Sexting é cada vez mais comum. Cerca de um quarto dos adolescentes fazem-no

Março 11, 2018 às 6:24 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

De acordo com um estudo publicado esta semana, 14,8% dos jovens assumem enviar sexts e 27,4% recebê-los.

CATARINA LAMELAS MOURA

De acordo com um estudo publicado esta semana pelo JAMA Pediatrics, cerca de um quarto dos adolescentes usam os telemóveis para partilhar imagens, vídeos ou mensagens sexualmente explícitas – uma prática geralmente conhecida em inglês como sexting.

Partindo da análise de 39 estudos (com 110.380 participantes, com menos de 18 anos), esta meta-análise aponta que actualmente cerca de 14,8% assumem enviar sexts e 27,4% recebê-los. A discrepância pode ser explicada por vários factores: “alguns inquiridos podem relatar a menos as suas interacções de sexting, alguns sexters podem enviar a mesma imagem a várias pessoas e aqueles que recebem um sext podem não retribuir”, aponta o estudo.

Os investigadores focaram também a análise na prática não consentida, concluindo que cerca de 12% dos jovens já enviaram uma mensagem deste tipo sem consentimento e 8,4% foram o sujeito de uma mensagem enviada sem o seu consentimento.

Tendo em conta a crescente prevalência da prática de sexting – em linha com a ubiquidade dos telemóveis hoje em dia – os investigadores defendem que deve haver mais informação sobre sexting e as potenciais consequências e que este tema deve ser uma componente da educação sexual. Os estudos existentes mostram que “sexting é um indicador do comportamento sexual e pode estar associado a outras questões de saúde e de comportamentos de risco”, apontam.

“Fizemos este estudo porque o tópico é uma preocupação urgente para a maioria dos pais, que são confrontados com a dupla ameaça de tentar compreender o funcionamento do mundo digital, ao mesmo tempo tendo de navegar pelas conversas sobre o comportamento sexual com os seus adolescentes”, comenta Sheri Madigan, autora principal do estudo e professora na University of Calgary, no Canadá, ouvida pelo Culto.

A questão prende-se mais com a privacidade do que com a prática de sexting em si. “Quando se carrega no botão, a juventude confia que as imagens não serão partilhadas. Sexting não é um problema quando esta confiança não é violada”, indica Madigan. A tecnologia de eleição – o telemóvel – pode ser enganadora, dando uma ilusão errada de privacidade: “[os jovens] podem não ter um entendimento claro de que quando as imagens são enviadas, perdem o controlo de como os receptores lidam com as mesmas”. O sexting também se torna problemático quando os jovens são pressionados ou coagidos, seja por uma pessoa ou pelos pares, aponta ainda.

Também o tema pornografia de vingança (ou revenge porn, na expressão inglesa) – pessoas que publicam imagens ou vídeos com conteúdo sexual de parceiros – tem alarmado as autoridades. No ano passado, o Facebook anunciou que estava a testar na Austrália uma forma de prevenir a revenge porn, em colaboração com o organismo governamental de cibersegurança daquele país. A proposta passava por guardar imagens íntimas na forma de uma impressão digital, para impedir que qualquer pessoa fizesse upload dessa mesma imagem. No ano passado, dois casos chamaram a atenção dos media: o de uma rapariga filmada num autocarro, enquanto um rapaz tocava nas suas partes íntimas, durante a Queima das Fitas do Porto, e o de uma estudante da Universidade do Minho filmada seminua durante a semana académica, em Braga.

Madigan aconselha os pais a serem proactivos em relação à segurança digital, a “terem conversas abertas cedo e frequentemente, não apenas quando surge um problema”. Há alguns temas que merecem maior relevo: “Os riscos de sexting e as potenciais consequências legais; garantir que as crianças sabem que não está certo pressionarem ou serem pressionadas a enviar um sext e informá-las de que quando uma imagem é enviada, perdem o controlo da mesma”.

Há vários recursos que os pais podem consultar. A investigadora refere o Common Sense Media’s Sexting Handbook (em inglês).

 

 

Metade dos adolescentes é viciada em smartphones

Maio 17, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Observador de 3 de maio de 2016.

