Orquestra Geração. A música como perspetiva de futuro

Junho 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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A orquestra dirigida por Marija Mihajlovic esteve a atuar quarta-feira na abertura da Feira do Livro em Lisboa Foto Leonardo Negrão / Global Imagens

Notícia do Diário de Notícias de 1 de junho de 2019.

A Orquestra Geração da Santa Casa junta crianças e jovens acompanhados pela instituição, mas também filhos de funcionários, e tem por objetivo combater o insucesso escolar através da música.

Jéssica Silva, de 14 anos, descobriu a Orquestra Geração através das técnicas da segurança social. Chegou à formação de jovens músicos da Santa Casa para tocar violino. Com ela trouxe a amiga Cláudia Fernandes, de 13 anos, que toca violoncelo. Há pouco mais de um ano, foram juntas ver o que era a Orquestra, mas sem grande esperança de conseguir um lugar. “Viemos cá ver quais é que eram mais ou menos os instrumentos, mas não tínhamos a noção que íamos ficar, porque não estávamos assim muito motivadas”, recorda Jéssica.

As duas amigas chegaram tinha a Orquestra Geração Santa Casa apenas um ano. No arranque tinham 25 músicos, “jovens que nunca tinham visto um instrumento de música clássica”, sublinha António Santinha, diretor da Unidade de Apoio à Autonomia da Infância e Juventude da Santa Casa. Neste momento, são 35 elementos, dos seis aos 15 anos, do que é para já apenas uma orquestra de cordas. No próximo ano, a Santa Casa tem prevista a introdução de sopros, o que deve implicar mais dez elementos.

O projeto – que se inspira no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela e tem como objetivo combater o abandono e insucesso escolar através do ensino da música – nasceu para “tornar acessível a cultura a todas as crianças, que dificilmente noutras condições teriam acesso a alguns instrumentos de cultura”, explica o responsável da Santa Casa. Integram este projeto as crianças que vivem nas casas de acolhimento da Misericórdia de Lisboa, crianças de famílias acompanhadas pela instituição e também filhos de funcionários.

A expectativa inicial era de perceber como é que as crianças iam reagir. Agora, chegam de todos os pontos da cidade – a Santa Casa trata da logística dos transportes – para aprender a tocar um instrumento. “Os miúdos neste momento estão entusiasmados. Uns, no intervalo vão jogar futebol, outros ficam a aprofundar os seus estudos com os instrumentos”, exemplifica, orgulhoso António Santinha.

Os alunos vão começar agora, ao fim de dois anos, a levar os seus instrumentos para casa, a “cuidar do seu instrumento”. Desta forma, aponta o responsável, vão colocar “instrumentos de música, pelos quais os miúdos têm grande afeto e carinho, em sítios onde a cultura às vezes não é tão valorizada e onde não é muito habitual encontrar este tipo de instrumentos e este tipo de atividades.”

O cuidado com os instrumentos

A relação especial de cuidado e carinho com os instrumentos é algo que António Santinha frisa na evolução das crianças e jovens que integram a Orquestra Geração. E de repente o projeto que quer levar a cultura a estes miúdos acaba por fazer nascer neles o desejo de serem músicos. “Vemos que alguns miúdos, de facto, estão muito interessados nos estudos.” A ajudar a esse entusiasmo, António Santinha não tem dúvidas que estão os professores. Um desses exemplos é Marija Mihajlovic Pereira, professora do naipe de violinos e preparadora orquestral. Está há um ano e meio na Orquestra. Começou por ser professora convidada e acabou por ficar a tempo inteiro.

Marija olha para os seus alunos e a primeira palavra com que os descreve é “diversificados”. Nas idades, no comportamento, na nacionalidade, e outros aspectos. “Temos alunos dos 6 aos 15 anos e isso exige um trabalho de abordagem muito diversificado do professor para abranger essas idades”, aponta. Durante a semana, têm três horas de aulas e aos sábados mais quatro. São momentos que os aprendizes de músicos passam com o instrumento que tocam.

