Menos crianças em instituições é boa notícia

Dezembro 8, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 30 de novembro de 2016.

joana-sousa

Número de crianças acolhidas em instituições caiu para metade numa década

Miguel Fernandes Luís

O número de crianças e jovens acolhidos em instituições caiu para metade em cerca de dez anos. Uma “boa notícia”, conforme referiu ontem, no Funchal, a procuradora da República Helena Gonçalves, que lembrou que a melhor forma de defender os direitos dos menores é integrá-los numa família.

Numa intervenção no Encontro Nacional de Avaliação da Actividade das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, que decorre no Funchal, Helena Gonçalves sublinhou que “promover os direitos das crianças e jovens e protegê-los significa dar prevalência à sua integração numa família biológica ou adoptiva ou diligenciar por outra forma de integração familiar estável que se mostre apta a assegurar a todos o seu pleno crescimento”. Por isso, a procuradora congratulou-se com o facto de se ter registado um substancial decréscimo no número de crianças em situação de acolhimento institucional/residencial – se em 2004 havia 15.118 crianças institucionalizadas em Portugal, hoje temos 8.600 crianças nessa situação.

Com a Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, e diversos outros responsáveis do Ministério Público a participar neste evento, o magistrado que coordena o MP na Região apontou a Comarca da Madeira como um exemplo para o resto do país em matéria de protecção de menores. O segredo? Nuno Gonçalves explicou: “A Madeira tem essa sorte da especialização. Nós temos uma Secção de Família e Menores na Instância Central que abrange toda a ilha da Madeira. Isto não era assim. A justiça na Madeira relativamente à protecção e promoção dos menores tem imensa qualidade porque conseguimos ter esta relação não só com as CPCJ [comissões de protecção de crianças e jovens] mas também com as entidades oficiais”. O procurador descreveu como na Comarca da Madeira há o cuidado de olhar para cada processo de família e menores de uma forma especial: “É um processo de um jovem ou uma criança que vai ser acompanhada e que nos vai preocupar durante todo o tempo em que careça que os seus direitos sejam promovidos e defendidos e que possam ter palavra”.

A advogada Paula Margarido confirmou a versão apresentada pelo representante do MP. “Na Madeira, graças a Deus, as coisas correm muito bem. Ou seja, como advogada, quando me chega um processo de família às minhas mãos entro em contacto com alguns dos técnicos para perceber qual é a verdade daquela criança, porque a verdade que me chega pelas mãos da minha cliente pode não ser – e não é muitas vezes – a verdade da criança. Falo com os técnicos, vou bater à porta do senhor procurador, que está sempre disponível para me acolher e para que possamos todos concertar qual é a melhor medida para aquela criança”, descreveu a profissional liberal.

O Encontro Nacional de Avaliação da Actividade das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, subordinado ao tema ‘Direitos Humanos da Criança – Novas perspectivas e exigências de um sistema integrado para sua promoção e protecção’, teve início na segunda-feira e encerra esta tarde, no Centro de Congressos (Casino). A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, participa na sessão de encerramento. A presença da governante estava prevista no programa inicial do evento, depois foi cancelada mas ontem foi reconfirmada.

A secretária de Estado também vai aproveitar a deslocação à Região para visitar instituições de acolhimento de crianças. Antes de integrar o Governo de António Costa, Ana Sofia Antunes era presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

 

Seminário Internacional “Acolhimento Familiar” 23 setembro na ESE do Porto

Agosto 29, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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acolhimento

mais informações no link:

http://seminario.ese.ipp.pt/index2.html

Adopção só é “projecto de vida” para 10% das crianças que vivem em instituições

Julho 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de junho de 2016.

Nuno Ferreira Santos

Andreia Sanches

No ano passado houve menos crianças a sair das casas de acolhimento por via da adopção. Quase metade voltou à família nuclear.

Cada criança que entra numa instituição de acolhimento tem direito a um “projecto de vida individual”. É uma espécie de plano de intervenção com os olhos postos no futuro — porque a ideia é que a criança fique o menos tempo possível a cargo do Estado. E que projectos de vida estão a ser traçados? Para apenas 882 (10,3% do total), eles passam por uma eventual futura adopção. São números que se têm mantido estáveis — em 2008, por exemplo, a percentagem era de 10,6%.

A lei prevê que uma criança só possa ser adoptada até aos 15 anos. O que exclui quase metade das 8600 crianças e jovens que vivem em casas de acolhimento. Se se fizer a análise por grupo etário percebe-se o seguinte: para cerca de 40% das que têm até cinco anos os técnicos consideram que a adopção é o caminho; o mesmo acontece com 20% das que têm entre seis e 11 anos mas já só com 2,6% das que têm mais de 12. Os dados constam do relatório CASA 2015 — Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, apresentado nesta quarta-feira.

Contudo, para que a adopção seja uma possibilidade real para estes meninos, haver um projecto de vida nesse sentido, definido pelas instituições e pelos gestores dos processos das crianças, não basta. É preciso que um tribunal decrete uma “medida de adoptabilidade” — e só aí a criança pode vir a ser encaminhada para uma família que se adeque ao seu perfil. Apenas 359 (menos 32 do que em 2014 e apenas 40% das que vivem em instituições que acham que o melhor para elas é serem adoptadas) tinham, no final de Outubro de 2015, uma medida de adoptabilidade decretada por um juiz.

Manda a lei que é obrigação dos lares e centros de acolhimento trabalharem para a “rápida reposição de todos os direitos” que as crianças viram comprometidos, definindo um projecto de vida que tanto pode passar pela manutenção do acolhimento residencial, pela reunificação familiar, como pela autonomização dos jovens (a partir dos 15 anos). A adopção, como se viu, tem pouca expressão (aparece em 3.º lugar). O projecto de vida “autonomização” é o mais frequente: está pensado para 2838 jovens (33% das que estão no sistema de acolhimento), sobretudo rapazes e raparigas “cuja reunificação familiar ou encontro de outra solução familiar se encontraram comprometidas ou mesmo inviabilizadas”.

Em segundo lugar aparece o projecto “reunificação na família nuclear” — há 2703 crianças e jovens (31,4% do total) que se prevê que se juntem às famílias.

Olhando para os que ao longo do ano de 2015 foram saindo das casas de acolhimento (2612), quase metade (1291) regressaram à sua família nuclear e 315 foram integrados em famílias adoptantes — menos 32 do que em 2014.

 

Problemas de comportamento e de saúde disparam nos lares de crianças

Julho 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de junho de 2016.

manuel Roberto

Andreia Sanches

Há mais jovens com comportamentos problemáticos e de saúde. Há mais adolescentes. E tudo isto são desafios às casas de acolhimento. Governo promete mudanças. Medidas anteriores à retirada às famílias biológicas podem não estar a ser eficazes.

No final de Outubro de 2015 viviam em instituições de acolhimento 8600 crianças e jovens. O número dos que foram identificados como tendo problemas de comportamento, de saúde mental, de debilidade mental, de consumo de substâncias ou de algum tipo de deficiência física ou mental aumentou 38%, num só ano — em 2014 já tinha existido um aumento de 10% face a 2013.

