IAC no Congresso do SICAD

Julho 11, 2018 às 3:50 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC marcou presença, no dia 27de junho, no III Congresso do SICAD- Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, que decorreu no Centro Cultural de Belém, entre 25 e 27 de junho de 2018.

O setor do Projecto Rua fez-se representar pela técnica Conceição Alves e pela sua Coordenadora Matilde Sirgado que esteve presente também enquanto membro da Direção, no dia dedicado aos 10 anos do FNAS- Fórum Nacional Álcool e Saúde, onde cada um dos parceiros deu a conhecer os seus compromissos com este fórum.

A ocasião serviu ainda para apresentar os novos membros do FNAS, onde se inclui o Instituto de Apoio à Criança, representado pelo Projecto Rua “Em Família para Crescer”, a par com o Programa Escolhas, a APORFEST, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o Centro de Estudos Judiciários, o Comité Olímpico Português, e a Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto.

Matilde Sirgado

Seminário “Tráfico de Seres Humanos: Intervenção com Vítimas”, com a presença de Conceição Alves do IAC, 23 maio em Lisboa

Maio 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Conceição Alves do IAC/Projecto Rua, irá participar na Mesa I “A Emergência de Crianças e Jovens-Alteração do panorama e adequação das respostas face ao TSH”.

mais informações sobre o seminário nos links:

https://www.facebook.com/campanhareservado/photos/gm.191971044756572/958080964361482/?type=3&theater

http://www.apf.pt/agenda/seminario-trafico-de-seres-humanos-intervencao-com-vitimas

Seminário: Tráfico de Seres Humanos e Mendicidade Forçada com a participação de Maria João Carmona e Conceição Alves do IAC

Julho 10, 2015 às 11:19 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Conceição Alves e a Drª Maria João Carmona do  IAC/Projecto Rua, irão participar no seminário como relatoras do Workshop 2 “Acolhimento e integração de crianças sinalizadas como vítimas de TSH”.

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Entrada gratuita com inscrição obrigatória até 13 de julho

mais informações:

http://www.eapn.pt/agenda_visualizar.php?ID=856

Chegava à escola e partia os dentes ao primeiro que me olhava de lado

Maio 29, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 27 de Maio de 2012.

 

Há muito que o Instituto de Apoio à Criança trabalha com pequenos delinquentes e jovens com anos de abandono escolar. Mas “a realidade é cada vez mais pesada”. E no final do ano passado, reviu-se a estratégia.

Como ensinar quem está obrigado pelo tribunal a aprender a recusar a violência e a não ser violento?

Chegava à escola e partia os dentes ao primeiro que me olhava de lado

Meninos na rua sem rei nem roque

Maio 7, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 29 de Abril de 2012.

A Drª Matilde Sirgado (Coordenadora do sector IAC/Projecto Rua) do Instituto de Apoio à Criança e a Drª Conceição Alves (Responsável da Equipa do Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil Zona Centro do IAC/Projecto Rua ) são entrevistadas na notícia.

Ainda há crianças de rua em Portugal. A maioria não dorme ao relento mas sobrevive fora de casa. Internet aumentou fugas.

Por : Marta Martins Silva

Há uma Lisboa imprópria para crianças. Ruas esconsas sem luz, gritos que ecoam na noite e se voltam a perder, miséria, tráfico e indiferença dos que passam e dos que ficam. As crianças de rua não são um exclusivo do passado de um Portugal diferente. São hoje também os filhos dos pais trabalhadores, de casas com várias assoalhadas, alunos de escolas e frequentadores de centros comerciais e discotecas que fogem e não querem ser encontrados.

Os ursos desenhados nos lençóis que cobrem o colchão furado têm as cores esbatidas pela rua. Se naquele beco perdido dorme alguma criança não é ali que está minutos antes das sete da noite, mas aquela cama improvisada está seguramente à espera de alguém que vive no meio dos restos que quem passa de dia deixa. Há uma Lisboa imprópria que muitas crianças conhecem, um lado B da capital. Não são as mesmas que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) encontrava na Baixa, Restauradores e na praça da Figueira à data da criação do Projecto Rua, em 1989, que snifavam cola e dormiam tapadas por cartões, enroladas em jornais, nas grelhas do metro para se conseguirem aquecer, corpos unidos pela mesma miséria, mas ainda existem. São é diferentes.

MENORES EM RISCO

Hoje, as crianças que sobreviveram à dureza da rua na década de noventa são adultas. Os miúdos que o Instituto presidido por Manuela Eanes apoia em 2012 são em quase tudo diferentes dos de então. Já não vêm à procura de alimento na cidade porque dela fazem parte, e “já não são, como eram, desprovidos de qualquer apoio familiar. Antes vinham de famílias pobres e alargadas, saíam do bairro de origem e vinham à procura de qualquer coisa diferente. Em grupos, com vizinhos ou irmãos mais velhos”, explica Matilde Sirgado, coordenadora do Projecto Rua. Deram lugar a outras.

