Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Abril 30, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by sean Kong on Unsplash

Texto do site http://uptokids.pt/

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

 

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Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

‘Plano de ataque’ para crianças com falta de concentração

Fevereiro 25, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://activa.sapo.pt/ 8 de novembro de 2017.

Sentam-se à frente do livro e… nada. Daí a cinco minutos, não se lembram de patavina. Os pais inquietam-se, os professores desesperam. Mas são as crianças as mais perdidas nisto tudo.

Quase todos os pais se queixam do mesmo: “Ai o meu filho é tão cabeça no ar… Ele até podia ter boas notas, mas não consigo que se concentre.” Uma das causas da falta de concentração é óbvia: eles têm, basicamente, muito mais distrações do que nós tínhamos. “Recebem tanta informação visual desde que nascem que o seu cérebro não está preparado para a gestão de tantos estímulos”, explica a psicóloga Ana Manta, no livro ‘Filho, presta atenção’ (Clube do Autor). “De certa forma, podemos dizer que as estamos a ‘deixar loucas’. O mais natural é que a sua capacidade de concentração se disperse para dar atenção a tanta coisa, não conseguindo focar-se no mais básico.” Paralelamente, há a valorização de um conjunto de competências que não são as mais importantes para o desenvolvimento das crianças. “É mais importante uma criança saber respeitar as regras de um jogo do que saber escrever o nome dos familiares aos 4 anos.” Mas a maioria de nós valoriza sobretudo as competências ‘escolares’.

Ou seja, muitas vezes não é que a criança não esteja concentrada: ela está é concentrada noutras coisas. “O número de solicitações tem um lado positivo, que é a diversidade de experiências”, nota Vítor Cruz, técnico de reabilitação e desenvolvimento especial do SEI (Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem). “Mas se não for bem gerido arrisca-se a tomar conta de toda a vida da criança, que se perde em atividades muitas vezes sem interesse. Claro que este controlo é difícil de concretizar, mas é um dos desafios de hoje não só para os pais mas para a sociedade em geral, porque todos nós estamos a contribuir para que as crianças sejam mais superficiais e mais consumistas, para que se percam em coisas sem interesse. Está na nossa mão ajudar a travar isto.” E como? “Não é preciso nem desejável controlar tudo e estar sempre em cima, mas sim encontrar um equilíbrio através de horários e responsabilização da criança.”

Desconcentrado ou hiperativo?

Como distinguir se uma falta de concentração é ‘normal’ ou se há outros problemas por diagnosticar? Pode existir uma causa neurológica ligada ao défice de atenção. Mas saber se uma criança é hiperativa só se consegue com a ajuda de um técnico. “As crianças estão hoje mais agitadas, mas nem todas precisam de Ritalina [medicamento à base de metilfenidato usado para o Déficit de atenção e hiperatividade]”, afirma a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. “Esta agitação dos miúdos tem de ser contextualizada globalmente. Há hoje em dia uma insatisfação geral em que as pessoas julgam mais do que compreendem. Pensamos muito mais depressa e acabamos por desenvolver recursos motores para lidar com isto: há tantos estímulos visuais que o corpo tem de se mexer. É o caso daquelas pessoas que estão sentadas numa reunião mas não param de mexer o pé ou bater com a caneta na mesa. E as crianças também se tornam mais agitadas.”

Há uma lógica social por trás disto: a sociedade de consumo e de concorrência, em vez de nos orientar o cérebro para a paz, faz com que estejamos sempre na defensiva, ou seja, o cérebro é muito menos capaz de estar sossegado a aprender qualquer coisa.
E isto passa para os miúdos? “Claro que passa. Os miúdos têm de ter positivas à força, os professores têm cada vez mais alunos e portanto têm menos paciência, os pais pressionam, e tudo se conjuga para que se procurem as soluções mais fáceis, como a Ritalina. Que também não é nenhum papão, há casos em que de facto ajuda.”

A partir de quando é que a receita? “Eu costumo pedir uma análise aos neurotransmissores. Mas o mais importante, quando se toma uma droga, é que as pessoas sejam donas dos seus efeitos, ou seja, a toma de uma droga tem de ser feita com consciência. Todos percebemos se um medicamento nos está a ajudar ou não. Tenho colegas que medicam ‘para despachar’. Mas a hiperatividade não é uma doença, é um sintoma de que algo não está ajustado como deveria. É como a crise (risos). É fundamental que se saiba o que andamos a fazer e porquê.”

