Há crianças com problemas de saúde que são abandonadas nos hospitais

Maio 4, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Público de 4 de maio de 2015.

Daniel Rocha

Catarina Gomes

Ajuda de Berço vai construir uma casa para crianças com problemas de saúde graves que são deixadas pelas famílias em hospitais. São casos raros, como o de Rodrigo.

No lar temporário onde vivem 20 crianças em risco, Rodrigo, de quatro anos, é o único que hoje ficou na sala de brincar. Está estendido num dos vários colchões coloridos, onde vai fazendo ligeiros movimentos em que flecte as pernas, os braços e as mãos, emite sons que quase não se ouvem. Rodrigo não ouve, não fala, não vê, não anda, chega a ter 20 convulsões por dia. A família deixou-o no hospital quando ele nasceu e lá viveu dois anos. Foi ele a razão que fez a Ajuda de Berço avançar para o projecto de construção de uma casa para crianças com deficiências profundas e doenças crónicas graves que são abandonadas nos hospitais, conta a directora da instituição, Sandra Anastácio.

Rodrigo vive há dois anos no lar temporário da Ajuda de Berço, em Lisboa, mais nenhuma instituição de acolhimento o quis aceitar. “Rodrigos como ele há muitos em Portugal. Não se fala dos Rodrigos. Ninguém os aceita porque vão morrer passado pouco tempo”, diz Sandra Anastácio.   Ao longo dos seus 17 anos de existência, a Ajuda de Berço, que é uma instituição particular de solidariedade social, recebeu cerca de 20 crianças abandonadas com problemas de saúde graves. Durante um ano recebe “seis a oito pedidos da Segurança Social para receber este tipo de meninos” mas não pode aceitar mais do que quatro. “Ninguém quer assumir um menino como o Rodrigo”, que não tem diagnóstico mas tem “um quadro de paralisia cerebral”. “O que é este menino para o Estado português? Nada”, diz.

Dos 20 meninos que passaram pela instituição “dois morreram connosco, um voltou para a família biológica, alguns foram encaminhados para lares da Segurança Social.” “Eu desejo que todos os meninos tenham projectos de vida” mas há que ser realista, diz a responsável, “são crianças com poucas possibilidades de vir a ter uma família de adopção”.

Quando a casa existir, espera-se que a construção arranque em 2017, Rodrigo deverá ser o primeiro dos seus 16 habitantes. Serão precisos 2,5 milhões de euros, para já foi possível reunir apenas 30% das verbas e, por isso, a organização vai avançar com uma campanha de angariação de fundos. A casa ficará num terreno cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, estando para aprovar o projecto de arquitectura. O objectivo é estar concluída em 2019.

Neste lar de acolhimento temporário da Ajuda de Berço, em Lisboa, as funcionárias trabalham por turnos. Há uma folha A4 por criança que informa a colega do turno seguinte, se cada criança comeu bem, se teve alguma queixa. Para a maioria dos bebés as fichas são simples, a maior parte estão assinaladas com um x na opção “comeu tudo”.

As fichas de Diana e Sofia são diferentes, os seus dias não são iguais aos das outras crianças. Como não têm capacidade para engolir, todas as refeições são dadas através de uma sonda no estômago e são aspiradas com sonda três vezes por dia. No período de sesta são ligadas a um ventilador. Têm 18 meses mas começaram a sentar-se há pouco tempo e estão agora a tentar aprender a andar, com a ajuda de talas nas pernas. São irmãs e viveram as duas durante um ano numa enfermaria de um hospital da Grande Lisboa, têm uma doença neuromuscular grave.

O que Rodrigo, Diana e Sofia têm em comum é o facto de terem problemas de saúde incapacitantes e famílias com graves problemas sociais, diz Sandra Anastácio. Rodrigo é filho de uma relação incestuosa, uma família pobre de dois irmãos que continua a ter filhos, “uns morrem, outros sobrevivem alguns são saudáveis, é uma roleta russa, às vezes sai um saudável”. Perderam-lhe o rasto, nunca visitaram Rodrigo, diz a responsável.

