eu tinha sido sempre uma boa mãe.” Solta, então, o primeiro sorriso: “O Afonso é hoje o pior dos quatro: cheio de vida, mandão.” Amélia laqueou as trompas e continua a ter acompanhamento psicológico. “Não estava bem. O meu pai tinha falecido e eu trabalhava a semana toda sem folgar para ganhar mais dinheiro”, diz. Imagina o quanto pode estar a sofrer a mãe que abandonou agora a filha, no Porto: “Deve ter pensado, como eu, que se a entregasse nalgum sítio iria ser identificada e ter problemas. Se calhar também acha que as CPCJ só castigam.

Eu não sabia que ajudavam. Encontrei lá um apoio espetacular.” O mesmo apoio descobriu-o Fátima, que todas as semanas ia visitar Samuel ao centro de acolhimento: “Tínhamos só uma hora e o tempo passava a correr.” Era sempre de coração apertado que o deixava.

Entretanto, reconciliou-se com o marido, encontrou emprego nas limpezas e reuniu as condições exigidas para ter Samuel de volta. Dois anos depois, os pais foram buscá-lo, levando-lhe um presente simbólico: uma pulseira de ouro. “Foi um dia lindo”, recorda a mãe, emocionada. Mas a melhor prenda foi voltar para casa. Hoje, os pais continuam a levá-lo ao centro de acolhimento, para matar saudades dos amigos que por lá continuam e das técnicas que o mimaram. Samuel não sabe, mas para quem lá trabalha é a sua força (emprestada pelos seus pequenos animais de plástico?) que vai compensando todas as angústias.

 

 

 

Cortes estão a deixar crianças e adultos com paralisia cerebral sem apoios

Outubro 21, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de Outubro de 2013.

Paulo Pimenta

Romana Borja-Santos

Em Portugal, há 20 mil pessoas com esta patologia. Famílias e amigos juntam-se neste domingo para desmistificar doença.

Famílias e amigos juntam-se este domingo em Lisboa. Será o primeiro Dia da Paralisia Cerebral assinalado no país e esperam-se ao pé do Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa, uma série de actividades que desmistifiquem a doença. Contudo, a Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral não quer deixar de alertar que há 20 mil pessoas com esta patologia no país e que os sucessivos cortes “estão a deixar as famílias esgotadas e desesperadas”: de um lado há as crianças sem os devidos apoios nas escolas ou no domicílio, do outro os adultos cujos pais estão já demasiado velhos para as tratarem.

O retrato é feito pela directora do Serviço de Neurologia Pediátrica do Hospital Dona Estefânia, Eulália Calado. A também presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, em declarações ao PÚBLICO, diz que o objectivo deste domingo é precisamente trazerem estas pessoas para a rua para que todos possam de forma natural conviver. O propósito de ter o Dia da Paralisia Cerebral, que decorrerá das 10h00 às 16h00, é dar mais visibilidade à doença e, sobretudo, de uma forma mais positiva, reunir num mesmo espaço doentes, familiares e técnicos em momentos lúdicos que vão de um piquenique, a jogos desportivos adaptados e a um espectáculo de dança.

“As pessoas com paralisia pessoal existem. Não só crianças. Esquecemo-nos que elas crescem, o que causa grande exaustão e preocupação aos pais, que buscam soluções de início, onde gastam tudo em tratamentos com e sem evidência científica, e mais tarde procuram apoio que não encontram na comunidade”, lamenta a médica. Até para trazer as pessoas até Lisboa esbarraram em coisas que Eulália Calado julgava ultrapassadas: em cada comboio Alfa Pendular há capacidade para apenas duas cadeiras de rodas.

Ao todo no país existem cerca de 20 mil pessoas com paralisia cerebral e todos os anos surgem 200 novos casos. Em 90% das vezes as crianças chegam à idade adulta. De problemas na gestação, no parto, encefalites, meningites, acidentes de automóvel a situações de pré-afogamento, várias são as causas desta doença motora que causa lesões cerebrais e de expressão verbal, mas nem sempre problemas cognitivos (um dos principais mitos).