Aprender a ensinar melhor

Ora então, se o meu filho não é hiperativo, vamos saber que outras coisas podem estar a correr mal. Às vezes eles estão simplesmente… cansados. E desmotivados. Por volta dos 10 anos, a curiosidade da infância já foi destruída. “Na maior parte das vezes, estamos a ensinar à criança coisas que ela não quer aprender e que não percebe porque é que tem de aprender. É estar a remar contra a maré”, nota Vítor Cruz. “O esforço intelectual é muito desgastante, e além disso raramente este esforço é feito de maneira divertida e integrada no quotidiano. Se houvesse possibilidade de a criança aprender indo ao supermercado com os pais, lendo qualquer coisa para a mãe ou mesmo vendo televisão, em vez de sentada e quieta, a aprendizagem seria mais efetiva, porque o nosso cérebro aprende mais pela experiência do que passivamente. Essa aprendizagem não é uma perda de tempo. E não é por estar sentado duas horas com o manual de matemática que ele vai aprender efetivamente.”

Os TPCs exaustivos não ajudam. “Mas tudo pode ser discutido, podemos encontrar um consenso. Perpetuam-se muitos comportamentos só porque sempre foi assim, sem se pensar se estão ou não a ser efetivos. Mas há muitos professores abertos à mudança. Portanto, com boa vontade, até se pode chegar a um acordo.”

O que os pais podem fazer: em vez de os massacrar com mais aprendizagens sentadas, tirá-los de casa e tentar que haja mais atividades ao ar livre, por exemplo. “Aprende-se imenso a jogar à bola, que é a vida experienciada e não memorizada, mas nós não consideramos isso uma competência”, explica Vítor Cruz. “Aprende-se sempre mais pelo fazer do que pelo ouvir, temos de nos lembrar sempre disso e sempre que possível, incorporá-lo na vida da criança. Agora, quando a criança apenas faz mais do mesmo, que é ficar sentada à mesa, por um lado estamos a negligenciar a experiência corporal e a nossa ligação com o mundo, e por outro esquecemos o ditado ‘mente sã em corpo são’. Como podemos aprender se somos frágeis, temos pouco oxigénio e músculos pouco desenvolvidos?”

Menos telemóveis e mais recompensas

Lembra-se dos tais ‘muitos estímulos’ e da forma como se podiam controlar? Até podemos achar que isso dá muito trabalho: mas o importante é ir com calma.

“Fez-se um estudo em que algumas crianças foram privadas de ir à Internet durante um dia”, conta Vítor Cruz. “Tiveram comportamentos de medo, de insegurança e de privação. Depois, uns foram fazer os trabalhos, outros foram ler, outros procuraram outras atividades. Portanto, o facto de ter menos net, menos telemóveis, etc., obriga a procurar alternativas.” O segredo para isto funcionar: não ser radical. Se proibir a net durante a semana toda, isto não vai funcionar. Mas se o fizer durante duas horas, talvez eles encontrem mais com que se entreter.

Outra via, algo polémica, é a da recompensa: “Podemos dizer ‘se tu fizeres isto, tens aquilo’. Isto é estar a comprá-los? Não é: ficamos todos a ganhar. O prémio pode ser imediato, mas se ele aprender, é uma mais-valia para o futuro. Eles devem aprender apenas por aprender? Isso é muito bonito mas não faz sentido. Pense lá: quantos de nós trabalham sem serem pagos? Se nós não trabalhamos de graça, a criança também pode ser recompensada, e quanto mais novas são, maior a necessidade deste reforço imediato, para vincular a recompensa à ação.”
Se já a está a dizer ‘ai comigo ninguém fez isso’, tem muita razão. Mas também o mundo deles é muitíssimo diferente do que foi o nosso. “Se eu não conseguir colocar-me no lugar do meu filho, não vou perceber as dificuldades dele. Isto é um desafio tremendo. Assim como ensinar-lhes a eles a pôr-se no lugar dos outros. Valorizamos muito a inteligência escolar e muito pouco a emocional. Não só não nos preocupamos em que o nosso filho se torne uma ‘boa pessoa’ como até nos orgulhamos quando ele bate nos outros.”

