Alunos carenciados não levantam computadores por serem emprestados

Junho 30, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 22 de junho de 2020.

A covid-19 mandou os alunos e professores para casa a 16 de março, as aulas ficaram suspensas e, posteriormente, a aprendizagem passou a ser feita maioritariamente à distância. Nem todas as famílias têm um computador e internet em casa, por isso foi decidido atribuir estes meios às famílias mais carenciadas. Mas, em muitos casos, quando souberam que os tinham de devolver, acabaram por não os levantar.

Foi o que aconteceu no Agrupamento de Escolas Professor Lindley Cintra, no Lumiar, em Lisboa, onde um primeiro levantamento concluiu que eram precisos 140 conjuntos (computador e router, um dispositivo com dados de Internet) para equipar as famílias carenciadas das suas escolas. Apenas foram levantados 39, ou seja, menos de um terço (27,8 %).

“A grande maioria dos encarregados de educação contactados, sabendo que os equipamentos eram cedidos a título de empréstimo e que teriam de ser devolvidos após o términus do 3º período (até 5 de julho), optou por não recorrer a este mecanismo”, explica ao DN João Martins, o diretor do agrupamento,

Estavam a contar com as necessidades a nível de equipamento informático dos alunos dos 3º e 4º anos dos escalões A e B (carenciados) e com Necessidades Educativas Especiais, de forma a “facilitar a aprendizagem neste período de aulas não presenciais”. Informaram todos os encarregados de educação em causa, por carta registada quem não conseguiram contactar, e com as condições do empréstimo.

O equipamento foi entregue pela Câmara Municipal de Lisboa ao agrupamento Lindley Cintra a 29 de março. Faz parte dos 3580 computadores que a autarquia entregou às escolas do concelho, que inclui “a totalidade de alunos de escalão A e B de 3 e 4 ano do 1 ciclo de escolaridade”, informam do gabinete de Manuel Grilo, o vereador dos Direitos Sociais/Educação.

Escolas de Lisboa receberam 3580 computadores

Esclarecem que o equipamento é “propriedade do agrupamento pelo que serão devolvidos às escolas findo o período letivo para as reequipar, para os projetos que entenderem. No caso em que os computadores não são entregues, foi decisão da direção do agrupamento que utilizará estes equipamentos nos projetos escolares do próximo ano”.

Aquele foi o procedimento na generalidade das escolas, refere o presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares, Manuel António Pereira. Contactaram em primeiro lugar as autarquias, mas também entidades públicas e associações, para angariarem o material informático e a forma de acesso à Internet. Depois, cada agrupamento organizou a entrega desses materiais.

“As escolas começaram por disponibilizar os equipamentos que tinham, posteriormente, contactaram os municípios, as associações e lançaram plataformas para angariar equipamento. Boa parte dos municípios conseguiram arranjar a maioria dos computadores, emprestando-os as escolas, mas também a sociedade civil contribuiu. Os que foram entregues pelos municípios têm de ser devolvidos”, especifica Manuel António Pereira.

No caso de Lisboa, os computadores não atribuídos ficam para as escolas, até tendo em vista uma redistribuição no próximo ano letivo. É, também, essa a indicação seguida a nível nacional.

Manuel António Pereira é diretor do Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, onde foi concluído que 300 alunos não tinham materiais em casa para seguirem as aulas à distância, o que representa um terço dos estudantes do agrupamento. E apenas conseguiram 125 computadores, com a autarquia a disponibilizar 85. Não chegaram para as necessidades e três ou quatro foram devolvidos, “por dificuldades em manusear o computador”, acabaram por ser entregues a outros alunos.

O dirigente conhece situações em que as famílias não levantaram os equipamentos, por ser uma situação pontual. “Quando os pais perceberam que tinham de assinar uma declaração em que se comprometiam a devolver os computadores em bom estado no final do ano letivo, tiveram receio que os filhos os estragasse e acabaram por não os levantar”, justifica.

O DN questionou o Ministério da Educação sobre as necessidades dos alunos em equipamento informático indicadas pelas escolas e quantos foram efetivamente usados. Em resposta, o ministério referiu que não existe esse levantamento, uma vez que esses meios foram disponibilizados maioritariamente pelas autarquias. Isto, apesar de Manuel António Pereira informar que têm registado todos esses dados numa plataforma da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares.

Contactos efetuados pelo DN permitiram perceber que, por exemplo, a Câmara Municipal de Ponte da Barca entregou 50 computadores do projeto Altice (router com acesso à Internet, banda larga móvel,) e 86 tablets Android, sendo que 47 com router.