Doentes afectados por cortes
Eulália Calado diz que tem sido difícil reduzir a prevalência de dois casos de paralisia por cada 1000 habitantes já que a própria medicina tem mais capacidade de resposta e consegue que hoje sobrevivam crianças que antes morreriam à nascença. E destaca o “número crescente” de crianças que nascem com baixo peso ou antes das 37 semanas de gestação, sendo que 50% dos casos de paralisia cerebral foram em bebés prematuros. “Há cada vez mais mulheres a adiarem a maternidade para depois dos 35 anos ou então a sofrerem a gravidez com grande stress e medo no emprego”, acrescenta. As gravidezes gemelares fruto de tratamentos de fertilidade também contribuem para as estatísticas.

O problema, prossegue a neurologista pediátrica, é que estes doentes são afectados pelos vários cortes, já que precisam ao mesmo tempo do sector da saúde, segurança social e educação. Eulália Calado diz que à federação chegam cada vez mais relatos de pais que não encontram lugar para os filhos nas escolas, sobretudo quando têm graus de dependência mais profundos, em que precisam de estar mais tempo numa sala à parte, com meios para poderem ter mais terapias e até tratamentos como aspirarem as secreções que acumulam nas vias respiratórias. Mesmo em casa há dificuldade em terem aparelhos e há mais crianças subnutridas ou com infecções, como alertou o segundo relatório do Programa Nacional de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral aos 5 anos de Idade, divulgado em Março deste ano.

A alternativa? “Um dos pais acaba por abdicar do emprego e quando consegue o subsídio para a chamada ajuda de terceira pessoa recebe uma quantia que não chega aos 90 euros por mês para tratar do filho 24 horas por dia, sete dias por semana. É esgotante e em termos de despesa, já sem contar com as cadeiras de rodas, ventiladores e outros materiais técnicos, só em pensos e fraldas e farmácia estas crianças gastam 20 a 30% mais que uma criança normal. Mesmo para as ajudas técnicas, um casal que receba por cabeça mais de 628 euros já não tem direitos”.

Eulália Calado teme que em 2014 a situação seja ainda pior, sobretudo porque sente que “estão a cortar todos os apoios de forma cega”. A médica preocupa-se com os doentes com idade intermédia que “ficam ao abandono”, já que não existem cuidados continuados suficientes e a única alternativa (quando há) é levá-los prematuramente para um lar, sendo que “a pensão a que têm direito é de apenas 200 euros”.

“A paralisia cerebral não é rara, não está em vias de extinção e é altamente democrática, atinge todas as classes sociais. O que não é democrático é que mais de 30 anos de democracia não estão a chegar para lhe dar resposta”, conclui.

 

Crianças portuguesas são das que mais sofrem com a crise

Outubro 21, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de Outubro de 2013.

João Gaspar

Pelo menos 500 mil crianças e jovens perderam o direito ao abono de família entre 2009 e 2012. Em 2011, o risco de pobreza estava nos 28,6%, indica relatório remetido pela Unicef Portugal ao Comité dos Direitos das Crianças.

Foram pelo menos 500 mil as crianças e jovens que perderam o direito ao abono de família entre 2009 e 2012 e muitas outras viram o seu valor ser reduzido. Esta medida, juntamente com a política de austeridade, está a fazer aumentar a taxa de risco de pobreza entre as crianças portuguesas e o número de pedidos de ajuda registou um “aumento sem precedentes”, alerta um relatório redigido pela Unicef Portugal a partir dos contributos de várias organizações não-governamentais como a Associação para a Promoção da Segurança Infantil, a Caritas portuguesa e a Confederação Nacional de Acção sobre Trabalho Infantil.

O documento, citado pelo Jornal de Notícias e pelo Expresso, relata que, em 2011, a taxa de pobreza entre crianças subiu para 28,6%, pelo que volvidos quase dois anos poderá estar ainda pior.

Este valor tem em consideração que 46 mil famílias perderam o direito ao rendimento social de inserção, “afectando em particular as crianças de meios mais pobres” e levando a “um aumento sem precedentes” do número de pedidos de apoio e assistência.

A situação reflectiu-se, por exemplo, no número de casos que chegou às comissões de protecção de crianças e jovens, que aumentou 65% em 2012 — o que coloca o país na causa da lista da Europa a 27.

