“Suicídio é o limite de todo o sofrimento. Série expõe jovens ao risco” declarações de Melanie Tavares do IAC

Maio 8, 2017 às 7:41 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com/ de 6 de maio de 2017.

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança, comenta a notícia.

O suicídio é um assunto sobre o qual pouco se fala, mas que tem dado muito que falar nos últimos dias. Ao mesmo tempo que vamos tendo conhecimento de adolescentes que desafiam a morte através do jogo Baleia Azul – e são já pelo menos oito os casos em Portugal -, há uma série televisiva a despertar o debate em torno do suicídio na adolescência.

Falamos da série da Netflix ’13 Reasons Why’ em que a protagonista é uma jovem que acaba com a própria vida esvaindo-se em sangue numa banheira após cortar os pulsos. A história é contada pela própria adolescente que decide deixar cassetes a explicar de viva voz as razões que a levaram a tal ato. As 13 cassetes são, propositadamente, entregues a todos aqueles que contribuíram para o seu suicídio, sem se darem conta de tal, e revelam um acumular de situações que se agravam ao longo da história.

A questão que se coloca é saber se séries como estas são ou não bem-vindas, se funcionam como alerta à nossa sociedade ou, se por outro lado, são o último ‘empurrão’ a quem já se encontra em situação vulnerável. Ao Notícias ao Minuto, a psicóloga Melanie Tavares explicou o quão perigosa pode ser a série sobretudo para aqueles que já tiverem pensamentos suicidas.

“A quem se encontra numa situação vulnerável pode até causar uma distorção cognitiva da mensagem. Qualquer pessoa, de qualquer idade, mediante situações dessas, pode identificar-se com a personagem, considerando que aquele é o caminho e até, inclusive, estar num sofrimento profundo e olhar para a personagem como uma heroína, que coragem de fazer aquilo que ela ainda não conseguiu”.

E o facto de a história ser contada de uma forma algo romantizada, na opinião da psicóloga, “não ajuda nada”. “Quando uma pessoa, ainda por cima tem uma vulnerabilidade, acaba por ser contaminada pelos efeitos perversos das coisas”, frisa a especialista do Instituto de Apoio à Criança.

A especialista defende que 13 anos – idade a partir da qual a Netflix recomenda a série – é “precoce”, tendo em conta a exposição ao perigo que ela representa. Tal como num filme pornográfico, compara, “visionar esta série, ainda que acompanhados dos pais”, não é o mais correto. É, na sua opinião, “contraproducente”, embora os pais devam, em última instância, supervisionar todos os conteúdos que os filhos vêem.

Assistir a cenas como aquelas que se vêem na série em causa não é benéfica. O importante, defende, é atuar na base da prevenção, não do suicídio em si mas sim das causas que levam a que a morte seja encarada como a única solução. “Os adolescentes não precisam de ver para falar nisso, como o caso agora da Baleia Azul, não é preciso ver para discutir o problema na escola”.

“O grande problema destas questões todas é a comunicação que falta. Falta de tempo dos pais para estar e conversar com os filhos, no meio de tantas rotinas. O tempo de estar é o que promove a comunicação e isso falha muito. numa sociedade apressada, não se trabalha muito as questões do sentir”.

Comunicação, a palavra de ordem

A prevenção, em todas as áreas que impliquem comportamentos de risco, é a palavra-chave para tratar o suicídio. É crucial estar atento a comportamentos de risco, como a a automutilação, e a sinais como a tristeza, a apatia, o isolamento social, as alterações de humor, “tudo sinais de que as coisas não estão bem”. “E no limite, quando as coisas não estão bem, comete-se o suicídio, ou como forma de acabar com o sofrimento, ou para pedir ajuda”, refere a psicóloga, explicando que, por vezes, há suicídios em que o objetivo não é morrer. “Às vezes as coisas não correm como esperam e acaba por acontecer o pior”.

A forma de combater os problemas que podem levar as crianças e adolescentes a acabar com a própria vida é, reforça a especialista, “ter mais psicólogos atentos nas escolas, equipas multidisciplinares que possam estar com a criança não só em contexto de sala de aula, que é o que acontece. Em contexto de sala de aula existe uma quantidade de regras que torna difícil perceber quando a criança ou jovem foge à norma. Quanto mais o vemos no ‘meio deles’, em situações informais, mais nos apercebemos de alterações de comportamento”.

