Os perigos de “domesticar” os adolescentes com dinheiro

Janeiro 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do SapoLifestyle de 25 de dezembro de 2018.

Há pais que pagam aos filhos para fazerem tarefas domésticas, para que sejam bons alunos ou para que se portem bem. Será que o dinheiro subverte a educação?

A frase é de Antoine de Saint- Exupéry, o famoso autor de O Principezinho: “Tenho o direito de exigir obediência porque as minhas ordens são sensatas”. Uma sentença que não deve ter sido escrita para adolescentes, aqueles seres que, durante algum tempo, tudo questionam e põem em causa. Mas não fique assustado: este é um processo absorvente de mudança, quando a vontade de agradar sofre profundas alterações. Na adolescência, o que o jovem quer é agradar a si próprio e aos amigos, deixando as expectativas dos pais para trás.

Além disso, e como explica um artigo da Psychology Today assinado por Carl E. Pickhardt, psicólogo norte americano e autor do livro “Sobreviver à adolescência (do seu filho)”, o adolescente já não vive na “era do comando, quando as crianças tinham a ilusão de um controlo total dos pais”. Duro? Talvez. “Um adolescente não é uma criança. Agora ele vive na ‘era do consentimento’ e acredita que os pais não podem obrigá-lo nem impedi-lo de agir sem o seu consentimento”.

É claro que é mais difícil para os adultos obterem o que querem – e quando querem – de um adolescente do que de uma criança dependente, ou seja, até aos 7 ou 8 anos. Mas a perda da influência tradicional dos pais tem de ser enfrentada na adolescência. “Agora, eles têm de convencer os filhos, o que nem sempre é fácil – nem rápido”. Eis alguns truques de persuasão que os adultos usam para obter a cooperação dos filhos:

O dinheiro é o mais importante

“Se acha que uma criança é cara, espere até ter uma adolescente!”, brinca o especialista norte-americano, explicando que, na adolescência, aumenta a valorização do dinheiro e a noção do que este pode proporcionar. Nesta fase, diz, os jovens desenvolvem desejos mundanos, anseiam por ter bons gadgets, roupa de marca e dinheiro para uma vida social mais intensa. Na verdade, “o dinheiro compra a probabilidade de pertença social. E pode não garantir uma sensação de bem-estar duradoura, mas oferece um prazer momentâneo”. Mas será que os pais devem oferecer ou negar dinheiro para conseguir o que pretendem?”, questiona o especialista. “Até que ponto é que essa mercantilização da obediência é saudável? Até que ponto os pais querem usar dinheiro para moldar o caracter dos filhos?” Pickhardt fala em várias situações que banalizam a troca de dinheiro por um determinado comportamento: tarefas domésticas, resultados escolares e cumprimento das regras sociais.

Pagar pelas tarefas domésticas

Alguns pais justificam este comportamento como forma de ensinar os filhos a trabalharem para ganhar dinheiro. Muitos dizem: “Nós temos um emprego, vocês não; por isso, pagamo-vos para se ocuparem das tarefas da casa e assim aprendem o valor do trabalho e a sua recompensa”. Mas para outros educadores, esse pagamento põe em causa valores como a solidariedade. “Para ajudar nas tarefas mais básicas, ninguém é pago, mas todos ganham com isso. Os pais que pensam desta forma olham para o trabalho doméstico como uma contribuição natural – e saudável – de todos os membros da família.”
Outros pais associam o cumprimento de tarefas à mesada. É natural dizerem: “Quando acabares o trabalho doméstico receberás a mesada.” Assim, a retenção do dinheiro é uma espécie de alavanca para a realização do trabalho. E que dizer dos que desobrigam os filhos de qualquer tarefa doméstica por considerarem que assim não estão a promover um espírito de livre escolha? Sim, estes pais assumem eles próprios todas as tarefas, considerando que é algo inevitável na vida familiar e esperando que um dia os filhos se ofereçam para ajudar…

Pagar por boas notas

A recompensa monetária dos resultados escolares pode criar dois tipos de problemas, explica o psicólogo. Por um lado, há como que uma espécie de ameaça, por outro, um comprometimento da verdadeira motivação. “Como é que receber 20 euros por um BOM pode ser uma ameaça e não uma recompensa?”, questiona Pickhardt. Para logo responder: “Um adolescente contrariado pode entender a situação como uma chantagem. E pensar: ‘muito obrigada, mas as minhas notas não estão à venda’”. Assim, “um problema de desempenho acaba por transformar-se numa questão de poder. Pela minha experiência, esse tipo de incentivo tende a funcionar melhor com crianças do que com adolescentes”.
Mais: “Quando pagam pelas notas, os pais fazem do empenho académico uma questão de motivação extrínseca, quando o desenvolvimento da motivação intrínseca é o que realmente conta”. O especialista diz que é melhor explicar ao jovem que todo o esforço que ele faça reverte, antes de mais, a seu favor. Uma consequência negativa de os jovens não aprenderem a criar os seus próprios estímulos é que quando chegam ao ensino secundário percebem que não desenvolveram a autodisciplina e a motivação suficientes para estudar e fazer os trabalhos de casa sem o apoio dos pais.

Pagar pela paz social

Quando os pais chegam ao ponto de oferecer dinheiro ao jovem para respeitar as normas da família, é porque estão cansados e desistiram de educar. “É mais fácil pagar do que discutir”, diz o psicólogo. Ao optarem por este caminho, os educadores podem encontrar muitas armadilhas. Como o acatamento de ordens depende de um valor monetário, se ele não existir, a vida em comum torna-se uma anarquia. “Na melhor das hipóteses, comprar um comportamento aceitável pode parecer suborno e, na pior, extorsão”, explica o especialista.
O que fazer para não cair neste esquema? “Em vez de usar o dinheiro como instrumento de gestão, os pais devem insistir na reciprocidade”. Expliquem ao jovem que todos fazem parte de uma célula familiar e que há regras básicas. Se cada um se ajustar a elas, os laços fortalecem-se e todos aprendem a melhorar.

 

 

Crianças com excesso de presentes? Não tem de ser assim

Janeiro 13, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e foto do Notícias Magazine de 27 de dezembro de 2018.

Embrulhos rasgados no meio da sala, uma pilha de brinquedos recebidos e a euforia das crianças sem capacidade de se focarem numa prenda em particular. É mesmo isto que quer continuar a viver?

Texto de Cláudia Pinto

A postura da família Cavaco relativamente ao Natal foi mudando ao longo dos anos, conforme foram sendo pais. Rute e Tiago têm quatro filhos: Maria, 14 anos, Marta, 12, Joaquim, 11, e Caled, 8. A época festiva é hoje bem mais simbólica do que há uns anos.

“No início, era um disparate. Temos uma família muito grande e tinha de guardar metade dos presentes que os miúdos recebiam na arrecadação”, confessa a mãe, dedicada a tempo inteiro a esse papel. “Ainda tenho alguns brinquedos guardados que nunca foram abertos”, acrescenta.

Rute é a mais velha de cinco irmãos e a partir do nascimento dos sobrinhos houve uma regra que se impôs. “Todos os irmãos e avós dão uma verba livre por criança”, diz, confessando que tem noção que nem todas as famílias funcionam assim na época natalícia.

Os dias que antecedem o Natal são passados tranquilamente e sem grande stresse. Rute junta o dinheiro transferido pelos familiares e compra, ela própria, os presentes que os filhos desejam, dentro de determinados limites. “Normalmente, fazem uma lista de livros ou CD e são muito sensatos naquilo que pedem.” Rute coloca o valor remanescente num mealheiro que vai utilizando durante o ano naquilo que a família chama de “plano especial” e que se consubstancia em saídas ao cinema, concertos e outro tipo de programas.

Nos últimos anos, as festas de aniversário foram substituídas pela mesma estratégia: o aniversariante decide o que quer fazer e onde quer comemorar. “Já chegámos a ir passear de autocaravana durante um fim de semana”, conta Rute. A ideia é contrariar a cultura consumista enraizada na sociedade, passar tempo de qualidade em família e proporcionar momentos, também eles dispendiosos, mas que certamente ficarão na memória dos pequenos.

Ana Galhardo Simões é psicoterapeuta corporal no Espaço CresSer, em Carcavelos, concelho de Cascais, e denota nas consultas que dá a crianças e jovens que é precisamente o tempo de qualidade a fazer a diferença. “As crianças e jovens não falam dos presentes que receberam, mas dos momentos que passaram e das memórias que têm com os avós e com os pais… O excesso de presentes atualmente é uma forma de as pessoas se desculpabilizarem pelo pouco tempo que passam em família”, defende.