O relatório refere que se assiste, com as medidas tomadas, a “retrocessos” que “levaram à negação ou violação dos direitos económicos, sociais, culturais (…) das crianças e jovens”, que pela sua vulnerabilidade deveriam ser protegidos, cita o Jornal de Notícias.

Os especialistas apelam, por isso, a mais vigilância sobre as consequências das medidas de austeridade tomadas pelo Governo, já que estão a afectar áreas básicas como a alimentação, saúde e educação. E lembram que o país tem como obrigação assegurar os tratados internacionais que ratificou sobre os direitos das crianças.

O documento contou com vários inquéritos no terreno, entrevistas e análise às políticas públicas portuguesas, adianta o Expresso, que diz que o relatório vai ser discutido em breve na ONU.

Já em Abril um relatório da Unicef indicava que mais de 25% das crianças portuguesas viviam em privação material, segundo um documento que avaliava o bem-estar das crianças nos países ricos.

A lista mediu as dificuldades de acesso das crianças de 26 países a pelo menos dois de uma lista de 14 itens: desde o acesso a três refeições por dia à possibilidade de celebrar aniversários. Portugal surgia em 23.º lugar, acima apenas da Lituânia, Hungria e Roménia, enquanto Espanha se “segurava” num 10.º lugar. Porém, os dados tinham como base o ano de 2010, quando muitos dos efeitos da crise ainda não eram sentidos.

 

 

Ação – Intervenção na Crise em Diferentes Contextos : relações interpessoais, família, escola e comunidade

Setembro 20, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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crise

Mais informações aqui

Objectivos 

Sensibilizar para o trauma psicológico (experiência de eventos traumáticos) e conhecer conceitos fundamentais para  a pratica da intervenção na crise e da intervenção psicossocial em emergência e catástrofe

Compreender a importância da avaliação de um incidente e do seu planeamento estratégico

lntervir num grupo após uma situação de crise e integrar uma equipa CISM – gestão de stress de um incidente critico

Competências 

Saber praticar intervenções na crise para grupos

Programa 

Stress geral, cumulativo, de um incidente critico e PTSD

Fundamentos da Critical Incident Stress Management (CISM)

Populações em  risco:  serviços de  emergência, militares  e outros

Diferentes técnicasde   intervenção:  Desmobilização/RITS, Briefings de Gestão na Crise (CMB}, Defusing/ISGS, Critical Incident Stress Debriefing CISD/PEGS, sCMB

Familiarização com riscos de resultados adversos associados a intervenção na crise e como reduzir esses riscos

Prática de intervenções na crise para grupos, através de role­ plays

 

The Recession’s Ongoing Impact on Children, 2012: Indicators of Children’s Economic Wellbeing

Agosto 1, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Child Poverty

More than 16 million children were poor in 2011, representing a child poverty rate of 22.5 percent, according to data from the American Community Survey. Using state-specific data on unemployment rates and SNAP caseloads, the authors predict that child poverty will remain at a similar level in 2012. In other words, more than one in five children are growing up in families with very low incomes (less than $18,000 for a family of three in 2011). Child poverty was lower before the recession—18.0 percent—but still high compared to poverty rates in other countries. Child poverty varies dramatically by state, with rates reaching 30 percent or higher in Mississippi, New Mexico and the District of Columbia.

There has not been much change in children’s economic well-being over the past year. While the number of children with unemployed parents is down somewhat, the number of children receiving SNAP benefits is up somewhat, and little change is predicted for child poverty. All three indicators show a sharp deterioration in economic circumstances when compared with conditions before the recession. While all states show this economic decline, it has been particularly strong in certain states. As policymakers engage in debates about government spending, it is important to recognize that many families with children have not yet recovered from the recession and would be adversely affected by cuts in the safety net.

El número de niños griegos en la pobreza aumenta de 104.000 a 597.000 en un año

Maio 31, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do El Mundo de 22 de Maio de 2013.

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Dpa | Europa Press

El presidente de la representación de UNICEF en Grecia, Lambros Kanellopoulos, ha denunciado que 597.000 niños viven por debajo del umbral de la pobreza, 493.000 más que hace un año.

