Aprender a ler numa simples cartada

Dezembro 26, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 14 de março de 2016.

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Nova metodologia de aprendizagem junta num baralho de cartas todas as formas de comunicação. Ideal para crianças e adultos com necessidades especiais comunicarem de forma universal

Esqueça uma cartada, ao fim do dia, com os amigos. As EKUI Cards não são para jogar à sueca, à bisca ou crapô. São 26 cartas, em vez das 52 do baralho francês, e no lugar dos quatro naipes está o alfabeto convencional, o alfabeto fonético, a língua gestual portuguesa e o Braille. “É a primeira vez, em Portugal, que crianças surdas, cegas, com autismo, disléxicas ou com qualquer outra limitação física ou cognitiva podem aprender o alfabeto, ao mesmo tempo, na mesma sala de aula”, explica Celmira Macedo, inventora da primeira linha de material lúdico/didático inclusivo na Península Ibérica. “Sei que também existe algo parecido no Brasil, mas não tão completo como as EKUI.”

Desde 2004 que Celmira Macedo, 44 anos, andava com este projeto na cabeça. Na altura, a professora de educação especial foi para Salamanca fazer um doutoramento porque “queria perceber como poderia ser melhor professora”. Depois de ter tido uma cadeira de língua gestual espanhola, quando regressou a Portugal quis aprender a equivalente portuguesa. “Na altura, a maior preocupação das famílias era obter informação de como lidar com os filhos com necessidades especiais”, lembra. Sem terminar o doutoramento, Celmira Macedo criou a Escola de Pais, em 2008, e a Associação Leque, no ano seguinte, que apesar de ter sede em Alfândega da Fé e servir o distrito de Bragança, consegue também dar respostas a nível nacional. E as EKUI Cards são disso o melhor exemplo. Além da sua venda online (€13,99) também existe uma app (€3,99) disponível.

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Celmira batizou o baralho de cartas com o nome EKUI a partir das iniciais das palavras, em inglês, equidade, conhecimento, universalidade e inclusão. Cada uma das 26 cartas tem um grafema da letra, a letra manuscrita, a letra em Braille tátil e em Braille visual, a letra em datilologia (alfabeto da língua gestual portuguesa) e o alfabeto fonético. Presente em nove escolas do 1.º ciclo de Vila Nova de Gaia e em um jardim-de-infância de Delães (Vila Nova de Famalicão), as EKUI Cards são também usadas por terapeutas da fala em pacientes adultos a recuperarem, por exemplo, de um AVC. Os resultados não podiam ser mais positivos: todas as crianças dos 3 aos 6 anos aprenderam o alfabeto e a língua gestual e comparando com anos anteriores de forma mais rápida. “Está provado cientificamente que quem aprende através de línguas gráficas ou gestuais, aprende mais rápido as línguas comuns”, afirma Celmira Macedo. Muitas destas crianças, em casa, ensinam a língua gestual aos pais e já falam em ter profissões relacionadas com o tema, como intérprete de língua gestual ou terapeutas da fala.

As EKUI Cards já chegaram a 1500 crianças, mas têm capacidade para ajudar dois milhões em idade escolar, em Portugal, 20500 instituições de Educação, Saúde e Área Social, mais 18300 profissionais. Isto é só o começo, pois Celmira Macedo quer espalhar as EKUI Cards às cores (especiais para daltónicos), aos animais, aos objetos, aos meios de transporte… haja financiamento para esta jogada, diga-se de mestre.

 

 

 

Brinquedos e brincadeiras para crianças cegas

Fevereiro 27, 2014 às 6:00 am | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Texto do site REAB de 27 de Setembro de 2013.

por Ana Leite

O objetivo desse post é listar alguns tipos de brinquedos que podem ser inseridos no brincar da criança cega ou com baixa visão auxiliando seu desenvolvimento.

Vamos começar falando da estimulação vestibular que é importante para o desenvolvimento saudável do cérebro das crianças, especialmente das cegas ou com baixa visão. Estas pessoas não recebem a estimulação vestibular adequada, pelo menos na maioria das vezes.

