Ishmael Beah’s message of hope for former child soldiers | UNICEF

Março 27, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Que futuro para as crianças da Síria? Diretor-geral da UNICEF fala em “infância roubada”

Março 19, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Anthony Lake publicado no Expresso de 12 de março de 2015.

FOTO ZEIN AL-RIFAI AFP Getty Images

Leia o artigo de opinião do diretor-executivo da UNICEF a propósito da entrada no quinto ano do conflito na Síria, que afeta cerca de 14 milhões de crianças naquele país e nas regiões vizinhas. “Não podemos desistir destes jovens”, apela Anthony Lake.

Anthony Lake

Este mês, o conflito na Síria entra no seu quinto ano brutal.

É um marco chocante – assinalar quatro anos de escalada de violência e sofrimento sem resolução à vista. Dezenas de milhares de civis perderam a vida.

Milhões de pessoas fugiram. Casas, hospitais, escolas, todos foram alvo de ataques diretos. Comunidades inteiras foram privadas do acesso a assistência humanitária, alimentos e água. A violência alastrou além-fronteiras como uma infeção invasiva.

Agora, imaginem este horror através dos olhos das crianças que estão a vivê-lo. As suas casas foram bombardeadas ou abandonadas. Perderam quem mais amavam e os seus amigos. A sua escolaridade foi interrompida, ou nunca iniciada. Foi-lhes roubada a sua infância.

Naquela que se tornou a pior crise humanitária de que há memória recente, a UNICEF estima que cerca de 14 milhões de crianças estão agora afetadas na Síria e países vizinhos.

Para as mais novas dessas crianças, esta é a única realidade que conhecem. A sua experiência do mundo tem as cores do conflito e das privações.

E para os adolescentes que estão a entrar no seu período de formação, a violência e o sofrimento por que passaram não só deixaram cicatrizes como estão a moldar o seu futuro.

Enquanto os jovens das mesmas idades noutros países estão a começar a fazer as escolhas que irão afetar o resto da sua vida, estas crianças estão a tentar sobreviver. São tantas as que têm sido confrontadas com a crueldade extrema. Ou pressionadas a trabalhar para sustentar as suas famílias. Ou forçadas a casar enquanto ainda são crianças. Ou recrutadas por grupos armados.

UNICEF

Que escolhas irão estas crianças fazer? Que escolhas têm?

Continuarão a acreditar num futuro melhor? Ou irão simplesmente desistir, em desespero – resignadas com as oportunidades limitadas de um futuro instável?

Pior ainda, irão elas próprias recorrer à violência – que acaba por lhes parecer normal?

Há um ano, os líderes humanitários advertiram para o risco de estarmos a perder uma geração inteira de jovens para a violência e o desespero – e com ela, a oportunidade de um futuro melhor para a Síria e a região. Esse risco não diminuiu.

Com a crise a entrar no quinto ano consecutivo, esta geração de jovens continua em perigo de se perder num ciclo de violência – de replicar na geração seguinte o que sofreu.

A comunidade internacional respondeu a esta sombria possibilidade, tentando chegar a estas crianças com assistência humanitária, proteção, educação, e apoio. Mas não tem sido suficiente.

Não podemos desistir destes jovens – e precisamos de multiplicar o número daqueles a quem chegamos antes que desistam de si próprios e do seu futuro.

Ainda temos tempo – e ainda há esperança. Apesar dos danos que já sofreram, das injustiças que suportaram, e da aparente incapacidade dos adultos para porem fim a este horrível conflito, estas crianças ainda têm coragem e determinação para construir uma vida melhor.

Crianças como Alaa, de 16 anos, que fugiu há dois anos de Homs, a cidade síria onde morava. Com a escolaridade interrompida, teve a oportunidade de encontrar um programa de formação oficinal – e hoje está à frente de cursos de formação para outras crianças.

Crianças como Christina, de dez anos, do outro lado da fronteira, no norte do Iraque. Está a viver num abrigo para famílias deslocadas, onde ajuda crianças mais novas a estudarem enquanto se esforça por prosseguir os seus próprios estudos.

Vendo a determinação destas crianças, como podemos nós estar menos determinados a ajudá-las? Sabendo que elas não perderam a esperança, como podemos nós perdê-la?

Se o fizermos, então as consequências far-se-ão sentir nas próximas gerações … por todos nós.

Porque esta crise terrível não se limitou a afetar milhões de crianças. Quando chegarem à idade adulta, estas crianças e as escolhas que fizerem irão refletir-se no futuro de milhões de pessoas – nos seus países e na sua região. Será um futuro de esperança e reconciliação – ou um futuro de violência e desespero?

Este último não é um futuro que elas mereçam. E não é certamente um futuro que nós queiramos ver.

 

 

 

L’ONU dénonce les exactions de l’Etat islamique envers les enfants en Irak

Fevereiro 14, 2015 às 4:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.lemonde.fr  de 5 de fevereiro de 2015.