A maioria (5032) das crianças e jovens era acompanhada em psiquiatria e/ou pedopsiquiatra — um aumento de cerca de 22% face a 2014. E um em cada quatro tomava medicação prescrita por um psiquiatra ou por um pedopsiquiatra. “São crianças que trazem percursos de vida extremamente traumatizantes e que precisam de um grande apoio para poderem reencontrar o seu equilíbrio”, sublinhou nesta quarta-feira a secretária de Estado da Inclusão Ana Sofia Antunes durante a apresentação do relatório CASA 2015 — Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, feita aos jornalistas.

O relatório nota que se mantêm “os gravíssimos constrangimentos já registados nos anos anteriores nas situações que carecem de internamento/acolhimento em resposta específica de saúde mental”. Lembra que há seis anos que está prevista a criação uma rede de Cuidados Continuados de Saúde Mental, mas que esta “ainda não foi concretizada, fazendo com que estes jovens fiquem acolhidos em casas de acolhimento não adequadas às suas problemáticas específicas”. Resultado: quando entram em crise ou descompensação, “colocam-se muitas vezes a si próprios em perigo, bem como às outras crianças e jovens acolhidos” e aos profissionais que com eles trabalham.

Ana Sofia Antunes promete uma “revisão do regime de funcionamento das casas de acolhimento, de modo a apetrechá-las” melhor, para fazer face aos novos desafios colocados pela mudança que tem vindo a registar-se no perfil das crianças e jovens que nelas habitam. E o aumento dos problemas de comportamento e de saúde mental é um grande desafio. Mas haverá mais mudanças, diz.

Criancas-acolhimento

Medidas que não resultam

Antes de serem retirados às famílias, por se considerar que estavam em perigo, quase metade (49,5%) das crianças e jovens que viviam em instituições no final de Outubro de 2015 já tinham sido sinalizados, algures no passado, pelo sistema de protecção de menores, e já tinham sido alvo das chamadas “medidas de protecção em meio natural de vida” — ou seja, a Segurança Social, ou instituições com quem esta coopera, tinha disponibilizado às famílias algum tipo de apoio (económico, social ou técnico) para ajudá-las a ultrapassar as suas dificuldades com as crianças. Essas medidas, contudo, acabaram por não resultar. E os menores foram mesmo encaminhados para uma instituição.

“Poderão levantar-se questões sobre a eficácia das medidas em meio natural de vida, e sobre o real investimento que nelas é efectuado, quer sob o ponto de vista do acompanhamento técnico, quer na intervenção desenvolvida”, admite o CASA, que faz o ponto de situação sobre o acolhimento de crianças em instituições comparticipadas pela Segurança Social, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Casa Pia entre 1 de Novembro de 2014 e 31 de Outubro de 2015.

O documento, da responsabilidade do Instituto da Segurança Social (ISS), prossegue: “Poderá ter existido desadequação na definição dos planos de intervenção definidos, dificuldades na sua implementação e nos apoios efectivamente prestados às crianças, jovens e respectivas famílias.” Pelo que pode ser necessário reforçar o “investimento técnico e financeiro” nesta área.

A secretária de Estado reconhece que a falta de recursos nas comissões de protecção de crianças e jovens poderá estar a dificultar o trabalho de quem tem como missão aplicar e avaliar as “medidas em meio natural de vida” e garante reforços.

Uma avaliação do que pode melhorar está a ser levada a cabo pelo ISS — afinal, o acolhimento é uma resposta de fim de linha, quando todas as outras medidas anteriores se esgotam. O CASA sublinha, de resto, que nas casas de acolhimento também estão 3364 crianças e jovens (cerca de 40% do total) “que não tiveram quaisquer das medidas em meio natural de vida aplicadas anteriormente ao seu acolhimento”, o que “poderá remeter para uma necessidade de apuramento do sistema de detecção e de intervenção precoce e atempada por parte das entidades com competência em matéria de infância e juventude”.

Dados inquietantes

Muitos jovens têm já várias experiências de acolhimento: um em cada três dos 8600 que viviam numa instituição já tinham estado, algures na vida, noutra instituição — ou em duas, três ou mais. “A leitura destes dados, além de inquietante, por supor que estas crianças e jovens, ao longo do seu crescimento, foram expostas a várias mudanças e sujeitas a inúmeras rupturas, permite prever sérias complicações relacionais e de vinculação”, acrescenta-se.

O aumento do peso dos adolescentes é outro desafio: actualmente, o grupo etário que tem menor expressão no sistema de acolhimento é o que vai dos zero aos três anos — 745 crianças (8,7% do total das acolhidas). Mais de dois terços (69,1%) das crianças e jovens em situação de acolhimento têm 12 ou mais anos. O CASA sublinha a importância de garantir que há “uma intervenção cada vez mais diferenciada” que possa “fazer a diferença na vida destes jovens, prestando especial atenção às suas fragilidades emocionais e às características e desafios inerentes a esta fase da vida”.

A revisão do funcionamento das casas de acolhimento deverá ter em conta, precisamente, o peso crescente da população adolescente, diz Ana Sofia Antunes. A pensar nas crianças mais pequenas, “serão lançados projectos-piloto para que famílias, apoiadas pela Segurança Social, se disponibilizem a receber crianças e sejam uma alternativa ao acolhimento em instituições”.

O CASA mostra ainda que a esmagadora maioria (74%) dos que integravam o sistema de acolhimento tinham dado entrada nas instituições em anos anteriores. Mas houve também um ligeiríssimo aumento das “novas entradas”: 2202 (mais 59 do que em igual período de 2014).

A principal razão (60% dos casos) para a retirada às famílias prende-se com a “falta de supervisão e acompanhamento familiar”, o que na terminologia do CASA significa isto: “A criança é deixada só, entregue a si própria ou com irmãos igualmente crianças, por largos períodos de tempo.”

Ana Sofia Antunes diz ainda que está particularmente preocupada com o insucesso escolar registado nesta população: por exemplo, 46% dos meninos com dez e 11 anos ainda estão no 1.º ciclo do ensino básico quando já deviam estar no 2.º.

 

“Passei 899 dias numa instituição. Hoje fui adoptado”

Maio 24, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt de 7 de maio de 2016.

Together we rise

Todos os dias, 1200 crianças são institucionalizadas nos Estados Unidos da América — por serem abandonadas, retiradas às famílias em processos que envolvem violências várias ou por falta de condições económicas dos pais. É uma realidade mundial — em Portugal, em 2014, havia mais de 8000 menores em instituições de acolhimento. A história da Together We Rise começa exactamente em família. Um jovem norte-americano, estudante de Direito, descobriu que tinha um primo de nove anos a viver num carro. Queria fazer algo por ele, e outras crianças que precisavam de adopção, e, com amigos de curso, tentou inscrever-se numa instituição de solidariedade. Sem sucesso: tinham menos de 21 anos e não podiam os aceitaram. Foi então que lhes ocorreu criar uma associação própria. A Together We Rise, nascida em 2008, proporciona programas educacionais e bolsas de estudo, oferece materiais escolares, bicicletas e outros brinquedos e forma voluntários para trabalhar nesta realidade. Objecto primeiro: melhorar a vida destas crianças. Numa campanha de sensibilização, decidiram agora mostrar o outro lado desta realidade quase sempre triste: as adopções. “Vemos muitas notícias negativas sobre as instituições de acolhimento e achamos necessário destacar as adopções maravilhosas que acontecem todos os dias, contou ao The Huffington Post Gianna Dahlia, directora da associação. Com a “hashtag” #fosterlove, os meninos e meninas aparecem ao lado de um quadro preto e uma mensagem. “Passei 411 dias numa instituição. Hoje, 10 de Novembro de 2015, fui adoptada”, lê-se num dos quadros. “A nossa família está completa”, aparece noutra. “Há muitos estereótipos negativos à volta de crianças institucionalizadas, mas elas são apenas meninos em busca de famílias que as amem – e há famílias lá fora a lutar por eles.” Este é o primeiro dia do resto da vida deles.

mais fotos no link do Público

http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/20387/passei-411-dias-numa-instituicao-hoje-fui-adoptada

“Crianças abandonadas têm cérebros mais pequenos e perdem massa cinzenta para sempre”

Fevereiro 19, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a Charles Nelson no dia 29 de janeiro de 2016.

crianças

Rita Ferreira

O cérebro das crianças abandonadas perde massa cinzenta para sempre, comprometendo o seu futuro. Pais que pressionam demais os filhos também causam problemas. Charles Nelson, neurocientista, explica.

