Estudo confirma uma geração cada vez mais dependente da tecnologia

Fevereiro 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.mais-psi.com de 21 de janeiro de 2016.

maispsi

Um estudo recente do Instituto de Psicologia Aplicada (ISPA), em que foram inquiridos jovens portugueses até aos 25 anos, mostra que 70% apresentam sinais de dependência do mundo digital, em que 13% são casos graves, podendo implicar isolamento ou comportamentos violentos e que obrigam a um tratamento. Este estudo foi coordenado pela investigadora Ivone Patrão e confirma os sinais de uma geração cada vez mais dependente da tecnologia. Como exemplo, é relatado o caso de um rapaz que afirma que os seus amigos ficariam zangados caso ele não respondesse rapidamente às mensagens mesmo no horário em que deveria estar a dormir. Assim, este fenómeno pode mesmo conduzir a situações limites em que é posto em causa o bem-estar físico da pessoa.

Um outro estudo de 2014, conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA), no âmbito do projeto Net Children Go Mobile, mostra que mais de metade das raparigas (55%) referem usar todos os dias o smartphone, contra 44% dos rapazes. Há também uma evidência do uso excessivo no início da adolescência (11-12 anos) decrescendo no grupo intermédio (13-14 anos), para voltar a subir nos adolescentes mais velhos (15-16 anos).

Este estudo compara ainda a utilização do smartphone com outros países europeus. Constata-se que os adolescentes portugueses apresentam um valor de uso excessivo do smartphone (57%) que é superior à média europeia (48%), aparecendo o Reino Unido no topo (65%). A maioria dos adolescentes portugueses sente a necessidade de verificar o telemóvel sem razão aparente e ficam aborrecidos quando não podem usar o telemóvel por ficarem sem bateria ou sem rede. Cerca de um quinto afirmam mesmo estar menos tempo do que deviam com a família, os amigos ou a realizar as tarefas escolares, confirmando a importância do telemóvel em detrimento de outras formas de relacionamentos ou atividades.

E nos outros Países?

Um estudo coordenado por Ana Paula Correia, professora associada na Faculdade de Educação da Universidade Estatal de Iowa, Estados Unidos, publicado em agosto de 2015 na revista “Computers in Human Behavior”. Esse estudo permitiu identificar quatro características da nomofobia, ou seja, da ansiedade de separação do smartphone:

  • Não consegue comunicar. A pessoa sente-se insegura porque não pode ligar ou enviar SMS para a sua família e amigos.
  • Ausência de conectividade. A pessoa sente que está desligada da sua identidade no mundo digital.
  • Não consegue aceder à informação. A pessoa sente-se desconfortável quando não consegue, por exemplo, obter respostas às suas perguntas no Google.
  • Ausência de conveniência. A pessoa fica irritada porque não consegue terminar as suas tarefas, tais como realizar uma compra online.

Estas representam preocupações distintas que contribuem para a angústia geral das pessoas que sofrem de nomofobia.

O nome nomofobia deriva do inglês no-mobile-phone phobia. É um termo que descreve o medo crescente de ficar sem o telemóvel, representando assim uma ansiedade derivada da separação deste dispositivo móvel, e que está a crescer entre os adolescentes.

O uso excessivo do smartphone é de tal modo grave e tomou tal dimensão nalguns países, como a Coreia do Sul, que obrigou o Ministério da Educação deste país a criar um programa de prevenção e identificação precoce de crianças e jovens em risco. No âmbito dessas ações, o governo sul-coreano lançou uma aplicação para dispositivos móveis de modo a monitorar o uso do smartphone e restringir o acesso a jogos online depois da meia-noite.

Mas, será que eu sou viciado no smartphone?

Reconhece certamente o sentimento de ansiedade quando o bolso parece estranhamente mais leve e descobre que separou-se do seu smartphone. E se utiliza este dispositivo móvel para aceder às redes sociais, provavelmente, o seu nível de preocupação ainda é mais intenso. Mas será que é viciado no seu smartphone?