AFP  Sabah Arar

Des enfants irakiens sans abri sur un terrain vague à Bagdad AFP SABAH ARAR

Les conclusions d’un rapport rendu public mercredi 4 février par le Comité des droits de l’enfant (CRC) des Nations unies sont alarmantes concernant la situation des enfants en Irak, notamment dans les zones contrôlées par l’Etat islamique (EI). L’organisme onusien dénonce le recrutement par des « groupes armés », en particulier par l’EI, d’« un grand nombre d’enfants » pour en faire des combattants, des kamikazes et des boucliers humains, ainsi que les sévices sexuels et les autres tortures qui leur sont infligés.

« Des enfants [sont] utilisés comme kamikazes, y compris des enfants handicapés ou ceux qui ont été vendus à des groupes armés par leurs familles », soulignent les auteurs du rapport. Ils expliquent aussi comment certains mineurs ont été transformés en « boucliers humains » pour protéger des installations de l’EI des frappes aériennes, forcés à travailler à des postes de contrôle ou employés à la fabrication de bombes pour les djihadistes. Le comité a exhorté Bagdad à explicitement criminaliser le recrutement d’une personne de moins de 18 ans dans les conflits armés.

DÉCAPITATIONS, CRUCIFIXIONS

Le CRC a en outre dénoncé les nombreux cas d’enfants, notamment appartenant à des minorités religieuses ou ethniques, auxquels l’EI a fait subir des violences sexuelles et d’autres tortures ou qu’il a purement et simplement assassinés. Il relate plusieurs cas d’exécutions de masse de garçons, ainsi que des décapitations, des crucifixions et des ensevelissements d’enfants vivants.

Bien que le gouvernement irakien soit tenu pour responsable de la protection de ses administrés, Mme Winter a reconnu qu’il était actuellement difficile de poursuivre les membres des « groupes armés non étatiques » pour de tels actes. Selon elle, le gouvernement devrait s’efforcer de faire tout son possible pour protéger les enfants dans les zones qu’il contrôle et pour les extraire des lieux contrôlés par l’EI.

PAS ATTRIBUÉS QU’AUX DJIHADISTES

Le comité a toutefois souligné que certaines violations des droits des enfants ne pouvaient être attribuées aux seuls djihadistes. De précédents rapports relevaient ainsi que des mineurs étaient obligés d’être de faction à des postes de contrôle tenus par les forces gouvernementales ou que des enfants étaient emprisonnés dans des conditions difficiles à la suite d’accusations de terrorisme, et dénonçaient également des mariages forcés de fillettes de 11 ans.

Une loi permettant aux violeurs d’éviter toute poursuite judiciaire à condition de se marier avec leurs victimes s’est particulièrement attirée les foudres du CRC, qui a rejeté l’argument des autorités de Bagdad selon lesquelles c’était « le seul moyen de protéger la victime des représailles de sa famille ».

 

 

Crianças de guerra

Janeiro 9, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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artigo do Expresso de 2 de janeiro de 2015.

O relatório citado no artigo é o seguinte:

Rule of Terror: Living under ISIS in Syria

Instrução religiosa e militar, lavagem ao cérebro, a escolha entre morrer no campo de batalha ou como bombista suicida. É o destino de muitos menores na Síria e no Iraque.

Luís M. Faria

Os relatos já são bastantes, em publicações que vão desde sites como o warincontext.org ao “New York Times”. O Estado Islâmico (EI) ensina crianças a decapitar, utilizando métodos diferentes conforme a idade do aluno. Se for muito novo (digamos, 10, 11 anos), a instrução é feita primeiro com vídeos onde se veem exemplos reais e a seguir a criança replica o procedimento num boneco. Quando o aluno tem mais de 16 anos também há vídeos, mas a prova final, em princípio, é efetuada em condições realistas – por exemplo, envolvendo soldados sírios ou iraquianos que tenham sido capturados pelo EI.

No conflito sírio, como noutros pelo mundo fora, há mais que um grupo a usar crianças, mas o Estado Islâmico levou essa prática a níveis inéditos. Para os líderes do movimento, é perfeitamente islâmico sacrificar a vida de meninos. Nos territórios que controla, o EI rapta crianças em grande número para doutrinar. Também acontece os pais entregarem-nas, por dinheiro ou por a escola islâmica ser a única que resta no local. Ao estudo da sharia, a lei islâmica, que pode levar semanas, segue-se o treino militar. As crianças podem tornar-se soldados, bombistas suicidas – conseguem entrar onde mais ninguém entra -, ou envolver-se nalguma atividade de apoio, como dar sangue a outros combatentes. Algumas são enviadas para a frente com este último objetivo.