As irmãs Diana e Sofia são visitadas pela família com alguma regularidade mas Sandra Anastácio acredita que “estes pais nunca vão ter capacidade para ficar com elas”.

Medo que “me morra nos braços”

A Ajuda de Berço tem ainda um outro caso, de um menino de dez anos com um problema de saúde menos grave, Spina Bífida, uma malformação congénita e que, neste caso, significa que precisa de ser algaliado várias vezes por dia para esvaziar a bexiga e move-se numa cadeira de rodas.

Estas são crianças que “permanecem nos hospitais porque precisam de cuidados específicos que muitos lares de acolhimento se recusam a dar”. Só que estes são meninos muito frágeis que estão com meninos saudáveis, “apanham tudo o que é possível num centro de acolhimento temporário”.

Sandra Anastácio diz que eles, Ajuda de Berço, não estão vocacionados para prestar cuidados de saúde, fazem-no porque “tem de ser” e porque são uma instituição católica. Recebem formação do hospital, mas há alturas em que entram em pânico. O Rodrigo tem convulsões, às vezes várias vezes por dia, e há alturas em que perde consciência. E lá vão elas para o hospital. “O Rodrigo já esteve várias vezes para partir.”

A frase mais repetida por funcionárias que trazem estes meninos ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é “‘tenho medo que me morra nos braços’. É repetida até à exaustão”, diz a assistente social do Departamento de Pediatria da instituição, Laurinda Almeida.

“São poucos casos mas marcam”, diz Laurinda Almeida. Tiveram uma menina que nasceu na neonatologia da unidade e viveu no hospital durante oito anos, na pneumologia, porque tinha de receber ventilação e nenhuma  instituição de acolhimento estava disposta a recebê-la, mesmo havendo ordem do tribunal para a sua institucionalização, lembra Laurinda Almeida. Foi uma reportagem na televisão fez com que aparecesse uma família que a adoptou há cerca de três anos.

Ana Lacerda, coordenadora do grupo de trabalho para a implantação de uma rede nacional de cuidados continuados pediátricos, admite que estes casos existem e são um problema. “Chegam a viver anos nos hospitais não têm para onde ir. São residuais mas é preciso dar-lhes reposta”, sublinha. Quantos serão? “Não sei se alguém terá esse número”, diz. Questionada pel PÚBLICO, a Segurança Social também não forneceu quaisquer dados sobre este tipo de situações.

A directora do Departamento de Pediatra do Hospital de Santa Maria, Maria do Céu Machado, constata que se anda sempre a falar “dos números fantásticos da mortalidade infantil em Portugal”  mas que se fala pouco do reverso da medalha. “Salvamos a vida a crianças com situações clínicas e doenças graves que de outra forma não sobreviveriam. Estamos aqui a salvar vidas para criar um problema enorme de desestruturação. Temos de dar o passo a seguir”, avisa.

Em causa estão por exemplo crianças que tiveram asfixias graves ao nascer e ficaram com lesões cerebrais, situações de sequelas que resultaram de grande prematuridade, doenças genéticas, cardiopatias, doenças musculares, elenca a pediatra.

“Muitas instituições de acolhimento não estão preparadas para as ter” e lembra o caso de um menino que era internado de três em três dias “por ansiedade dos cuidadores”. Por isso é urgente a criação de cuidados continuados em pediatria, diz a médica. “Às vezes conseguimos colocá-los em instituições sem vocação de cuidados continuados e voltam para ser reinternados”.

Seria fácil dizer que estas são famílias insensíveis e é delas a culpa por deixarem estas crianças nos hospitais. “Há famílias que não sabem o que é dormir uma noite inteira há cinco, há 15 anos”, diz a pediatra Maria do Céu Machado. “Uma doença ou deficiência deste tipo desorganiza qualquer família, por mais funcional que fosse desde o início, acabam casamentos, muitas vezes começam os dois e termina só a mãe”, acrescenta Laurinda Almeida,que lembra: “um dos membros do casal acaba no desemprego para tomar conta a tempo inteiro das crianças, os irmãos saudáveis acabam muitas vezes por ser negligenciados e também precisam de apoio.”