Rita tem 13 anos e fugiu sozinha. Vive com a mãe num apartamento, é filha única. O pai ganha a vida no estrangeiro, só lhe escreve no Natal. Foi apanhada a roubar roupa para ir a uma festa porque a mãe lhe negou o dinheiro para o top com que queria arrasar na pista. Ainda não tinha recebido o ordenado e pediu que esperasse o fim do mês.

A equipa do IAC começa a procura na av. Almirante Reis. No bolso têm uma fotografia de Rita. Durante uma boa parte da noite, com a cidade despida das gentes que circulam de dia, vão observar cada rosto na esperança de a encontrar.

É dia de giro nocturno – de quinze em quinze dias dois técnicos procuram, a pé e de carrinha, as crianças que vagueiam pela cidade e a agenda está preenchida de desaparecimentos. Um telefonema trava o passo dos técnicos, Sandra e Carlos. “A Rita apareceu em casa da avó”, informa a mãe. A equipa concentra-se então em Mariana, 16 anos, outra foto no bolso do quispo de Sandra. Tem olhos escuros, cabelo ondulado e pode estar em qualquer lado.

As crianças de hoje já não se distinguem da multidão como as do passado. Vestem igual aos miúdos que se encontram nas escolas e nos centros comerciais porque a moda se democratizou. E porque já não vêm necessariamente de famílias pobres. “Antigamente havia uma característica que nos despertava logo, que era a forma desadequada como vestiam face às estações do ano. Podia estar frio e chuva que eles estavam de t-shirt e descalços”, continua Matilde Sirgado.

Nos últimos anos, “o número de crianças que dormia na rua diminuiu, mas hoje há mais crianças que vivem na rua – mesmo que nela não durmam – em horários em que os pais, ocupados a trabalhar, pensam que estão seguras em casa”.

A revolução nos transportes e nos meios de comunicação “tiveram um reverso da medalha. Os miúdos agora utilizam telemóveis para comunicar, circulam com facilidade, já não temos focos onde os encontrar, movimentam-se pelo País inteiro. E ainda conseguem – através da internet – provocar um fenómeno mais difícil de controlar: as fugas atrás de namoros virtuais. Estão mais expostos e mais inseguros do que quando andavam apenas na rua”. São as crianças invisíveis. “Através das janelas do nosso carro e da nossa casa passam por nós mas não as conseguimos ver, porque são todas iguais. Agora temos fugas de todos os estratos sociais.”

É o caso de António, 15 anos, em fuga de casa há meses. Ao IAC disseram que estaciona carros para sobreviver, mas não está no sítio esperado esta noite. E de Joana, que ficou doente depois de dias a dormir ao relento – foi ao hospital e, através da identificação, a polícia descobriu-a. Foi devolvida à instituição, mas voltou a desaparecer.

“Dormem na rua e só vão para os albergues se estiver muito frio e a chover, ou para pensões de cinco euros por noite quando se organizam em conjunto para pagar um quarto. Orientam-se a nível de comida por causa das carrinhas, que também dão calçado e roupa e ainda fazem cortes de cabelo. Tomam banho nos balneários públicos, vão sobrevivendo assim”, explica Sandra, técnica do Projecto Rua. A maioria tem entre 16 e 18 anos, algo falhou com eles algures a meio do caminho.

São 20h00 e de Mariana nem sinal. O telefone toca. É a mãe de Rita. “Tomou banho, comeu e voltou a sair”. É a terceira vez que foge. “Quer fazer tudo à maneira dela, entra em conflito.”

A HISTÓRIA DE RUI

A noite continua a pé. Entra pelos sítios menos óbvios, zonas sem gente ou com má fama.

Junto ao Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, param as carrinhas que distribuem comida sem condenar a escolha dos que estendem a mão a um prato de sopa quente.

Rui, que fugiu de um colégio onde cumpria pena por carjacking, está na fila. Sandra reconhece-o, apesar de “tão mais magro”. Diz que arranjou um “sítio fixe” para dormir na rua. Alimenta-se graças às tais carrinhas e aos peixes que apanha numa zona da cidade com vista para o Tejo. ‘Ajudamos-te a falar com a directora, vão-te agravar a pena se não vieres’ explica-lhe Sandra. Rui não quer, abana a cabeça. ‘Vamos-te visitar, não ficas sozinho’. Nem assim. ‘Está frio e chuva, ficas doente. Vem connosco’. Mas Rui prefere sobreviver às leis da rua do que às regras do colégio. Na mochila tem uma muda de roupa para trocar quando é reconhecido. Escapa-se por entre os dedos dos que o procuram tão depressa como apareceu.