Uma criança vidente (que é como chamamos quem enxerga) obtém esse tipo de estimulação através dos movimentos da cabeça durante as brincadeiras e outras atividades cotidianas que requerem o movimento da cabeça para olhar para as coisas e realizar as atividades. Se você parar para pensar 2 minutinhos, vai ver quanto movimento da cabeça realizamos para nossas atividades, até mesmo as que executamos em pé, como o banho. Crianças que não conseguem enxergar só possuem uma fração dessas experiências de movimento.

Pensando nesse tipo de estímulo, o balanço proporcionado por alguns brinquedos é uma boa maneira para crianças cegas receberem o estímulo que o cérebro precisa para se organizar e se desenvolver de forma otimizada. A ausência do estímulo vestibular pode levar a problemas no processamento das informações sensoriais e, a partir daí, surgirem diferentes sintomas, um deles pode ser inquietude, que os pais podem entender como ansiedade ou problemas comportamentais. Assim, o estímulo vestibular proporcionado pelo balanço pode ajudar. Conclusão: crianças cegas podem se beneficiar de ter oportunidades diárias ou regulares de se balançarem.

Nada melhor para se balançar que um balanço, não é? Sendo assim, nossa lista começa com:

– balanços

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 Jogos e brincadeiras que envolvam movimentos também podem facilitar as relações sociais, dando às crianças atividades que podem fazer com outras pessoas (outras pessoas ou adultos). Estimule pais a pensarem quais as brincadeiras com movimento que os filhos gostam e introduzí-las com mais frequência na rotina da criança.

Quando o assunto é brinquedos, é recomendável que crianças cegas tenham brinquedos como:

instrumentos musicais (bateria, pianinho, instrumentos de corda…). O legal de instrumentos é não só desenvolver outro sentido como também aguçar o interesse por música enquanto estimula ritmo e outras habilidades importantíssimas que só a música fornece.

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massa de modelar ou argila. Esses recursos podem ser trabalhados de várias formas. O importante nesse caso é o contato da criança com esse recurso tátil tão rico em possibilidades de uso.

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Apresentação do audiolivro infantil “O Pinguim Pingalim e o Leão Tião”

Dezembro 13, 2013 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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O livro infantil “O Pinguim Pingalim e o Leão Tião” surgiu no âmbito do Mestrado de Manuela Rocha em Ilustração e Animação (MIA) no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e contou com as colaborações da escritora Lurdes Breda (texto) e do músico João Conde (música e voz), pois o projeto é complementado por um CD áudio, onde se inclui a narração do texto, com a finalidade de proporcionar a crianças invisuais ou com necessidades educativas especiais o acesso ao conteúdo do livro, tendo, por isso, também, objetivos inclusivos.

mais informações aqui

Novos manuais e livros para alunos invisuais e disléxicos

Outubro 26, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Janeiro de 2012.

Por Carla Romeiro

Como lê uma criança cega ou com baixa visão? Através de audiolivros. Estes chegam também, e pela primeira vez, aos alunos com dislexia. O projecto, uma parceria do Ministério da Educação, da Fundação Vodafone Portugal e da Porto Editora, é apresentado esta quinta-feira em Lisboa.
O projecto DAISY 2012 – a sigla inglesa Digital Accessible Information System, um sistema digital de acesso à informação – é apresentado na secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, Lisboa. O objectivo é oferecer a alunos e a professores um software de última geração, o EasyReader, para leitura de audiolivros digitais.

O programa criado em 2005 e que até agora contemplava apenas alunos cegos e com baixa visão, estende-se agora aos estudantes com dislexia que passam a poder ler e ouvir em simultâneo, facilitando-lhes a compreensão do que lêem. O programa informático tem como objectivo facilitar a leitura e permite ao estudante controlar a velocidade de leitura, mas também escolher o tipo e o tamanho da letra, mudar a cor de fundo e utilizar atalhos no teclado. Por exemplo, um aluno com baixa visão pode aumentar o tamanho da letra até conseguir lê-la ou um disléxico pode mudar a cor do fundo do texto de maneira a facilitar-lhe a leitura.

Esta versão “reformulada e melhorada do EasyReader”, permite que os os estudantes tenham acesso a manuais escolares ou outros livros de leitura recomendada, usados por milhares de estudantes portugueses, explica Filomena Pereira, directora de serviços de educação especial da Direcção-Geral de Educação (DGE).