La crisis griega golpea a sus hogares, donde el número de niños que viven en la pobreza se ha multiplicado por seis en el último año. De esta cifra, 322.000 no tienen las necesidades nutricionales básicas cubiertas, lo que tiene consecuencias de peso en su salud y su formación.

“La situación es muy inquietante. Los problemas de pobreza y exclusión social están aumentando“, afirmó Kanellopoulos durante una conferencia de prensa en Atenas.

Unicef organizará una gran campaña de donación el próximo 28 de mayo en todo el país para juntar dinero para vacunas, alimentos y vestimenta.

Paro juvenil

Este mismo día, el presidente del Consejo europeo, Herman Van Rompuy, ha reclamado a los gobiernos europeos que exploren de aquí a junio “nuevas ideas” para combatir el fuerte desempleo juvenil en la Unión Europea, con países como España y Grecia en donde el paro de los más jóvenes supera el 50%.

El presidente del Consejo ha explicado que la próxima reunión de los líderes europeos, los días 27 y 28 de junio, se centrará en avanzar en las políticas europeas y han confiado en que esta cita sirva “para hacer progresos contra el desempleo, en especial para los jóvenes”.

La primera en reaccionar ha sido la canciller alemana, Angela Merkel, que, en su comparecencia ante los medios tras concluir el consejo europeo, ha anunciado que ha convocado a los ministros de Empleo de la UE para explorar, el próximo 3 de julio en Berlín, soluciones “eficaces” contra el paro de los jóvenes.

Además, Francia y Alemania tienen previsto presentar la próxima semana en París un nuevo plan para crear empleo juvenil, según ha trascendido en la prensa alemana. Los 27 ya acordaron el pasado mes de febrero la creación de un fondo de 6.000 millones de euros para apoyar políticas de creación de empleo juvenil.

 

Instituto de Apoio à Criança realça situação de pobreza «envergonhada»

Abril 18, 2013 às 2:28 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF do dia 11 de Abril de 2013.

A notícia contém comentários do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador
do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Declarações à TSF do  Dr. Manuel Coutinho Aqui

O PCP leva hoje a debate na Assembleia da República um projeto de lei para combater a pobreza infantil. A comunista Rita Rato diz que é preciso mais informação sobre o assunto em Portugal. Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança, realça que «estamos a viver uma situação de pobreza envergonhada»

Esta realidade no fim de 2010 (segundo os últimos dados sistematizados pelo Eurostat) afetava mais de 22 por cento das crianças e adolescentes portugueses, quase 440 mil estavam nessa altura em situação de pobreza.

O PCP nota precisamente a falta de informação sobre a pobreza infantil. A deputada Rita Rato diz que essa é uma lacuna que a proposta pretende resolver, sublinhando que é fundamental saber como é que a crise está a afetar as crianças.

A proposta dos comunistas pretende que se faça um relatório anual sobre a pobreza infantil em território português e se crie uma comissão nacional dos direitos das criança e jovens.

«Somos confrontados com uma inexistência de informação» sobre esta problemática, adianta Rita Rato.

As propostas do PCP são bem acolhidas pelo Instituto de Apoio à Criança, onde chegam cada vez mais relatos de pobreza infantil, mas Manuel Coutinho, o secretário-geral, estima que a situação seja bem mais grave.

«Estamos a viver uma situação de pobreza envergonhada. Há pais que estão com dificuldades quanto se divorciam têm dificuldade em pagar as pensões, pais e mães com dificuldades em pagar as senhas de refeição e preocupações em como alimentar as crianças nas férias escolares», adianta.

 

Problemas dos pais, preocupações dos filhos – Entrevista do Notícias Magazine a Manuel Coutinho

Março 22, 2013 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Notícias Magazine ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no dia 17 de Março de 2013.

coutinho

por Bárbara Cruz Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

A linha SOS Criança recebe cada vez mais apelos de filhos preocupados com o emprego (e desemprego) dos pais. Manuel Coutinho, coordenador do serviço diz que é preciso tranquilizar as crianças, mas sem esconder as dificuldades. E defende que a crise também tem um efeito pedagógico.