A autarquia de Ourique comprou 82 tablets e 31 routers, no valor de 24 mil euros e a Câmara Municipal do Fundão disponibilizou 272 computadores e 95 routers e, também aqui, foram todos distribuídos.

Há crianças no Porto sem computador e internet para estudar

Junho 19, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 16 de junho de 2020.

Quanto mais pobres os pais, menor a capacidade de estudar em casa, diz estudo

Maio 18, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 8 de maio de 2020.

Catarina Reis

Mais de 40% dos alunos portugueses de meios mais desfavorecidos dizem ter menos do que dois computadores em casa, conclui o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS). Um problema em tempos de pandemia, com famílias inteiras em teletrabalho.

assados quase dois meses desde o encerramento das escolas, o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), lança conclusões claras sobre a desigualdade de acesso ao ensino à distância. Enquanto apenas 21% dos alunos portugueses filhos de pais com um estatuto socioeconómico mais alto disseram ter menos de dois computadores em casa, quase metade (42%) daqueles filhos de pais com menor estatuto garantem estar nesta condição.

O estudo quis perguntar a mais de 46 mil estudantes de 14 sistemas de ensino no mundo a quantos dispositivos digitais tinham acesso em casa, “incluindo laptops e computadores de mesa, tablets e e-readers“, explicou o diretor executivo da associação IEA, Dirk Hastedt. A principal conclusão mostra que a disponibilidade de dispositivos tecnológicos em casa depende do estatuto socioeconómico dos pais, que quanto menor mais compromete a eficácia da aprendizagem.

É assim em Portugal, mas também em muitos outros países. A nível internacional, 24% (acima de Portugal) dos estudantes de maios mais favorecidos responderem ter menos de dois computadores em casa, contra os 41% (abaixo dos números portugueses) daqueles vindos de um contexto mais desfavorecido.

“Os alunos filhos de pais com menos estatuto socioeconómico “correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas”

Os dados levantam dúvidas sobre a capacidade que os alunos têm de estudar em casa, “principalmente se os seus pais e irmãos também precisarem de acesso a um computador para trabalhar em casa”, alerta Dirk Hastedt. Certo é que os alunos filhos de pais com menos estatuto socioeconómico “correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas”.

Além de Portugal, participaram neste estudo os sistemas de ensino do Chile, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Cazaquistão, República da Coreia, Luxemburgo, Moscovo, do estado alemão Renânia do Norte-Vestfália, Uruguai e EUA.

Não basta fornecer meios

Não tardou até que o governo português procurasse soluções para colmatar a falta de meios de vários alunos. A tutela prometeu estarem a ser trabalhadas alternativas com as câmaras municipais, as forças de segurança, as televisões e os CTT para continuar a desenvolver mecanismos de apoios aos estudantes em casa.

Entretanto, assistiu-se a casos em que membros da GNR ficaram encarregues de fazer chegar fichas de trabalho a estudantes de zonas mais remotas e à criação da nova telescola, o #EstudoEmCasa. Para o próximo ano letivo, o governo promete a universalidade do acesso às plataformas digitais, quer em rede quer em equipamento, para todos os alunos do básico e do secundário.

No entanto, não basta providenciar meios, alerta o diretor executivo da IEA, detentora do estudo. “Enquanto muitos países estão a fazer esforços significativos para garantir a continuidade das oportunidades de educação, aumentando o acesso aos dispositivos, também é vital que garantam que os alunos sabem realmente como usá-los efetivamente”, frisa Dirk Hastedt.

Metade dos alunos portugueses não tem autonomia suficiente para trabalhar com um computador

Em Portugal, de acordo com o ICILS, apenas 20% dos estudantes inquiridos “demonstraram que podem ser utilizadores independentes de um computador”, enquanto a vasta maioria “necessita de instruções diretas para concluir tarefas básicas”.

Mais informações na notícia:

WHAT CAN IEA DATA REVEAL ABOUT SOCIO-ECONOMIC STATUS AND THE ABILITY TO STUDY AT HOME?

Alunos sem computador são mais do que se pensa. Nas escolas públicas, quase um terço dos alunos do ensino básico não tem equipamento

Maio 4, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 24 de abril de 2020.

Ana Kotowicz

Haverá muitos mais alunos sem computador dos que os 50 mil de que fala o INE, segundo estudo da Nova. No 1.º ciclo, nas escolas públicas, os professores inquiridos dizem que 31% não tem equipamento.