Acabar com os exageros e incutir valores
O Natal pode surgir como uma oportunidade de crescimento e de aprendizagem para os pais, familiares e cuidadores. “Esse é um trabalho diário, de todos os momentos com a criança, para desenvolver valores como a partilha, a solidariedade, a importância de desfrutar e saber cuidar dos brinquedos que têm, da ideia de que não é possível ter tudo, construindo, assim, a tolerância e a frustração”, explica Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica infantojuvenil e de aconselhamento parental, responsável pelo projeto “Psicóloga dos miúdos”.

Rute tenta incutir nos filhos que cada família faz as próprias opções individuais. “As nossas não são melhores nem piores, são aquelas em que acreditamos”, partilha, adiantando que o que mais a marcou na infância foi a disponibilidade que os pais tiveram para usufruir de momentos em família e não os presentes que recebeu. “Confunde-se muito a ideia dos presentes que damos com o amor que demonstramos, o que é algo muito fútil”, reforça.

Também Ana Galhardo Simões denota que este pode ser um ponto de avaliação em ambiente de consulta. Não é raro receber, nas suas sessões, crianças e jovens que se sentem reconhecidas ou amadas pelos outros através dos presentes que recebem. “Se um filho pede prendas regularmente, e ao longo do ano, há que perceber qual é o vazio presente para ter essa necessidade. Por outro lado, é curioso receber adolescentes em consulta que comentam que os pais tentaram dar-lhes um presente excessivo para compensar, de alguma forma, a falta de presença no dia-a-dia.”

Há ainda que pensar nas dinâmicas dos pais divorciados. As separações também podem implicar alguma desestabilização nesta época do ano. “É dramático. Alguns pais vivem em guerra para ver quem é que dá mais e melhor. Acho que o ideal é que os pais se assumam como coeducadores da criança, independentemente de estarem separados, e que, no mínimo, conversem sobre os presentes”, observa a psicoterapeuta corporal que sugere que os pais optem por ofertas em conjunto, no caso de presentes mais caros, como, por exemplo, um computador ou uma biciclet

O próprio espírito consumista do Natal faz-nos viver a quadra de forma acelerada e stressada. “Para mim, é uma época muito tranquila porque tenho poucos presentes para comprar, na verdade”, sublinha Rute. A mãe e os quatro filhos aproveitam também para desenvolver algumas lembranças simbólicas realizadas com os filhos para oferecer e considera que os filhos estão perfeitamente enquadrados a essa dinâmica. E vai mais longe: “Julgo que, se eles vivessem um Natal como antigamente, ficariam chocados, até porque também já têm noção de quanto é que as coisas custam”.

Dicas e estratégias para mudar hábitos

Juntámos algumas dicas que podem ser úteis para contornar a avalanche de presentes que as crianças recebem nesta época.

  • Antecipe as estratégias desta época do ano antes do dia em que se trocam presentes. “Os pais podem aproveitar a carta ao Pai Natal como uma ferramenta lúdica para explicar à criança um conjunto de valores e ideias: a partilha, a necessidade de tomar decisões, a escolha, a frustração, entre outros”, sugere Rita Castanheira Alves.
  • Se os seus filhos recebem demasiados presentes, e uma vez que a memória em determinada idade “é relativamente curta”, selecione alguns brinquedos e jogos para guardar e ir apresentando ao longo do ano como uma novidade e que pode ser útil para entreter numa tarde de fim de semana.
  • Envolva a criança na escolha de brinquedos que já não usa ou não brinca, mas que estejam em bom estado, selecione uma instituição que acolha crianças e entreguem presencialmente. “É uma forma de perceberem que existem outras vidas e realidades. Naquele momento, eles vão possibilitar que um conjunto de crianças tenha acesso a um Natal melhor porque partilharam algo. É uma forma de dar outro espírito a esta época”, sublinha Ana Galhardo Simões.
  • Incentive os seus filhos a criar lembranças originais com a participação dos próprios que vão ao encontro de valores importantes para a formação da personalidade e para a vida. “Só se encontra o equilíbrio desta forma. Como pais e educadores, temos que introduzir algumas atividades durante este mês, para que eles tenham uma noção mais correta do que é o Natal”, conclui a psicoterapeuta corporal.

 

 

Pais, se tremem à primeira birra no Natal, “algo está mal”

Dezembro 23, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de dezembro de 2018.

Como dizer não no Natal? Faz sentido dar tudo o que as crianças pedem? Há estudos que dizem que “o grau de satisfação e de felicidade da criança começa a baixar a partir do terceiro presente que recebe”

Susana Pinheiro

O Natal está a chegar e muitas crianças têm uma lista sem fim para pedir ao Menino Jesus ou ao Pai Natal. Como dizer-lhes “não” sem que façam uma birra? Ou será melhor dar-lhes tudo para que não sofram uma desilusão? Mesmo no Natal, “os pais que dizem ‘sim’ a tudo, não estão a ser pais. Não estão a educar, mas a estragar”, alerta o psicólogo Eduardo Sá. “Se tremem à primeira birra dos filhos, algo está mal”, realça. É preciso uma “firmeza serena” para dizer não. Há que ser “assertivo”, sublinha também o pedagogo Renato Paiva. As crianças e os jovens têm de perceber que não podem ter tudo, que têm de fazer por merecer o que recebem e aprender a seleccionar. “A vida adulta é feita de escolhas”, sustenta o autor de livros como Queridos Pais, Odeio-vos.

“Eles só puxam a corda se sentirem que os pais são todos tremeliques”, aponta Eduardo Sá. Na realidade, é uma questão de quase “tentativa e erro”, continua. “As crianças atiram o barro à parede a ver se cola”, para ver até onde conseguem ir. Mas, salvaguarda o autor do Livro de Reclamações das Crianças, “estão bem atentas ao que os pais podem ou não comprar”. É, de todo, uma “ideia errada pensar que são pequenos tiranos”, diz. “São, sim, negociadores.” Por isso, faz parte da função dos pais saberem dar-lhes a volta quando começam com birras. E, se for preciso, zangarem-se e fazerem cara feia, aconselha.

Os limites fazem parte da educação, mesmo no Natal. “Eles podem ser os príncipes e princesas lá de casa, mas quem manda são os reis e as rainhas. Importa deixar isso bem vincado”, defende Renato Paiva.

“Se a criança ficar desiludida, paciência. A frustração faz parte da vida”, afirma, por seu lado, o pediatra Mário Cordeiro. Até porque, corrobora Renato Paiva, “aprender a frustrar nesta fase mais precoce da vida fará com que saibam lidar com adversidades e frustrações futuras de forma mais madura, equilibrada e com menor sofrimento”.

Se a criança fizer uma birra, aconselha Mário Cordeiro, “há que mostrar que está desenquadrada do espírito de Natal, que é um espírito de humildade, solidariedade, afecto e alegria pela dádiva, e não um momento narcisista de ‘quero tudo, já’”. Na realidade, não se pode ter tudo. Ponto final.

“Se a criança está a fazer birra porque não recebeu o brinquedo x, vamos propor que experimente o jogo y. Não nos devemos justificar muito com os presentes”, aconselha Renato Paiva.

Listas, sim ou não?

Para Eduardo Sá, “é óptimo que as crianças façam uma lista de Natal, porque é uma maneira de não arriscarem a ter as prendas que os pais gostariam de ter tido quando eram da idade deles”.

Já Mário Cordeiro é “contra as listas de exigências e a escravidão de quem oferece — quem dá tem de ter o mesmo júbilo de quem recebe, e quem escolhe tem de pensar no outro e ‘estar presente’ — daí o nome ‘presente’”.

“‘Prendas’ é quando se dá um prémio por algo que se fez de talentoso, ou quando [a criança] se transcendeu na escola, no que for. O presente é… estar presente na vida dos outros através desse objecto — é o que acontece no Natal”, distingue o pediatra e autor de Educar Com Amor.

Se os pais optarem por deixar fazer a “carta ao Pai Natal”, devem explicar que esta “não é uma lista de compras, mas de sugestões”, aconselha Renato Paiva. É importante “deixar bem claro que não serão todos e até pode acontecer não ser nenhum. É uma lista de possibilidades!”

O melhor é não dar mais de três presentes, recomenda, por seu lado, Susana Albuquerque, coordenadora de educação financeira da Associação de Instituições de Crédito Especializado, sustentando-se em estudos franceses e norte-americanos. “O grau de satisfação e de felicidade da criança começa a baixar a partir do terceiro presente que recebe”, garante. “Depois, é muito importante dizer ‘não’, porque os filhos não podem ter tudo o que pedem. E estamos a ajudá-los a desenvolverem competências para saberem poupar e como gerir o orçamento”, continua. “A educação financeira faz-se desde sempre. Não necessitam de saber quanto dinheiro [os pais] têm ou podem gastar, mas podem ter uma ideia para melhor perceber as opções”, acrescenta Renato Paiva. Deve explicar-se que se o gastamos hoje não teremos amanhã.