Manuel Coutinho

Psicólogo clínico, coordenador da linha SOS Criança desde 1989 e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança desde março de 1999. Foi, durante mais de uma década, docente do ensino superior na Escola Superior de Tecnologia da Saúde e na Universidade Lusófona. Tem consultório em Campolide, Lisboa.

A linha SOS Criança (116111) tem recebido cada vez mais chamadas de crianças preocupadas com a instabilidade laboral dos pais. Este tipo de chamada já existia ou surgiu com a crise?

_O SOS Criança é um serviço específico, para problemas inespecíficos. Pertence ao Instituto de Apoio à Criança e, desde 1988, quando foi criado, já recebeu mais de cem mil apelos. Podemos dizer que já nos chegaram todo o tipo de problemas: sempre que a sociedade começa a pulsar de uma maneira diferente, essas realidades chegam ao SOS Criança. Por exemplo, quando apareceu a situação da Casa Pia, o SOS Criança recebeu muito mais chamadas sobre abusos sexuais do que até ali.

As chamadas acompanham as situações mediáticas, então?

_Exatamente. Sempre que se fala mais de pobreza, o SOS Criança também recebe maior número de situações ligadas à mendicidade e nós tentamos articular-nos com os serviços sociais, com as comissões de proteção, para dar uma resposta válida e atempada ao problema. Quando a sociedade começa a falar de crise económica, é claro que aumenta a preocupação sobre as famílias do ponto de vista socioeconómico. As pessoas ficam mais sensibilizadas, quer adultos quer crianças, e passam a ligar mais. Também é verdade que boa parte das chamadas que surgem são de crianças ou jovens que querem refletir sobre o assunto, porque passámos de uma sociedade em que sobrava quase tudo para uma sociedade em que começam a comer-se as sobras. E os jovens e crianças que viviam para ter, de repente, começaram a perceber que os bens materiais podem tornar-se escassos e os pais, que até agora tinham um emprego assegurado, podem deixar de o ter, de um momento para o outro. A crise também traz às crianças dos tempos atuais a noção de que é preciso poupar, que é preciso gerir com maior rigor os bens que temos ao dispor.

Essa noção ainda não existia?

_A crise faz que percebam que não podem ter tudo o que desejam e que, eventualmente, devem lutar e merecer ter as coisas.

E as chamadas que recebem, são de crianças cujos pais já perderam o emprego ou têm apenas o receio dessa situação?

_Quem nos procura, normalmente, são crianças que têm o fantasma de essa situação poder vir a acontecer-lhes. Crianças dos 10 aos 14 anos. Começam a mostrar mais esta preocupação, porque a vida delas, de alguma maneira, pode vir a ficar comprometida. E isto também significa que a crise atravessou todas as classes sociais. Mas as que me trazem maior preocupação são as crianças que já estavam numa situação de fragilidade e desceram ainda mais na escala das suas possibilidades. E aqui é que temos de estar atentos: além das chamadas que chegaram ao SOS Criança sobre este assunto, peço a quem souber de crianças que estão a passar dificuldades, que estejam a ser efetivamente privadas, que ligue para o 116111, o número gratuito do SOS Criança, para nos dizer onde estão essas crianças e famílias.

Como é que os pais que estão a lidar com a instabilidade no local de trabalho podem tranquilizar os filhos?

_As famílias estão a viver uma grande pressão social, um stress muito grande. Esta pressão vitima, em primeiro lugar, os adultos, que nem sempre conseguem contê-la. E depois, muitas vezes, perdem a tolerância, perdem a lucidez e deixam passar esta pressão para os filhos, o elo mais fraco nesta equação. Umas vezes não são compreensivos, outras não têm tanta paciência e chegam a agredir os filhos. Como se dizia no passado, «casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão». A sensação de desconforto que a crise provoca é, às vezes, tão grave quanto a própria crise. Esta angústia cria muita ansiedade e leva os pais aos consultórios dos psicólogos, porque têm comportamentos desajustados com os filhos. Querem que eles estudem mais, que não brinquem, que levem a vida muito a sério. Estão tão preocupados, para que os filhos consigam estar munidos de mais informação, o mais estruturados possível, que por vezes esquecem-se de que são crianças e exigem-lhes demasiado. Temos de tentar serenar e conversar sobre outros assuntos. A bem da saúde mental, não devemos estar sempre com a lupa posta na situação de crise.