Para os investigadores, foi mais uma confirmação do que uma surpresa. Há muitos mais alunos sem computadores com acesso à internet do que aquilo que mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística. Só nas escolas públicas, 28% dos alunos do ensino básico não tem acesso a este equipamento. Esta é uma das conclusões do inquérito que o Centro de Economia da Educação da Universidade Nova de Lisboa está a realizar junto de professores de escolas públicas e privadas, do 1.º ao 12.º ano.

Para além da falta de computadores, os resultados preliminares mostram também que o ensino à distância tem sido feito essencialmente através do envio de fichas (mais de 80%), só com um terço dos professores a fazer, de facto, videoconferências com os seus alunos. Esta segunda conclusão foi a que mais espantou a equipa de investigação cujo objetivo, numa primeira fase do estudo, é perceber quais as soluções de ensino a distância que têm sido adotadas no contexto da atual pandemia.

Ana Balcão Reis, uma das investigadoras da equipa da Nova, não quer, para já, apontar um número exato de quantos alunos do básico e do secundário não terão à sua disposição a ferramenta essencial para o ensino à distância. Apesar de já terem 1.586 respostas, a professora frisa que os resultados ainda são preliminares e que a equipa de investigação está a analisar a amostra para garantir que ela é representativa. Caso não o seja, a equipa irá reforçar o número de inquéritos feitos que, até agora, foram enviados aos professores através das redes sociais.

“A falta de computadores entre os alunos foi mais uma confirmação do que uma surpresa em relação àquilo que já esperávamos. A grande surpresa foi perceber como é que estas aulas à distância estão a acontecer. Quando olhamos para estes resultados preliminares e vemos que só 30% dos professores recorrem à videoconferência percebemos que o ensino online não é nada online”, defende Ana Balcão Reis, argumentando que a imagem que temos de ensino virtual é através de videoconferências ou vídeos de aulas gravados pelos professores.

“Seria sempre qualquer coisa por aí. O que não esperamos é que seja só o envio de fichas por email”, sublinha, frisando que as respostas foram recolhidas antes das férias da Páscoa e que os professores poderão no 3.º período, que arrancou terça-feira, fazer acertos à forma de ensinar. Por outro lado, o inquérito foi feito através das redes sociais, chegando mais rapidamente a quem já está habituado a usar recursos onlines.

Quantos alunos não têm computador com acesso à internet? 

Os dados oficiais são os do INE: em Portugal, cerca de 5,5% dos agregados familiares com crianças até aos 15 anos não têm acesso a computadores com internet em casa. Considerando que do 1.º ao 9.º ano estão inscritos perto de um milhão de alunos (987.704), isto significa que cerca de 50 mil estudantes não têm o equipamento necessário para ter aulas online.

Os números do estudo da Nova são mais dramáticos. Em média, 23% dos alunos até ao 12.º ano não têm acesso a computador com internet em casa, valor que é ainda mais elevado quando se retiram os dados de escolas privadas. Estes números, se pudessem ser diretamente extrapolados, representariam um universo de mais de 300 mil alunos.

A grande diferença em relação aos números do INE de novembro passado é explicada pelo contexto atual. “Esta diferença pode justificar-se uma vez que os dados do INE apenas indicam se existe algum computador com internet no agregado familiar de cada aluno (por exemplo, podem existir situações em que os filhos não podem aceder ao computador por os pais o estarem a utilizar para teletrabalho)”, lê-se no estudo.

Ana Balcão Reis acrescenta um outro cenário: “Mesmo que o computador da casa não esteja a ser usado para teletrabalho poderá haver apenas um para vários estudantes do mesmo agregado familiar.”

A investigadora frisa ainda que há respostas muito diferentes e um abismo entre a realidade da escola pública e da privada. Por exemplo, no 1.º ciclo do ensino público a média da percentagem de alunos sem computador é de 31%, nas escolas privadas este valor cai para 10%.

No 2.º ciclo a diferença é de 29% contra 9% e no 3.º ciclo de 25% contra 17%. A diferença entre público e privado só desaparece no ensino secundário, quando o número de alunos sem acesso à internet desce para 18% em ambos os tipos de ensino. Em Portugal, há 401.050 alunos no ensino secundário, o que significa que puderemos estar a falar de cerca de 72 mil alunos sem equipamento nestes três anos de escolaridade.

“Existe uma grande variabilidade nas respostas dos professores. Temos escolas onde a resposta é que nenhum dos alunos tem, outras em que todos têm computador. Mesmo dentro do distrito de Lisboa há respostas muito díspares”, explica, lembrando que há muitos professores que reportam que mais de metade dos seus alunos não tem este equipamento.