Susana Albuquerque aconselha a envolver as crianças no orçamento de Natal. Assim, tomam “consciência” do valor das coisas, do investimento que os pais fazem. “Um dos problemas em relação à gestão do dinheiro resulta de não se falar abertamente sobre o dinheiro na família e é preciso que as crianças conheçam as possibilidades financeiras dos pais.” Eles devem perceber que deve haver uma “boa saúde financeira”, que se deve poupar e ter uma reserva para imprevistos. E deve-se ainda “ensiná-los a ‘esperar para ter’”. Pode não ser hoje nem amanhã, é quando houver dinheiro, ou no dia do aniversário, por exemplo. “O esperar para ter aumenta a satisfação”, realça.

Certo é que as campanhas publicitárias, os descontos e as facilidades de pagamento são como sereias que cativam os pais a comprar por impulso. Se o fazem, com que cara dizem ‘não’ aos mais pequenos? “Se as crianças presenciam ou percebem que se comprou algo por impulso, na próxima visita ao centro comercial vão querer comprar algo de que nem se tinham lembrado”, refere Renato Paiva. Por isso, lembra: “Educamos mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos”. “O exemplo é sempre mais significativo.”

 

 

Unboxing: pessoas a desembrulhar coisas, que vídeos são estes que hipnotizam os seus filhos?

Agosto 2, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 26 de junho de 2017.

Tem filhos pequenos que gostam de ver vídeos no YouTube com crianças – e adultos – a rebentar balões, brincar com bonecos, pintar com tintas coloridas ou a desembrulhar ovos de chocolate? E também não entende bem que coisa é esta? Chama-se unboxing, começou com vídeos de pessoas a desempacotar tecnologia e passou depois para um novo patamar. Hoje, estas imagens bizarras têm milhões de visualizações. Os pais só querem entender as razões.

Texto Ana Pago | Fotos de Shutterstock

Os vídeos que Ema, de 4 anos, gosta de ver no YouTube deixam o pai abismado: adultos a rebentar balões, a moldar plasticinas, a pintar as mãos com tintas dizendo as cores que usam; a mergulharem bebés de plástico em guaches e a sacarem surpresas de dentro de taças cheias de M&M; a brincar com super-heróis abrindo ovos Kinder no final – as variações são imensas. Pedro Palma olha a filha num silêncio perplexo. Vê-a capaz de passar horas naquilo, se por acaso fosse pai para a deixar horas entregue ao iPad. E ele ali sentado com ela na sala, a filtrar conteúdos, hipnotizado também. Sempre se questionou como é que vídeos assim podem render milhões de visualizações. De onde vem esta febre inominável? E, mais importante ainda, porquê?

«Já conhecia o fenómeno do unboxing [à letra tirar da caixa], em que se vê gente a abrir embalagens e ovos de chocolate, revelando o que contêm. Mas estes vídeos vão além disso», explica Pedro Palma, para quem os media contribuem cada vez mais para a construção do saber, a par da família e da escola. «A Ema tinha 2 anos quando andou numa piscina de bolas, então mostrei-lhe um vídeo de meninos numa piscina igual para incentivá-la a falar.» O sistema automático do YouTube sugeriu outros vídeos, entre eles o de umas mãos a tirarem bonequinhos de tigelas de M&M com uma colher. «Depois desses descobriu mais, de crianças a brincar com bonecos e a desembrulhar surpresas, e de adultos a fazerem o mesmo para um público claramente infantil. Foi o fim da picada», diz o pai com humor.

E a verdade é que estas imagens têm, de facto, uma espécie de efeito hipnótico, afirma a psicóloga clínica Filipa Jardim Silva. «O ritmo é lento, focado numa tarefa única, com uma simplicidade apelativa para crianças que processam tanta informação nova todos os dias.» A duração é adequada: curta e ajustada à capacidade atencional dos pequenos, mantendo-os interessados do princípio ao fim. Também a narrativa das tarefas e a música ambiente ativam uma resposta sensorial meridiana autónoma. «Trata-se de um fenómeno biológico que induz o relaxamento ao produzir uma agradável sensação de formigueiro na cabeça, couro cabeludo ou regiões periféricas do corpo, em resposta a estímulos visuais, auditivos e cognitivos.»

Segundo o guru do marketing dinamarquês Martin Lindstrom, autor do livro A Lógica do Consumo (ed. Harper Collins), outra razão que justifica o êxito do unboxing e suas derivações são os neurónios-espelho, ativados quando uma ação realizada por outros está a ser, ao mesmo tempo, observada por nós. «É como se ver e fazer fossem a mesma coisa, com níveis de prazer idênticos», diz. As crianças assistem às gravações de outros a brincar com super-heróis, a abrir ovos-surpresa ou a rebentar balões de água – de novo tudo a acontecer naquele instante diante dos seus olhos – e a impressão que têm é a de serem elas a vivê-las, concorda a psicóloga social Ana Cristina Martins, professora do ISPA – Instituto Universitário: «Do ponto de vista emocional, o unboxing é contagiante. Quem vê não é um mero espetador.»

Foi em 2004 que a publicação de eletrónica de consumo Engadget usou o termo pela primeira vez, num artigo sobre a Nintendo DS. Dois anos mais tarde, alguém nos EUA se lembrou de fazer um vídeo a desembalar um telemóvel Nokia E61 e partilhou com o mundo as suas impressões do momento. Num instante, o unboxing galopou para outras áreas de consumo como a cosmética, compras do supermercado, ovos de chocolate ou plasticina com surpresas dentro e pacotes infantis de jogos, personagens e brinquedos da moda. As derivações entretanto surgidas a partir do unboxing tornam difícil contabilizar o fenómeno (que terá crescido uns 57 por cento em 2014, de acordo com o YouTube). Desconhece-se ainda até que ponto as marcas influenciam a divulgação de produtos nestes canais, já que a maior parte parece surgir da iniciativa dos utilizadores.

Para Daniel Cardoso, doutor em Ciências da Comunicação na vertente de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias, não há aqui tanto um apelo ao consumo de brinquedos mas dos próprios vídeos, tentando posicionar o canal como uma marca. «Do que vejo, estes canais dirigem-se às crianças em termos de conteúdo e apresentação, tentando alcançar visualizações no YouTube e até parcerias futuras de publicidade», aponta. Certo é que os ganhos se traduzem em 1,5 a 3 euros por cada mil visitas, em vídeos que chegam a ter mais de 100 milhões de visualizações. «A consumir construímos significados sociais, processos simbólicos. Este tipo de partilhas vai muito além de um mero apelo ao consumo ao mostrar o que escolhemos, como escolhemos e o prazer que tiramos dessa forma de dar sentido às nossas vidas», justifica o especialista.

Também a psicóloga social Ana Cristina Martins reconhece ser redutor limitar o fenómeno à questão consumista – ainda que se trate de uma poderosa estratégia de neuromarketing, apelando aos tais neurónios-espelho e aos centros de recompensa do cérebro. «O desembrulhar dos produtos é faseado, acompanhado de interjeições e de informações positivas que geram uma atitude favorável em quem vê», explica. Há quase um sentido tátil associado. Um prazer que estimula e nos mantém agarrados justamente por isso. «O contágio de emoções e o efeito-surpresa fazem do unboxing um fenómeno fascinante, até viciante», sublinha.

Sem esquecer o papel educativo, acrescenta Pedro Palma: «Estão sempre a alertar para a tecnologia nas mãos dos miúdos, mas não acho justo proibir a Ema de algo que adora quando também joga à bola na rua, pula no parque, faz puzzles e o que é suposto na idade dela.» O YouTube é um complemento, frisa o pai, averso a extremismos quando foi a ver aqueles vídeos que a filha aprendeu o alfabeto, os números até 30 e as cores, tudo em português e em inglês. «Ela vê os outros brincar e adapta gestos aos seus jogos, quase como se estivesse em interação.» A psicóloga Filipa Jardim Silva apoia o bom senso: não vale a pena diabolizar nada. «Mais importante é saber a que materiais são expostos, por quanto tempo, supervisionados por um adulto.» E assumir que há sempre benefícios e riscos em todos os contextos da vida, seja ela digital ou real.

mais fotos no link:

http://www.noticiasmagazine.pt/2017/unboxing-fenomeno-muito-fora-da-caixa/2/

 

 

Chega de birra nas lojas: ensine seu filho a economizar para comprar

Dezembro 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.paisefilhos.com.br/de 27 de abril de 2016.