“Estas são crianças que obrigam a faltar ao trabalho, que têm muitos custos. Há famílias com outros filhos que assumem que não têm condições físicas, psicológicas e monetárias. Não quer dizer que a mãe depois não vá ver a criança à instituição”, diz ainda a pediatra Maria do Céu Machado. Porque, acredita, “a maior parte das famílias que abandonaram é porque não têm condições para as ter. O abandono ou não depende muitas vezes dos apoios que existem na comunidade.”

Os nomes das crianças são fictícios

 

 

 

Doutoramento Honoris Causa de Sérgio Niza

Abril 20, 2015 às 10:46 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

A Universidade de Lisboa irá atribuir o título de Doutor Honoris Causa a Sérgio Niza, sócio fundador do Instituto de Apoio à Criança, no dia 23 de abril de 2015 na Aula Magna da Universidade de Lisboa pelas 18.oo h.

mais informações sobre Sérgio Niza e a cerimónia no link:

http://www.ie.ulisboa.pt/portal/page?_pageid=406%2C1864965&_dad=portal&_schema=PORTAL

niza

 

 

 

Parque da Mónica é o primeiro parque português a ter dois equipamentos infantis para crianças com mobilidade reduzida

Abril 9, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Reportagem da TVAmadora de 24 de março de 2015.

amadora

Ver a reportagem no link:

http://www.tvamadora.com/Video.aspx?videoid=2996

Amadora: Uma Cidade Pioneira na Inclusão – terça-feira, 24 Março 2015

O Parque da Mónica é o primeiro parque português a ter dois equipamentos infantis para crianças com mobilidade reduzida. No passado domingo, a autarquia inaugurou estas instalações fruto de uma proposta do Orçamento Participativo. Além disso, nesse dia, foi também inaugurada a casa com vários livros das diversas aventuras da Mónica.

Ciclo de Conferências em Educação Especial – Março a Junho 2015

Março 12, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

ciclo

mais informações no link:

http://www.cercioeiras.pt/ciclo-conferencias

Aidan, de 9 anos, criou uma mão feita com Lego

Dezembro 1, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

texto do P3 do Público de 19 de novembro de 2014.

Matthew Kramer DR

Criança norte-americana que nasceu sem mão esquerda desenvolveu uma prótese feita com peças de Lego. Modelo de prótese vai estar disponível para quem quiser imprimi-lo em 3D

Texto de Ana Maria Henriques

Com apenas 9 anos, Aidan Robinson já usou várias próteses. Nasceu sem antebraço esquerdo e, por isso, desde bebé que tem vindo a experimentar várias, de diferentes materiais, que lhe possam conferir algumas das capacidades motoras correspondentes à mão esquerda que lhe falta. Uma questão evidente, no entanto, impede-o de ter acesso a próteses avançadas: como criança que é está em crescimento, o que implica a compra de novas e muito caras soluções. Há dois anos que deixou de usar próteses — até que um campo de férias pensado para crianças na mesma situação o ajudou a criar uma mão feita com peças Lego.

A história de Aidan é contada num artigo da revista norte-americana “The Atlantic”, que apelida a criação do menino de “prótese de super-herói”. A nova mão de Aidan permite-lhe pegar em talheres, em comandos de consolas de vídeo e em pistolas de água — algumas das funções que indicou como importantes para o seu dia-a-dia. Em Julho último, Aidan — que “joga no computador, compete na equipa de natação e faz karaté (é cinturão verde)”, enumera a “The Atlantic” — participou no “Superhero Cyborg Camp”, durante uma semana.

Promovido pela KIDmob, uma organização sem fins lucrativos de São Francisco, o campo acolheu 9 crianças com membros superiores em falta e, através de “workshops”, forneceu-lhes ferramentas de resolução de problemas e prototipagem, bem como design. “Parte do nosso propósito era convidá-los a considerar a possibilidade de não estarem limitados ao conjunto de próteses que existe no mercado”, disse Kate Ganim, co-fundadora da KIDmob. “Como utilizadores finais das próteses, se eles tiverem uma ideia que não está no mercado, devem concretizá-las por si mesmos.”