Sendo o suicídio “o limite de todo o sofrimento”, defende, a prevenção tem de ser feita em todas as áreas, nomeadamente no bullying, na educação sexual, porque pode ser um problema de identidade, um problema de aceitação de identidade. “Prevenir o suicídio é o debate. Temos de prevenir as coisas que normalmente levam ao suicídio”, insiste. Prevenir e jamais “desvalorizar os problemas” dos adolescentes como se não o fossem.

A grande base dessa prevenção é a comunicação entre família – escola. “Se todos comunicarem, alguém há-de perceber que aquela criança/jovem está a ter comportamentos de risco”, salienta. “Ninguém sabe que faltou às aulas, que chegou atrasado e tinha um corte na mão, não há aqui ninguém que dê o alerta. Se em casa não conversa com a família e não conta que há um menino que todos os dias o ameaça na escola, não se pode evitar que isto tudo aconteça”, fundamenta, frisando que o ser humano precisa de viver em relação com o outro como de água para matar a sede. “Não vivemos se não for em relação, somos seres sociais”.

Em suma, devemos sim debater todo o tipo de problemas, suicídio juvenil incluído, mas não confrontá-los com situações tão dramáticas como as que a série mostra, porque estes “não têm maturidade para as descodificar”. Melanie deixa ainda um aviso. Apesar de o debate poder ser benéfico, o “excesso de informação tem efeito multiplicador” e “temos de ter cuidado com a forma como se veicula a informação e a forma como é percecionada. Tudo o que tem um efeito pedagógico é benéfico, o que nem sempre acontece com as notícias sobre o tema”. As notícias, defende, “não podem ter um efeito sensacionalista, de desgraça”.

 

 

Não deixes que a Baleia te marque para sempre – Se entras no jogo é para perder

Maio 8, 2017 às 2:21 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

Baleia-Azul. O jogo na internet que está a levar jovens no Brasil a suicidar-se

Maio 7, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 24 de abril de 2017.

Através de grupos no facebook, jovens são desafiados pelo “curador” a cumprir tarefas
| Pedro Correia / Global Imagens

Desafio do mundo virtual tem 50 níveis e incentiva ao suicídio e à automutilação. Já originou vítimas em oito estados do país. Polícia investiga origem do jogo que surgiu primeiro numa rede social russa

O casal de namorados Luís Kafru-ne e Kaena Maciel, de 19 e 18 anos respetivamente, hospedou-se no Maksoud Plaza, hotel de luxo na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Horas depois, Luís matou Kaena com um tiro na cabeça e suicidou-se. As autoridades suspeitam que este crime é mais um episódio do macabro Baleia-Azul, jogo na internet que já levou ao suicídio ou à automutilação adolescentes em oito estados do Brasil.

“A culpa é da baleia”, escreveu no Facebook um rapaz de 17 anos de Bauru, cidade do interior do estado de São Paulo, minutos antes de se tentar atirar de um viaduto. Casos semelhantes aconteceram nos estados do Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraíba.

A origem do Baleia-Azul, um jogo com 50 níveis de dificuldade que tem o suicídio como etapa final, é controversa. As primeiras informações datam de 2015 e estavam na rede social Vkontakte, o equivalente russo do Facebook. Os participantes são selecionados de madrugada por um administrador – chamado de “curador” – que vai lançando desafios, cada vez mais difíceis e perigosos. Além do Brasil, há casos relacionados com o jogo, cujo nome deriva do mamífero dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico que procura praias para morrer por vontade, na Rússia, Ucrânia, Roménia, Espanha e França.

Além dos casos citados, também em Jaú (estado de São Paulo), um rapaz de 13 anos tentou matar-se cortando os braços com uma lâmina de barbear, após ser excluído da família das redes sociais por suposta determinação do curador. O site G1 teve acesso a um trecho do diálogo em que o curador começa por perguntar ao adolescente se quer jogar e se está disposto a ir até ao fim, para depois determinar a primeira de 50 tarefas que consistia em listar aquilo que o fazia sentir triste.