Para resumir, eu tenho uma criança cabeça-no-ar. Qual é o plano de ataque imediato? “Perceber como é a vida dela, como ela se dá com os professores e os colegas, de que é que gosta mais, como aprende melhor, se precisa de ir dar uma volta antes de fazer os trabalhos ou prefere atacá-los logo. Perceber se há situações emocionais pontuais, uma mudança na escola, um problema em casa. E depois, ter calma e não a stressar como nós stressamos.”

Estamos a fazer demasiada pressão?

Será que a origem da falta de concentração deles é o nosso próprio stresse? “Às vezes, a nossa pressão sobre eles é que prejudica a concentração”, explica o técnico Vítor Cruz. “Eles estão tão conscientes das expectativas dos pais que desistem por vezes antes mesmo de tentar, porque têm medo à partida de não conseguir. Porque se alguém não faz qualquer coisa bem feita, não é porque não quer, não faz porque não sabe ou não consegue. Portanto, temos de descobrir a razão por trás disto.”

4 ideias Para Motivar

Segundo a Psicóloga Ana Manta, autora do livro ‘Filho, Presta Atenção’

1. Pôr um relógio de ponteiros na mesa dos trabalhos de casa, negociando um período de tempo para os fazer. Se terminar mais cedo, o resto do tempo é passado a praticar uma atividade de que a criança goste.

2. Ter tudo pronto para trabalhar: assim ela não tem de se levantar para ir buscar nada.

3. Criar um cartão em que os pais fazem uma rubrica de cada vez que os trabalhos forem feitos sem reclamar. Completado o cartão, ganham tempo para atividades com os pais.

4. Jogar jogos de tabuleiro com eles. É uma das melhores formas de treinar a concentração.

Smartphones e tablets prejudicam desenvolvimento intelectual e físico das crianças

Junho 10, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 30 de maio de 2017.

A utilização diária de aparelhos digitais aumenta o risco de distúrbios de concentração e hiperatividade, conclui um novo estudo realizado na Alemanha.

O uso excessivo de smartphones, computadores e tablets eleva o risco de hiperatividade e distúrbios de concentração em crianças e adolescentes, podendo afetar o desenvolvimento físico e intelectual dos menores, aponta uma investigação científica divulgada esta semana em Berlim.

No estudo “BLIKK”, 80 médicos entrevistaram 5.600 pais e filhos e concluíram que 70% das crianças alemãs com menos de seis anos usam smartphone ou tablet mais de meia hora por dia. Segundo a investigação, o risco de desenvolver distúrbios de concentração é seis vezes maior em crianças dos oito aos 13 anos que usam estes aparelhos mais de meia hora por dia, escreve a radiotelevisão alemã Deutsche Welle.

 

‘Plano de ataque’ para crianças com falta de concentração

Abril 3, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da http://activa.sapo.pt/ de 20 de março de 2017.

Sentam-se à frente do livro e… nada. Daí a cinco minutos, não se lembram de patavina. Os pais inquietam-se, os professores desesperam. Mas são as crianças as mais perdidas nisto tudo.

Quase todos os pais se queixam do mesmo: “Ai o meu filho é tão cabeça no ar… Ele até podia ter boas notas, mas não consigo que se concentre.” Uma das causas da falta de concentração é óbvia: eles têm, basicamente, muito mais distrações do que nós tínhamos. “Recebem tanta informação visual desde que nascem que o seu cérebro não está preparado para a gestão de tantos estímulos”, explica a psicóloga Ana Manta, no livro ‘Filho, presta atenção’ (Clube do Autor). “De certa forma, podemos dizer que as estamos a ‘deixar loucas’. O mais natural é que a sua capacidade de concentração se disperse para dar atenção a tanta coisa, não conseguindo focar-se no mais básico.” Paralelamente, há a valorização de um conjunto de competências que não são as mais importantes para o desenvolvimento das crianças. “É mais importante uma criança saber respeitar as regras de um jogo do que saber escrever o nome dos familiares aos 4 anos.” Mas a maioria de nós valoriza sobretudo as competências ‘escolares’.

Ou seja, muitas vezes não é que a criança não esteja concentrada: ela está é concentrada noutras coisas. “O número de solicitações tem um lado positivo, que é a diversidade de experiências”, nota Vítor Cruz, técnico de reabilitação e desenvolvimento especial do SEI (Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem). “Mas se não for bem gerido arrisca-se a tomar conta de toda a vida da criança, que se perde em atividades muitas vezes sem interesse. Claro que este controlo é difícil de concretizar, mas é um dos desafios de hoje não só para os pais mas para a sociedade em geral, porque todos nós estamos a contribuir para que as crianças sejam mais superficiais e mais consumistas, para que se percam em coisas sem interesse. Está na nossa mão ajudar a travar isto.” E como? “Não é preciso nem desejável controlar tudo e estar sempre em cima, mas sim encontrar um equilíbrio através de horários e responsabilização da criança.”