As chamadas que recebem também provam que, apesar de os pais pensarem o contrário, as crianças estão sempre alerta?

_As crianças são autênticas máquinas de filmar: absorvem tudo o que se passa à volta delas. Podem não compreender bem o que está a acontecer, mas sentem, e se não forem esclarecidas às vezes ainda ficam mais aflitas do que os próprios adultos. Os pais são os garantes da tranquilidade dos filhos, se não lhes transmitem segurança, provocam instabilidade no seu comportamento. Recebemos telefonemas de pais porque os filhos movimentam-se muito, estão desatentos, não querem comer determinados alimentos para que os pais não gastem dinheiro, etc. As crianças não verbalizam, somatizam, mostram pelo comportamento o que os adultos dizem pela palavra. E os pais não compreendem, porque não percebem que há uma relação entre aquilo que acontece ao país, às famílias, e a interação que estabelecem com os filhos.

Os pais devem conversar com os filhos sobre o que os preocupa?

_Os pais devem conversar com os filhos, efetivamente, sobre as suas preocupações. Se o pai está preocupado, angustiado, deve falar com os filhos, mas não se deve esquecer de uma coisa: tal como não damos um bife inteiro às crianças – partimo-lo para que possa ser ingerido mais facilmente -, quando damos esse tipo de informação devemos explicá-la à criança de uma maneira que ela possa compreender. Nunca de forma dramática. E sempre que possível deve falar-se de maneira informativa, explicar o quê, onde, como e porquê. De modo sereno, dizer que existe este problema mas não é só em Portugal, também em Espanha, Grécia e outros países da Europa. Explicar que as situações vão resolver-se mas, neste momento, temos de estar mais atentos, sem gastar tanta luz, tanto gás, tanta água. Dizer que «se calhar, não me deves pedir tantas coisas». Devemos sensibilizar os filhos, mas dar sempre a esperança de que as coisas irão melhorar.

É errado ocultar este tipo de problemas?

_Eu acho que as crianças devem estar a par das dificuldades e dos problemas do país e, obviamente, dos pais. Não devem viver num subsistema à parte. É preciso passar a informação. Mas com filtros, claro.

Defende que a crise tem de ser um assunto de adultos, não de crianças. Mas como é que um pai, desempregado, explica a um filho que este ano não vai poder ter presentes no aniversário, quando se calhar teve três presentes no ano passado?

_Depende da idade da criança. A partir do momento em que percebe as coisas, o pai e a mãe devem explicar-lhe serenamente, ainda que com alguma reserva, que neste momento não têm garantias de que as coisas possam continuar como no passado. E podemos acrescentar, talvez, que o passado estava errado, e que há comportamentos que devem ser corrigidos. Até do ponto de vista da alimentação, se há uma carcaça, deve ser comida até ao fim. Se não, tem de ser comida em duas vezes, não se come metade do pão e o que sobra vai para o lixo. Se a criança vir que os pais, em casa, fazem outro tipo de alimentação, aproveitam o que sobra em vez de atirar para o caixote, pode ser pedagógico. É importante explicar às crianças, não às que já não tinham nada, mas àquelas que tinham tudo, que estamos a corrigir uma situação. Dizer-lhes que não precisavam de ter dez brinquedos, chega-lhes um, mas que andávamos todos a achar que precisavam desses dez.

Seminário O Impacto da Crise nas Crianças e Jovens

Março 21, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, irá participar no Painel IV “Pelo Desemprego” e a Drª Ana Isabel Carichas, Técnica IAC-Projecto Rua, irá participar como moderadora no Painel I “Pela Deficiência”.

Inscreva-se enviando email para seminario.cpcjlisboaoriental@gmail.com indicando  nome instituição e endereço eletrónico. Inscrições gratuitas, mas limitadas à lotação do espaço.

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III Encontro Sementes D’Afetos : Crise Económica – Impacto na Família Que Oportunidades?

Março 20, 2013 às 2:56 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Melanie Tavares, Coordenadora da Mediação Escolar do Instituto de Apoio à Criança, irá apresentar a comunicação “Mediação Escolar – Exemplo de Boas Práticas”.

Inscrições Aqui

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