Charles Nelson é professor de pediatria na Universidade de Harvard e durante anos estudou o desenvolvimento do cérebro de crianças sujeitas a condições extremas, como o abandono e os maus tratos. As conclusões a que chegou são surpreendentes. Estas crianças, quando não são retiradas desses ambientes num curto espaço de tempo — até aos dois anos — sofrem danos irreversíveis no cérebro. Perdem massa cinzenta e o seu Quociente de Inteligência não ultrapassará os 60/ 70.

Ficar numa instituição também não é uma boa solução. Para Charles Nelson não há dúvidas: uma família de um pai, uma mãe, dois pais, duas mães ou um pai e uma mãe é sempre melhor do que uma instituição, por melhor que essa instituição seja.

Mas e nas famílias “normais”? Podemos estimular o cérebro de uma criança para que ele se desenvolva mais? E até que ponto é que puxar demasiado pelos filhos pode ser prejudicial?

Charles Nelson esteve em Portugal para participar na conferência Love Synapses, organizada pela Fundação Brazelton/ Gomes Pedro e o Observador falou com ele.

charles

– Qual é o objecto do seu estudo?

Estudo o desenvolvimento do cérebro em bebés e crianças e o que lhes acontece quando passam por coisas más. Durante 15 anos estudei bebés, que hoje são adolescentes, que foram abandonados em crianças e tiveram de ser criados em instituições públicas, em orfanatos. Estudei crianças de um bairro de lata no Bangladesh, que são expostas a todo o tipo de coisas horríveis. Estudei crianças no Brasil que crescem em bairros com elevados níveis de violência. Estudo coisas terríveis.

– E que a que conclusões chegou?

A conclusão não surpreendente é que as más experiências, que acontecem cedo na vida das crianças, podem ter um impacto no desenvolvimento. Depois, durante o que chamamos de período crítico, o cérebro precisa de experiências que ocorram em alturas específicas para que se consiga desenvolver de forma normal. Quando se falham essas janelas temporais, o desenvolvimento da criança atrasa­-se. Para uma criança aprender a falar, tem que ouvir uma linguagem numa determinada altura. Se quiser que ela desenvolva a visão, tem que ser exposta ao mundo visual. A parte surpreendente é o quão regulados são estes períodos temporais. É fácil falhar uma oportunidade.

– Não há tempo para esperar…

Vamos usar os Estados Unidos como exemplo. As crianças que crescem num lar onde são sujeitas a maus tratos, onde os pais lhes batem ou as negligenciam, o que muitas vezes acontece é que os casos não chegam ao conhecimento das autoridades ou, quando chegam, demora-­se muito tempo até retirar a criança desse lar. Nessa altura, o desenvolvimento do cérebro já foi, possivelmente, alterado permanentemente. Essas são algumas das conclusões. Ao outro problema chamamos de “resgatar o período crítico”. Por exemplo, vejo que os seus olhos são perfeitamente alinhados, mas quando vemos bebés com os olhos tortos ou com os olhos a deambularem no campo de visão, esses problemas têm que ser tratados durante os primeiros dois anos de vida. De outro modo, ficarão com problemas permanentes na visão.

Em Itália e noutros sítios, alguns trabalhos recentes sugerem que poderá haver tratamentos, em idade adulta, para este tipo de problemas. Mas são experimentais e não estão prontos para serem consumidos. Agora pense nos milhões de crianças no mundo, a quem acontecerem coisas más. Tipicamente, se não intervimos nos primeiros anos, os efeitos podem ser permanentes. Mas há estudos recentes, na área da neurociência, que fizeram a sugestão entusiasmante de que poderão ser desenvolvimentos tratamentos para resolver estes problemas em idade adulta. Um estudo publicado esta semana estimou que um milhar de milhão de crianças é todos os dias exposta a violência. Ou seja, um quarto das crianças do mundo, até aos 17 anos.

Além disto, temos 100 milhões de orfãos e oito milhões que vivem em orfanatos e instituições. Uma enorme quantidade de miúdos estão expostos a isto. É um grande problema de saúde pública.

– Descobriu o que acontece ao cérebro das crianças quando são expostas a este tipo de experiências?

Entre as muitas coisas más que podem acontecer ao cérebro numa fase inicial da vida, a pior é negligenciá-­lo. Vou fazer uma analogia com os computadores. O cérebro infantil não sabe estabelecer ligações e está à espera de receber um conjunto de instruções, de códigos que digam, faz isto, e isto e aquilo. Quando não o recebe, desmorona-­se, não sabe como funcionar. Num estudo que fizemos na Roménia, observámos que a atividade elétrica do cérebro é muito menor em crianças que estavam em orfanatos, em comparação com as que não estavam. Se as retirarmos de uma má instituição e as pusermos numa boa família, a atividade cerebral fica normalizada, embora isto tenha que ser feito até aos dois anos de idade. Depois realizámos ressonâncias magnéticas aos cérebros dessas crianças, entre os 8 e os 10 anos, e descobrimos que as crianças que estavam numa instituição tinham cérebros mais pequenos, com menor quantidade de massas cinzenta e branca.

A massa branca, que é a que carrega os impulsos elétricos, contudo, aumentava um pouco se essas crianças fossem retiradas das instituições e colocadas numa família de acolhimento. A massa cinzenta, contudo, não apresentou qualquer melhoria. E isso pode significar que tenham perdido células ou as ligações entre elas. e esse efeito pode ser permanente. Quando nascemos temos demasiadas células e demasiadas ligações e começamos a seleccioná-las (deitamos fora as que não interessam e investimos nas que são importantes). E o que pensamos que acontece nestes casos é que o cérebro descarta ligações e células em demasia, porque vimos que as instruções sobre o que fazer não estavam lá. Estes efeitos são muito sérios, porque, se forem permanentes, provavelmente não haverá tratamento para os reverter.

– Mas quais são as consequências concretas que isso terá na vida dessas crianças?

Funcionalmente, serão crianças com um QI entre os 60 e os 70 [segundo a classificação de Wechsler, o valor da inteligência média é entre 90 e 109, mas estes valores são controversos]. Terão problemas em termos de elevadas funções cognitivas. Por exemplo, estamos a ter uma discussão em que ambos achamos que temos razão. Se eu tiver muita flexibilidade cognitiva, vou mudar de ideias se, com o tempo, você apresentar um argumento melhor. Mas se não tiver essa flexibilidade, isso não acontecerá. Estas funções são prejudicadas, a memória fica reduzida, a linguagem é afetada e a capacidade de termos relações fica devastada. A nossa capacidade de termos relações adultas está ligada às relações que os bebés constroem cedo na vida com o pai ou com a mãe. E não se trata de relacionamentos íntimos, mas de relações sociais.

