Um em cada dez adolescentes sente-se triste todos os dias

Dezembro 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 16 de dezembro de 2019.

Conselho Nacional de Saúde fez uma radiografia da saúde mental no país e concluiu que faltam respostas e prevenção. Recomenda uma estratégia que envolva os vários setores, planeamento de recursos humanos e verbas que evitem a asfixia financeira nesta área.

Quase um em cada dez adolescentes portugueses diz sentir-se triste todos os dias e 5,9% tão tristes que não aguentam, 10% da população sofre de depressão e, em 2017, o suicídio foi responsável por 14 628 anos potenciais de vida perdidos. Na população mais velha, o risco aumenta e surgem as demências – Portugal é o quarto país da OCDE com mais casos. Faltam respostas no sistema de saúde, apoios aos cuidadores e prevenção, da gravidez à velhice.

O diagnóstico é traçado a partir de vários estudos no relatório Sem Mais Tempo a Perder – Saúde Mental em Portugal: um desafio para a próxima década, que esta segunda-feira é apresentado pelo Conselho Nacional de Saúde na Assembleia da República. Os autores alertam que uma estimativa subestimada dos custos com a doença mental no país aponta para 3,7% do PIB – 6,6 mil milhões de euros, repartidos pelas despesas com tratamentos, apoios sociais e absentismo. “Apesar da sua importância central no bem-estar dos indivíduos e impacto transversal na sociedade, não tem sido considerada uma prioridade a nível das políticas de saúde e das comunidades”, lê-se no documento. Quanto ao Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, prolongado até 2020, ficou aquém das expetativas. “Embora contenha objetivos concretos, o plano não teve o apoio político e os recursos financeiros necessários à sua implementação plena”.

São apresentadas oito recomendações para os próximos três anos, entre as quais a criação de uma estratégia nacional de promoção da saúde mental na população, “intersetorial e ao longo do ciclo de vida”, e o apelo para que sejam asseguradas verbas para cumprir as decisões do Governo nesta área e evitar “que a asfixia financeira impeça a sua concretização”.

Outra recomendação passa por um planeamento dos recursos humanos para a década, eliminando “assimetrias geográficas e escassez de profissionais”. É um dos temas analisados no relatório, que alerta para a concentração de psiquiatras na faixa litoral entre Lisboa e Porto e para o facto de só haver dois especialistas em psiquiatria de infância e da adolescência no Alentejo e apenas um no Algarve. A escassez é ainda maior em psicólogos, terapeutas e técnicos de serviço social, conclui o grupo de trabalho, que considera o elevado consumo de psicofármacos no país, sobretudo ansiolíticos, consequência destes constrangimentos. Os autores chamam ainda a atenção para a resposta insuficiente em cuidados continuados nesta área.

Parente pobre da saúde

Henrique Barros, presidente do CNS, explica que a escolha do tema para o relatório anual do organismo resultou do consenso de que as necessidades são grandes e a resposta ainda insuficiente, um atraso em parte histórico. “Lentamente, a nossa forma de olhar para os problemas de saúde mental foi-se alterando e hoje existe menos estigma, mas houve uma tradição de séculos de institucionalização e ostracização dos doentes, as pessoas eram postas de lado. Durante muito tempo não se falava do impacto e, tirando o suicídio, a doença mental não era vista como uma doença que matasse. Era um problema para a pessoa e para a família, mas não tinha a premência da doença mortal. Perdeu-se tempo e as respostas acabam por ser, ainda hoje, menos articuladas”, recorda.

Tornou-se, como muitas vezes se diz, o parente pobre da saúde e o rótulo ainda não foi ultrapassado, mesmo quando hoje se sabe que não faz sentido separar saúde mental e física. O objetivo da reflexão, explica Henrique Barros, é colocar o tema na agenda, chamar a atenção para as lacunas, mas também para a necessidade de juntar os diferentes setores à mesma mesa, da educação à segurança social e à saúde. “No séc. xxi, numa sociedade complexa, imaginar que os problemas da saúde se resolvem só na saúde ou a tratar doenças é a chave para o insucesso”, sublinha. “Percebemos que este tipo de sofrimento começa muito cedo e assume formas diferentes ao longo da vida, e por isso temos de dar mais atenção à saúde mental na gravidez, às crianças e ao bullying nas escolas, à forma como estamos nos locais de trabalho”.