Uma jovem de 25 anos, do Paraná, estava preocupada com o comportamento da irmã, de 11, e resolveu investigar o computador dela. Contou ao O Estado de S. Paulo que não conseguiu chegar ao fim das mensagens enviadas pelo curador: “Incitam-nos a fazer o mal às pessoas que amamos, é agressivo, intenso, perigoso.” Ainda no Paraná, oito adolescentes dos 13 aos 17 anos deram entrada em hospitais da capital Curitiba após tentativas de suicídio por medicamentos e automutilação. Um deles admitiu à polícia jogar Baleia-Azul. “Vamos procurar os responsáveis por incitação ao suicídio”, disse o secretário estadual de segurança. A pena prevista pelo Código Penal para esse tipo de crime é de dois a seis anos de prisão.

A Polícia Militar da Paraíba identificou 20 participantes no Baleia–Azul que se tentaram mutilar ou matar na capital estadual João Pessoa e noutras cidades. Há dois casos de aliciamento ao jogo no Rio de Janeiro e nove de mutilações juvenis em Santa Catarina. No Mato Grosso, a polícia suspeita que o suicídio de Maria Olívia, de 16 anos, se deveu ao Baleia-Azul, identificando na sequência uma comunidade de 350 participantes do jogo. Em Minas Gerais, registaram-se mais dois casos de suicídio nas últimas semanas. Maria de Fátima, mãe de Gabriel (19 anos), um dos jovens que morreu, disse que ele “não aguentou a pressão. Dizia que eles têm os dados das famílias de quem tenta sair e fazem ameaças. Quem for mãe ou pai dê umas palmadas, mas olhe o telemóvel dos seus filhos, não quero que mais nenhuma mãe passe pelo que estou passando”.

Em Pernambuco, a polícia aposta na prevenção, com vídeos na internet e visitas a escolas. A Escola de Comércio Álvares Penteado (São Paulo), lançou o Coelho Branco, que consiste em 15 tarefas “do bem”, e a psicóloga Tamara Camargo, com dois publicitários, lançou o site Baleia Rosa, onde adolescentes podem desabafar. “Cerca de 20% são utilizadores de Baleia-Azul e outros sites”.

 

 

 

 

Será que as notícias estão a contribuir para o problema Baleia Azul?

Maio 6, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.publico.pt/ de 5 de maio de 2017.

Maria João Gala

Especialistas ouvidos pelo PÚBLICO aconselham a que se promova o debate, mas alertam para “efeitos nocivos” de um noticiário baseado na mera descrição de mais casos. Documento de esclarecimento sobre o jogo vai ser distribuído nas escolas.

Clara Viana

Numa semana multiplicaram-se as notícias dando conta de jovens internados na sequência de autolesões alegadamente provocadas pelo jogo Baleia Azul. Estarão elas a ter um efeito de contágio? “O problema não é noticiar, mas sim como noticiar”, afirma o psicólogo Pedro Frazão, membro da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, que alerta para a possibilidade da multiplicação das notícias sobre casos concretos poder provocar, como sucede com o suicídio, “um fenómeno de identificação por parte de quem está em sofrimento, para além de dar a ideia que se está frente a uma “epidemia incontrolável”.

Notícias desenquadradas, apenas dando conta de mais casos, “não têm nenhuma vantagem, só causam alarmismo social, o que não vai resolver a situação”, alerta o pedopsiquiatra Augusto Carreira, que considera que o fenómeno está a ser tratado de “forma sensacionalista”, o que pode ter “efeitos nocivos”. Mas este especialista também considera que os media têm um papel importante a desempenhar para lançar um debate que procure encontrar o que está por detrás de comportamentos como os das alegadas vítimas do jogo Baleia Azul.

“Porque é que alguns jovens adoptam comportamentos autolesivos? O que é que os leva a magoarem-se?”, são alguma das questões propostas por Augusto Carreira, que lembra a propósito que este não é um fenómenos novo. “Os comportamentos autolesivos entre os jovens têm vindo a aumentar a nível internacional.”