Mais para a frente, quando avançar na investigação, a equipa da Universidade Nova espera poder ter uma noção mais detalhada das falhas, até mesmo por mancha geográfica.

Estratégias de ensino a distância: 85% dos professores envia fichas aos alunos

Quanto às estratégias adotadas pelos professores inquiridos, a mais frequente é o envio de materiais complementares ao estudo, com 85% dos docentes a responder que envia fichas individuais de trabalho e trabalhos de grupo. A maioria, três quartos, também garante que esclarece as dúvidas dos seus alunos à distância, embora no estudo não se especifique como.

Aqueles que seriam os recursos típicos do ensino à distância são os menos utilizados: apenas 30% dá aulas por videoconferência e 12% disponibiliza aos alunos vídeos gravados. Há ainda uma minoria, 2%, que não desenvolveu quaisquer estratégias de ensino a distância.

Entre privadas e públicas as maiores diferenças são aqui: 63% dos professores de escolas privadas dizem dar aulas por videoconferência, valor que desce para 22% no caso de professores de escolas públicas. Por outro lado, nas privadas 27% dos professores disponibilizam vídeos gravados pelos próprios, percentagem de 8% nas escolas públicas.

Quanto à avaliação dos alunos, a grande maioria (cerca de 71%) diz recorrer aos trabalhos de casa enviados aos alunos, embora 19% dos professores assuma não estar a recolher quaisquer elementos de avaliação.

Por último, o estudo da equipa de investigação da Universidade Nova, composto por Ana Balcão Reis, Gonçalo Lima, Luís Catela Nunes, Pedro Freitas e Tiago Alves, dá conta que cerca de 77% dos professores inquiridos não estão a utilizar os recursos para ensino a distância disponibilizados pela Direção Geral de Educação (DGE).

Mais informações na notícia da Universidade Nova:

Resultados preliminares do inquérito sobre ensino a distância no contexto da pandemia

Metade dos alunos fora da escola não tem computador em casa

Maio 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 21 de abril de 2020.

Situação é vivida por 826 milhões de estudantes paralisados devido à covid-19;  Unesco incentiva uso de rádio, televisão e criatividade; suspensão de aulas “sem precedentes” afeta mais de 1,5 bilhão de estudantes e 63 milhões de professores primários e secundários.

Cerca de 826 milhões de alunos atualmente fora das salas de aula devido à pandemia da covid-19 não têm acesso a um computador em casa. O número corresponde à metade do total de alunos nessa situação.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, quase 706 milhões não têm ligação doméstica de internet.

Coalizão

Os dados compilados pela Força-Tarefa para Professores foram apresentados esta terça-feira. A aliança internacional usou informações do Instituto de Estatística da Unesco e da União Internacional de Telecomunicações, UIT.

O novo estudo aponta que as disparidades se aprofundam em países de baixa renda. Um dos exemplos é a África Subsaariana, onde 89% dos alunos não têm acesso a computadores em casa e 82% não têm acesso à internet.

Em metade da região, cerca de 56 milhões de alunos vivem sem ligação a redes de telefonia móvel.  A agência destaca que telefones celulares permitiriam o acesso dos alunos a informações, a conexão com seus professores e uns com os outros.

Conectividade

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que embora os esforços para fornecer conectividade para todos tenham de ser multiplicados, agora “se sabe que o ensino e a aprendizagem contínuos não se podem limitar aos meios on-line”.

A conclusão é que para reduzir essas desigualdades sejam usadas outras alternativas, incluindo o uso de transmissões de rádio e televisão comunitárias e a criatividade em todas as formas de aprendizado”.

O tema é abordado pela Coalizão Global de Educação Covid-19 que reúne mais de 90 parceiros da agência dos setores público e privado. A meta é lidar com essas lacunas, desenvolver soluções universais e equitativas e promover uma revolução digital inclusiva.

Em nível global, pelo menos 1,5 bilhão de estudantes e 63 milhões de professores primários e secundários são afetados pelo fechamento de escolas em 191 países. Para a Unesco esta é uma “perturbação sem precedentes” causada pela pandemia.

Professores

A agência aponta haver desafios para uma rápida transição para o ensino on-line, mesmo para professores em países com infraestrutura confiável de tecnologia da informação e comunicação, TICs, e conectividade doméstica. O acesso a esses meios é ainda mais difícil ou impossível para docentes de regiões onde recursos e metodologias à distância estão menos disponíveis.