Mesmo longe dos combates, a brutalização é constante. Em outubro, um relatório da ONU resumiu a situação nas zonas sírias controladas pelo EI: “As crianças têm sido vítimas, perpetradores e testemunhas de execuções pelo ISIS. Meninos com idade inferior a 18 foram executados – decapitados ou abatidos a tiro – por alegada filiação noutros grupos armados. Combatentes do ISIS com menos de 18 anos de idade terão desempenhado o papel de carrasco. Um soldado de 16 anos de idade, supostamente, cortou as gargantas de dois soldados capturados na base aérea de Tabqa em finais de agosto de 2014, em Slouk (Ar-Raqqah). As crianças encontram-se muitas vezes presentes na multidão durante as execuções e não podem escapar à visão dos cadáveres exibidos publicamente ao longo dos dias seguintes”.

“Um pai de Dayr Az-Zawr afirmou que a primeira vez que viu o corpo de um homem pendurado numa cruz em Al-Mayadin, no final de julho de 2014, ficou vários minutos paralisado pelo horror da cena, antes de perceber que o seu filho de sete anos estava com ele, também a olhar para o corpo”, continua o relatório. “Nessa noite, o seu filho não conseguiu dormir e acordou repetidamente em pânico. O pai descreveu que sentia uma culpa imensa por ter exposto o seu filho a uma tal crueldade”.

A fuga

Alguns casos recentes de jovens que conseguiram fugir deitaram luz na situação dos membros mais jovens do Estado Islâmico. Uma das histórias mais impressionantes é a de Usaid Barho, um adolescente sírio de Manjib, próximo de Aleppo. Usaid aderiu ao EI por uma variedade de razões: disseram-lhe numa mesquita que todos os xiitas eram infiéis e que era preciso matá-los – depressa, antes que aparecessem onde morava para lhe violarem a mãe. Os estímulos incluíram a própria fé no Islão, o entusiasmo da cruzada, o espírito de grupo, a perspetiva de escapar ao aborrecimento.

Usaid foi e iniciou o seu treino. Mas diz que se apercebeu do contraste entre a ideologia radical do grupo e a prática dos seus membros, concretamente os homens, vários dos quais fumavam ou até faziam sexo uns com os outros. A matança constante de inocentes também o repugnava. Desiludido, Usaid começou a pensar em sair, ciente de que essa decisão, se alguma vez a exprimisse, podia levar à sua execução imediata pelo EI. Resolveu ser astuto. Após um mês de instrução militar, quando lhe deram a opção entre ser combatente ou bombista suicida, escolheu bombista. Garante que o fez porque isso tornava muito mais fácil a fuga. Se optasse por ser soldado e desertasse no campo de batalha, matavam-no logo. Como bombista, as possibilidades eram maiores.

Cumpridas as preparações que faltavam, chegou o dia marcado para o seu sacrifício, que devia ter lugar no Iraque. Vestiram-lhe o colete e levaram-no à mesquita xiita onde Usaid devia cumprir a sua missão. Mas quando chegou à porta, abriu o casaco e disse: “Tenho um colete suicida, mas não me quero fazer explodir”. Alarme, confusão, gritos. Um guarda tirou-lhe o colete e ele foi levado para a cadeia. Interrogado, as autoridades parecem não ter ficado totalmente convencidas com a sua versão, a julgar pelo facto de o terem mostrado algemado na televisão e lhe terem chamado terrorista. Mas o porta-voz do Ministério do Interior chama-lhe “vítima do Estado Islâmico” e o agente que o interrogou diz que o apoiará se ele chegar a ser julgado.

Habituar crianças à violência extrema

Outras histórias sobre o recrutamento de crianças foram publicadas recentemente no Wall Street Journal, um diário americano. O artigo abre com uma cena em que crianças assistem à decapitação de soldados sírios. Algumas chegam mesmo a participar. O relato de um dos entrevistados, com 17 anos, sugere que esse tipo de evento é habitual. Num vídeo do Estado Islâmico, aparecem oito crianças a insultar um cadáver. O entrevistado conta que antes as crianças de sete anos eram obrigadas a ir à escola; agora têm de lutar. Pela sua parte, a luta começou em 2011, nas fileiras do Exército Livre da Síria. Continuou na frente Nusra, parte da Al-Qaeda, e acabou no Estado Islâmico, conforme cada um desses grupos foi controlando a cidade de Deir Ezzour. (O jovem de 17 anos acabou por deixar o EI, mas o seu irmão mais novo, com dez anos, a quem ele levou para lá, mantém-se um recruta empenhado).

O relatório da ONU diz que “a educação é usada como uma ferramenta de doutrinação, concebida para alimentar uma nova geração de apoiantes. Em muitas zonas, o currículo escolar foi alterado para refletir as prioridades ideológicas e o treino de armas. Campos de treino foram estabelecidos ao longo das áreas que o EI controla”. Dá o exemplo de um campo onde 350 rapazes com idades entre 5 e 16 anos recebem instrução militar e acrescenta: “O grupo armado também dirige deliberadamente propaganda a crianças. Na cidade de Raqah, reúnem as crianças para exibições de vídeos que retratam execuções em massa de soldados governamentais, dessensibilizando-os à violência extrema”.

