Crianças continuam com níveis baixos de iodo um ano após alerta

Julho 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 31 de maio de 2017.

Iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite

A investigadora e líder do projeto “IoGeneration” que há um ano revelou que um terço das crianças portuguesas apresentava níveis insuficientes de iodo, podendo assim comprometer o seu desenvolvimento cognitivo, lamenta que nada tenha sido feito desde então.

“Um ano depois de o alerta ter sido dado, pouco ou nada se avançou em termos de políticas de saúde”, afirmou a investigadora do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis).

Desenvolvido entre o final de 2015 e abril de 2016, o projeto “IoGeneration” permitiu analisar mais de 2000 crianças portuguesas, de 83 escolas do Norte de Portugal. Os resultados preliminares revelaram-se tão preocupantes que a equipa de investigação deu o alerta logo em março de 2016.

“Ficámos alarmados após analisarmos os dados preliminares, que já indicavam que mais de um terço das crianças teria níveis deficientes de iodo. Sabendo que a falta deste nutriente pode comprometer o coeficiente de inteligência (QI) em 15 pontos, sentimos a obrigação de alertar os decisores políticos e a sociedade o quanto antes”, explicou Conceição Calhau, que atualmente é também professora da Nova Medical School, em Lisboa.

Os resultados finais, publicados agora na revista científica internacional “Nutrients”, atestam que a equipa de investigação liderada pela especialista em Nutrição, do Cintesis, não se precipitou quando decidiu dar o alerta.

“Os dados finais mostram que 29% dos rapazes e 34% das raparigas entre os 6 e os 12 anos sofrem de carência de iodo”, sustentou Conceição Calhau.

Quando compararam as crianças por faixa etária, os investigadores concluíram que os mais pequenos (com 5 ou 6 anos) estão mais protegidos, sendo que “apenas 20% apresentava níveis baixos de iodo. Mas entre as crianças mais velhas (entre os 11 e os 12 anos), 39% têm os níveis de iodo comprometidos”.

Os pais das crianças avaliadas pela equipa de investigação foram também envolvidos no estudo, sendo que 68% confessou não saber o que era o sal iodado. Além disso, as 83 escolas que integraram o estudo não estavam a usar sal iodado, apesar da indicação, publicada em 2013, da Direção-Geral de Educação nesse sentido.

O iodo pode ser obtido através de alimentos de origem marinha, mas também está presente nos ovos, fígado e leite. Neste trabalho, ficou provado que as crianças que bebem dois ou mais copos de leite por dia se encontram mais protegidas contra o défice de iodo, por comparação às que consomem apenas um copo ou nenhum.

Ou seja, “existem outras formas de assegurar um aporte saudável de iodo, através da alimentação, mas em termos de saúde pública, a medida mais eficiente seria legislar no sentido de universalizar a iodização do sal”, sublinhou a investigadora.

Foi aliás neste sentido que deliberou um conjunto de representantes de entidades como a Direção-geral da Saúde e da Educação, da Ordem dos Nutricionistas, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e até de representantes do setor da restauração e da indústria, reunidos por iniciativa dos investigadores do Cintesis, já a 30 de março de 2016.

Na declaração de consenso que daí resultou e que foi apresentada pela equipa de investigação em dezembro do ano passado durante uma audição com a Comissão Parlamentar para a Saúde, pode ler-se que “é consensual a necessidade de implementação da utilização universal e obrigatória, através de legislação apropriada, de sal iodado em Portugal, devidamente compatibilizada com as medidas e recomendações de redução do consumo de sal”.

A necessidade diária de iodo situa-se entre as 90 a 150 microgramas, em função da idade da criança. Este micronutriente serve para manter em equilíbrio os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, desde a 15.ª semana de gestação do bebé.

 

 

Carência de iodo afeta mais de um terço das crianças no Grande Porto

Agosto 28, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 22 de agosto de 2016.

reuters

Joaquim Ferreira

37% das crianças entre os 6 e os 12 anos do Grande Porto revelaram carência de iodo, um nutriente considerado essencial para o desenvolvimento cognitivo.

A faculdade de Medicina da Universidade do Porto avaliou mais de duas mil crianças do norte do país durante seis meses. A percentagem de crianças afetadas no Grande Porto é de 37%.

A carência de iodo é um problema detetado há vários anos pelas autoridades de saúde. Em 2013, a Direção Geral de Educação recomendou a utilização de sal iodado em todas as cantinas escolares.

Os resultados da equipa de investigadores, liderada por Conceição Calhau, demonstram de forma clara que essa recomendação tem sido ignorada. “Das 83 escolas que entraram neste estudo nenhuma usava sal iodado nas cantinas. Foi mesmo zero”, adianta.