Em Portugal são conhecidos sete casos de jovens que recorreram aos hospitais na sequência de autolesões alegadamente praticadas depois de terem tido contacto com o jogo Baleia Azul. Até esta quarta-feira, a Polícia Judiciária estava a acompanhar quatro destes casos e indicou que iria seguir aqueles que entretanto fossem surgindo.

Augusto Carreira diz que os jovens que aceitam os desafios colocados por este jogo são pessoas “frágeis, que são facilmente capturáveis pelas redes sociais”. Por isso, é necessário também alertar os pais para procuraram “saber o quer é que os filhos estão a fazer no escuro do quarto, frente a um computador”, frisar que é “muito importante que conversem com os filhos” e que “promovam outros estilos de vida mais saudáveis”.

Fenómenos como o deste jogo vão abranger sobretudo pessoas que “já estão em situação de sofrimento” e por isso é também preciso alertar para os sinais que podem revelar que os jovens estão em depressão ou em risco de suicídio, diz Pedro Frazão, frisando que os técnicos de saúde têm neste campo um papel fundamental não só na identificação, como na prevenção. “Não se pode passar a mensagem de que estes são factos consumados, porque não o são”, alerta.

Também o psiquiatra Álvaro Carvalho, coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, considera que as notícias sobre o jogo Baleia Azul têm de ser enquadradas, embora considere que fenómenos como o deste jogo não são equiparáveis, em termos de contágio, aos do suicídio. “É preciso alertar a opinião pública, esclarecer, lançar o debate e esse é um papel que também cabe aos media”, acrescenta.

Álvaro Carvalho revela que a Direcção-Geral de Saúde e a Direcção-Geral de Educação elaboraram já um documento com vista a esclarecer os pais e professores sobre o que é este jogo e os perigos que representa. Este documento, diz, deverá começar a ser distribuído nas escolas em breve.

 

 

 

“Os filhos fechados em casa não estão mais seguros” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 5, 2017 às 4:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) ao Jornal de Notícias de 30 de abril de 2017.

 

Manuela Eanes pressiona PGR a bloquear Baleia Azul

Maio 5, 2017 às 3:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 5 de maio de 2017.

Manuela Eanes | Ângelo Lucas / Global Imagens

Presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança está a reunir apoios para convencer Joana Marques Vidal a bloquear links

“O desafio Baleia Azul é um assunto tão grave que não pode esperar uma semana nem um dia. Temos que atuar já, antes que morra algum jovem”. O alerta foi dado por Manuela Ramalho Eanes, a presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança (IAC), que durante o dia de ontem reuniu apoios de alguns nomes conhecidos na defesa dos direitos dos menores para tentar sensibilizar a procuradora–geral da República, Joana Marques Vidal, a “acelerar o bloqueio de links” como o caminho mais curto para prevenir o risco.

Em declarações ao DN, à margem do quarto Fórum Abrigo, que decorreu no Montijo, Manuela Ramalho Eanes sustentou estar em causa “um crime”, pelo que, diz: “Aqui não se pode falar em liberdade. Não podemos esperar que um menor se automutile ou se suicide e não fazermos nada para o evitar. O perigo está iminente”, insistiu, acrescentando que a procuradora “é uma a pessoa muito sensível e vai perceber como é inaceitável que se esteja à espera para agir”.

A presidente honorária do IAC lamentava os quatro casos já conhecidos no país, de jovens que, alegadamente, se automutilaram no desafio da Baleia Azul – um “jogo” que terá origem numa rede social da Rússia, onde mais de cem jovens já se suicidaram – numa altura em que o Ministério Público já abriu quatro inquéritos e a PJ investiga, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático, para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país. O JN escreveu que a adolescente de Matosinhos, internada no Porto, recebia ordens de um brasileiro, que lhe ligava de madrugada.

“Temos uma unidade de cibercrime que funciona muito bem na PGR, mas os links têm de ser bloqueados por ordem do Ministério Público, porque estão em causa vidas humanas e há que prevenir”, alertou Manuela Eanes.

Ao seu lado nesta causa já tem nomes como Laborinho Lúcio, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e Luís Villas-Boas, diretor do Refúgio Aboim Ascensão.