Estes são alguns dos sinais de alerta:

  • Fico ansioso ou inquieto quando fica longe do meu smartphone
  • Verifico constantemente o meu telemóvel
  • Evito a interação social em detrimento da utilização do telemóvel
  • Distraio-me frequentemente com emails, SMS ou outras aplicações móveis
  • Revelo um declínio no meu desempenho profissional ou académico
  • Acordo a meio da noite para verificar o smartphone

Se respondeu afirmativamente a muitos destes pontos, então poderá estar a sofrer de nomofobia.

Está na hora de fazer uma pausa

Ao longo da minha vida tenho evitado a dependência de coisas, e por isso faço regularmente uma introspeção sofre o meu estilo de vida. Procuro proteger-me de determinados vícios que podem ditar ou comprometer o meu comportamento. Isso inclui a utilização da tecnologia. Reconheço o papel dos computadores, telemóveis e outras tecnologias, que permitem-me trabalhar de forma mais fácil e eficiente, mas, porém, o meu princípio é que a tecnologia deve servir o homem, e não o contrário.

Então, o que devo fazer para ter um comportamento mais equilibrado?

  • Coloco o smartphone a pelo menos 5m de mim quando durmo à noite
  • Durante o dia tenho interações cara-a-cara com outras pessoas, sem interrupções derivadas da utilização do smartphone.
  • Certifico-me que durante o dia tenho um momento de reflexão em solidão com o smartphone desligado
  • Deste modo, durante a semana, equilibro o tempo passado com outras pessoas e ao smartphone.
  • Uma vez por mês desligo o smartphone durante todo o dia. É o dia em que me liberto!

Autoria de PsicoAjuda.

 

Bebé smartphones: que geração é esta?

Maio 12, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 28 de abril de 2015.

Chartwell Inc

Antes de celebrarem o primeiro ano, um terço dos bebés já utiliza telemóveis. Aos dois anos, a maioria das crianças já o faz. Para onde caminha a infância?

Usam telemóveis mesmo antes de aprender a andar ou a falar. Sim, é verdade. Um terço dos bebés com menos de um ano de idade já utiliza dispositivos eletrónicos. E por altura do primeiro aniversário, uma em cada sete crianças usa-os durante mais de uma hora por dia.

Estes são os resultados de estudo que foi apresentado no Encontro Anual das Sociedades Académicas Pediátricas em San Diego, Estados Unidos, e desenvolvido Centro Médico Einstein. O objetivo era determinar a idade em que as crianças começam a utilizar telemóveis e dispositivos eletrónicos. Para tal, observaram bebés entre os seis meses e os quatro anos e os respetivos pais. As famílias foram estudadas num hospital pediátrico central na Filadélfia que serve uma zona urbana onde vive uma comunidade com baixos rendimentos.

O questionário entregue a 370 pais era composto por vinte perguntas que pretendiam descobrir que dispositivos existiam em casa, com que idade as crianças começavam a manuseá-los, a frequência com que o faziam, a que tipo de outras atividades se dedicavam e se os pediatras conheciam essa forma de passatempo.

O cruzamento destes dados desvendou que 60% dos pais deixava as crianças a brincar com os telemóveis ou tablets enquanto trabalhavam e executam pequenas tarefas. Três em cada quatro pais permitiam que os filhos o fizessem enquanto se ocupavam das lides domésticas. E que 29% dos pais colocavam as crianças a brincar com esses dispositivos para que elas adormecessem. A maioria dos pediatras não conheciam estes hábitos da família, diz ainda o estudo.

A atração pelas apps para bebés

Ao Washington Post, Hilda Kabalí – uma das autoras do estudo – disse ter ficado surpreendida com os dados. “Alguns dos bebés com menos de seis meses usam estes objetos por mais de trinta minutos”. A mesma cientista explicou que este hábito pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças.