E embora haja diferenças entre os mais “dedicados” e os mais “de brincadeira”, “todos eles acabam por se envolver de alguma forma”, defende a professora. Marija considera ainda o grupo “unido” e diz que teve “uma boa evolução” desde o arranque da Orquestra. E essa evolução é medida não só em termos musicais: “Evolução social, musical, da convivência, de empenho e de uma forma muito particular que faz esse projeto bem especial para mim, porque muitos deles sentem isto como uma segunda casa. É uma instituição acolhedora não só para eles, mas também para os professores”, elogia.

Como professora de um grupo de crianças e jovens que não tinha qualquer contacto com a música antes, Marija Mihajlovic Pereira elogia a entreajuda. “Os que aprendem primeiro puxam com tanta força os outros que eles rapidamente se agrupam.”

“Nem conseguia colocar bem o primeiro dedo”

Do lado dos alunos, também há o elogio ao esforço de quem ensina. “Os professores desta escola são melhores do que os professores da escola normal porque interagem mais com os alunos. Aqui conseguimos falar se estamos tristes ou se temos alguma coisa. Os professores perguntam”, refere Jéssica Silva.

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque

Amanda Silva diz que o seu professor “é um chato”, mas acaba por confessar que se dão bem. Aos 15 anos descobriu por acaso a paixão pelo contrabaixo. A aluna do 9.º ano recorda a sensação “estranha” de tocar nos instrumentos. Depois de tentar vários instrumentos acabou por escolher o contrabaixo: “Agora adoro.”

Amanda ainda se lembra de que quando chegou à Orquestra não tinha qualquer noção do instrumento. “No início nem conseguia colocar bem o primeiro dedo como deve ser que saía desafinado. Agora já consigo tocar bastante bem e andar mais rápido no contrabaixo.” A jovem é um dos elementos da Orquestra que quer seguir carreira. “Penso 24 horas por dia no contrabaixo. Penso logo tenho que acabar as aulas para começar a tocar.”

Sobre o ambiente da orquestra só tem coisas boas a dizer. “Aqui perdi a vergonha, posso falar com quem quiser que somos todos amigos.” Além de que é um espaço que a ajudou a encontrar a sua vocação. E nem os concertos a assustam. “Só fico nervosa um bocadinho antes. Quando estou lá já passaram os nervos, toco, penso em outras coisas.”

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque viajam, vão para fora do seu bairro, porque se encontram com outros miúdos, porque trocam impressões com outras pessoas que têm profissões diferentes.”

 

 

 

 

“A minha família é esta com quem vivo”

Junho 5, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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João Silva

Reportagem do Diário de Notícias de 13 de maio de 2019.

Céu Neves

Crianças e jovens em perigo. Filhos de famílias com vidas marcadas por dependências, abandono e negligência estão a construir um caminho novo. Aprendem a ser independentes para serem lançados para o mundo real. Mas a habitação é um problema.

Quem é a tua família? “A minha família é esta com quem vivo”, responde Catarina. Partilha casa com a Vanessa, a Núria e a Beatriz. Estão num apartamento de autonomia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), destinado a quem já tem maturidade e vai deixar a instituição. No coração está ainda gravada a “família amiga”. A biológica ficou lá atrás, aos 7 anos, quando foi viver para um centro de acolhimento, e ainda hoje, aos 23, não consegue perceber as razões. “Acho que não foi possível viver com a minha mãe, mas não tenho a certeza.” O pai morreu tinha ela 8 anos.

É a segunda mais velha de seis filhos, os irmãos vivem em Inglaterra, com a mãe. Sem compreender o que lhe estava a acontecer, Catarina foi para um centro da SCML gerido por freiras. Aos 16 mudou-se para uma casa de pré-autonomia, para se preparar para o apartamento de autonomia (AA), para onde foi em janeiro.

As casas de autonomia são mistas, na SCML destinam-se a quem tem entre os 16 (15 na Casa Pia) e os 21, e têm um educador em permanência. Os AA são femininos ou masculinos, os residentes podem ter até 25 anos e são eles que se organizam, com a supervisão de uma equipa técnica. A idade limite para a proteção legal são os 18 anos, que podem ser prorrogados até aos 25 se o jovem estiver a estudar ou a trabalhar.