Armando Leandro admitiu estar atento ao fenómeno. “Iremos atuar, caso haja jovens com menos de 18 anos envolvidos no jogo”, disse. Já Laborinho Lúcio aponta o dedo ao fácil acesso dos menores à internet, perante o distanciamento dos pais.

“Os educadores têm cada vez menos tempo para estarem com as crianças e elas acabam por ser libertadas para uma vontade imediata”, sublinhou, destacando que é neste quadro que se inscreve a apetência dos jovens por desafios como a Baleia Azul. “Nós deixámos instalar na sociedade uma grande violência e hoje os jovens têm uma expressão muito violenta na sua relação. Isso passa para as crianças”, referiu.

Luís Villas-Boas também defendeu a necessidade “urgente” de bloquear os links suspeitos, admitindo que os jovens, entre 12 e 18 anos, em situação de “maior fragilidade emocional” serão “mais facilmente convencidos” a aderir. E deixa um recado para os adultos: “Este tipo de propaganda só acontece em certos grupos de jovens em que não haja pais ou amigos por perto capazes de impedir.”

 

 

Pelo menos oito vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal

Maio 5, 2017 às 2:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 4 de maio de 2017.

Além das quatro vítimas já conhecidas, pelo menos outras quatro deram entrada ontem nas urgências de pedopsiquiatria do Porto

Já serão pelo menos oito as vítimas do desafio Baleia Azul identificadas em Portugal. Ontem, quarta-feira, uma adolescente de Matosinhos foi internada no Hospital de S. João, no Porto, com sinais de automutilação – seria o quarto caso desde que se soube que o jogo já fazia vítimas em Portugal, estando as anteriores sinalizadas em Setúbal, Portalegre e Faro – mas, segundo a RTP, pelo menos mais quatro adolescentes deram entrada também na quarta-feira nas urgências de pedopsiquiatria do Porto.

De acordo com as informações adiantadas pela estação, nenhum dos adolescentes ficou internado, mas todos foram reencaminhados para a consulta de comportamentos autolesivos do Hospital de Magalhães Lemos.

À RTP, a responsável pela consulta, Otília Queiroz, não quis falar de casos particulares, mas não escondeu preocupação com o “caráter predatório” do jogo que coloca desafios aos participantes, sendo o objetivo final levá-los ao suicídio. Os alvos são, normalmente, jovens mais fragilizados, e a forma como o jogo da Baleia Azul tem sido divulgado nas escolas poderá potenciar o número de vítimas. “Temos perfeita noção de que é um fenómeno viral”, referiu.

O Ministério Público abriu entretanto quatro inquéritos relacionados com o jogo online e a a PJ está já a investigar, em contacto com os inspetores da Unidade Nacional do Crime Informático (unc3t), para tentar seguir o rasto dos curadores do jogo e perceber se há portugueses envolvidos ou se as ordens vêm todas de fora do país – esta quinta-feira, o JN escreve que a adolescente de Matosinhos internada no Porto recebia ordens de um cidadão brasileiro, que lhe ligava para o telemóvel de madrugada.

A PJ, conforme o DN adianta na edição de hoje, está “muito preocupada” com a propagação do jogo na internet.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu ainda o DN de que nos quatro inquéritos abertos os responsáveis que forem encontrados – curadores ou administradores do jogo – incorrem no crime de incitamento ou ajuda ao suicídio, punível até 5 anos se a vítima for menor e atentar contra a própria vida e até 3 anos se a vítima for adulta.

Desafio da Baleia Azul fez mais duas vítimas

Maio 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de maio de 2017.

 

Baleia Azul: a história de uma notícia falsa que se tornou um verdadeiro problema

Maio 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://tek.sapo.pt/ de 3 de maio de 2017.

As notícias que surgiram nos últimos dias relacionadas com um jogo que desafiava os jovens a comportamentos de automutilação está a preocupar pais e educadores. O Centro Internet Segura Portugal ajudou o TeK a contextualizar o problema.