E pensar a longo prazo na hora de investir em respostas e na promoção de saúde: “No fim desta década, a depressão será a primeira causa de anos de vida com qualidade perdidos. A questão é se poderemos evitar isto ou não. Com o envelhecimento, haverá um aumento das demências. Se sabemos que muita da carga de demência em Portugal é vascular, se nos alimentarmos de maneira diferente, se não fumarmos, se tratarmos a hipertensão arterial e se tivermos uma atividade física adequada, poderemos alterar as previsões”.

Crianças estão em maior risco de pobreza do que a população em geral

Dezembro 20, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 5 de dezembro de 2018.

Conselho Nacional de Saúde recomenda que Estado deve aumentar proteção social às crianças

As crianças em Portugal continuam a estar em maior risco de pobreza do que a população em geral pelo que deviam ser criados mecanismos para aumentar a sua proteção social, como se fez com os idosos, recomenda o Conselho Nacional de Saúde.

No relatório, o Conselho Nacional de Saúde dedica um capítulo à proteção social das crianças, vincando que, em Portugal, as crianças estão em maior risco de pobreza do que a população em geral.

“Nos últimos anos, registou-se um aumento das desigualdades no rendimento das crianças, sendo as crianças o grupo etário que está em maior risco de pobreza”, refere o documento.

Assim, os conselheiros do Governo recomendam que se criem mecanismos para aumentar a proteção social das crianças: “É necessário melhorar os mecanismos de proteção social das crianças, à semelhança do que ocorreu com os idosos, que viram, em 2009, a sua taxa de risco de pobreza ficar abaixo da observada na população em geral, fruto do complemento solidário para idosos”.

O Conselho Nacional considera que “os apoios sociais contribuíram para reduzir a pobreza nas crianças”, mas que ainda são “insuficientes para diminuir expressivamente o problema”.

Os dados de 2016 mostram que a taxa global de risco de pobreza, após transferências sociais, foi de 20,7% nas crianças (enquanto nos idosos foi de 18,3%). Os apoios contribuíram para uma redução da pobreza infantil em 8,3 pontos percentuais.

O relatório recorda que, entre 2008 e 2013, Portugal “foi dos países onde as crianças mais pobres mais se distanciaram da média de todas as crianças”.

“Em 2013, resultado da crise económica, apenas 57% das crianças entre os 0 e os 14 anos provinham de famílias em que todos os adultos estavam empregados. Em 2008, este valor era de 64%, tendo-se regressado a esta percentagem em 2014”, assinala o documento do Conselho Nacional de Saúde.

Escolas devem limitar acesso a alimentos menos saudáveis 

As escolas devem limitar o acesso a alimentos menos saudáveis, recomenda um relatório do Conselho Nacional de Saúde, que aponta deficiências no controlo dos alimentos dentro dos estabelecimentos de ensino.

“As escolas parecem não conseguir monitorizar eficazmente a oferta de alimentos que é feita nos seus bufetes e cantinas”, considera o relatório do Conselho Nacional de Saúde.

Assim, o Conselho recomenda que “o combate à obesidade infantil seja intensificado através de mais medidas de limitação do acesso e publicidade a produtos alimentares não saudáveis, nomadamente dentro dos estabelecimentos de ensino”.

No relatório “Gerações Mais Saudáveis”, que hoje vai ser apresentado, o Conselho Nacional de Saúde sublinha que “a maioria das escolas não cumpre a proporção” estabelecida entre géneros alimentícios a promover e géneros a limitar, que devia ser de três para um.

Citando um estudo realizado em 156 escolas públicas e em cinco privadas a nível nacional, o Conselho indica que só 1,3% respeitam aquela proporcionalidade.

Também as máquinas de venda automática nas escolas “continuam a conter alimentos” que deviam ser limitados e “muitas não são bloqueadas à hora de almoço”.

O documento, que hoje vai ser divulgado publicamente, refere ainda que “o Estado não desenvolveu nenhuma ação concertada que pudesse frenar a oferta de alimentos ricos em açúcar e gorduras saturadas”, apontando a “ausência de políticas reguladoras de publicidade a produtos alimentares nos meios de comunicação”.

Não está também regulada a localização de estabelecimentos de restauração que promovem produtos pouco saudáveis, acrescenta o Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do Governo que integra cerca de 30 entidades, entre elas várias ordens profissionais.

Os conselheiros do Governo lembram que “a prevalência da obesidade infantil permanece elevada em Portugal” e que as crianças e os jovens são alvo constante de estratégias de marketing e publicidade de alimentos.