Este cenário, sublinha Conceição Calhau, é ainda agravado pelo desconhecimento das famílias: “Destas 2018 crianças a grande maioria dos pais, 68%, nem sabiam o que era sal iodado”.

A carência de iodo é um problema que não deve ser minimizado. Conceição Calhau lembra as implicações na capacidade de aprendizagem das crianças. “Isto é realmente preocupante e a Organização Mundial de Saúde vem dizendo que pode comprometer o QI em cerca de 15 pontos”.

Para ultrapassar o problema, a investigadora sugere uma lei que obrigue à iodização de todo o sal para consumo humano.

O jornalista Joaquim Ferreira entrevista a investigadora Conceição Calhau

mais informações na notícia da FMUP:

ESTUDO | Mais de um terço das crianças do Grande Porto apresentam carência de iodo

 

Quase um terço das crianças da região Norte têm falta de iodo

Abril 2, 2016 às 7:31 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de março de 2016.

Nuno Ferreira Santos

Sara Silva Alves

Estudo com crianças entre os seis e os 12 anos avalia a presença de iodo e o impacto da substância no seu desenvolvimento cognitivo.

Em média, 31% da população (825 crianças) avaliada num estudo sobre este micronutriente apresentou falta de iodo, enquanto 24% tinham níveis acima dos recomendados ou mesmo excessivos. Apenas 45% das crianças apresentam níveis adequados de iodo. Estes são alguns dos dados preliminares do estudo IoGeneration, que foi realizado por uma equipa de investigação da Universidade do Porto (UP) junto de crianças da região Norte e que serão apresentados nesta quarta-feira no âmbito do seminário Iodo e Saúde, a decorrer na reitoria da UP.

Numa investigação que analisou escolas do Norte de Portugal, os dados provisórios sobre a presença do iodo nas primeiras 825 crianças (de uma amostra final que será superior a duas mil) revelaram-se “preocupantes” e “reforçam a necessidade” de uma política de saúde atenta a este problema, defendeu Conceição Calhau, investigadora principal do estudo. Intervir e monitorizar são as palavras-chave, destaca.

Dividindo os resultados da amostra pelo primeiro e segundo ciclo, os resultados mostram que são as crianças mais velhas que apresentam maiores níveis de carência de iodo: 48% no segundo ciclo contra 24% no primeiro ciclo, uma diferença de 24 pontos percentuais, situação para a qual Conceição Calhau não encontra explicação. “Será que os padrões alimentares dos seis para os 12 anos sofrem alterações que o justificam? Não sei. Mas é possível!”, especula a investigadora.

A nível demográfico, Marco de Canaveses e Amarante foram os concelhos mais problemáticos, com 44,31% e 37,01% de insuficiência de iodo, respectivamente. Em sentido oposto, e com valores de iodo acima do recomendado ou até excessivo, encontram-se os concelhos de Mondim de Basto (34,78%), Felgueiras (30,56%) e Ribeira de Pena (25,38%).

Além da presença do iodo, foi também estudado o impacto desta substância no desempenho cognitivo das crianças. Os resultados aos testes de qui-quadrado de Pearson, através do qual se estabelece a relação entre os níveis de iodo e a capacidade intelectual nas crianças, não se relevaram significativos. Perante estes resultados, Conceição Calhau salienta uma das limitações do trabalho: o registo dos níveis de iodo e o teste cognitivo foram efectuados no mesmo momento, quando o ideal seria determinar o iodo na mãe ainda grávida e, posteriormente, avaliar o desempenho intelectual da criança.

Os autores do relatório recordam que o iodo é um “oligoelemento (micronutriente) necessário ao funcionamento do organismo, ao seu metabolismo, em múltiplas funções”. Por isso, a ausência da substância no organismo e necessidade de a incluir na dieta alimentar são “assuntos pertinentes”, pois a sua falta envolve graves problemas de saúde, como por exemplo na tiróide, e que se podem traduzir em problemas cognitivos e de crescimento. Nos casos mais graves, pode até originar doenças como o bócio.

Uma criança precisa, em média diária, de cerca de 90 a 150 microgramas, dependendo da sua idade. Há vários países que desenvolveram programas alimentares que visam suplementar o iodo. Em Portugal os dados relativos ao iodo são “escassos e dispersos”, concluem os investigadores.

Financiada pelo Programa de Iniciativas de Saúde Pública da EEAGrants (que conta com a contribuição financeira da Islândia, Liechenstein e Noruega), a sessão desta quarta-feira (das 9h às 16h30) é de entrada gratuita mas requer inscrição prévia.

http://iogeneration.pt/

 

 

 

 


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