Desconcentrado ou hiperativo?

Como distinguir se uma falta de concentração é ‘normal’ ou se há outros problemas por diagnosticar? Pode existir uma causa neurológica ligada ao défice de atenção. Mas saber se uma criança é hiperativa só se consegue com a ajuda de um técnico. “As crianças estão hoje mais agitadas, mas nem todas precisam de Ritalina [medicamento à base de metilfenidato usado para o Déficit de atenção e hiperatividade]”, afirma a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. “Esta agitação dos miúdos tem de ser contextualizada globalmente. Há hoje em dia uma insatisfação geral em que as pessoas julgam mais do que compreendem. Pensamos muito mais depressa e acabamos por desenvolver recursos motores para lidar com isto: há tantos estímulos visuais que o corpo tem de se mexer. É o caso daquelas pessoas que estão sentadas numa reunião mas não param de mexer o pé ou bater com a caneta na mesa. E as crianças também se tornam mais agitadas.”

Há uma lógica social por trás disto: a sociedade de consumo e de concorrência, em vez de nos orientar o cérebro para a paz, faz com que estejamos sempre na defensiva, ou seja, o cérebro é muito menos capaz de estar sossegado a aprender qualquer coisa. E isto passa para os miúdos? “Claro que passa. Os miúdos têm de ter positivas à força, os professores têm cada vez mais alunos e portanto têm menos paciência, os pais pressionam, e tudo se conjuga para que se procurem as soluções mais fáceis, como a Ritalina. Que também não é nenhum papão, há casos em que de facto ajuda.”

A partir de quando é que a receita? “Eu costumo pedir uma análise aos neurotransmissores. Mas o mais importante, quando se toma uma droga, é que as pessoas sejam donas dos seus efeitos, ou seja, a toma de uma droga tem de ser feita com consciência. Todos percebemos se um medicamento nos está a ajudar ou não. Tenho colegas que medicam ‘para despachar’. Mas a hiperatividade não é uma doença, é um sintoma de que algo não está ajustado como deveria. É como a crise (risos). É fundamental que se saiba o que andamos a fazer e porquê.”

Aprender a ensinar melhor

Ora então, se o meu filho não é hiperativo, vamos saber que outras coisas podem estar a correr mal. Às vezes eles estão simplesmente… cansados. E desmotivados. Por volta dos 10 anos, a curiosidade da infância já foi destruída. “Na maior parte das vezes, estamos a ensinar à criança coisas que ela não quer aprender e que não percebe porque é que tem de aprender. É estar a remar contra a maré”, nota Vítor Cruz. “O esforço intelectual é muito desgastante, e além disso raramente este esforço é feito de maneira divertida e integrada no quotidiano. Se houvesse possibilidade de a criança aprender indo ao supermercado com os pais, lendo qualquer coisa para a mãe ou mesmo vendo televisão, em vez de sentada e quieta, a aprendizagem seria mais efetiva, porque o nosso cérebro aprende mais pela experiência do que passivamente. Essa aprendizagem não é uma perda de tempo. E não é por estar sentado duas horas com o manual de matemática que ele vai aprender efetivamente.”

Os TPCs exaustivos não ajudam. “Mas tudo pode ser discutido, podemos encontrar um consenso. Perpetuam-se muitos comportamentos só porque sempre foi assim, sem se pensar se estão ou não a ser efetivos. Mas há muitos professores abertos à mudança. Portanto, com boa vontade, até se pode chegar a um acordo.”

O que os pais podem fazer: em vez de os massacrar com mais aprendizagens sentadas, tirá-los de casa e tentar que haja mais atividades ao ar livre, por exemplo. “Aprende-se imenso a jogar à bola, que é a vida experienciada e não memorizada, mas nós não consideramos isso uma competência”, explica Vítor Cruz. “Aprende-se sempre mais pelo fazer do que pelo ouvir, temos de nos lembrar sempre disso e sempre que possível, incorporá-lo na vida da criança. Agora, quando a criança apenas faz mais do mesmo, que é ficar sentada à mesa, por um lado estamos a negligenciar a experiência corporal e a nossa ligação com o mundo, e por outro esquecemos o ditado ‘mente sã em corpo são’. Como podemos aprender se somos frágeis, temos pouco oxigénio e músculos pouco desenvolvidos?”