Resumindo, se estas crianças têm QI’s reduzidos, má memória, má capacidade de planeamento, más capacidades linguísticas e reduzida aptidão de planeamento, como se vão tornar membros da sociedade? Portanto, a preocupação é que os eventos tóxicos que acontecem numa fase prematura da vida também podem ter um enorme impacto económico, porque estas crianças não estarão preparadas para serem pessoas que contribuam para a sociedade.

– Os seus estudos centram-­se em casos extremos, mas pode isto ser aplicado a famílias e crianças ditas normais? Algumas das maiores discussões entre pais focam­-se entre deixar o bebé experimentar por ele próprio ou obrigá­-lo, por exemplo, a ter uma rotina de sono. Ninguém costuma pensar nisto como algo tóxico ou extremo. A neurociência estuda este tipo de eventos, mais quotidianos?

Nem por isso e a razão é que a maioria das pessoas foca­-se nos eventos extremos, como a pobreza ou o stress. As crianças que vivem e são criadas em famílias com lares normais serão membros normais da sociedade, a não ser que sofram de uma doença mental grave ou de uma deficiência física debilitante. Durante muitos anos, até provavelmente há 15 ou 20 anos, grande parte do foco estava em crianças normais, que não estavam expostas a ambientes adversos. Descobrimos diferenças individuais que afetam os resultados. Como o temperamento, por exemplo. 15% dos bebés são muito tímidos e a maioria continua a sê-­lo em idade adulta. Isso pode ser muito debilitante. Se os virmos numa sala de aula, são aqueles que se sentam a um canto e não interagem com as outras crianças.

Se esses miúdos forem educados num lar onde os pais não os pressionem, os apoiem e entendam os momentos pelos quais eles estão a passar, eles vão, gradualmente, dessensibilizar­-se. Mas, num lar diferente, a mesma criança poderá enfrentar os pais e desafiá-­los. O meu filho, por exemplo, jogou futebol e hóquei durante muitos anos. Ia aos jogos e estavam lá pais inacreditáveis, a gritarem aos filhos de seis anos e a chamar-­lhes nomes por falharem um golo. Essas crianças correm o risco de ter problemas psicológicos, embora ainda estejam dentro dos limites. Podem crescer a odiar o pai, mas não terão um QI de 60 ou um cérebro mais pequeno.

–  Com base nas conclusões dos seus estudos, será que é possível enriquecer as atividades cerebrais das crianças?

Ah, já parece os pais dos meus alunos em Harvard. Quer inventar a super criança. Bem [pára uns segundos para pensar], vamos pensar em habilidade cognitiva, na inteligência. Não sabemos qual é a contribuição que os genes e a educação dos pais têm nesse campo. Digamos que um pai quer que o filho vá para a melhor universidade do mundo, se torne no Steve Jobs e vá liderar a Apple. Sabemos que os pais que pressionam muito os filhos podem criar crianças com muitos problemas. Está a perguntar se há maneira de os incentivar sem criar problemas. A resposta é sim, se isso for feito dentro dos limites do que a criança é capaz de fazer. Se o seu QI estiver nos valores normais, não é possível que cresça até ao 180. Se a criança nascer com o potencial de ter um QI de 130, é capaz de conseguir puxá-­lo até aos 150, com certas experiências. Mas há um limite. Mas agora deixe-­me perguntar­lhe: o que queria dizer com enriquecer?

– Não estava a falar em pressiona­-las demasiado, mas de criar um meio termo.

E não é isso que a maioria dos pais faz? Não queremos que o pêndulo baloice muito. O que me preocupa é o lado extremo, que é muito perigoso. Nos EUA, há pais que pensam que, a não ser que o filho frequente o jardim de infância certo, quando têm três ou quatro anos, não conseguirá entrar na universidade certa. Pensam que isso determina o futuro universitário, 15 anos depois. Há pais que querem ensinar crianças de três anos a ler. Se mostrarem interesse, há que encorajá-­las, claro, mas não podemos forçá-­las pela goela abaixo.

– Em que ponto é que isso se torna um problema?

O que um bom pai faz é ler a criança. Se deteta sinais de que o facto de puxar pelo filho lhe está a causar stress, ou ansiedade, ou angústia, então deve recuar. Se o pai puxa pelo filho e a criança responde bem, está tudo ok.

– Mas se um pai está no extremo de puxar muito pelo filho, como é que consegue reparar nisso? Porque pode sempre pensar: “Ok, ele não gosta disto, mas é para o bem dele, um dia vai percebê-­lo, quando tiver sucesso”.

O exemplo clássico é a música. A maioria das crianças que começam com aulas de música muito cedo odeiam praticar. Os pais obrigam­-nas a praticar, mas se falar com a maioria dos músicos profissionais, eles vão agradecer aos pais por os terem obrigado a treinar, apesar de, naquele tempo, ser uma fonte de discussão. Mas uma coisa é dizer que se tem de praticar, outra é dizer que é um menino feio ou estúpido se não praticar. Essa é a linha da qual estamos a falar. Não há problema em puxar pelas crianças, desde que saibamos o ponto em que temos de recuar. No caso dos pais que não sabem, que não conseguem captar os sinais, os filhos terão problemas.

– Que tipo de problemas?

São problemas que terão tendência a aparecer cedo, mas persistirão no tempo, no caso de os pais continuarem a insistir. A ansiedade será o primeiro, seguido da depressão. Depende do que os pais fizerem à criança,­­ se apenas a pressionam ou se é um abuso verbal ou emocional. Se forem exigentes, mas estiverem a pensar nos interesses da criança, é diferente dos momentos em que os pais quebram a tal linha limite. A questão está nos pais, nos que nunca foram muito bem sucedidos e querem à força que o filho tenha sucesso. Estão a viver através da criança, aí é que surgem os problemas.

– Porque se foca mais nos extremos e não estuda tanto isto?

Primeiro, porque um neurocientista olha para casos extremos esses casos e, em segundo, porque estou mais preocupado nos milhões de crianças que não têm hipótese nenhuma na vida, ao invés das crianças que apenas têm pais que os pressionam.

“Sou contra a institucionalização de crianças em quase todos os casos”

– Pode aplicar as conclusões a que chegou, relativas às crianças em situações limite, às políticas de adoção e de famílias de acolhimento? Acha que algo tem de mudar?

Sim, já falei com muitos advogados sobre isto. Têm de prestar atenção aos períodos críticos. Muitas vezes, a justiça demora demasiado tempo a tomar uma decisão sobre o futuro da criança. Insiste em dar segundas hipóteses aos pais e a inseri­-los em programas, sem se aperceberem que os danos causados se vão acumulando e podem ser irreversíveis. Depois, há que treinar os assistentes sociais para reconhecerem problemas e intervirem mais cedo. A lei tem de mudar.