“Ao usar, recrutar à força e alistar crianças para funções ativas de combate, o grupo comete abusos e crimes de guerra em grande escala, de uma forma sistemática e organizada”, conclui o relatório.

Caught in a Combat Zone – Novo relatório da Save the Children sobre o aumento de crianças soldado na República Centro-Africana (RCA)

Dezembro 22, 2014 às 2:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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caught

descarregar o relatório aqui

Just two years after the outbreak of bloody civil war in the Central African Republic (CAR) in December 2012, the number of girls and boys under the age of 18 recruited by armed groups has escalated to four times its previous level.

An estimated 6,000 to 10,000 children are currently members of armed groups, compared to around 2,500 at the beginning of the crisis.

Some were abducted or forced to join armed groups, while others joined voluntarily in order to survive when they found themselves in desperate need of food, clothing, money and protection. Many also joined because of pressure from peers or parents, a desire to protect their community, or to avenge dead parents or relatives.

Children, some as young as eight years old, are forced to fight, carry supplies, and perform other frontline and support roles. They are often victims of physical and mental abuse by militants, and some have been ordered to kill or commit other acts of violence.

“Every morning we trained hard, crawling through the mud. The soldiers wanted to make us mean, unforgiving”, says Grâce à Dieu* who joined an armed group in December 2012 at the age of 15.

“When we fought, it was us, the children, who were often sent to the frontline. Others stayed further behind. I saw many of my brothers-in-arms killed while we were fighting. I saw many things, many atrocities.”

Having witnessed or committed killings and other acts of extreme violence for months, or even years, children associated with armed groups are highly likely to suffer fear, anxiety, depression, grief, and insecurity, and many require specialised psychological support.

“Many of these children have been through things that no adult, let alone child, let alone child, should have to go through, witnessing the loss of loved ones, seeing their homes destroyed, and surviving in harsh and insecure conditions in the bush for months”, says Julie Bodin, Save the Children’s Child Protection Manager in CAR. “Even if they leave the armed group or are released, these children can find themselves stigmatised, feared or rejected by their communities, while they can struggle to re-enter ‘normal’ life after being so long immersed in violence.”

Extreme poverty, coupled with the dire lack of access to education for young children and employment opportunities for older children, all contribute to the spike in children joining armed groups, effectively creating a huge reservoir of potential new recruits.

Two years after the outbreak of the latest conflict, and three months into MINUSCA’s mandate, the CAR Government, MINUSCA, UN agencies and troop contributing countries and donors, must scale up their efforts to prevent child recruitment and demobilise children. Rapid and sustained interventions must also include specialized support to help children recover and reintegrate into their communities.

“Further resources are urgently needed to rebuild these children’s lives, and to rebuild and strengthen the institutions, such as schools, which will help them thrive. This is essential not just for them but for the future of the country”, Bodin says.

While the situation remains volatile in many parts of the country, Save the Children provides specialised psychological support for children associated with armed groups, as well children who have witnessed crimes or other acts of violence, through Child Friendly Spaces and Youth Networks. The agency also facilitates demobilized children to return to school.

Read the report “Caught in a Combat Zone” here >

 

Dez mil crianças-soldado combatem em África

Dezembro 22, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de dezembro de 2014.

GORAN TOMASEVIC  REUTERS

O novo relatório da organização “Save the Children” diz que o aumento de crianças em combate se deve à pobreza extrema e à falta de educação e de emprego.

O número de crianças-soldado a combater na República Centro-Africana (RCA) duplicou desde que uma guerra civil eclodiu no ano passado naquele país africano. A organização “Save the Children” publicou, esta quinta-feira, um relatório onde se estima que entre seis e dez mil rapazes e raparigas combatam em grupos armados, muito acima dos 2500 recrutados no início do conflito.

O documento, intitulado “Apanhados na zona de combate”, descreve que as crianças começam a ser recrutadas a partir dos oito anos. O recrutamento é feito com armas apontadas à cabeça das crianças ou, noutros casos, são as próprias crianças que se voluntariam, na expetativa de sair da pobreza ou para vingar a morte de pessoas próximas.

Segundo a organização, muitas das crianças tornam-se vítimas de abuso físico, mental e sexual, acabando por cometer atos de violência ordenados pelos seus superiores.

Julie Bodin, responsável pela “Save the Children” na RCA, relata que “muitas dessas crianças já passaram por coisas que nenhum adulto, muito menos uma criança, deveria ter que passar”.