“Utilizando brinquedos antigos e peças doadas por uma loja de ferragens, ele [Aidan] moldou o protótipo de uma prótese feita a partir de uma haste de metal com rosca, que pudesse ser aparafusada em diferentes partes: o seu comando da Wii, um garfo e uma versão em tamanho real das mãos das figuras Lego”, descreve a mesma publicação. Ao contrário da maior parte das crianças — que vai para casa no final do campo com um aparelho “fixe mas, em última instância, decorativo” —, Aidan teve a sorte de conseguir avançar com o projecto e torná-lo realidade. Coby Unger, do programa “Artist in Residence” da empresa de software de design 3D Autodesk, “ofereceu-se para ajudar no desenvolvimento de uma versão funcional do novo braço de Robinson, utilizando os recursos lá disponíveis”, continua a “The Atlantic”.

Prótese acompanha o crescimento

Coby Unger trabalhou, assim, numa versão do protótipo que pode ser adaptada à medida que Robinson cresce, recorrendo a materiais disponíveis em lojas de ferragem e de desporto. A mão de Lego em tamanho real apresentado no campo de férias “foi transformada numa mão de gancho” com o mesmo mecanismo de ligação dos tijolos Lego: assim, o menino pode desenvolver novas ligações a partir dos famosos brinquedos.

O artigo da “The Atlantic”, assinado por Victoria Chao, aponta ainda algumas estatísticas referentes aos Estados Unidos: todos os anos, uma em casa 2000 crianças nasce sem parte das mãos ou dos braços. Um aparelho como o que Aidan Robinson e Coby Unger desenvolveram é visto como “um sinal de que a indústria de próteses está a mudar” — e o seu design vai estar disponível, ainda durante o mês de Novembro, para “download” na plataforma Instructables, para que todos os que tenham uma impressora 3D o possam replicar.

 

 

 

Crianças com deficiências fechadas em jaulas de instituição na Grécia

Novembro 28, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do Público de 24 de novembro de 2014.

reuters

São 65 pessoas, crianças e adultos. Têm graus de deficiência vários, problemas como autismo ou síndrome de Down. Vivem todos no mesmo edifício nos confins do Sul da Grécia, numa pequena aldeia. São tratados por seis funcionários. Os que têm alguma autonomia passam os dias numa sala, e à noite recolhem-se em camas gradeadas, como jaulas. Os outros passam todos os dias, todo o dia, dentro de jaulas. São alimentados através das grades, dormem num colchão de plástico, tomam banhos raros e apressados.

“Tudo é feito para que sobrevivam, sem se magoarem e sem dar o mínimo de chatice”, comenta Catarina Neves, uma psicóloga portuguesa que fez voluntariado no centro de Lechaina em 2008.

Nessa altura, um grupo de dez voluntários internacionais, que estiveram no local através do serviço de voluntariado europeu, fizeram uma campanha para chamar a atenção para o que se passava no centro. Fizeram queixas a todas as entidades que conseguiram, escreveram um blogue. O primeiro efeito prático foi que o centro deixou de receber voluntários.

Entretanto, o provedor das crianças grego criticou as condições do centro e disse que contrariavam os direitos humanos básicos. A responsabilidade anda a mudar do Ministério da Saúde, que foi quem respondeu pelo centro em 2011, na altura deste relatório, e o Ministério dos Serviços Sociais, que é quem é hoje apontado como responsável.

Nestes cinco anos, houve duas mudanças, aponta uma reportagem da semana passada da BBC: as barras de madeira das jaulas foram pintadas de cores mais alegres, E há duas meninas que vão à escola. De resto, continua tudo na mesma.

Catarina descreve: o edifício tem três pisos. No primeiro estão os residentes que têm alguma autonomia; são entre 20 e 30 e passam o dia numa sala, juntos, embora sem qualquer tipo de distracção ou actividade. À noite são metidos nas suas jaulas. Os restantes estão divididos nos outros dois pisos, e estão sempre dentro das suas jaulas, excepto quando passam uma meia hora cá fora com um dos funcionários, o que acontece cerca de duas vezes por semana.