É ainda recordado que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável previa que, até final deste ano, fosse publicada legislação para regular o marketing e a publicidade de alimentos dirigidos a crianças.

O Conselho Nacional de Saúde recorda alguns projetos positivos de promoção da alimentação saudável, como o regime de fruta escolar, que distribui fruta gratuita pelo menos duas vezes por semana a alunos do 1.º ciclo.

Contudo, o relatório assinala que há uma “tendência decrescente” no número de autarquias que tem aderido ao regime da fruta escolar ao longo dos anos.

Na área das fórmulas infantis para lactentes, o Conselho frisa que “Portugal não dispõe de legislação suficiente para conter e eliminar a promoção inapropriada de substitutos do leite materno”, sendo que a publicidade a estes produtos “não está regulada”.

 

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

 

Escolas devem limitar acesso a alimentos menos saudáveis – Conselho Nacional Saúde

Dezembro 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Sapo de 5 de dezembro de 2018.

As escolas devem limitar o acesso a alimentos menos saudáveis, recomenda um relatório do Conselho Nacional de Saúde, que aponta deficiências no controlo dos alimentos dentro dos estabelecimentos de ensino.

“As escolas parecem não conseguir monitorizar eficazmente a oferta de alimentos que é feita nos seus bufetes e cantinas”, considera o relatório do Conselho Nacional de Saúde, a que a agência Lusa teve acesso.

Assim, o Conselho recomenda que “o combate à obesidade infantil seja intensificado através de mais medidas de limitação do acesso e publicidade a produtos alimentares não saudáveis, nomadamente dentro dos estabelecimentos de ensino”.

No relatório “Gerações Mais Saudáveis”, que hoje vai ser apresentado, o Conselho Nacional de Saúde sublinha que “a maioria das escolas não cumpre a proporção” estabelecida entre géneros alimentícios a promover e géneros a limitar, que devia ser de três para um.

Citando um estudo realizado em 156 escolas públicas e em cinco privadas a nível nacional, o Conselho indica que só 1,3% respeitam aquela proporcionalidade.

Também as máquinas de venda automática nas escolas “continuam a conter alimentos” que deviam ser limitados e “muitas não são bloqueadas à hora de almoço”.

O documento, que hoje vai ser divulgado publicamente, refere ainda que “o Estado não desenvolveu nenhuma ação concertada que pudesse frenar a oferta de alimentos ricos em açúcar e gorduras saturadas”, apontando a “ausência de políticas reguladoras de publicidade a produtos alimentares nos meios de comunicação”.

Não está também regulada a localização de estabelecimentos de restauração que promovem produtos pouco saudáveis, acrescenta o Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do Governo que integra cerca de 30 entidades, entre elas várias ordens profissionais.

Os conselheiros do Governo lembram que “a prevalência da obesidade infantil permanece elevada em Portugal” e que as crianças e os jovens são alvo constante de estratégias de marketing e publicidade de alimentos.

É ainda recordado que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável previa que, até final deste ano, fosse publicada legislação para regular o marketing e a publicidade de alimentos dirigidos a crianças.

O Conselho Nacional de Saúde recorda alguns projetos positivos de promoção da alimentação saudável, como o regime de fruta escolar, que distribui fruta gratuita pelo menos duas vezes por semana a alunos do 1.º ciclo.

Contudo, o relatório assinala que há uma “tendência decrescente” no número de autarquias que tem aderido ao regime da fruta escolar ao longo dos anos.

Na área das fórmulas infantis para lactentes, o Conselho frisa que “Portugal não dispõe de legislação suficiente para conter e eliminar a promoção inapropriada de substitutos do leite materno”, sendo que a publicidade a estes produtos “não está regulada”.

ARP // PMC

Lusa/Fim

 

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

 

 

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal – estudo do CNS

Dezembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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O estudo Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal debruça-se sobre as políticas públicas de proteção e promoção da saúde das crianças e jovens, dos 0 aos 18 anos. Visa identificar políticas já existentes e verificar quais os determinantes da saúde que ainda carecem de algum tipo de abordagem e desenvolvimento e que podem constituir riscos acumulados ao longo da vida. E tece recomendações que permitam orientar linhas de ação estratégica para o desenvolvimento saudável deste grupo etário.

O estudo encontra-se em discussão pública até ao dia 3 de janeiro de 2019.

Todos os contributos poderão ser remetidos para o CNS, para o seguinte endereço de e-mail:
geral.cns@cns.min-saude.pt

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal [3.4 Mb]

 


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