Relatório alerta para uso de substâncias psicoativas entre jovens

Março 8, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 27 de fevereiro de 2020.

Estudo das Nações Unidas foca em impacto físico, emocional e social das drogas psicoativas sobre pessoas entre 15 e 24 anos; tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África; na América do Sul, problemas relacionados à produção ilícita, venda e uso de drogas continuam a gerar insegurança e violência.

O relatório anual de 2020 do Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos, Incb, fez um alerta sobre o uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O documento pede uma concentração maior na melhoria dos serviços de prevenção e tratamento do uso de substâncias pela juventude.

O estudo foca no impacto físico, emocional e social que as drogas psicoativas têm sobre os jovens entre 15 e 24 anos de idade.

Canabis

Segundo o relatório, o uso de substâncias e as consequências associadas à saúde são maiores entre os jovens, sendo que a cannabis é a substância mais utilizada.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, estima que, em 2016, o uso de maconha tenha afetado 5,6% ou 13,8 milhões de jovens de 15 a 16 anos, com taxas variando por região.

Os índices mais altos foram na Europa, com 13,9%. Em seguida, aparecem as Américas, com 11,6%, a Oceania, com 11,4%, a África, com 6,6% e a Ásia, com 2,7%.

Álcool e tabaco

O relatório destaca que o uso de álcool e tabaco por crianças e adolescentes está intimamente ligado ao início da utilização de substâncias psicoativas. Com frequência, o consumo precede o uso de maconha e outros produtos controlados.

O material cita estudos que acompanharam crianças até a idade adulta e revelaram que quanto mais cedo inicia o do uso de álcool, tabaco e maconha durante as idades de 16 a 19 anos, maior a probabilidade do consumo de opiáceos e cocaína na idade adulta.

Vulnerabilidade

A pesquisa mostrou que os jovens são particularmente vulneráveis ​​ao uso regular de drogas, levando a uma revisão dos fatores de risco e proteção. O Incb também afirma que a necessidade de prevenção e tratamento para crianças e adolescentes deve levar em consideração as influências individuais e ambientais sobre os jovens e seu desenvolvimento.

De acordo com as Normas Internacionais do Unodc e da Organização Mundial da Saúde, OMS, sobre Prevenção ao Uso de Drogas, os programas de prevenção baseados em evidências para crianças e adolescentes devem incluir diversos elementos. Entre eles, o incentivo ao envolvimento positivo na vida das crianças e a comunicação eficaz, incluindo a definição de regras e limites.

Informações

Além disso, currículos escolares devem desenvolver habilidades pessoais e sociais para jovens, incluindo tomada de decisões, definição de objetivos e habilidades analíticas. Assim, os jovens são informados corretamente sobre os efeitos de substâncias psicoativas e podem resistir a influências que possam levar ao consumo de drogas.

Também é citada, por exemplo, a necessidade de uma aplicação rigorosa de regulamentos para limitar o acesso a medicamentos psicoativos, ao tabaco, álcool e cannabis para crianças e adolescentes.

Apreensões

O estudo observa que o tráfico de cocaína continua sendo um grande desafio para o norte e oeste da África. Já a África Ocidental relatou apreensões recorde de cocaína originária da América do Sul e Central, destinada para a Europa.

Em 2018, Angola consta entre os países que relataram as principais apreensões de cocaína, 500 kg.

Já Moçambique, aparece na lista de países que relataram apreensões de quantidades de cocaína que variaram de alguns quilogramas a 155 quilogramas. O país também teve apreensões menores de heroína em 2018.

Em Cabo Verde, segundo o relatório, a maior apreensão de cocaína já realizada ocorreu em janeiro de 2019, quando a Polícia Judiciária apreendeu mais de 9,5 toneladas de cocaína em um navio vindo do Panamá. As autoridades do país também apreenderam mais de 2,2 toneladas de cocaína em outro navio em agosto de 2019, durante uma operação conjunta com a Guarda Costeira nacional.

Guiné-Bissau

O estudo cita um relatório especial do secretário-geral, que diz que a situação do tráfico de drogas na Guiné-Bissau começou a apresentar melhorias modestas, embora os desafios permaneçam.

Com base neste relatório, o Conselho de Segurança reiterou sua preocupação com a ameaça à paz e à estabilidade representada pelo narcotráfico e o crime organizado transnacional relacionado na Guiné-Bissau.