Já usei Portugal como exemplo. Portugal tem muitas crianças a crescerem em instituições, o que não é bom. Por isso, têm de arranjar alternativas aos cuidado dos orfanatos. Mas se um pai abandona um bebé, então o que temos de fazer é encontrar uma solução permanente. Uma família de acolhimento é algo temporário, por isso será que podemos colocá-­los para adoção, a nível interno ou internacional? O importante é não as deixar em instituição ou orfanatos.

– Nem em instituições que sejam consideradas boas?

Não. Confesso, sou contra a solução da instituicionalização em quase todos os casos. Mas não sou ingénuo. Se pensar no Médio Oriente , no Afeganistão e no Iraque, por exemplo,­­ ou em África, haverá órfãos em qualquer local onde haja um cenário de guerra ou doença. Nem sempre é razoável dizer que oito mil crianças cujos pais morreram com o ébola vão ser adotadas. Como uma solução a curto ­prazo, uma instituição pode ser uma solução, mas apenas durante alguns meses, caso se tratarem de bebés. Se forem crianças ou adolescentes, os casos mudam. Se tiverem 15 anos, o efeito de ir para um orfanato não se compara ao que um bebé de um ano sentirá.

– Então acha que, na maioria dos países europeus, nenhuma criança deveria chegar a um orfanato?

Sem dúvida. Parece surpreendida…

– É que às vezes pensamos nas instituições e reconhecemos que, mesmo sem terem lá os pais, as crianças não sofrem de violência ou de maus­tratos, portanto, o que falta?

Várias coisas. Lá não há realmente um adulto que invista nas crianças. Estão lá porque são pagos para estar a tomar conta delas. Depois há turnos, por isso várias pessoas poderão tratar da mesma criança. E devido ao rácio de crianças, um adulto pode, ao mesmo tempo, ter de cuidar de dez crianças, o que privará a criança da atenção individualizada que teria se estivesse com uma família. Já estive em boas instituições, e o bom aqui significa que tinham um melhor rácio entre crianças e funcionários ­­— talvez de cinco para um. Mas a criança sente sempre uma sensação de abandono.

– A partir de que idade começa a senti­-lo?

Depende. Se tiverem sido abandonados à nascença, quanto tiverem poucos anos de idade percebem que estão ali por não terem pais. Mas se lá chegarem já com alguma idade, percebem imediatamente o que aconteceu.

– E se tiverem dois anos?

Essa é a altura mais difícil. Vão perceber que algo lhes foi retirado, mas sem compreenderem exatamente o quê. Talvez consigam formar um novo laço, mas esse é o problema das instituições. Imaginemos que tenho dois anos, os meus pais morrem e chego a um orfanato. A quem me afeiçoo? Com quem formo uma ligação? Preciso de uma pessoa que se chegue à frente e, realmente, tome conta de mim. Mas essa pessoa irá sempre para casa ao final do dia, ter com a sua família. Por isso, quem cuidará de mim?

– Isso tem implicações no desenvolvimento do cerébro.

Enormes. A primeira está na capacidade em criar relacionamentos. Temos de pensar que, a partir do momento em que afeta o comportamento, o cérebro já está afetado. O que não sabemos é o que acontece ao cérebro de crianças que estão em boas instituições e que lá chegam com dois anos, em vez de bebés. Estamos a pensar fazer estudos em outras partes do mundo para abordar esta questão. A única forma de aproximar uma instituição de uma família é ter adultos que lá estejam 24 horas por dia, como se faz em alguns locais em África. Se lá estiverem assim, todos os dias da semana, parece uma família.

– Uma família numerosa…

Há adultos que têm um papel permanente na vida de uma criança. Muitas vezes perguntam-­me isto: crescer numa família com oito ou nove irmãos não será o mesmo que estar num orfanato? Porque, nesses casos, o mais novo recebe a atenção dos mais velhos, mesmo que os pais estejam lá sempre, pois não conseguem prestar a mesma atenção a dois miúdos ou a dez. Mas não deixam de ser os pais.

– Há alguma solução para isto?

Não sei, mas gostaria de saber, por isso é que tento trabalhar com a UNICEF, para ir a locais diferentes e tentar coisas diferentes. O meu problema é que sei qual é o problema, mas desconheço a solução. É irritante ouvir pessoas a criticar os problemas e, depois, quando perguntos por soluções, elas dizem que não sabem. Na Serra Leoa, onde o vírus do ébola mais atacou, houve milhares de crianças que ficaram sem pais. E o pior foi que ninguém se aproximou dessas crianças, por pensarem que estavam infetadas. As pessoas usavam aqueles fatos de proteção para irem ter com as crianças, o que era assustador. Nessa situação, que é extrema, porque não se colocaram as crianças com famílias em vez de instituições? Mesmo que não fosse uma solução permanente, ao menos era similar ao ambiente ao qual estavam habituadas.

A solução será convencer mais famílias a acolherem crianças, nem que seja temporariamente. Outra solução poderia ser dá­-las para adoção, embora isso exija maiores cuidados, em termos de investigação dos pais que acolhem as crianças, porque há muitas pessoas com ideias perigosas, como o tráfico sexual.

– Quando disse que os cuidados de assistência social deviam estar mais atentos aos problemas das crianças, que problemas são esses?

Portugal, por exemplo, terá de ter uma economia muito forte para fazer isto. Penso que qualquer grávida deveria ter uma enfermeira que a acompanhasse durante a gravidez, e ela estaria treinada para detetar certos sinais. Dever­-se-­ia procurar sinais na mãe. Se era ou não, uma gravidez desejada, se a mãe está deprimida, se está ressentida por ter um bebé e o considera como a causa dos seus problemas. Ou podem procurar sinais que indiquem apenas que a mãe precisa de ser educada a ser mãe, a cuidar do bebé. Não existe um manual de instruções que ensine como ser pai. Alguns apenas precisam de ajuda. Não estou a falar de uma ajuda diária, mas apenas de algumas visitas durante a gravidez e outras tantas após o nascimento.

Hoje não o fazemos, em todo o mundo, porque assumimos que temos o direito individual de cuidarmos do nosso filho da maneira que entendermos. Não creio que essa seja a abordagem correta. Acho que temos a obrigação, enquanto sociedade, de cuidarmos das nossas crianças.

“O cérebro desenvolver-se-á sempre melhor num ambiente familiar, seja com heterossexuais, seja com um casal gay”

– Em Portugal, o Presidente da República vetou recentemente um projeto de lei para a adoção por casais do mesmo sexo. O argumento das pessoas que são contra este tipo de adoção alegam os interesses da criança, dizendo que ela ficará melhor numa instituição do que numa família onde não tenha um pai e uma mãe de sexos diferentes.

Existem sólidas provas e estudos científicos de crianças que crescem em famílias homossexuais. São tão saudáveis como crianças que cresceram em famílias heterossexuais e crescer numa família gay não tem qualquer impacto na orientação sexual da criança. Por isso, é muito melhor para uma criança estar numa casa com apenas um pai ou uma mãe, ou com pais homossexuais, do que estar num orfanato. De longe. Não votaria nesse homem agora.

– Portanto, e tendo em conta esses estudos, a conclusão é que o cérebro se desenvolverá sempre melhor se estiver no meio de um ambiente familiar?

Sempre. Mesmo se os pais forem gays.

 

 

Portugal tem de apostar mais nas famílias de acolhimento

Novembro 24, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 13 de novembro de 2015.

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Fundação Gulbenkian discutiu a situação dos menores em instituições.