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A educação financeira pode começar desde cedo

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Seu filho já teve algum ataque de birra em público por você não comprar algo que ele queria? Saiba que cabe aos pais colocar limites, explicar e conversar sobre o valor do dinheiro, mas você também precisa dar o exemplo. Crianças precisam aprender a dar valor ao dinheiro e gastar só com o que importa desde cedo.

Segundo Patrícia Broggi, mãe de Luca e Tiago, nossa embaixadora, colunista e autora do livro “Falando de Grana”, para evitar um ataque de birra, é necessário que o filho tenha sido acostumado desde pequeno que toda compra tem sua hora e motivo e não comprar só por comprar.

Outro ponto é que as crianças precisam aprender que um presente deve ter ocasião, como aniversário, Natal ou uma data especial. Assim, eles saberão valorizar o que ganham. “Caso queira muito uma coisa e resolva fazer birra, os pais precisam ser firmes. A birra passa. Até porque, muitas vezes, basta ganhar para esquecer do presente logo depois”, argumenta.

Os filhos aprendem muito mais com as nossas ações do quem com as nossas palavras, explica Patrícia. “Além de desencorajar o consumismo nos seus filhos através de conselhos, é muito importante você não praticá-lo. Senão a mensagem não repercute”.

Por isso, repense em como você tem lidado com a questão e procure tomar atitudes que reforcem a mensagem que você quer passar. Algumas dicas da jornalista são: no final de semana, prefira passear em família no parque do que ir ao shopping. Na praia, priorize atividades como entrar no mar e jogar bola em vez de comprar um picolé, milho e refrigerante. A ideia é não valorizar o consumo.

Economizar para comprar

Uma solução para começar a educação financeira é dar uma mesada, que pode ser até de um valor simbólico, e ensiná-lo a poupar para planejar uma compra e guardar o que sobrar. Se seu filho tiver um desejo, nada melhor do que você criar com ele uma meta para alcançar esse objetivo. “Façam juntos um planejamento de economia, mostrando que se ele poupar por alguns meses, consegue comprar o que quer”, diz a escritora.

Não tenha medo de usar o bom e velho “não”. Ficar com dó e ceder vai mostrar a seu filho que quando ele bater o pé e espernear, vai conseguir que você faça a vontade dele. “Mesmo se o que ele quiser não faça nenhuma diferença no seu orçamento, o importante é você pensar no valor do dinheiro para uma criança e como ela deve administrá-lo”, aconselha Patrícia.

 

 

O tenebroso mundo das “novas” festas infantis

Março 15, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://outraspalavras.net/ de 1 de março de 2016.

Gustavo Oliveira

Por Lais Fontenelle Pereira

Decoração clichê, babás em aventais, onipresença de games — tudo remete a consumo e desumanização em certos bufês. E é possível piorar: moda, em certas classes, é aniversário em limusine. Mas surgem, também, alternativas

Por Lais Fontenelle

Bolo, balão, brigadeiro, amigos, familiares e parabéns. Onde encontramos todas essas coisas? Em festas de aniversário, especialmente nas de crianças, é claro! Infelizmente essa afirmação já não é tão óbvia assim nos dias atuais, quando as festas, nas classes médias e elites, ganharam espaços e formatos bem singulares – na maioria das vezes inadequados para os pequenos e massificados pelo mercado.

Sem tempo de preparar as festas dos filhos com a devida atenção os pais, hoje, acabam recorrendo a um mercado extremamente rentável de festas infantis customizadas que fazem tudo sob medida para o aniversariante. Os preços começam de aproximadamente R$ 2,5 mil e chegam até a espantosa soma de R$15 mil, segundo reportagem do ano passado.

Comecei a refletir sobre esse fenômeno no final dos anos 90, por ocasião do boom das festas em bufês. Nelas, a única coisa que remete ao aniversariante e à infância é, muitas vezes, o convite com a assinatura da própria criança. Ao chegar, você se depara com um baú onde deve “depositar o presente ao homenageado” – é esse o verbo usado pela recepcionista que fica na entrada. Depositar o presente, sem se esquecer de anotar seu nome no embrulho, para a criança saber, quando chegar em casa e abrir seu baú cheio de presentes, muitos repetidos, quem foi o “ coleguinha remetente”. Aquela delícia de dar o presente, escolhido a dedo ou feito com as próprias mãos; e de receber, desembrulhar e agradecer parece estar fora de moda.

A festa se desenrola, na maioria das vezes, em horário e com músicas, comidinhas ou brincadeiras nada adequadas à faixa etária convidada. No decorrer da comemoração, o pequeno aniversariante é estimulado, incansavelmente, por animadores que a todo momento nos fazem lembrar que hoje é o seu dia – e não do personagem famoso, geralmente licenciado, estampado nos quatro cantos do salão tentando roubar a cena das crianças.

A decoração em geral não foge ao padrão princesas para as meninas e super heróis para os meninos – como dita Walt Disney. Enquanto isso os pais, aqueles que conseguiram acompanhar seus filhos, ficam geralmente tomando uma bebidinha e jogando conversa fora, num merecido momento de descontração. Mas quem acompanha as crianças nas festas são, muitas vezes, as ditas folguistas – as babás de fim de semana –, que formam um séquito de branco de olhos atentos nos pequenos

No fim da festa, a criança geralmente volta para casa exausta com tantos estímulos sonoros, visuais e gustativos, e um saco cheio de presentes, com uma ressalva para as famílias que pedem doações para crianças carentes no lugar de presentes ao homenageado. Ainda assim, somos levados a questionar o que foi celebrado ali: as conquistas de mais um ano de vida entre amigos e familiares – ou o consumo?

É claro que os bufês infantis foram se modernizando e ganharam novos conceitos que acompanham as tendências das classes mais favorecidas, tais como alimentação mais light, sucos verdes, brigadeiros gourmet, brinquedos mais orgânicos, brindes inovadores e decoração ligada à natureza. Contudo, a essência consumista não mudou em nada e segue impregnada nesse rentável modelo de negócios.

Festas das elites

Mas isso não é tudo. O ano de 2011 marcou o início das festas sobre rodas. Meninas entre 6 e 11 anos, das elites de grandes centros urbanos, começaram a cobiçar festas que acontecem dentro de limusines locadas, geralmente cor de rosa. As mães das pequenas “noivas” alugam esses veículos pelo valor aproximado de dois mil reais para festejar mais um ano da vida de seus filhas, confinadas no trânsito de grande metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo – ao som ensurdecedor de celebridades mirins e ao sabor de doces e refrigerantes.

Daniel carvalho

A festa pode esgotar-se ali mesmo – sem espaço para troca ou movimento –, mas muitas vezes prolonga-se com uma ida a um cabeleireiro ou spa infantil, onde as convidadas podem pintar as unhas, maquiar-se ou exibir penteados arrojados. Exercitam assim o consumismo, valores materialistas e a sexualidade precoce.

E os meninos, peças fundamentais no exercício da brincadeira, e amigos queridos da aniversariante? Ficam de fora, como manda o figurino e o sexismo – desde a mais tenra idade. O sucesso dessas festas foi tão grande que a moda se reinventou e hoje atinge o público adolescente e o adulto com as famosas Festbus, que acontecem dentro de ônibus – transformados num grande salão de festas com pista de dança itinerante.

Já no ano passado o maior hit das festas infantis foram as chamadas festas do pijama, antes reconhecidamente caseiras – quando um grupo seleto de amigos passava a noite na casa do aniversariante. Hoje, mercantilizadas e abocanhadas pelo mercado infantil, têm decoração personalizada, com brindes que podem ir de pijamas e cobertores até tendas ou sacos de dormir, feitos sob medida para os convidados. Estes, depois de passarem horas navegando individualmente em seus tablets, adormecem na casa do amigo e levam os “mimos” para casa.

O velho colchão de dobrar, guardado embaixo da cama ou em cima do armário da casa da vovó saiu de moda, assim como também ligar para mãe que está recebendo os amigos para saber como estão as crianças ou simplesmente agradecer o pernoite. A comunicação entre pais fica restrita a seus filhos via whatsapp, denunciando a perda do sentido de coletividade e comunidade. E quem entretém as crianças são geralmente animadores contratados, com atividades tipo guerra de travesseiro.