O aumento exponencial de crianças nestes grupos deve-se, segundo o relatório, à pobreza extrema na República Centro-Africana e à falta de acesso à educação e emprego.

“Eu tinha uma arma. Com ela matei muita gente” A organização descreve a vida de Jean (nome fictício), um cristão que se juntou aos rebeldes de maioria muçulmana Seleka quando tinha 16 anos.

“O tempo que passei no grupo foi intenso, não tinha ideia de que seria desta forma. Eu tinha uma arma, mas vendi-a quando regressei para poder ficar com o dinheiro. Com ela matei muita gente”, relatou Jean à “Save the Children”.

O relatório indica que as crianças que testemunharam ou cometeram assassínios e outros atos de extrema violência no seio de grupos armados têm mais probabilidade de sofrer de transtornos de ansiedade, medo, depressão, desgosto e insegurança, e podem precisar de apoio psicológico.

“São necessários mais recursos urgentemente, para reconstruir a vida destas crianças e para fortalecer as instituições como as escolas. É essencial não apenas para as crianças, mas para o futuro do país”, afirmou Julie Bodin.

 

 

Como o Talebã recruta crianças como homens-bomba

Dezembro 19, 2014 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site http://www.bbc.co.uk/portuguese  de 16 de dezembro de 2014.

AFP

Dawood Azami Do Serviço Mundial da BBC

Em um dia frio de inverno, uma série de parentes, vizinhos e curiosos se aproxima da casa do tio de Naqibullah, de 10 anos, na província de Baluquistão, no Paquistão. Eles estão felizes por encontrar o garoto vivo.

Naqibullah havia desaparecido misteriosamente de uma madrassa, uma escola onde os alunos se dedicam a estudar o islamismo.

Por cinco meses, não houve uma notícia sequer de seu paradeiro, até que um vizinho reconheceu o garoto na transmissão de uma emissora afegã.

Leia mais: O ataque à escola militar paquistanesa em fotos

Naqibullah estava entre os insurgentes capturados pela polícia do Afeganistão na cidade de Kandahar, no sul do país.

“Corri e contei ao tio dele que Naqibullah havia sido preso por tentar realizar um ataque suicida”, disse o vizinho.

A história de Naqibullah ilustra como o Talebã e outros grupos extremistas treinam crianças para se tornarem homens-bomba.

Vulneráveis

Os afegãos têm muito orgulho de ser um povo guerreiro, mas ataques suicidas não faziam parte desta tradição.

Estes ataques se tornaram comuns no país em 2005, uma tática copiada dos acontecimentos da guerra civil no Iraque.

No conflito instalado no país desde 2001, quando o atual governo e forças internacionais derrubaram o regime do Talebã, as crianças têm sido afetadas desproporcionalmente.

Leia mais: ‘Eles choravam, eu os confortava’; veja relato do psiquiatra que tratava talebãs

Elas têm sido usadas há tempos em ações dos militantes, como em ataques com explosivos, vigilância, busca de informações sobre as posições das tropas e autoridades do governo e da Otan.

Adolescentes já foram vistos carregando militantes feridos, coletando armas e até mesmo lutando. As autoridades afegãs dizem ter prendido cerca de 250 crianças nos últimos dez anos.

Mas o desdobramento mais perturbador deste seu envolvimento é o crescente número de crianças usadas como homens-bomba.

‘Mais recrutáveis’

AP

As crianças vêm sendo recrutadas justamente por serem crianças.

As forças de segurança do Afeganistão têm se tornado mais eficientes, e os homens-bomba adultos têm tido cada vez mais dificuldade em atingir seus alvos.

As crianças são consideradas mais “recrutáveis”: é mais fácil induzi-las a realizar um ataque e raramente despertam suspeitas.

Naqibullah foi recrutado em uma madrassa, o principal local usado pelo Talebã para recrutar crianças.

O garoto havia sido matriculado na escola por seu tio, que cuidava dele desde a morte de seu pai.

Famílias pobres no Afeganistão e no Paquistão enviam seus filhos para madrassas, onde eles ganham moradia e educação de graça.

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Entrevistas com crianças que foram presas revelaram que elas também são recrutadas nas ruas e em bairros pobres.

Em muitos dos casos, os pais ou responsáveis dizem desconhecer que as crianças tornaram-se militantes.

Há alguns casos raros de meninas recrutadas.

Spozhmai, de 10 anos, ganhou fama internacional no início deste ano quando foi presa em um posto de controle. Ela disse que seu irmão tentou fazê-la explodir a si mesma em um posto policial.

Em 2011, uma menina de 8 anos foi morta na província de Uruzgan, no centro do país, enquanto levava explosivos acionados por controle remoto para um posto policial.

Lavagem cerebral

No Paquistão, os “recrutas” passam por uma lavagem cerebral e são coagidos a realizar missões suicidas.

Mas também há evidências de que o treinamento ocorre também em partes do Afeganistão sob o controle do Talebã.