Catarina está no 1.º ano do curso de Animação Sociocultural, quer trabalhar com crianças. Ri-se, talvez “dos nervos”, é divertida e faz poses para a foto, como Vanessa Sanches, 19 anos, que também reconhece nas companheiras a sua família.

Vanessa deixou a família diretamente para o apartamento. É acompanhada desde os 10 anos pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), aos 17 pediu para sair de casa. “Havia negligência por parte dos meus pais, pedi ajuda à CPCJ e à SCML e, passados uns anos, deram-me esta resposta por já ter idade para me candidatar.” É a filha do meio de um agregado com cinco crianças, a mais velha também viveu na SCML, os outros ficaram com os pais. Conta que a mãe está grávida.

Inaugurou o apartamento no dia em que fez 18 anos, a 22 de dezembro de 2017. As técnicas reconheceram-lhe “competências pessoais para ter um futuro melhor, que ficando com a família ficaria muito comprometido”. Vanessa trabalha desde os 17 anos, está numa ação de formação de uma cadeia de alimentação saudável que vai abrir um novo espaço na segunda-feira, onde irá trabalhar. Entra na picardia com as colegas da casa, em especial com Catarina.

A terceira habitante é a Núria, 19 anos, que prefere não dizer o apelido nem tirar fotos. É mais recatada, também por causa da família com que se tem dado ultimamente. Tem quatro irmãos, o mais novo vive com a mãe, dois vivem na Alemanha e um em Londres.

Diz a Catarina e a Vanessa: “A minha família é a minha mãe e o meu irmão, vocês são colegas de casa com quem tenho uma boa relação.” Contra-argumenta Vanessa: “É o teu caso, eu não tinha bom ambiente familiar.” Concorda Catarina: “Posso dizer que tive uma boa infância na instituição e tenho a ‘família amiga’, levavam-me nas férias, no Natal, nos anos, eu adorava.” É um casal de Sintra, com os filhos crescidos, e que se voluntariou para apoiar diretamente uma criança de um centro de acolhimento.

Adoção perdeu-se na espera

Núria foi viver aos 6 anos para uma instituição em Fátima, da qual não guarda boas memórias. “Éramos 24 crianças, era muito complicado.” Esteve indicada para a adoção – o pai não estava contactável e a mãe estava impedida de a contactar -, mas o processo judicial demorou tanto tempo que só aos 11/12 anos ia concretizar-se – nesta altura foi Núria a dizer “não”.

“Não quis ser adotada porque não poderia falar com a minha mãe. Durante muito tempo não falei com ela e eu queria saber muitas respostas.” Teria sido uma vida diferente, seguramente, mas também não seria a pessoa que é hoje e admira. “Sou uma pessoa com juízo, é complicado viver numa instituição, não é fácil sair sã. Só dependemos de nós, não há ninguém em quem possamos confiar, só as pessoas da nossa idade.” Está a terminar o 12.º ano para tirar um curso superior, talvez Fisioterapia se a nota de exame a Matemática ajudar.

A quarta residente, Beatriz, não está presente, ainda está na escola.

Vivem numa casa de cinco assoalhadas, numa praceta com jardim em São Domingos de Benfica. Têm um quarto para cada uma, paredes em tom pastel e tetos altos brancos, camas decoradas com peluches.

É uma vida autónoma, com o apoio dos educadores Marisa Roque e Paulo Tavares, além de uma psicóloga, que ajudam também a gerir a bolsa mensal, de 388,50 euros.

A SCML deposita o dinheiro na conta bancária ou entrega por parcelas, depende das características do jovem. As contas são fáceis de fazer mas difíceis de gerir; a estratégia de Catarina é anotar todas as despesas.

Contribuem com 50 euros para a renda e as despesas da casa, mais dez para o fundo comum, e cem vão para poupança. O resto é para o passe, alimentação, roupa e gastos pessoais. Catarina acompanha as crianças da Orquestra Geração da Santa Casa, o que lhe rende mais 111 euros por mês. E prepara-se para a profissão que quer abraçar.