Em pouco tempo, este tipo de festa tornou-se a principal escolha de meninas entre 6 e 11 anos – como previu uma empresa carioca pioneira em festas para crianças que criou, inclusive, uma cartela de opções para o que chama de minisleep. Ideias para lá de “criativas” compõem o cardápio da empresa: festas de culinária, festas em sítios, focadas em futebol e onde mais sua imaginação e recursos financeiros puderem alcançar. Outra empresa focada nesse mercado inventa o que seu desejo mandar para a festa dos seus filhos, sem que você precise sequer sair de casa e desde, claro, que possa pagar por isso.

Vale dizer que até o singelo bolinho na escola ganhou novos contornos, estimulados pela própria instituição de ensino – que deveria ter o papel de fomentar outros valores e formas de homenagear o aniversariante. Hoje, o famoso “parabéns” em sala de aula pode ser acompanhado por uma roda de presentes, enviados pelas famílias para o “dono do dia”, que sai da escola com um saco de 15 presentes ou mais, sendo que, muitas vezes, nenhum tem a autoria do amigo. Presente feito coletivamente na escola, cantoria de músicas ou algo que o valha parecem valores esquecidos, numa sociedade que mercantilizou as datas comemorativas e tem ensinado às crianças que, para ser, é preciso ter.

Mudaram, portanto, os valores, e não apenas os locais das festas. O que é transmitido para as crianças quando seu aniversário é festejado dentro de salões de beleza ou limusines? O que elas vão querer na festa de quinze anos ou no dia do casamento? O que pensar de famílias que se endividam o ano inteiro para isso e que, quando a festa acaba, já querem saber da criança o que ela pretende ter na festa do ano que vem?”.

Cabe aos pais essa reflexão, numa tentativa de reinventar, criativamente, a comemoração do aniversário de seus filhos, de uma forma mais sustentável e que valha a pena rememorar no futuro. E, claro, às escolas cabe a reflexão sobre o lugar social que ocupam na vida dessas famílias – lugar que deveria ser de formação para cidadania e não de bufê infantil.

Mas, nem tudo está perdido. A tendência contrária são as comemorações ao ar livre, em parques, com a criançada correndo solta atrás da bola, entre as árvores. Foi reconfortante receber um convite da festa de aniversário do filho de amigos, feito pela própria criança. A comemoração foi no Jardim Botânico do Rio. Lá, tive a chance de entregar o presente na mão da criança e lanchar delícias feitas pelas tias e avós. Tudo muito original, com o lugar decorado por um grande mural de fotos dos momentos vividos no último ano pelo aniversariante e seus amigos, que ali estavam. No fim, o “dono do dia” carregava um saco não tão grande de presentes, mas um enorme sorriso no rosto. Ele pode partilhar, com pessoas importantes na sua vida, conquistas e atividades que ficarão na memória. E o brinde foi um cd, gravado pelo seu pai e ilustrado pelo irmão mais velho, com suas músicas preferidas. Isso, sim, merece ser festejado!

Lais Fontenelle Pereira, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e autora de livros infantis, é especialista no tema Criança, Consumo e Mídia. Ativista pelos direitos da criança frente às relações de consumo, é consultora do Instituto Alana, onde coordenou durante 6 anos as áreas de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo.

 

 

Adolescentes na era Instagram

Janeiro 14, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do site do El País de 4 de janeiro de 2015.

O estudo citado no artigo é o seguinte:

Jóvenes y valores (I). Un ensayo de tipologia

Jóvenes y valores (II). Los discursos

Samuel Sánchez

 

Se mueven entre el pasotismo y el consumismo. Acostumbrados a una vida de entretenimiento y de series, los jóvenes describen el presente como “ inestable e injusto”

Amelia Castilla

Su idea de una jornada ideal pasa por no acudir a clase, no madrugar, tener una tarjeta black (“pero sin corrupción”) y estar con los amigos y pasarlo bien. Lo cuentan entre risas y algo de rubor seis alumnos, de 17 años, del Instituto Severo Ochoa, en la localidad madrileña de Alcobendas. Chicos de clase media, la mayoría de padres divorciados y con problemas escolares, motivo por el que han sido derivados a Diversificación o al Programa de Cualificación Profesional Inicial Voluntaria, cursos para obtener la ESO con contenidos más bajos. Todos consideran a la familia como un valor fundamental. “La convivencia es buena aunque discutimos mucho. Me repite las cosas muchas veces y me rallo.Ella suele llevar razón pero a veces resulta pesada”, cuenta Daniel León Vargas, de 16. Su sueño sería irse con su novia a vivir a otra ciudad, quizás Nueva York.

Les mola mazo o les renta pero no se han chinado; viven en la keli y no les va el canteo. Estamos en el recreo, tres horas después de su llegada al centro escolar. Como el resto de sus compañeros entraron en tromba al patio, a las ocho de la mañana. Todavía quedaban unos segundos para una ojeada rápida a la pantalla del móvil y enviar un último WhatsApp. El centro escolar lo deja bien claro en los carteles pegados por las paredes. En clase están prohibidos los móviles, sobre todo para proteger a los profesores de filmaciones vejatorias que luego se cuelgan en Youtube. Para evitar conflictos los dejan sobre una mesa y se los devuelven a la salida. El castigo por usarlo en clase es una semana sin móvil. Los usan en los pasillos y los profes muchas veces hacen la vista gorda. Pillarlos con ellos en la mano supone un conflicto añadido y un enfrentamiento que conviene evitar. De los más de tres millones de adolescentes españoles (muchachos de edades comprendidas entre los 12 y los 17 años) un 84%, posee teléfono móvil para su uso personal, pagado por sus padres, según datos del Instituto de la Juventud, basados en una encuesta de 2012. El sondeo avisaba de la tendencia al alza. Duermen con el móvil y miran la pantalla al menos un centenar de veces al día. España se encuentra en la media de Unión Europea y en todos los estados miembros se comprueba el mismo ascenso y comportamiento. Igual que su relación con las redes sociales que ya ha acabado por generalizarse. Su uso es mayor cuanto menor es la edad. En poco más de tres años se ha pasado del 60% en 2009 al 90% en 2011.

Infantiles, consumistas, críticos, de moral relajada, acostumbrados a una vida de entretenimiento y de series, los adolescentes de la era Instagram ya no van tan a lo grande como sus hermanos mayores. En su playlist suena Nirvana, Arctic Monkeys, Red Hot Chili Peppers, Imagine Dragons, David Guetta y algo del peor reggaeton. Entre sus prioridades no figura cambiar el mundo pero sí su entorno. Son más individualistas que las generaciones que los han precedido. “Mis alumnos son muy de tripas, se mueven por instinto, pueden leer cualquier cosa sin necesidad de intelectualizar nada. En esos años, les afectan sobremanera las separaciones de los padres. Llevan una vida muy de entretenimiento; se ríen con programas como Adán y Eva, la exaltación de la estupidez supina, pero son clientes fieles de series como Homeland o Juego de tronos”, cuenta Victoria Menéndez, profesora de Lengua y de Inglés del Severo Ochoa. Lleva 25 años en la enseñanza y casi siempre con adolescentes. “Antes se rebelaban contra todo, ahora no necesitan pelear tanto como antaño. Disponen de un mundo propio que Internet y las redes sociales han contribuido a crear pero los veo muy positivos y honestos”.

Según el estudio Jóvenes y valores sociales, del Centro Reina Sofia, los adolescentes españoles han asumido que les tocará vivir una vida low cost. Han aceptado que deben revisar a la baja sus expectativas, fundamentalmente en relación con perspectivas o proyectos personales. Describen el presente como “incierto, inestable e injusto”. Se sienten engañados y desconfían del sistema. En general culpabilizan a las instituciones adultas —de las que no se sienten partícipes— pero focalizan su desconfianza especialmente en la política tradicional y en la figura del político profesional. Cada vez son más los que apuestan por actitudes de compromiso social y de cambio. El filósofo José Antonio Marina cree que los jóvenes del siglo XXI son conscientes de que se ha roto un pacto social implícito. “Antes la sociedad le decía al joven que si cumplía su alianza y se portaba bien la comunidad estaría en condiciones de responder pero eso se ha fracturado. Hemos ido a una época de impotencia confortable, en el sentido de decir, esto es lo que hay y me voy a ir acomodando para aprovechar lo que tengo, sin grandes esperanzas. Desde hace unos cuantos años, pensando que los estamos cuidando lo que estamos es condenándolos al desánimo, los mimamos para luego abandonarles”.