A necessidade de capacitar professores para lecionar a distância e on-line de maneira eficaz e falta de auxílio nos países de baixa renda é outro problema. Na África Subsaariana, 64% dos docentes do ensino fundamental e metade do ensino médio tiveram o mínimo desse treinamento, sem incluir as habilidades em TICs.

Desigualdades

Para a diretora-geral adjunta de Educação da Unesco, Stefania Giannini, essas desigualdades são uma ameaça real à continuidade da aprendizagem.

Os integrantes da Coalizão Global de Educação incluem a UIT e grupos que apoiam professores. Entre eles estão a Education International, a Fundação Gems-Varkey, a Organização Internacional do Trabalho e a Força-Tarefa Internacional sobre Professores para Educação 2030.

Recentemente, a Unesco juntou vários representantes de países para partilhar virtualmente suas experiências em estratégias de ensino a distância durante a pandemia de covid-19.

Mais informações na Press Release da Unesco:

Startling digital divides in distance learning emerge

Um quarto dos alunos do 1.º ciclo em Lisboa não tem computador ou net em casa

Abril 18, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de abril de 2020.

João Pedro Pincha

Vereador da Educação propõe que a Câmara de Lisboa invista 1,5 milhões de euros em computadores e routers para os alunos mais carenciados.

Quase um quarto dos alunos do 1.º ciclo da rede escolar pública de Lisboa não tem meios digitais para estudar em casa. Um diagnóstico feito nas últimas semanas pela câmara municipal revela que pelo menos 3050 crianças que frequentam os primeiros quatro anos de escolaridade não têm acesso a um computador ou tablet e/ou rede de internet de banda larga.

Este valor representa 22,5% dos alunos no universo de 13.568 que estão matriculados para este ano lectivo, o que leva o vereador da Educação e Direitos Sociais a defender um investimento autárquico para colmatar as falhas de acesso. Manuel Grilo, eleito pelo BE, vai apresentar uma proposta para que a câmara compre computadores e routers 4G para distribuir pelos estudantes mais necessitados, estimando que essa medida custe à volta de 1,5 milhões de euros.

“Apenas este complemento tecnológico permitirá assegurar que todos os alunos têm acesso a ferramentas que mitiguem os efeitos perversos da pandemia”, acredita o vereador, preocupado com o “previsível aumento das desigualdades em contexto escolar” durante a actual crise epidémica e a económica que se avizinha.

Desde meados de Março que as escolas estão fechadas e os alunos estão em casa, em muitos casos com aulas à distância através de plataformas digitais. Já é certo que em Abril não haverá aulas presenciais e o Governo agendou para esta quinta-feira uma decisão sobre o terceiro período.

Está neste momento em preparação uma nova forma de Telescola em que os alunos até ao 9.º ano terão aulas através dos canais televisivos da RTP. Essa plataforma deverá estar a funcionar logo a seguir às férias da Páscoa, que neste momento decorrem. “A telescola é uma solução bem-vinda mas insuficiente para estes alunos, que permanecerão numa situação de franca desigualdade perante os colegas com acesso a recursos digitais e interacção regular com a escola e os professores”, adverte Manuel Grilo.

No diagnóstico levado a cabo pelo seu gabinete apenas foram tidos em consideração os 93 estabelecimentos de ensino geridos directamente pela Câmara de Lisboa, correspondentes a escolas do 1.º ciclo e jardins-de-infância. Os restantes, destinados a alunos dos 2.º e 3.º ciclos e do Secundário, são geridos pelo Ministério da Educação. O vereador alerta também que, nesse universo de 3050 alunos, não estão incluídos aqueles que têm de partilhar o computador com os irmãos ou com os pais.

Em Lisboa, no actual ano lectivo, há 5808 alunos do 1.º ciclo (43% do total) nos escalões mais elevados da acção social escolar, o que significa que provêm de famílias com rendimentos baixos ou muito baixos. Para estes e para os alunos com necessidades educativas especiais, todos os agrupamentos de escolas estão desde meados de Março a servir refeições em regime de take-away.

Quer ajudar alunos sem acesso a computador? Está aqui a solução

Abril 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 3 de abril de 2020.

Há uma plataforma online para angariar computadores para os alunos que não têm forma de acompanhar as aulas à distância. Foi criada no dia 18 de março e já entregou 20 portáteis. 

Com as escolas encerradas por causa da pandemia de covid-19, a solução tem passado pelo ensino à distância. Mas esta é uma solução que está longe de ser simples e de acesso universal: falta formação aos professores para o e-learning e muitos alunos não têm computadores e internet para acompanhar este tipo de aulas. Foi a pensar no primeiro problema que o professor Vítor Bastos criou o grupo E-Learning Apoio, que conta já com mais de 22 mil membros. Para a segunda dificuldade, criou agora o projeto #SomosSolução . 