Casas que é difícil ter na vida real

A SCML tem dez apartamentos de autonomia em Lisboa – três femininos e sete masculinos, onde vivem 32 jovens. “É uma resposta que está em crescimento e, até ao final do ano, vamos inaugurar dois. Há muitos jovens que estão em centros de acolhimento e que, pela idade, faz mais sentido estarem em projetos de autonomização. E também há quem tenha vindo diretamente da família [o caso de Vanessa]”, explica Margarida Cruz, diretora dos AA da SCML.

Podem candidatar-se os jovens que trabalham ou estudam, “que tenham maturidade e capacidade de autocontrole e estejam centrados no seu futuro”. O que, nas palavras de Catarina, “não quer dizer que não tenhamos conflitos, temos é a capacidade de os resolver. Acrescenta Vanessa: “Temos a nossa vida e a que partilhamos, refeições, saídas, compras, consultas, etc.”

A Casa Pia é outra instituição com AA, oito (um para mães com filhos), onde vivem 23 jovens. Tem ainda duas casas de acolhimento com programa de pré-autonomia, agora com 24 residentes. Uma delas é a Casa João José de Aguiar, uma vivenda ao lado do Palácio da Ajuda, branca por fora e colorida por dentro, com quatro raparigas e oito rapazes, além dos cinco educadores. Tal como o apartamento da SCML, é uma boa casa.

É cada vez mais difícil para quem sai de um apartamento de autonomia ou de pré-autonomia obter um espaço habitacional com condições dignas e a um preço que consiga suportar.

“A situação habitacional é o maior desafio. É cada vez mais difícil para um jovem que sai de um apartamento de autonomização ou de um programa de pré-autonomia encontrar um espaço habitacional com condições dignas e geograficamente compatíveis com o seu enquadramento escolar/laboral a um preço que consiga suportar”, diz Leonor Fechas, diretora executiva do Centro de Educação e Desenvolvimento Santa Catarina, da Casa Pia. Há quem tenha de “desistir dos estudos e regressar a agregados familiares que apresentam grandes riscos psicossociais”. São os valores das rendas mas também o facto de muitos senhorios “negarem o arrendamento devido à inexistência de fiadores, a questões raciais e por serem jovens ao abrigo do Estado”.

A autonomia conquista-se

O DN foi recebido na Casa João José de Aguiar, com mesa posta para jantar: salada de polvo, de alface e queijos, bacalhau com natas como prato principal, salada de fruta, brigadeiro e bolo de cenoura para sobremesa. Educadores e residentes confecionaram. Têm entre 16 e 19 anos. O compromisso é não fotografar os menores. Estão num programa de 20 meses, mas podem ser mais, até concluírem as quatro fases: integração, desenvolvimento, consolidação e autonomização. Cada uma concede uma bolsa, que se inicia nos 90 euros mensais e acaba nos 145.

Érica Oliveira, 18 anos, está na residência há dois anos, frequenta o 1.º ano do curso de Animador Sociocultural. Entrou para a instituição com 6 anos, com uma irmã, tem mais quatro irmãos. Mas, sublinha, “a minha família são algumas pessoas da Casa Pia e alguns irmãos. Viver aqui é igual a uma família, só que não é a família de sangue.”

Aprendeu a “não ser tão exigente com os outros, nem tão direta”. Tem um quadro no quarto com a data da fundação do Benfica: 28/2/1904, um trabalho de artes plásticas realizado na Fundação Berardo, com a qual a Casa Pia tem um projeto de cooperação.

Miriam Reis, 19 anos, criou um quadro com a data de entrada na Casa Pia: 10/8/2012. Termina o curso profissional de Cozinha e Pastelaria, está a acabar um estágio profissional, quer ir para a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Ganhou um prémio empresa de 300 euros.
A mãe faleceu e o pai não teve condições para a criar. “Fui perdendo o contacto”, mas ainda assim é a pessoa de referência. E ela é uma referência para os colegas. “Viver aqui é como viver em família, mas com pessoas diferentes, tento ter boa relação com todos.”

Márcio Fachadas, 19 anos, teve de sair da mesa, quando regressa tem uma fatia de bolo brigadeiro que uma colega lhe reservou, o que é alvo de piadas sobre namoricos. Tinha 10 anos quando ali chegou, vivia com a avó paterna, que teve um AVC. “Foi ótimo vir para aqui. Quando penso no que fazia em criança, não tinha horários, regras, a minha avó não tinha condições.” Não foi difícil a adaptação, “só estranho”.