“Portugal tem demasiadas crianças institucionalizadas e tem de apostar mais na solução de famílias de acolhimento”. As palavras são de Andrew Kendrick ,professor da Universidade de Strathclyde, em Glasgow, Escócia, especializado em cuidados de crianças institucionalizadas. O professor falava ao DN à margem da conferência “Acolhimento de Jovens em Instituição”, o culminar de um projeto que a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolve desde 2012. “Reparei que uma das grandes diferenças entre Portugal e a Escócia é que nós temos muitas mais crianças em famílias de acolhimento e muito poucas em instituições”, explica o professor universitário em entrevista ao DN. “Em Portugal tem de haver um equilíbrio maior, tem que se perceber o que tem de ser feito para mudar este estado de coisas e o que é que existe na cultura em Portugal que não permite a escolha dessa vertente”. Segundo explicou Daniel Sampaio, coordenador científico do programa da Gulbenkian, atualmente existem cerca de oito mil crianças institucionalizadas. Na Escócia, no universo de seis milhões de habitantes, existem apenas mil crianças em residências de acolhimento, termo técnico usado no Reino Unido que recusa a expressão “institucionalização”. Daniel Sampaio admitiu ainda que em Portugal é necessário “reduzir o tempo de institucionalização, já que muitas vezes este se arrasta por muito tempo por alguma dificuldade de resposta do sistema. Há ainda uma necessidade de reforçar o treino e a supervisão dos técnicos que trabalham com crianças em instituições, que ainda falha em Portugal”, diz o psicólogo. “Deve ser considerado que os técnicos têm de ter um estatuto superior do que o que têm atualmente na sociedade” acrescenta Andrew Kendrick. “Hoje em dia ainda têm um papel menorizado. Há aqui uma ambivalência que tem de acabar”. O professor universitário defendeu ainda que “há falta de oportunidade de soluções para a realização de um treino mais adequado para os técnicos que trabalham nas instituições em Portugal. O treino e a preparação técnica é crucial e deve ser desenvolvido”.

Armando Leandro, presidente da Comissão de Proteção das Crianças e Jovens em Risco, e um dos oradores do encontro, admitiu que “o foco em Portugal deve estar nas crianças”, reforçando a tónica de que “as opções públicas e as estratégias orçamentais devem esta centradas nesse aspeto”, explicou o juiz conselheiro. “Temos de assegurar a vigilância feita às crianças, estar sempre atento e pôr sempre a possibilidade de abusos sexuais ao mínimo sinal. Até aqui não acontecia porque as crianças não falavam ou, quando falavam, não acreditavam nas queixas”, sublinha o especialista escocês, também investigador de casos de abusos sexuais ocorridos em instituições. No que respeita à possibilidade de abusos sexuais, “tem de haver uma cultura e atitude aberta. No passado não havia essa atitude, as instituições fechavam-se em si mesmas”, conclui o investigador.

Em 2014, as autoridades portuguesas detiveram 146 homens e oito mulheres por abuso sexual de crianças, cinco homens por abuso sexual de menor dependente, 15 homens por abuso sexual de pessoa incapaz de resistência e sete agressores por atos sexuais com adolescentes. A grande fatia dos casos investigados pelas autoridades policiais ocorre, porém, em seio familiar (45%).

 

 

 

 

A casa dos não adotados. E as vidas que eles seguiram sozinhos

Novembro 1, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem do Observador de 11 de outubro de 2015.

Observador

Tiago Palma

São acolhidos nos lares ainda crianças. Vivem lá a infância e a adolescência. A certa altura percebem que não vão ser adotados ou retornar à família. Chegada a maioridade, têm que sair. Para onde vão?

O Bairro 18 de Maio, na Outurela, em Carnaxide, logo às portas de Lisboa, é mal afamado. Ana Têmpera chegou em novembro de 2012. Foi ela uma das primeiras raparigas que para lá foram morar vindas dos lares da Fundação “O Século”, onde cresceram, ocupando um de dois apartamentos de autonomia que a Câmara Municipal de Oeiras disponibilizou à Fundação.

Ana sai sempre cedo para a faculdade, onde está a tirar o mestrado, depois de se ter licenciado bem recentemente em Publicidade e Marketing. Foi a primeira das raparigas (e rapazes) institucionalizados nos lares de “O Século” a consegui-lo. Ana regressa sempre quando a noite já se pôs, mas diz que ninguém lhe perguntou, nunca, de onde vem e para onde vai, e que se sente, hoje como no primeiro dia, mais uma moradora daquele bairro social.

Ana chegou à Fundação “O Século” em meados de 2001 — tinha sete anos — acompanhada de duas das três irmãs, todas mais velhas. Nunca foi adotada. Viveu lá até aos 18 anos, altura em que ingressou em Direito, um curso que era o desejado, mas que não foi o desejável, e deixou-o logo para trás. Não foi fácil a saída do lar. “Eu sempre disse que quereria viver no lar até aos 30 anos [risos], que não me queria ir embora de lá, que aquilo era a minha casa e que não me imaginava a viver sozinha, a sair de lá. Quando fiz 18 anos, começou a falar-se nisso, na abertura dos apartamentos de autonomia, e a verdade é que, na altura, eu sentia-me cada vez menos integrada no lar, tinha acabado de entrar na faculdade, as raparigas eram muito mais novas do que eu, e foi aí que percebi que era tempo de fazer a transição, embora me custasse fazê-lo. Foi das decisões que mais me custou tomar na vida”, recorda.

A Fundação “O Século” tem dois lares de acolhimento, todos em S. Pedro do Estoril. Há a “Casa das Conchas”, que se destina ao acolhimento de 25 crianças e adolescentes em risco, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 6 os 18 anos, privilegiando, quando assim é possível, a reintegração destes nas famílias. E há a “Casa do Mar”, destinada ao acolhimento de 12 adolescentes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, adolescentes que necessitam de ser afastadas das suas famílias, por serem vítimas de maus tratos ou de outras situações de perigo.

Excluídas as hipóteses de adoção e de reintegração na família biológica, o que o lar privilegia é a elaboração um projecto de vida pessoal e profissional, autonomizar as adolescentes, promovendo assim a sua uma integração social. Os apartamentos de autonomia são o derradeira etapa da autonomização. É numa dessas “Casas da Ponte” que Ana vive.

Leonor Lucena é assistente social na Fundação “O Século” e a responsável técnica pelos apartamentos, as “Casas da Ponte”. Porquê esse nome? “Ao longo dos anos de trabalho nestes lares, começámos a pensar que era importante haver um sítio que pudesse fazer a ‘ponte’ entre os lares e a vida autónoma dos jovens. Ou seja, um sítio onde eles pudessem treinar melhor as competências de autonomia, competências que no lar são difíceis de treinar, pois é um contexto de instituição, um lar que é grande, com muitos jovens e em que estes nunca, ou quase nunca, fazem sozinhos uma só coisa. O nome, ‘Casas da Ponte’, vem precisamente daí, casas que são uma ponte entre o lar e a vida autónoma. Nós sentíamos um fosso, um grande fosso, quando estes jovens saíam autonomamente, do lar, para a vida deles.”

A Fundação “O Século” recebeu os apartamentos há três anos. “Não fomos logo, logo para lá. Ainda precisámos de os equipar, com mobiliário, com electrodomésticos, de os decorar, e em novembro desse ano vieram as primeiras jovens, sendo que as segundas vieram logo depois, em maio. Os apartamentos foram realmente importantes. Elas tinham dificuldades em muitas, muitas coisas, no que diz respeito à autonomia”, explica Leonor.