PROSTITUIÇÃO NO PARQUE

São 23h00 e a equipa desvia-se para outra zona da cidade. Testam estratégias em busca das crianças que vivem como adultos no meio do perigo. De carrinha rapidamente se chega à zona do Técnico, velha conhecida da prostituição. As mulheres que ali sobrevivem do corpo entreolham-se à passagem do Projecto Rua mas nenhuma é menor. Pelo contrário, na rua da Artilharia 1 está uma menina de vermelho, à espera de um carro onde entrar. O tempo da carrinha dar a volta é o que demora a que a levem.

“As crianças de rua de hoje já não andam a recolher lixo como estratégia de sobrevivência, ou a vender objectos, mas houve problemas que se agravaram: o trabalho infantil, a exploração sexual, a monopolização para tráfico de droga e redes de mendicidade”, explica Matilde. O cenário ganhou em complexidade o que perdeu em número.

“Antes eram os miúdos dos bairros que faziam disparates, agora são também os da mamã e do papá. Antigamente havia uma rede nas casas de banho do Rossio, faziam sexo, agora já não é assim”. Hoje é “num grande centro comercial em Benfica que existem imensos esquemas de prostituição masculina. No do Chiado também comunicam, por sinais. Parece que nada se passa, mas as coisas acontecem ali, à vista de todos. Antigamente era mais linear”, considera Conceição Alves, do Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil – Zona Centro.

A paragem seguinte é o Parque Eduardo VII. É quase 01h00. Nos últimos giros os técnicos não encontraram ali nenhuma situação de risco – “depois do escândalo Casa Pia ficou vazio” –, mas esta noite é diferente. Não é difícil reparar no rapaz franzino.

“Este é menor”, aponta Sandra. A carrinha pára ao lado de Francisco. Não tem sinais de barba, uma penugem que seja. Que idade tens? ‘Dezoito’, responde. ‘Eu sei que não parece,’ acrescenta. Com uma lucidez e uma crueza na voz que impressionam, adianta-se: ‘Não tenho hipótese. Tenho de arranjar 125 euros para pagar o quarto, senão sou expulso e fico na rua’.

Sandra diz que o podem levar, não tem de se sujeitar à venda do corpo miúdo, aos perigos que espreitam nas sombras. Francisco conta que morava com a mãe e o padrasto, mas ‘correu mal’. Diz também que não gosta ‘disto’, do Parque e dos homens que o procuram. ‘Não é o que me agrada fazer, mas tenho de me sustentar’.

Os técnicos falam-lhe dos perigos, perguntam se está bem agasalhado no meio daquela noite que ameaça chuva. Explicam que o ajudam a procurar um emprego ou formação com bolsa. ‘Tens a vida toda à tua frente, não fiques’, dizem. ‘Mas eu faço 60 a 80 euros por noite aqui, tenho de ficar’. Sandra estende-lhe o contacto do IAC. Mais à frente, num grupo de rapazes alinhados todos, sem excepção, respondem à idade da mesma forma: ‘Sei que pareço mais novo, mas tenho 18 anos’.

UM MÊS DEPOIS

Um mês depois do encontro com Rui no Cais do Sodré voltamos à rua. Francisco não contactou o centro, mas Mariana e Rita já estão em casa, ainda que as coisas estejam longe de estar bem. Os técnicos continuam a acompanhá-las.

Mas os casos continuam a nascer. Clara, 15 anos, estará a prostituir-se num bar. Teresa fugiu do colégio interno. Suspeita-se que viva com um jovem que explora menores para prostituição. São 22h00. Meia hora depois, o destino do IAC é uma feira popular improvisada em Santos. Nos carrinhos de choque julgam ver Daniela, outra desaparecida. Saltam para dentro do recinto, mas logo a miúda se perde no meio da profusão de cores, da velocidade e da agitação própria da feira. São todos miúdos, invisíveis numa Lisboa imprópria para crianças, mas que conhecem como ninguém. E passam por nós sem percebermos quem são.

POBREZA ECONÓMICA DEU LUGAR A “UMA POBREZA DE VALORES”

No início dos anos 90 o IAC instalou-se em alguns dos bairros mais problemáticos de Lisboa. “Alguns dos meninos diziam: ‘eu queria voltar para a minha casa se a minha mãe não fosse prostituta, se o meu padrasto não estivesse lá’, ou seja, era importante ir à raiz dos problemas”.

Também nessa altura criou “uma residência de transição para as crianças que já queriam sair da rua, mas cujos pais ainda não estavam preparados para as receber”. Dez anos depois, o IAC voltou a adaptar-se. “O fenómeno das crianças em perigo deixou de estar tão intimamente ligado à questão da pobreza económica, mas começou a ter uma vertente de ‘pobreza de valores’,” explica Matilde.

NOTAS

FLAGELO

Portugal foi o primeiro país da União Europeia a assumir que tinha crianças de rua.

ACÇÃO

Na primeira fase do Projecto Rua, com início em 1989, IAC retirou da rua 600 crianças.

LINHA

Em parceria com SOS Criança, ajuda a localizar crianças desaparecidas ou em risco. Linha: 116 000 (número gratuito).

 


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