No ano passado, um pai da cidade de Kunduz, no norte afegão, entregou seu filho à polícia.

“Fiz isso porque temia que pudesse ter se tornado um radical depois de desaparecer por alguns meses”, disse o homem de 50 anos, que havia voltado do Paquistão com sua família um ano antes.

Alguns dos recrutas foram bem-sucedidos em seus ataques suicidas. Um garoto de 12 anos usando um uniforme escolar matou cerca de 30 pessoas na cidade de Mardan em fevereiro de 2011.

Promessas

AP2

Autoridades dizem que os militantes oferecem às crianças uma alternativa a uma vida tediosa, às drogas e à pobreza.

Naqibullah conta que os homens que cuidavam dele prometeram que ele iria para o céu e que seus problemas acabariam.

“Eles oferecem vislumbres do paraíso, onde correm rios de leite e mel. Em troca, a criança deve entregar sua vida e se tornar um homem-bomba”, disse um oficial.

Apesar de as confissões obtidas destas crianças e jovens não serem totalmente confiáveis, são relatos assustadores sobre como são recrutadas.

É dito a elas que meninas e mulheres afegãs são estupradas pelas “forças estrangeiras invasoras” e que o Alcorão está sendo queimado por americanos.

As crianças ouvem que é sua responsabilidade religiosa resistir às forças de coalizão “infiéis” e que seus pais irão para o paraíso – e que os afegãos que serão mortos por elas “merecem morrer” porque “não são muçulmanos de verdade” ou “colaboram com os americanos”.

‘Chaves do paraíso’

No entanto, raramente é dito às crianças quais são seus alvos específicos e por que estes merecem morrer.

Em alguns casos, simplesmente mentem para elas. Algumas recebem um amuleto contendo versos do Alcorão, que supostamente as ajudaria a sobreviver ao ataque.

Alguns militantes dão chaves para que as crianças as carreguem no pescoço. São as “chaves que abrirão as portas do paraíso” para elas.

Leis internacionais proíbem o uso de crianças em conflitos.

De acordo com o artigo 1º da Convenção de Direitos Infantis de 1989, qualquer pessoa com menos de 18 anos é uma criança.

A lei afegã também proíbe o recrutamento de menores por forças armadas ou pela polícia.

Porta-vozes do Talebã normalmente negam o uso de crianças, especialmente de meninas.

De fato, os três Laihas (códigos de conduta e regras) emitidos depois da queda do regime do Talebã, em 2001, dizem que jovens sem barba não podem ser arregimentados.

Mas um oficial do Talebã admitiu que comandantes do grupo violam este código por vontade própria.

Para muitos, a idade não é o mais importante. Qualquer pessoa que já tenha entrado na puberdade e não tenha problemas mentais é considerada pronta para o combate.

Reabilitação

Segundo autoridades afegãs, mais de 30 crianças acusadas de terem envolvimento com insurgentes ainda estão detidas.

A reabilitação é um processo complicado com tão poucos recursos. Segundo uma fonte, enquanto algumas crianças completam com sucesso este processos, outras se dizem arrependidas se terem falhado em suas missões suicidas.

Naqibullah descreve o que aconteceu com ele: “Eles me mantiveram em uma outra madrassa por alguns meses. Depois, outros homens vieram e me levaram para Kandahar”.

“Um dia, eles me levaram de carro, me deram um colete pesado e apontaram para alguns solados.”

Mas a polícia o deteve antes que ele pudesse explodir seu colete, e os militantes que o observavam fugiram de carro.

Para que conseguir sua libertação, seu tio contatou líderes tribais, teólogos e autoridades afegãs.

De volta em casa, o garoto diz para todos com quem conversa como está feliz de ter retornado.

 

 

UNICEF declara 2014 um ano devastador para as crianças

Dezembro 11, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da Unicef de 8 de dezembro de 2014.

Com 15 milhões de crianças a sofrer no meio de grandes conflitos, a UNICEF declara 2014 um ano devastador para as crianças.

NOVA IORQUE/GENEBRA, 8 de Dezembro de 2014 – O ano de 2014 tem sido um ano de horror, medo e desespero para milhões de crianças, dado que o agravamento dos conflitos no mundo as deixou expostas à violência extrema e suas consequências, recrutadas à força e deliberadamente visadas por grupos beligerantes, afirmou hoje a UNICEF. E no entanto muitas crises já não captam a atenção do mundo, advertiu o Fundo das Nações Unidas para a Infância. “Este tem sido um ano devastador para milhões de crianças,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Crianças têm sido assassinadas enquanto estudavam em salas de aula e enquanto dormiam nas suas camas; foram tornadas órfãs, sequestradas, torturadas, recrutadas, violadas e até vendidas como escravas. Nunca, no passado recente, tantas crianças estiveram sujeitas a tamanhas brutalidades.”