Ana, por sua vez, recorda que na “Casa do Mar” faziam tudo pelas raparigas. Ou quase tudo. “Nós tínhamos uma tarefa, diária, o que não é nada se se comprar com aquilo que temos, hoje, de fazer no apartamento. Aqui, tudo o que é cozinhar, tudo o que é limpar, tudo o que são despesas, é responsabilidade nossa. O maior desafio, curiosamente, pelo menos para mim foi-o, é avisar as duas colegas de casa sobre o que é que vou fazer, onde é que ando, e isso, confesso, ainda me faz confusão. É claro que somos autónomas, que cada uma sabe o que faz da sua vida, não tenho que dizer com quem vou, mas tenho de avisá-las se durmo ou não durmo em casa, para que durmam, elas, descansadas, tenho de avisá-las se trago ou não trago amigos e amigas cá a casa, e isso foi um desafio, pois acreditava que ao vir para cá, a autonomia seria total, e não é.”

Quando a adopção não é opção e o retorno à família também não

Em dezembro de 2014, de acordo com os dados do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, existiam 429 crianças e adolescentes em situação de adoptabilidade. O número de candidatos que se predispunham a adoptar, mas ainda em lista de espera, era quatro vezes superior: 1805. Até aos seis anos de idade, o número de pretensões era cerca de 24 vezes superior ao número de crianças disponíveis para adopção. Mas a verdade é que são menos, bem menos os que querem adoptar uma criança dos sete aos 12 (349 candidatos para 217 crianças) . E menos ainda (22 para 34) os que o querem fazê-lo com adolescentes dos 13 aos 15 — a idade até à qual se pode ser adoptado em Portugal.

Ana Têmpera chegou à Fundação com sete anos, em situação de adoptabilidade, mas tal nunca veio a acontecer. A razão é só uma: não estava só. Em 2014, só 20 por cento dos candidatos a adoptantes estavam predispostos a adoptar irmãos. Os números são diferentes de 2001 até hoje, mas a tendência não se alterou tanto assim.

“Apesar de eu só ter sete anos na altura, e de ainda ter idade para ser adoptada, nunca fui, uma vez que vivia com as minhas irmãs, e não fazia sentido adoptarem só uma de nós e não as restantes. Mais a mais, eu tenho muitos, muitos irmãos, o mais velho com 63 anos, e eu sou a mais nova, com 22. A minha irmã do meio, que vivia comigo no lar, tem 26 e a outra, que também vivia lá, 30 anos. Nunca perdi o contacto com eles. E ainda que nos adoptassem às três, que surgisse uma família, na ‘Casa do Mar’ a adopção não era, aparentemente, uma opção. Nunca foi. E nós sabíamos disso. A idade legal para se entrar lá é a partir dos 12 anos — excepcionalmente, eu entrei mais nova –, e essa era, na altura, que me recordo, a idade final para se ser adoptado. Ninguém é adoptado com 12 anos. Nunca conheci quem tivesse sido adoptado lá com essa idade. Como é um lar de acolhimento, nós sabemos que, ou se é reintegrado na família, ou vivemos lá até atingir a maioridade. Eu sempre soube que ia lá viver até aos 18 anos”, lembra Ana.

Leonor Lucena explica que “sem excepção, todos os jovens, mais novos ou mais velhos, que ali entram, sabem, à partida, que não vão ser adoptados”, que o que lhes vai suceder é que “vão trabalhar, connosco, no sentido de se autonomizarem”. Muitas vezes, em alternativa, o que ainda pode vir a suceder é a reintegração deles na família biológica, “e é por isso que nós trabalhamos, também, com as famílias, é por isso que queremos manter um contacto com elas, pois, independentemente de regressarem ou não para ela, as famílias são importantes, são uma figura de ligação à vida fora do lar e são uma figura de apoio para nós, lar, e para os jovens que cá vivem. O nosso objectivo é o de autonomização dos jovens. Ou se autonomizam ou retornam às famílias biológicas. Não há, habitualmente, e salvo raríssimas excepções, uma terceira opção”, explica Leonor.

“Casas da Ponte”. Quem são (e como têm de ser) estas meninas-mulheres?

A vida no lar, crescer no lar, apesar de se saber que poderá ser longa a permanência, é normal, tão normal quanto é possível. “Igual, igual, não é, pois vivem no lar. Mas, de resto, vão à escola da comunidade, escolhem o que querem estudar, que curso querem, pratica desporto quem quer praticar desporto, faz actividades culturais quem quer fazê-las, vão ao teatro, vão ao cinema, saem à noite, com horários de regresso ao lar que variam consoante a sua idade e a sua responsabilidade, são crianças e adolescentes que têm os seus amigos, dentro e fora do lar, crianças e adolescentes que procuramos que tenham uma vida tão normal e feliz quanto nos for possível dar-lhes. O lar não é, nem deve nunca ser, não é saudável que o seja, uma estrutura fechada ao exterior”, diz Leonor Lucena.

Ana lembra-se de quando chegou ao lar, 15 anos. Por ter consigo as irmãs, teve a integração facilitada, mas fez dela uma criança “birrenta”, como a própria hoje se descreve. “Vivi sempre com elas. Antes, vivi durante um ano num centro de acolhimento temporário — supostamente, e por lei, como é um centro de urgência, só lá ia ficar duas noites; fiquei um ano… –, mas sempre com elas. A minha integração foi muito mais fácil por causa disso. Mas também é verdade que os próprios monitores, que criam ligações muito fortes connosco, que são quase como nossos pais, foram importantes na minha integração. Claro que foi uma infância e uma adolescência diferente, diferente da das minhas amigas e dos meus amigos, que voltavam para casa, para os pais. No fim da escola eu regressava ao lar. Mas tive uma infância e uma adolescência felizes, sim.”

As irmãs acabaram por sair, Ana continuou por lá. E continuou com o mesmo objectivo do começo. “Quando fui para o lar estava no 1.º ano. E sempre fui muito boa aluna, um dos meus sonhos sempre foi o de entrar na faculdade, não sei porquê, mas tinha esse ‘bichinho’ de entrar na universidade em mim, desde pequenina. Um sonho que era também o de todas as pessoas que me ajudaram no lar, que me criaram lá. Então, não fiz mais do que investir nesse sonho, não olhei para o lar como, ‘sou uma pobrezinha, que tenho que viver aqui!’, mas antes como, ‘o lar está a dar-me uma oportunidade para estudar e eu vou ter que aproveitá-la!’”

Ana é um caso de sucesso nos estudos e na vida, autónoma, fora do lar. Mas nem sempre é assim. “É verdade que muitas das raparigas que chegam ao lar, chegam muitas vezes numa fase da sua vida em que pouco ou nada fazem para mudá-la, talvez por serem mais velhas, raparigas muito revoltadas, que não aceitam o passado que tiveram, a vida que têm, e vão para o lar a pensar no dia em que vão sair. Eu, como fui para o lar em pequenina, adequei-me ao que o lar tinha para me dar, às regras, mas sempre vi o lar como uma coisa boa. Não tenho do que me queixar”, recorda Ana.