O país teve uma apreensão recorde de cocaína em março de 2019, quando autoridades apreenderam 789 kg da droga como parte da Operação Carapau.

Américas

Na região da América Central e Caribe, o relatório indica que o uso de drogas, em particular de maconha, parece estar crescendo em todos os países.

Na América do Norte, a crise dos opioides continua a destruir vidas, famílias e comunidades. Mortes por overdose de drogas são um problema sério de saúde pública.

Nos Estados Unidos, as mortes relacionadas a opioides sintéticos continuaram subindo em 2018.

Brasil

Já na América do Sul, os problemas relacionados à produção ilícita, tráfico e uso de drogas continuaram a gerar insegurança e violência na região.

No Brasil, na Colômbia e na Venezuela, a taxa de homicídios excede a média regional de 22 por 100 mil habitantes.

O relatório cita que em 2019, o governo brasileiro propôs ao Congresso uma nova lei que estabelece medidas aprimoradas contra a corrupção e ao crime organizado. A expectativa é que isso contribua no combate ao tráfico de drogas.

Além disso, o governo estava considerando a criação de uma agência especializada para maximizar a recuperação de receitas ilícitas através da venda de ativos apreendidos.

Recomendações

O relatório pede aos governos que estabeleçam sistemas nacionais de dados epidemiológicos para monitorar as tendências e mudanças no uso de substâncias psicoativas entre os jovens. O Incb acredita que isso pode permitir que a prevenção baseada em evidências seja implementada antes da idade de início do uso desses produtos.

O estudo observa que os governos devem investir no desenvolvimento de conhecimentos profissionais no campo da prevenção e tratamento do uso de substâncias, com foco nas necessidades dos jovens.

INCB Annual Report 2019

Internet já traz mais problemas aos jovens que o álcool ou a droga

Julho 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 26 de junho de 2019.

Por Nuno Guedes

As conclusões são do serviço do Ministério da Saúde que avalia os comportamentos aditivos e dependências.

Um em cada quatro jovens de 18 anos admite que teve no último ano problemas por causa da utilização da internet.

Esta é uma das conclusões do relatório “Comportamentos Aditivos aos 18 anos – Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2018” que ouviu 66 mil jovens.

A percentagem de jovens que relata problemas com a internet (25,9%) aumentou em relação ao último inquérito realizado em 2017 (22,9%) pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) do Ministério da Saúde. Os casos mais comuns, a afetar 15,9% dos jovens, envolvem “problemas de rendimento na escola ou no trabalho” por causa do tempo online. Com 11,5% seguem-se as situações de mal-estar emocional e problemas com comportamentos em casa (9,6%).

O número de jovens de 18 anos com problemas pelo uso da Internet (25,9%) é mesmo superior ao número de jovens que diz que já teve problemas devido ao consumo de álcool (21%) ou drogas (9%).

Por exemplo, a Internet gera mais do triplo de casos de problemas de rendimento na escola ou no trabalho do que o álcool (15,9% vs. 4,4%) ou quatro vezes mais que o consumo de substâncias ilícitas (2,9%).

Nos comportamento tidos em casa, a Internet também é um fator bem mais problemático do que o álcool ou as drogas, com a presença online a perder, apenas, para o álcool nas situações de mal-estar emocional junto dos jovens de 18 anos.

Parte do tempo em que os jovens estão na internet é passado a jogar, com o estudo a revelar que “a maior proporção de jovens joga até 3 horas por dia, seja durante a semana ou ao fim de semana (por exemplo, 23,5% jogam 1 hora por dia e 14,7% durante 2 a 3 horas por dia, ao fim de semana; enquanto 18,7% jogam até 1 hora por dia e 14,3% jogam 2 a 3 horas por dia, se for um dia útil)”. No entanto, o documento faz questão de sublinhar que “é de salientar como perto de 10% dos jovens mencionam jogar durante 6 horas ou mais por dia”.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Comportamentos Aditivos aos 18 anos. Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2018

Guia Prático para as Famílias – Pré-escolar, Infância e Adolescência: Estratégias de Prevenção do Consumo de Substâncias Psicoativas Lícitas e Ilícitas

Agosto 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o guia no link:

Click to access GUIA%202.pdf

Sexo, drogas e noitadas: sabe o que anda a fazer o seu filho adolescente?

Dezembro 8, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O filme O Fim da Inocência mostra explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 22 de novembro de 2017.