A ideia é a de fazer a ponte entre quem quer ajudar alunos carenciados a ter as ferramentas necessárias para continuar a aprender durante este período de isolamento social e as escolas que identificam as situações de necessidade. 

“Fiz contactos com empresas e particulares que eu achava que estariam abertos a dar e a HP avançou logo com uma primeira oferta 20 computadores portáteis”, conta à SÁBADO o docente que teve a ideia, mas lançou o projeto em conjunto com Luís Fernandes, o antigo diretor do Agrupamento do Freixo (atualmente diretor do Centro de Formação da Póvoa do Varzim). “Fazia sentido ser o meu parceiro nisto porque tem os contactos todos dos diretores, é honesto e é bem conhecido no meio”. 

Além da HP, respondeu à chamada a OMC, uma empresa que ofereceu cinco impressoras para que as escolas que não tinham outra forma de garantir o ensino durante o período de encerramento possam imprimir trabalhos para os alunos levarem para casa. 

A ideia é, contudo, que qualquer um possa contribuir. Quem quiser doar um portátil, só precisa de inscrever-se no site e estar disponível para pagar “uma máquina de baixo custo, mas com todas as características necessárias, por cerca de 350 euros”. 

Outra opção para particulares ou empresas será aderir à campanha de usados recondicionados. “Há computadores usados que já não servem as empresas, mas ainda têm todas as condições para ser usados pelos alunos no ensino à distância”, diz Vítor Bastos. 

As escolas que queiram inscrever-se têm de cumprir alguns critérios como “ter plataformas digitais já implementadas” e acesso à internet, mas também assegurar que ajudam os alunos a utilizar os portáteis e que os respetivos diretores se envolvem diretamente no processo. 

Neste momento, há já 25 escolas inscritas no site, que põe os diretores a apresentar na primeira pessoa as necessidades dos seus estudantes. 

Para que quem doa tenha a garantia de que os portáteis chegam a quem precisa, os doadores podem escolher a que escola (de entre as inscritas) querem fazer o donativo e poderão fazer diretamente a entrega do material ou informar os diretores sobre o local onde o poderão levantar. 

No caso dos primeiros 20 computadores doados, 10 foram para o Agrupamento de Escolas Cego do Maio, na Póvoa do Varzim, e os outros 10 para o Agrupamento de Escolas da Boa Água, em Sesimbra. “Estamos a organizar a entrega por ordem de registo dos pedidos das escolas, sendo que cabe à escola fazer seleção dos alunos carenciados”, explica Vítor Bastos. 

Seguindo essa ordem, as próximas escolas a receber as ofertas que cheguem ao projeto são o Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva, em Rio Maior, e o Agrupamento de Escolas Vila Nova de Cerveira. 

Alunos sem Internet nem computador em casa excluídos das aulas à distância

Março 25, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias de Coimbra de 18 de março de 2020.

Um em cada cinco estudantes não tem computador em casa e por isso “dificilmente se conseguirá pedir a todos os alunos trabalhos que impliquem a necessidade de um computador”, revela um estudo realizado esta semana por Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi publicado na terça-feira no blog do Arlindo.

Esta é esta realidade que não escapa a quem trabalha diariamente nas escolas. Os dois presidente das associações de diretores escolares – Filinto Lima (ANDAEP) e Manuel Pereira (ANDE) – alertaram desde o início para o impacto das desigualdades sociais nas aulas à distância.

Também o representante dos pais e encarregados de educação salientou as diferenças entre famílias. “Há sempre desigualdades entre os alunos: uns têm chalés e outros têm casebres”, lamentou Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à Lusa.

Sem computadores, há quem esteja a acompanhar as aulas pelos telemóveis ou ‘tablets’. Mas para isso é preciso Internet e nem todos a têm no lar.

No ano passado, 80,9% dos agregados familiares tinham acesso a internet em casa. Nas famílias com filhos até aos 15 anos a percentagem subia para 94,5%. Ou seja, mais de 5% dos estudantes com menos de 15 anos viviam em casas sem Internet, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O problema também atinge os alunos do ensino superior. O presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup), Gonçalo Leite Velho, lembrou que “há muitos alunos que têm dificuldades de acesso à Internet”.