As raparigas que, saídas dos lares da Fundação, vão viver para as “Casas da Ponte”, têm que ter características particulares. Desde logo, a idade. E, mais importante, a postura. Não de hoje, mas de sempre. “Todas as jovens que vêm para os apartamentos de autonomia têm que ser, logo à partida, maiores de idade. Vão viver sozinhas, sem nenhum adulto aqui, e têm que ter mais de 18 anos. Depois, têm que ter características muito próprias, têm que ser jovens que, logo no lar, demonstrem responsabilidade, maturidade e, sobretudo, que queiram vir – isto tem que ser importante para elas, ninguém pode estar cá a contragosto, só porque sim, pois isso vai prejudicar o ambiente que se vive na casa. Por fim, são jovens que têm um projecto de vida totalmente definido, sabem o que querem fazer, umas estudar, em cursos específicos, profissionais ou superiores, outras trabalhar, ou tentar procurar um emprego, e são, portanto, jovens que querem investir no futuro”, explica Leonor Lucena, a responsável técnica pelos apartamentos de autonomia.

Nas “Casas da Ponte” da Outurela só vivem raparigas. A mais velha tem 24 anos. “É verdade que ultrapassou a idade máxima para viver nos apartamentos de autonomia, mas, excepcionalmente, a Elvira vai continuar connosco, pois está desempregada e vamos apoiá-la até se empregar”, explica Leonor. As restantes têm entre 18 e 23 anos. Uma delas, Cátia, trabalha na cozinha da Fundação e é “uma cozinheira de mão-cheia”. As restantes estudam. Ana Têmpera vai começar o Mestrado em Comunicação e Marketing, duas estão a licenciar-se, uma em Design, outra em Educação, e mais uma rapariga no 12.º ano, no curso profissional de Teatro. “Como tenho a hipótese de continuar a estudar, quero terminar o meu Mestrado, quero trabalhar no entretanto, ganhar o meu dinheiro e continuar a viver mais um tempinho no apartamento, não muito tempo mais, uma vez que sei que vou fazer 23 anos, mas vou viver lá até à transição para a minha casinha, para o meu espaço, que não precisa de ser grande, nem precisa de ter grande coisa. É esse o meu objectivo. Depois, se Deus quiser e Portugal me deixar, vou trabalhar na minha área”, assume Ana como ambição.

As raparigas têm uma renda mensal a pagar à Fundação “O Século” e cada uma paga a sua parte. As despesas, no início, não estavam incluídas na renda, mas negociou-se, pediu-se à Fundação que as incluíssem, aumentou-se ligeiramente a renda e lá se incluíram. “A única despesa que nós temos que pagar, fora a renda, é a Internet e a TV, que é paga entre todas. Normalmente, e como cá em casa nenhuma de nós está a trabalhar, não tem um ordenado fixo, o tribunal apoia as raparigas até aos 21 anos — às vezes, excepcionalmente, até depois disso –, dando-lhes um suporte de autonomia de vida, um valor fixo todos os meses. E é através desse dinheiro que nós pagamos a renda, as despesas e geri-mo-lo o melhor que sabemos”, explica Ana.

A Fundação “O Século”, e concretamente Leonor, o que faz é ser uma figura de acompanhamento. Às vezes distante. Propositadamente. “Nós o que fazemos é ajudá-las a aprender a gerir esse dinheiro. Elas têm as despesas normais que cada um de nós tem, despesas com alimentação, com os transportes, com a faculdade, a roupa, o telemóvel e, em casa, têm que pagar a água, a luz, o gás e a electricidade. O nosso objectivo é que elas saibam, enquanto vivem nas ‘Casas da Ponte’, gerir o orçamento. Para isso, eu reúno-me com elas, uma vez por mês, às vezes quinzenalmente, e falamos sobre estratégias para gerir, também para conseguir poupar, mas isso é só uma sugestão e são elas, sozinhas, quem gere o próprio dinheiro. Se me importava de as ajudar em tudo? Não, claro que não. Mas às vezes obrigo-me a não fazê-lo para que elas saibam o quanto custa ser autónoma”, explica.

E os apartamentos de autonomia para rapazes? “O nosso objectivo é, no curto prazo, ter também apartamentos de autonomia para eles, sim. A Câmara Municipal de Cascais cedeu-nos, há pouco tempo, um apartamento ali na zona da Parede. O que falta fazer? Faltam-nos as obras de requalificação, mobilá-lo e trazer os rapazes. Acreditamos que pode vir a acontecer no próximo ano.”

mais fotos e vídeo no link:

http://observador.pt/especiais/casa-dos-nao-adotados-as-vidas-seguiram-sozinhos/

 

 

I Fórum da Gondomar Social – “O Acolhimento Terapêutico de Crianças e Jovens”

Setembro 9, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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gondomar

A Gondomar Social – Associação de Intervenção Comunitária é uma Instituição Particular de Solidariedade Social vocacionada para o desenvolvimento de respostas que prossigam fins sociais e cuja atividade se centra na dinamização de um Lar de Infância e Juventude Especializado «Coração d’Ouro» que acolhe 18 jovens do sexo feminino com idades entre os 12 e os 18 anos e com problemas de comportamento e saúde mental diagnosticados.

Atualmente estamos a organizar o I Fórum da Gondomar Social – O Acolhimento Terapêutico de Crianças e Jovens que decorrerá nos próximos dias 8 e 9 de Outubrono Pavilhão Multiusos de Gondomar. Pretendemos criar um espaço de reflexão, estudo e partilha relativamente ao acolhimento institucional, em geral, e à importância de investir em práticas cada vez mais específicas e dirigidas às necessidades que as crianças e, em particular, os jovens revelam. Assim, este Fórum irá contar com a participação de ilustres palestrantes não só de todo o país, mas também internacionais, como é o caso do Prof. Richard Rollinson, conceituado palestrante na área do acolhimento residencial especializado junto de jovens com problemas de comportamento.

Serve o presente para remeter o Programa deste fórum estando certos de que a dinamização desta iniciativa contribuirá para o enriquecimento de todos os profissionais que intervém nas áreas da infância, juventude e respetivas famílias. Assim solicitamos a v/ prestimosa colaboração na divulgação deste evento.

As inscrições devem ser enviadas através do link: https://docs.google.com/forms/d/1cLvBP9xdP___iJm4B7it8OfJ8t3FbU4leP4kaFu8tis/viewform?usp=send_form

Caso tenha problemas a preencher o formulário de inscrição poderá mandar os seguintes dados para o email: gondomarsocial@gmail.com

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€15: Público em Geral.

€10: Estudantes/Desempregados(as).

O pagamento deverá ser efetuado mediante transferência bancária para:

NIB 0010 0000 45939510001 42.

Após o pagamento agradece-se o envio do comprovativo da transferência por e-mail ou fax, para validação da inscrição.

Relembramos que as inscrições são limitadas à capacidade da sala, pelo que serão validadas por ordem de remissão de comprovativos. INSCREVA-SE!!

Quaisquer esclarecimentos adicionais, agradece-se o contacto:

gondomarsocial@gmail.com

Tel. 22 421 99 20 | Fax. 22 421 99 29

http://gondomarsocial.webnode.pt/lar-de-inf%C3%A2ncia-e-juventude-especializado/

Tertúlia – “Crianças e jovens institucionalizados – Desafios da (re) construção de um projeto de vida”

Agosto 25, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Cartaz da tertulia

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