Texto Rui Pedro Tendinha | Fotografias Gustavo Bom/Global Imagens

O Fim da Inocência conta a história, baseada em factos reais, de um grupo de adolescentes que experimenta na noite tudo o que os pais mais temem. A adaptação ao cinema do livro de Francisco Salgueiro – o último projeto de Nicolau Breyner mas que acabou por ser realizado por Joaquim Leitão – chega esta semana às salas e consegue mostrar o que muitos nem querem imaginar: uma vida paralela de sexo casual e consumo de drogas nas noitadas.

O que é que os adolescentes de boas famílias fazem na noite a partir das três, quatro da manhã? Muitos pais preferem nem imaginar. Mas, em O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão, a adaptação do romance homónimo de Francisco Salgueiro, vemos um caso que pode fazer incidir a luz sobre o flagelo que atinge cada vez mais jovens.

O filme e o livro (talvez mais o livro) mostram explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

E, segundo o autor, tudo é verdade: as festas, as orgias, as pastilhas, os riscos de cocaína e uma dissimulação que engana os pais mais distraídos. O livro [ed. Oficina do Livro, 2010] e, por consequência, o filme, relatam factos verdadeiros de uma adolescente que, depois de ser levada a perder a virgindade aos 15 anos, adota um estilo de vida noctívago repleto de drogas e álcool.

Espelho de uma certa geração com pressa de experimentar tudo mais cedo e com ganas de viver a vida sem pensar no amanhã. Os jovens que não pensam nas consequências e encontramos nos bares de Santos, em Lisboa, ou nas Galerias da Baixa do Porto e que, depois, acabam por ser os mais populares no liceu.

Se esta história que Salgueiro descobriu pode ser um testemunho de uma tendência cada vez mais globalizante, é também uma oportunidade para um exame de como muitos pais podiam – deviam? – ter outra perceção acerca da vida social dos filhos.

O Fim da Inocência chega aos cinemas numa altura em que o cinema de grande público em Portugal tem tido tempos duros, com fracassos atrás de fracassos. Mas o novo filme de Joaquim Leitão (que este ano já viu no final de agosto o seu Índice Médio de Felicidade ser ignorado nas bilheteiras) terá um dos maiores lançamentos do ano e uma campanha forte para chamar adolescentes e pais aos cinemas, sobretudo a pensar no fenómeno que o livro conseguiu – mais de quarenta mil exemplares.

Trata-se de um relato de um grupo de adolescentes abastados de Cascais que reflete uma vida paralela de comportamentos sexuais irresponsáveis, dependência de álcool e droga sem controlo – muito para além dos charros, neste filme circula MDMA, cocaína e ectasy.
Francisco Salgueiro, sem filhos, especialista em livros destinados a jovens, supervisionou a produção do filme.

«Este é o primeiro filme português que atinge um target que não vê filmes portugueses», diz o autor. «O Fim da Inocência é para quem não gosta mesmo de cinema português, o mesmo que aconteceu com o livro, que era para um target dos que nunca liam. Os autores e os realizadores portugueses têm a mania de ser muito mais velhos do que aquilo que são.»

O escritor de 45 anos não foi o responsável pelo argumento (Roberto Pereira, de A Mãe é que Sabe foi o escolhido), mas teve um papel ativo no casting, cuja primeira fase contou ainda com Nicolau Breyner, que esteve para realizar o filme. O Fim da Inocência foi a obra que a morte não deixou que fosse de Nico.

Oksana Tkash, Rodrigo Paganelli, Joana Barradas, Francisco Fernandez, Raquel Franco e Joana Aguiar são estrelas para um público juvenil depois de participações televisivas em séries e telenovelas. Ficaram famosos sobretudo nesta altura em que as redes sociais e as suas gestões criam casos de culto que passam ao lado da imprensa. Para já, têm uma habilidade tremenda: na câmara de Leitão parecem mesmo adolescentes (Raquel tem 26 anos, Joana e Francisco 19).

Juntos, estes atores mostram um entrosamento grande. A maior parte já se conhecia de trabalhos na televisão e conseguiram uma boa química durante as filmagens, em agosto. Garantem que nunca se portaram como as personagens em perdição deste caso verídico, mas são os primeiros a dizer que nada do que se passa aqui é fantasia. «Há aquele lema agora de que o pessoal quer fazer tudo num só dia, não deixar nada para amanhã», diz Francisco Fernandez, com 19 anos, o mais novo dos rapazes, mas a opinião é partilhada por todos.