Vive na residência há dois anos, está no 12.º ano, a concluir um curso profissional de Informática. É o segundo ano em que estagia numa televisão, tem esperança de que isso signifique um emprego no futuro.

Quem viveu nesta casa de pré-autonomia foi Murilo Matias, 20 anos, agora convidado para jantar. Passou com êxito todas as fases, vive num AA vai fazer um ano sem setembro. “É fácil concluir, desde que se respeite as regras, não percebo por que razão há pouca gente a terminar”, comenta.

Entrou para a Casa Pia com 13 anos, ele e a irmã, dois anos mais nova. Viveram no Centro de Acolhimento Temporário da Casa Pia e ele, dada a sua idade e maturidade, seguiu para a pré-autonomia. Está a terminar o 12.º ano, “quer estudar Animação Sociocultural na Universidade de Vila Real, quer sair Lisboa. Recebe 419,22 euros, dos quais entrega 160 euros para as despesas da casa e 100 para poupança. O resto é para passe, alimentação e despesas pessoais.

Trabalhou nas atividades praia-campo, da Junta de Belém, juntou dinheiro para ir até Auschwitz com os amigos. Com isso desenvolveu um projeto escolar, apresentado na última quarta-feira, onde esteve o embaixador de Israel. E, tal como Miriam, esteve no ano passado na ilha francesa da Reunião no âmbito de um projeto de intercâmbio. E os franceses vieram a Portugal.

Murilo mantém contacto com a mãe, com altos e baixos. Agora estão numa fase menos boa. Quando se lhe pergunta quem é a sua família, responde: “É a Casa Pia, que sempre me apoiou, passei Natais com os educadores. Os dois últimos estive com a família do meu melhor amigo, o Bernardo, que conheci no 7.º ano. É o oposto de mim, tem tudo, família, rendimentos …”

 

 

 

Lançamento livro “Crianças e jovens em perigo” 6 junho no Seixal

Junho 4, 2019 às 8:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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V Fórum ABRIGO : Que crianças queremos, que adultos teremos? – 9 maio no Montijo

Abril 30, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

Velhos Temas, Novos Tempos – IV Encontro do NHACJR do CHMT, 18 de janeiro, Auditório da Unidade de Tomar

Janeiro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição:

https://docs.google.com/forms/d/1wSjfIuU2fGMea6tT7GewAR2fKbPXjBBri6nk43TRRts/viewform?edit_requested=true

Especialização Avançada “Proteção de Crianças e Jovens” 15 janeiro no Porto e Live Streaming

Janeiro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.institutocriap.com/formacao/especializacao-avancada-em-protecao-de-criancas-e-jovens/

I Congresso de Infância e Juventude em Risco, com a participação de Paula Duarte do IAC, 6 e 7 dezembro em Portalegre

Novembro 27, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.facebook.com/I-Congresso-de-Inf%C3%A2ncia-e-Juventude-em-Risco-188515028659391/

“Onde as crianças correm maior perigo é dentro das próprias famílias” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC à revista Sábado

Novembro 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Notícia da Sábado de 20 de novembro de 2018.

por Mariana Branco

Esta terça-feira celebra-se o Dia Universal dos Direitos da Criança. À SÁBADO, o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança garante que apesar de a situação das crianças em risco ter melhorado em Portugal há ainda “um trabalho muito grande” pela frente.

Esta terça-feira, 20 de Novembro, celebra-se o Dia Universal dos Direitos da Criança. Para o assinalar, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) organizou um concerto solidário no Altice Arena, em Lisboa, e a UNICEF Portugal e o Ministério da Justiça organizam a primeira UNICEF Youth Talk em Portugal, um encontro com crianças e jovens com o objectivo de reflectir sobre o papel da justiça na defesa dos direitos da criança.