Suicídios, automutilações e notícias de jovens apanhados numa rede de onde não conseguem escapar, com perseguições e ameaças, têm-se propagado nos últimos dias pela imprensa internacional e mesmo em Portugal, onde as informações de cariz sensacionalista também atingiram grandes proporções. O Centro Internet Segura Portugal, que tem a missão de desenvolver actividades de sensibilização para a segurança online e integra a rede europeia InSafe, aconselha porém alguma ponderação em relação ao carácter alarmista das notícias, num fenómeno que passou rapidamente de uma fição para uma ameaça real.

Sofia Rasgado, coordenadora do Centro Internet Segura Portugal explica ao TeK que a equipa portuguesa tem estado em contacto estreito com os parceiros internacionais e também com os parceiros nacionais, que incluem diversos tipos de organizações, incluindo a PSP e a PJ, para investigar e acompanhar a evolução do Desafio da Baleia Azul e explica a história que está por detrás do fenómeno que terá tido origem na Rússia.

“Há quase um ano atrás, em maio de 2016, a rede de Televisão Russa “Russia Today”, exibiu uma reportagem sobre grupos pró-suicídio na rede social VKontakte. Alegadamente, uma adolescente suicidou-se após juntar-se a um destes grupos que aliciavam adolescentes com vídeos de cariz enigmático, recorrendo a códigos e símbolos. A rede explicou que estava a ocorrer um fenómeno de massificação destes grupos designando-o por ‘Cyber Suicide Industrial Complex’“, explica a coordenadora do Centro Internet Segura Portugal.

Depois disso uma agência noticiosa russa, a Novaya Gazeta, reportou 130 suicídios e “uma história com as primeiras referências específicas ao desafio designado por “Baleia Azul” onde um moderador/administrador anónimo atribui aos participantes um conjunto de desafios que devem completar diariamente, perfazendo um total de 50 desafios que giravam à volta de comportamentos de automutilação”.

O nome “Baleia Azul” que foi atribuído ao fenómeno referia-se a um comportamento das baleias que propositadamente dão à costa, onde acabam por morrer.

Os relatos que são recolhidos indicam que quando os utilizadores não cumprem os desafios são ameaçados de diferentes formas, passando pela humilhação, sobre-exposição ou revelação de algum segredo da vítima, ou mesmo a agressão do próprio ou dos seus familiares e amigos.

Em novembro de 2016, o website de notícias russo RBTH relatou que um jovem foi detido por ser um administrador de um grupo pró-suicídio na rede social VKontakte. Embora este caso não estivesse diretamente associado ao caso do jogo “Baleia Azul”, existia uma forte convicção no poder deste grupo, que se estabeleceu com a prisão efetiva deste jovem.

Já no início deste ano, entre fevereiro e março os tablóides britânicos pegaram na história e replicaram a informação das alegadas 130 mortes na Rússia, com o Daily Express, Daily Mail e Sun a partilharem fotografias de raparigas adolescentes que morreram depois de, supostamente, terem participado nos desafios a completar diariamente, com comportamentos de automutilação.

Sofia Rasgado admite que todas as investigações que se seguiram não provaram a existência destes desafios, nem de casos comprovados, o que indica que a informação não é fidedigna. “Uma investigação realizada pela Radio Free Europe envolveu a criação de perfis “isco”. Esta investigação não teve resultados e tudo aponta para que, nem os suicídios, nem a prisão do jovem, estejam ligadas ao desafio. A história foi dada como “unproven” (não comprovada) pelo website Snopes, que se especializa na validação e desmistificação de vários rumores online”, refere.

Entretanto, no website “NetFamilyNews.org”, Anne Collier, assume que estes artigos não são fidedignos e tratam-se de uma manipulação que pode “afetar pais e crianças vulneráveis”, citando um dos membros do Centro Internet Segura Búlgaro, Georgi Apostolov.

A Polícia Britânica acabou por emitir um aviso sobre o jogo, uma ação que foi replicada por autoridades noutros países, mas a iniciativa foi criticada por estar a dar visibilidade a um hoax, uma informação falsa para enganar um grupo de pessoas, fazendo-as acreditar numa informação que não é real.