Ao todo estão a ser produzidos cerca de quatro dezenas de manuais escolares e obras de leitura recomendada, que deverão chegar ainda este ano lectivo a largas centenas de alunos cegos ou com baixa visão e com dislexia, informa o gabinete de comunicação da Vodafone. Dos audiolivros produzidos destacam-se os manuais das disciplinas de História, Ciências Naturais, Tecnologias de Informação e Comunicação e obras de leitura recomendada, como Os Lusíadas, Os Maias e Viagens na Minha Terra.

Portanto, com o novo software os alunos com necessidades educativas especiais deixam de estar limitados à oferta disponibilizada pela DGE e passam a ter acesso a outro tipo de literatura portuguesa e estrangeira. O acesso “torna-se universal” congratula-se Filomena Pereira.

Já os professores podem produzir conteúdos áudio para os seus alunos, através do uso deste programa. Para esta produção de conteúdos especializados, a DGE vai promover acções de formação.

300 licenças gratuitas

A partir do dia de hoje vai estar aberto um concurso na página online da DGE, para que alunos e professores das várias escolas do país possam concorrer e adquirir este software. Para o efeito, serão disponibilizadas 300 licenças de forma gratuita. Filomena Pereira prevê “receber imensos pedidos do ensino secundário e 3.º ciclo” e espera conseguir “satisfazer todos os alunos cegos ou de baixa visão”.

No caso de alunos com dislexia não faz antevisões, uma vez que o DAISY “é um projecto experimental em Portugal” e a “utilização do software tem de ser devidamente acompanhada”. Vão ser os professores a fazê-lo, com monitorização, acrescenta.

Segundo Filomena Pereira, o “projecto é crucial no acesso à informação destes alunos”, pois tal como “qualquer pessoa, os invisuais e disléxicos têm direito à informação, a estar informados”.

À parceria entre a DGE e a Fundação Vodafone junta-se a Porto Editora. O objectivo é garantir a sustentabilidade do projecto: a DGE supervisiona a adaptação dos manuais a produzir, a Porto Editora fornece os conteúdos digitais e a Vodafone financia integralmente a produção das respectivas matrizes e suporta o custo das licenças do software EasyReader.

O projecto DAISY pretende “contribuir para o desenvolvimento da Sociedade de Informação, combater a infoexclusão, o insucesso escolar e difundir as novas tecnologias em Portugal”.

 

Docente cria objectos que põem crianças cegas a brincar com as outras

Janeiro 4, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 27 de Dezembro de 2011.

Por Nicolau Ferreira

A ideia de inclusão está por trás dos brinquedos que Leonor Pereira criou. Esta docente inventou cubos com cores contrastantes, formas geométricas e texturas, e um tapete com quadrados também com cores, formas e texturas. Joga-se o cubo como se joga um dado e associa-se à forma do tapete. O resultado permite que todas as crianças, invisuais ou não, apreciem os objectos.

“A partir do primeiro minuto começaram a brincar e a dialogar uns com os outros. O interesse deles foi muito engraçado”, disse a professora ao PÚBLICO, recordando o momento em que testou pela primeira vez os objectos numa turma mista com crianças que vêem, outras com dificuldade de visão e outras cegas.

A produção dos objectos fez parte da tese de mestrado que realizou na Universidade do Minho, com a supervisão da investigadora Joana Cunha.

Leonor Pereira dá aulas de Educação Visual a alunos dos 5.º e 6.º ano na Escola Aires Barbosa, em Aveiro, e a ideia de criar brinquedos que pudessem ser utilizados por crianças invisuais ou com dificuldade de visão apareceu quando teve um aluno na aula que via com uma percentagem mínima.

“Fui observando as dificuldades que [ele] tinha em perceber os objectos e representá-los. Se aquela criança tivesse sido estimulada com brinquedos provavelmente teria mais facilidade em expressar-se”, sustenta.

Daí surgiu a ideia de fazer brinquedos que incluíssem todos, um design que também aproximasse as crianças invisuais às crianças que vêem normalmente e que promovesse o convívio. Hoje, este tipo de objectos são quase inexistentes no mercado português. A docente encontrou a turma em que testou os brinquedos através do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual, em Coimbra, que ajudou na investigação.