“As crianças, de um modo geral, são os seres mais vulneráveis. As crianças que vivem em ambientes mais vulneráveis, em contextos socioeconómicos mais deficitários, as que privam de perto com pessoas desestruturadas, são frequentemente as crianças que se apresentam numa situação de maior risco”, explicou à SÁBADO Manuel Coutinho, secretário-geral do IAC. Consequentemente há, de acordo com o psicólogo, “um trabalho muito grande a fazer no sentido de perceber claramente onde é que estas crianças se encontram”.

“Há ainda em Portugal, e no mundo, uma grande zona cinzenta que leva a que estes casos não sejam conhecidos”, contou Manuel Coutinho, explicando que “quando as crianças em risco ou em perigo estão integradas em famílias mais estruturadas” os casos são, muitas vezes, mais facilmente detectados. No entanto, nos casos das crianças “em contextos sociais mais fragilizados, de famílias mais disruptivas”, a sociedade por vezes “esquece-se de denunciar essas situações, esquecendo-se também que todas as crianças são crianças e que todas as crianças têm o direito de ser protegidas”.

“A protecção da criança é um dever de todos nós enquanto cidadãos. Não é só um dever do Estado ou um dever das organizações da sociedade civil. É um dever que cada um de nós tem: não permitir que uma criança esteja a passar por uma situação de risco ou por uma situação de perigo. Na dúvida devemos denunciar”, garantiu o psicólogo.

Como ajudar estas crianças?
Por norma, quem está mais em risco são as crianças mais novas, afirmou Manuel Coutinho, ressalvando que “essas, por vezes, não têm ainda capacidade de dizer que estão a ser maltratadas”. Assim, “as crianças precisam de ter um adulto que as ajude, que apresente o caso a quem de direito para que seja devidamente avaliado”.

Além disso, explicou, “onde as crianças correm maiores perigos é dentro das próprias famílias, é perto dos seus agregados familiares. É lá que elas muitas vezes são abusadas sexualmente, que são batidas, é lá que com muita frequência os seus direitos ficam desprotegidos”. É por isso necessário “toda a comunidade para ajudar a sensibilizar para estas situações”.

Manuel Coutinho considera que a situação das crianças em risco tem melhorado em Portugal. “Nos últimos anos tem havido uma grande melhoria. A criança hoje está na agenda do dia e a sociedade já não tolera maus-tratos sobre as crianças. Hoje em dia, os maus-tratos sobre as crianças, a humilhação, o mau trato físico, psíquico ou emocional, são vistos de uma forma muito negativa por toda a sociedade”, assegurou o psicólogo. “Hoje em dia a criança começa a ser cada vez mais respeitada por toda a sociedade”.

Crianças devem ser ouvidas para políticas públicas que lhes digam respeito
Segundo a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens, o caminho dos direitos das crianças tem de ser reforçado, com as políticas da infância e da juventude a precisarem de “empoderamento para chegarem cada vez mais longe”.

“Ao investirmos na infância e na juventude estamos a investir no futuro do país e acho que há ainda um caminho que pode ser feito, melhor, mais profundo e mais musculado”, salientou Rosário Farmhouse em declarações à Lusa.

“Acho que deveríamos rever os tempos das crianças, até porque a infância é só uma e passa muito depressa e acredito que, com esta vontade de querermos que as crianças tenham todas as oportunidades e capacidades para um mundo competitivo que temos hoje, nos esquecemos de lhes dar o tempo para brincarem sem horário”, sublinhou.

Farmhouse defendeu ainda que as famílias precisam de criar momentos de convívio físico e não virtual com as suas crianças, sem estarem agarrados a outras ferramentas e sem estarem muito controlados pelo tempo. “Esta pressão para lhes dar todas as oportunidades está-nos a desfocar do que é fundamental, que é estar com os filhos sem horários”.

Linha de apoio
Para denunciar situações de crianças em risco ou em perigo, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem a funcionar um número (116111) “para onde todas as pessoas, anonimamente, podem e devem apresentar situações que possam estar a fazer perigar o desenvolvimento harmonioso e a personalidade das crianças em risco”, avisa Manuel Coutinho.

Com Lusa.

 

 

Cães usados como fonte de terapia em crianças e jovens em risco

Outubro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Lifestyle de 10 de outubro de 2018.