Menos telemóveis e mais recompensas

Lembra-se dos tais ‘muitos estímulos’ e da forma como se podiam controlar? Até podemos achar que isso dá muito trabalho: mas o importante é ir com calma.

“Fez-se um estudo em que algumas crianças foram privadas de ir à Internet durante um dia”, conta Vítor Cruz. “Tiveram comportamentos de medo, de insegurança e de privação. Depois, uns foram fazer os trabalhos, outros foram ler, outros procuraram outras atividades. Portanto, o facto de ter menos net, menos telemóveis, etc., obriga a procurar alternativas.” O segredo para isto funcionar: não ser radical. Se proibir a net durante a semana toda, isto não vai funcionar. Mas se o fizer durante duas horas, talvez eles encontrem mais com que se entreter.

Outra via, algo polémica, é a da recompensa: “Podemos dizer ‘se tu fizeres isto, tens aquilo’. Isto é estar a comprá-los? Não é: ficamos todos a ganhar. O prémio pode ser imediato, mas se ele aprender, é uma mais-valia para o futuro. Eles devem aprender apenas por aprender? Isso é muito bonito mas não faz sentido. Pense lá: quantos de nós trabalham sem serem pagos? Se nós não trabalhamos de graça, a criança também pode ser recompensada, e quanto mais novas são, maior a necessidade deste reforço imediato, para vincular a recompensa à ação.” Se já a está a dizer ‘ai comigo ninguém fez isso’, tem muita razão. Mas também o mundo deles é muitíssimo diferente do que foi o nosso. “Se eu não conseguir colocar-me no lugar do meu filho, não vou perceber as dificuldades dele. Isto é um desafio tremendo. Assim como ensinar-lhes a eles a pôr-se no lugar dos outros. Valorizamos muito a inteligência escolar e muito pouco a emocional. Não só não nos preocupamos em que o nosso filho se torne uma ‘boa pessoa’ como até nos orgulhamos quando ele bate nos outros.”

Para resumir, eu tenho uma criança cabeça-no-ar. Qual é o plano de ataque imediato? “Perceber como é a vida dela, como ela se dá com os professores e os colegas, de que é que gosta mais, como aprende melhor, se precisa de ir dar uma volta antes de fazer os trabalhos ou prefere atacá-los logo. Perceber se há situações emocionais pontuais, uma mudança na escola, um problema em casa. E depois, ter calma e não a stressar como nós stressamos.”

Estamos a fazer demasiada pressão?

Será que a origem da falta de concentração deles é o nosso próprio stresse? “Às vezes, a nossa pressão sobre eles é que prejudica a concentração”, explica o técnico Vítor Cruz. “Eles estão tão conscientes das expectativas dos pais que desistem por vezes antes mesmo de tentar, porque têm medo à partida de não conseguir. Porque se alguém não faz qualquer coisa bem feita, não é porque não quer, não faz porque não sabe ou não consegue. Portanto, temos de descobrir a razão por trás disto.”

4 ideias Para Motivar

Segundo a Psicóloga Ana Manta, autora do livro ‘Filho, Presta Atenção’

1. Pôr um relógio de ponteiros na mesa dos trabalhos de casa, negociando um período de tempo para os fazer. Se terminar mais cedo, o resto do tempo é passado a praticar uma atividade de que a criança goste.
2. Ter tudo pronto para trabalhar: assim ela não tem de se levantar para ir buscar nada.
3. Criar um cartão em que os pais fazem uma rubrica de cada vez que os trabalhos forem feitos sem reclamar. Completado o cartão, ganham tempo para atividades com os pais.
4. Jogar jogos de tabuleiro com eles. É uma das melhores formas de treinar a concentração.

 

 

 

10 razões para limitar a exposição dos menores de 12 anos a telemóveis, tablets e afins

Março 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 2 de março de 2017.

alexandre-bordalo

O pediatra Hugo Rodrigues comenta à VISÃO as 10 razões apresentadas por uma terapeuta ocupacional pediátrica americana para proibir a exposição às tecnologias a crianças menores de 12 anos

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadiana de Pediatria recomendam que crianças dos 0 aos 2 anos não sejam expostas a nenhuma tecnologia e que o seu uso seja limitado a uma hora por dia a crianças dos 3 aos 5 anos e a duas horas por dia a crianças dos 6 aos 18 anos.