Os dados do INE indicam que entre os estudantes com mais de 16 anos é raro encontrar quem não tenha Internet: são 0,4%. “Basta haver um aluno para ser razão para nos preocuparmos”, defendeu recentemente em declarações à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

Gonçalo Leite Velho lembrou que também há problemas nas famílias onde há equipamentos. Neste momento estão todos em casa, alguns em teletrabalho, e pode tornar-se difícil gerir quem tem prioridade no seu uso: os filhos que estão em aulas ou os pais que estão a trabalhar?

A Lusa contactou cerca de duas dezenas de famílias com filhos do pré-escolar ao ensino superior e a maioria disse ter equipamentos para todos.

Entre os pais que se aperceberam que teriam de partilhar computadores, começam a inventar-se soluções, como definir horários de uso.

“Temos dois computadores em casa, sendo que um deles é o meu que preciso para trabalhar. Se tiverem de fazer buscas será cada uma no seu horário”, contou à Lusa a mãe de duas adolescentes de escolas de Lisboa.

Trabalhar em casa com a família pode ser complicado para todos: alunos e pais. “O ambiente é muito diferente de uma escola. Há mais confusão”, alertou Gonçalo Leite Velho.

As aulas à distância exigem um conhecimento e uma técnica por parte dos professores que é muito diferente das aulas presenciais.

“Já quando estão na escola é, por vezes, difícil manterem-se concentrados, imaginemos agora em casa”, disse Gonçalo Leite Velho.

O inquérito realizado pelo professor Arlindo Ferreira mostra que 11,6% dos pais não tem disponibilidade para acompanhar o filho pelo menos uma vez por dia nos estudos.

Do lado dos adultos, trabalhar de casa também “é muito mais “difícil porque é preciso conjugar a atenção dada ao trabalho e aos filhos, lembrou o presidente do SNESup.

O docente do ensino superior lembrou que, neste momento, há muitos professores em casa, com filhos pequenos, a tentar dar aulas a outras crianças.

Apesar dos problemas já detetados, todos são unânimes em considerar que o ensino à distância é, neste momento, a melhor solução.

Link para o estudo citado na notícia:

Novas Formas de Comunicação com os EE

 

Dez anos depois do Magalhães, faltam computadores e internet nas escolas

Setembro 22, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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DN

Notícia e imagem do Diário de Notícias de 5 de agosto de 2019.

Catarina Reis

No ano em que o Magalhães entrou nas escolas, havia um rácio de um aluno por computador no 1.º ciclo, mas agora são quase sete alunos por computador. Diretores alertam que cenário atual atrasa a aprendizagem dos alunos.

Corria o mês de julho de 2008 quando o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou a distribuição de 500 mil computadores, fabricados em Portugal, para os alunos do 1.º ciclo. Ficaria conhecido como Magalhães, um portátil de pequenas dimensões – à medida dos mais novos – azul, branco e cinzento, à prova de choque e de líquidos. Gratuito para os estudantes no primeiro escalão de ação social escolar e com um valor máximo de 50 euros para os restantes. Mas, cerca de dez anos depois, a ideia de ter salas de aula mais tecnológicas continua a parecer apenas uma miragem. De acordo com o relatório “Educação em Números 2019”, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), no ano em que o Magalhães tomou de assalto as escolas havia um aluno por computador no 1.º ciclo, mas agora há cerca de sete. E não só faltam computadores, como os que existem estão obsoletos e a interneté limitada. Diretores consideram que o cenário atual está a atrasar os sistemas de aprendizagem.

Antes da era Magalhães, os números eram ainda mais altos. Segundo o documento, havia em 2001-2002 uma média de 26,7 alunos deste ciclo, no ensino público, por computador. Foi descendo até 2008 e entre este ano e 2010 foram atingidos os valores mais baixos de sempre. Mas desde então que tem sofrido um aumento significativo, situando-se nos 6,6 em 2017-2018.

© Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) – Relatório “Educação em Números 2019”

Já na tabela relativamente ao número médio de alunos por computador com ligação à internet, o valor sobe ligeiramente para os 7,4 – sendo em 2016-2017 ainda mais alto, de 7,7.

Escolas paradas no tempo

As escolas parecem ter parado no tempo. “O nosso parque informático já tem dez anos e é um problema muito complicado das escolas portuguesas”, lembrava o diretor do agrupamento de escolas de Cinfães e presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), em 2018. Um ano depois, a situação mantém-se.

Ainda neste ano, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) correu as escolas do país, de norte a sul, para fazer um registo das maiores dificuldades encontradas pelos diretores no processo de ensino e aprendizagem. “Este foi um dos temas mais focados. É uma queixa generalizada”, conta o presidente da associação, Filinto Lima.