50% dos adolescentes são viciados nos smartphones e quase 60% dos pais confessam que os filhos são demasiado agarrados à tecnologia, segundo um estudo da Common Sense Media.

Metade dos adolescentes é viciada nos smartphones e quase 60% dos pais confessam que os filhos são demasiados agarrados à tecnologia, segundo um estudo da Common Sense Media. O estudo foi feito com base em mais de 1.200 pais e jovens para tentar perceber o nível de dependência dos telemóveis numa família e como os aparelhos influenciam as relações entre pais e filhos.

Cerca de dois terços dos pais consideram que os filhos gastam demasiado tempo com os telemóveis, e mais de metade dos filhos concorda com esse dado, enquanto 56% dos pais confessaram usar o telemóvel enquanto conduzem. O trabalho indica que 72% dos jovens sentem necessidade de responder imediatamente a mensagens ou a notificações vindas de um smartphone.

No que toca às relações familiares, 85% dos pais sente que o uso dos telefones não influenciou as relações que têm com os filhos, sendo que 89% dos filhos sentem o mesmo.

 

 

 

Study: The Number of Teens Reading for Fun Keeps Declining

Maio 30, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site time.com de 12 de maio de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

 Children, Teens, and Reading A Common Sense Media Research Brief

Charlotte Alter@charlottealter

New research released today from Common Sense Media finds that reading rates don’t just fall as kids grow up, but they’ve also dropped dramatically over the last three decades, with 45 percent of 17-year-olds admitting they read by choice only once or twice a year

A new study shows that kids read for fun less and less as they get older, with 45% of 17-year-olds saying they read by choice only once or twice a year.

Research released today from Common Sense Media shows that not only do reading rates decline as kids get older, but they’ve also dropped off significantly in the past 30 years. In 1984, 8% of 13-year-olds and 9% of 17-year-olds said they “never” or “hardly ever” read for pleasure. In 2014, that number had almost tripled, to 22% and 27%. Girls also tend to read more than boys, as 18% of boys say they read daily, while 30% of girls do.

Parents are also reading to their kids less than ever. In 1999, children ages 2 to 7 were read to for an average of 45 minutes per day. In 2013, that number had dropped to an average of just over 30 minutes per day. The researchers also found racial disparities: 75% of white children get read to every day, while only 66% of black children do and only 50% of Hispanic children. That disparity can translate into educational differences as well. In 2013, 46% of white fourth graders were reading proficient, while only 18% of black students and 20% of Hispanic students were reading at grade level. Those trends stayed roughly the same through eighth grade.

The decline in reading for fun is most easily explained by technological advances (i.e., kids would rather text than read), but education could have something to do with it as well. It’s no surprise that 53% of 9-year-olds read for fun every day, but only 19% of 17-year-olds do. Yes, the teenagers have more Instagrams to post, but they also have more homework to do.

But it’s impossible to ignore the prevalence of technology here: 45% of 17-year-olds say they only read once or twice a year, but in 1984, 64% said they read once a week or more. The researchers also investigated the effects of e-reading, which appear to be gaining traction as a substitute for paper books, even among kids. In 2010, 66% of 9- to 17-year-olds said they were loyal to paper books over e-books. That number dropped to 58% by 2012.

 

Tentado a comprar um tablet para o seu filho? As opiniões divergem

Dezembro 20, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Dezembro de 2012.

Rachel Saslow (Washington Post)

Se há brinquedo capaz de cativar as crianças nesta época festiva é o tablet. O que há de mais apelativo para uma criança do que luzes a piscar, sons divertidos e ecrãs sensíveis ao toque que lhes permitem mover coisas com um dedo pequeno e pegajoso?

Um inquérito de 2011 da Common Sense Media, uma organização americana que se dedica a informar pais sobre os efeitos da tecnologia e dos media, descobriu que 39% das crianças entre os dois e os quatro anos já usaram smartphones e iPads. O director geral e fundador da Common Sense Media, James Steyer, está convicto de que esse número cresceu ao longo deste ano.