Da autoridades policiais o caso dos avisos também escalou a outras organizações. Na Europa, uma das “Linhas Ajuda” da rede “Insafe” reportou que o Ministro da Educação do seu país enviou avisos para todas as escolas, referindo sugestões genéricas sobre jogos online serem perigosos e viciantes, mas sem nenhuma informação que sugerisse que o jogo “Baleia Azul” fosse falso. Na Roménia, já este ano, e após os vários relatos de jovens que ficaram feridos ao participarem nestes desafios, o Ministério dos Assuntos Internos atribuiu à polícia nacional a tarefa de realizar um conjunto de campanhas de sensibilização em escolas, a informar sobre os riscos deste desafio.

“Numa reunião recente dos Centros Internet Segura Europeus, tornou-se claro que embora o jogo “Baleia Azul” possa ter sido inicialmente uma notícia falsa, está a atingir proporções problemáticas com consequências muito graves, baseadas na certeza que alguns jovens e adultos podem estar a explorar o medo em torno deste fenómeno para incentivar outras pessoas a ter práticas de automutilação, e a partilharem os resultados destes comportamentos online”, explica Sofia Rasgado.

Mesmo sem ter sido encontrada nenhuma prova que estabeleça uma ligação entre qualquer suicídio ou morte e este desafio da Baleia Azul, a “Linha Ajuda” do Centro Internet Segura Francês já reconheceu que estes desafios estão a atrair crianças e jovens, em particular os que se sentem deprimidos ou se sentem mais suscetíveis ou predispostos a adotar práticas de automutilação.

Sofia Rasgado lembra porém que “o medo que se prende com o conceito dos cultos suicidas adolescentes online não é recente”. Em 2001, um filme de terror japonês chamado “Suicide Club” explorou esse medo, ao retratar um conjunto de mortes estranhas, envolvendo 54 estudantes que se atiraram para uma linha de comboio. Durante a investigação, os polícias são conduzidos a um website repleto de códigos e símbolos, que está a prever as mortes. Mas alerta para o facto de “o fenómeno da Baleia Azul torna-se mais “apelativo” e mediático, considerando que ocorre numa rede social que a grande maioria das pessoas, incluindo jovens, utilizam”.

O TeK vai continuar a desenvolver com o Centro Internet Segura Portugal uma série de artigos nos quais pretende abordar de forma mais aprofundada as questões relacionadas com este fenómeno. No próximo artigo vamos falar das verdadeiras vítimas deste jogo que já se tornou um verdadeiro problema com contornos criminais.

 

 

 

Começou a jogar o Baleia Azul? “Saia o mais depressa possível e peça ajuda”, diz Daniel Sampaio

Maio 4, 2017 às 11:08 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 3 de maio de 2017.

O jogo é perigoso quando falamos de pessoas vulneráveis, diz Daniel Sampaio. Miguel Manso

Psiquiatra Daniel Sampaio falou com jovens que lhe disseram que há amigos e colegas vulneráveis contactados por curadores do desafio online.

Ana Henriques e Clara Viana

Há um traço comum entre os jovens que estão a ser desafiados para entrar no jogo online da Baleia Azul: estão fragilizados ou em sofrimento psicológico. Quem o diz é o psiquiatra Daniel Sampaio, que tem estudado o comportamento dos adolescentes. Na imprensa internacional começa, entretanto, a ser posta em causa a genealogia deste jogo.

Daniel Sampaio contou ao PÚBLICO que falou recentemente com quatro jovens que têm amigos ou colegas aliciados para o Baleia Azul e todos lhe relataram o mesmo: que um responsável pelo desafio, um curador com um perfil falso, os convidou para o jogo depois de os adolescentes terem deixado online pistas de que se encontravam fragilizados ou em sofrimento psicológico. “Há muitos jovens que escrevem mensagens na Internet a dizer que não estão bem e segundo me dizem são esses que são contactados”, explica o psiquiatra, chamando a atenção para a gravidade deste tipo de actuação.

O incitamento ao suicídio é considerado crime. Quem tentar convencer outra pessoa a fazê-lo ou lhe prestar ajuda para esse fim sujeita-se a uma pena de prisão até três anos caso a tentativa seja mesmo feita ou venha a consumar-se. Se a vítima tiver menos de 16 anos ou padecer de incapacidade de compreensão a moldura penal sobe até aos cinco anos de cadeia. O Código Penal determina ainda que quem publicitar um produto, objecto ou método de suicídio é punido com pena de prisão até dois anos ou então com uma multa.