Abandonados
São alimentados com colheradas através das grades (porque se os funcionários entram dentro da jaula para os alimentar podem-se sujar com a comida, e têm de ir lavar a roupa de seguida, lembra Catarina). Recebem dois sumos por dia. “Tentámos que lhes dessem água, mas responderam que não havia copos suficientes e que eles não podiam beber todos do mesmo copo”, comenta Catarina.

Deitam-se em colchões forrados a plástico – não há lençóis porque um dos residentes morreu ao comer tecido, são vestidos com macacões de ganga com um fecho atrás, para que não possam tirar bocados. A casa de banho são as fraldas, que os poucos funcionários mudam.

Quem lá vive foi abandonado. Durante os oito meses em que esteve no centro, Catarina viu apenas uma visita: um pai que foi ver um filho. “Disseram-me que vai lá duas vezes por ano.”

Catarina Neves conta como inicialmente ficou chocada com a atitude de quem trabalha neste centro, tratando tudo como normal. Mas ao sair não conseguiu “apontar o dedo a ninguém”. São seis funcionários para 70 pessoas. Os directores rodam – a actual já não é a que Catarina conheceu. Vítima dos cortes, a actual directora, Gona Tsoukala, não recebe salário há um ano. Explica à BBC: “Obviamente não devíamos ter as jaulas mas é impossível não as ter com tão pouco pessoal no centro”.

Mas Catarina não culpa a crise pela situação que se vive no centro. “Penso que o problema é sobretudo cultural”, diz. “Porque há residentes que tomam 30 comprimidos por dia para estarem calmos, e os comprimidos são caros”, argumenta. E na Grécia há um problema com a aceitação de pessoas com deficiência. “Há casos ali em que os pais e os funcionários das maternidades disseram às mães que os filhos morreram e deixaram-nos aqui.”

Chamar a atenção
Apesar de longe da Grécia, Catarina continua ainda a fazer campanha e a divulgar a situação dos residentes neste centro. “Sei que para mudar era preciso muito, mas gostava que pelo menos não continuassem a mandar pessoas para lá. Há pessoas a viver neste sítio há 20 anos.” E “há lá pessoas que poderiam ter a possibilidade de ter uma vida diferente”.

A maioria dos que estão dados como incapazes não têm limitações físicas. Poderiam fazer uma vida muito mais activa se tivessem alguns cuidados. O facto de não saírem, não terem estímulos, é que os deixa naquele estado. “Em Espanha há pessoas com síndrome de Down a estudar.”

Para Catarina Neves, o mais importante era assegurar que quem trabalha no centro tem formação para lidar com pessoas com deficiência, já que os que lá trabalham hoje não têm, e não querem trabalhar ali. Isso seria o início para, pelo menos, mudar o foco da mera sobrevivência das pessoas com o mínimo de problemas para os funcionários.

Mas a questão só fica sob os holofotes uns instantes, para depois desaparecer. Foi assim em 2008, em 2011, e agora, com a reportagem da BBC, uma crítica da Human Rights Watch e uma petição. “No início tínhamos dez antigos voluntários activos” a fazer campanha pela melhoria das condições no centro. “Agora somos duas.”

 

Forgotten Europeans – Forgotten Rights, the human rights of persons placed in institutions

Novembro 16, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

forgotten

descarregar o relatório aqui

This study highlights one of the most significant human rights challenges in Europe today, namely that many children, persons with disabilities and older persons continue to be placed in long-stay residential institutional care in countries across Europe, often for life. Its purpose is to draw attention to the situation of persons in institutions but also to the responsibility of Governments to develop community-based alternatives to institutional care.

Exemplos de boas práticas de campos de férias inclusivos para crianças e jovens com PEA e outras deficiências

Julho 7, 2014 às 6:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

exemplos

Levantamento da Associação Dar Resposta. Ver os exemplos no link:

http://www.calameo.com/read/003591298252a89674051

Do levantamento de informação que a Dar Resposta – Associação conseguiu obter junto de alguns Centros de Ocupação de Tempos Livres, destacamos aqueles que não sendo especificamente vocacionados para crianças e jovens com deficiência, promovem atividades que procuram incluir crianças e jovens com e sem deficiência.