Para tornar as coisas mais fáceis para pais, filhos e para o próprio iPad, há muitos protectores de iPad e iPod, capazes de os protegerem de baba e dentadas. Mas Steyer tem um conselho para adultos que estejam a pensar em comprar às crianças um iPad neste Natal: “Não. Ideia ridícula”, diz ao Washington Post.

Entre pais e peritos, a ideia de dar um tablet a uma criança é um assunto complicado. Há alguns inconvenientes óbvios. Por um lado, são caros – podem chegar aos 839 euros, na versão topo de gama mais recente. Também são frágeis. Mas a ciência ainda não é clara sobre como este aparelho afecta os mais jovens. Enquanto alguns peritos vêem o equipamento como inapropriado para o desenvolvimento, outros encontram alguns benefícios na tecnologia – e não apenas o de ajudar a manter a sanidade dos pais.

O iPad existe desde 2010, por isso não houve tempo suficiente para observar os efeitos a longo prazo nas crianças, observa Michael Rich, director do Centro de Media e Saúde das Crianças no Hospital Pediátrico de Boston.

Rich diz que as aplicações nos iPads e smartphones são limitadas como ferramentas de aprendizagem, visto que tipicamente se focam num tipo de aprendizagem por repetição – ensinam as crianças a identificar correctamente o A, o B e o C ou a mugir quando vêem uma vaca no ecrã. “O que é mais importante nesta idade é aprenderem a aprender, em vez de imitarem algo”, argumenta Rich.

Nada de ecrãs antes dos dois anos
Para além disto, estudos mostram que as crianças não aprendem nada de substancial (como uma língua) a partir dos ecrãs – seja de televisão, tablets ou computadores – antes dos 30 meses de idade. A Academia de Pediatras Americanos recomenda que os pais não ponham nenhum tipo de ecrã à frente de uma criança com menos de dois anos.

Um estudo de 2004 publicado na revista científica Pediatrics mostrou que as crianças com idades entre um e três anos expostas à televisão tinham tempos de atenção mais reduzidos até aos sete anos. Mas isto é um pouco como a questão da galinha e do ovo. “Vemos miúdos que já têm dificuldades em concentrar-se a serem postos em frente à televisão para se acalmarem”, diz Rich.

As crianças pequenas também têm dificuldades em transpôr para o mundo tridimensional aquilo que vêem em ecrãs bidimensionais (veja o vídeo no YouTube “A Magazine Is an iPad That Does Not Work”, no qual uma criança de um ano parece confusa ao deslizar o dedo numa revista para tentar mover as imagens).

“As crianças aprendem a fazer, não a observar”, explica o pediatra Howard J. Bennett, da clínica Chase Pediatrics, em Washington. “As pessoas em tempos pensavam que vídeos como ‘Baby Einstein’ [uma série de vídeos destinados a bebés] eram bons para crianças, mas isso já passou”.

Dar iPads para as crianças brincarem pode acabar mal, avisa Bennet. “Os ecrãs criam vício, por isso, quando lhos tiramos, vão provavelmente chorar.”

Já Allison Mistrett, fundadora e directora da Leaps and Bound, um centro de terapia ocupacional pediátrica, diz que já viu crianças a tornarem-se peritas no jogo “Onde está o Wally” num iPad, mas não conseguirem encontrar os sapatos numa sala desarrumada.

Da mesma forma, Rich diz que muitas crianças pequenas gostam de aplicações para pintar com os dedos, mas questiona se a versão bidimensional acaba a passar por cima da realidade. “O iPad não dá aquela sensação da tinta nos dedos. Por muito que isso custe aos pais, pensemos no quanto as crianças podem aprender sobre causa e efeito [a pintar com os dedos]. Não só conseguem desenhar, como conseguem deixar o próprio cabelo todo verde e obter uma reacção verdadeira da mãe”.