Adolescencia. Su uso se ha generalizado pero el concepto teen como tal tiene su origen, en los años cincuenta del siglo pasado. En todas las culturas existía un rito de paso, de final de la infancia a otra vida, pero se ha creado específicamente un espacio formativo que se remonta al final de la Segunda Guerra Mundial y que coincide con mejoras notables como la escolarización total y la llegada de los jóvenes al mundo del trabajo a partir de la mayoría de edad. En ese tiempo se han vertido ríos de tinta tratando de analizar la rebeldía adolescente, algo que básicamente no ha cambiado con el tiempo aunque ahora surjan nuevas teorías sobre esa etapa de la vida. En la adolescencia se desarrollan las grandes capacidades sentimentales e intelectuales. También la mayor parte de las adicciones nacen en esa etapa. Hasta ahora, muchos de los comportamientos escandalosos o un poco arriesgados lo atribuíamos a las pobres hormonas pero nuevas teorías proponen aprovechar esa etapa en lugar de malgastarla.

El talento de los adolescentes (Ariel), nuevo título de José Antonio Marina, anuncia el cambio de modelo que se está viendo en muchos países y por caminos distintos: “No se trata solo de un asunto sociológico y pedagógico, el cambio viene de la mano de la neurología. Hasta ahora, sabíamos que había un gran periodo de aprendizaje que era prácticamente donde se consolidaba todo y eso sigue siendo verdad, pero lo que no habíamos sospechado es que en la adolescencia se produce un rediseño completo del cerebro. Es como si la naturaleza hubiera preparado el cerebro primero para hacerse cargo de un mundo al que el pobre niño llega tremendamente despistado y luego lo vuelve a aprovechar para que se independice y se haga adulto. Es como atravesar dos etapas de enorme plasticidad”.

En el Severo Ochoa, los problemas los dan 25 alumnos de una plantilla de 1050, un porcentaje mínimo pero, como sucede en otros centros escolares, en torno a esos conflictos se articula la leyenda. “Se ha generalizado el mito de la crisis de la adolescencia, cosas como que de repente lo pasan muy mal, con angustia vital, seres imprevisibles e irresponsables y eso no es así, pero si lo repetimos un buen número de veces acabaremos por creerlo”, recalca Marina.

A mediodía, la puerta del instituto madrileño Beatriz Galindo, se transforma en una marea de sudaderas, deportivas, vaqueros y leggins. Solo unos pocos encienden ansiosos un pitillo antes de despedirse hasta el día siguiente. Julia y Clara Nolla, hermanas de 15 años, alumnas bilingües de cuarto de la ESO “odian” que le presenten el futuro que les espera como un mundo donde habrá más pobres y trabajos peor remunerados. “Necesito tener ideales, ya basta de amenazas. Entiendo que nos preparan para ser mayores pero estamos en nuestro derecho de soñar. Pienso en el mañana como algo lejano aunque, sinceramente, espero que se hayan resuelto los problemas económicos cuando sea mayor”, dice Clara. Las hermanas no se dejan llevar por la “yupi vida”. Clara toca el bajo en un grupo, saca buenas notas y no sabe bien lo que quiere ser de mayor, quizás psicóloga. Su hermana Julia comparte esa opinión sobre cómo los adultos tratan de contarles la vida a partir de su experiencia y, claro, ellas quieren vivir su “propia vida”. Ambas dieron un paso al frente cuando se debatía la reforma de la Ley del aborto que proponía el entonces Ministro de Justicia, Alberto Ruiz Gallardón. “Mucha gente se quedó en sofá pero pensamos que era el momento de hacer algo. Fuimos a las manifestaciones. Si se juega con nuestro futuro hay que intentar cambiarlo”, cuenta Julia. En el centro escolar disponen de una capilla pero ellas ni son creyentes ni han sido bautizadas. Les gusta que Religión sea una optativa.

El fin de semana, los que no juegan al fútbol salen a “a divertirse” con los amigos. Recalan en los parques cercanos, las boleras o los pubs. Evitan la violencia pero reconocen que en cualquier momento puede llegar un gamba con ganas de liarla. Basta un “¿y tú que miras?” desafiante para que las cosas se compliquen. De vez en cuando, puede caer alguna cerveza, pero no es lo habitual aunque ninguno niega que en su entorno se fuma (porros también) y se bebe alcohol con total naturalidad. Las encuestas más recientes del Instituto de la Juventud apuntan que un 55% puede llegar a casa a la hora que quiere y el 50,6% por ciento puede beber copas sin problemas. “La tolerancia con el alcohol es muy estúpida. No nos preocupa el botellón sino el efecto que produce entre los vecinos”, añade Marina. Sostiene que estamos importando el modelo nórdico: emborracharse cuanto antes consumiendo bebidas fuertes. “Hasta en esto estamos modificando la sana costumbre mediterránea de tomar bebidas suaves que acompañaban la conversación y la fiesta”.

A los alumnos de Victoria Menéndez no les gusta que la policía los trate como delincuentes “por sistema”, una queja que comparten algunos de sus alumnos. En ocasiones, protesta Jonatan Cueva, alumno de Diversificación, “estamos sentados en un banco hablando tranquilamente y los secretas nos piden que nos identifiquemos o que enseñemos las mochilas”. Las multas por beber pueden llegar a los 500 euros.

Virginia del Álamo, compañera de clase, toca en Bus Stop, un grupo de sonidos acústicos, que se foguea artísticamente en pequeños antros. El domingo visitó el Rastro madrileño en busca de banderas anarquistas y republicanas para decorar los locales de ensayo. Toca la guitarra, el bajo y la batería. Se lleva bien con sus padres aunque no le gusta que la fiscalicen o que su padre la llame al móvil cuando está con los amigos exigiendo que vuelva a casa “ya mismo”.

Su compañero, David Alcázar, de 17 años, quiere ser policía. Desde pequeño admira a los agentes que protegen a las mujeres maltratadas y le gustan los documentales de Policías en acción. Ni la profesora ni los alumnos soportan la imagen estigmatizada que se tiene de esta etapa de la vida que la RAE define como aquella en que se pasa de la niñez al desarrollo completo del organismo, lo cual influye en el carácter y en el modo de comportarse.

Hace 25 años, cuando Menéndez empezó a impartir clases, leía a sus alumnos Tiempo de silencio, algo impensable en la generación Instagram. “Ahora, no lo entenderían. Usan un lenguaje muy limitado y plagado de onomatopeyas. En clase solo se pueden leer fragmentos. Elegimos los más atractivos y asequibles”. Entre las lecturas recomendadas figuran La Celestina y el Mío Cid, pero algunos profesores, sobre todo si no dependen de grupos cerrados, prefieren iniciarlos en otras lecturas. Ha probado con textos tan dispares como las rimas de Bécquer y algunos fragmentos de Gomorra y ha triunfado: “¿Profe, dónde venden ese libro?”. Le importa un bledo lo que lean con tal de que lean.

Fernando J. López profesor de un grupo de teatro del instituto madrileño San Juan Bautista, en el que participan treinta alumnos de entre 14 y 18 años, comparte plenamente esa tesis. Se rebela ante lo que considera una aberración: “El sistema es mecanicista y eso no favorece la creatividad. ¿Cómo es posible que digamos que los adolescentes no leen en absoluto si luego se agotan determinadas lecturas? la cuestión no es que no leen, sino que no leen lo que nosotros queremos que lean”, dice. Como profesor y escritor, autor de La edad de la ira, un best seller juvenil y una novela de iniciación que narra desde dentro la vida en una escuela de un grupo de adolescentes, trata de ponerse en la piel de los chicos y ofrecerles textos que les puedan interesar para convencerles de que la literatura es fascinante. Su retrato de los jóvenes con los que trabaja a diario rebosa optimismo. “Viven en la edad en la que te formas como persona y trazas las relaciones con tu entorno. Adolescente es el que adolece de algo y ellos están llenos de ganas de hacer cosas, aunque, a veces, no sabemos conectar con eso. Los profesores y los padres marcan mucho, demandan pero no comunican. ¿Qué necesitamos de verdad? un lenguaje común”. A pesar de la edad del pavo o precisamente por ello en esos años se pueden generar vocaciones, intereses y aficiones. La idea de este escritor es que se combine la exigencia con el optimismo. “Los chicos de hoy además de las clases llevan a cabo actividades extra escolares. Son muy capaces”.