Mas o que se passa na realidade é que a quantidade de tempo que as crianças passam à frente das tecnologias é muito maior do que é aconselhável e, com isso, estão a prejudicar seriamente a sua saúde. Quem o diz é Cris Rowan, uma terapeuta ocupacional pediátrica. Num artigo que escreve para o The Huffington Post, alerta todos os pais, professores e governos para a importância de regular o tempo dedicado às tecnologias.

Pedimos ao pediatra Hugo Rodrigues, que escreve para a Bolsa de Especialistas da VISÃO, um comentário às 10 razões apresentadas por Cris Rowan para banir o uso de tecnologias a menores de 12 anos.

  1. Crescimento cerebral impróprio

A exposição excessiva a tecnologias tem sido associada a um défice do funcionamento executivo cerebral e de atenção, a atrasos cognitivos, a uma aprendizagem debilitada, à diminuição da capacidade de autoregulação e ao aumento da impulsividade.

O desenvolvimento cerebral só termina depois dos 20 anos na maior parte das pessoas, pelo que todos os estímulos a que as crianças e adolescentes estão expostos podem condicionar esse desenvolvimento.

Relativamente à capacidade de atenção, os estímulos dos chamados “ecrãs” são múltiplos e curtos, o que não estimula corretamente o funcionamento executivo, a atenção e aprendizagem. Para além disso, a capacidade de visualização 3D e orientação viso-espacial (coordenação entre visão e orientação espacial) encontra-se comprometida nos ecrãs, pois a imagem tem apenas duas dimensões e não três.

A impulsividade e a auto-regulação podem ficar comprometidas na medida em que mesmo a socialização que se consegue através das tecnologias está sempre intermediada por um aparelho, o que diminui a capacidade de controlo pela sensação de proteção que provoca. A este facto acrescem ainda os conteúdos (vídeos e jogos, por exemplo) que muitas vezes aumentam a agressividade e a impulsividade.

Por fim, relativamente ao défice cognitivo parece-me uma afirmação um pouco exagerada, porque essa relação é extremamente controversa e difícil de provar.

  1. Atraso no desenvolvimento

Porque implicam pouco movimento, as tecnologias acabam por atrasar o desenvolvimento da criança, e, por consequência, ter um impacto negativo no seu desempenho académico.

O desenvolvimento motor encontra-se condicionado pela ausência de estimulação nesse sentido. Particularmente a motricidade fina, que é a área mais afetada. Não tem nada a ver montar um puzzle num tablet ou com peças reais! A orientação tridimensional é algo que só se consegue com peças verdadeiras… Outro exemplo são as formas 3D, que num ecrã não existem (a esfera e um círculo, o cubo um quadrado, …).

Também em termos de linguagem, o desenvolvimento se encontra afetado. A linguagem verbal e escassa na maior parte dos programas e aplicações é muitas vezes “maltratada”, com abreviaturas e ortografia sem regra. A linguagem não verbal não se aprende sem socialização, porque requer contacto face a face e nenhum ecrã o consegue.

  1. Obesidade

O uso da televisão e de jogos de vídeo está relacionado com um aumento da obesidade. As crianças que têm aparelhos tecnológicos nos quartos têm 30% maior incidência de obesidade.

Completamente de acordo. A obesidade é a epidemia do século XXI e o sedentarismo um dos seus principais fatores de risco. Para além disso, o contacto permanente com os aparelhos tecnológicos estimula também a prática de “snacking”, que é o consumo pouco regrado de alimentos pouco nutritivos e muito densos do ponto de vista calórico (por exemplo, bolachas, chocolates, batatas fritas, etc).

  1. Privação de sono

75% das crianças com 9/10 anos têm privação de sono, o que acaba por prejudicar negativamente o desempenho académico;

Também completamente de acordo. O sono é um aspeto fundamental do dia-a-dia das crianças e adolescentes e um dos pilares do seu desenvolvimento. Os ecrãs tem um efeito nocivo na quantidade e qualidade do sono, que tem obrigatoriamente que ser “combatido”.

  1. Doenças mentais

O uso exagerado de tecnologias é considerado um dos fatores responsáveis pelo crescimento das taxas de depressão infantil, ansiedade, defeitos de vinculação, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático da criança.