Chega aos 15 milhões o número de crianças que estão também a sofrer as consequências de conflitos violentos na República Centro-Africana, no Iraque, no Sudão do Sul, no Estado da Palestina, na Síria e na Ucrânia – incluindo as que são deslocadas internas ou vivem como refugiadas. No mundo, estima-se que 230 milhões de crianças vivam actualmente em países e áreas afectadas por conflitos armados.

Em 2014, centenas de crianças foram raptadas das suas escolas ou a caminho da escola. Dezenas de milhares foram recrutadas ou utilizadas por forces ou grupos armados. O número de ataques a instalações de Educação e Saúde, e a utilização de escolas para fins militares têm aumentado em muitos lugares.

  • Na República Centro-Africana, 2.3 milhões de crianças estão afectadas pelo conflito, estima-se que ascenda a 10.000 o número de crianças que têm sido recrutadas por grupos armados no decurso do último ano, e mais de 430 crianças foram mortas e mutiladas – três vezes mais que em 2013.
  • Em Gaza, 54.000 crianças ficaram sem casa em resultado do conflito que durou 50 dias no Verão, durante o qual também 538 crianças foram mortas, e mais de 3.370 ficaram feridas.
  • Na Síria, com mais de 7.3 milhões de crianças afectadas pelo conflito, incluindo 1.7 milhões de crianças refugiadas, as Nações Unidas verificaram pelo menos 35 ataques a escolas nos nove primeiros meses do ano, que causaram a morte a 105 crianças e ferimentos e quase 300 outras. No Iraque, onde se estima que 2.7 milhões de crianças estejam afectadas pelo conflito, calcula-se que pelo menos 700 crianças foram mutiladas, mortas ou até executadas neste ano. Em ambos os países, crianças foram vítimas ou testemunhas, e até mesmo envolvidas na prática de actos cuja violência tem sido cada vez mais brutal e extrema.
  • No Sudão do Sul, estima-se que 235.000 crianças menores de cinco anos estejam a sofrer de má nutrição aguda grave. Perto de 750.000 crianças foram deslocadas e mais de 320.000 vivem como refugiadas. Segundo dados verificados da ONU, mais de 600 crianças foram mortas e mais de 200 mutiladas neste ano, e cerca de 12.000 crianças estão actualmente a ser utilizadas por forças e grupos armados.

O próprio número de crises em 2014 significou que muitas foram rapidamente esquecidas ou receberam pouca atenção. Crises prolongadas, em países como o Afeganistão, a República Democrática do Congo, a Nigéria, o Paquistão, a Somália, o Sudão e o Iémen, continuaram a ceifar ainda mais vidas jovens e seus futuros.

Este ano também colocou novas ameaças significativas à saúde e bem-estar das crianças, em especial o surto de Ébola na Guiné, Libéria e Serra Leoa, que deixou órfãs milhares de crianças e um número estimado de cinco milhões de crianças fora da escola.

Apesar dos tremendos desafios que as crianças enfrentaram em 2014, houve esperança para milhões de crianças afectadas por conflitos e crises. Face a restrições de acesso, insegurança, e desafios de financiamento, as organizações humanitárias, incluindo a UNICEF, trabalharam em conjunto para proporcionar assistência que salvou vidas bem como outros serviços cruciais como apoio emocional e educação para ajudar crianças a crescer nalguns dos lugares mais perigosos do mundo.

  • Na República Centro-Africana, está em curso uma campanha para que 662.000 crianças retomem os seus estudos à medida que a situação de segurança o vá permitindo.
  • Perto de 68 milhões de doses de vacina oral contra a poliomielite foram entregues em países do Médio oriente para travar um surto desta doença no Iraque e na Síria.
  • No Sudão do Sul, mais de 70.000 crianças que sofriam de má nutrição grave foram tratadas.
  • Nos países atingidos pelo Ébola, o trabalho continua para combater o vírus nas comunidades locais através do apoio a centros comunitários de prestação de cuidados e unidades de tratamento do Ébola; através da formação de técnicos de saúde e campanhas de sensibilização para reduzir os riscos de transmissão; e através do apoio a crianças que ficaram órfãs devido ao vírus.

“É tristemente irónico que, no ano em que celebramos o 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança e pudemos também celebrar tantos progressos para as crianças no mundo, os direitos de tantos milhões de outras crianças tenham sido violados de um modo tão brutal,” afirmou Lake. “A violência e o trauma fazem mais do que prejudicar crianças individualmente – comprometem a força das sociedades. O mundo pode e deve fazer mais para que 2015 seja um ano muito melhor para todas as crianças. Cada criança que cresça forte, em segurança, saudável e escolarizada é uma criança que pode avançar e contribuir para o futuro – o seu, o da sua família, o da sua comunidade, o da sua nação e, de facto, o nosso futuro comum.”

http://www.unicef.pt/

 

Estado Islâmico treina crianças para atentados suicidas, diz testemunha

Setembro 26, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 25 de setembro de 2014.