Todos conocen y se enorgullecen de Malala, la joven paquistaní de 17 años, que obtuvo en el año que acabó el jueves el Premio Nobel de la Paz. Sergio Gato, de 15 años, y Jaime Alba, de 14, alumnos de cuarto de la ESO en el colegio privado Ramón y Cajal, compaginan los estudios con la exploración de cosas nuevas. “Ya se pasó la época en que buscábamos el vértigo en el parque de atracciones, ahora tenemos un punto de vista diferente de las cosas”, apunta Gato. “Mucha gente piensa que somos vagos y solo estamos para nuestras cosas, que se resumen en jugar a la play y salir los viernes pero nosotros también estamos hartos de clichés”, añade Alba. Ambos han creado con el dinero de sus ahorros (900 euros) una firma de ropa, Kuone, que vende camisetas y sudaderas. Tienen planes de ampliación para el verano. En clase trabajan con el iPad y para la asignatura Iniciativa emprendedora, una hora semanal, diseñaron una web que facilita la comunicación para una parroquia del barrio de Caño Roto, surgido en los años 50 para acoger a los inmigrantes,

Todos los adolescentes consultados para este reportaje Darían una oportunidad a Podemos, aunque luego sean como los demás. Gato y Alba sostienen además que todos los partidos son malos y que hay que hacer una limpieza. Y vosotros con quién os quedáis: “Con el partido de en medio”.

 

 

Por que ser materialista faz você infeliz

Janeiro 6, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://www.psyciencia.com  de 26 de dezembro de 2014.

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Por qué ser materialista te hace infeliz

Por David Aparicio

es un reconocido psicólogo que durante los últimos años se ha dedicado a investigar los efectos del materialismo sobre nuestra conducta y bienestar. En la siguiente entrevista realizada por la Asociación Americana de Psicología (APA), Kasser nos explica por qué ser materialistas nos hace menos felices, cómo se diferencia con las compras compulsivas y el efecto de los medios sobre nuestros valores.

APA: ¿Qué significa ser materialista y por qué se considera algo negativo? ¿Por qué algunas personas son materialistas y otras no?

Kasser: Ser materialista significa tener valores que ponen relativamente en alta prioridad el tener muchas posesiones y hacer mucho dinero, así como también una buena imagen social y popular, que se expresan a través de las posesiones.

Creo que el materialismo es visto de forma negativa porque las personas pueden haber tenido experiencias desagradables con gente materialistas. Sabemos por las investigaciones que el materialismo se asocia con tratar a las personas de una manera competitiva, manipuladora, egoísta y menos empática. Tales comportamientos generalmente no son apreciados por las personas, a pesar de que es alentado por algunos aspectos de nuestro sistema económico capitalista. La investigación muestra dos conjuntos de factores que llevan a la gente a tener valores materialistas. En primer lugar, las personas son más materialista cuando están expuestas a los mensajes que sugieren que esas actividades son importantes, ya sea a través de sus padres y amigos, la sociedad o los medios de comunicación. En segundo lugar, y algo menos obvio, es que la gente es más materialista cuando se sienten inseguros o amenazados, ya sea debido al rechazo, miedos económicos o pensamientos acerca de su propia muerte.

APA: ¿Cómo han influido los medios de comunicación, especialmente las redes sociales, al materialismo en el mundo de hoy?

Kasser: Las investigaciones muestran que cuanto más la gente ve televisión, más materialistas son sus valores. Esto se da porque probablemente muchos programas de TV y anuncios publicitarios nos envían mensajes que sugieren que para ser felices hay que ser ricos, tener cosas bonitas y populares.

Un estudio que recientemente publiqué con el psicólogo Jean Twenge, rastreó cómo el materialismo ha cambiado en los estudiantes de secundaria de Estados Unidos, en unas cuantas décadas y cómo se conectan esos cambios con los gastos de publicidad nacional y se encontró que cuanto más se gastaba en publicidad, más materialistas eran los jóvenes del último año de secundaria.

Otro estudio sobre los adolescentes estadounidenses y árabes encontró que el materialismo se incrementa a medida que aumenta el uso de las redes sociales. Estos hallazgos sugieren que, así como el uso de la televisión se asocia con el incremento materialismo, también el uso de los medios sociales. Esto tiene sentido, ya que la mayoría de los mensajes en las redes sociales también contiene publicidad, porque esta es la manera en que esas empresas generan ingresos.

APA: ¿Cual es la diferencia entre ser extremadamente materialista y ser un comprador compulsivo? Una persona materialista, ¿tiene riesgo de convertirse en un comprador compulsivo?

Kasser: El materialismo se trata de los valores, el deseo por el dinero, las posesiones y similares. Por otro lado, el consumo compulsivo se da cuando una persona se siente incapaz de controlar el deseo de consumir, a menudo porque él o ella están tratando de llenar algún vacío o para superar la ansiedad.

El materialismo y el consumismo compulsivo están relacionados entre sí. En un reciente meta-análisis de la asociación entre el materialismo y el bienestar de las personas, se encontró que la correlación entre el materialismo de la gente y la media de problemas reportados por consumo compulsivo era fuerte y consistente a través de muchos estudios.

El materialismo es un factor de riesgo para el consumo compulsivo, pero no son la misma cosa. La psicóloga, Miriam Tatzel, sugiere que algunos materialistas son más ¨relajados¨ con su dinero y otros son más ¨rígidos¨. Ambos tipos se preocupan por tener dinero y posesiones, pero el materialista relajado va a gastar y gastar, mientras que el materialista rígido será como Scrooge e intentará seguir acumulando riquezas.

Pixabay

APA: ¿Cuáles podrían ser algunos de los aspectos positivos del materialismo?

Kasser:  Sabemos por la literatura, que el materialismo se asocia con menores niveles de bienestar, menos comportamiento pro-social interpersonal y con un comportamiento  ecológicamente destructivo y peores resultados académicos. También se asocia con más problemas de gasto y deuda. Desde mi punto de vista todos estos son resultados negativos. Pero desde el punto de vista del sistema económico/social que se basa en el gasto para impulsar los altos niveles de ganancias para las empresas, el crecimiento económico de la nación y de los ingresos fiscales para el gobierno, el consumo y el gasto excesivo relacionado con el materialismo puede ser visto como positivo.

APA: ¿Qué dicen las investigaciones psicológicas sobre la relación entre el materialismo y la felicidad?

Kasser: La conexión entre el materialismo y el bienestar es la cadena más antigua de la investigación sobre el materialismo. Mis colegas de la Universidad de Sussex y yo publicamos recientemente un meta-análisis que mostró que la relación negativa entre el materialismo y el bienestar fue consistente en todo tipo de medidas de materialismo, tipos de personas y culturas. Encontramos que entre más valores materialistas tenían las personas, más problemas de salud física tenían como: dolores de estómago y dolores de cabeza y experimentaron menos emociones agradables y se sintieron menos satisfechos con sus vidas.

La explicación más apoyada por la cual el bienestar es más bajo que el materialismo, es que las personas que anteponen el materialismo sobre su bienestar, tienen mayores necesidades psicológicas. En concreto, los valores materialistas están asociados con vivir una vida que hace un mal trabajo a la hora de satisfacer las necesidades psicológicas de sentirse libre, competente y conectado con los demás. Las personas reportan niveles más bajos de bienestar y felicidad y experimentan más angustia cuando sus necesidades de bienestar no son satisfechas.

APA: ¿De qué manera la fe religiosa afecta al materialismo, en particular durante las fiestas?

Kasser: Un par de estudios han encontrado que la relación negativa entre el materialismo y el bienestar es aún más fuerte en las personas que son religiosas. Probablemente porque hay un conflicto entre las actividades materialistas y las religiosas. Es decir, la investigación sobre cómo se organizan los valores de la gente ha demostrado que algunos objetivos son fáciles de perseguir simultáneamente, pero otros están en conflicto entre sí. Por ejemplo, es relativamente fácil fijarse metas para obtener dinero y al mismo tiempo fijarse metas para alcanzar una buena imagen y popularidad, ya que estas metas están relacionadas entre sí y se facilitan una a la otra. Sin embargo, las investigaciones muestran que hay un conflicto entre los objetivos materialistas y religiosos, así como Jesus, Mohammed, Buddha, Lao Tze y muchos otros pensadores religiosos han sugerido desde hace tiempo. Parece que tratar de alcanzar metas materialistas y espirituales hace que la gente entre en un conflicto que genera estrés y a su vez reduce su bienestar.

Un estudio encontró que este sistema también funciona durante navidad. El psicólogo Ken Sheldon y yo hicimos una investigación que demuestra que las personas se interesaron menos en los objetivos espirituales a medida que más se interesaban en objetivos materialistas como comprar y recibir. También encontramos que las personas que reportaron sus navidades como felices, fueron aquellas en las que la espiritualidad fue una parte importante de la navidad. En contraste las personas que reportaron menos bienestar durante la navidad fueron aquellas que estuvieron dominadas por aspectos materialistas.

Si te gustó este artículo, también podría interesarte: Materialismo, publicidad y baja satisfacción en niños.

La entrevista fue publicada en inglés y ha sido traducida y adaptada al español por David Aparicio y María Fernanda Alonso.