Raquel Aguiar, 26 anos, comunga dessa ideia de que a geração que veio a seguir à sua quer tudo mais rápido. «As situações que vemos no filme existem e há que falar e expô-las, mesmo que não possamos generalizar. Existe e não é só no Porto e em Lisboa. Trata-se de um fenómeno generalizado.» Um fenómeno que os pais desses adolescentes nem imaginam. Ou não querem, lembra Francisco Salgueiro.

Rodrigo Paganelli, que interpreta um dos «maus rapazes» disposto a experimentar tudo, fala da pressão de uma sexualidade imposta. «O filme trata muito bem da pressão de ter de fazer muito mais do que a vontade deles. Todos falam de sexo e se não tiveres assunto aí sentes-te fora das conversas. Há uma obrigação cada vez mais cedo e não acho normal miúdos e miúdas de doze anos perderem a virgindade. Não me cabe na cabeça!»

O grande risco deste elenco estará, eventualmente, na protagonista, Oksan Tksah, uma jovem de 20 anos de origem ucraniana descoberta no mundo da moda. De todos, é quem tem menos experiência e consegue dar vida à Inês, a rapariga inocente arrastada para uma vertigem de sexo e drogas ainda antes dos 16 anos.

«Cresci no Alentejo e a dada altura tive de cuidar sozinha do meu irmão. Nunca estive perto desse mundo que o filme mostra. Não tenho mesmo nada a ver com a Inês nem nunca saí muito à noite. Quando me vi no trailer pela primeira vez apanhei um choque! Tenho receio de como as pessoas me vão julgar como atriz.»

Oksana nem sequer sabe se quer voltar a representar, agora que está a tirar Ciências Políticas na Universidade Católica. E tem também uma inquietação: «vejo o meu irmão, que agora tem dez anos, e fico espantada como as crianças têm acesso a tudo com uma velocidade enorme. Aliás, ao longo do filme percebi que sou super conservadora!»

O que Francisco Salgueiro descreve não se trata apenas de um pesadelo de uma certa camada social. Estes jovens podem ser betinhos de Cascais, mas quem sai à noite num after-hours percebe que «essa juventude perdida» inclui todas as classes.

É como se houvesse um desígnio comum de hedonismo automático, de querer pisar os limites ou querer seguir uma moda de mau comportamento. E não deixa de ser curioso o filme chegar na altura em que se discute também o problema da segurança na noite com o caso da discoteca Urban Beach.

mais fotos no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2017/sexo-drogas-e-noitadas-filho-adolescente/

 

 

Geração i. Eles têm menos problemas com as drogas que os pais

Abril 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://ionline.sapo.pt/ de 13 de abril de 2017.

Têm hábitos de consumo de drogas diferentes dos pais e dos avós. A Geração i dedica esta edição à troca de experiências inebriantes entre gerações.

Eles gostam da noite, gostam das conversas até às tantas, gostam de dançar sem parar e gostam de experimentar coisas novas, tal como os jovens de todas as outras gerações. As drogas não são novidade para a geração dos millennials, mas quem viveu os tempos mais negros do uso de substâncias ilícitas foram as geração anteriores à que teimamos chamar Geração i.

Em Portugal sabe-se que foi com a Revolução dos Cravos que as ondas de substâncias psicoativas começaram a inundar uma sociedade mal habituada no que à liberdade dizia respeito.

“O consumo de substâncias ilícitas em Portugal ganhou expressão depois do 25 de Abril e a grande diferença para com outros países europeus foi que muitos dos consumidores de então vieram a ter um uso problemático. Subitamente, as pessoas experimentavam e, quando davam por elas, estavam dependentes”, explica João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), que garante que o consumo de droga tem hoje um menor impacto na saúde individual e coletiva do que no passado.

No livro “LX 70”, de Joana Stichini Vilela, lê-se: “A novidade está na democratização. Se, antes do 25 de Abril, as drogas eram de acesso quase exclusivo a estrangeiros ou gente viajada, logo em 1975. o responsável da secção de narcóticos da Polícia Judiciária afirma que ‘o consumo tem aumentado assustadoramente’. Multiplicam-se os desvios das unidades de saúde e, a partir de meados de 1977, tornam-se vulgares os assaltos a farmácias.” Já na altura, os mais jovens tinham especial adoração pelas drogas sintéticas: “A juventude adora speeds, drogas legais consumidas de forma criativa.”