DR

A informação surge na edição “online” do jornal inglês “The Telegraph” e parte de um residente da cidade de Raqqa

O Estado Islâmico opera campos de treino especiais para crianças e jovens com menos de 16 anos, onde lhes ensina a manusear armas, a matar e a torturar presos e a fazer atentados suicidas.

A informação surge na edição “online” do jornal inglês “The Telegraph” e parte de um residente da cidade de Raqqa, um activista que se identifica como Ibrahim al-Raqqawi e que é apoiante da oposição ao regime, mas opositor ao Estado Islâmico.

Raqqawi diz que se calcula que há cerca de 200 a 300 crianças no campo, que se apresenta como se fosse “uma espécie de associação de escuteiros”.

Alguns dos membros do campo são filhos de combatentes estrangeiros que viajaram para a Síria com as suas famílias, mas nalguns casos as crianças são levadas sem o consentimento dos pais, noutros é dito aos pais que os jovens apenas vão aprender sobre o Islão e ler o Alcorão.

Mas a realidade do que se passa no campo é bem diferente, insiste Raqqawi. Além de aprenderem a manusear material de guerra e instruídos segundo a doutrina extremista do grupo, as crianças recebem uma prova final antes de se “formarem”, sendo obrigadas a torturar ou a matar um preso do Estado Islâmico.

O testemunho de Al-Raqqawi não pode ser confirmada no terreno, uma vez que a cidade de Raqqa está nas mãos do Estado Islâmico, mas é sustentado por fotografias e vídeos, alguns postados por militantes do EI, de crianças com armas e em exercícios militares.

A notícia surge dias depois de os Estados Unidos e aliados árabes terem começado a atacar o Estado Islâmico com raides aéreos em Raqqa e noutros pontos. Na madrugada desta quinta-feira, pelo menos 14 militantes foram mortos em mais um bombardeamento, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

 

 

 

 

Centenas de crianças assassinadas por combatentes islamistas

Setembro 9, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do observador de 9 de setembro de 2014.

ler a declaração de Leila Zerrougui no link http://childrenandarmedconflict.un.org/statement/open-debate-sc-statement-080914/

Mohamed Messara EPA

Combatentes islamitas assassinaram centenas de crianças no Iraque e estão a utilizar outras como bombistas-suicida, alertou hoje uma perita das Nações Unidas perante o Conselho de Segurança.

“Perto de 700 crianças foram mortas e mutiladas no Iraque desde o início deste ano, incluindo em execuções sumárias”, contabilizou Leila Zerrougui, representante especial das Nações Unidas para as crianças e os conflitos armados.

Perante o Conselho de Segurança, que hoje se reuniu para discutir o problema das crianças-soldado, Leila Zerrougui disse ainda que os fundamentalistas do grupo Estado Islâmico, que tem semeado o terror no norte do Iraque, estão a recrutar meninos de 13 anos para carregarem armas, montarem guarda a pontos estratégicos e prenderem civis. “Outras crianças foram usadas como bombistas-suicida”, acrescentou.

A comunidade internacional tem repetidamente acusado o Estado Islâmico de crimes de guerra e contra a humanidade, desde que em junho o grupo armado fundamentalista começou a controlar vastas zonas do Iraque e da Síria. Mas o Estado Islâmico não é o único responsável pelo envolvimento de crianças, já que as milícias aliadas do governo iraquiano também as estão a usar para combater os fundamentalistas, frisou a responsável, realçando que, em julho, desapareceram “numerosas crianças” detidas pelas forças regulares, depois de as milícias terem invadido as prisões.

Na reunião de hoje, o Conselho de Segurança analisou também os casos de Líbia, Afeganistão, Mali, Sudão do Sul e República Centro-Africana, onde as crianças são recrutadas como soldados. Só na República Centro-Africana, cerca de oito mil crianças estão alistadas em vários grupos armados, referiu ao Conselho de Segurança o chefe das missões de paz da ONU, Herve Ladsous.

Presente na mesma reunião, o ator Forest Whitaker, embaixador da boa vontade para a paz e a reconciliação da UNESCO (agência da ONU para educação, ciência e cultura), fez um apelo à reintegração das crianças-soldado. “Essas crianças devem sentir-se tão sozinhas quando regressam dos campos de batalha para um mundo que não as reconhece”, lamentou. “A não ser que as esperemos de braços abertos, casas abertas, escolas abertas, as suas guerras nunca terão fim. Nem as nossas”, frisou.

No início do ano, as Nações Unidas lançaram a campanha “Crianças, não soldados”, com o objetivo de garantir, até final de 2016, que nenhum exército ou outra força regular dos Estados-membros esteja a utilizar crianças.

 

 

 

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