Fuente: APA Imagen: Pixabay

 

Como lidar com as expectativas das crianças no Natal

Dezembro 14, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site da http://www.portoeditora.pt

Porto editora

Paula Monteiro

Aproxima-se o Natal, uma das épocas mais bonitas do ano. Muitos pais esforçam-se para não dececionar os seus filhos, cheios de expectativas trazidas de Natais anteriores e da publicidade da época. Todos querem a oportunidade de ver as suas carinhas de satisfação ao abrirem os presentes.

Por diversas razões, muitos pais questionam-se: “Devo dar-lhe tantos presentes?”; “Será que eles conseguem valorizar os nossos esforços para lhes darmos isto?”; “Conseguirão pensar na sorte que têm em receber presentes (não importa quantos), enquanto outros pouco ou nada têm?”; ”Que impacte terá isto no seu desenvolvimento?”.
Todos os pais querem que os seus filhos sejam felizes, e um dos ingredientes indispensáveis é a capacidade de sentir gratidão. Receber presentes no Natal é uma excelente oportunidade para exercitar este sentimento: “Que bom, recebi o jogo que tanto queria!” Uma criança que não sinta gratidão ao receber presentes não é uma criança plenamente feliz. A simples curiosidade em saber o que está para lá do papel de embrulho dura muito pouco tempo, mas a felicidade dada por um brinquedo que se deseja, e a consciência de que alguém se lembrou dela, é duradoura. Isto é mais fácil de conseguir quando a criança recebe menos brinquedos, pois não se dispersa nem vulgariza o que recebeu. Ela tem de perceber porque é tão importante aquilo que tem. Outro ingrediente para ser feliz é a empatia. Se as pessoas à volta da criança estiverem felizes, ela também estará. O Natal é tempo de dar — por isso é que se recebe! Aproveite este Natal para desenvolver nos seus filhos noções como “ser feliz”, a gratidão e o cuidado com os outros. As sugestões que se seguem podem ser um bom começo:

1. Estabeleça um orçamento
Decida quanto vai gastar nas prendas de Natal ou quantos desejos vai satisfazer. Assim, se o seu filho pedir um presente muito acima do que pretende gastar, não tem de dizer que não tem dinheiro (esta frase baralha as crianças, porque continuam a ver os pais a comprar outras coisas usando o dinheiro que disseram não ter!). Basta dizerem que não têm orçamento para isso; ou seja, que o dinheiro que têm vai ser gasto de outra forma. São os pais que controlam a situação, não as circunstâncias nem a criança. Desta forma, os pais vão poder lidar melhor com a culpa de dar de mais ou de menos – a responsabilidade é do orçamento!

2. Peça-lhes uma lista
Peça-lhes que façam uma lista dos presentes que querem (p. ex., dez). Dessa lista, peça-lhes que escolham aqueles de que gostam mesmo muito (p. ex., cinco). E desses, peça-lhes que escolham o(s) presente(s) (de um a três) que gostariam mesmo de ter se só pudessem ter esse(s). A escolha pode ser difícil, mas escolher de entre os itens da sua lista desenvolverá a sua capacidade de escolha e trabalhará a sua resistência à frustração, se os pais enfatizarem que eles não terão todos os presentes da sua lista: só aqueles que querem mesmo! Se quiser reduzir o número de presentes relativamente ao ano anterior, deve fazê-lo de forma gradual; passar de trinta para dez pode ser dececionante de mais para poder exercitar gratidão. No entanto, se a situação familiar não o permitir, fale com os seus filhos antes do Natal e explique o que se passa, sem muitos pormenores: mostre que está a controlar tudo, para lhes dar segurança, e fale-lhes do orçamento que todos têm de seguir.

3. Exercite a empatia dando presentes
Existem muitas pessoas à volta das crianças que elas podem fazer mais felizes, algo que também contribui para a sua própria felicidade. As crianças podem ajudar a comprar um presente para um irmão ou um dos pais; este deve ser escolhido tendo em conta aquilo de que a outra pessoa poderá gostar. As crianças podem também oferecer brinquedos que já não usem a alguém em particular ou a instituições. No entanto, devem ser as crianças e não os pais a escolher que brinquedos oferecer. Serem elas a fazê-lo dá-lhes uma sensação de controlo, ajuda-as a lidar com a perda de forma inofensiva (de um brinquedo que já não usam) e permite-lhes experimentar a verdadeira generosidade, ao oferecerem algo a outra pessoa que parte de si quereria manter. Serem os pais a fazê-lo pode violar os limites da criança e retira-lhes a oportunidade de experimentar tudo isto.

4. Ponha o foco na família
Na noite de Natal, mantenha um ambiente agradável. É verdade que o momento da troca de presentes é especialmente valorizado pelas crianças; mas, nos próximos anos, elas irão lembrar-se melhor da atmosfera emocional daquela noite do que dos presentes que receberam.
Depois da euforia da troca de presentes, o Natal continua. No fim da noite, mostrem uns aos outros os presentes que receberam. Incentivem os vossos filhos a terem a atitude certa perante todos (“Que bom que tiveste isso!”, “Vais poder fazer isto ou aquilo com essa prenda!”). Por fim, reserve um último presente para ser aberto no fim da festa ou na manhã seguinte. Em minha casa, chamamos-lhe “o presente da família”: qualquer coisa que todos os membros recebem e partilham, que não é de ninguém em particular mas de todos (um jogo de tabuleiro, por exemplo) e que podem usar juntos.

A beleza da época natalícia não se resume às decorações, às músicas e aos presentes. Esta é uma boa altura para desenvolver nos filhos a gratidão, a generosidade e a empatia, competências de escolha, de tomada de decisão e de resistência à frustração. Mas, a par disto, é uma excelente oportunidade para reforçar os laços afetivos e a unidade familiar, pois uma família fortalecida cria adultos melhores e mais felizes.

 

Paula Monteiro – é psicóloga clínica, formada pela Universidade do Porto, coach em liderança e formadora. Desde há quinze anos que trabalha com famílias, no sentido de desenvolver estratégias para resolver problemas do dia a dia e reforçar os laços familiares. As suas intervenções incidem, também, em áreas como a orientação vocacional, a sobredotação, a terapia de casais, a escola de pais e a segurança infantil, na quais, por si, falam os resultados de um trabalho sério e aprofundado. Como oradora, tem participado em conferências e dado palestras em escolas e organismos privados por todo o país. É também mãe de quatro filhos jovens adultos.

 

 

APDC apela ao boicote às marcas que usam crianças indevidamente na publicidade

Junho 9, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site netconsumo  de 1 de junho de 2014.

A Associação Portuguesa de Direito de Consumo – apDC – une-se a uma só voz à Comissão da Criança e Consumo da instituição para apelar ao boicote a empresas e marcas que usam indevidamente crianças na sua publicidade.

“O recurso a crianças em conteúdos promocionais que não lhes são especificamente dirigidos é ilegal e indigno”, frisa Paulo Morais, presidente da Comissão.

A Associação Portuguesa do Direito do Consumo – apDC vem hoje, Dia Mundial da Criança, apelar à população para boicotar as marcas e empresas que recorrem às crianças na sua publicidade sem que os produtos publicitados sejam referentes à faixa etária infantil. Paulo Morais, professor universitário e presidente da Comissão da Criança & Consumo, reforça o apelo da apDC lembrando que “a utilização de crianças em anúncios publicitários só é legalmente permitida quando os produtos ou serviços têm uma conexão direta com aquela faixa etária.

” Vai neste sentido o código da publicidade ao afirmar expressamente que “os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação direta entre eles e o produto ou serviço veiculado”, como podem ser o caso de fraldas, brinquedos ou jogos.

O Comité Económico e Social Europeu defende precisamente, em recente parecer, que “a publicidade que se serve abusivamente de crianças para finalidades que nada têm a ver com assuntos que diretamente lhes respeitem, ofende a dignidade humana e atenta contra a sua integridade física e mental e deve ser banida”. “E, no entanto, a ilegalidade é regra”, frisa Paulo Morais. Exemplos não faltam.

O detergente “Fairy” é promovido como se fosse um brinquedo, o Continente apresenta-se como marca confiável, comparando a relação que mantém com os seus clientes com a vinculação entre um filho de tenra idade e a sua mãe. Insistem também nestas más práticas empresas e marcas como a EDP, o SKIP, a Coca-Cola ou a sociedade Ponto Verde, entre outros.

“Dada a impunidade com que atuam estas empresas e marcas e a inércia das autoridades, vimos apelar à população em geral a um boicote sistemático às empresas que utilizam crianças na sua publicidade a promover, de forma ilegal, produtos e serviços que em nada estão relacionados com a sua faixa etária”, destaca Paulo Morais.

 

 

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