Orgia de sensações

“Naquele tempo vivíamos uma orgia de sensações, era impossível resistir, todos os dias chegavam novidades a Lisboa”, conta ao i Alverga, de 55 anos, agora emigrada, que experimentou do haxixe à erva, da coca à heroína, do LSD aos speeds:“Para nós era espetacular, proporcionava-se uma onda de experimentações, era o início da era dos concertos, era a camaradagem. O regime tinha acabado e nós fomos levando aquilo numa corrente de vontade de sermos iguais ao resto do mundo.”

Alverga explica que nunca houve falta de informação – não havia internet, mas sabia-se o que se estava a experimentar. A grande diferença entre gerações, na sua opinião, é que a dos pais dos jovens da sua geração não faziam ideia em que é que os filhos estavam metidos, não havendo noção de que se começavam a perder: “Estou a falar da minha visão, de alguém que sobreviveu a tudo isto e está a contar porque está viva, mas tive amigos meus que morreram de overdoses, de danos colaterais como a sida, pessoal que se meteu na prostituição, que se suicidou, que foi preso, que ficou louco. Agora, como tudo na vida, ao fazermos as experiências, há quem consiga passar pelas coisas de forma experimental, sem se deixar levar pela degradação, e a minha geração teve, penso eu, as duas partes. Era tudo perfeitamente consciente, só que os nossos pais nunca o tinham feito. Por isso, não conseguiam perceber os sintomas e o que andávamos a fazer. Os pais de hoje sabem porque muitos experimentaram; então, podem guiá-los.”

João Goulão, especialista no cenário português, confirma: “É verdade que há muito consumo hoje em dia, mas os impactos na saúde pública são muito menores do que noutras alturas. É uma geração mais aberta, o que é uma das grandes diferenças, também ocasionada pelo facto de o consumo ter deixado de ser considerado um crime. Há uma maior abertura para discutir o assunto em muitos contextos, desde o familiar ao laboral e às escolas. As pessoas falam mais abertamente e pedem ajuda com muito mais facilidade. A evolução continua a ser globalmente positiva.”

Goulão elucida que “hoje em dia há muito consumo que não conduz necessariamente à dependência. É uma geração muito informada, os problemas ocasionados por drogas são percentualmente muito inferiores aos que ocorriam há 20 anos”.

O álcool também é droga

Entre todas as gerações, “a canábis sempre foi, de longe, a substância ilícita mais consumida, a seguir ao álcool, que é lícito”, conclui. José Henrique dos Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio, descreve a alteração de consumos: “A grande mudança é que, nas duas gerações mais recentes (millennials e geração Z) há um consumo muito de grandes volumes e quantidades de álcool num tempo muito reduzido, o conhecido binge drinking. Hoje em dia utiliza-se muito este padrão e é por isso que existem os shots, que são autênticos tiros na cabeça. Em relação às gerações anteriores, o padrão de consumo era diferente. Era um padrão que normalmente assentava em quantidades diárias, com um consumo mais regular, mas mais contido. Mesmo com o tabaco vê-se este padrão: não fumam, mas ao fim de semana desforram-se, comportamentos típicos das culturas do norte da Europa.”

As estatísticas comprovam

De acordo com o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas (NIDA), nos Estados Unidos da América, os millennials realmente usam menos drogas e menos álcool do que os seus pais. O uso de drogas entre adolescentes diminuiu mais de 34% entre 1993 e 2013, um período de tempo crucial que abrangia a adolescência de quase todos os pertencentes à geração millennial.

Em Portugal, os dados também confirmam essa realidade e ainda apontam para que a tendência se mantenha para as próximas gerações. As conclusões constam do European School Survey Project on Alcohol and other Drugs (ESPAD), feito entre 2011 e 2015 junto de alunos que completaram 16 anos no ano da recolha de dados.

Relativamente às drogas, a percentagem de alunos que até aos 16 anos já tinham experimentado está a estabilizar: 16% em Portugal (18% média europeia), sendo a canábis a mais experimentada, e a mais consumida no último ano e no último mês.

As novas substâncias psicoativas são mais consumidas em alguns países do que “outras drogas”, sendo a média europeia de experimentação de 4% e, em Portugal, apenas 1%.