E a responsabilidade não está apenas nos “pais preguiçosos” que preferem distrair desta forma os filhos, mas também nas promessas das aplicações para bebés que já existem para os smartphones, alerta Susan Linn, diretora da Campanha para uma Infância Livre de Anúncios Comerciais. “Além de persuadir os pais a gastar dinheiro em produtos inúteis, os produtos de marketing para bebés que servem para aprender números e letras” nos smartphones e tablets “sugerem uma mensagem preocupante e potencialmente prejudicial aos pais sobre a aprendizagem”, afirma.

A Academia Americana de Pediatria já tinha desaconselhado a utilização da televisão, computador, telemóveis e tablets por crianças com menos de dois anos, recorda o Daily Mail. Até porque um estudo anterior havia provado que uma hora de televisão por dia pode também desenvolver problemas de obesidade quando as crianças chegam aos cinco anos.

Crianças obesas e alheadas

O problema que não é exclusivo dos americanos. Das 11 mil crianças que estavam nos jardins de infância britânicos entre 2011 e 2012, mais de metade tinha excesso de peso e 73% estava em risco de sofrer de obesidade infantil. O The Guardian noticiou que as autoridades de saúde pública inglesas alertaram para os problemas de depressão e ansiedade que podem vir do tempo que as crianças passam em frente aos dispositivos eletrónicos.

As preocupações vão mais longe: um estudo publicado em outubro do ano passado pela Elsevier acompanhou um grupo de crianças que passaram cinco dias numa colónia de férias sem acesso a televisão, telemóveis ou qualquer outro dispositivo eletrónico e descobriu que as capacidades de compreender a informação não verbal – pela análise da expressão alheia – aumentou. “Tornaram-se mais humanos”, chegou a escrever Yalda Uhls, uma das autoras do estudo.

Estes dados indicam que a inteligência emocional – capacidade de reconhecer emoções em nós próprios e nos outros – pode ficar em perigo com a utilização abusiva de produtos tecnológicos. De acordo com as declarações do especialista Daniel Goleman ao Huffington Post, quanto mais tempo uma criança passa com gadgets, menos conectado está com a realidade e menor se torna a inteligência emocional dela. Tudo porque se perde a capacidade de introspeção, de autoconhecimento.

Substituir o contacto humano

Em crianças mais velhas, na fase de pré-adolescência, esses conceitos ganham expressão nas redes sociais, em vez de acontecer no contacto direto com os outros. E os outros, no caso das crianças, são essencialmente os pais. Rahul Briggs, diretora dos Serviços de Saúde do Comportamento Pediátrico no Grupo Médico de Montefiore, concluiu ao Yahoo Pareting que “a interação, mesmo que seja apenas através de sorrisos, encoraja o cérebro a desenvolver a ajuda um laço seguro com os pais”.

Ao mesmo jornal, a fundadora da Criança Proativa, Sharon Silver, disse que “se os pais utilizam a tecnologia para acalmar os filhos enquanto são novos, eles estão a substituir o contacto humano com os pais, necessário para criar empatia, compaixão, relação e a sensação de pertencer ao mundo real”.

O melhor era mesmo que os pais deixassem de expor aos filhos aos monitores que existem por casa. Mas isso não parece ser tarefa fácil: o estudo apresentado no encontro anual de pediatras americanos afirma que 97% das famílias tem televisão em casa, 83% dos pais tem tablet e mais de três quartos têm smartphones. Uma combinação bombástica que, segundo o The New York Times, põe bebés de dois anos a utilizar estes dispositivos.

Mas há outro fator que tem posto as crianças a utilizar estes dispositivos: é cada vez mais fácil e intuitivo operar num telemóvel ou computador. E prova disso são as estatísticas apresentadas no encontro anual: mais de metade das crianças estudadas segue programas de televisão, 36% mexe nos monitores com naturalidade e 24% consegue telefonar a alguém sozinho.

 

 

 

 


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