Quais as características que Leonor apostou? Cores, porque a maioria dos objectos para crianças cegas eram a preto e branco e isso era “monótono”, e um design sem perigos. “As crianças [cegas] são receosas ao perceber novas texturas. Por isso fizemos objectos fofos, com interiores em esponja, que não sejam aguçados. Mesmo que sejam atirados não vão magoar”, disse, sublinhando a importância de as crianças serem receptivas aos brinquedos.

Os objectos foram pensados para a faixa etária dos três aos seis anos. Além do cubo e do tapete, foi também criado um dominó com menos peças, cujos números sentem-se com o toque. “Quanto mais novos somos, mais facilidade temos em desenvolver a motricidade fina e a percepção táctil. Quanto mais cedo [as crianças] aperceberem-se das diferenças mínimas das texturas, mais depressa vão perceber as diferenças ao lerem Braille”, exemplificou.

Agora, Leonor gostaria de produzir uma linha de brinquedos para pôr no mercado português. “Estou à espera de propostas de empresas que queiram participar neste projectos junto com a Universidade do Minho”, disse.

No horizonte, poderá estar ainda a produção de brinquedos ou jogos para crianças já na idade escolar, sempre com a ideia da inclusão. Segundo a docente, essa é uma realidade que ainda está longe das escolas, onde os espaços e as crianças estão separados. É necessário “arranjar maneira de que todos consigam partilhar as mesmas coisas, quanto mais cedo essa partilha acontecer, mais facilmente convivemos”.

Linha de brinquedos ajuda crianças cegas

Dezembro 30, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Correio do Minho de 27 de Dezembro de 2011.

São brinquedos coloridos, com texturas e materiais diferentes que foram concebidos “expressamente a pensar em crianças com dificuldades visuais”, explica Leonor Pereira, mestre em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho, que desenvolveu a dissertação ‘Design Inclusivo: Tocar para Ver – Brinquedos para Crianças Cegas e de Baixa Visão’.

Esta linha de brinquedos, completamente inovadora, visa ajudar as crianças a interagir de forma saudável com os restantes colegas. “É incluí-las a todos os níveis, proporcionar-lhes maneiras de brincar, conviver e interagir entre as duas realidades”.

Não basta criar peças de design por si só, esclarece Leonor Pereira, que é professora do ensino básico há vários anos. O objectivo principal é conceber objectos com qualidade estética e táctil, que visa proporcionar uma maior integração das crianças com problemas visuais no meio envolvente. “São brinquedos que elas podem explorar com as mãos, descobrindo as diferentes texturas, reconhecendo as formas, os pormenores, as semelhanças e as dissemelhanças, bem como estimulando a coordenação e a integração dos sentidos”.

Estas peças foram testadas por crianças de um jardim-de-infância do distrito de Aveiro, com idades compreendidas entre os três e os seis anos.
O feedback foi “muito positivo” e os resultados decorrentes desta nova forma de inclusão social foram vantajosos: “a interacção entre as crianças foi extremamente engraçada. Foi muito enriquecedor verificar que elas perceberam o sentido da brincadeira e partilharam a mesma experiência do que as restantes”, certifica a professora. Investigadora garante que “não vivemos propriamente numa sociedade inclusiva”

As peças dos brinquedos foram construídas com base nas texturas, nos relevos e nas cores, recorrendo, por isso, a diferentes malhas e bordados, perceptíveis através do tacto. A investigadora da Universidade do Minho, Leonor Pereira, aproveita para referir a escassez de brinquedos adaptados para este público, obrigando os educadores a construir do zero objectos didácticos, sem terem muitas vezes formação para tal tarefa. A comercialização é uma opção a considerar: “ficamos com uma forte vontade de concretizar este projecto e torná-lo mais real, à disposição de todos”.

A pouca formação dos professores relativamente à educação especial é uma das críticas apontadas pela antiga aluna da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. “É muito difícil conseguirmos perceber as necessidades das crianças cegas, autistas ou surdas. Temos sempre o apoio dos professores do ensino especial, que trabalham especificamente com eles, mas nem sempre é suficiente”, explica.

A formação inicial, a aposta em equipamentos e a adaptação dos espaços nas escolas são algumas das dicas deixadas. Esta não é, segundo Leonor Pereira, uma sociedade completamente inclusiva, porque ainda há muitas barreiras: “as crianças com deficiências não usufruem das mesmas oportunidades do que as restantes”, conclui.

 


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