Esta relação é controversa, mas é verdade que o isolamento social e a dependência da tecnologia que se cria podem ter interferência no humor, levando a situações de ansiedade e depressão, por exemplo. Também os conteúdos dos programas e jogos pode moldar o comportamento nesta fase tão vulnerável, levando a comportamentos problemáticos.

Quanto a relação com autismo, psicoses e doenças bipolares, as tecnologias podem ajudar a que surjam episódios de descompensação, mas não atuar como causa dessas doenças.

  1. Agressividade

As crianças estão expostas, através dos media e das tecnologias, a agressão explícita, o que pode influenciá-las a ter um comportamento agressivo.

Completamente de acordo. O controlo de conteúdos tem que ser uma prioridade para todos os pais. As crianças aprendem por imitação, pelo que tem que se selecionar muito bem tudo a que elas têm acesso.

  1. Demência digital

Os conteúdos mediáticos de “alta velocidade” podem contribuir para um défice de atenção e para uma diminuição das capacidades de concentração e de memória.

Já expliquei um pouco no ponto 1. Apesar das crianças poderem ficar muito tempo ligadas às novas tecnologias, isso não significa que tenham uma grande capacidade de concentração. A questão é que os estímulos são muito curtos, o que faz com que, na verdade, elas não estejam muito tempo atentas, mas sim atentas durante pequenos períodos de tempo de cada vez.

  1. Vício em tecnologia

Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos 18 anos, é viciada em tecnologia.

Completamente de acordo. Este é um problema real, com o qual nós ainda não sabemos lidar adequadamente. Vai ser um enorme desafio nos próximos tempos porque se trata de uma verdadeira dependência em grande parte dos casos.

  1. Emissão de radiação

Em maio de 2011, a Organização Mundial da Saúde classificou os telemóveis e outros dispositivos sem fio com um risco de categoria 2B (possível carcinogénico), devido à emissão de radiação. As crianças são ainda mais vulneráveis a estes perigos.

Completamente de acordo. Hoje em dia vivemos completamente rodeados por radiações (Bluetooth, Wi-Fi) e muitas delas são ainda algo desconhecidas em termos de consequências para a saúde. O que é um facto é que existe a noção de que o número de casos de cancros em idade pediátrica estão a aumentar e tem obrigatoriamente que haver fatores ambientais que o justifiquem.

  1. Insustentável

A forma como as crianças são educadas não é sustentável. Não há futuro para as crianças que usam a tecnologia em excesso.

Acho demasiado negativo dizer que não há futuro. Cabe-nos a nós, adultos, fazer as escolhas certas para podermos ajudar as nossas crianças a serem adultos saudáveis, felizes e responsáveis. Para isso, é preciso usar sempre o bom-senso e tentar retirar das tecnologias o que podem ter de bom sem sofrermos o efeito negativo do seu (mau) uso.

Depoimento recolhido por Sara Soares

 

 

“Se os pais fazem várias coisas ao mesmo tempo, os filhos aprendem a fazer o mesmo”

Outubro 4, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 12 de setembro de 2016.

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Clara Soares

Jornalista e Psicóloga

No arranque de mais um ano letivo, a VISÃO foi ao encontro da mãe e psicóloga de desenvolvimento Ana Manta, que acaba de lançar o livro Filho, Presta Atenção! (Clube do Autor, 170 págs., €12,50), com dicas e propostas de atividades para fazer em família. A ideia consiste em divertir e treinar competências desde cedo, com uma finalidade simples: concentrar-se com gosto é possível e está ao alcance de todos.

Há década e meia que Ana Manta trabalha numa equipa de intervenção precoce, no centro de saúde de Valongo, onde acompanha crianças com necessidades especiais e miúdos com atrasos de desenvolvimento e problemas de comportamento, como impulsividade e dificuldades em focar-se. Por guardar boas recordações do seu regresso às aulas, ela quis transmitir esse gosto aos três filhos, com quatro, dez e doze anos, admitindo que se inspirou no mais novo para criar exercícios que promovam o treino da atenção, no contexto das rotinas familiares.

Pais e educadores queixam-se dos problemas de atenção das crianças. A ser um problema real, como se resolve?