A Comissão de Proteção e Crianças e Jovens (CPCJ) e o Tribunal de Mafra são os primeiros do país a ter cães de terapia para ajudarem psicólogos e terapeutas a encontrar soluções para jovens em risco.

“Sentíamos uma grande dificuldade com jovens pré-adolescentes que, por passarem por vários processos de promoção e proteção em idades diferentes, recusavam os psicólogos e tínhamos de encontrar uma solução que reatasse essa ligação”, justificou a presidente da CPCJ de Mafra, Maria Manuel Oliveira.

A CPCJ e o Juízo de Família e Menores do Tribunal de Mafra estabeleceram, em maio, uma parceria com a organização Pet B Havior, que trabalha o comportamento animal e os contributos que os animais podem dar aos humanos.

“A nível de promoção e proteção, é a primeira vez que se usa estas terapias em Portugal”, referiram, adiantando que se trata de uma “nova hipótese terapêutica de encaminhamento dos jovens”. Por semestre, a CPCJ tem em média três centenas de processos de jovens em risco e, destes, “metade pode ser encaminhada através deste projeto”, explicou a presidente.

Face à limitação de meios técnicos, apenas seis jovens, com processos abertos por problemas de violência doméstica, tentativa de suicídio, absentismo escolar, consumos de estupefacientes e alienação, estão a ser seguidos desta forma.

Passados quatro meses, “todos os processos que entraram neste método de trabalho tiveram resultados positivos”, garantiu Maria Manuel Oliveira, dando o exemplo de uma criança que não falava com pessoas desconhecidas, com as quais só comunicava por gestos.

“Quando entrou na sala de terapias [em contacto com o cão], não se calou. Foi uma das primeiras [a beneficiar da terapia], está a fazer muitos progressos e já a começámos a ouvir”, disse.

O Juízo de Família e Menores de Mafra começou a reencaminhar um caso para esta terapia e pediu apoio para mais seis.

Os custos das terapias são suportados pelos agregados familiares, quando têm possibilidades económicas, ou pela Segurança Social.

 

Desafio Momo: dois jovens terão morrido em novo jogo suicida na Internet

Setembro 15, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de Ivo Neto para o Jornal de Notícias, em 4 de setembro de 2018.

 

Uma rapariga, de 12 anos, e um rapaz, de 16 anos, terão morrido na sequência do desafio viral Momo. As duas mortes aconteceram em apenas 48 horas no estado de Barbosa, na Colômbia.

Janier Landono, do governo local, explicou aos jornalistas que os jovens terão participado no desafio viral através da aplicação WhatsApp. “Eles entraram neste desafio que encoraja os jovens a infligirem ferimentos neles próprios. O jogo tem vários níveis e o último é o suicídio”, disse, citado pelo “Telegraph”.

Os meios locais adiantam que os dois menores se conheciam e que foi o rapaz a convidar a jovem a participar no desafio viral. Os telemóveis das vítimas foram apreendidos pelas autoridades que terão encontrado mensagens relacionadas com o jogo, revela o portal HSB Noticias.

A morte dos dois jovens, que aconteceu no final de agosto, representa o primeiro caso do género na Colômbia e segue-se ao suicídio de uma rapariga argentina, de 12 anos, que terá participado no mesmo desafio viral.

O desafio Momo tem sido comparado com o jogo da Baleia Azul que provocou a morte de várias pessoas. Este novo jogo, que nasceu no WhatsApp e no jogo Minecraft, coloca vários desafios a quem enviar uma mensagem para um número desconhecido, que se apresenta com a imagem de uma mulher de cabelos pretos e olhos esbugalhados.

A imagem é inspirada na escultura de uma mulher-pássaro, exposta em 2016 numa galeria japonesa, em Tóquio. O jogo tem vários níveis, sendo que o final é o suicídio.

Ainda não há qualquer caso reportado em Portugal. Mas, pouco depois das primeiras notícias relacionadas com o desafio viral, a PSP usou as redes sociais para alertar sobre os riscos associados ao jogo.

“Estas ameaças levam à extorsão de informação pessoal, incitam ao suicídio e a atos arriscados, pelo que se trata de um isco utilizado por criminosos para manipular as vítimas (jovens) roubar dados e extorquir”, explicou a polícia.

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