“Se as coisas se passam conforme me relataram, identificar a fonte de recrutamento [das vítimas] revela-se um aspecto fundamental”, sublinha Daniel Sampaio, para quem o risco acaba por ser reduzido se os jovens em causa estão bem consigo próprios: “Um jovem normal não adere – ou, se adere, isso não tem consequências”, equaciona. “O jogo em si não provoca suicídio, nem automutilação. É perigoso quando falamos de pessoas vulneráveis. Aí, pode funcionar como factor precipitante do suicídio.”

Para quem já começou a jogar, o psiquiatra deixa um conselho: “Sair o mais depressa possível e pedir ajuda.” Um auxílio que poderá ser prestado, por exemplo, pela equipa que integra o Núcleo de Utilização Problemática da Internet do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que tem consultas às quartas-feiras e tanto auxilia jovens como os seus pais.

Daniel Sampaio defende também que os pais devem proibir os filhos de aceder a este jogo. Se não o conseguirem de imediato, devem acompanhar mais de perto os filhos, porque esta atitude poderá impedir, por exemplo, que o filho saia de casa para se dirigir a um local alto onde vai arriscar a vida, já que uma das 50 tarefas impostas aos jogadores do Baleia Azul passa precisamente por correr esse tipo de perigo.

 Notícia falsa?

Em declarações a um site de notícias russo, Lenta.ru, o alegado autor deste desafio, More Kitov, já disse que a sua intenção nunca foi a de levar menores ao suicídio, mas sim aumentar o número de frequentadores dos perfis dos administradores do jogo, tornando-os mais atractivos para quem quer colocar anúncios publicitários.

Pelo seu lado, Thiago Tavares, presidente da Safernet, uma organização não-governamental brasileira de combate ao crime na internet, não tem dúvidas de que o jogo Baleia Azul teve origem numa “notícia falsa” publicada em Maio de 2016 pelo diário russo Novaya Gazeta. Este artigo dava conta de uma série de suicídios de adolescentes na Rússia que, alegadamente, tinham participado em fóruns da rede social russa Vkontakte, onde aparecia a referência Baleia Azul.

Até agora ainda não existem provas da relação entre ambos. “Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que, sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens”, afirmou Thiago Tavares ao diário Globo.

 Em Fevereiro, na sequência do suicídio de mais duas adolescentes na Sibéria, o administrador do site foi detido. O caso continua em investigação. Foi por volta dessa altura que as notícias sobre o Baleia Azul chegaram ao Reino Unido, por via do jornal The Sun. E daí espalhou-se pelo mundo.

Fora da Rússia, um dos primeiros países onde o alegado jogo chegou foi a Bulgária. Mas também ali o Centro Para a Internet Segura alertou que não existem provas da ligação do Baleia Azul a uma onda de suicídios. “Essa incrível história atrai sites de tablóides, que lucram com visitas, acrescentando mais e mais detalhes e histórias horríveis, que não são apoiados por factos”, disse um dos responsáveis do centro ao jornal Balcan Insight.

 Também têm existido denúncias na imprensa internacional sobre a veracidade de fotos e vídeos que têm aparecido online apresentando mutilações das alegadas vítimas do jogo.

Em Portugal o mais recente caso de um jogador hospitalizado sucedeu esta terça-feira, depois de terem sido identificadas situações idênticas em Sines, no Algarve e em Portalegre, que estão a ser investigadas pela Procuradoria-Geral da República.

Serviços telefónicos de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal e na Europa

SOS – Serviço Nacional de Socorro 112

SOS Voz Amiga (entre as 16 e as 24h00) 21 354 45 45 91 280 26 69 96 352 46 60

SOS Telefone Amigo 239 72 10 10

Telefone da Amizade 22 832 35 35

Escutar – Voz de Apoio – Gaia  22 550 60 70

SOS Estudante (20h00 à 1h00) 808 200 204

Vozes Amigas de Esperança (20h00 às 23h00) 22 208 07 07

 

 

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