Bennet, porém, vê alguns benefícios práticos no iPad. Algumas crianças vêem filmes enquanto recebem injecções, o que é uma ajuda, já que a distracção é uma das melhores formas de lidar com a dor nestas idades. Normalmente, aconselha os pais a seguir a recomendação de que as crianças com mais de dois anos devem ter menos de uma ou duas horas diárias de exposição a um ecrã. “Devem ser um último recurso”, defende. “Não há problema em deixar uma criança usar um ecrã durante 15 a 30 minutos por dia se os pais tiverem de preparar o jantar e não tiverem outra forma de manter a criança ocupada e em segurança”.

Tecnologia com os pais ao lado
Por seu lado, Tonia Sanders, uma mãe a tempo inteiro e blogger, não vê problemas em pôr as crianças a usar tecnologia. Cada uma das filhas (uma com três e outra com seis anos) tem um iPhone e a mais velha teve um iPod Touch quando tinha dois. Ambas brincam também com o iPad da mãe.

Sanders diz que as aplicações inicialmente ajudam a filha mais velha a aprender a contar, aprender letras e identificar formas. Mais recentemente, tem-se interessado por aplicações que mostram o funcionamento do sistema digestivo e do sistema nervoso.

A ideia de que as crianças com menos de 30 meses não aprendem a partir de ecrãs não encaixa na experiência de Sanders. “Quando uma criança consegue apropriar-se da tecnologia em dez, 15 minutos, isso diz algo dessa criança. Eu não quereria limitar as capacidades dela. Esta é o mundo em que vivemos. Porquê impedir as crianças de aprenderem sobre tecnologia?”

Como muitos pais, Allison Mistrett está mais dividida. Tipicamente, afasta brinquedos com baterias em favor de jogos de faz de conta e de brincadeiras em parques infantis. “Mas o bebé de um ano já consegue desbloquear o meu iPhone, por isso aqui é onde entro em contradição comigo própria”, diz.

A directora da Leaps and Bound vê alguns benefícios na tecnologia de ecrã sensível ao toque. Os gestos podem ajudar a desenvolver competências motoras e coordenação entre os olhos e as mãos. E algumas aplicações podem ajudar na caligrafia. Os aparelhos também motivam os miúdos a estarem mais focados. “Se lhes damos um ecrã, eles ficariam nisso horas”.

Para minimizar a tentação dos miúdos de não fazerem nada para além de deslizar os dedos, Mistrett e o marido definiram limites para os filhos. O iPad foi configurado para que o filho de três anos apenas possa aceder a aplicações próprias. Mistrett deixa-o brincar com o tablet algumas vezes por dia, em períodos de dez a 15 minutos.

Rich e outros peritos dizem que se os pais vão permitir às crianças usar um tablet, deveriam sentar-se e brincar com eles. Desta forma, o pai, e não a tecnologia, é o professor. “O facto de a mãe abraçar a criança quando ela consegue fazer alguma coisa bem, o tom de voz da mãe – nada disso pode ser dado pelo iPad.”

Esta sugestão vai contra aquilo para que muitos pais usam um tablet: um “brinquedo de ‘cala-te’” (uma expressão usada pela indústria dos brinquedos, segundo a Common Sense Media), dado que os pais dão-os às crianças em situações em que estas têm de estar quietas, como restaurantes, salas de espera e aviões.

Estas são as situações em que Monica Sakala permite à filha de três anos brincar com o iPhone, embora com algum sentimento de culpa. “Gosto de pensar que poderíamos ir jantar fora e ela podia pintar ou ler um livro”, diz Sakala. “Nós não tínhamos estas coisas quando eu era criança. Tínhamos de nos entreter a nós próprios. Às vezes preocupa-me que pareça preguiça [dar-lhe o iPhone]”, refere ao Washington Post.

Como em tudo, a chave para usar o iPad em crianças pequenas é moderação, diz a maioria dos peritos. “O que digo aos pais é que há prós e contras”, diz Mistrett. “Mas se vão fazê-lo, então vejam as histórias e joguem os jogos juntos. Não lhos dêem simplesmente e vão-se embora”.

Mistrett sugere algumas regras: Limitar o tempo que as crianças passam a brincar com aplicações. Descarregar apenas aplicações apropriadas para a idade. E, talvez mais importante, certificarem-se de que a criança está a pestanejar.

Exclusivo Washington Post/PÚBLICO

 

 


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