Também o consumo de álcool e tabaco entre jovens até aos 16 anos tem vindo a diminuir na Europa, com Portugal a situar-se abaixo da média europeia, mas ainda assim com consumos elevados de bebidas alcoólicas.

 

 

 

Los riesgos de las ‘chemsex’

Maio 26, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do http://ccaa.elpais.com de 9 de maio de 2016.

Barcelona

Médicos y activistas alertan de que la práctica puede generar nuevas infecciones por VIH y dependencia a sustancias tóxicas.

En una aplicación para ligar, un chico invita a otro a una fiesta en su casa. Media decena de jóvenes y “una bandeja con speed y ketamina” le esperan en el salón. Por delante, una larga sesión de sexo grupal bajo los efectos de varias drogas. “Me di cuenta de que era una chemsex y me fui. Yo no tomo drogas”. Las chemsex —del inglés chemical sex, sexo químico— son un fenómeno, casi exclusivo del colectivo gay, que se caracteriza por tener sexo bajo el efecto de drogas durante un largo periodo de tiempo. No hay ni una sola cifra que dimensione la práctica, pero médicos y activistas alertan de que puede contribuir a la transmisión del VIH. Y, aunque sospechan que es una práctica residual, ya han detectado casos de jóvenes dependientes a ciertas sustancias para practicar sexo.

La combinación no es nueva, y mucho menos exclusiva de los gais. Lo que caracteriza a las chemsex son el auge de las aplicaciones móviles para ligar y el uso de mefedrona, metanfetamina y GHB para soportar largas sesiones de sexo, que pueden durar días. La mefedrona es un estimulante, la metanfetamina provoca euforia, desinhibición y quita el sueño y el GHB o éxtasis líquido es un depresor sedante. La mezcla de las tres permite aguantar en las fiestas sexuales pero también puede dejar a los participantes en un estado de semiinconsciencia que les haga bajar la percepción de riesgo. En un colectivo donde la prevalencia del VIH es del 14% y soporta seis de cada 10 nuevas infecciones, las conductas sexuales de riesgo alertan a los epidemiólogos. “El chemsex está asociado a no usar preservativo, por lo que aumenta el riesgo de infecciones. Además, como son fiestas con policonsumo de drogas, se puede perder la percepción de riesgo”, dice Jordi Casabona, director del Centro de Estudios Epidemiológicos sobre el VIH/SIDA de Cataluña.

Aunque el riesgo de transmisión se reduce si un infectado de VIH se medica, la pérdida de adherencia al tratamiento eleva las posibilidades de contagio. En unas jornadas de la Sociedad Española Interdisciplinaria del Sida, su directora, María José Fuster, señaló que un 35% de los pacientes con VIH se salta el tratamiento si sabe que va a drogarse. Y además, un 25% de las personas infectadas por VIH lo desconocen. Josep Mallolas, del Servicio de Enfermedades Infecciosas del Clínic, alerta de que en estas chemsex “puede haber, por probabilidad, algún VIH positivo que no lo sepa”. El VIH no es el único riesgo. Otras infecciones de transmisión sexual también pueden contraerse, como la sífilis y gonorrea, que se han cuadriplicado y triplicado en 10 años entre los gais. “Se ha perdido el miedo y, como a la gente le atrae el riesgo, surge el chemsex”, apunta Mallolas.

En Londres, el fenómeno ya es un problema de salud pública y hay clínicas donde reportan hasta 100 casos al mes de personas con un consumo problemático vinculado al chemsex. En España aún es anecdótico, pero las entidades ya han detectado casos. “No es un problema de salud pública pero existe una minoría con un consumo problemático”, certifica Fernando Caudevilla, médico de familia y experto en drogas de síntesis. “Es gente que necesita ayuda profesional porque pueden presentar trastornos de personalidad. Se da cuenta de que sus prácticas son incompatibles con ir a trabajar o son incapaces de relacionarse sobriamente”, ejemplifica Ferran Pujol, director de BCN Checkpoint. Desde Stop Sida aseguran que precisan una atención integral. “Pueden tener problemas de ansiedad, soledad, en su relación de pareja, incluso problemas con su sexualidad”, apunta el investigador Percy Fernández Davila.

Si en algo coinciden los expertos es en la falta de recursos. “No estamos financiados para estudiar el fenómeno a fondo. Y hasta que no tengamos datos, no podemos hacer nada”, apunta Caudevilla. El trabajo preventivo en zonas de ocio y medidas de reducción de riesgos son las líneas estratégicas que apuntan para atajar los problemas del chemsex. En palabras de Caudevilla: “Es el momento de investigar e intervenir en zonas de conductas de riesgo, pero para eso necesitamos que las Administraciones se muevan”.