Os computadores existentes “estão obsoletos, por isso, os recursos devem ser novos e mais”, diz. “Não é preciso haver um computador por aluno, mas mais”. Dotar as escolas de material informático deve ser “uma prioridade” do Ministério para aumentar a qualidade de aprendizagem dos alunos”, sublinha.

Até porque provas não faltam de que os estudantes podem aprender melhor com o auxílio da tecnologia. Depois de lançar o projeto Tablets no Ensino e na Aprendizagem (TEA) em várias escolas, de 2014 a 2016, a Fundação Calouste Gulbenkian concluiu que os alunos que estudaram com o equipamento registaram um sucesso escolar de quase 100%. A investigação mostrou que os alunos participantes na experiência “foram todos aprovados, à exceção de um, tendo sido calculada uma taxa global, para estes alunos participantes, de sucesso escolar muito próxima dos 100%”. O programa envolveu no início do primeiro ano um total de 51 alunos e 18 professores, e no segundo 44 alunos e 15 professores.

Mesmo desvinculadas destas iniciativas, há escolas que optaram por modelos de aprendizagem quase inteiramente tecnológicos, trocando os manuais nas mochilas por tablets, através de financiamento local. É exemplo disso a Escola Básica da Ponte, em Santo Tirso, o mais antigo exemplo de autonomia pedagógica na rede pública, onde os livros são vistos apenas como material de consulta.

“Os professores cada vez mais recorrem às novas tecnologias para lecionar, mas a rede de internet falha muito nas escolas.”

Um exemplo que outros estabelecimentos de ensino gostariam de seguir, embora não tenham autonomia material e financeira para o fazer. Mas a solução não passa apenas por investir em mais computadores, adianta o dirigente da ANDAEP. A rede de internet é outra das dificuldades à permeabilidade da tecnologia nas escolas. “Os professores cada vez mais recorrem às novas tecnologias para lecionar, mas a rede de internet falha muito nas escolas”, diz. “Quando um docente programa as suas aulas, tem de programar com um plano B, porque já conta que a rede vá falhar.”

De acordo com um estudo de diagnóstico sobre a modernização tecnológica do ensino em Portugal, de 2008, do Ministério da Educação, a avaliação do grau de modernização tecnológica nas escolas prende-se fundamentalmente em três fatores: acesso, competências e motivação. O primeiro é referente à quantidade de equipamento nas escolas, bem como a existência de internet. O segundo à utilização destes recursos. E o terceiro à “atitude positiva face à utilização e os seus benefícios para o ensino”, pode ler-se. O mesmo documento concluía que “as principais barreiras à modernização tecnológica no país” são as “insuficiências no acesso (equipamentos e internet)”, mas também as “qualificações e competências”.

Questionado pelo DN, o gabinete do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, recorda que procedeu, em abril deste ano, “ao reforço da Rede Alargada da Educação, uma das maiores redes no que respeita à simultaneidade de utilizadores”. A iniciativa, escrevem, “garante a ligação de cerca de cinco mil escolas”, com “uma média diária de 1.4 milhões de dispositivos” a funcionar em simultâneo.

“Os docentes não usavam [o Magalhães] e as crianças usavam nas suas casas para jogar, em vez de recorrerem ao portátil para os fins para os quais foi destinado.”

Magalhães “falhou o seu propósito”

Em 2009, milhares de crianças abriam pela primeira vez o seu portátil Magalhães, José Sócrates percorria algumas escolas do país para presenciar o momento e as salas de aula portuguesas assistiam à entrada de ferramentas tecnológicas como não havia memória. Portugal era notícia e pioneiro no mundo. Mas o projeto acabaria por ser visto mais como um fracasso do que um caso de sucesso. Em parte, explica o presidente da ANDAEP, porque foi a desculpa para “uma grande propaganda política”. Por outro lado, porque “chegou como uma imposição” às escolas.

“Os professores não pediram tecnologia nas escolas e não houve um período [anterior] de sensibilização” para o uso dos portáteis que iriam ser distribuídos pelos alunos, lembra Filinto Lima. O resultado ficou a olho nu: um estudo de 2014 da Universidade Portucalense revelava que 89,1% dos professores e 86% dos estudantes disseram que nunca ou raramente recorriam ao computador nas salas de aula.

O Magalhães “falhou o seu propósito”, reitera o dirigente. “Os docentes não usavam e as crianças usavam nas suas casas para jogar, em vez de recorrerem ao portátil para os fins para os quais foi destinado.”

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Educação em números : Portugal 2019 , Pág. 91-96

As TIC e sua influência na socialização de adolescentes

Março 17, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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