Ainda que possam surgir algumas questões que devam ser negociadas, estes são alguns dos Centros que manifestam maior disponibilidade para acolher da forma mais inclusiva possível todas as crianças e jovens, independentemente do seu grau de deficiência e das necessidades que apresentam.

Para reunirmos o maior número possível de exemplos de boas práticas, solicitamos a todos os pais e Encarregados de Educação que partilhem connosco outros exemplos que conheçam, de modo a incluirmos mais respostas em todo o território nacional.

Apresentação da versão acessível do livro infantil : A menina que vivia no País Azul

Junho 19, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

convite

A Direção Nacional da ACAPO e a autora Cóia, têm o prazer de convidar V. Exa a estar presente na sessão de apresentação da versão acessível do livro infantil : A menina que vivia no País Azul que terá lugar na próxima quarta-feira, dia 25 de junho, às 17h30 na sede da ACAPO, Av. D. Carlos I, 126, 9.º andar, 1200-651 Lisboa.

 

O nosso agradecimento à:

Fundação Millennium BCP (Patrocinador Oficial) , ANA Aeroportos  de Portugal, Montepio, Magos  Irrigation Systems, EPCA (Patrocínios) e Vodafone que tornaram possíveis a produção em Braille, negro e relevo deste livro.

 

Agradecemos confirmação até ao dia 23 de junho para o Dep. de Relações Externas através do email rp.dn@acapo.pt ou pelo telefone 213 244 500.

www.acapo.pt

 

10 coisas que seu filho “normal” vai aprender da convivência com crianças especiais

Junho 18, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

texto do site reab.me de 14 de junho de 2014.

estranho1

por Leitor Colaborador

Gostei dessa historinha acima porque ilustra bem o que eu considero inclusão bem feita: ela é boa para as duas partes.

Uma coisa que temos que ter em mente é que ninguém nasce sabendo. Nós sabemos o quanto aprendemos com nossos filhos especiais porque os temos, mas eu mesma tenho que admitir que não sabia lhufas sobre isso antes do Theo. Eu era como todos os outros: achava que crianças com necessidades especiais eram só um “peso”.

Pensando por esse lado, o melhor caminho para que outras crianças aceitem nossos filhos é mostrar esses benefícios aos pais delas. São eles que vão dizer a elas “não fique muito perto do fulaninho porque ele é estranho” ou “que legal esse seu amiguinho novo”! São esses pais que vão formar cidadãos que incluem e aceitam as diferenças ou pessoas preconceituosas.

Então, resolvi listar, aqui, 10 benefícios que uma criança neurotípica vai ter por conviver com crianças especiais. Sohar Dahini, querida, muito obrigada pela dica! E muito obrigada por me indicar o vídeo! Ainda vou falar mais dele por aqui!

10 coisas que seu filho “normal” vai aprender da convivência com crianças especiais

  1. Vai aprender a aceitar melhor qualquer tipo de diferença e vai se tornar uma pessoa menos preconceituosa;
  2. Vai aprender a se colocar no lugar do outro por conviver com um coleguinha que tem dificuldades que ele não possui;
  3. Vai aprender que comunicação vai muito além do falar : é feita de gestos, olhares e até de silêncios;
  4. Vai aprender que pessoas com necessidades especiais não são vítimas: são heróis, porque tornam as outras pessoas melhores;
  5. Vai aprender que a vida vale a pena apesar das dificuldades;
  6. Vai aprender que estamos aqui para ajudar uns ao outros;
  7. Vai aprender a ser flexível: não existe só um jeito de brincar, de desenhar, de ser;
  8. Vai aprender  a lidar melhor com suas próprias limitações…e a querer superá-las;
  9. Vai aprender a dar valor às coisas pequenas;
  10. Vai aprender que ele não tem que saber o que fazer o tempo todo, mas que ele pode sempre aprender.

Espero ter dado um pouco de perspectiva a todos vocês!

Fonte: Andrea Werner, blog Lagarta Vira Pupa 

Para quem quiser virar leitor assíduo, como nós do Reab, aqui está o link: Lagarta Vira Pupa.

Palmas para Andréa!!! Sucesso!!

 

 

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.