 

 

1as Jornadas de Prevenção dos Comportamentos Aditivos e Dependências – 14 -16 abril na Madeira

Abril 6, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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jornadas

UCAD

291720180

email: spt@iasaude.sras.gov-madeira.pt

mais informações:

http://iasaude.sras.gov-madeira.pt/UCAD

 

Formação no âmbito da abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com comportamentos aditivos e dependências

Fevereiro 24, 2016 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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cartaz

Data limite para a receção de Inscrições: 09 de março de 2016

Compete ao SICAD Promover a formação no domínio das substâncias psicoativas, dos comportamentos aditivos e das dependências, capacitando os profissionais para prestar apoio especializado aos cidadãos e às comunidades, no âmbito das dependências com e sem substâncias.

Os ganhos em saúde conseguem-se por via da qualificação dos profissionais e das abordagens, da melhoria dos níveis de conhecimento e da cooperação entre os stakeholders, aumentando a eficácia das respostas disponíveis, normalizadas e harmonizadas.

A existência de famílias com um ou mais dos seus membros com comportamentos aditivos e dependências evidencia situações em que os fatores de risco para os comportamentos aditivos assumem um peso mais significativo do que os do equilíbrio. Deste facto resulta que nem sempre a estruturação familiar se dá de forma a propiciar o ambiente maturativo mais harmónico, o que determina riscos acrescidos para o desenvolvimento dos seus membros, nomeadamente os mais vulneráveis – as crianças e jovens.

A importância dos fenómenos que ocorrem na família para a estruturação dos trajetos evolutivos das crianças e jovens, e das múltiplas questões que suscita a ocorrência de CAD neste contexto, determina a relevância da capacitação específica dos profissionais que intervêm neste âmbito, de forma a permitir o estabelecimento de intervenções orientadas para a abordagem à problemática das crianças e dos jovens inseridos em famílias com CAD.

Neste sentido afigura-se fundamental capacitar os profissionais para abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com CAD, fortalecendo o conhecimento e tomando contacto com as estratégias de intervenção adequadas.

Assim, o SICAD vai dinamizar o Curso Formação no âmbito da abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com CAD, nos dias 11 e 3 de março, com os seguintes conteúdos programáticos:

  1. Substâncias, conceitos, efeitos e características, padrões de consumo, processos de dependência nas mulheres;
  2. Intervenção sistémica: princípios e conceitos;
  3. A dinâmica da família com CAD: especificidades e evoluções;
  4. O lugar da criança / jovem na família com CAD: fatores de risco para o desenvolvimento;
  5. Estratégias de intervenção;
  6. O papel da articulação interinstitucional no acompanhamento das crianças e jovens em famílias com CAD;
  7. Monitorização e avaliação;

Para mais informações e inscrições: http://www.sicad.pt/PT/Formacao/SitePages/FormacaoSICAD.aspx

 

1.º Workshop “Entre Margens – Gaming, Drinking e Cenas”

Novembro 4, 2015 às 11:11 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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entre

Inscrições: São gratuitas, mas obrigatórias

 

mais informações:

http://www.arslvt.min-saude.pt/frontoffice/pages/3?event_id=180

 

Eu e os Outros – Programa de prevenção de problemas ligados ao consumo de substâncias psicoativas para jovens entre os 10 e os 18 anos

Agosto 24, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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outros

O Eu e os Outros é um programa de prevenção universal dos problemas ligados ao consumo de substâncias psicoativas. Nele, as substâncias são abordadas de uma forma integrada com outras temáticas ligadas ao dia-a-dia dos adolescentes. Foi criado em 2006 por uma equipa técnica do Instituto da Droga e Toxicodependência com o apoio de parceiros de diferentes áreas e sectores e é coordenado nacionalmente pelo SICAD com o apoio/parceria regional das Administrações Regionais de Saúde.

mais informações:

http://www.sicad.pt/PT/Intervencao/Programas/Prevencao/Paginas/detalhe.aspx?itemId=15&lista=prevencao&bkUrl=/BK/Intervencao/Programas/Prevencao

http://www.tu-alinhas.pt/InfantoJuvenil/displayconteudo.do2?numero=18759

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