Esta geração de adultos foi-se afastando-se dos jogos lúdicos que antigamente se cultivavam entre pais e filhos. Esse lugar passou a ser ocupado pelas tecnologias e manifesta-se, depois, nos tais problemas de concentração. Tenho a sensação de que os pais que acompanho se sentem um pouco perdidos, já que os gadgets ganham terreno, empobrecendo a relação. Em nossa casa estabelecemos pelo menos meia hora por dia para estarmos juntos sem tecnologia.

É por isso que investiu tempo a construir exercícios e jogos “à moda antiga”?

Sim, a maior parte dos exercícios que fiz para o livro tem por meta aproximar pais e filhos. A relação é a base do sucesso educativo. Os pais querem que os miúdos sejam bons alunos mas para isso é preciso investir primeiro numa relação de qualidade, que os torne seguros e confiantes e sem medo de arriscar.

O que é, e para que serve, o método Sebastião?

É um conjunto de jogos que tem por meta integrar emoções e sensações e treinar a concentração através dos cinco sentidos. A ideia é usá-los antes do primeiro ciclo, mas os mais velhos também gostam e participam ativamente. Integro isto nas rotinas deles, a seguir aos trabalhos de casa por exemplo, quase como uma recompensa. Sugiro que os pais façam isto duas vezes por semana ou ao fim-de-semana.

Fala da atenção seletiva e dividida ou multitasking. Como se treina a primeira?

As crianças aprendem por imitação. Se os pais fazem várias coisas ao mesmo tempo, os filhos aprendem a fazer o mesmo. Não é necessariamente mau, mas é importante que seja treinada a atenção seletiva, sobretudo as turmas são grandes e convidam à dispersão.

Qual a diferença entre dispersão da atenção e hiperatividade?

A hiperatividade é um diagnóstico clínico muito específico. Em caso de dúvida, os pais devem procurar uma avaliação objetiva, já que muitas crianças que têm o rótulo de hiperativas não o são. O que é frequente é fazerem como vêem os pais fazer. Eu mesma, dei por mim a parar e a pensar: “Calma, eles estão de olho em ti 24 horas por dia!” E comecei a modelar os meus comportamentos, a olhar para as tarefas e a geri-las por tentativa e erro, a experimentar. Parar, focar, refletir.

Por exemplo, os filhos viam-na a escrever o livro. O que lhes dizia?

Eles percebiam e respeitavam. Sabiam também que depois de eles irem dormir eu ficava a fazer o meu trabalho de casa! É importante eles saberem como organizamos o nosso tempo. Mostro-lhes a agenda, com as notas escritas, é um modelo de organização para eles.

Refere que durante as atividades que faz, a criança não deve sentir que está só. Isso acontece muito?

Sem conversar não se pode interpretar o mundo. Se a criança ficar entregue a baby sitters virtuais, seja o Baby TV, o iPad, o que for, não podemos esperar que consigam manter uma socialização saudável com adultos e outras crianças. Não pretendo por culpas em cima dos pais, antes lançar um alerta: parem e pensem no que estão a fazer, pois podem com isso estar a formar seres com dificuldades no relacionamento interpessoal. É preciso aprender a ouvir e a retirar o mais importante do que se ouviu.Noto que há muitas casas onde as pessoas quase não falam, está tudo na sua bolha e não se ouvem.

O que gostaria de recomendar aos pais no arranque deste ano letivo?

A partir do terceiro ou quarto ano do primeiro ciclo, invistam na planificação, percebam o que eles podem e querem atingir. Organizem metas por disciplinas e notas. Nas minhas consultas, chego a dizer aos pais que o objetivo pode não ser ter muito bom a tudo, haver uma disciplina em que o suficiente chega para um filho se sentir bem.

O que faz mais falta às crianças?

Elas precisam de limites e regras bem definidas e também do respeito dos pais. Eles devem apostar numa relação segura, de confiança e proximidade, que é a base de todas as outras que os filhos levam para a vida.

 

 

Alunos da Marinha Grande começam aulas em silêncio

Setembro 20, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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reportagem da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 7 de setembro de 2016.

mindup

visualizar o vídeo da reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2016-06-07-Alunos-da-Marinha-Grande-comecam-aulas-em-silencio

Na Marinha Grande há um agrupamento de escolas onde os alunos dos primeiros quatro anos de escolaridade começam cada dia de aulas com exercícios de respiração e concentração. Chama-se Projecto Mind Up e professores e alunos garantem que os resultados saltam à vista.

 mais informações nos links:

https://ebamieirinha.wordpress.com/2015/09/16/mind-up/

http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/EPIPSE/mindup.pdf

 


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